(Narrado por Ana)
A realização de um sonho depende principalmente da sua capacidade de escolha, pois assim poderá usufruir da sua vitória e considerá-la bem-sucedida. Eu aprendi isso da pior forma possível, não que esteja reclamando do que vivi ou vivo, mas com certeza a minha vida foi feita de escolhas, desde a primeira observei que a relação entre o pessoal e o social é importante, isso pode determinar até onde sua caminhada chegará. Por isso estou aqui agora, sentada em uma cadeira atrás da minha mesa de escritório, com uma taça de vinho na mão e pronta para tomar outra decisão crucial em minha vida, mas dessa vez será definitiva, sem segundas chances.
Eu me chamo Ana Maria Colins Braga, tenho 24 anos, natural de São Luís, no Maranhão, Brasil, filha única, fato que piorou ainda mais a situação, sou loira, cor de pele branca, meus pais costumavam me chamar de menina de neve, olhos claros, acho que azuis, com 1,74 m de altura, magra, mas vamos iniciar isso do começo.
Moramos nos EUA faz muitos anos. Meu pai trabalha para uma empresa que resolveu abrir asas, deixaram essa responsabilidade com ele, ou seja, ele é muito importante para a empresa, trabalha com construção civil, Barreto Construções é o nome, viemos para cá quando eu tinha 10 anos, ou seja, 14 anos morando nos States.
Meu pai se chama João Arthur Braga, Jhon, para as pessoas daqui, atualmente tem 56 anos (42 no período da mudança), já de cabelos grisalhos, meio barrigudinho, usa óculos, de 1,79 m de altura, cor de pele morena, olhos castanho, ele se adaptou com tudo rápido, diferente de mim.
Minha mãe se chama Carla Colins Braga, Carly aqui, tem 52 anos atualmente (38 no período da mudança), é médica pediatra, loira, esbelta, de 1,75 de altura, olhos claros, literalmente puxei em tudo para ela. A mesma também se adaptou rápido, para falar a verdade eles se adaptaram muito bem, pois já sabiam o idioma, nessa hora senti falta de todas aquelas aulas chatas que eles me obrigavam a ir e eu não dava a mínima.
Eu sempre tive aptidão para a música, meus pais me deixavam cantar na escola, na igreja, para amigos, mas nunca gostaram da ideia de eu seguir essa carreira, achavam que era algo muito incerto, talvez seja, mas só arriscando para saber, e para eles, que são pessoas, digamos que bem-sucedidas em suas profissões, obviamente que iriam querer que sua filha conseguisse o mesmo sucesso profissional, deduzindo que a música não traria tal feito.
Eles ainda tentaram ter outro filho, mas descobri que no meu nascimento minha mãe teve problemas, o que a impediu de conseguir gerar outro bebê, isso me deixa triste, mamãe pensou em adoção, mas meu pai não quis, disse que não teria o seu sangue, isso significa muito para ele.
Comecemos com o dia 16 de setembro de 2002, uma segunda feira, meu pai chega cansado do trabalho, mas diz querer conversar com nós duas, então sentamos no sofá e ele começa.
- Acho que vocês já devem saber do que se trata, eu já havia falado antes sobre a possibilidade da abertura de uma sede da empresa nos Estados Unidos, acredito que agora não terá mais jeito, já está tudo certo, hoje estávamos assinando o contrato com uma parceira americana. _ Diz ele encarando mamãe o tempo todo. Até que ela o interrompe.
- Mas João, você disse que tal acerto só viria a ser concretizado no ano que vem, que ainda haveria muita burocracia, agora você já vem dizendo que assinaram contrato?
- Eu sei, eu sei. _ Meu pai passa as mãos pelo cabelo. – Mas a empresa parceira estava com receio de fecharmos acordo com a concorrente, decidiu antecipar a assinatura dos contratos. Não se preocupe, Carla, isso não quer dizer que amanhã ou na semana que vem já teremos que viajar, acredito que nós iremos nos fixar só no próximo ano, eu estarei indo algumas vezes aos USA para resolver tudo, tanto nosso caso de moradia quanto o da empresa.
Eu permaneço o tempo todo de cabeça baixa, não sei decifrar se essa informação é boa ou ruim, eu não tenho problemas em ir, como também não tenho motivos para querer ficar. Tenho 10 anos, não sou popular na escola e nem tenho amigos que sejam motivos para dúvidas, reflito, logo penso em algo, se eu quiser seguir uma carreira artística, então estamos indo para o lugar certo, portanto é sim uma notícia boa, um sorriso bobo aparece em meu rosto, meu pai percebe.
- Pelo menos alguém está feliz com a notícia. Está animada, Ana?
- Sim, pai, acho que será muito bom.
- Bem, se não tem jeito, temos que começar a nos programar, terei que resolver minha situação no hospital, a de Ana na escola e começar a treinar mais arduamente meu inglês. _ Mamãe fala, sorrindo.
A situação é emocionante para uma criança de 10 anos, saber que irá morar nos Estados Unidos, eu só conseguia pensar na Disney, meu Deus, como ser criança é bom. Hoje eu penso que se fosse tudo tão inocente como o que eu senti naquele dia o mundo seria tão maravilhoso, crescer é uma droga.
No dia seguinte conto para todos os poucos "colegas" que tenho na escola que irei me mudar, todos me dão os parabéns, não sei por que, mas dão. Estou toda convencida.
Os dias, os meses, o ano se passa, agora já são 03 de janeiro de 2003, sexta feira, está tudo pronto para a viagem, partiremos à noite para São Paulo e de lá pegar o avião para EUA, especificamente, Miami na Flórida. Chegaremos à noite de sábado, o fuso horário só tem 1 hora de diferença, ou seja, 1 hora a menos em relação ao horário brasileiro, eu fiz meu dever de casa para me adaptar mais rápido. Papai em suas viagens anteriores já deixou tudo pronto, casa, escola, até entrevistas de emprego para mamãe em três hospitais perto da nossa nova casa.
Enfim chegamos, nossa nova casa é interessante, não muito grande, mas é maior que a nossa do Brasil, de andar, garagem para 2 carros, piscina, com 4 quartos em cima e um embaixo, um escritório, pintada de cor amarelo bebê, os móveis são todos novos, nossas malas são muitas, porém muitas coisas também foram deixadas para trás, meu pai deixou nossa casa na responsabilidade do seu irmão, tio Sérgio, para ser alugada, ele resolveu não vender, acho que foi uma ótima decisão.
Somos recebidos por uma mulher e um senhor, acho que são funcionários que meu pai contratou para nos auxiliar nesse começo de tudo, pois é literalmente uma vida nova. Papai nos apresenta eles, Robert é Americano, será um faz tudo para nós, Andreia é brasileira, acho que tal fato foi proposital, visando a comunicação principalmente para mim, literalmente papai pensou em tudo.
Ele nos mostra toda a casa, quando voltamos à sala, as malas já não se encontram lá. Robert as levou para cima. Andreia está à postos para receber ordens, mas estamos todos cansados, mamãe só diz a ela para preparar algo leve para comer, que vamos fazer uma pequena refeição e subir para descansar, é o que acontece.
Meu quarto é muito lindo, meu pai comprou até uns ursos e colocou em uma prateleira, fofo da parte dele, pintou de rosa, o jogo de cama é de princesa, acho que era branca de neves, tem uma mesinha, onde coloco meu notebook e meus livros, deito, já pensando no amanhã, não demoro e pego no sono.
