Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > SEMPRE TE AMEI
SEMPRE TE AMEI

SEMPRE TE AMEI

Autor:: RENATA PANTOZO
Gênero: Romance
Nos conhecemos desde sempre... Somos melhores amigos desde sempre... Amo meu melhor amigo desde sempre... Ele nunca me amará como quero e talvez seja hora de dizer adeus a esse amor

Capítulo 1 1

NARRAÇÃO MARCELA

Minha campainha toca sem parar. Me reviro na cama e bufo ao perceber que a pessoa esta desesperada do outro lado da porta. Só pode ser uma pessoa. Respiro fundo e jogo a coberta pra longe, um pouco irritada. Saio da cama a passos muito violentos no chão e vou para a porta abri-la. Assim que a porta se abre, o sorriso filho da mãe dele quebra minha irritação. Eduardo me olha com aquele jeito safado pidão que tanto amo. Esta com o cabelo castanho bagunçado, camisa meio aberta me mostrando seus poucos pelos, que meus dedos coçam para mexer. Olhos azuis muito desfocados me encaram. Ele está bêbado como sempre.

- O que foi?

- Você esta tão linda nesse pijama de velha.

Ergo uma sobrancelha e tombo a cabeça pra ele.

- Você bebeu...

Fecha um olho e mostra com dois dedos que bebeu só um pouco.

- Acho que bebeu muito.

- O suficiente pra te achar sexy nesse pijama.

Olho pra baixo e vejo que estou realmente usando um pijama de unicórnio horrível.

- Você me deu esse pijama.

Digo rindo e realmente é horrível. Mas foi ele quem me deu e isso me faz amá-lo.

- Preciso de abrigo.

Passa por mim e vai cambaleando pra dentro do meu apartamento. Fecho a porta e quando me viro, já esta se despindo. É sempre assim quando bebe demais. Foge da namorada louca dele e vem pra minha casa.

- Fernanda esta no seu apartamento?

- Terminei com a Fernanda.

Diz já só de cueca. Uma pontinha de esperança cresce em meu peito.

- Terminou?

Ando atrás dele que vai para o meu quarto.

- Sim... Ela é louca!

- Disse isso no primeiro dia que me apresentou ela.

- Você fala isso de todas as minhas namoradas. Você odiou todas.

- Não odiei todas as 500.

Sua risada alta me faz rir junto.

- Um dia vou achar uma mulher que preencha o padrão Marcela chata.

- Não sou chata!

Se joga na minha cama de bruços e sua bunda linda fica pra cima. Fico admirando a perfeição de seu corpo. Odeio ser apaixonada por esse infeliz, safado e gostoso.

- Você esta ocupando a cama toda.

- Deita em cima de mim, não consigo me mexer.

Bufo e vou para a cama. Me deito no pouco espaço que me deixou na cama.

- Você precisa parar de correr pra minha casa, sempre que bebe.

- Você precisa parar de ser chata. Melhores amigos não reclamam.

Envolve seu braço em torno da minha cintura e me puxa pra ele. Seu corpo se enrosca no meu, como sempre faz nas noites em que dorme aqui comigo. Beija minha cabeça e me aperta forte.

- Não sei como seria minha vida sem você. Sabe que é importante pra mim, né?!

Meu coração acelera mais que o normal quando estou ao seu lado.

- Terminei com a Fernanda por sua causa. Minha futura mulher tem que te amar, assim como te amo. Quero que sejam melhores amigas.

Fecho meus olhos, sentindo um aperto no peito.

- Tem que amar mesmo sendo chata. Eu te amo assim desse jeitinho.

Seu corpo praticamente engole o meu, de tão forte que me abraça.

- Diz que me ama, mesmo invadindo sua casa a essa hora.

- Eu te amo!

Sussurro ainda sentindo a dor de saber que ele só me vê como amiga.

- Amanhã me acorda com café preto e não abre a cortina.

Abro um enorme sorriso, pois ele sabe que o acordarei com uma bela claridade.

- Para de rir. Sei que é malvada.

- Dorme e não me irrita mais.

Sinto um beijo em meu pescoço que me arrepia toda.

- Boa noite, zoiuda!

Ri com o apelido que me deu na infância.

- Boa noite, bocão!

Capítulo 2 2

O despertador toca e tento me mover para desliga-lo, mas tem um corpo pesado demais enroscado no meu, que impede de me mover. Eduardo se quer se abala com o som irritante do despertador. É sempre assim quando dorme aqui. O empurro e ele rola pro outro lado da cama. Me estico toda e desligo o despertador. São 5:30h da manhã e tenho certeza que a bela adormecida ao meu lado não vai acordar agora. Me levanto e antes de sair da cama, olho o corpo todo dele, me deliciando com a visão. Ele é tão lindo e perfeito... Suspiro e saio da cama, indo para um banho me acalmar um pouco.

******************

Termino meu banho e me enrolo no roupão. Saio do banheiro e Eduardo ainda esta do mesmo jeitinho que deixei. Vou para o meu armário e separo uma calça social preta, uma calcinha, um sutiã, uma sapatilha e uma blusinha básica. Agarrada as minhas coisas, vou andando para o banheiro. Uma ideia absurda passa pela minha cabeça. Se me trocar aqui e ele acordar e me ver nua, talvez, pode ser, que se apaixone. Coloco minhas coisas sobre a cama e pego o meu creme. Timidamente tiro a toalha e a coloco na cama, também. Começo a me arrepender da merda que pensei. Quando vou pensar em pegar a toalha de novo ele se mexe, fazendo meu corpo paralisar. Eduardo apenas vira de lado e suspira. Seja forte! Se faça de sensual. Abro o creme e olhando para ele, o viro sobre a minha mão.

- Merda!

Sussurro ao ver o creme mole cair em excesso e tento colocar de volta no pote.

- Inferno!

É creme demais na minha mão. Pior é que ele se quer acordou e não posso me lambuzar de forma sexy. Preciso de alguma forma acorda-lo. Começo uma tosse estranha e nada dele acordar. Vou derrubando as coisas a minha volta no chão.

- Zoiuda, me deixa dormir.

Resmunga e cobre a cabeça com o meu travesseiro. Reviro os olhos, pois nem olhou para mim. Passo todo o creme em meu corpo, mas é tanto que fico toda melada. Estou irritada, incomodada e me sentindo uma idiota. Passo a toalha pra tirar o excesso do creme e me visto mais rápido que posso. Saio do quarto e vou pra cozinha fazer café.

********************

Termino de colocar o café na bandeja, junto com as panquecas e o bacon. Hora de acordar meu amor platônico. Vou para o quarto segurando firme a bandeja. Entro em meu quarto e me sento na cama, ao seu lado.

- Bocão...

O chamo e só resmunga.

- Acorda pra comer.

Eduardo abre apenas um olho para me ver.

- Que horas são?

- A mesma hora que sempre te acordo quando preciso ir trabalhar e você dorme bêbado em casa.

- Você é muito metódica.

- Você é muito sem rumo.

Sorri e fecha os olhos.

- Fez o café de sempre?

Tento não rir.

- Sim... Café, panquecas e bacon.

Abre um olho de novo e olha a bandeja.

- Coloquei muita calda.

Seu sorriso lindo surge e ele vai se sentando, gemendo muito. Coloco em seu colo a bandeja e pego minha xícara de café.

- Você precisa parar de vir bêbado pra minha casa.

- Por que? Durmo bem, ganho café na cama e ainda fico com a minha melhor amiga.

- Você é muito cara de pau.

- Gosto de ficar com você, zoiuda.

Se curva e me da um beijo no rosto, se afastando pra comer em seguida.

- Você trabalha demais, nunca sai pra curtir e vive enfiada em casa.

