SINOPSE
Casey Alexander cresceu sendo parte da família Ravage MC desde o dia em que foi abandonada pela sua mãe e atirada nos braços do seu pai. Sempre vendo a si mesma como alguém de fora, ela passou a vida toda tentando se encaixar, mas jamais teve muito sucesso. Quando ela perde seu amado pai, a pura solidão a consome, fazendo com que ela procure consolo com o único homem que ela sempre desejou. Confessar seu amor por ele só resulta em devastação quando ele a manda embora. Convencida de que precisa de um novo começo, Casey deixa tudo para trás e vai em busca de curar seu coração partido e construir um futuro sem ele.
Gage Thomas (GT) Gavelson se apaixonou pelo seu Anjo quando ele ainda era um pequeno garoto. Bonita e inteligente, ele sempre achou que ela merecia alguém muito melhor do que ele. Crescer ao lado dela no clube só continuou a testar sua força de vontade, até que em uma noite ele cede à tentação. Percebendo que ele só iria afastá-la da vida que ela merecia, ele a empurra para longe, fazendo com que ela acredite que nunca seria o bastante para ele. Deixá-la ir embora foi a coisa mais difícil que ele já fez na vida. Mesmo que ele achasse que era a coisa certa a se fazer, não se passou um dia em que ele não foi consumido pela tristeza e solidão.
Quando trágicos acontecimentos ocorrem, tudo muda, e mais uma vez suas vidas são interligadas. Quando você encontra o caminho de volta para a única pessoa com quem quer estar, perdoar deve ser fácil. Mas, às vezes, estamos machucados demais para o perdão.
O amor deles é forte o bastante para curar a dor?
CASEY
O ar da manhã corre pela minha pele quando eu saio lentamente da casa principal do clube, caminhando até ao meu carro. Eu já me despedi de Harlow duas vezes, mas essa última foi a mais difícil de todas. O peso nos meus ombros está me arrastando para baixo; minhas pernas acham difícil dar o próximo passo. Eu não quero ir. Essa é a minha casa, a única vida que eu conheço.
E minha única conexão com Bam, meu pai, mas isso precisa ser feito.
Coloco a mão na minha barriga e fecho os olhos, respirando fundo, sentindo o ar correr para os meus pulmões. É engraçado como a vida se repete. Acho que é isso que o Dr. Phill quer dizer com "comportamentos passados predizem comportamentos futuros", e maldito seja se isso não é totalmente verdade.
Caminhando até o meu Chevy vermelho e branco, eu deslizo para dentro lentamente e coloco a chave na ignição, fazendo o motor rugir para a vida. Meus olhos focam na oficina e meu coração afunda assim como eu no meu assento, o peso se tornando demais. Passei horas aprendendo dentro daquele prédio, mas as melhores foram as que passei com o meu pai, lado a lado sob o capô do seu carro. Ele passou muito tempo me ensinando tudo que podia, sempre paciente e respondendo as milhares de perguntas que eu tinha. Essa foi a melhor época da minha vida.
Crescer em um clube teve dificuldades, mas a cada desafio jogado na minha cara, eu me tornava uma mulher mais forte.
Nunca conheci a doadora de óvulo que foi a minha mãe, que também era uma das vadias do clube. Assim que eu pulei para fora do seu útero, ela me entregou para Bam e nunca olhou para trás. Eu nem ao menos sei o seu nome e, a essa altura da minha vida, não tenho a intenção de descobrir.
Passo a mão na minha barriga e a decepção corre pelo meu corpo. Como alguém pode simplesmente descartar o seu filho e nunca mais entrar em contato? Nunca querer vê-lo crescer? Esse pensamento é tão inconcebível para mim.
Embora isso não faça sentido, foi o que a minha mãe fez. Bam nunca teve escolha sobre me criar ou não, mas eu nunca me senti sendo um fardo para ele. Verdade, minha vida sempre foi muito diferente da dos meus colegas de escola, mas eu amava isso e não mudaria nada.
Para mim, estar sobre uma Harley antes mesmo de conseguir andar e participar de festas onde os homens fumavam, se embebedavam e beijavam mulheres quase sem roupa era o normal. Ver brigas estourarem por causa de merdas estúpidas quase todo dia era a vida no clube. Não me entenda mal, eu sempre fui muito bem cuidada, especialmente por Bam, mas ele era muito ocupado. Nesse tempo, um monte de vadias do clube entrou e saiu da minha vida, cuidando de mim por um tempo, mas nunca ficando tempo o bastante para formar uma conexão.
Bam estava lá o máximo que podia. Ele brincava de festa do chá comigo e me fazia cócegas que sempre me davam um ataque de risos. Eu o amava... eu ainda o amo. Suas lições de vida foram a melhor educação que uma garotinha podia ter. Eu nunca tive que lhe pedir nada, era como se ele soubesse o que eu precisava quando eu precisava.
Quando chegou o tempo dos garotos, ele sempre me dizia que não havia homem bom o bastante para o seu bebê. Nessa época eu revirava os olhos, mas agora eu desejava ter ouvido aquelas palavras que saíam da sua boca.
Derrubei a cabeça contra o peito, lutando para não derramar lágrimas. Eu não vou chorar. Sou mais forte do que isso.
Bam foi capaz de fazer isso, conseguiu me criar. Mesmo com todas as dificuldades, ele conseguiu. E também consigo, mas para isso preciso ir para longe daqui e descobrir quem eu sou. Eu preciso ser melhor para mim e para o meu bebê, minha família. Eu quero uma vida aqui, mas, infelizmente, isso não é possível no momento. Não é minha escolha, mas do pai do meu filho.
Mesmo que ele não saiba sobre o preciso presente que tenho crescendo dentro de mim, ele deixou perfeitamente claro que não quer uma vida comigo. Ele parece interessado demais em correr atrás de boceta para se acomodar com uma só. Parte o meu coração e me fere profundamente saber que eu não sou boa o bastante. Mas estou aprendendo a aceitar, mesmo que isso me mate. Ele não deixou muito espaço para o contrário.
Mas eu preciso colocar a cabeça no lugar e parar com qualquer movimento de pena de mim mesma. Não sou esse tipo de mulher. Graças a Bam, eu sou o tipo de mulher que agarra a vida pelas bolas, lida com as consequências e faz seu próprio futuro. Isso é o que eu estou fazendo ao ir embora. Tenho todas as intenções de voltar, de apresentar meu filho ao seu pai e fazer meu relacionamento com Harlow voltar a funcionar. Assim que eu estiver com a cabeça pensando direito.
Levantando os ombros, coloco e carro em movimento e dirijo para a nova vida que planejei para o meu bebê e para mim.
* * *
Cherry Vale fica a apenas uma hora de carro de Sumner, mas parece a milhares e milhares de quilômetros, um mundo totalmente novo. A cada marco que passo, enxurradas de memórias correm pelo meu corpo, me rasgando camada por camada. A pizzaria onde Bam costumava me levar em ocasiões especiais aparece na janela, aquecendo meu coração e me enchendo de tristeza ao mesmo tempo. A torre de água onde Harlow e eu costumávamos ir para fugir de tudo, lá em cima no céu. O velho moinho ainda está intocado após todos os anos de abandono. Eu continuo dizendo a mim mesma que há uma razão para a minha loucura, e é pelo meu bebê que estou me mudando.
Parando em frente ao apartamento que aluguei, estaciono o carro e olho para o prédio de tijolos de quatro andares. As janelas alinhadas na frente têm o sol refletindo nelas com tanta força que elas têm uma espécie de brilho. A persianas brancas ao redor de cada uma dão à construção uma sensação acolhedora, junto com todas as flores plantadas ao redor da base do edifício.
Meu apartamento está localizado perto do campus e eu preciso caminhar pouco para chegar à aula, mas ainda não é dentro do campus. Quando fiz minha pesquisa, não queria viver em um lugar onde só houvesse estudantes, preferindo um que tivesse famílias também.
Eu não sei muito sobre crianças, mas não queria ter que lidar com garotos e irmãs de fraternidade depois de grandes bebedeiras quando eu tenho um bebê chorando.
Antes de encontrar Harlow na oficina mais cedo essa noite, meu carro já estava carregado com a minha vida e pronto para partir, todo o resto foi no caminhão de ontem. Eu não queria voltar ao apartamento em que morava por um tempo, com medo de que não iria partir. Tinha toda a intenção de ajudar Harlow com Rocky e dar o fora daqui antes que mais alguma coisa acontecesse. Eu precisava ter certeza de que as coisas fossem exatamente assim.
Suspirando, pego a maçaneta e abro a porta do carro. A manhã ainda está chegando e é um pouco fria, mas nada como uma hora atrás, o calor e a umidade começando a se fazer presentes. Vou até o porta-malas e pego uma caixa. Garanti que todas as coisas realmente pesadas viessem no caminhão de mudança, não querendo ter que levantar muito peso.
Entro no prédio e aperto no botão do elevador, e enquanto espero, meus pensamentos vão para Bam. Quando eu era mais nova, ele sempre disse que queria que eu fosse para a faculdade e conseguisse o meu diploma. Ele me disse que eu era uma garota inteligente, com uma boa cabeça sobre os ombros, e eu queria provar que ele estava certo.
Espero que ele não fique desapontado comigo. Depois de tudo, eu acabei grávida assim como a vadia do clube que era minha mãe. Tal mãe, tal filha, exceto por uma grande diferença. Eu não vou desistir do meu bebê. Tudo que estou fazendo agora é por ele ou ela.
O elevador chega. Balançando a caixa, entro cuidadosamente. Dou um tapa no botão de número três e as portas começam a fechar.
- Espere! - uma voz profunda do outro lado diz. A voz é de comando, mas ainda suave. Tento achar o botão de abrir as portas no painel enquanto acomodo a caixa, mas não tenho sorte. Uma mão grande aparece entre as portas e faz com que elas reabram com um estalo.
O cheiro do homem enche o elevador. É uma mistura de suor, testosterona e algo mentolado. Ele está usando shorts de corrida, tênis e uma regata branca que mostra seus músculos impressionantes. Seu cabelo loiro está pingando suor e sua respiração está ofegante. Quando seus olhos castanhos encontram os meus, um pequeno sorriso puxa o lado da sua boca. Meu corpo entra em alerta instantâneo e eu levanto minhas paredes defensivas.
- Você precisa de ajuda com isso? - sua voz reverbera dentro da pequena área fechada.
- Não, obrigada, - eu digo endireitando os ombros. Uma coisa que você aprende ao viver em volta de um monte de motoqueiros durões é presença. Quanto mais confiança você tem, menos provavelmente vão mexer com você, e não conhecendo o cara, não vou abrir muito espaço.
- Aqui, - a caixa em meus braços desaparece e eu sinto o alívio imediato. - Posso ajudar a levar isso até o seu apartamento. Não vou entrar, - seu sorriso cheio está esperando por mim, e ele é tão contagioso que me encontro sorrindo de volta.
- Obrigada, - eu desvio o olhar para ver os números mudando do um para o dois.
- Eu sou Jace, - sinto seus olhos queimando um buraco através de mim, mas não vou dar muito espaço a esse homem. Não vou deixar ninguém entrar... de novo.
- Casey, - continuo olhando os números, que vão do dois para o três, querendo que eles aumentem mais rápido.
- Você precisa de ajuda com outras caixas?
- Eu vou cuidar delas, mas obrigada, - o elevador apita no três e então me ocorre que Jace não apertou em nenhum número. Saindo do elevador, procuro o 303 e o encontro do lado direito do corredor. - Eu estou aqui, você pode ir. Obrigada.
Ele não faz nenhuma tentativa de largar a caixa, mas pára perto da porta, seu ombro pressionado contra a parede. Com a minha visão periférica, vejo seus músculos dos braços se flexionarem enquanto ele segura a caixa como se não pesasse nada. Engulo em seco e rapidamente coloco a mão no bolso para pegar as chaves, tentando não as derrubar.
Abrindo bem a porta, entro no lugar. Várias caixas estão espalhadas pelo chão e junto às paredes, minha mobília está empilhada em vários montes, mas o lado bom é que não vejo a cama, então felizmente ela foi levada para o quarto. Solto um suspiro profundo e caminho pelo apartamento, olhando para a bagunça que vou levar dias para arrumar.
Me viro para a porta. Jace ainda está parado com o ombro apoiado contra a porta, mas não acho que ele precisa de ajuda e a indiferença não é seu forte. Caminho rapidamente até ele e pego a caixa. Ele a entrega para mim com hesitação.
- Obrigada, - eu digo, me afastando dele e colocando a caixa sobre uma enorme pilha de qualquer coisa.
- A qualquer hora. Eu realmente gostaria de ajudar com as outras coisas. Minha mãe sempre me ensinou a ajudar uma dama. Ela bateria na minha cabeça se descobrisse que eu não ajudei você, - ele sorri, mas cobre isso com a mão.
- Eu só tenho mais duas caixas e uma mala. Posso cuidar disso, mas obrigada, - eu digo, ignorando o comentário sobre a sua mãe. Me viro e quando meus olhos se encontram com o seus de um tom marrom chocolate, eu instantaneamente olho para o chão, minha confiança balançando um pouco. Seu interesse em mim está escrito por todo o seu rosto, mas isso não vai acontecer e eu não quero lhe dar nenhuma falsa esperança.
- Se você precisar de qualquer coisa, me avise. Eu moro no 306, do outro lado do corredor, - ele se afasta da moldura da porta, mas não dá um passo dentro do meu apartamento. Ele mantém sua palavra sobre não entrar e eu aprecio o seu respeito.
- Obrigada, mas eu vou ficar bem. Tenho que desempacotar tudo, - eu seguro a pronta, pronta para fechá-la.
- Entendo. Prazer em conhecer você, Casey, - seus lábios formam um sorriso de parar o coração, um que faria a maioria das mulheres se arrepiar. Se eu fosse qualquer outra mulher, em outra situação, eu provavelmente estaria nas suas mãos. Mas eu não sou.
- O mesmo aqui, - eu seguro a porta com um pouco mais de força, Jace se vira e caminha alguns passos na direção da sua porta. Sem olhar, eu fecho rapidamente a minha porta e me viro, permitindo que minhas costas pressionem a madeira com alívio. Eu consegui. Estou aqui. Posso fazer isso.
* * *
Eu odeio desempacotar. Só fiz isso duas vezes na vida, a primeira quando me mudei para ir morar com Harlow, e agora. Levou a maior parte do dia, mas acho que finalmente tudo está onde precisa estar, pelo menos os móveis e as roupas. O resto pode esperar até outro dia.
Me atirando no sofá, inclino a cabeça para trás para descansar. Todo meu corpo dói, do topo da minha cabeça até os dedos dos meus pés. Meu estômago ronca, me lembrando que ainda não comi. Uma vez que não passei no mercado ainda, não há comida por aqui. Eu suspiro. Vou ter que conseguir comida antes de ir para a cama.
Minhas mãos vão imediatamente para a minha barriga. Não está nem perto de aparecer ainda, mas sei que há uma vida crescendo dentro de mim. Eu não tinha planos de ficar grávida. Quando o médico disse que o anticoncepcional era 99% eficaz, acreditei nele. Fui agraciada com o 1% sortudo, mas não posso dizer que estou desapontada. Essa gravidez pode não ser o que eu tinha previsto para mim, mas não mudaria isso por nada no mundo.
GT e eu não usamos camisinha. Foi um grande erro da minha parte e eu deveria ter insistido para ele usar. Eu o conhecia, sabia que ele nunca iria se comprometer com uma só pessoa, mas fiz isso mesmo assim, como uma estúpida adolescente apaixonada, esperando que eu fosse capaz de mudá-lo. Estúpida. Ele fez exames por mim e estava limpo, mas mesmo assim eu não deveria ter provocado o destino.
Meu relacionamento com GT nunca foi o que poderia se chamar de estável ou saudável. Quando éramos crianças, ele era o irmão mais novo que Harlow e eu amávamos aterrorizar e manipular sempre que podíamos. Fizemos ele fazer coisas bem nojentas, como beber cerveja velha com bitucas de cigarro e catarro de alguém dentro. Com apenas dois anos de diferença, nós passamos muito tempo juntos, mas a maioria era do tipo eca, ele é nojento.
Mas parte de mim se apaixonou por Gage Thomas Gavelson quando eu tinha sete anos de idade e ele jogou lama na minha cara porque eu não quis pular em uma poça com ele. Isso selou o acordo para mim.
Pouco depois que ele começou a andar ao redor do clube, percebi que o irmãozinho fofo estava se tornando um homem e eu doentiamente passei de um caso de amor infantil para uma queda total e esmagadora. Mas, por volta dos treze anos, Pops, pai de GT, começou a levá-lo mais e mais para dentro do clube. Eu às vezes via ele do outro lado do estacionamento, quando Bam e eu estávamos trabalhando nos carros, mas não era a mesma coisa. Eu sentia a sua falta. Então, as mulheres começaram a aparecer. Mulheres muito mais velhas. Primeiro eu pensei que elas talvez estivessem ali para ajudá-lo com a lição de casa ou para trabalhar para Pops. Como eu estava errada. Rapidamente aprendi que elas estavam lhe ajudando, mas definitivamente não era com a lição de casa.
A intensidade dos meus sentimentos por GT continuou a crescer, nunca diminuindo. Na verdade, meu desejo cresceu tanto que chegou a um nível que doía apenas vê-lo. GT continuava a guardar um lugar especial no meu coração; um que eu fechei e tentei desesperadamente manter contido. Mas cada sorriso que ele me dava ou cada batidinha no ombro quebrava ainda mais minhas restrições.
Em um dia fatídico, ele realmente me viu. Me viu de verdade. A emoção em seus olhos quando eles se encontraram com os meus deixou meu corpo em chamas. Aquele dia foi rápido, feroz e lindo. Aquele dia deu início à nossa curta história de amor.
Eu deveria ter sabido. Todo o bom senso me deixava quando eu chegava perto daquele homem. Eu vi as mulheres entrando e saindo do seu quarto no clube ao longo dos anos, mas, estupidamente, pensei que eu fosse diferente. Pensei que eu significasse algo para ele. Mas não. Eu só era uma de muitas. Não havia como mudar um homem como GT Por mais que eu quisesse ser especial para ele, não sou e tenho que viver com isso.
Nosso tempo juntos foi rápido e passageiro, mas com meus sentimentos por G.T tendo raízes tão profundas, eu fui sugada por tudo que era ele. Mas depois de apenas três semanas juntos, ele terminou comigo e me deixou com um presente inesperado. Por mais doente que isso pareça, estou feliz de sempre ter uma parte dele comigo. E a parte mais doentia ainda é que eu sou como a minha mãe. Sou uma vadia do clube que engravidou de um dos irmãos. Eu vou ser aquela que todos vão ver como uma puta. Mas a principal diferença é que eu não vou desistir do meu bebê ou abandonálo.
Vai chegar o dia, nos próximos meses, em que vou ter que contar para GT Não sou uma vadia sem coração que vai tentar manter a criança longe dele. Não importa o quanto isso me machuque, nunca faria isso com ele. Eu posso morrer ao ter meu filho ou filha ao redor do monte de vadias do clube que GT tem dentro e fora da cama, mas vou lidar com isso, como faço com tudo o mais. E vou deixar que ele ou ela escolha se quer a mesma vida do seu pai. Eu nunca vou fazer essa escolha pelo meu filho.
Mas o principal motivo de eu vir para cá foi colocar a cabeça no lugar. Eu não tenho dúvidas que G.T vai cuidar financeiramente do seu filho, mas quero ser capaz de fazer isso sozinha também. Esse bebê é meu e eu quero dar uma opção para GT, diferente do que meu pai teve. Parte de mim quer desesperadamente que ele apareça e seja o pai que eu sei que ele pode ser, mas não vou obrigá-lo, como aconteceu com Bam. Vou conseguir o meu diploma e cuidar do meu filho. Não vou depender de ninguém, nunca.
Não só isso, eu preciso chegar a um acordo comigo mesma sobre a morte de Bam. Pensar nisso faz arrepios correrem pelo meu corpo e minhas mãos tremem. Mesmo depois de quatro anos, sua morte ainda me assombra. Fecho meus olhos, as lágrimas borrando minha visão. Tento segurá-las, mas descubro que é algo difícil. Bam é a única família que eu tenho, a única família que eu tinha. Mesmo que eu tenha crescido ao redor do clube, nunca me senti parte dele. Em vez disso, sempre me vi como uma observadora de fora. A filha do irmão, portanto todo mundo me tolerou.
Harlow é verdadeiramente a irmã que eu sempre quis, não por sangue, mas por vínculo. Mesmo que eu a considere minha família, ela agora tem a sua própria família para cuidar. Não só isso, ela tem o clube. Agora que é uma old lady, ela está em um patamar diferente do meu. Certa vez nós já tivemos o mesmo status, mas agora ela está totalmente em outro campo, e eu respeito o seu lugar lá.
Mesmo quando crescíamos, sempre vi a diferença entre nós duas. Harlow é a Princesa, e eu sempre me senti como alguém que era suportado. Os irmãos sempre a adoraram, e eram gentis comigo, mas nunca nos trataram de forma igual. Olhando para trás, soa muito mesquinho e invejoso, mas para uma garota de treze anos que está tentando achar o seu lugar, isso era tudo. Eu nem sei se os irmãos percebiam que estavam fazendo isso ou se importavam. Mas eu me importava.
Quando Bam morreu, todos os irmãos se apresentaram para cuidar de mim, mas outra vez eu me sentia uma espectadora olhando do lado de fora. Ali, mas sem fazer parte. E parte disso pode ter sido o luto, considerando que não saí do meu quarto por algumas semanas. Mas o clube era a família de Bam, não minha, embora eu quisesse que fosse. Eu sempre fui uma obrigação para os irmãos. Não preciso da piedade de ninguém, nunca mais. Mas sempre vou ter Harlow ao meu lado, de alguma forma; talvez não como antes, mas se eu a chamasse agora, ela viria. Com certeza temos algumas coisas para resolver, mas eu sei que vamos conseguir superar.
Mas eu ainda não posso dizer a ela sobre o bebê. Eu quase contei ontem à noite, enquanto estávamos deitadas na cama depois do intenso episódio em que descobrimos que Rocky era um policial disfarçado. Eu quero alguém para falar sobre a gravidez, mas não poderia adicionar mais merda na pilha já enorme de coisas que ela está lidando, mesmo que eu deseje ter o seu apoio. Eu gostaria que ela me abraçasse e tirasse toda a dor e confusão. Mas, por outro lado, sei que ela vai ficar chateada por eu ter ido embora e vai me levar de volta e me obrigar a contar para GT, mesmo que ele ainda não esteja pronto para saber. Mais importante ainda: eu não estou pronta para contar.
Um estrondo na porta da frente me faz saltar e apertar meu peito, meu coração bate. Droga. Eu ando hesitantemente até à porta e olho no olho mágico para ver Jace de pé com uma sacola de plástico em uma mão e uma caixa de pizza na outra. Meu estômago rosna, mas eu o obrigo a calar a boca.
Abro lentamente a porta e dou um pequeno sorriso. - Oi.
- Oi, Casey. Percebi que você estava ocupada desempacotando e pensei em trazer algo para você comer.
- Obrigada. Mas estou saindo para ir ao mercado, - meu peito se aperta. Eu não quero ser uma cadela, mas pelo brilho em seus olhos ele está seriamente interessado em mim, e eu não posso ter isso. Há muito em minha vida que precisa ser resolvido antes que qualquer coisa aconteça, e fazer ele acreditar em algo diferente é um erro. Especialmente quando ele descobrir que vou ter um filho; essa coisa de pai instantâneo não funciona muito bem com os homens. Mas é um gesto legal trazer comida para um novo vizinho.
- Eu já trouxe comida. Você deve estar cansada de trabalhar nisso o dia todo. Veja, é apenas um gesto de amizade. Posso ver as rodas girando na sua cabeça. Eu tenho que comer. Você tem que comer. Vamos comer e, quando terminarmos, eu vou embora, - Jace trocou de roupa e agora usa uma bermuda cáqui e uma camisa polo azul justa ao redor dos seus bíceps. Seu cabelo está desalinhado, como se ele tivesse passado os dedos mil vezes por eles, mas ainda bonito. Seus olhos brilham quando encontram os meus.
- Apenas amigos, - enfatizo para ele, não para mim.
- Entendido.
Eu abro o braço e o conduzo para o meu apartamento, meu coração batendo acelerado.
- Ignore as caixas. Droga. Não sei se tenho pratos ou qualquer coisa que possamos usar, - passo para a cozinha, que brilha com os armários brancos, um tom levemente mais claro de uma cor azul-acinzentada nas paredes e uma grande ilha que tem dois banquinhos. Alcanço a maçaneta de cromo de um dos armários aéreos para pegar pratos e o toque de Jace na minha mão me assusta e eu instantaneamente me retraio.
- Desculpe. Eu tenho pratos de papel e copos. Não se preocupe, - na mesma hora eu me sinto péssima pela minha reação. Suspiro e me seguro no balcão para me estabilizar. Se controle, porra.
- Ótimo, obrigada, - dou a ele um pequeno sorriso. - Por favor, se sente, - eu me viro e aponto para um dos banquinhos da ilha.
Ele coloca todas as coisas em cima e pega na sacola de plástico os pratos, guardanapos e dois copos. Um ronco do meu estômago anunciando a minha fome faz Jace começar a rir.
- Viu, eu sabia que você ia estar com fome, - ele abre a caixa e tira um pedaço de pizza cheio de queijo derretido, colocando-o em um dos pratos. O cheiro de alho e molho de pizza atinge meu nariz e minha boca fica cheia d'água. A percepção de como eu estava com fome de atinge com força.
- Foi um dia difícil, - eu sorrio e pego a pizza do prato, dando uma grande mordida. Um leve gemido escapa dos meus lábios quando o molho atinge minha língua, tão bom. Ele sorri e começa a comer.
- Lembro quando eu me mudei, no ano passado. