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Salva pelo inimigo.

Salva pelo inimigo.

Autor:: Jéssica Amaral
Gênero: Romance
Sofia e seus amigos entraram em uma mansão julgando ser abandonada. Todos na cidade diziam ser mal-assombrada, mas eles não acreditavam nessas histórias e queriam provar que nada disso existe. E nessa aventura louca, Sofia acabou descobrindo que demônios existem sim.

Capítulo 1 Prólogo

Caminhava pelo corredor escuro em passos apressados. Tinha um minuto para entrar naquele quarto ou receberia um grande castigo. Toda vez era a mesma coisa. A diferença era o castigo que recebia. Cada um tinha um jeito de me torturar. Para mim, ter que entrar naqueles quartos já era uma tortura, mas ou entrava, ou seria ainda pior.

Bati na porta quando cheguei e suspirei ao ver que estava na hora certa. A porta se abriu e entrei lentamente.

- Bem na hora...

Senti sua presença me rodeando. Não conseguia enxergar absolutamente nada. O quarto estava sem nenhuma iluminação. Isso também era uma coisa natural para mim.

- Boa menina...

Fechei os olhos ao sentir seu hálito em meu ombro.

Odeio essa vida! Às vezes penso em tentar fugir, mas sei que vão me encontrar e será muito pior. Nunca me matariam, pois com a morte eu não sofreria mais. Então sei que a dor ia ser bem maior se tentasse sair daquela casa.

Moro em uma mansão com três homens. Eu sei toda a verdade sobre eles e por esse motivo, virei sua escrava.

Há mais ou menos dois anos, entrei na mansão com alguns amigos, éramos novos e queríamos dar uma de corajosos. As pessoas diziam que essa mansão era mal-assombrada e que demônios viviam nela. Na época eu ria e zombava disso, mas descobri da pior maneira, que era a mais pura verdade...

Capítulo 2 1

- Vamos Sofia! Vai ser incrível! Vamos esfregar na cara desse povinho que aquilo não passa de uma casa abandonada.

- Todos sabemos que é somente uma casa abandonada.

Revirei os olhos quando Will disse isso.

- Eu sei, mas temos que registrar!

- Qual o seu problema com essas engenhocas mecânicas?

Josh revirou os olhos.

- Se tivermos provas de que não tem nada demais na casa, essas pessoas idiotas vão parar com essas histórias.

- E o que a gente ganha com isso?

Troquei olhares com Josh.

- Bem, ganhamos um pouco de fama por desvendar o mistério da casa número vinte - falou de forma dramática e eu revirei os olhos.

- Vocês são dois idiotas! Não precisamos gravar nada, nem ganhar alguma coisa para ir lá. Basta só aproveitar a adrenalina de fazer algo que ninguém tem coragem.

Os dois trocaram olhares e sorriram.

- Você tem razão - Will concordou -, mas talvez seja legal gravar sim. Não imagino as boas risadas que vamos dar com a cara de medo do Josh!

- Muito engraçado! - falou irônico.

- Vamos então? - perguntei animada.

- Vamos - responderam juntos.

Pegamos a câmera e fomos até a mansão.

Era a última casa da rua. Não tinha nenhuma casa em volta. As pessoas costumavam dizer que a rua acabava na casa dos Johnson, que é uns oitocentos metros antes da mansão, mas a última casa sempre será a última da rua e nesse caso, é a mansão número vinte.

Com todas essas histórias, ninguém queria morar perto da casa, então o espaço entre a casa dos Johnson e a mansão era realmente grande.

Caminhamos pela rua deserta. Já começava a escurecer, então levei lanterna porque se a casa é abandonada, não deve ter iluminação, mas para nossa surpresa, os postes de luz da rua estavam acesos. Continuamos nosso caminho e agora já conseguia ver a mansão. Era bastante velha e estava um pouco quebrada. As janelas tinham pedaços de madeira pregados, como se fosse para prender alguém. Já vi esse tipo de coisa em filmes de terror, onde os protagonistas pregavam as portas e janelas para não serem pegos, mas isso era feito pelo lado de dentro e não pelo de fora. A casa tinha cor cinza e o terreno estava cheio de mato em volta. Josh trouxe um facão para poder cortar, pois já imaginou que estaria assim.

