Eduardo Cavalcante nunca tinha se sentido acuado na vida. Em seus 27 anos, sempre tinha sido esperto o bastante para saber recuar quando algo fugisse de seu controle. Sempre foi meticuloso ao extremo, perfeccionista. Nao era a toa que ja tinha sucesso em seu empreendedorismo. Quem visse de fora poderia estranhar. Um clube de erotismo. O mais famoso e visitado do Brasil. Um luxuoso lugar onde as pessoas vinham em busca de prazer ou só assistir algo mais sensual. Eduardo Cavalcante ou Caco, como era conhecido dentro das paredes da Sin, sabia o que seus clientes buscavam.
Sentado em seu escritório luxuoso no subsolo do clube, Eduardo mexia no computador, vendo o balanço do mês. Ainda eram 19 horas, o lugar ainda estava razoavelmente vazio. No sofá a sua frente Nicole estava concentrada no computador, fazendo notas em um papel. Com certeza um trabalho da faculdade.
NIcole era a dançarina mais cara e requisitada da Sin. Suas apresentações duravam apenas 15 minutos por um preço exorbitante, e ninguém, absolutamente ninguém podia tocar nela.
Exceto Eduardo.
Eles tinham uma relação carnal estabelecida. Eram exclusivos um do outro. Nicole continuava a trabalhar na Sin e Eduardo bancava tudo o que ela precisasse. Um sugar daddy, como Nicole gostava de o chamar, exceto que ao invés de um velho asqueroso Nicole se aproveitava do corpo definido e tatuado do seu benfeitor.
O acordo era durar até um deles se apaixonar. Coisa que Eduardo afirmava veemente que nunca aconteceria.
Já Nicole era uma romântica incurável que sonhava com o príncipe que ia salva-la.
Já eram mais de 22 horas quando uma mensagem apitou em seu celular, o movimento tinha começado e o clube já estava abarrotado de homens e mulheres em busca de preencher um vazio. Roberto, seu gerente e melhor amigo, dizia pra ele ir resolver algo no setor 6.
O setor 6 era o local onde dançarinos ficavam envoltos em vidro, seminus, apenas por provocação. Eduardo saiu, deixando um selar nos cabelos de Nicole e subindo o elevador até o clube, que já tinha gente indo e vindo.
Passou pelos setores, finalmente chegando ao setor 6, ele ficava no começo do clube, pra que as pessoas fossem aos poucos se acostumando com o tema, e foi ali que ele sentiu.
Acuado.
Sem saber o que de fato tinha o atingido.
Uma presença parada no começo do clube, os olhos felinos ao mesmo tempo temerosos e deslumbrados, a cabeleira rosa fazendo contraste com suas roupas pretas e pele branquinha.
Eduardo sentiu seu corpo revirar por dentro. Ficou tão desnorteado que nem ouvia o que Roberto o dizia.
A regra. A maldita regra. Nao se envolver com nenhum cliente do clube.
Mas não custava nada chegar perto não é? Sentir o perfume, talvez esbarrar pra pedir desculpas e olhar aqueles olhinhos e saber se eles eram tão hipinotizantes quanto parecia.
- É a primeira vez dela.
- Quem? - Eduardo perguntou.
- Ah, até parece que não to vendo você secar a garota. Ela é linda, realmente, mas você não precisa de mais uma adolescente Eduardo.
- Eu nem sei do que você tá falando Roberto.
Ele se controlou, respirou fundo e tentou prestar atenção no que tinha vindo resolver.
Após passar instruções a Roberto ele começou a andar pelo clube. Perseguindo com o olhar o objeto de sua obsessão. Era passageiro, nunca mais veria a garota.
Era engraçado o jeito como ela agarrava o braço do amigo cada vez que entravam mais dentro do clube.
🐍🔥
- Você tem que ficar calma se não todo mundo vai perceber que é sua primeira vez. - Luís sussurrou para Jade enquanto eles andavam.
- Eu to calma, só é tudo intenso demais.
- Falou a puritana.
Jade o fuzilou com o olhar. - Porque a gente nao vai fazer o que a gente veio fazer logo?
- Porque a apresentação dela é só daqui meia hora.
- Afffff
- Jade eu juntei dinheiro por meses pra conseguir a entrada pra ver a dança da Colet, eu não saio daqui sem ver.
- Tá bom, não tá mais aqui quem reclamou.
