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Saga Colegial

Saga Colegial

Autor:: Ayhwka
Gênero: Romance
Essa obra conta a história de jovens que estão no início de sua vida adulta. Eles irão descobrir o amor e irão enfrentar vários problemas pessoais, como: Preconceito, abandono de pais, acidente e vários outros.

Capítulo 1 01

CAP 01 – LIVRO 01 – NOTIFICAÇÃO

Faltam apenas três meses para a formatura e eu estou super ansiosa. Imagino que muito mais que o restante dos alunos, já que tenho minha vida toda planejada desde o ano passado.

Tenho dezessete anos, notas impecáveis e histórico quase perfeito.

Assim como a maioria da minha turma, estou quase concluindo o ensino médio e pensando na faculdade.

Na sexta-feira, a direção do colégio mandou um e-mail para todos os alunos, mudando a programação de hoje.

Ao invés das aulas normais, decidiram levar todos nós para um planetário que tinha acabado de chegar a cidade.

Hoje será o dia dos alunos da manhã, na terça, os alunos da tarde e na quarta os alunos da noite. Foi a melhor maneira para organizar e deixar equilibrado a quantidade de pessoas no evento.

E apesar da programação ser a noite, era obrigatório, já que cancelaram as aulas para isso, e fariam a chamada no local.

- Melissa. - Ouço minha mãe chamando e vou até a sala de estar para saber o que quer.

- Oi, mãe. - Estou quase terminando de arrumar o cabelo.

- Você vai se atrasar, filha. - Se preocupa.

- Eu pedalo rápido. - Volto até o quarto, depressa, e pego uma blusa xadrez vermelha com a manga longa.

- Lembra de pegar o celular e as chaves. - Rio, ao ouvir ela gritando, mesmo sabendo que eu nunca esqueço de pegar nenhum dos dois.

Passo na sala, onde ela está sentada no sofá, assistindo TV, e lhe dou um beijo na testa, como de costume.

- Você tem algum dinheiro? - Me pergunta, colocando a mão no bolso. - Vai que queira comprar alguma coisa.

- Não se preocupa, mãe. - Rio e beijo sua testa mais uma vez. - Eu tenho sim. Mas, obrigada. Te amo.

- Eu também te amo, minha filha. - Ela respondeu, com aquele olhar orgulhoso que sempre direciona a mim.

Vou até o corredor e pego minha bicicleta, que era do meu irmão antes dele ir para a faculdade.

- Divirta-se. - Ouço ela gritando enquanto saio e fecho a porta.

- Obrigada. - Grito de volta e começo a pedalar.

Hoje, acabamos saindo um pouco mais tarde do trabalho devido a uma cliente, super exigente que tomou mais de uma hora do meu tempo e acabou não levando nada da loja.

Eu e minha mãe trabalhamos juntas em uma loja de roupas, que a proprietária é nossa vizinha. Porém, para equilibrar com o colégio, eu trabalho apenas no período da tarde.

A cidade não é tão grande, porém tem todo o necessário para ser considerada uma ótima cidade.

Chego ao local marcado em dez minutos. Coloco a bicicleta presa em um poste de ferro em frente ao estacionamento, já que não tem um próprio para bicicleta, e me junto a turma que já estava reunida em frente ao local.

E como eu havia imaginado, nos cantos ao redor, alguns dos alunos estavam se agarrando, como se não estivessem em um evento escolar e como se ninguém estivesse observando aquilo.

Os professores, que se dividiram por turma para fazerem a chamada terminam e manda todos nós entrarmos, educadamente.

Somos recebidos por um homem baixo, com traços orientais, cabelo grande e preso com uma xuxa, e aparentemente, muito gentil. Ele encanta todos com sua beleza e gera vários comentários, que poderiam ser considerados assédio.

Reviro os olhos com a situação. Fico muito irritada com a capacidade de meus colegas de turma de só falarem sobre pegação, como as pessoas são gostosas, e sexo a todo momento. Sempre que surge uma oportunidade, eles fazem um comentário ou piada com duplo sentido.

- Boa noite. - O recepcionista cumprimenta a todos nós e ouve um coral em resposta. - Sejam muito bem vindos. Eu me chamo Alex, espero que todos vocês tenham uma ótima experiência aqui e se divirtam enquanto apreciam a nossa galáxia. - Ele dá uma pausa ou ouvir alguém do fundo o chamando de gostoso e seu constrangimento é nítido. - Vou pedir, gentilmente, que vocês entrem por essa porta e deixem os seus calçados com nossos atendentes no balcão. Eles irão colocá-los em uma prateleira e lhe entregarão um tíquete com um número para que vocês recuperem seus calçados na saída, sem confusão nenhuma. - Informa. - Assim que entrarem no planetário, podem se sentar e prestem atenção no que a nossa astrônoma tem a dizer, isso vai fazer a experiência de vocês ser mais produtiva. - Abre a porta. - Podem entrar e divirtam-se.

Todos seguem o que foi orientado e entram, formando filas para entregar os calçados. Entrego meu all star a uma mulher, muito simpática, e pego o tíquete com o número quinze.