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No dia seguinte por ser um domingo, papai resolve nos apresentar o bairro, não é algo extraordinário, mas é diferente de casa. Os vizinhos são bens receptivos, alguns vieram se apresentar, papai com todo o seu inglês fluente conversa com o casal, eu entendo pouco da conversa, já é um grande começo.
Seguimos e ele nos mostra um pequeno supermercado, um frigorifico, um shopping, tudo que poderemos precisar nos primeiros dias, e o melhor, pertinho de casa, é um bairro tranquilo, ele disse que o índice de violência ali é quase zero, o que me tranquiliza. Voltamos para casa e resolvemos desfazer as malas.
Os dias se passaram, meu pai me matriculou logo em um curso de inglês, com brasileiros e estrangeiros de outros países, conheço uma cubana, seu nome é Maitê Hernandez, morena, cabelos longos, castanhos e ondulados, olhos cor de esmeralda, magra, sobrancelhas bem grossas, o que a deixa muito bonita.
Conversamos um pouco, ela tentando decifrar meu português e eu tentando decifrar seu espanhol, mas deu para interagir, ficamos amigas, todos os dias no curso conversamos sobre tudo, e o melhor é que Maitê também pretende seguir carreira artística, ela já me deu uma palhinha e canta muito bem, muito bem mesmo, tem uma voz rouca, muito potente, diferente da minha que parece uma criança cantando, comparo com um ramister, a minha voz é bem infantil.
Com as semanas passando chega a data do primeiro dia de aula, para a minha alegria todas as pessoas do cursinho estão na mesma escola, inclusive Maitê. Agora são 3 de fevereiro de 2003, segunda, a escola é bem legal, as pessoas são bem descoladas, eu e Maitê não desgrudamos, mas isso se explica por só conhecermos uma a outra. Conseguimos sobreviver ao primeiro dia, entrada às 7:45 horas, saída às 14:00 horas, com possíveis escolhas de cursos técnicos ou algum esporte para depois das aulas, das 16:00 horas, às 18:00 horas. E claro, eu e Maitê faremos música. Penso em como tudo é diferente aqui.
O tempo vai passando. Já estamos no meio do ano, tudo vai se encaminhando tranquilamente, mamãe conseguiu o emprego em uma clínica que fica a apenas 15 minutos de casa, minha escola fica a 30 minutos, as vezes vamos de ônibus, ou em outras vezes a mãe de Maitê vem buscar-nos.
Seus pais se chamam Gabrielle Hernandez e Afonso Hernandez, eles são muito legais. Meus pais resistiram no início ao contar que faria um curso de música, mas ao mesmo tempo pensaram que era algo passageiro. Graças a Deus permitiram. Eu e Maitê nos dedicamos ao máximo a isso, seus pais a apoiam muito em relação a seu sonho, o que me deixa feliz, ela realmente se transformou em minha melhor amiga.
Os anos se passaram, chegamos ao ensino médio, e claro na mesma escola, não queremos mais nos separar. Primeiro dia de aula tranquilo, assim como os seguintes, por conta de Maitê agora falo fluentemente 3 idiomas, português, espanhol e inglês, assim como ela também, fizemos até uma brincadeira entre nós duas, durante o dia inteiro escolhemos um idioma para nos comunicar, assim não iremos esquecer nunca.
Eu e ela ganhamos mais corpo, estamos realmente lindas, modesta parte, ela sempre fala da minha bunda, diz que todos olham para a minha comissão traseira, afirma ser fora do comum, o que me deixa envergonhada as vezes, mas sempre levo na brincadeira.
Ela ficou com um corpo perfeito, de fato ela é linda. Hoje é meu aniversário de 16 anos, 27 de março de 2009 sexta, não gosto de festas, mas minha mãe insiste em algo no mínimo íntimo, convido Maitê, Priscila, Caroliny e dois amigos, Andrey e Rey, são os amigos mais próximos, fazem parte do coral da escola nova, somos companheiros desde a escola anterior, o que me alegra de ainda estarmos juntos, nos damos muito bem, esse é meu grupo de amizades tanto na escola quanto fora dela.
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Após a festa todos vão embora, menos Maitê que irá dormir em minha casa, fazemos muito isso, ela na minha, ou eu na dela, é muito legal, e claro, para garotas de 16 anos o assunto não poderia ser outro, garotos. Meu quarto mudou de tons, de rosa para verde e vermelho, com alguns pôsteres de artistas nas paredes, Britney Spears, Madonna, Celine Dion e Mariah Carey. Trocamos de roupa e deitamos na cama de casal, ficamos lá, viradas uma para a outra, frente a frente.
- Você está bem? Parece preocupada. _ Digo a Maitê em espanhol.
- Sim. Só pensativa. _ Responde ela desviando o olhar de mim.
- Eu te conheço Maitê, o que está acontecendo?
Ela não responde, continua evitando me olhar, isso é irritante, nunca havia acontecido, ela quer me falar algo, mas não tem... Coragem, está com medo, vergonha, está difícil decifrar sua reação.
- Fala Maitê, o que está acontecendo? _ Insisto.
- Posso confiar em você não é, Ana? _ Responde ela, pelo menos me olhou quando falou.
- Claro, Maitê, você sabe disso.
Ela suspira sem continuar, deve ser realmente sério, fico ali só olhando para ela, sem saber como influenciá-la a falar.
- Maitê, está me deixando preocupada, fale logo!
- Vou te perguntar algo, não é para sorrir ou achar estranho, ok? _ Ela pergunta e balanço a cabeça num sinal de positivo.
- Você já sentiu atração por meninas? Tipo vontade de beijar, algum calafrio na barriga, algo do tipo?
Ah então é isso? Já sei do que se trata, mas porque isso agora? Eu sempre notei as tendências dela, quando falamos de garotos ela nunca demonstra o mesmo entusiasmo que as outras garotas, sempre observa e elogia outras meninas, acho que sempre soube o que tudo isso significava, mas ela não, agora deve ter reparado em seu modo de agir e sentir.
- Porque está perguntando isso agora, Maitê?
- Só responde, Ana.
- Não Maitê, eu nunca senti algo do tipo, você sabe que gosto de meninos, e sempre gostei, eu já tive curiosidade, mas vontade AINDA não. _ Respondo sorrindo.
- Para Ana, não sorria de mim, eu estou falando sério.
- Desculpe, mas eu achei que nunca iria ter essa conversa comigo, até porque eu sabia que ainda não tinha percebido suas tendências, mas se está perguntando isso é porque aconteceu alguma coisa.
- Como assim ainda não tinha percebido? Do que você está falando?
- Ah Maitê, quem te conhece como eu, sabe que você nunca gostou de garotos, e quando fala deles é só por falar, mas de garotas você sempre fala com entusiasmo, com brilho nos olhos, eu sei o que isso significa, só você ainda não tinha notado isso.
- Porque você nunca me falou essas coisas? _ Pergunta Maitê.
- Ora! Se eu tivesse falado você iria negar, iria dizer que eu estava ficando louca, eu conheço você, e sei que sua reação não seria das melhores, e esperei você perceber, só assim iria entender.
- Você está querendo dizer que sou gay?
- Se é, eu não sei, mas que tem tendência, isso tem. Você só saberá se é ou não quando, e se experimentar.
- Ana você está louca, eu não vou beijar uma garota.
- Ah Maitê, pare de tentar me enrolar, se você me fez essa pergunta é porque já pensou nisso, e arrisco-me a dizer que já até tem alguém em mente.
