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SEU AMOR, SUA CONDENAÇÃO (Um Romance Erótico com um Bilionário)

SEU AMOR, SUA CONDENAÇÃO (Um Romance Erótico com um Bilionário)

Autor:: Viviene
Gênero: Moderno
Aviso de conteúdo/sensibilidade: Esta história contém temas maduros e conteúdo explícito destinado a audiências adultas (18+), com elementos como dinâmicas BDSM, conteúdo sexual explícito, relações familiares tóxicas, violência ocasional e linguagem grosseira. Aconselha-se discrição por parte do leitor. Não é um romance leve - é intenso, cru e complicado, explorando o lado mais sombrio do desejo. ***** "Por favor, tire o vestido, Meadow." "Por quê?" "Porque seu ex está olhando", ele disse, recostando-se na cadeira. "E quero que ele perceba o que perdeu." ••••*••••*••••* Meadow Russell deveria se casar com o amor de sua vida em Las Vegas, mas, em vez disso, flagrou sua irmã gêmea com seu noivo. Um drink no bar virou dez, e um erro cometido sob efeito do álcool tornou-se realidade. A oferta de um estranho transformou-se em um contrato que ela assinou com mãos trêmulas e um anel de diamante. Alaric Ashford é o diabo em um terno Tom Ford, símbolo de elegância e poder. Um homem nascido em um império de poder e riqueza, um CEO bilionário, brutal e possessivo. Ele sofria de uma condição neurológica - não conseguia sentir nada, nem objetos, nem dor, nem mesmo o toque humano. Até que Meadow o tocou, e ele sentiu tudo. E agora ele a possuía, no papel e na cama. Ela desejava que ele a arruinasse, tomando o que ninguém mais poderia ter. E ele queria controle, obediência... vingança. Mas o que começou como um acordo lentamente se transformou em algo que Meadow nunca imaginou. Uma obsessão avassaladora, segredos que nunca deveriam vir à tona, uma ferida do passado que ameaçava destruir tudo... Alaric não compartilhava o que era dele. Nem sua empresa. Nem sua esposa. E definitivamente nem sua vingança.

Capítulo 1 A traição

Ponto de vista de Meadow:

"Olá. Tenho uma reserva no nome de Meadow Russell."

Ao erguer o olhar, a recepcionista recuou num solavanco e seus olhos me varreram de cima a baixo, enquanto a boca, tingida de um vermelho sangue, se retorcia numa expressão clara de desprezo.

"Fala sério, né?", bufou ela, buscando cumplicidade com a colega ao lado, cujo rosto exibia o mesmo deboche escancarado.

Confusa, pisquei e franzi a testa antes de perguntar: "Perdão? Como é que é?"

Um novo olhar foi trocado entre elas, daqueles capazes de causar calafrios na espinha, o que me fez questionar qual era o problema. Minha única intenção era pegar a chave e aguardar a chegada de Tyler, meu noivo.

Faltavam poucas horas para o nosso casamento, uma cerimônia íntima planejada apenas para nós dois, e eu me recusava a permitir que qualquer pessoa estragasse meus planos, muito menos uma dupla de recepcionistas mal-encaradas.

Tombando a cabeça para o lado, a mulher de batom vermelho me encarou e disparou: "O seu check-in foi feito há duas horas. Então, se isso for alguma pegadinha, é melhor parar agora, ou vou ser obrigada a chamar a segurança."

Com as sobrancelhas unidas em estranhamento, deixei uma risada nervosa escapar. "O quê? Eu não fiz check-in nenhum."

A segunda recepcionista me analisou, como se ponderasse a situação, até se virar para a colega e ordenar: "Mostre para ela."

Embora contrariada e bufando, a mulher obedeceu, girando o monitor na minha direção e clicando num botão para exibir a lista de check-in, onde seu dedo apontou para o que eu temia - Meadow Russell, meu nome, nítido, preto no branco.

"Ah", soltei uma risada. "Deve ter sido meu noivo, que certamente usou meu nome para entrar. Como o combinado era eu chegar antes, acabei estranhando."