Vou até a entrada do planetário e me surpreendo ao olhar para cima. O local não tem luzes e a única claridade é do refletor, que está no centro, sendo controlado por uma mulher, que eu imagino ser a astrônoma.

Uma mulher elegante, alta, negra, com cabelo crespo e tranças nagô até a altura dos quadris, que está com um microfone daqueles que encaixa na orelha.

Nos sentamos, como foi orientado e esperamos ela começar a apresentação.

- Olá a todos. - Sua voz ecoa por todo o planetário e mais uma vez, o coral fez presença. - Eu me chamo Ayo, que significa alegria e felicidade na língua iorubá, da Nigéria, que é meu país natal. É um prazer viajar pelo mundo e apresentar um pedaço do nosso universo para todos que se interessam pela astronomia, que é a minha paixão. Sejam muito bem vindos e vamos lá.

Eu me sentei na terceira fileira. Apesar de ser inteligente e ser considerada uma nerd, ainda sou tímida o suficiente para não manter o estereótipo de sempre me sentar na primeira fila.

Porém, o que eu mais temia, aconteceu. Os piores alunos haviam se sentado atrás de mim.

Eu estava tão distraída ao entrar que não tinha percebido, senão teria trocado de lugar antes de começar a apresentação.

Reviro os olhos com os assuntos que ouço vindo deles. Apenas conteúdo sexual e pornográfico. Desde a conversa sobre como a astrônoma é muito gostosa, até fingir que a garrafa de água era um pau. Isso está tirando minha concentração e me irritando, como sempre.

Sem conseguir mais ignorar toda a ladainha, olho para trás, sem disfarçar a cara de nojo. Porém, tremo no lugar no mesmo instante ao dá de cara com o Téo, que apesar de estar sempre com os mais idiotas da turma, não era como eles.

Nunca entendi como alguém tão inteligente poderia ser amigo de jovens pornográficos e infantis.

A quase dois anos atrás, ele tinha acabado de concluir o segundo ano e estava prestes a ir para o terceiro, para se formar no ensino médio, porém, durante as férias, sofreu um acidente de carro, grave, com seus pais e isso fez ele adiar, por um ano, sua formatura.

Seus amigos, barulhentos e pornográficos, fizeram um pacto para não frequentar o colégio durante o ano em que ele não pôde estudar, para concluírem o ensino médio e aterrorizar os calouros juntos, era o que diziam.

Por um tempo, todo o colégio só falava desse pacto e de quão eles eram leais e tinham uma amizade verdadeira.

Porém, nunca decidi se na minha opinião eles poderiam ser considerados leais ou apenas burros. Na verdade eu sempre pensei na segunda opção.

E de uma coisa eu sempre tive certeza, não faria diferença eles serem burros, já que suas famílias são ricas o suficiente para que eles não tenham que se preocupar em manter boas notas e bons históricos.

Téo me encara, profundamente, enquanto eu tento sair do transe e me virar. Ouço sua risada baixa quando, finalmente, voltou a olhar para frente, com o rosto vermelho de vergonha.

- Por quê nos olhou desse jeito? - Brenda, a única menina da turma, pergunta.

Ignoro e continuo a olhar para frente.

- É que ela é assexuada. - Henry, um dos gêmeos responde e todos riem.

- Se pelo menos você soubesse o que significa assexuada. - Respondo, sem pensar, ainda olhando para frente e ouço, mais uma vez a risada de Téo.

- Bom, você pode ser considerada a virgem Maria, então pode ser chamada de assexuada já que a virgem Maria não precisou de sexo para reproduzir. – Brenda ataca mais uma vez e eu apenas ignoro.

- Vem cá. - Harry, irmão de Henry, entra na provocação. - Você já beijou alguém?

- Uma pessoa de verdade, não uma foto na parede de alguém que ganhou um prêmio Nobel. - Steve completa.

Continuo ignorando as provocações. Sei que é inútil discutir com pessoas que só querem tirar minha paz.

- Ela deve treinar beijando laranja enquanto economiza dinheiro para comprar um robô inteligente para tirar seu BV. - Brenda volta a falar.

- É. - Não consigo ignorar por mais tempo e olho para trás, encarando diretamente nos olhos de Brenda. - Seria um prazer beijar laranja todos os dias e ter vitamina c o suficiente para manter vocês longe de mim.

- Olha, a virgem Maria se irritou, que fofa. - Ela zomba.

- Se vocês nunca me viram com alguém, significa que ninguém desse colégio faz o meu tipo ou desperta interessante o suficiente para me fazer perder meu tempo.

Todos riem.

- Nem meu amigo aqui? - Harry passa o braço atrás do pescoço de Téo e bate no seu peito, devagar.

Téo ri, disfarçadamente enquanto me encara e espera por uma resposta.

Encaro de volta por alguns segundos.

- Não. - Respondo curta e grossa e volto a olhar para frente.

Ouço eles rindo, porém volto a ignora-los.

- Sério? - Ouço um sussurro perto de meu ouvido e paraliso.

Téo falou comigo pela primeira vez aquela noite. Na verdade, pela primeira vez em muito tempo.

Me assusto com o celular alarmando e o pego, rápido, para desligar a notificação para beber água.

Desbloqueio o aparelho e cancelo futuros alarmes.

Volto a olhar para frente e em alguns segundos, uma garrafa de água foi estendida sobre meu ombro. Me viro, encarando Téo e negando, educadamente.

Agradeço quando a astrônoma Ayo conclui a apresentação e levanto, rápido.

Corro até a moça que pegou meu all star e entrego o ticket, espero dois minutos e logo estou com ele na mão. Calço eles e espero todos saírem para saber, dos professores, se vamos fazer mais alguma coisa.

Assim que todos saem do planetário, o recepcionista já está esperando no mesmo local de antes.

- Espero que tenham gostado. Agora vou pedir que vocês formem dez filas para darem uma olhada rápida em nossos telescópios.

Vou em direção a uma das filas. Ponho a mão no bolso para olhar a hora no celular, porém não o encontro. Me desespero e começo a apalpar os bolsos repetidas vezes.

Saio apressada da fila e entro pela porta de antes. Tiro o sapato, rápido, largo no chão e corro para dentro do planetário.

Vou direto até o lugar que estava e começo a procurar por todo lugar, sem sucesso.

- Que merda. - Ergo a cabeça e cubro o rosto com as mãos, me martirizando por ter perdido o celular.

- Ei. - Me viro e, mais uma vez dou de cara com Téo, erguendo o celular em minha direção. - Você deixou cair quando saiu, praticamente correndo.

- Obrigada. - Pego e coloco no bolso.

- Fiz uma mudança no seu papel de parede. - Diz e eu levo a mão até o bolso, rápido.

- O quê? - Pego o aparelho e confiro.

- Por quê alguém coloca uma imagem toda preta como papel de parede?

- Bom, a tela normalmente já é cheia de informações, não precisa do rosto de alguém para gerar uma poluição visual. - Respondo ao ver a foto dele e ponho o celular no bolso. - Como você sabe minha senha?

- Eu vi você colocando na hora da notificação para tomar água. - Explica. - Aliás, notificação para lembrar de tomar água não faz sentido nenhum. - Reviro os olhos. - E não se preocupe, não invadi suas redes ou galeria, apenas tirei uma foto e coloquei na tela, nada além disso.

- Jura? Muito obrigada por não invadir minha privacidade. - Ironizo e caminho em direção a saída.

Coloco o all star, rápido, enquanto Téo calça seu tênis e entramos na fila.

Uma hora depois, todos estamos liberados, para ir para casa ou para qualquer lugar que quisermos ir.

Pego minha bicicleta e volto pedalando para casa, porém sem pressa.

Gosto de sentir a brisa do vento enquanto pedalo.

Ao chegar em casa, pego a chave no bolso e abro a porta com cautela para não correr o risco de acordar minha mãe, se já estiver dormindo.

Guardo a bicicleta e vou até a sala, encontrando ela, dormindo, no sofá.

Me aproximo.

- Mãe. - Balanço seu ombro, devagar. - Mãe, vamos para a cama.

- Oi. - Responde, sonolenta. - Como foi lá?

- Foi muito bom. - Levanto ela, com cuidado e a ajudo ir até o quarto. - É muito lindo e eu vi a lua pelo telescópio.

- Que incrível, filha. - Deita na cama e eu a embrulho com um cobertor.

- Amanhã eu conto detalhes, vai dormir. - Beijo sua testa. - Boa noite, mãe.

Deixo a porta um pouco aberta e vou para o meu quarto, troco de roupa, escovo os dentes e me deito.

Pego meu celular e reviro os olhos ao ver a foto de Téo na tela, com a língua de fora e piscando o olho.

- Idiota. - Sussurro para mim mesma, rindo.

Troco a tela de bloqueio pela imagem preta que estava antes e ponho o celular na mesinha de cabeceira, ao lado da cama.

Assim que largo o celular, ele notifica, indicando uma nova mensagem.

Rio, achando que é a mensagem de Klaus, meu irmão, desejando boa noite, como sempre faz desde que foi embora.

Porém fico confusa ao ver uma nova mensagem de Téo.

Capítulo 2 02

CAP 02 – LIVRO 01 – NOTIFICAÇÃO

- Letra "T" com emoji de coração? - Digo, incrédula com a maneira em que ele salvou seu contato. - Não acredito.

Abro a mensagem e fico surpresa com uma foto de Téo.

Ignoro e coloco o celular onde estava, apenas para ouvir três notificações seguidas me irritar e me fazer pegar o aparelho depressa.

Desbloqueio o celular e olho as mensagens.

-[Salvei seu contato como "Honey"]

-[Porém, tem um duplo sentido.]

-["Honey" poder ser "querida" em inglês, porém, também pode ser mel, tipo, Mel de Melissa.]

-[O que achou?]

Rio da criatividade. Não consigo acreditar no que leio e decido responder.

-[Por quê vocês, idiotas, sempre procuram coisas com duplo sentido?]

Ele responde, rápido.

-[É inteligente procurar ângulos diferentes da mesma coisa.]

-[Não acha, Mel?]

Continuo a responder.

-[Eu acho que depende de muitos fatores.]

-[E não me chame de Mel.]

-[Por quê está me mandando mensagens?]

Téo digita por alguns segundos e para.

Fico confusa com isso e reviro os olhos.

É estressante quando alguém faz isso.

Bloqueio o celular e ponho sobre a barriga enquanto olho para o teto.

Sinto o aparelho vibrar e pego, rápido.

-[Boa noite pingo. Vai dormir.]

-[Te amo.]

A mensagem de Klaus chega e eu respondo.

-[Boa noite, já estou deitada. E você, vai dormir também, nada de passar a noite bebendo.]

-[Também te amo.]

-[Beijos.]

Ele responde.

-[Hoje é segunda feira. Por quê eu beberia? KKK]

-[Beijos.]

Respondo.

-[Não sei o que passa na sua cabecinha maluca.]

Ele manda mais duas mensagens.

-[Doida. Kkk]

-[Vai dormir, tchau.]

Rio.

-[Já disse que estou deitada para dormir.]

-[Tchau]

Téo manda mais uma foto e abro para conferir, dando de cara com uma foto dele abraçando o travesseiro, e uma mensagem logo em seguida.

-[Meu companheiro.]

Se refere ao travesseiro.

Rio e ignoro a mensagem. Entro no aplicativo de contatos e corrijo, deixando apenas seu nome. Largo o celular na mesinha, como antes.

Me viro para a parede e depois de vários minutos encarando o nada, finalmente pego no sono.

...

Acordo, cedo, com o alarme e me levanto, indo direto até o banheiro para tomar um banho e escovar os dentes.

Visto o uniforme do colégio, pego minha mochila, a chave e o celular.

Corro até a cozinha e minha mãe já está pronta para o trabalho.

- Bom dia, mãe. - Lhe cumprimento com um beijo e vou até o armário pegar duas canecas.

- Bom dia, minha filha. - Ela responde. - Como foi ontem, lá no evento do colégio?

- Foi incrível. - Respondo, enquanto coloco o café nas canecas e ela coloca os ovos mexidos nos pães. - Eu te falei ontem, porém não sei se a senhora lembra. Eu vi a lua com um telescópio e é perfeita.

- Que incrível. - Se empolga. - Poderíamos ir lá depois.

- Claro que sim. - Concordo e nos sentamos a mesa. - A senhora vai se amarrar no planetário.

Tomamos café e logo saímos com nossas bicicletas, cada uma para seu destino.

Ao chegar no colégio, paro direto no estacionamento próprio para bicicletas, que colocaram a três anos já que as poucas pessoas que vem de bicicleta decidiram ir atrás desse direito.

Tranco e entro.

Ao passar pelo corredor, vejo Téo e seus amigos logo a alguns passo a frente.

E apesar de querer muito ficar por aqui e esperar eles saírem para poder passar, não posso, já que eles só entram na aula quando o professor já está dentro da sala e prestes a chamar.

Então, eu tenho que enfrentar o que considero um dos maiores mistérios da humanidade.

Um ser humano maduro que desaprende a caminhar, apenas por passar em frente a um grupo de pessoas. No meu caso, um grupo de pessoas que eu considero totalmente idiotas, o que torna tudo mais difícil.

Continuo a caminhar e evito fazer contato visual. Porém não por muito tempo já que ouço a voz de Téo, me cumprimentando e me viro, automaticamente, sem entender o motivo dele está falando comigo desde ontem.

Porém, minha surpresa foi maior por ele está fazendo isso em frente ao seus amigos, já que achei que teria vergonha e ficaria apenas me enchendo o saco por mensagens.

- Oi. - Respondo, sem graça, e entro na sala de aula.

Sento na cadeira e retiro os materiais da mochila. Espero alguns minutos e o professor de artes, Marcelo Álvares, entra na sala.

Ele sempre foi um ótimo professor. É descolado, divertido, e parece que tem um parafuso a menos.

Isso é o que eu penso sobre ele, meu segundo professor favorito, já que ninguém se compara a minha professora de história, Lucinha Pinheiro.

Sempre a admirei mais do que a qualquer outro desse colégio.

Isso por quê, para mim, ela não é apenas a Lucinda, professora de história, mas também, a tia Luci, melhor amiga da minha mãe desde antes de eu nascer, que sempre foi muito exigente no colégio, mas sempre me apoiou e esteve presente nos piores momentos da minha vida.

Um desses momentos foi quando meu pai foi embora, a cinco anos atrás.

- Bom dia, meu jovens aprendizes. - O professor cumprimenta, depois de todos terem se acomodado em seus devidos lugares. - Vou passar um trabalho bem divertido para vocês.

- Aaaaaa. - A turma vira um coral de lamentações.

- Calma. - Pede. - Tenho alguns motivos para fazer vocês se interessem por esse lindo trabalho, e vou listar esses motivos para vocês. - Continua. - Primeiro, vocês vão fazer dupla com alguém que não tem intimidade, isso pode gerar novas amizades e até romances, que é o que vocês estão sempre procurando, devido aos hormônios da puberdade.

Todos nós rimos.

- Isso aí, professor. - Um dos alunos no fundo grita. - Meus hormônios estão explodindo.

Reviro os olhos e suspiro, fundo, fazendo cara de nojo.

- Calma jovem. - Pede. - Segundo. Vocês vão descobrir que todos nós somos uma obra prima que temos muito mais a mostrar do que apenas nossa superficialidade. - Continua. - Somos oceanos profundos que ainda não foram totalmente explorados. - Para um minuto e ri. - Nossa, eu deveria ser professor de filosofia, me valorizem. - Passeia o olhar por toda a turma. - Terceiro... Uma escultura que olha para cima, não consegue ver seus pés. Então, quem está admirando a obra, pode avisar que ela está no meio de um ninho de cobras super venenosas. - Todos nós, rimos alto. - Brincadeiras a parte. Outras pessoas podem avistar coisas em nós, que nunca havíamos percebido. E por último e mais importante. - Para um pouco, gerando um mistério. - Vocês só vão apresentar daqui a uma semana. - Ri.

- Podemos escolher a nossa dupla? - Questiono, preocupada que a resposta seja, não.

- As duplas já estão escolhidas. - Ergue um papel. - Você está com o senhor fênix alí.

Era o que eu temia.

O professor se refere a Téo. O chamava de "Sr Fênix" desde que ele voltou para o colégio depois do acidente de carro em que ele e os pais quase morreram.

- Claro. - Disse desapontada, porém apenas para que eu mesma escutasse.

O professor informou todas as duplas e colocou o papel sobre a mesa.

- Então, o trabalho vai ser o seguinte. - Chama a atenção de todos. - Vocês vão trocar de identidade e fazer uma carta de apresentação. Vão listar tudo que vêem no outro como se fosse vocês. Aparência, personalidade, qualidade, defeitos... Tudo que é transmitido apenas pelo que vocês vêem no dia-dia.

Na apresentação, vocês vão trocar mais uma vez, e vão ler, aqui na frente, a carta que foi escrita sobre vocês.

Assim que terminarem de ler, podem corrigir o que acharem que deve ser corrigido e podem dar os créditos ao seus colegas que notaram algo em você, que nunca tenham percebido antes. - Conclui. - Simples assim.

Abro o caderno e anoto as informações necessárias, como a data de entrega e nome do meu colega.

Na minha cabeça, eu rio de mim mesma por fazer isso, pois sei que nunca esqueceria o nome de Teodoro Salles Garcia.

Mas, tenho que escrever algo para evitar de olhar para ele, que está sentado ao meu lado.

Sinto meu celular vibrar e pego, rápido. Uma nova mensagem de Téo. Leio pela barra de notificação e ignoro, guardando o celular.

-[Precisa mesmo escrever meu nome completo?]

Me sinto tentada a olhar para o lado, porém pego meu lápis mais uma vez e volto as anotações.

"Não gosta do próprio nome, por isso só se apresenta como, Téo."

Escrevo e ouço uma risada ao lado.

Não consigo evitar o sorriso enquanto continuo de cabeça baixa. Esse sorriso bobo que não consigo evitar mesmo quando estou morrendo de vergonha. Um sorriso que não mostra os dentes, e os lábios só são puxados para um dos lados.

Capítulo 3 03

CAP 03 – LIVRO 01 - NOTIFICAÇÃO

Já no intervalo, me sento sozinha no refeitório. Não por ser a nerd abandonada por todos os outros que é tratada como se não fosse nada, mas por quê eu gosto disso.

Antes, usava o intervalo para continuar estudando e se alguém se aproximasse eu apenas levantava e iria para outro lugar, onde pudesse ficar sozinha com meus cadernos.

Porém, não faço mas isso, já que fui ameaçada pela tia Luci, que apensar de ser exigente, dizia que aquilo não era saudável.

No início, eu ainda tentava continuar com isso enquanto olhava para todos os cantos esperando ela aparecer. Porém, eu sempre me distraía com os estudos e quando lembrava de olhar, ela já estava tão perto que não dava tempo de guardar os cadernos e fingir.

Recebo uma nova mensagem e olho celular. Uma nova mensagem de Téo.

-[Eaí, Mel.]

-[Como vamos fazer o trabalho?]

Leio mais uma vez pela barra de notificação e fico encarando a tela do celular por um tempo, sem perceber, pensando se respondo ou não.

- Por quê fica me ignorando? - Me assusto com a voz dele, que se senta ao meu lado.

Encaro seu rosto, procurando uma resposta.

- Não gosto de responder mensagens. - Respondo a primeira coisa que passa em minha mente. Ele ri.

- Como vamos fazer o trabalho? - Questiona. - Você vai na minha casa ou eu vou na sua.

Rio, porém paro ao perceber que ele está falando sério.

- A gente não precisa se juntar para fazer o trabalho. - Respondo. - Na verdade, isso acabaria com o intuito do trabalho, já que temos que descrever um ao outro, superficialmente.

- Justo. - Ele responde, rindo. - Mas, poderíamos fazer juntos, mesmo assim. Eu sei que você gosta de fazer trabalhos perfeitos e odiaria que eu te corrigisse.

- O que deu em você? - Téo fica confuso com minha pergunta. - Por quê está falando comigo desde ontem? Por quê pegou meu número de telefone e por quê fica me mandando fotos e mensagens? - Não consigo evitar a pergunta.