Ela recolhe novamente o olhar, coloca o lençol cobrindo a cabeça, ela está envergonhada. Eu tenho razão, tem alguém.
- Viu como eu tenho razão, então desembuche, quem é ela?
Ela continua de cabeça coberta, e não diz nada, então eu sento na cama e puxo o lençol, ela senta também.
- Não vou falar Ana.
- Vamos Maitê, fale quem é. A Priscila? _ Arrisco, ela diz que não. – É a Caroliny? _ Arrisco de novo ela novamente nega.
- Pare Ana, eu não vou falar, esquece isso, tá bom? Foi besteira da minha parte. _ Diz ela.
- Porque não quer me contar? O mais difícil você já fez. A não ser que... _ Claro, é isso. A descoberta me deixa em choque. Como não percebi antes, como sou idiota. Meu Deus, e agora o que eu faço, reajo?
- Ana, pare! Não quero e não vou falar disso com você. Já chega. É besteira eu já disse.
- Mas Maitê...
- Eu já disse, pare.
Resolvo não insistir, ela realmente se chateou, mas como pôde acontecer isso? Como deixei acontecer isso? Tenho que resolver, mas não hoje, melhor realmente deixar para lá.
- Tudo bem Maitê, mas ainda vamos conversar sobre isso, e você sabe que temos que conversar.
Ela não diz uma palavra, volta a deitar e se vira, dando as costas para mim, essa será uma noite longa.
No dia seguinte, 28 de março de 2009 sábado, quando acordo ela já está de pé e arrumando sua mochila, preparando-se para ir embora.
- O que você está fazendo? _ Pergunto.
- Estou indo para casa, já liguei para mamãe.
- Mas Maitê, iríamos passar o fim de semana juntas. Fique por favor!
- Não Ana, eu preciso pensar, está tudo bem, não se preocupe. _ Ela diz fechando o zíper da mochila e abrindo a porta do quarto.
- Maitê, não faça isso, não quero perder sua amizade por algo que nem resolvemos, você nem conversou comigo.
- Não temos nada para conversar.
E ela sai, eu fico sem entender, não sei o porquê disso tudo, não sei como agir, mas ela não me disse nada. Deixo-a ir, acho que eu também preciso pensar.
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Os dias se passaram, na escola nada mais está igual, minha mãe me perguntou se está acontecendo algo, ela percebeu a distância entre Maitê e eu, e isso está só piorando, eu tento disfarçar, não sei se funciona, mas desconverso. Duas semanas depois do ocorrido resolvo falar com ela, não podemos ficar assim.
Era 6 de abril de 2009, segunda, quando termina a aula me encaminho para o ensaio do coral, mas sou pega por uma ótima notícia que a nossa professora nos dá. Ela diz que um programa de tevê irá realizar um concurso para jovens cantores de escolas do ensino médio, e que será um concurso de bandas, e que se nós aceitarmos e tivermos autorização dos nossos pois ela irá nos inscrever, pois somos muito bons, mas essa informação me desmotiva, talvez esse será um obstáculo para seguir com meu sonho e perder essa oportunidade, pois o prêmio é um contrato com uma gravadora: meus pais.
Avisto Maitê toda sorridente, quando me observa desfaz o sorriso e abaixa a cabeça. Ela realmente não quer me olhar e nem conversar, mas temos que ter uma conversa, não quero mais ficar nessa situação com ela. Vou me aproximando dela, mas antes de chegar Rey me pega e me levanta demonstrando entusiasmo, ele me beija, digamos que nós temos um "rolo", ele é louro, cabelos lisos, pele branca, um americano nato, ele é lindo, e eu gosto dele, eu retribuo seu beijo, mas algo está estranho, eu me sinto incomodada, e quando olho para Maitê, ela está com a feição totalmente triste, percebo o motivo do meu incômodo, pela primeira vez sei o motivo de porque toda vez que eu beijava Rey na frente dela, ela ficava assim, e que muitas vezes inventava algo e saía de perto, peço para Rey parar, ele não entende, mas está tão feliz que não se incomoda com isso, ele me solta e me despeço dele, continuo indo ao encontro de Maitê que ao perceber me dar as costas e sai da sala, corro para alcançá-la.
- Maitê, espere! _ Grito no corredor da escola. Ela continua andando. Mas a alcanço.
- Por favor, não aguento mais isso, eu preciso de você, você é minha melhor amiga. - Ela para, fico atrás dela, e ela começa a falar.
- Esse é o problema Ana, você não entende? Ver você todos os dias com outra pessoa, sentir isso e não poder controlar, você realmente não entende, não é?
- Claro que eu não entendo Maitê, eu não tenho como entender, você não fala comigo, não me explica, me evita, então, por favor, converse comigo.
- Eu não posso Ana, não consigo olhar para você, não posso!
- Mas e então, ficamos assim? Vamos jogar anos de amizade fora por conta disso, eu te amo Maitê, mas não dessa forma, e não sei se posso amar dessa forma, me desculpe.
Ela não diz nada e sai andando, resolvo não a forçar a nada agora, não será bom nem para mim e nem para ela. Volto para a sala que estão todos reunidos, a notícia que era ótima já não me deixa tão feliz quanto antes, só consigo pensar em Maitê nesse momento. Observo Kateriny falando, nossa professora, alta, cerca de 1,80 m, cabelos ruivos e lisos, cerca de uns 45 anos, muito elegante, ela é uma ótima professora, ela não tem a melhor das vozes, mas ela entende muito de música e sabe como passar esses conhecimentos para terceiros.
Ela fala sobre o concurso, diz que se iniciará no final do ano, com data provável para 22 de novembro de 2009, ela diz que será aos domingos e a tevê local irá transmitir tudo, isso me deixa nervosa, mas empolgada. Ela também se demostra empolgada e diz ter uma dúvida para resolvermos, ela fala que temos pessoas para formar até dois grupos, um de cinco e outro de quatro, mas temos 4 meninas e 5 meninos, a dúvida é se fazemos dois grupos mistos, ou só de meninas e meninos. Todos se olham sem saber o que responder. Realmente é algo a se pensar. Então eu falo.
- Se for para fazer dois grupos, então é melhor testarmos e ver como nos saímos, e dependendo do resultado os grupos serão formados. Acredito que dessa forma estaremos observando as melhores opções.
- Perfeito Ana, então faremos assim, amanhã, após a aula iremos começar com os testes, precisamos resolver logo essa situação, estejam coma voz afiada, pois a usarão bastante.
Todos concordam e saímos, procuro Maitê, mas nem sinal dela, decido ir para casa, Rey ainda tenta me convencer a tomar um sorvete, mas dispenso, preciso realmente ir para casa, e o faço, vou de ônibus, quando chego, lembro-me que ainda tenho que ter a conversa mais difícil com meus pais.
Chego, tomo um banho, e vou conversar com mamãe, hoje ela terá plantão só a noite. Ah! Ela é pediatra. Papai ainda não chegou e decido falar logo com ela, sei que é mais flexível, e será mais fácil convencê-la e dessa forma ela poderá me ajudar a convencer papai.
- Mãe! _ Bato na porta do seu quarto e coloco a cabeça para dentro.
- Oi filha, pode entrar, só estou lendo um pouco. _ Ela responde, está sentada na cama, realmente estava a ler.
Entro e me encaminho para sentar na cama com ela. Não sei nem como começar, mas tenho que começar de alguma forma, mamãe percebe minha aflição e então pergunta.
- Há algo errado? Aconteceu alguma coisa?
- Sim e não, quero falar algo, mas não sei como.
