Olá, amores!
O livro Só Teu é o volume 2 da trilogia Doce Desejo, para entender a trama é necessário ler o livro "Só Minha! Volume 1" que está disponível aqui na Lera.
A trilogia conta a história de um casal que viveu um tórrido relacionamento sensual, mas algumas pessoas são contra esse amor e farão de tudo para mantê-los separados.
Em meio a dor e ao sofrimento, Alexander tomou decisões impensadas que o levaram a consequências avassaladoras. Todavia, o médico e CEO fará de tudo para conseguir mais uma chance para o amor.
O que o ser humano é capaz de fazer para reconquistar a confiança da pessoa amada?
Só o trauma do fim fará com que as mudanças aconteçam, mas desta vez, o caminho de volta não será fácil.
Acompanhe agora o prólogo e descubra outro segredo que Sophie escondeu de Alexander. O romance continua com um enredo não-linear que aos poucos revelará segredos inesperados.
Boa leitura!
Esse livro é uma obra de ficção. Todos os personagens, lugares e acontecimentos descritos nesta obra foram criados pela mente da autora. Toda e qualquer semelhança com nomes, datas ou acontecimentos é apenas uma mera coincidência.
Copyright © 2.021 por Ana Paula P. Silva/ Yana Shadow.
Revisão: Heloisa Braga, Mestra em Língua Portuguesa.
Só Teu! Volume II da Trilogia Doce Desejo.
ISBN DIGITAL: 978-65-00-25666-6
Autora Yana Shadow.
Rio de Janeiro
Setembro de 2010.
O sol raiou por entre algumas nuvens enquanto o vidro da janela embaçava com o hálito quente das respirações aceleradas. Ricardo estava exausto, aquele era o quinto dia em que entrava na UTI neonatal para saber o estado de saúde dos netos, mas não conteve a dor que cresceu no peito, por entre soluços e choro, ele lamentou-se pelo sopro de uma vida que se foi.
Olhou mais uma vez para aquele ser tão pequeno e frágil na incubadora e desviou o olhar para a mulher alta e de cabelos grisalhos que adentrou o ambiente frio e impessoal.
― Precisamos contar ao Alexander! ― falou a voz pesarosa ao fixar os olhos em Sophie.
Ricardo tirou um lenço de linho azul do bolso e enxugou as lágrimas que teimavam rolar pelo rosto marcado por algumas rugas.
― Non! ― Sophie se manteve firme.
Ela ajeitou o terninho preto e caminhou em direção ao filho enquanto os enfermeiros abriam a incubadora.
― Você sabe como o Alexander é fraco, se contarmos o que aconteceu, ele vai largar tudo e voltar para o Brasil.
Ricardo fitou o corpo franzino de Rodolpho que não se movia e mirou no bebê franzino que não parava de se mover na outra incubadora, embora estivesse abaixo do peso, Alex lutava pela vida.
― Como a Nicole é desajeitada! Se ela tivesse mais cuidado ― reclamou em voz baixa enquanto tiravam um dos bebês da incubadora ― isso não teria acontecido ao meu neto.
Ricardo apontou para a equipe de enfermeiros que retirava o nenê da UTI neonatal.
― Vai para casa descansar, meu filho! ― Sophie tocou o ombro largo de Ricardo. ― Deixe que eu cuido de tudo.
Sophie acariciou o rosto do filho e o abraçou. A fisionomia impassível encarava o outro bebê que mexia as pernas na incubadora no meio do quarto com paredes em tons terrosos.
― Vou ver a Nicole. Ela está reagindo bem à cirurgia e eu quero observar de perto a recuperação dela. ― Ricardo se afastou da mãe. ― Logo eu vou suspender a sedação.
Uma mulher esguia entrou no quarto e os cumprimentou, a secretária de Sophie entregou uma folha e, logo em seguida, saiu do quarto.
― Vá descansar! ― Sophie o acompanhou até a porta. ― Eu vou visitar a Nicky e verificar o prontuário dela.
Logo que Ricardo se despediu, Sophie seguiu a passos largos até a equipe médica que solicitava a sua presença.
― O que está acontecendo? ― indagou Sophie com certa hostilidade ao notar que o bebê se mexia.
― Doutora Bittencourt! ― O pediatra esbelto e de pele morena cumprimentou. ― Os enfermeiros me chamaram assim que verificaram o pulso. Esse nenê está vivo, mas ainda inspira cuidados.