As recepcionistas trocaram outro olhar, parecendo confusas.

"Isso não é uma piada engraçada, senhorita. Você fez o check-in acompanhada de um homem duas horas atrás, e me lembro bem porque até elogiei essa blusa linda que está vestindo."

Meus olhos baixaram para o top branco curto com a estampa "NOIVA" no peito, um presente que Tyler me dera dias antes alegando que ficaria perfeito para a ocasião.

A recepcionista do batom vermelho completou: "E ainda comentou que ia se casar logo, logo."

Um peso esmagador despencou no meu estômago, arrastando meu coração junto, pois a sensação de que algo estava terrivelmente errado me dominou.

"Deve ser algum mal-entendido...", murmurei, sentindo a voz falhar.

Era impossível... não havia a menor chance.

Então afirmei com firmeza renovada: "Aquela não era eu."

Houve mais uma troca de olhares entre elas, e quando se voltaram para mim, notei uma expressão que beirava a pena, algo que me desagradou profundamente.

Por fim, soltando um suspiro, a do batom vermelho admitiu: "Não sei por que, mas acredito em você."

Ela se inclinou para buscar um cartão magnético e me entregou, murmurando com um sorriso forçado: "Espero que consiga resolver essa confusão."

Enquanto subia no elevador, eu não conseguia respirar.

Não... Juniper não faria isso...

Não depois de tudo.

Mas, ao deslizar o cartão na fechadura, meu coração disparou e o gosto amargo da bile subiu, e empurrar a porta serviu apenas para materializar meu pesadelo - Juniper, minha irmã gêmea, cavalgava meu noivo, gemendo alto a cada estocada forte que recebia por baixo.

Paralisada, encarei a cena por um minuto inteiro enquanto minha bolsa escorregava da mão com um baque surdo, e eu mordia a parte interna da bochecha até doer, com a visão turva por lágrimas que eles, alheios, nem notaram.

Numa tentativa fútil de me enganar, pensei que talvez ele não soubesse, que talvez achasse que Juni era eu, mas o pensamento soou estúpido antes mesmo de ser verbalizado, já que Tyler e eu nunca tínhamos transado.

"Mmhm, isso. Assim, amor...", gemia Juniper. "Você fode tão gostoso, querido."

Ouvir isso fez algo se partir dentro de mim, gritando para que eu fugisse em silêncio e nunca mais voltasse, mas uma força maior me desafiou a permanecer ali, e eu obedeci.

"Juniper...?", chamei com a voz falha. "Tyler?"

No instante seguinte, os dois se viraram para me olhar.

Um traço de surpresa passou pelos rosto de Tyler, mas desapareceu antes que eu pudesse piscar.

Quando ele a empurrou de cima dele, Juniper teve a audácia de reclamar por ter sido interrompida no quase: "Fala sério, Ty? Eu tava quase lá."

Ty?

Enquanto eu processava o apelido, Tyler saltou da cama arfando, sem se preocupar em se cobrir. "Juro por Deus que pensei que fosse você. Eu não..."

Ele começou a estender a mão para pegar meu braço, mas recuei, com meus olhos fixos em uma única pessoa.

Juniper.

Ajeitando o cabelo bagunçado com um sorrisinho presunçoso, ela destilou desdém: "Ah, por favor, amor. Já passou da hora de acabar com esse teatrinho, não acha? A situação está ficando patética."

Virando-se para ela, Tyler retrucou: "Qual é. É divertido."

"O que... do que vocês...?" Atordoada e sem palavras, percebi que essa familiaridade íntima indicava que não era a primeira vez que algo assim acontecia.

Pelo contrário, parecia que eles se conheciam muito bem.

Isso era algo que até soava impossível, visto que eu não via Juniper há dois anos e nunca a havia apresentado a Tyler.

"Como..."

Levantando-se com uma risada seca e também sem se cobrir, Juniper zombou sobre meu estado de choque:

"Ela tá entrando em choque, querido. A gente devia acabar logo com o sofrimento dela, né?"

Ela então o puxou para um beijo bem na minha frente, entremeado por gemidos e risadinhas.

Eu queria tanto ir embora, mas meus pés não se moviam.

Eles pareciam colados ao chão e, por uma razão doentia, eu não conseguia desviar o olhar.

Enquanto os olhos de Juniper fixavam os meus, a vi masturbar a ereção dele, e lutei para formar palavras com uma voz irreconhecível:

"V-você disse...", lutei para conseguir falar. "Você disse que não estava pronto pra transar ainda, Tyler. Disse que ia esperar o casamento."

Em resposta, Tyler jogou a cabeça para trás numa gargalhada, mordendo o lábio e gemendo pelo prazer que recebia, o que fez meus joelhos cederem e me obrigou a buscar apoio na parede para não desabar.

"Eu achei que você me amava!", gritei entre lágrimas.

Juniper soltou Tyler, que deu alguns passos em minha direção e segurou meu queixo, me imobilizando.

"Você achou que eu te amava, Meadow? Não. Juni é o amor da minha vida."

Capítulo 2 Novo alvo

Ponto de vista de Meadow:

As palavras ecoaram na minha mente, pausadas e devastadoras: "Juni é o amor da minha vida."

Juni.

É.

O.

Amor.

Da.

Minha.

Vida.

Quando ele perguntou, com escárnio, se eu realmente achava que ele me amava, não consegui respirar.

Embora minha boca se abrisse na tentativa de responder, nenhum som saiu, e meu cérebro simplesmente travou, incapaz de processar o absurdo que eu acabara de ouvir.

Com um empurrão brusco, Tyler soltou meu queixo, fazendo uma dor aguda irradiar pelo meu peito.

Minha voz saiu fraca, trêmula como a de uma criança, quando perguntei: "Por quê? Por que você faria uma coisa dessas comigo?"

Em resposta, Juniper soltou uma risadinha de satisfação enquanto caminhava na minha direção, completamente nua e sem qualquer vergonha na cara. "Ai, maninha, ainda não entendeu?"

Tombando a cabeça para o lado, com os olhos brilhando de malícia, ela completou: "Você foi apenas um peão no tabuleiro. Aliás, quanto tempo, hein?"

Sentindo minhas narinas inflarem de raiva, retruquei: "Você deveria ter ficado fora da minha vida."

"E eu fiquei, na maior parte do tempo", rebateu ela, estalando a língua no céu da boca. "Mas então me dei conta de que você não merece ser feliz. Foi aí que meu namorado precioso entrou na jogada."

Enquanto falava, ela acariciou o rosto de Tyler com um sorriso presunçoso.

Desesperada, me virei para ele e trinquei os dentes, implorando com um tom que beirava a súplica: "Isso é mentira! Por favor, Tyler, diga que é mentira. Diga que você não estava brincando com a minha cara esse tempo todo."

Respirei fundo, aguardando a resposta.

No entanto, após manter o maxilar tenso por um segundo, um sorriso de canto surgiu nos lábios dele, escurecendo seu olhar. "É verdade, Meadow. Por que acha que eu nunca quis te levar para a cama? Acreditou mesmo que era por respeito à sua vontade de esperar até o casamento?"

Carregada de deboche, Juniper interveio: "Você acha que Tyler te encontrou por acaso? Que ele simplesmente se apaixonou pelo seu jeitinho puritano e sem sal?"

Encostado na cama e de braços cruzados, Tyler ostentava um sorriso cruel ao admitir: "Juni me contou tudo sobre você antes mesmo de nos conhecermos. Seus hábitos, suas inseguranças, seu gosto para homem... Puta que pariu, cansei de fingir ser o bom moço. Mas, confesso, até que foi fácil."

O impacto dessas palavras me fez cambalear, e tudo doía - minha cabeça, meu peito e meu coração.

"Vocês... planejaram isso? Desde o começo?"

Com o sorriso se alargando, Juniper confirmou: "Claro que sim."

"Por quê? Por que fizeram isso comigo?", perguntei, com a voz embargada.

A voz de Juniper se tornou venenosa ao responder: "Porque ver você desmoronar é a única coisa que me faz sentir inteira."

Sem forças para me sustentar, meus joelhos cederam e desabei no chão, soluçando sem controle enquanto confessava: "Eu te amava... Eu amava ele."

Agachando-se ao meu lado, Juniper afastou os fios do meu rosto com uma ternura fingida. Doía constatar que alguém com a aparência idêntica à minha pudesse ser tão cruel, embora, se eu analisasse bem, ela sempre tivesse agido como uma vadia comigo desde o nosso nascimento.

"Eu sei", sussurrou ela, inclinando-se o suficiente para que o cheiro misturado de sexo e suor de sua pele invadisse minhas narinas. "É justamente isso que torna tudo tão deliciosamente satisfatório."

Ela se afastou, soltando outra risada cortante antes de admitir: "Sinceramente? Estou meio decepcionada por ele não ter transado com você. Teria sido muito mais saboroso saber que você se entregou por inteira e, ainda assim, não foi o suficiente."

Me levantei e fui até Tyler. "Tyler? Tyler, por favor... Me diga que tudo o que tivemos não foi uma farsa. Diga a Juniper que ela não sabe o que está dizendo."

Mas, mesmo com os olhos marejados, eu sabia, no fundo, que ele era um caso perdido.

Fazendo uma careta, ele virou o rosto para Juniper e comentou: "Isso é bizarro para caralho. Ter vocês duas aqui é como olhar para a mesma pessoa, só que..." Estendendo a mão para ela, ele completou: "Eu só amo uma de vocês."

Quando eles voltaram a se beijar, comecei a recuar.

Juniper, no entanto, se virou para mim uma última vez. "Se importa? Precisamos terminar o que começamos, e eu estou com um tesão acumulado do caralho."

Inclinando a cabeça com cinismo, acrescentou: "Mas pode ficar assistindo, se quiser."

Permaneci estática, assistindo ao beijo e desejando ter forças para reagir ou revidar, mas não havia nada que eu pudesse fazer.

A única coisa que pude fazer foi enxugar as lágrimas de raiva dos meus olhos, me sentindo patética. Então, saí furiosa do quarto.

...

"Mais um."

O barman não hesitou em me servir outra rodada de shots, que bebi imediatamente, sentindo o álcool queimar minha garganta pela enésima vez - uma sensação que eu estava adorando.

Eu já tinha perdido a noção do tempo. Depois que saí do hotel - sem meus pertences, aliás -, andei sem rumo pelas ruas e entrei na primeira boate que encontrei.

Um riso amargo escapou dos meus lábios.

A essa altura, eu deveria estar dançando e bebendo com meu marido, e não me embriagando para apagar da memória os gemidos da minha irmã gemendo o nome dele.

Definitivamente, eu não deveria estar ali tentando esquecer o fato de que fui feita de otária. Fui estúpida o bastante para permitir que meus sentimentos por Tyler me cegassem para sua verdadeira natureza.

Virei outra dose, deixando a queimação se misturar à música ensurdecedora que fazia meu corpo inteiro vibrar.

Espere...

Não.

Percebi de repente que o arrepio percorrendo minha espinha não vinha da música.

Eu estava sendo observada. Sentindo um olhar queimar minhas costas e eriçar os pelos da minha nuca em alerta, fiquei imóvel, sem me virar.

"Fico imaginando o que você fez para merecer isso", comentou o barman distraidamente, enquanto polia um copo com o guardanapo.

Confusa, inclinei a cabeça, perguntando-me se ele falava comigo: "Como é?"

Com um sorriso de canto, o barman fez um gesto sutil, indicando algo atrás de mim. "O solteiro mais inalcançável do país está te secando agora mesmo. Só estou tentando entender o que ele viu em você."

Apesar do volume alto da música, as batidas do meu coração martelavam nos meus ouvidos.

Prendi a respiração, hesitante, antes de me virar na direção que ele havia indicado.

O que capturou minha atenção primeiro foi o relógio.

Embora a distância me impedisse de identificar a marca, o modo como as luzes estroboscópicas refletiam na peça deixava claro que era cravejada de diamantes negros.

O acessório adornava o pulso de uma mão grande e, graças à minha visão aguçada, notei uma tatuagem desaparecendo sob a manga do terno escuro.

E isso era tudo o que eu conseguia ver.

O restante da figura era uma sombra apoiada no parapeito do mezanino, exalando a postura de quem é dono do mundo. E, embora eu não pudesse ver seu rosto, eu tinha certeza absoluta de que seus olhos estavam cravados em mim.

Não se tratava de um olhar passageiro ou mera curiosidade. Era algo muito mais intenso.

Uma atração magnética me puxava em sua direção, despertando uma vontade súbita de confrontá-lo e perguntar por que diabos ele me encarava.

Porém, meu corpo não obedeceu e minha pulsação falhou. Virei-me para o barman novamente e, já meio tonta pelo álcool, sussurrei: "Quem é ele?"

O sorriso do rapaz ficou tenso ao responder: "Aquele é Alaric Ashford."

Senti um aperto na boca do estômago, pois eu conhecia esse nome.

Inclinando a cabeça, o barman acrescentou: "E parece que ele acabou de encontrar seu novo alvo."

Capítulo 3 Alaric Ashford

Ponto de vista de Meadow:

Uma risada nervosa escapou dos meus lábios, acompanhando o suor frio que já começava a banhar minha nuca. "O que você quer dizer com isso?"

Tentei desesperadamente bloquear esse nome da minha mente.

O nome daqueçe homem - Alaric Ashford.

Mesmo sem nunca ter visto o rosto de Alaric, as histórias que ouvi em Seattle me assombravam. Tyler vivia descrevendo o homem como um desgraçado frio, alguém que os funcionários temiam como se ele fosse capaz de drenar a vida de qualquer um que cruzasse seu caminho.

Mas... isso não podia ser real...

Não havia a menor chance de eu estar na mesma boate que o chefe do meu ex-noivo, e muito menos - nem fodendo - do olhar dele estar cravado em mim.

Olhei para o andar de cima outra vez e lá estava ele, me encarando como um predador que acabou de encurralar a presa.

Com a pele formigando de tensão, virei o shot de uma vez e bati o copo com força no balcão, secando a boca com as costas da mão enquanto exigia: "Desce mais uma."

O barman, no entanto, negou com um aceno firme de cabeça. "Sem chance, gata. Já recebi o aviso, e acho que você já bebeu o suficiente por hoje."

Franzi a testa, a confusão se misturando à embriaguez. "Como assim 'recebeu o aviso'? Eu não te falei nada."

Ele abriu um sorriso tenso e indicou a escada com um movimento discreto do queixo. "Você não, mas ele falou."

Mesmo sem olhar para trás, eu soube imediatamente que ele se referia a Alaric, embora o homem sequer tivesse descido ou trocado uma palavra com ele.

"Conversa fiada", zombei, sentindo a voz começar a embolar. "Não vi ele falar nada com você."

"Ele não precisou."

"E quem ele pensa que é? Seu dono?" Joguei a cabeça para trás num gesto exagerado e dramático, impulsionado pelo álcool. "Quem diabos são vocês dois para decidirem o quanto eu posso beber?"

"Ele é o dono do lugar todo, linda. É o meu patrão."

Meus olhos se arregalaram e girei o corpo em direção ao mezanino, mas o lugar estava vazio - ele tinha sumido.

Uma pena, pois eu estava pronta para subir as escadas e despejar umas verdades na cara dele.

Me virei para encarar o barman, mas antes que qualquer palavra saísse da minha boca, um vulto vestido todo de preto surgiu ao meu lado, deslizando uma garrafa de água gelada pelo balcão.

"O senhor Ashford quer uma palavra com você."

Encarei a garrafa e depois o estranho de óculos escuros, me perguntando qual era o problema dessa gente toda.

