- Certo, eu vou, mas com uma condição: hoje é o último dia do nosso contrato e posso escolher o que quero agora.
Ele me lança um olhar confuso e diz:
- E o que você quer, Annie? - O respondo fitando-o, decidida.
- Quero trabalhar, mas não para você, quero trabalhar com o que desejo, o que sempre sonhei: trabalhar em uma editora e crescer sozinha.
Ele me olha sério e diz após alguns segundos:
- Certo, se quer trabalhar, tudo bem. Eu aceito isso se você aceitar ir comigo para Denver e.... se comprometer comigo. Annie, eu quero você para casar, você como mulher, você para mim, me entende? Eu quero mais, mais do que temos, quero casar contigo, não agora, mas quero que fique ciente de que desejo um compromisso sério com você. Te quero para toda vida, o que me diz?
É óbvio que o quero, mas tenho medo, terei que me entregar por completo a ele, serei dele para sempre, mas sei que ele irá cuidar de mim, que me ama, sei disso. Eu não consigo falar, fico olhando para ele sem saber o que dizer, acaricio seus cabelos e inicio um beijo. A minha resposta será essa: me entregar para ele por completo.
Esse será o meu sim, o beijo intensamente e ele diz entre o beijo, entendendo minha resposta:
- Eu te amo tanto, mas tanto! - Eu sorrio e começamos a fazer amor ali mesmo no sofá, e foi maravilhoso. Ele beija cada centímetro do meu corpo, eu gemo de prazer.
Sim, agora eu sou dele por completo e não me arrependo.
Eu sou dele, e ele é meu.
Madrid, 12 de fevereiro de 2015
Havia me despedido dos meus pais mais cedo, eles estão tristes por me ver partir. Nós sempre fomos muito apegados, sempre saímos juntos e somos uma família muito unida, não imagino como será minha vida longe deles. Moramos na Espanha em Madrid, a nossa rua é bem silenciosa e muito agradável, agora em Londres, eu sequer sei como será.
Um dia antes, os meus pais e eu saímos para curtir meu último dia em Madrid: fomos a um restaurante, comemos nosso prato favorito e fomos andar um pouco. Comentamos como fora nossa semana, a gente sempre separa um dia apenas para fazer isso, foi realmente uma noite prazerosa. Depois de jantarmos, fomos para casa. Eu já havia terminado minha mala e dormir na minha cama macia de lençóis escuros será maravilhoso! Irei sentir falta disso: da tranquilidade, da minha família, do meu lar, mas sempre temos que passar por algo novo na vida. Isso é fato.
No dia seguinte eu pego um táxi para me levar até o aeroporto. O taxista pegou minhas duas gigantes malas e uma mochila, colocou-as no porta-malas e assim que entro no carro, digo o meu destino a ele. Fico observando pela janela, lançando um último olhar à minha antiga casa, meu lar.
Chegando ao aeroporto, pago o taxista e ele deixa minhas malas no chão, pego-as e entro no aeroporto, vou até o guichê onde entrego o meu passaporte e passagem para a atendente.
Depois de a mesma verificar, ela devolve os meus documentos e caminho até as portas do avião, procuro meu assento e para minha sorte, não tinha ninguém ao meu lado, ainda bem, porque me sinto desconfortável ao lado de alguém.
Assim que o avião decola, desligo meu celular e coloco no bolso da jaqueta que estou usando. Estou do lado da janela, fico olhando para as nuvens e vejo como é lindo, porém me dá um certo frio na barriga quando o avião começa a subir.
Passaram-se horas e percebo que tinha cochilado, abro meus olhos rapidamente e ajeito o meu cabelo, a minha mãe sempre me chamava de cachinhos de mel quando criança e os meus cabelos ainda são da mesma cor, mas agora são lisos.
Consulto meu relógio no pulso esquerdo, sim, eu sou canhota, olho as horas e me ajeito na poltrona, pois ainda faltam algumas horas para chegar ao aeroporto de Londres.
Eu olho para as pessoas nas poltronas de trás e observo um atendente servindo um homem de cabelos castanhos escuros. Ele está todo formal, mas percebi que por trás do terno, o homem é todo másculo. Servem para ele uma água com gás e ele agradece balançando a cabeça. Vejo que usa óculos escuros, e ao lado dele há uma loira muito bonita e atraente que usa um vestido vermelho, decotado e bem apertado em seu corpo, seus cabelos brilham de tão loiros que são, usa batom vermelho e um salto prata bem alto. Ela sorri para o homem ao seu lado e encosta seu rosto no ombro dele, eles devem ser um casal.
Eu paro de olhar assim que a loira me lança um olhar furioso, somente desvio o olhar e olho para outras pessoas em suas poltronas. Percebo que há muitas crianças ali, todas brincando com seus brinquedos ou dormindo ao lado de seus familiares.
Passam-se três horas e o avião pousa, tiro o cinto e me dirijo para fora do avião, aguardo na fila para pegar minhas duas malas e mochila. Assim que as recebo, eu adentro no aeroporto e peço um táxi.
Enquanto ele não chega, pesquiso os melhores hotéis para alugar. Acho um que está em conta, vou permanecer em um hotel até achar um emprego. O táxi chega e o taxista me ajuda com as malas, em seguida seguimos até meu destino.
Chegando ao local, pago o motorista e olho bem para o hotel que vou me hospedar. Na recepção, escolho o quarto que havia pesquisado, ele é simples, o alugo por um mês. Eu vou até o terceiro andar, abro a porta 304.
Ao entrar, coloco as malas de um lado e observo o lugar. Depois deito-me na cama macia de casal e suspiro, pois estou muito cansada. Decido me levantar e desfazer as malas, guardo todas as roupas e acessórios no enorme guarda-roupa que veio embutido no quarto, graças a Deus que o apartamento é todo mobiliado.