- É sobre garotos? Não me diga que você... _ Meu deus! Como ela pode pensar isso?
- Céus! Não mãe! Claro que não, nem comece com essas conversas.
- De certa forma é um alívio. Mas se não é sobre isso, o que poderia ser tão sério para você está desse jeito?
Continuo sem saber como dizer, acho que se fosse sobre garotos seria mais fácil. Mas não é, então tenho que ter coragem.
- Mãe você sabe que eu sempre quis ser cantora, não é? Que sempre foi e é meu sonho.
- Sim querida, eu sei, mas já conversamos que esse é um futuro muito incerto.
- Eu sei mãe, mas na escola surgiu uma oportunidade, um concurso estadual, que dará como prêmio um contrato com uma gravadora para o grupo vencedor.
- Ana, nem pense nisso, seu pai nunca aceitaria.
- Mãe, eu estou falando com você, e não com papai.
- Você conhece o seu Pai Ana, sabe como ele pensa, o que ele quer para você.
- Mãe eu não vou fazer direito, não é justo, eu odeio direito, isso não é para mim.
- Ana não ouse falar essas coisas para o seu pai.
As lágrimas começam a descer em meu rosto, minha mãe odeia me ver chorando, então ela me acolhe em seus braços, me abraça forte e fala.
- Ana, por favor tire essas ideias da cabeça, seu pai nunca permitirá isso.
- Mas mãe, ele não pode controlar minha vida para sempre, e não posso perder essa oportunidade agora.
Ficamos ali as duas abraçadas, por um tempo, eu chorando cada vez mais, até que a porta do quarto se abre e papai entra, observando aquela cena incomum, sem entender nada ele entra deixa sua maleta na mesinha perto da janela e pergunta.
- Aconteceu alguma coisa? Porque está chorando Ana?
Eu não respondo nada, então ele se aproxima e acaricia meu rosto e meu cabelo, sinto que esse é o momento perfeito para falar.
- Pai, se eu tivesse a oportunidade de fazer algo que eu queira muito, muito, muito mesmo, e que me deixaria muito feliz, você deixaria? Não iria impedir?
Minha mãe me encara, ela não consegue acreditar que perguntei isso, ele olha fixamente para mamãe, como se já soubesse do que se trata, então papai responde.
- Se você estiver falando de cantar, nem pensar, Ana eu estou trabalhando duro para prepará-la para tomar o meu lugar na empresa, essa é a nossa vida, e você será uma grande advogada, você é muito inteligente e não deixarei isso se perder para algo que é tão duvidoso. _ Com o tempo, papai se tornou sócio da empresa, Barreto e Braga Construções (BBC) agora, devido a associação com seu parceiro o Sr. Antônio Barreto, e isso faz de mim a continuação da "sua" empresa, ele realmente dedicou-se incansavelmente a ela.
- Mas eu não quero fazer direito, eu não gosto.
- Você aprenderá a gostar, assim como eu.
- Mas pai...
- Nada de mas, essa é a minha decisão. _ Ele vai para o banheiro. Quando volta ainda estou lá, sendo consolada por mamãe.
- Ana, pare com isso, não é o fim do mundo, já chega de chororô.
- Pai, você nem me deixou falar do que se trata. Você nunca me escuta, nunca quer saber como me sinto, o que quero fazer, o que importa para você é só aquela maldita empresa, você não se importa comigo. _ Grito!
- Ana... _ Fala mamãe, colocando a mão na boca.
Eu me levanto e saio do quarto deles, papai não diz uma palavra, vou em direção ao meu, só quero chorar e ficar sozinha, na verdade queria uma pessoa ao meu lado agora, Maitê, mas ela me abandonou também, uma sensação de solidão enche meu coração, penso em Rey, mas ele não é a melhor pessoa nesse momento, ele é super legal, mas... mas tem o "mas" e isso modifica muito as coisas. Então só choro, choro muito, até que pego no sono. Alguém bate na porta.
- Querida, você não vai jantar?
Olho para lá, percebo que é mamãe, só balanço a cabeça num sinal de negativo, o que a faz entrar de vez no quarto e sentar na cama, passando a mão em meu cabelo.
- Você sabia que seria assim, Ana, ele é muito rigoroso em relação a isso, contudo, não poderia falar aquelas coisas a ele.
Eu não falo nada, estou com os olhos inchados, não quero ver e nem falar com papai, não agora, mamãe entende minha reação e prefere não insistir.
- Tudo bem, mais tarde peço para Andreia trazer algo para você comer. Boa noite, minha querida. _ Mamãe fala me dando um beijo na testa e sai do quarto.
Eu estou realmente triste e sem pensar duas vezes mando uma mensagem para Maitê.
"Estou com muitas saudades, você não tem ideia da falta que me faz, queria poder evitar isso tudo, me perdoe por não perceber antes e te ajudar, quero ser sua melhor amiga para sempre, espero que saibas disso. I Love you, hoje e sempre".
Ela não responde, isso me tortura ainda mais, eu não quero e não posso perder a amizade dela, o tempo passa e adormeço, nem vejo Andreia entrando com o lanche, quando acordo na manhã seguinte, 7 de abril de 2009, terça, me preparo para encarar papai. Isso não será fácil. Tomo banho, me arrumo, pego minha mochila e desço para tomar o café. Papai já está sentado à mesa lendo o jornal, mamãe está descendo as escadas com seu jaleco no braço, ela acabou trocando de turno devido aos acontecimentos da noite passada, deixa-o no balcão, passa por mim e senta ao lado de papai, eu fico ali sem saber o que fazer.
- Venha Ana, coma rápido já estamos atrasadas.
Eu continuo e sento do outro lado da mesa, de frente para mamãe, ele não me olha em nenhum momento. Então para quebrar o silêncio mamãe faz um sinal, como se estivesse tossindo, papai abaixa o jornal e pega sua xícara de café.
- Ana, seu pai tem algo para conversar com você. _ Mamãe fala isso, olhando para papai, que entende o recado.
- Bom, eu sei do seu desejo de cantar e sua mãe e eu sabemos que você tem muito talento, então quero fazer um acordo com você. Minha proposta é a seguinte, você poderá participar desse concurso, mas se não der certo você me prometerá que deixará essa história para trás e prestará vestibular para advocacia, ou para administração. Essa é sua opção, é pegar ou largar.
Isso tudo é muito arriscado, não há garantias de que me darei bem logo na primeira tentativa, e se não der terei de largar todos os meus sonhos, mas se não for assim, perderei essa oportunidade, e agora? Céus que difícil!
- Tudo bem pai, como você disse é minha única opção, então não é uma escolha. _ Respondo de cabeça baixa. Estou feliz, mas frustrada ao mesmo tempo.
- Mas prometa que vai cumprir Ana, você sabe como isso significa para nós. _ Diz mamãe.
- Prometo mãe, e obrigada pai, você não imagina como isso é importante para mim, e verás que dará certo.
Meu pai não diz mais nada, então mamãe me apressa e saímos, ela me deixa na escola e vai para o trabalho, estou toda animada, vou falar com Maitê, preciso compartilhar essa notícia com ela. Tento encontrá-la antes da aula, sem sucesso, passo a aula toda pensando em tudo, em como tudo pode ser perfeito, mas lembro-me que era para ter aquecido a voz, esqueci totalmente, hoje terá teste. Porém o mais preocupante é não encontrar Maitê.