Eles iam andando juntos até Jade sentir um corpo trombar o seu, que se virou para se desculpar, mas só o que viu foram desenhos por todos os braços, que saiam de sua camiseta preta e preenchiam o pescoço, e os olhos pequenos o olhando.
- Desculpe eu esbarrei sem querer.
- Tudo bem - Luís respondeu porque aparentemente Jade havia ficado sem voz.
- Vocês parecem perdidos, primeira vez aqui certo? - Os dois concordaram com a cabeça. - Ninguém se ofereceu pra fazer um mini tour com vocês? - os dois negaram com a cabeça.
- Voce trabalha aqui?
Luís quem perguntou.
- Sim, digamos que sim. Sou o Caco - disse fazendo uma pequena reverência.
- Eu sou Ja...
- Eu sou Lelo, ela é a Cristal.
- Cristal? - Jade sussurrou para o amigo.
- Você não fala seu nome verdadeiro num clube desses - Luís respondeu entredentes.
- Mas Cristal?
Eduardo riu - Vamos então?
- Eu tenho a apresentação da Colet daqui 10 minutos, pode nos levar lá?
- Colet? Uau, vão começar bem, levo sim, só precisam me seguir.
Os dois seguiram Eduardo para um corredor escuro, seguido de outro, e mais outro. Jade agarrou a mão de Luis prometendo mata-lo se eles saíssem vivos dali naquela noite.
Até pararem numa grande porta vermelha almofadada.
Eduardo a abriu, esperando que eles entrasse primeiro, e Jade jurou que sentiu uma mão em suas costas que levou arrepios pelo corpo inteiro.
Era muito a sua cara mesmo, pensou Jade, estar num clube desse e se sentir atraída por um funcionário.
Na sala já haviam mais 4 pessoas, 3 homens e uma mulher. A dança era reservada para 8 pessoas no total, faltando assim apenas mais duas pessoas entrarem.
Luis correu e se sentou na primeira fila. Jade ficou parado atrás, com os braços cruzados, observando tudo.
Alguns minutos depois as outras duas pessoas entraram e as luzes se apagaram, deixando apenas um fiapo azul no meio do palco, que continha uma barra vertical de ferro no meio, e então, a tal Colet entrou, toda de preto, usando uma máscara no rosto.
A música começou e ela dançava magnificamente.
Jade arfou tamanha a agilidade da garota.
- Gostando? - Ela sentiu uma voz rouca atrás de si.
- Ela é realmente muito boa.
- Mas...
Jade se remexeu - Não entendo porque pagar uma fortuna só pra vir ver alguém dançar.
- As pessoas não pagam pra ver, elas pagam pela sensação que isso pode trazer.
- Hmm.
- Já vi que meu clube não faz seu estilo.
- Seu clube? - Jade o olhou na escuridão.
- Meu clube.
- Uau, eu to falando mal da apresentação pro dono.
Eduardo riu - Gosto de saber das críticas.
- Certo.
- Mas o que te incomoda? A nudez? A sensualidade? É virgem por acaso?
- Virgem? - Jade riu - Me incomoda as pessoas terem que pagar pra ver algo assim.
- As vezes as pessoas são tão quebradas que precisam de algo assim pra preencher seu vazio.
- Mas existem tanta coisa pra isso...
- Cada um com seu cada um... Cristal. - Eduardo sussurrou no ouvido de Jade, que sorriu para o nome ridículo que Luis escolheu mas que saia como música na voz do homem ao seu lado. Ela esfregou os braços, tentando se livrar do arrepio que sentiu.
- Bom, me parece que há algo que mexe com você aqui afinal - ele continuou falando ao ouvido de Jade, que sentia o vento de suas palavras atingirem sua bochecha, o hálito fresco de menta, ela engoliu em seco.
Se virou para olhar o rosto de Eduardo no meio da escuridão e sentiu quando seus narizes se tocaram, a apresentação continuava acontecendo mas só o que importava pra Jade era quem estava a sua frente. Uma carga elétrica parecia inundar seu corpo apenas com a presença dele,Era como se algo a puxasse pra perto. É claro que ja tinha sentido atração por desconhecidos antes, mas nunca foi assim. Ela não conseguia o enxergar muito bem na escuridão, mas só sua presença ali já fazia Jade sentir algo que nunca tinha experimentado antes.
As luzes então se acenderam e palmas preencheram o lugar. Jade e Eduardo finalmente olharam nos olhos um do outro, e ele se sentiu acuado novamente. Parecia que Jade conseguia ler seus segredos mais secretos.