Paramos em frente ao portão e observamos em silêncio. Era uma típica mansão mal-assombrada de filmes de terror, mas em vez de estarmos com medo, estávamos apreensivos e ansiosos para entrar logo. Isso porque as criaturas e fantasmas não existem! Só em filme mesmo. E na cabeça desmiolada das pessoas dessa cidade, é claro.

- Tem cadeado - resmungou Will.

- É só você quebrar ele - falei revirando os olhos. - Ou será que vou ter que fazer o trabalho braçal aqui?

Will resmungou e começou a bater no cadeado com um pedaço de ferro que encontrou ao lado do portão. Bateu uma, duas, três vezes e o cadeado quebrou.

- Já estava começando a achar que ia mesmo ter que pôr a mão na massa...

- Engraçadinha! Isso deve estar enferrujado.

- O cadeado ou você?

Ele não respondeu e entrou na frente. Fui atrás e Josh veio por último. Will foi cortando o mato com o facão e eu iluminei o caminho com a lanterna. Agora estava mais escuro e precisava de um pouco de luz. Chegamos em frente à escada da varanda e paramos um ao lado do outro.

- Agora deveria ser a parte em que o fantasma começa a mexer com nosso psicológico - Josh falou debochado e olhou para os lados.

- Você é tão ridículo!

- E você é muita chata, Sofia! Entra no clima.

Suspirei e subi a escada. Assim que pisei no degrau, um barulho horrível de coisa velha me fez parar. Não quero ficar com a perna presa nessa madeira podre!

- Vai ter que ir na frente. Você é a mais leve, senão afundar com você, está tudo certo.

- Na verdade, você deveria ir na frente, Josh. Você pesa mais e se a madeira te aguentar, aguenta eu e o Will também.

Will deu uma risada debochada e olhou Josh, que fez cara feia.

- Tudo bem eu vou.

Josh pisou no mesmo degrau que pisei e depois no próximo. Em pouco tempo estava na varanda. Olhei Will e a gente seguiu Josh. Ele colocou a mão na maçaneta e girou, a porta se abriu com um barulho horroroso. Por um momento achei que ia cair de tão podre. Estava com a lanterna na mão.

Entramos um atrás do outro, com Will atrás de mim e Josh na frente. O lugar estava escuro e parecia vazio. Não achei tão velho como a parte de fora. Na verdade, parecia pintado e limpo, só não tinha móvel nenhum. Estava vazia. Trocamos olhares e entramos mais. Josh estava com a câmera. Um pouco mais à frente, tinha uma escada enorme e estava com um tapete vermelho impecável. Que coisa esquisita! Será que mora alguém aqui?

- Vamos subir ou olhar aqui embaixo primeiro?

- Melhor aqui e depois subimos, não é? - respondi à pergunta de Josh.

- Então vamos! - falou animado.

Seguimos para o lado esquerdo em silêncio. Josh gravava tudo. Ao passar por uma porta, iluminei com a lanterna. Ficamos em silêncio enquanto passava a pequena luz no local. Era uma sala de estar e estava impecável. Sofás vermelhos e novos, uma lareira aparentemente reformada, um tapete enorme com uma mesinha de centro de vidro em cima. Que diabos?

- O que é isso? - perguntei.

- Que loucura! - disse Will.

- Será que tem gente morando aqui? Ou morou aqui por agora? - perguntou Josh.

- Como? Todos dizem que a casa está abandonada - respondeu Will.

- Mas ninguém veio até aqui para dizer se era mesmo verdade o que falavam. Todos morrem de medo, esqueceu?

- Bom... Se alguém mora aqui, estamos invadindo, não acham?

Ficamos em silêncio por um momento. Quem moraria em um lugar como esse? E se reformou a casa por dentro, por que não por fora? Tem alguma coisa errada aqui...

- Vamos ver o resto? - disse Josh.

Concordamos e voltamos para o salão principal, onde tinha a escada. Passamos em frente a ela e fomos para o lado direito. Nesse cômodo estava tudo caindo aos pedaços. Era a cozinha. Os armários na parede estavam quebrados e as portas penduradas. A pia também estava quebrada e pelo jeito não tinha água ali. O chão estava sujo com algo preto e gosmento. Ninguém ousou se aproximar para saber o que era.

- Típica cozinha de casas mal-assombradas - Josh falou enquanto filmava o cômodo.

- Vamos logo! Esse lugar está fedendo! - reclamei com a mão no nariz.

Voltamos para a parte da escada e olhamos para cima. Será que os quartos estão sujos como a cozinha ou estão limpos como a sala de estar? Agora que a curiosidade era maior! Subimos um atrás do outro e seguimos o longo corredor. Tinha várias portas agora. Will se aproximou da primeira e abriu. O quarto estava bem escuro. Mirei a lanterna no local. Como a sala de estar, estava impecável. Um armário enorme, cama de casal nova, uma pequena mesinha de cabeceira e uma porta que Will abriu e era um banheiro. Também estava limpo e tinha uma enorme banheira.

- Só eu estou achando isso muito estranho? - perguntei com uma sensação esquisita no peito.

- Não vai começar a amarelar agora, né?

- Vai se ferrar, Josh!

- Vamos perder menos tempo brigando e explorar o resto logo - Will falou irritado.

Por que todos estão nervosos agora? Claro que mesmo não acreditando em fantasmas, ou demônios, ou o que quer que seja que inventaram sobre esse lugar, pensar que algum louco mora aqui me assusta. Isso porque tenho mais medo dos vivos do que dos mortos, principalmente os maldosos...

Capítulo 3 2

Quando topei a ideia de vir, não pensei que teria alguém morando aqui ou que tivessem pessoas, pois o povo da cidade tem um enorme medo. Só que ver esses móveis novos aqui dentro, me surpreendeu e tenho certeza que os meninos estão tão confusos quanto eu. Olhamos cada quarto daquela casa e todos estavam impecáveis e eram bem parecidos. Ainda bem que não tinha ninguém neles...

- Parece que temos um bom vídeo afinal. - Josh olhava a tela da câmera.

Descíamos as escadas. Parei quando esbarrei em Will, ele parou de repente. Ia perguntar qual era o problema, mas ao iluminar o fim da escada, não precisou ser feita nenhuma pergunta...

Três homens estavam parados lado a lado no fim da escada. Estavam com os braços cruzados olhando a gente. Pareciam se divertir, talvez pela nossa cara de espanto.

- Está vendo isso, Mark? Invasores de novo.

De novo?

- Sempre terá os curiosos e isso é maravilhoso!

- Por que estamos falando? Vamos ao trabalho!

Apertei o braço de Will. Meu Deus! Estamos na casa de três psicopatas!

- Espera cara! - o do meio falou. - Gostaram da casa?

Ninguém respondeu e eles riram.

- Vocês moram aqui? - Josh perguntou. Estava com a câmera na mão e parecia ligada, mas não estava diretamente virada para eles. Acho que Josh tentava gravar sem eles perceberem.

- Claro que moramos. Reformamos a casa e tudo - respondeu um deles. Acho que o tal de Mark.

- E por que a cozinha não?

Estava tão assustada que nem consegui pensar em correr. Não conseguiria mesmo, minhas pernas estavam bambas demais para isso...

- Não usamos ela, então pra que reformar?

Troquei olhares com o Will.

- Como não usam? - perguntei e eles ficaram em total silêncio me encarando. Acho que não perceberam que eu estava ali até que me pronunciei. Estava escondida atrás de Will.

- Não usamos cozinha, bela dama. Comemos coisas diferentes...

Ai meu Deus! Além de psicopatas, são canibais!

- Que tipo de coisa?

Eles sorriram quando perguntei isso.

- Já vão saber...

Eles realmente pareciam psicopatas, olhavam a gente como se fôssemos brinquedos ou mesmo uma presa prestes a ser devorada. Todos eles usavam roupas pretas. Estava um pouco escuro para reparar a fisionomia deles agora, mas pareciam bem elegantes e bonitos. Sempre achei que o psicopata tinha cara de louco, mas pelo visto me enganei.

- Vou ligar as luzes, essa sua lanterninha não é de nada, senhorita.

Depois que ele falou isso as luzes se acenderam. Apertei Will com força. Ele devia estar todo roxo de tanto que apertava, mas eu precisava descontar minha ansiedade em alguma coisa e ele estava na minha frente.

- Bem melhor agora - o do meio falou. Tinha os olhos presos em mim. Não estou gostando nada disso!

Agora com a luz acesa, pude ver melhor. O do meio tem cabelos castanhos e lisos, uma barba um pouco falhada no rosto. Os olhos são cor de avelã. Ele é extremamente bonito para quem é psicopata. O tal de Mark tem o cabelo escuro e olhos azuis. É o mais alto dos três e parece ser o mais forte também. O terceiro é loiro de olhos verdes.