Após a aula, ela já se encontra no estúdio à espera de Katherine e dos outros alunos, eu a avisto logo quando entro, mas ela quando me ver desvia o olhar, isso já está ficando chato, não temos porque agir assim. Eu sento ao lado de Rey, Katy entra e ficamos na expectativa do que ela tem a dizer.
- Bom, aqui estão as autorizações para levarem a seus pais, cada pessoa pegue uma e traga assinada, eu fiz algumas combinações e vamos testá-las agora. A primeira será a mesclagem de meninos e meninas. Um grupo com 3 meninos e duas meninas e outro grupo com 2 meninos e 2 meninas. Então será assim: Rey, Andrey, George, Maitê e Caroliny e o outro com Priscila, Ana, Ferdinand e Alex. No decorrer das apresentações irei fazendo mudanças. Vamos começar com o grupo de 4, a música será I'm a slave 4 u da Britney Spears, irão cantar a mesma para eu analisar, podem se preparar.
Todos se aprontam, eu estou separada de Rey e principalmente de Maitê, isso me deixa triste. Mas será só um teste, então os dois grupos cantam, eu confesso que o outro grupo foi extremamente melhor. E Katy também sabe disso, depois ela troca de componentes, também uma mesclagem de garotas e garotas, mais uma vez fico separada de Maitê, mas no mesmo grupo de Rey, e mais uma vez o outro grupo foi melhor, então Katy resolve formar os grupos só de meninas e só de meninos, e mudar a música, para os meninos a música é I Want It That Way dos Back Street Boys, e para as meninas a música é Thats The Way It Is de Celine Dion, temos sempre 5 min para ajustar e combinar a música e mais complicado ainda é que é tudo à capela.
Começamos a cantar, primeiro os meninos, eles foram muito bons, realmente perfeito, depois nós, eu canto, sempre olhando para Maitê, ela percebe e tenta não me olhar, mas ela sabe e sente que estou triste com tudo, estou disposta a resolver essa situação. Terminamos, e pela primeira vez sinto que o grupo em que eu estou foi melhor que o outro, essa é uma sensação ótima.
- Meu Deus isso foi incrível meninas, perfeito, os meninos foram ótimos, mas vocês, foram espetaculares. Acho que já temos nossos grupos formados. _ Katy fala com um sorriso no rosto, e todos aplaudindo.
Todos estão muito felizes, observo Maitê que abre um sorriso que eu não via há dias, ela está ao lado de Caroliny, ela é morena, cabelos cacheados, magra, uma negra literalmente linda, elas estão rindo uma para a outra, isso me incomoda um pouco, mas deixo para lá, nesse momento quero resolver as coisas com Maitê, vou me aproximando dela, e de repente, antes de eu chegar, Carol a beija, sem ela esperar, surpreendendo-a, o que é isso? Eu paro, não sei o que fazer, mas faço o mais sensato, recuo, todos observam, quando Carol se afasta Maitê olha para ela e depois me olha, olha a todos e sai correndo da sala, ela está confusa. Eu corro atrás dela.
- Maitê, espere. _ Ela continua correndo em direção ao banheiro e vou atrás dela, quando entro, ela está dentro de uma das cabines.
- Saia daqui, Ana, não preciso de você.
- Você não está bem, por favor, me deixe ajudar você.
- Eu não quero a sua ajuda, você não entende.
- Maitê, por favor, eu não quero perder você, você é a minha melhor amiga. _ O silêncio persiste por um tempo, mas aí Maitê o quebra.
- Porque ela fez isso, Ana?
- Ela deve gostar de você, nós sempre soubemos que ela é gay, ela talvez agiu por impulso. _ Respondo me sentando encostada na parede pelo lado de fora da cabine em que Maitê está.
- Mas porque eu?
- Você falou alguma coisa para ela ou outra pessoa sobre suas dúvidas?
- Não Ana, claro que não, só para você.
- Então não sei, mas pode ter sido só coincidência, saia daí, vamos para a sua casa, você precisa de colo, não sei se você quer o meu, mas não conseguirá nada aqui.
O silêncio toma conta novamente do banheiro, mas logo depois ela abre a porta, levanto-me, ela está arrasada, corro para abraçá-la, eu sei que ela está muito triste, então a ajudo a sair dali, precisamos as duas sair. Pegamos o ônibus e seguimos para a sua casa. Os pais dela estão no trabalho, o que é bom, seguimos para o seu quarto, deitamos na cama, e ela aceita cordialmente o meu colo, eu sei que ela precisa disso. Ela está aos prantos.
..........***..........
- Calma, você não precisa ficar assim, e não coloque culpa em Carol, eu tenho certeza que ela agiu sem pensar. _ Digo a ela.
- Mas ela não podia ter feito isso Ana, ela não tinha o direito. _ Maitê diz chorando ainda mais.
Ficamos ali por um tempo, até que ela se acalma, as lágrimas já não caem mais, e sua respiração voltou ao normal.
- Você está melhor? _ Pergunto.
- Sim, obrigada, e me perdoe, eu fui tão idiota com você, e é você que sempre esteve ao meu lado. _ Ela fala isso sentando na cama e abaixando a cabeça.
- Ei, pare com isso, já passou, eu também não soube lidar com a situação, me desculpe. _ Falo isso, sentando também na cama e colocando minha mão em seu queixo levantando sua cabeça, estamos frente a frente.
Ela está tão triste, seu olhar é arrasador, lembro-me de todas as vezes que ela sorriu para mim, de todas as vezes, que ela disse que me amava, e eu não percebi nada, observo de modo diferente sua beleza, seus lábios, seus olhos, e sem pensar, em nada, em ninguém, a beijo, com a mão ainda em seu queixo, encosto meus lábios nos seus, ela prende a respiração, ela está novamente sem ação, por que estou fazendo isso? Eu paro, me afasto e abro os olhos, ela está me olhando fixamente, o que eu estou fazendo? Não posso fazer isso com Maitê, não com ela.
- Me perdoe, me des.... _ Falo com a voz trêmula, sem terminar a frase.
Levanto, pego minha mochila e saio correndo, é o máximo que posso fazer, deixo-a lá, tenho que raciocinar. Estou no ponto de ônibus, esperando sentada, com os pensamentos a mil, até que me assusto com Maitê aparecendo de repente e sentando ao meu lado.
- Tudo bem? _ Pergunta ela.
- Me perdoe, Maitê, eu não queria fazer isso, foi... nem sei dizer o que foi. Só me desculpa. _ Falo de cabeça baixa.
- Eu também não, eu sonhei tanto com isso, em te beijar, e agora estamos aqui, sem saber o que fazer e falar.
- Só me perdoe. _ Falo olhando para ela.
- Tudo bem, acho que as coisas não estão bem para nós duas, temos duas opções, ou esquecemos isso e seguimos sendo melhores amigas, ou deixamos isso nos afetar, e perderemos nossa amizade para sempre.
- Você acredita que poderemos esquecer tudo? _ Ela dá de ombros, nem ela sabe, mas precisamos tentar, não quero e não posso perder a amizade dela.
- Eu não sei Ana, mas esses dias foram horríveis sem você, e não quero que continue assim e mais, temos que ficar unidas agora mais do que nunca, vamos ganhar aquele concurso Ana, e você vai provar para os seus pais do que é capaz.
Lembro-me dos meus pais, nem contei a ela sobre o que aconteceu, e faço isso, conto tudo, do acordo, do drama, ela sorri e me abraça dizendo.
- Isso é ótimo, Ana, fico muito feliz que poderemos cantar juntas.
- Sim, vamos lutar por esse sonho.