- Espero que tenha gostado do clube.
- Gostei,só não sei se volto.
Os lábios quase se tocavam quando eles falavam.
- Uma pena. Seria interessante te ver aqui de novo.
Jade deu um meio sorriso - Quem sabe a gente não se esbarra por aí, no mundo real.
- Vou torcer por isso. Foi um prazer te conhecer, Cristal - Eduardo se aproximou dando um beijo no canto da boca de Jade, que abriu os lábios sem acreditar, ela virou a cabeça e seus lábios passaram pelos de Eduardo, que olhou em seus olhos e pra sua boca e então sorriu, e se afastou para trás do palco.
-
- Ela olhou pra mim! Jade, ela parou na minha frente e olhou pra mim! Os olhos atrás daquela máscara pareciam duas jabuticabas, você tá ouvindo? - Luís falava sem parar no caminho de volta pra casa.
- To Lu, e eu ouvi das outras dez vezes que você disse a mesma coisa.
- Eu vou juntar dinheiro pra ir de novo.
- Luis, nao vale tudo isso não.
- Vale sim!
Jade bufou - Pois vá sozinho porque eu não vou junto não.
- Mas Jade...
- Nem pensar. - disse enquanto saiam do táxi e subiam para o apartamento que dividiam.
Jade entrou em seu quarto. Se sentia frustrada e nem sabia porque. Se arrumou e deitou na cama, fechou os olhos mas só o que conseguia ver era um par de iris a olhando, e uma voz rouca falando em seus ouvidos.
Uma semana depois Jade estava em uma cafeteria no centro, bebendo café e terminando um trabalho da faculdade quando Luis entrou, afoito, os cabelos bagunçados, sentando em frente a amiga.
- Eu reprovei na merda da matéria. - Taehyung disse, pegando o copo de Jade e dando um gole no café, logo fazendo cara feia. Não gostava de café. - Vou ter que refazer semestre que vem com a turma atrás de mim.
Jade riu - Pelo menos não vai precisar repetir o semestre.
Luis bufou, olhando o cardápio. - Não tem nada com álcool aqui? Preciso de álcool.
- São apenas 10 horas da manhã Luis. Pare com isso, uma matéria só não vai te fazer ser menos artista plástico.
- Sim eu sei. - Nicole dizia no telefone - Eu só vim até a cafeteria pegar um café. Já to saindo.. aaaaaah...
Alguém tinha trombado em Nicole, derramando todo seu café em sua roupa.
- Putz, me desculpe. - Luis dizia pegando guardanapos pra passar na blusa de Nicole.
- Tá tudo bem... - então ela levantou os olhos. Os mesmo olhos que deixaram Luís hipnotizados a uma semana atrás. - Cara, tá tudo bem, eu preciso ir. - disse saindo da cafeteria.
Jade, que antes segurava o riso, agora ria abertamente do amigo.
- Eu só faço merda. - Luís disse.
- Vamos embora - Jade disse juntando suas coisas e saindo da cafeteria.
Sentiu a brisa tocar seu rosto, assim como um arrepio involuntário e olhos felinos o fitando. Um homem estava em pé do lado de um carro, e seu olhar encontrou com o dele.
Caco.
Só podia ser ele.
A moça em que Luís derrubou o café chegou nele e o abraçou, mas Caco não tirava os olhos de Jade.
O olhar só foi cortado quando Nicole entrou no carro e Jade se virou, indo embora, e Eduardo acordou, entrando no carro também.
Só o que passava na cabeça de Jade era que Caco tinha alguém.
Então porque tinha flertado com ela tão descaradamente aquele dia? Porque a olhou daquele jeito hoje?
- Você ficou estranho do nada - Nicole disse dentro do carro.
- Eu vi uma pessoa. Eu queria ter falado com ela.
- E porque não falou?
- Não sei, na verdade não posso...
- Porque não?
- É cliente do clube.
- Ahnnn... por acaso é aquela menina que você ficou de conversa na minha apresentação ha uma semana atrás?
- Você percebeu isso?
Nicole riu - Vocês estavam quase se comendo com os olhos.
- Nicole...
- O que? Eu só falo a verdade.
- Ela disse que não ia mais voltar, achei que nunca mais a veria.
- Se ela nunca mais vai voltar significa que ela não é cliente do clube...
- O que você quer dizer com isso?