Diz cortando a panqueca.

- A única forma de te ver e ficar com você é assim, nas madrugadas.

- Isso foi fofo, mas sabemos que não é o único motivo. Vem pra cá para fugir das loucas mulheres da sua vida.

Abre um enorme sorriso e enfia um enorme pedaço de panqueca em sua boca. Mastiga sem problemas e começo a rir. Por isso dei o apelido de bocão. Enfia pedaços enormes de comida na boca e mastiga como se fossem pequenas. Sem contar que vivia roubando minha comida.

- Qual a graça?

Pergunta de boca cheia.

- Sua enorme boca.

- Não faz ideia do que essa boca faz...

Queria tanto saber... sentir... provar... Dou um belo gole no meu café para afastar o desejo.

- Não vai comer nada?

- Sabe que não tenho fome de manhã.

Olho meu relógio e já são 6:30h.

- Precisamos ir trabalhar.

- Você precisa.

Diz irônico e pisca em seguida.

- Cretino!

Jogo uma almofada nele.

- Nem todo mundo é filho do dono da empresa, que entra meio dia no trabalho, fingi que trabalha e sai as 17h pra gandaia.

- Vem trabalhar comigo. Vai poder ter essa mesma mordomia.

- Não, obrigada! Gosto de me sentir importante e de fazer parte de um sistema empresarial perfeito.

- Quem disse que meu sistema empresarial não é perfeito?

- Pode ser perfeito pra você, não pra mim.

Vou até o Eduardo e beijo sua cabeça.

- Deixe a chave na portaria quando sair.

- Sim, senhora.!

E vai pra sua casa tomar banho. Nada de usar minhas coisas.

- Deixei roupa aqui há dois dias atrás, você lavou?

Olho pra ele irritada, que sorri.

- Sei que lavou. Vou tomar banho aqui e ir pra empresa.

- Seu apartamento fica na cobertura desse prédio. Para de ser preguiçoso e vai pra sua casa.

Eduardo enfia um enorme pedaço de bacon na boca e mastiga me ignorando.

- Tchau!

*****************

Entro na minha sala e jogo minhas coisas sobre a minha mesa.

- Já vi que hoje vai ser um dia de merda!

Bruna diz entrando na minha sala. Bufo e me jogo na cadeira.

- Não sei mais o que fazer?

Digo exausta e perdida. Bruna sabe da minha paixão por Eduardo.

- Por que não fala pra ele o que sente?

- Se tivesse certeza que ele me vê mais do que sua melhor amiga, diria que o amo.

Respiro fundo e olho para Bruna.

- Mas ele não sente nada por mim. Se quer me vê como mulher.

- Você não é o tipo de mulher que ele olha.

Fala com uma cara de que não devia ter dito.

- Como assim?

- Você usa sempre uma calça social preta larga e uma blusinha básica horrível. Nunca passa uma maquiagem ou usa salto. Nunca te vi de vestido ou saia.

- Não gosto dessas coisas. Isso só esconde as pessoas.

- Isso te valoriza.

- Gosto de como sou. Não vou me fantasiar para conquistar o Eduardo.

- Marcela, você é linda! Mesmo sem nada disso os homens te olham.

- Quem me olha?

- Thiago, Rafael e Inácio...

- Para de tentar me animar.

- Não estou tentando te animar. Eles realmente olham pra você de um jeito mais intenso.

Deito sobre a minha mesa e esbravejo mil coisas.

- Quero o Eduardo!

Digo com a boca abafada na mesa.

- Então fale com ele.

- Não quero perder nossa amizade. Se não sentir nada por mim, vamos perder tudo o que temos.

- Então o conquiste.

- Não quero me transformar nessas peitudas plastificadas que ele sai, só pra me olhar.

Digo tirando minha cabeça da mesa e olhando pra ela.

- Desisto de você...

Bruna diz batendo os pés e sai da minha sala irritada.