Se não fossem psicopatas, diria que era uma visão espetacular, mas vendo a situação, melhor nem pensar nisso...

- Que coisa feia, não é? Nem nos apresentamos aos visitantes... - o loiro falou em tom debochado.

- Tem razão, Ed. Que falta de educação. Como já devem ter percebido, eu sou o Mark. Aquele é o Eduardo. - Apontou para o loiro. - E esse aqui é o Frank. - Mostrou o cara de cabelos castanhos.

- Se apresentem também - disse o Frank.

Trocamos olhares e Josh tomou a fala.

- Eu sou o Josh. Esse é o Will e ela é a Sofia.

Ficou um pequeno silêncio enquanto eles encararam a gente.

- Nós já vamos. Não queremos incomodar vocês.

Acho que você não devia ter dito isso Will...

- Mas não estão incomodando ninguém. Você está incomodado, Frank?

- Não.

- E você, Ed?

- Nem um pouco.

- Então fiquem mais! Pra que a pressa?

- Na verdade, temos que ir pra casa ou podemos ficar encrencados - respondeu Josh.

Os três riram quando ele falou isso.

- Quantos anos você tem, Josh?

- Dezessete.

- E vocês dois?

- Dezessete também - respondeu Will.

- E você, senhorita, também tem dezessete?

- Tenho dezesseis.

Os três trocaram olhares quando respondi.

- Então estarão encrencados com os pais?

- Isso mesmo - respondeu Josh.

- Eles não vão se importar se demorarem só mais um pouco.

- Acho que não... - disse Will. Já deu para notar que eles não vão nos deixar sair daqui agora.

- Ótimo! Vamos beber alguma coisa. Já devem ter conhecido nossa sala de estar, não é? - perguntou com um sorriso sombrio.

Seguimos os três até a sala de estar. Agora com a luz acesa, consegui ver um pequeno bar ao lado. Não tinha visto antes. Mark foi até lá e pegou alguns copos, depois encheu eles com um líquido de cor escura. Não conseguia fazer mais nada a não ser olhar o homem. Ele se aproximou e entregou um copo para cada um. Quando chegou minha vez, ele me encarou com um leve sorriso no rosto.

- Você é muito nova para isso, mas é só um gole, não é?

- Não é porque sou nova que nunca bebi - respondi sem desviar os olhos.

Se tenho que morrer, não vou dar uma de medrosa!

Mark sorriu.

- Não esperava outra resposta. - Me entregou o copo.

Então a realidade caiu como uma bomba em cima de mim. Ele colocou algo na bebida. Algo que vai fazer a gente dormir ou mesmo morrer, sei lá! Acho que dormir é o mais provável, pois assim podem nos amarrar e torturar à vontade depois.

O que fazer agora?

Os meninos me olharam apreensivos. Devem estar pensando a mesma coisa que eu. Não tem como correr, vamos ter que beber. Fiz isso primeiro e os meninos ficaram me encarando, talvez esperando que algo acontecesse, mas nada aconteceu. Era vinho e um dos melhores que já experimentei. Olhei os homens e eles estavam sorrindo olhando na minha direção. Josh e Will beberam seus copos também.

- O que acharam? É um bom vinho? - perguntou Frank.

- É sim - respondi.

Nesse momento parecia que eu era a única que podia responder as perguntas e não por algo que colocaram na bebida, mas sim porque os dois estavam com mais medo do que eu.

- Que bom que gostaram. Não querem sentar para nos conhecermos melhor? - disse Eduardo.

- Nós realmente temos que ir...

- Josh, você não parece ser um filho exemplar - Mark falou rindo.

Ele tinha razão. Josh era o cara mais idiota do mundo e sempre ia contra as regras de tudo que podia.

- Mas eu prometi à minha mãe que ia ajudar ela...

- Também não tem cara de que se importa em ajudar em casa - disse Frank com os braços cruzados.

O que está acontecendo aqui? Como eles sabem tanta coisa sobre o Josh?

- O que vocês querem saber da gente? - perguntei. Parece que já conhecem.

- Sentem-se.

Fui a primeira a me sentar no sofá. Segundos depois os dois me acompanharam. Os três ficaram em pé de frente para a gente.

- Então, conte pra gente porque entraram na mansão.

Trocamos olhares e os dois ficaram me olhando. Um pedido silencioso para que eu contasse. Duas franguinhas!

- Bem, queríamos provar que não existe esse negócio de fantasma ou demônios como as pessoas dizem. Que aqui é só uma casa abandonada e não mal-assombrada.

- E vocês estão certos disso? - perguntou Eduardo.

- É claro que sim - respondi. - A gente só descobriu que a casa não está abandonada, já que vocês vivem aqui.

- E o que faz vocês acreditarem que não somos fantasmas?

Revirei os olhos e olhei os meninos. Estavam sem cor nenhuma e olhavam os homens com pavor. Já eles, não desgrudavam os olhos de mim.

- Fantasmas não existem - falei com certeza.

- E demônios? - O olhar de Mark queimou o meu.

- Muito menos.

- Você é bastante cética, não é? - perguntou Frank.

- Só acredito no que posso ver.

Os três sorriram largamente. Como se eu tivesse falado o que eles queriam ou esperavam que falasse.

- Isso é ótimo! - exclamou Mark.

- Talvez se você ver uma coisa, possa começar a acreditar... - Frank sorriu maldoso.

Ouvi Josh resmungar ao meu lado quando isso aconteceu. Estava morrendo de medo e Will nem abria a boca. Tinha os olhos presos nos homens, assim como eles tinham os olhos presos em mim. Eduardo e Frank andaram pela sala e Mark continuou em pé em frente ao sofá que estávamos sentados. Vi os dois se aproximando da gente. Eles pararam atrás do sofá. Eu estava com medo, mas medo de psicopatas, não de fantasmas ou demônios.

Eduardo fez o Will levantar do sofá e Frank fez o mesmo com Josh. Nessa hora apertei as mãos com força. O que esses malucos vão fazer? Levantei do sofá quando os dois começaram a conduzir os meninos para fora do tapete. Mark se aproximou de mim e segurou meu braço. Arregalei os olhos ao sentir a mão dele extremamente gelada. Olhei seu rosto e ele sorriu. Os outros pararam de puxar Josh e Will. Estavam um pouco afastados de mim e me olhavam com medo.

- Isso é algum tipo de brincadeira? Porque não tem graça nenhuma! - falei nervosa e os três riram.

- Não é brincadeira, é a realidade que você precisa - respondeu Frank me encarando.

- Do que estão falando?

Assim que perguntei isso, Mark se aproximou e segurou meus braços para trás com força. Meu Deus! Vamos morrer! Os meninos tentaram fugir dos outros dois, mas eles também seguraram e não deixaram.

Tudo aconteceu rápido demais. Mark segurou minha cabeça com uma das mãos, me obrigando a olhar o que eles fariam com os meninos. Vi Frank sorrir e depois puxar a cabeça de Josh para o lado de uma maneira muito bruta. Consegui ouvir o pescoço dele estalar. Então ele mordeu o pescoço de Josh.

Josh gritou e se debateu, mas não conseguiu se livrar dos braços daquele canibal. Conseguia ver o sangue dele escorrendo pelo pescoço e descendo para o peito, sujando sua camisa. Estava muito assustada e Will paralisado olhando aquilo enquanto Eduardo o segurava. Achei que ele fosse comer Josh vivo, mas ele ficou com a boca prensada contra o pescoço dele por um tempo. Os gritos de Josh foram ficando mais fracos e a cor foi deixando seu rosto.

O que está acontecendo? Vi que os olhos dele estavam querendo fechar, estava prestes a desmaiar.

- Deixa ele! - gritei assustada e os dois riram.

Frank tirou a boca do pescoço de Josh quando ele desmaiou e me olhou. Ele sorriu e seus dentes estavam vermelhos com o sangue de Josh. Agora deve ser a parte em que ele come a carne dele...

- B negativo e nada puro.

Mark abaixou a cabeça para olhar meu rosto e eu fiquei tensa achando que era a minha vez de ficar sem sangue.

- Seu amigo gosta bastante de drogas, não é?

- Como sabe disso?

Os três sorriram.

- Você também gosta? - Cheirou meu pescoço e nessa hora todo meu corpo ficou tenso. - Parece que não...

- Ela está limpa? - perguntou Eduardo.

- Sim.

Que droga é essa? Como eles podem saber disso? Será que nos espionavam? Já estavam com tudo planejado para nos matar?

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