- Não é proibido - ela disse mexendo no celular.
Yoongi ficou em silêncio. Não sabia nada sobre a garota. Nem o nome verdadeiro dela. Sabia que estava ficando louco, só podia. Mas isso não fez ele desistir de ir à cafeteria todos os dias,no mesmo horário, na esperança de ve-la de novo.
Mas não foi lá que a viu. E sim num supermercado. Eduardo começou a rir do destino assim que cruzou o corredor de bebidas e avistou Jade concentrada olhando as prateleiras.
- Parece que está em dúvida. - Jade se assustou com a voz grossa ao seu ouvido. É por incrível que pareça ela reconheceu a voz. Se virou e olhou o rosto daquele que perseguia seus pensamentos há quase duas semanas - Olá Mochi. - Yoongi deu um meio sorriso.
- É Jade - ela se aproximou estendendo a mão.
- Eduardo - o mais velho apertou a mão oferecida. - Você parece perdida aí.
- Só um pouco. Vamos ter uma festa comemorando o fim do semestre e eu tenho que levar bebida. Eu sou adepta ao vinho, vodka e wiskey não sei escolher.
- Aqui - Eduardo se aproximou pegando uma garrafa de vodka e uma de wiskey - essa vodka é maravilhosa, e não é tao cara, você pode misturar com suco e o sabor fica delicioso. Já esse wiskey é um pouco salgado o preço, mas você não vai achar barato que preste. Se for tomar pela primeira vez coloque cubos de gelo junto ajuda a neutralizar o sabor mas não tira o requinte.
- Certo. - Jade disse pegando as garrafas das mãos de Eduardo. - Eu te chamaria pra ir como agradecimento, mas você tem um clube de sacanagens pra administrar.
Eduardo soltou uma risada alta, colocando a mão na barriga, fazendo Jade sorrir junto. - Você poderia aparecer por lá, em forma de agradecimento.
- Não é muito meu estilo.
- Como minha convidada. Eu insisto.
- Vou pensar no seu caso. - disse com um meio sorriso.
- Quando chegar a portaria, diga que quer falar com Eduardo, eles saberao pra onde te mandar.
- Ok.
- Nos encontramos no meu mundo, agora no seu, é a hora de voltar ao meu não acha?
Jade estava cada vez mais envolta na voz de Eduardo - Belo ponto.
- Vou te esperar então - disse dando uma piscada e saindo do corredor.
Jade sentiu um Arrepio involuntário a chacoalhar inteira até ela lembrar como funcionava suas pernas e ir até o caixa do supermercado pagar as bebidas.
Ja na festa, Jade estava sentada num canto, bebendo o tal do wiskey com gelo como foi aconselhada. E aquele olhar não saía de sua cabeça.
- Jade - Manuela se sentou ao seu lado no sofá. As duas brindaram os copos - nem parece que semestre que vem ja é o ultimo né?
- Passou muito rápido - Jade disse bebericando sua bebida.
- E como anda o projeto de defesa? Ainda vai fazer o trabalho sobre a denúncia daquele clube Sin?
Jade franziu as sobrancelhas - Claro que vou.
- E já conseguiu entrar lá dentro?
- Melhor que isso - Jade se ajeitou no sofá - conheci até o dono. Luis queria ir lá, aproveitei e dei sorte.
Manuela riu - Vadia sortuda, vai entrar pra história se conseguir denunciar aquele clube.
- Vou descobrir todos os segredos desse lugar, ou eu não me chamo Jade Vieira.
- Jade Vieira, o advogado que derrubou a Sin. Já vejo as notícias com seu nome.
Jade sorriu, bebendo seu wiskey. Não sabia quando decidiria voltar, mas agora que já tinha passe livre, iria aproveitar.
Ela ainda esperou mais uma semana se passar até decidir ir ao clube. Aproveitou que Luís voltou a Brasília nas férias para poder ir sem dar explicações.
Chegou em frente ao portão preto numa rua deserta e muito bem escondida de São Paulo, quando um segurança muito grande apareceu.
- Eu vim - pigarreou - Vim falar com Eduardo.
O homem a olhou de cima abaixo e murmurou algo apertando a orelha em uma língua que Jade não reconheceu. - Como você conseguiu esse nome? - o homem perguntou.
- Enquanto eu falava sobre o clube de sacanagens.