- Bom... - Téo pensa um pouco. - Eu acho que você é legal e quis conversar com você. - Não respondo dessa vez, mesmo pensando que não fazia sentido, já que ele tinha voltado ao colégio desde o início do ano e começou a falar comigo apenas agora, faltando apenas três meses para nos formamos e talvez nunca mais nos encontramos. - E aí, o que me diz sobre o trabalho?

- Eu digo, não. - Respondo. - Eu acertar tudo sobre você não faria do meu trabalho perfeito, muito pelo contrário. Isso porque eu iria invalidar todo o discurso filosófico do senhor Marcelo sobre sermos oceanos que ainda não foram explorados, apresentando você como um ser tão superficial quanto como uma colher com um pouquinho de água.

- Nossa. - Ele finge estar magoado.

- Não estou dizendo que você é superficial. - Tento me defender. - Eu quis dizer que era o que iria parecer. E eu não quero invalidar a ideia sobre sermos profundos, por quê eu acho uma analogia bem interessante.

Téo fica uns segundos me encarando e analisando minhas palavras.

Abaixo a cabeça ao sentir meu rosto quente de vergonha.

- Então... - Ele se levanta. - Já que você não gosta de responder mensagens, eu vou continuar te mandando fotos e mensagens e esperando o momento que você vai se irritar e responder.

Levanto a cabeça, para dá de cara com as costas de Téo, que saiu sem esperar uma resposta.

- Claro. - Reviro os olhos e levanto. - Como que vai esperar uma resposta se nem foi uma pergunta?

Volto para a sala de aula e evito contato visual, mesmo percebendo olhares vindo dele, vez ou outra.

Uma dessas vezes, até cedi e o encarei de volta, porém não consigo manter o olhar quando ele sorri.

Após o fim do último horário, pego minha bicicleta, com pressa, e volto para casa.

Antes de ir para o quarto e me arrumar para o trabalho, esquento a comida e faço uma salada temperada com vinagre e limão.

- Cheguei. - Ouço um grito e a porta se fechando - Melissa?

- Oi mãe. - Grito de volta e corro até a cozinha. - Estava terminando de me arrumar. - Lhe dou um beijo e vou até o armário pegar a louça e talheres, enquanto ela vai tomar uma água.

- Obrigada, meu bem. - Pega o prato e se serve. - Teve algo interessante no colégio hoje?

- Então... - Nos sentamos. - Lembra do Teodoro? O menino que sofreu o acidente? - Ela balança a cabeça, afirmando. - Ele começou a falar comigo, do nada.

- Ele não está te provocando, está? - Se preocupa.

- Não. - Tento tranquilizar. - Ele não é idiota como os amigos. - Explico. -Disse que eu pareço legal e começou a conversar comigo, de uma hora para outra.

- Será se a catraca do mundo está girando? - Ela ri.

- Mãe. - A repreendo, também rindo.

- Ah, só estou falando. - Continua. - Você era apaixonada por ele desde criança e ele não ligava, agora você não liga e ele está tentando se aproximar, talvez a justiça cósmica esteja equilibrando umas coisinhas.

- Eu mereço. - Reviro os olhos e me divirto com a explicação.

Terminamos de almoçar e ela limpa a mesa enquanto vou até o meu quarto correndo. Volto com as mãos para trás, escondendo um doce de coco que ela adora.

- Comprei uma sobremesa para você. - Chamo sua atenção e ela se vira. - Adivinha.

- Não acredito. - Já sabe o que é pelo jeito que olho para ela.

Entrego o doce e recebo um abraço, apertado.

Mesmo que pareça não ser muita coisa, eu sei o quanto significa para ela.

É seu doce favorito e ela passou muito tempo sem poder comer. Quando melhorou, não o encontrava em lugar nenhum.

Então, a três meses atrás, eu prometi que se visse esse doce em qualquer lugar, traria para ela.

- Te amo. - Fala, agradecida.

- Vou ficar muito triste se a senhora estiver falando com o doce. - Rimos e nos afastamos.

- Obrigada por cuidar de mim. - Ela lacrimeja e eu a abraço mais uma vez.

Toda essa emoção não se trata apenas de um doce, mas do jeito que eu sempre cuido e sou atenciosa com ela, principalmente depois que meu pai a traiu e foi embora, me deixando com apenas dose anos e Klaus com dezoito.

Sofremos muito ao acompanhar ela desenvolver uma depressão profunda e ter crises de ansiedade cada vez mais frequentes. E mais ainda quando desenvolveu anorexia e quase morreu.

Limpo uma lágrima que escapou.

- Vamos. - Ela me chama e limpa as lágrimas. - Já escovou os dentes?

- Estou indo agora. - Vamos até o banheiro.

Escovamos os dentes e aguardamos o horário para sair de casa, levando em consideração os quinze minutos que gastamos para chegar até a loja.

...

Durante a tarde, nós duas e o restante dos funcionários da loja, atendemos vários clientes, como sempre. O trabalho é repetitivo, tedioso e cansativo, porém é o que garante uma renda fixa para minhas economias.

Ouço o sino da entrada e vou recepcionar.

- Sammy? - Cumprimento e lhe dou um abraço, rápido. - Oi.