No apartamento, há uma minúscula cozinha e um sofá do outro lado com uma televisão, há um quarto com uma cama de casal e um guarda-roupa, uma cômoda pequena e um banheiro, no qual há uma banheira.
Eu tomo o meu banho apressada, pois estou com um pouco de fome, coloco o meu pijama e percebo que já são sete da noite.
Eu queria ter trazido algumas comidas de casa, mas não é permitido quando se viaja de avião, e iria estragar, é obvio.
Peço um hambúrguer via telefone e aguardo, após chegar eu lancho e decido dormir.
Havia sido um dia cansativo por causa da viagem.
Londres, 13 de fevereiro de 2015
Está tudo silencioso, há cores para todos os lados: Vejo lindas flores, frutos nas árvores, passarinhos voando aos céus! O calor do dia é fascinante, meus olhos brilham olhando para cima, está tudo perfeito: o clima, a paisagem, algumas pessoas andando de mãos dadas, crianças conversando com seus pais...
O calor me aquece como sempre, me sinto mais viva e feliz, dou um sorriso enquanto caminho e sinto aquele vento gostoso sobre minhas bochechas e balançando minhas roupas. Quando olho para a paisagem à minha frente, de repente, tudo fica preto. Onde estou? Eu não sei, tento correr, mas está tudo escuro e nem sei para onde estou indo ou para onde devo ir. Simplesmente respiro fundo e fecho meus olhos com força. Sou acordada por um barulho de chuva, não é tão forte, mas está chovendo.
Eu me sento na cama e olho para o quarto, está escuro ainda, não sei que horas são, olho para meu relógio no pulso esquerdo e são 06h20min. Queria voltar a sonhar novamente, o sonho se referia à minha casa, minha vida em Madrid. É tão lindo lá e agora terei que viver aqui, porque preciso de novas experiências e aqui receberei um bom salário. Lembro-me dos meus pais por um momento, a saudade é imensa que chega a doer o coração, coloco uma mão sobre meu peito e limpo uma lágrima que escorre pela minha face.
Levanto da cama e peço o café da manhã, eles me dizem que em vinte minutos chegará. Enquanto espero, escovo os cabelos e os dentes, e lavo o rosto. Assim que termino, seco minha face e me olho no espelho...
Os meus olhos são azuis claros e meus cabelos no tom de mel lisos, que batem no meio das costas, meu físico é magro e tenho um metro e sessenta e oito centímetros.
Saindo do banheiro, escuto alguém batendo na porta, vou até lá e a abro. Vejo um homem de cabelos claros e olhos castanhos, ele me entrega o café da manhã e o agradeço. Coloco meu café na mesinha que há na cozinha, abro o saquinho e têm torradas, alguns pedaços de bolos e leite com café.
Por um momento fico pensando que terei que ligar para minha tia logo, aliás, foi ela que me disse para vir para cá, pois há uma empresa que estão contratando tradutores e o salário é muito bom, eu preciso desse emprego.
Parando de pensar, eu como as torradas, tomo meu leite com café, e depois um pedaço de bolo.
Troco de roupa, porque está frio lá fora, coloco uma blusa de mangas e uma blusa de frio por cima, é bem quentinha. Coloco uma calça jeans escura, uma bota preta de couro, visto um cachecol em meu pescoço, pego uma bolsa marrom e coloco minha carteira, pego um guarda-chuva, chave e saio do hotel.
Chegando lá fora, abro o guarda-chuva e ando na calçada, a chuva não é tão forte, mas o vento é bem frio e muitas pessoas se apressam na rua por causa da chuva, por não terem um guarda-chuva, já outras andam calmamente com seus guarda-chuvas. Eu desejo procurar um emprego, então tenho que andar para ver algo que me interessa.
Olho todas aquelas pessoas a minha volta, todas agasalhadas, suspiro sentindo aquele frio sobre minhas bochechas e caminho mais rápido, vejo um museu e começo a andar até lá.
Já dentro do local, vou até a recepção e pergunto se precisam de atendente de telefone ou serviços gerais e entrego meu currículo.
O homem olha para mim e diz:
- Então é fluente em espanhol, inglês, francês e português? - Ele me olha impressionado e eu respondo:
- Sou sim. - Ele sorri para mim e diz:
- Bom, não preciso desses serviços, mas se quiser ser atendente, estamos precisando. Apareça aqui amanhã às sete da manhã para a entrevista com o dono do Museu, Annie.
Eu digo que irei aparecer, ele devolve o meu currículo e me mostra o lugar, depois ele diz:
- Sou Diego, sou o vice chefe, é um prazer, Annie, até amanhã.
Eu pego na mão dele me despedindo e retorno ao hotel para aproveitar esse dia frio.
A chuva para durante a tarde, mas o tempo continua frio, como as fatias de bolo e bebo café. Depois tomo um banho rápido, faço minha higiene, coloco uma roupa confortável, visto uma blusa de frio por cima e meias nos pés. Sento no sofá e ligo a televisão, pego meu celular e escrevo um SMS para os meus pais dizendo que estou bem, eles respondem depois de um minuto.
"Olá, filha, que bom que está bem, conte as novidades, está em um hotel? Vai procurar um emprego? Seu pai mandou um abraço, nós te amamos. Sempre nos mantenha informados, viu? Se cuida!"
Eu sorrio com a mensagem e escrevo.
"Olá, mamãe, estou em um hotel e hoje consegui uma entrevista para amanhã, espero que dê tudo certo. Eu amo vocês também, vou mantê-los informados, se por acaso eu demorar a responder alguma mensagem, me entenda que às vezes sou desligada, viu? Beijos para vocês. "
Eu desligo o celular após isso, vejo um pouco de televisão e depois vou dormir.