"Quem diabos é você?", perguntei, com a língua pesada.

"Segurança pessoal dele", respondeu o homem secamente. "Para o seu próprio bem, beba essa água e venha comigo. O senhor Ashford odeia esperar."

"Ah, claro que odeia", revirei os olhos, soltando uma risada cínica.

Saltei da banqueta decidida a ir embora, mas fui impedida pela mão firme do segurança travando meu braço.

"Que porra é essa?", gritei. "Me solta!"

Lutar contra seu aperto se provou inútil, mas assim que parei de resistir, ele me soltou.

"Beba", ordenou ele, abrindo a garrafa e largando-a na minha frente.

Avaliei minhas opções ali mesmo.

Tentar fugir nesse estado de embriaguez não me levaria a lugar nenhum, e sabe-se lá o que Alaric Ashford faria se eu fosse pega tentando escapar.

Talvez fosse mais sensato ir logo descobrir o que ele queria.

Fuzilando o homem de preto com o olhar, levei a garrafa aos lábios e bebi até que estivesse quase vazia.

Ou seria meio cheia?

Puta merda, eu estava bêbada para caralho.

"E agora?", questionei, revirando os olhos mais uma vez.

"Me siga." Ele me guiou em direção às escadas e subimos, atravessando corredores da boate gigantesca até pararmos diante de uma porta marcada como "VIP LOUNGE".

"Claro que é VIP...", murmurei baixinho.

O segurança empurrou a porta e fez um gesto para que eu entrasse, avisando: "Ele está esperando."

Com o coração martelando furioso contra as costelas, atravessei a entrada.

O choque térmico foi imediato. Se a boate já estava fria, essa sala mal iluminada parecia um freezer.

Meus mamilos endureceram na hora, doloridos contra o tecido fino do cropped - um lembrete de que eu já devia ter me livrado dessa roupa há horas.

Mal tive tempo de analisar o ambiente quando senti a mesma sensação novamente -

olhos, totalmente fixos em mim.

Nem mesmo o grave das caixas de som no andar de baixo conseguia abafar o ritmo frenético do meu coração.

Olhei para a direita e o encontrei.

Alaric estava sentado no canto do lounge como um rei em seu trono, pernas afastadas e postura de comando. E ele não estava sozinho.

Uma garota estava ajoelhada entre as pernas dele, a cabeça subindo e descendo no ritmo inconfundível de um boquete.

Mas ele a ignorava completamente e me observava das sombras, as mãos entrelaçadas nos cabelos dela enquanto ela o engolia.

Senti uma onda de vergonha me invadir, não só pela cena, mas por estar esfregando as pernas uma na outra, desejando...

Não, eu não podia desejar isso.

A voz de Alaric cortou o silêncio, suave e profunda: "Saia."

Quase pulei de susto, achando que a ordem era para mim, mas não era.

A garota se levantou rapidamente e passou por mim quase correndo em direção à saída.

Fiquei paralisada, com os olhos grudados na silhueta dele enquanto ele se ajeitava e guardava o pau dentro da calça.

Sob a luz fraca, algo brilhou na parte inferior do membro dele, capturando minha atenção.

Seriam... piercings?

Desviei o olhar depressa, focando no rosto dele assim que ele se pôs de pé e começava a caminhar na minha direção - ele era imenso, alto e largo.

Instintivamente, eu recuava um passo para cada passo que ele dava, até que minhas costas encontraram a parede fria. Meu peito subia e descia, a respiração pesada e ofegante.

Foi então que ele entrou na luz.

Com um olhar sombrio e vazio, Alaric Ashford varreu meu corpo devagar, numa análise lenta e agonizante.

Seu olhar demorou no meu peito mais do que o necessário, fazendo minha respiração travar na garganta.

Finalmente, um sorriso presunçoso curvou seus lábios.

"Achei que precisaria te estudar um pouco mais para ter certeza, mas parece que já vi tudo o que precisava", disse ele num tom seco, a voz grave enviando um calafrio pela minha espinha. "Olá, Meadow Russell."

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