― Coloquem ele em outra sala da UTI neonatal e não conte a ninguém da minha família. ― Sophie mirou o bebê.
Rio de Janeiro, Brasil.
Setembro de 2015
Por alguns dias, Alexander correu por quilômetros na areia da praia. Nadou no mar e chorou. Depois de sete dias lutando contra as armadilhas da mente, ele passou mais tempo se exercitando na musculação e trabalhou mais do que nunca. Contudo, o sentimento devastador prevaleceu.
Em uma tarde chuvosa, ele ajeitou a haste prateada dos óculos, podia ouvir as batidas suaves da chuva fina contra o vidro enquanto lia a carta do pedido de demissão de Nicole.
Ele tirou o telefone do gancho e ligou para um número que não existia mais. Bateu o telefone com força e olhou para a porta com uma fisionomia inescrutável.
― Entre!
― Com licença!
― O que você quer, Isabella?
― Bom dia para você também, Alexander! ― Isabella jogou as longas madeixas cor de fogo para trás. ― Eu só quero saber como você está e oferecer meu apoio, caso você precise de alguém para conversar. Desde o jantar que eu não vejo você.
― Não pense que eu sou tão ingênuo para confiar na sua boa vontade. Eu vi a troca de olhares entre você e aquela que se diz minha mãe. Isso é culpa de vocês! ― Tirou os óculos e coçou o olho direito com o dedo do meio. ― Eu não preciso de você e muito menos da Josephiné. Entendeu?
Aquela reação inesperada de Alexander a fez se remexer na cadeira. Nada acontecia da forma como Louise planejou.
― Isso é tudo, Dra. Dufour! Pode se retirar. ― Fez um gesto com as mãos mostrando a porta.
― Alexander, eu realmente...― Se movimentou ao ouvir o barulho do punho dele contra a mesa.
― Por favor, doutora Dufour!
Isabella ajeitou o jaleco branco que cobria a saia envelope preta e camisa rosa. Encarou Alexander, mas não disse uma palavra, apenas retirou. Passou por Jenny pela sala de espera e cumprimentou ao acenar a cabeça.
― Com licença!
Jenny ajeitou a blusa azul combinando com a calça da roupa que ainda usava após uma cesariana de emergência. Seguiu até a sala da diretoria assim que recebeu a solicitação de Alexander.
― Preciso conversar com você
― Se é sobre a Nicky, eu não quero me envolver.
― Sente-se! ― A voz gutural ordenou.
― Eu sei que você está com raiva, mas tudo tem um limite. ― A obstetra o enfrentou. ― A Nicky precisa de um tempo.
Alexander levantou da cadeira e seguiu até a janela, olhou para as gotas de chuva que caíam por entre as copas das árvores no pátio do prédio.
― Avise a ela que eu quero ver os meus filhos, é um direito meu e eu não abrirei mão disso! - Colocou a mão no bolso lateral. - Caso ela se negue, eu tomarei as providências necessárias.
― O que está acontecendo com você? ― reclamou, a voz afiada. ― Eu não estou te reconhecendo. O Alex e o bebê que ela está esperando não mereciam passar por tudo isso, muito menos a Nicky. Você devia protegê-la e não a atacá-la desse jeito.
― Chega, Jenny! O jardineiro da mansão viu o David ajudando-a com as malas. Ele viu quando a Nicky entrou no carro do seu primo. ― A carranca de Alexander a encarou. ― Ela foi embora com o David!
― Olha o que você está deduzindo! Você está deixando o ciúme afetar seu julgamento. Eu pedi pro David buscar a Nicky e o Alex e levar pro apartamento da Lana. ― Jenny levou a mão esbranquiçada à boca.
Pegando o telefone, Alexander apertou o ramal da secretária e solicitou os dados da enfermeira Lana Salvatori.
Antes que Jenny dissesse mais alguma palavra, ele organizou e guardou os documentos assinados que estavam sobre a mesa. Colocou o blazer slim preto sobre a camisa branca e pegou as chaves do carro.
― Que merda, Alexander! ― Ela resmungou. ― Por que você é tão impulsivo?
― Preciso vê-los. ― A expressão suavizou. ― Não durmo e não como direito há dias.
Jenny o acompanhou logo que ele pegou o endereço com a secretária e saiu apressado pelos corredores da administração. Nada o impedia de sair em busca da família, nem mesmo os argumentos e os pedidos de Jenny.