- Desistir...

Sussurro a palavra algumas vezes.

- Talvez seja isso...

Olho para o porta retrato duplo meu e de Eduardo sobre a minha mesa. De um lado uma foto nossa bebês e do outro, uma que tiramos ano passado em meu aniversário. Em nome da nossa amizade, talvez eu deva desistir desse amor. Acho que chegou a hora de largar esse amor que me acompanha há anos. Esta na hora de encontrar um novo amor.

Capítulo 3 3

Termino de verificar a ultima planilha dos gastos relacionados à publicidade da empresa. Olho meu relógio e já são 19h. Hora de ir pra casa, tomar um banho, jantar e assistir minhas séries até dormir. E provavelmente ser acordada na madrugada pelo homem que amo, completamente bêbado e lindo. Merda de vida! Talvez não devesse abrir a porta. Deixa-lo do lado de fora seria o primeiro passo para esse amor morrer. Recolho minhas coisas e saio da minha sala. Vejo Bruna e Rafael conversando perto do elevador.

- Marcela!

Rafael diz todo sorridente e me lembro do que Bruna falou dele gostar de mim.

- Rafael!

Respondo da forma mais simples possível. Não o quero achando que correspondo qualquer sentimento. Me aproximo e reparo nele todo. Não! Impossível termos algo. Ele não tem o cabelo lindo como do Eduardo. Nem o olhar sedutor e o sorriso delicioso do homem que não sai da minha cabeça. Sei que preciso esquecê-lo achando alguém, mas Rafael não será essa pessoa. Também preciso entender que nenhum homem será como meu Bocão.

- Estamos combinando de ir no bar. Quer ir junto?

Ele pergunta e Bruna ri.

- Sabe que Marcela não sai.

A risada dela me irrita.

- Quero!

Digo firme, mesmo sabendo que vai dar merda e vou me arrepender.

- Sério?!

Estreito meus olhos para Bruna que parece chocada.

- Sim. Estou precisando tirar uma coisa da cabeça e ir ao bar pode ser uma boa.

Ela entende a dica e sorri.

- Uma ótima ideia.

- Então vamos!

Bruna segura minha mão.

- Rafael vai indo que logo te encontramos lá.

Ele vai embora no elevador e fico sem entender nada.

- O que foi?

- Você não vai assim...

Aponta para as minhas roupas.

- Assim como?

Olho para mim, um pouco perdida.

- Pelo amor de Deus! Acha que isso vai atrair algum homem, além do nerd do Rafael?

- Gosto dessa roupa!

- Mas essa roupa não gosta de você. Deve gostar de alguma senhora de 80 anos.

Ri da minha cara mais uma vez.

- O que quer que eu use? Uma saia que mostre minha calcinha e um decote valorizando os seios que não tenho?

Digo irritada demais com ela.

- Não vou vender meu corpo pra homem nenhum.

- Não estou dizendo para vender seu corpo, mas sim valoriza-lo. Você é linda e tem um belo corpo. Devia se arrumar pra você e se amar. A sensação que tenho é que se veste assim por trauma ou por punição.

- Gosto das minhas roupas.

- Então seu problema é péssimo gosto mesmo.

Aperta o botão do elevador e as portas se abrem.

- Vou dar um jeito nisso.

- Jeito?

Me arrasta pra dentro do elevador com um sorriso estranho.

- Vamos para a minha casa nos arrumar.

- Mas vai ficar tarde pra ir ao bar. Queria voltar pra casa antes das 22h. Vai passar minha série preferida.

- Vou fingir demência com você. Cala a boca e me deixa te ajudar.