Maitê sempre me abraça, mas agora seu abraço está mais forte, mais quente, diferente, é estranho e bom ao mesmo tempo. Ela se afasta, ficamos ali por um tempo sem dizer nada. Até que faço uma pergunta, óbvia e oportuna.
- E o que pretende fazer com Carol?
- Não faço a mínima ideia, acho que o mais sensato é conversar. Preciso entender porque ela fez isso.
- É, o mais sensato.
O ônibus chega me despeço dela com um abraço, entro e sento no banco atrás, meus pensamentos estão à mil e ao mesmo tempo imagino como devem estar os de Maitê. Chego em casa, papai já se encontra, assistindo a um jogo de basquete.
- Oi pai, chegou cedo hoje. _ Vou até ele e dou-lhe um beijo na testa.
- Sim, está tudo tranquilo na empresa hoje, resolvi me dar a tarde de folga. Você não deveria está toda saltitante? Não parece tão feliz.
- Eu estou pai, só estou cansada. Ah! Está aqui a autorização, preciso que você e mamãe assinem, preciso levar amanhã, fique com ela para ler, depois me entregue.
Ele concorda, dou-lhe os papeis, e vou em direção ao quarto. Entro, jogo minha mochila no chão e deito na cama, não consigo parar de pensar em Maitê e no beijo, passo as mãos em meus lábios bem lentamente., como ela é doce, como ela é linda, como ela é... Ana, pare com isso! Digo a mim mesma, isso é loucura, relaxo, e pego no sono. Até que mamãe bate à porta, para irmos jantar.
No dia seguinte, 8 de abril de 2009, quarta, já estou pronta para ir para a escola, estou me sentindo estranha, nervosa, ansiosa, não sei ao certo, recolho os papeis da autorização com mamãe, que já estão assinados, ela diz que não poderá me levar hoje, então me encaminho para o ponto de ônibus, fico ali bisbilhotando as minhas redes sociais. Até que chega uma mensagem de Maitê.
"Bom dia Ana, com você está? Ana estou preocupada e nervosa, como farei com Carol? Estou com medo! Bjus"
Não sei o que dizer a ela, eu estou do mesmo jeito, não era para estar, mas estou, e isso é desconfortante, mas respondo.
"Bom dia Maitê, estou bem. Não sei o que te falar, mas deve seguir o que pensou, conversar com ela, saber porque ela fez isso, e aí começar a pensar no que fazer. Beijus, até logo".
Chego na escola e Maitê está na entrada, acredito que a minha espera, ela realmente está com medo, quando me avista vai logo ao meu encontro.
- Graças a Deus que você chegou Ana, não queria entrar sem você, vem, vamos. _ Ela fala já puxando meu braço.
Eu a sigo, teremos horários diferentes, deixo-a na porta da sua sala, ela agradece por não ter visto Carol, mas assusta-se quando a ver dentro da sala que ela irá entrar, ela para na entrada da turma, e vira-se para mim, me olha, espera que eu faça alguma coisa, só faço um sinal com a mão para ela entrar. Ela volta-se de novo para a sala e entra, observo que Carol, está envergonhada, não encara Maitê em nenhum momento, ela está sentada nos fundos, Maitê senta na frente.
Deixo-a lá e saio, esse será um longo dia, vou para a minha sala, entro e sento, mas meus pensamentos estão completamente em Maitê e no concurso, depois de tudo me dou conta de que essa pode ser a chance da minha vida, dou um sorriso bobo sozinha, está caindo a fixa só agora.
Depois da aula, vou à procura de Maitê, não a encontro em lugar nenhum, pátio, quadra, estúdio, banheiros, nada dela, sumiu, resolvo ir ao refeitório almoçar, ela também não está lá. Como, e vou para o estúdio, sento, pego o violão e começo a cantar, Boa Sorte/ Good Luck de Vanessa da Mata ft. Ben Harper, essa música é linda, eu adoro ela, uma cantora brasileira com um americano, sempre a canto. Quando termino, Maitê entra com um sorriso no rosto, eu paro, e observo, ela chega e senta ao meu lado.
- Onde você estava? Te procurei por toda a parte.
- Eu estava conversando com a Carol. _ Diz ela, sorrindo.
- E então, fale logo. O que aconteceu?
- Ah Ana! Ela é maravilhosa, confessou que sempre gostou de mim, que queria muito fazer aquilo há tempos, ela me beijou novamente.
- Mas Maitê... _ Tento falar, mas ela interrompe.
- Ela beija tão bem, acho que depois disso não tenho mais dúvidas gosto realmente de meninas, e ela está me mostrando isso.
- Maitê pare, o que você está fazendo? Só porque a beijou já acha que a ama? Você está sendo infantil. _ Eu falo isso irritada, coloco o violão no chão, porque isso está me incomodando tanto?
- Ana, eu não disse que a amava. Por que você está assim?
- Mas está agindo como se amasse, e eu estou normal.
- Quer saber, esquece está bem? Não vou falar dessas coisas com você. _ Maitê fala irritada e vai levantando-se para sair.
- Espere, me desculpa ok? Você só me pegou de surpresa, eu não tenho nada a ver com isso, e eu sou sua melhor amiga, é comigo que você pode falar dos seus romances, só foi estranho, ouvir você falar de alguém dessa forma.
- Tudo bem Ana. _ Maitê volta a se sentar e os outros já vão entrando no estúdio, inclusive Carol, que logo chega perto dela e segura sua mão.
- Olha! Temos um novo casal no pedaço. _ Diz Ferdinand sorrindo e apontando para Maitê e Carol.
Todos aplaudem, eu estou... O que eu estou? Isso é diferente, estranho, isso é... CIÚMES, eu estou com ciúmes, mas por quê? Não está certo, não pode estar certo.
- Parabéns meninas! _ Diz Priscila.
- Vamos começar, nós vamos ter que marcar dias para os meninos e dias para as meninas, irão ensaiar separadamente. Assim posso auxiliar melhor vocês, hoje iremos começar com as meninas. Meninos vocês podem ir, e amanhã nesse mesmo horário, sem atraso, e sem faltas.
Os meninos saem, Rey me dá um beijo, e diz que irá me esperar na sorveteria ao lado da escola, eu concordo, acho melhor começar a investir seriamente nesse namoro, preciso me livrar desses sentimentos.
- Ok meninas, temos que ensaiar as vozes de vocês, e a melhor forma é cantando, a primeira música do concurso será da escolha dos grupos, mas a partir da segunda fase os jurados escolherão as músicas, então terão de estar preparadas para qualquer situação. _ Diz Katy.
- Você já tem algo em mente? _ Pergunta Carol.
- Na verdade sim, fiz uma lista aqui de músicas que sempre vejo vocês catarem, e suponho que são suas favoritas. _ Ela entrega uma folha para cada, com uma lista de 10 músicas, teremos que escolher uma dessas para ser a da primeira apresentação.
1. Beautiful - Christina Aguilera
2. Por Siempre Tu - Christina Aguilera
3. I Want It That Way - Back Street Boys
4. From this moment - Shania Twain
5. I'm Not Girl, Not Yet a Woman - Britney Spears
6. Thats The Way It Is - Celine Dion
7. Back Street Boys - Drowning
8. Valerie – Amy Winehouse
9. Rehab - Amy Winehouse
10. Boa Sorte/ Good Luck – Vanessa da Mata ft. Ben Harper
Observo a lista e sei que as minhas músicas são a da Vanessa da Mata e a da Britney Spears, a de Maitê com certeza são as de Christina Aguilera, ela ama essa mulher, os Back Street Boys estão por conta dos meninos, todos eles adoram essa banda, eu sempre vejo Carol cantando Shania Twain, e Priscila Amy Winehouse, Katy com certeza nos conhece bem, e Celine Dion está ali mais por conta dela, ela é muito fã, deve ter colocado como opção, mas eu sei também que ela é maravilhosa.