- Oi. - Ela é a única colega do colégio que eu realmente gosto de falar. Não somos, exatamente, amigas, porém temos um bom relacionamento e eu sempre achei ela super descolada. - Está vendo aquele homem enorme com cara de segurança? - Aponta para um homem que está se aproximando. - É o meu pai.

- Nossa. - Rio. - Vocês não se parecem muito. - Comento. - Aquela ali. - Aponto. - É a minha mãe.

- Ah, eu sei. - Acena e minha mãe retribui. - Já vi ela no colégio. O meu pai é que nunca vai até lá, mesmo que seja para reunião.

- Boa tarde. - Ele cumprimenta e eu respondo.

- Pai, essa é a Melissa. É uma colega do colégio, e a mais inteligente por sinal. - Apresenta.

Rio, tímida com o elogio.

- É um prazer. - Ergue a mão e eu aperto, educadamente. - Ricardo Sanches.

- Então pai, eu quero comprar umas calcinhas de renda e umas fio dentais, mas não quero que você fique me olhando e me julgando. - Sammy ri e seu pai revira os olhos. - Está vendo aquela mulher? É a senhora Roberta Duarte, mãe da Melissa. Você poderia ir lá e conversar com ela para saber que a Melissa teve uma ótima educação, assim você pode parar de encarar a menina como se estivesse analisando se ela é uma boa companhia.

Abro os olhos, espantada e abaixo a cabeça, constrangida.

- Você está muito abusada mocinha. - O pai segura sua cabeça.

- Você sabe que estou brincando. - O abraça e ri. - Mas, ao mesmo tempo estou falando sério. - Ele vai até minha mãe e a cumprimenta. - Aproveita e compra umas calças novas. - Grita, chamando a atenção não só do pai. Porém ele encara, a repreendendo.

Ela faz biquinho e manda um beijo.

- Vocês parecem bem amigos. - Comento.

- Sim. - Responde. - Só que ele é o amigo ranzinza enquanto eu sou a amiga legal. - Ri.

- Então... As calcinhas eram verdade ou apenas para zoar com seu pai? - Questiono, rindo.

- Não. - Ri. - Realmente quero umas calcinhas.

- Tá. - Responde. - Pode vir.

Mostro algumas opções para ela, que analisa tudo com cautela.

Roberta

- Aproveita e compra umas calças novas. - Sammy grita e ele a encara, repreendendo.

- Olá. - Ele estende a mão e eu o cumprimento. - Me chamo Ricardo. - Se apresenta. - Você é Roberta Duarte. - Arqueio a sobrancelha, confusa. - Ela me falou. - Aponta.

- É sua filha não é? - Questiono, mesmo já sabendo a resposta.

- Sim. - Ricardo ri. - Ela está me tirando muito a paciência ultimamente.

- Posso perguntar o por quê?

- Ela diz que sou um pai super superprotetor, com dois "supers", é o que ela fala. - Rio. - Por uma parte não está errada, porém ela está planejando fazer faculdade em outra cidade e isso está me matando.

- Olha, quer um conselho? - Ofereço e ele ri. - É bom deixar nossos filhotes voarem para se sentir uma mamãe galinha orgulhosa depois. No seu caso um papai galo.

- Não é uma das melhores comparações, mas eu gostei. - Ele gargalha.

- Eu tenho um filho que está fazendo faculdade fora daqui. - Explico. - Eu tinha uma preocupação enorme, porém todas as vezes que ele vem me visitar, parece mais brilhante, inteligente, cheio de conhecimento e eu até ouso dizer, parece mais poderoso.

- É. - Ele afirma. - Dizem que conhecimento é poder.

- Exatamente. - Concordo. - Ela vai ficar bem. - Tento tranquiliza-lo.

- É que ela tem algumas coisas que não são fáceis. - Diz, porém não explica. - Então, a sua não está pensando em ir para a faculdade assim que concluir?

- Não. - Respondo. - Porém ela já tem tudo planejado. Depois que concluir o ensino médio, vai trabalhar em horário integral durante dois anos, economizar esse dinheiro para quando se mudar e ir para a faculdade com dezenove, quase vinte anos, e estar pronta para qualquer imprevisto financeiro que possa aparecer.

- Caramba. - Ele ri admirado.

- E apesar de não ter dito, sei que tudo isso é para esperar o período que falta para o irmão concluir a faculdade e voltar a tempo para não me deixar só. - Explico.

- Mas, e seu marido? Desculpa a pergunta.

- Nos separamos. - O tom de minha voz muda e eu me odeio por isso.

- Me desculpe. - Ricardo lamenta. - Não quis tocar em alguma ferida.

- Não tem problema. - O tranquilizo, mesmo sentindo o a ferida machucada.

- Você parece ter filhos perfeitos. - Tenta mudar de assunto.

- É. Eu tenho mesmo. - Abre um sorriso enquanto olho para Melissa, que está rindo enquanto mostra algumas coisas para Sammy.

Ficamos alguns segundos em silêncio.

- É... Por acaso a senhorita teria uma calça moletom cinza que caiba em mim? - Ele quebra o gelo.

O encaro de cima a baixo, analisando, e depois de alguns minutos, percebo que estava olhando para a intimidade dele e balanço a cabeça, me repreendendo.

- É... Acho que sim. Tenho certeza, na verdade. - Caminho até o local e ele me segue, rindo.

Melissa

Sammy está com a sacola, encostada no balcão, apenas esperando seu pai que está acabando de sair do provador.

Ele se aproxima, junto com a minha mãe, que carrega dois cabides com as calças escolhidas.

- Eu já paguei minhas coisas. - Sammy avisa e ele a encara.

- Você tem que economizar para a faculdade. - Repreende. - Para de ser orgulhosa e me deixa comprar algo para você pelo menos uma vez.

- Está bem, papi. - Zoa. - Vou te dá a nota e você faz o pix com o valor da compra.

- Odeio quando me chama de papi. - Ricardo revira os olhos e pega o cartão na carteira.

Eu e minha mãe rimos daquela discussão e ela arruma as calças na sacola.

Fala o preço e ele paga com cartão de crédito.

- Meu pai encheu muito o saco da senhora? - Sammy finge sussurrar para ela, que riu. - É que ele é meio ranzinza as vezes, principalmente quando vai comprar roupas. Nunca gosta de nada.

- Na verdade ele não foi nenhum pouco ranzinza. - Responde, entrando na zueira e fingindo sussurrar também. - E as calças ficaram maravilhosas nele. - Rio ao notar um olhar diferente entre os dois.

Ele riu, balançando a cabeça em sinal de negatividade.

- Muito obrigada, e tenham um boa tarde. - Deseja e olha para fora. - E uma boa noite já que está prestes a anoitecer.

- Por nada. - Ele responde. - E muito obrigada pelo papo da mãe galinha.

Fico confusa e rio quando fala isso. Ela ri e se despedem.

Já tinha acabado de organizar algumas coisas para sairmos e minha mãe aproveitou para fechar o caixa.

Os outros dois funcionários que trabalham com a gente, já tinham limpado o chão e estavam se ajeitando para sair também.

Chegando o horário, todos nós saímos. Viro a placa, indicando que a loja está fechada, porém não tranco já que a patroa sempre fica no escritório mais um pouco.

- Temos que pedalar mais rápido hoje. - Olho para o céu. - Parece que vai chover muito.

- É. Vamos adiantar. - Pegamos as bicicletas e vamos para casa.

Ao chegar, vou tomar um banho e já visto minha roupa de dormir, que é uma camisa enorme que poderia ser usada como vestido, e uma blusa moletom, para amenizar o frio.

Volto para cozinha com a mochila e me sento a mesa enquanto minha mãe prepara a janta.

- Quer ajuda? - Ofereço.

- Não precisa. Pode estudar. - Recusa.

Retiro os materiais da mochila e abro o caderno, na matéria de artes.

Olhava para o nada e pensava no que poderia escrever depois de: "Meu nome é Teodoro Salles Garcia, porém prefiro que me chame de Téo."

A chuva começou a cair e foi ficando cada vez mais grossa e pesada.

Continuava a escrever e apagar coisas.

Um barulho na porta nos assusta e me faz pular da cadeira.

- A senhora está esperando alguém? - Questiono.

- Não. - Responde, preocupada.

- Mel, sou eu. - Reconheço a voz e corro para abrir a porta. - Oi. - Ele ri.

- O que você está fazendo nessa chuva? - Minha mãe pergunta preocupada. - Entra.

Eu ainda estava paralisada. Não fazia ideia de como Téo sabia meu endereço e o por quê ele estaria na minha casa.

- Eu estava correndo, daí começou a cair um toró na minha cabeça. - Explica. - Me desculpe por incomodar.

- Não se preocupe. - Minha mãe o tranquiliza. - Vou pegar uma roupa seca para você, pode ir até o banheiro para tirar essa roupa e tênis molhados. - Corre até o quarto de Klaus.

- Pode me mostrar onde é o banheiro? - Se vira para mim, que ainda estou em frente a porta, o encarando.

- Claro. - Caminho até o banheiro e ele a segue. - Aqui. - Abro a porta e me afasto, dando passagem.

Téo entra e tira a camisa, ainda com a porta aberta, e eu me viro, rápido.

- Aqui. - Minha mãe me entrega uma toalha, junto com uma camisa e um short de Klaus e corre. - Tenho que olhar a comida que está no fogo.

Entrego a toalha para Téo, que se esconde atrás da porta, porém não a fecha totalmente. Tira sua roupa de baixo o coloca sobre a pia.

Ergo a mão com as roupas na porta para que ele pegue, porém sinto meu braço sendo puxado e a porta sendo aberta.

- O que você está fazendo? - Pergunto, encarando os olhos verdes que estavam olhando os meus, enquanto ele me prendia com o braço em minha cintura.

- Eu só... - Trás a mão até meu rosto de e eu sinto ele corar.

O frio que eu estava sentindo já tinha se transformado em um leve calor.

Me afasto, rápido e bato na porta, desajeitada.

- Tudo bem? - Ele se preocupa.

- Aham. - Entrego a roupa e abro mais a porta. Pego suas roupas molhadas. - Eu vou colocar isso aqui na máquina, para secar. - Sai, antes dele agradecer.

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