************

Quase duas horas depois estamos prontas. Bruna esta com um vestido vermelho quenga, até os joelhos, frente única. Batom da mesma cor e sapatos pretos. Me neguei a parecer uma quenga também e pareço apenas uma vassoura de luto, maquiada. Estou com um vestido preto até os joelhos, com um leve decote na frente e um rabo de cavalo. Bruna disse para valorizar meu pescoço de girafa e estou aqui com ele todo aparecendo. Me neguei também a passar batom. Essa merda gruda nos dentes quando falo. Mas estou com dois espanadores na cara e cada vez que pisco eles espanam o ar.

- Preciso mesmo desses cílios. Demorou em torno de um minuto pra piscar de tão pesados que são. Pareço até que estou drogada de tão lento que pisco.

- Para de graça! Esta linda!

Me olho no espelho e não me reconheço. Isso me deixa um pouco incomodada. Parece que não sou eu.

- Vamos!

Bruna me puxa pela mão e quase caio de cara no chão, por causa dos saltos enormes que me fez usar.

- Não me puxa! Deixa que vou andando nas pernas de pau sozinha.

Bruna ri mais uma vez de mim.

- Tenta ser rápida ou só chegaremos amanhã no bar.

****************

Chegamos à frente ao bar, respiro fundo e entro lentamente com Bruna. Começo a me adaptar com os saltos. Entramos e o som da música já perturba meus ouvidos. Tento não fazer cara de irritação e abro um sorriso forçado.

- Não sorria assim, parece que esta doendo algo.

- E esta! Meus pés, meus olhos, minha lombar e meu orgulho.

Respondo e Bruna revira os olhos. Paro de andar quando vejo Eduardo. Ele esta ao lado de uma loira peituda, claramente jogando seu charme. Quero chorar, me dar um soco por ter vindo. Meus olhos se enchem de lágrimas e se unem aos cílios do caramba que me cegam. Não posso nem sair do lugar pra ir embora, porque nem a merda da saída enxergo.

- Marcela!

Caramba! Posso não ver quem me chama, mas a voz meu corpo reconhece.

- Vou para o bar!

Bruna sussurra.

- Não!

Sussurro de volta nervosa. Não quero ficar sozinha com ele assim.

- Uau!

O escuto exclamar e disfarçadamente limpo meus olhos. Voltando a equilibrar os cílios, consigo vê-lo na minha frente. Porque Eduardo tem que ser tão lindo?

- É você mesmo zoiuda? Parece outra pessoa.

- Sim, sou eu!

Digo muito brava. A cara que faz, da vontade de dar um soco nele.

- É estranho te ver assim!

- Estranho por quê? Só as peitudas siliconadas que você sai, podem se vestir assim?

- Não! É que isso não combina com você.

Estou me controlando para não surtar.

- Então não combina comigo ficar bonita?

- Não é isso! É que...

- Fique quieto, bocão! Antes que fale merda!

Tento sair de perto dele, mas me desequilibro e ele me ampara. Inferno de salto! O empurro e volto a andar, mas dessa vez com calma. Não quero pagar mais nenhum mico. Foco meus olhos no balcão e acho Bruna. Me aproximo e me sento ao seu lado.

- Como foi?

- Uma merda! Quero beber até esquecer que estou assim.

- Bebe comigo.

Pego seu copo e viro todo o liquido dentro dele na minha boca.

- Cacete!

Digo tossindo e a coisa queima minha garganta.

- Vai com calma!

- Nada de calma! Quero mais disso!

********

Não sei quanto dessa coisa eu bebi, só sei que estou sorrindo e não sei porque.

- Eduardo esta indo embora com a loira!

Bruna sussurra para mim e olho para a saída. Ele segura a cintura da mulher que vai andando a sua frente. Meu coração dói vendo isso. Era pra eu ser a peituda saindo com ele.

- Vou colocar silicone, talvez ele olhe pra mim.

Bruna ri alto e volto meus olhos para a minha bebida. A verdade é que volto um olho só pra bebida. O outro está fechado, colado pelo cílio que escorregou e não me deixa abrir o olho.

- Oi!

Uma voz masculina soa em meu ouvido.

- É gato!

Bruna sussurra no meu outro ouvido e viro para ver o cara. Com um olho só vejo que é até bonito. Não é lindo como o bocão.

- Oi!

Minha voz sai estranha, ele me olha estranho e se afasta.

- Acho que tem gente me chamando.

Vai embora e olho pra Bruna.

- Os cílios não sabem seduzir.

Nós duas caímos na gargalhada.

**************

O táxi para em frente ao meu prédio.

- Tem certeza que consegue achar seu apartamento sozinha?

- Tenho! Mesmo com um olho só. Já tirei as pernas de pau.

Mostro os saltos e abro a porta do carro.

- Se amanhã ficar de ressaca vou te matar.

- Boa noite!

Bruna diz rindo e saio do táxi. Meio tonta e estranha, vou pra dentro do prédio. Sigo para o elevador, ignorando o porteiro. Entro no elevador e com um olho tento achar meu andar. Olho o número e depois para o da cobertura. Abro um enorme sorriso.

- Vamos descontar. Ele fode meu sono eu fodo o sexo dele.

Aperto a cobertura e ela pede a senha. Digito a data de aniversario do bocão e as portas se fecham. Tudo roda enquanto o elevador sobe. Me seguro na parede do elevador pra não vomitar. O elevador para e as portas se abrem. Saio dele meio tonta e não vejo nada na sala.

- Amor! Cheguei...

Digo segurando o riso.

- Coisa linda!

Rapidamente Eduardo aparece na sala só de calça jeans.

- O que é isso?

Pergunta com um enorme sorriso. Antes que eu responda, a peituda aparece.

- Quem é ela?

Pergunta com a voz igual da mulher que vende um negocio de fazer iogurte na televisão. Minha risada é escandalosa.

- Quanto está a máquina de iogurte?

Pergunto chorando de rir e vejo Eduardo segurar o riso.

- Quem é ela Eduardo?

- Sou o anjo da guarda dele e vim expulsar peitudas.

- O que?

Ando até a mulher, focando com um olho só.

- Vamos... Chegou a hora de ir pra casa e por suas tetas pra dormirem.

Pego o braço dela e a puxo para o elevador.

- Eduardo!

A coitada pede socorro, mas o bocão só sabe rir. Jogo-a no elevador e dou um tapinha em cada teta dela.

- Boa noite, coisinhas!

Digito a senha e as portas do elevador se fecham. Solto um longo suspiro, aliviada.

- Você fica hilária bêbada.

Me viro e vejo Eduardo atrás de mim. Delicadamente tira o cílio colado do meu olho e graças a Deus volto a enxergar com os dois olhos.

- O que veio fazer aqui?

- Dormir! Estou tão cansada, bocão. Meus pés estão doendo, minha cabeça rodando e minha calcinha ta socada no meu rabo. Estou em um dia de merda!

- Quer ir pra cama no colo?

Ergo os braços e ele me pega no colo. Me deito em seu peito e posso sentir sua pele. Seu cheiro é ainda mais gostoso assim. Eduardo anda em direção ao seu quarto.

- Consegue tirar a roupa?

- Não consegui tirar a porra do cílio do meu olho. Acha mesmo que posso achar a calcinha no meu rabo?

Ele ri alto e me senta na cama, assim que entramos em seu quarto.

- Ergue os braços que vou tirar seu vestido.

- Não é uma boa ideia!

Digo meio que caindo na cama, mas ele me segura.

- Não quero que veja minhas azeitoninhas. Você costuma ver melancias e não quero passar vergonha.

Bocão me senta de novo na cama e dessa vez esta de joelhos na minha frente.

- Prometo não reparar nas suas azeitoninhas.

- Promete?

Ele abre o sorriso lindo.

- Prometo!

Ergo meus braços e fecho meus olhos. Eduardo puxa o vestido e quando esta na minha cabeça para de puxar.

- Olá, azeitoninhas!

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022