- Vocês terão que entrar em acordo, escolher 3 ou 2 músicas, para cantarem e daí ensaiaremos e saberemos em qual se saem melhor, mas no decorrer do tempo ensaiaremos com essas músicas. _ Diz Katy. Todos concordam e olham para a lista.
Eu não sei porque estou assim, Maitê está o tempo todo ao lado de Carol, elas sorriem, se tocam, isso está ficando irritante, é... estranho.
- Deveríamos escolher a Celine Dion, em homenagem a Katy, acho ela ótima, e todas concordamos que a música é maravilhosa. _ Diz Carol. Todos concordam, aplaudindo a decisão, eu concordo, mas não aplaudo, não por Katy, mas por Carol.
- Obrigada meninas, pela minha experiência, eu indicaria a vocês, a música Beautiful da Christina Aguilera, sempre que uma de vocês canta ela, fica divino. – Diz Katy.
Novamente outra decisão certa, olho para Maitê, sei que ela ficou muito feliz, mas ela não me olha em momento algum.
- Então seria bom escolherem mais uma, para termos mais opções, mas não se esqueçam que essa mesma lista será mostrada aos meninos. _ Diz Katy.
- Eu voto pela Good Luck. _ Eu falo.
- Eu prefiro alguma da Amy. _ Diz Priscila.
- Eu gosto muito de Shania Twain, gostaria de cantar uma música dela. _ Diz Carol.
- Bom, isso vai ser mais difícil do que eu pensei, eu não vou interferir dessa vez, então você decide Maitê. _ Diz Katy.
- Eu? Mas eu não quero. Temos que entrar em acordo. _ Ela responde.
- Vamos Maitê, escolhe a minha. _ Digo com um sorriso no rosto.
Maitê não fala nada, se fosse em outros tempos, ela escolheria a minha sem pensar duas vezes, mas hoje, não é tão fácil assim. Sei que ela também está pensando em Carol, está dividida entre nós duas.
- Pare com isso Ana, não a coloque contra parede. _ Diz Carol.
Olho para ela, com o olhar em chamas, eu estou com raiva dela, mas sei que não é só pelo que ela falou, eu sei disso.
- Parem meninas, deixem Maitê decidir. _ Diz Katy.
- Bom, para evitar confusão, eu escolho a da Amy, ela também canta muito. _ Fala Maitê.
As palavras delas saem como um tiro em meu peito, eu fico observando ela, que não demonstra nem uma reação, nem a mim e nem a Carol, ela está de cabeça baixa, sei que se encontra em uma situação confusa, mas eu já sinto como será daqui para frente, e não me meterei nessa situação, não posso deixar as coisas mais complicadas. Ela me olha e desvio o olhar, não vou me deixar envolver, se ela quer desse jeito, então será desse jeito.
- Então ficamos assim, amanhã estarei com os meninos, então se vocês puderem e tiverem algum outro lugar para ensaiar, podem fazer isso amanhã, e nos vemos aqui na sexta, no mesmo horário. _ Fala Katy nos dispensando.
..........***..........
Eu pego minha mochila, realmente não preciso presenciar as duas. Quando vou saindo escuto Maitê gritar meu nome, eu não dou atenção continuo meu caminho, ela chega perto de mim e puxa meu braço.
- Ei, pare com isso!
- Parar com o que Maitê? Só estou indo embora.
- Porque está agindo assim?
- Me deixe Maitê, não quero conversar agora, vou encontrar o Rey. _ Falo e continuo a andar, deixando-a lá.
Não olho para trás, eu não sei exatamente o que estou sentindo agora. E nem sei por que estou assim, só quero ficar sozinha, não quero sentir essas emoções. Vou saindo da escola, quando escuto Rey me chamar.
- Ana, para onde você vai? _ Eu não respondo, sigo em direção ao ponto de ônibus, ele me segue.
- Ana pare, porque está agindo assim? O que aconteceu?
- Nada Rey, só quero ir para casa. _ Respondo.
- Mas estou te esperando um tempão.
- Eu não pedi para fazer isso! _ Falo irritada.
- Porque está me tratando assim? O que eu fiz para você? _ Tenho que me livrar dele, ou as coisas só piorarão.
- Nada Rey, só quero ir para casa.
Ele não insiste mais e me deixa ir, o ônibus chega e entro, eu sei que agi errado com ele, mas estou fora de controle, e eu não sou assim. Porque estou assim? Eu estou tentando me convencer que é por causa do que Maitê fez, mas no fundo eu sei que não é, isso que estou sentindo nunca havia sentido, porque estou com ciúmes dela? Sei que dessa forma perderei sua amizade.
Chego em casa e vou direto para o meu quarto, meus pais ainda não chegaram, preciso pensar, faço o que sei de melhor, cantar, pego meu violão e começo a tocar, I'm Not Girl, Not Yet a Woman da Britney Spears, sei que preciso ensaiar as 3 músicas, mas agora preciso ser eu.
Meus pensamentos estão a mil por hora, eu não posso me deixar sentir "isso", mas o que é isso? Eu nunca senti algo assim, é doloroso, é inquietante, preciso resolver as coisas, pego o celular e mando uma mensagem para Rey.
"Me desculpe por hoje, eu estava irritada, não era culpa sua, mas hoje percebi que não combinamos tanto quanto eu pensei, me perdoe, mas não podemos continuar com isso. Bjus e espero que entenda e possamos seguir com nossa amizade".
Não sei se estou certa ao fazer isso, mas é o que eu estou sentindo que preciso fazer, não posso enganar a ele e nem a mim, não é só por Maitê, mas por tudo também. A confusão que se encontra em minha cabeça me deixa à beira do desespero e não quero arrastar ninguém comigo.
"Me perdoe por hoje, eu não sei o que aconteceu comigo, eu mais que ninguém desejo a sua felicidade, e se ela te faz feliz, eu estou do seu lado, não se preocupe, amanhã estará tudo bem, eu serei sempre a sua melhor amiga".
Envio também uma mensagem para Maitê, a situação tem que voltar ao controle, eu preciso evitar essas emoções e não deixar elas estragarem tudo, o meu foco agora tem que ser exclusivamente esse show de talentos, e assim será, essa é uma oportunidade única para mim, literalmente não terei outra. Perdidas em pensamentos meu celular toca, mensagem de Maitê.
"Ana, eu sempre gostei de você, depois percebi que não era só amizade, passei esse último ano sofrendo por isso, vendo você com outra pessoa sem poder fazer nada, e aprendi a te amar em segredo, até que aconteceu isso tudo, eu ainda te amo, mas não posso viver assim, tenho que seguir minha vida, e ainda quero você nela, como minha melhor amiga".
Eu sei do que ela está falando agora, estou sentindo um pouco do que ela sentiu, mas não me deixarei levar por esses sentimentos, focarei em minha carreira, vou me ocupar ao máximo e não terei tempo para mais nada. Alguém bate à porta, Andreia, dizendo que o jantar está pronto. Eu aceno com a cabeça, ela sai, troco de roupa e desço. Meus pais já estão à mesa, nem escutei eles chegando, a comida já está na mesa, e comemos, eles perguntam como foi o dia, como estão os ensaios, e etc. eu respondo, terminamos de comer e eu me encaminho para meu quarto novamente, não quero conversar com ninguém no momento. Pego meu celular e tem uma mensagem de Rey.