Ele murmurou algo outra vez e Roberto apareceu na porta. - Vamos. - Ele disse duramente. Passaram por um imenso corredor preto, diferente do da outra vez que tinha vindo, até pararem numa porta que foi aberta,revelando Eduardo encostado numa mesa, todo de preto, as tatuagens gritando em sua pele, e um leve sorriso no rosto.
- É bom te ver de novo... Cristal.
Jade sorriu e então a porta foi fechada, deixando os dois sozinhos.
- Você tá bem? - Eduardo disse observando Jade, que passava as mãos na calça, claramente nervosa.
- Estou, e voce?
- Surpreso. Achei que não viria. - disse se desencostando da mesa e se aproximando um passo.
- Eu também achei.
- E o que te fez mudar de ideia? - ele se aproximou mais, o corpo quase colado ao de Jade, que engoliu em seco.
- Eu te devia uma, costumo honrar minhas dívidas.
Eduardo sorriu, um sorriso doce que mostrava suas covinhas e Jade sentiu as pernas bambearem. Ela nao esperava sentir uma atração tão grande pelo dono do clube que tentava derrubar. Ela só queria fingir que estava caindo na sedução de Eduardo, mas não cair de fato. Ela tinha que se cuidar mais.
- Quer conhecer o clube?
- Não sei se quero ver o que você tem aqui...- Jade disse tentando parecer ser inocente.
- Essa outra porta pela qual veio é outra entrada, para um salão de jogos, podemos ir até lá e então jantarmos na minha sala.
- Salão de jogos? - ela disse com os olhos brilhando, isso tava melhor do que ela esperava.
- Sim, parece que essa parte te interessa hm?
Jade sorriu, levantando o celular minimamente do bolso, a camera que já gravava tudo para pegar o salão de jogos, e então seguiu Eduardo para dentro do espaço.
Seus olhos se arregalavam ao ver o tamanho e o luxo do lugar.
- Isso tudo é ilegal? - Jade perguntou observando o lugar cheio de magnatas, o barulho das conversas altas, das roletas girando.
- Essa parte não, o governo sabe da existência e sempre vem checar, minhas máquinas não são viciadas, está tudo nos conformes. Isso te alivia?
- Um pouco - ela disse sincera parando em frente a uma máquina.
- Quer jogar?
- Ah eu não vou apostar nada não...
Eduardo riu, tirando uma nota do bolso e colocando na máquina - É um convite. - disse enquanto levava Jade pelos ombros pra se sentar e frente.
- O que eu faço? - ela perguntou olhando para a máquina.
- Aqui - disse pegando a mão de Jade e levando até a alavanca do lado - Puxa - e ela puxou para baixo, ainda com a mão de Eduardo na sua, que começou a afagar levemente enquanto os números rolavam na tela.
Jade respirava pesado, e tinha certeza que era pela emoção do jogo do que pelo contato de Eduardo.
Logo a máquina apitou, dizendo que ele tinha ganhado 20 dólares, que caíram em moedas na abertura da máquina.
- Eu ganhei! - Jade disse sorrindo e Eduardo sorriu junto. - O que eu faço com isso? - Pegou as moedas que representavam a quantidade de dinheiro.
- Você pode jogar de novo em outros jogos ou trocar as moedas por dinheiro no caixa.
- Posso jogar de novo?
- Pode... Cristal. - Eduardo disse com a voz rouca.
Jade odiava esse apelido, mas na voz baixa de Eduardo parecia tão sensual, ela imaginava como seria ter ele gemendo seu nome num momento mais íntimo.... Ela chacoalhou a cabeça, tentando tirar as ideias da cabeça.
- Quero jogar.
- Só escolher qual.
Depois de Jade jogar em outras máquinas e se aventurar em umas mesas de cartas, eles foram até o caixa trocar o dinheiro que ela tinha ganhado.
- 20 dólares que viraram mil. Isso é mesmo viciante.
- Mudou sua ideia?
- Um pouco. É divertido.
- Que bom que se divertiu então, vamos jantar?
Jade concordou, seguindo Eduardo até uma porta escondida no salão, que dava até um longo corredor, chegando até um elevador.
- Esse lugar parece um labirinto...
- Essa é a intenção - ele disse enquanto se curvava em cima de Jade para apertar o botão.
Ela estava a flor da pele, cada toque do mais velho em si despertava algo dentro dela, tudo naquela noite estava saindo completamente diferente do que ela tinha planejado, desde os jogos, até a diversão que ela realmente estava tendo, e essa atração incontrolável por Eduardo.