"Eu não sei o que aconteceu, mas sei que gosto muito de você, e não pode terminar assim comigo, sem nenhuma explicação e por mensagem, eu vou lutar por você, pode acreditar nisso, se me der um pouco de esperança, eu lutarei por você".
Eu não sei o que responder a ele, e resolvo não dizer nada, não preciso de mais confusão ainda, fico ali, pego meus fones e coloco as três músicas escolhidas para tocar, Beautiful - Christina Aguilera, Thats The Way It Is - Celine Dion e Valerie – Amy Winehouse. Repetidas vezes, pego no sono.
..........***..........
No dia seguinte, 9 de abril de 2009, quinta, estou de pé, mamãe entra no quarto me apressando, já estamos atrasadas, isso sempre acontece. Termino de me arrumar e desço. Tomo um café muito rápido e dou um beijo em papai que retribui e saio com mamãe. Na escola dou de cara com Rey, ele estava me esperando, quando observo também Maitê e Carol, de mãos dadas, conversando com Priscila. Maitê me encara, ela sabe que estou triste, mas resolvo ir conversar com Rey, preciso resolver as coisas com ele. Vou em sua direção. Saímos para o estúdio que está vazio.
- Oi. _ Digo.
- O que está acontecendo Ana, porque está fazendo isso? _ Ele fala com a voz triste.
- Desculpe, eu não queria que fosse assim, mas não posso continuar enganando você e a mim, eu gosto de você, você é uma pessoa legal, inteligente, talentosa...
- Mas... _ Rey me interrompe!
- Mas eu não gosto de você com a mesma intensidade e como você gosta de mim, e não posso fazer isso com você.
- Por favor, Ana me dê uma Chance, só uma, eu vou te provar que gosto muito de você e que você pode gostar de mim da mesma forma. _ Rey fala, encostando-se a mim e tentando me beijar.
- Não Rey, não faça isso, não piore as coisas. _ Digo afastando-o.
- Eu não entendo, Ana, ninguém termina um relacionamento assim, sem motivos, você gosta de outra pessoa? É isso?
Eu sou pega de surpresa com sua pergunta, eu não sei o que dizer, a imagem de Maitê vem à mente, será que ele tem razão e o motivo disso tudo é esse? Abaixo a cabeça.
- Então é isso, não é? Quem é ele? Me fala. _ Diz Rey quase gritando.
- Não Rey, não tem ninguém, e se tivesse você não tem o direito de me tratar assim. _ Falo e vou dando as costas a ele.
- Ana espere, desculpa, me perdoa eu não queria.
Não dou atenção e vou saindo. Entro na sala de aula e tento não pensar nem em Rey e nem em Maitê, preciso concentrar-me no que importa no momento que é o concurso, esse deve ser os motivos das minhas preocupações, eu gosto muito de Rey, mas não o amo, e o que sinto por Maitê não pode seguir, preciso me desfazer desses sentimentos, preciso focar-me e é o que farei, escuto o sinal tocar, hora do ensaio.
Quando saio da sala vejo Maitê e Carol de mãos dadas no corredor, e tudo que venho lutando para não sentir, vem à tona, paraliso, Maitê me encara, ficamos ali uma olhando para a outra, Carol percebe, Rey também observa, a paixão, os sentimentos, a emoção em nossos olhares está evidente, e então percebo, não posso lutar contra isso, não posso deixar toda essa paixão se perder, preciso dela e ela precisa de mim, e não conseguirei lutar contra esses sentimentos. Nossos olhares não se desligam, onde os sentimentos transbordam e a sensação de querer tê-la para mim é maior que qualquer coisa.
..........***..........
Quando você fica imune a tudo que tenta esconder de si mesmo, deve estar ciente que quando outros descobrem, a situação sempre tende a sair do controle, e quando sai do controle os envolvidos costumam se machucar, mesmo sem ter a intenção, e isso acaba de acontecer.
- Então é ela, não é? É por ela que jogou o que tínhamos fora? _ Rey gritava no corredor da escola para todos ouvirem.
- Do... do que você está falando? _ Tentei desconversar, em vão.
- Céus Ana, você não é gay, o que você está pensando? Você não pode ser gay, eu sei, você não pode se deixar levar por isso, você não é isso. _ Eu não acreditei quando ele disse essas palavras, ele não é homofóbico, ou é? Deus! Eu não sei mais o que pensar.
- Cala a boca seu idiota, olha como você fala com ela. _ Escutei Maitê gritar, correndo até mim e me abraçando, nesse momento eu já estava aos prantos.
- Não se meta, por sua causa ela me deixou, como pôde? Não Ana, isso não vai ficar assim, não pode me deixar por ela, eu te amo.
- Me tira daqui, por favor, só me tira daqui. _ Eu disse a Maitê.
- Vamos, eu vou cuidar de você! – Ela fala me conduzindo a saída.
- Aonde você vai Maitê? _ Escutei Carol gritar. Paramos e olhamos para trás novamente.
- Você não está vendo idiota? Elas estão juntas você leva chifres, antes mesmo de ter uma namorada _ Rey gritou mais uma vez. – Vocês se merecem, as duas. _ Falou apontando para mim e Maitê.
- Cala essa sua maldita boca. _ Maitê falou me soltando e indo em direção a Carol. – Eu preciso cuidar dela, por favor, entenda, ela precisa de mim, e não pense nenhuma besteira, ela é minha melhor amiga, eu só preciso está do lado dela nesse momento, só me entenda e depois conversamos. _ Maitê falou a Carol.
- Tudo bem, só não esqueça que eu estou aqui, para o que precisar, e que eu gosto muito de você. _ Disse Carol, dando um selinho em Maitê.
Maitê concorda com a cabeça, aquela situação estava totalmente fora do normal, meu Deus a que ponto cheguei, estou no corredor da escola, e todos me olhando, com um ex me chamando de gay, e gritando que gosto da minha melhor amiga, isso só deve ser um pesadelo! E não paro de chorar, sendo consolada pela pessoa que queria estar beijando.
- Vamos, vou te levar para casa! _ Sinto os braços de Maitê me envolverem mais uma vez, esse com toda a certeza é o único lugar que eu queria estar no momento.
- Isso, deixa ela ir Carol, você vai ver que amanhã estará solteira.
- Você é um idiota Rey _ Carol responde e sai de lá.
- Por favor, vamos embora! _ Disse a Maitê que concorda com a cabeça e me aperta ainda mais forte.
Já na saída da escola resolvemos ir de táxi, ela pergunta se quero ir para minha casa eu simplesmente nego com a cabeça, não consigo dizer uma palavra, deito em seu ombro e fecho os olhos, em pouco tempo estamos na entrada de sua casa, nos encaminhando para seu quarto.
- Deita aí. _ Disse me ajudando a deitar em sua cama tirando meu tênis. – Está com fome? _ Eu nego. – Com sede? _ Também nego. – Quer conversar?
- Se não for pedir muito, pode simplesmente deitar aqui comigo e me abraçar? _ Falo a ela ainda com os olhos fechados.
Ela sem reclamar tira seu tênis e deita atrás de mim, me dando um abraço de conchinha. Isso é tudo que eu quero no momento, é só o que eu preciso, é ela que me acalma, que me dá carinho, é com ela que me sinto forte e eu mesma.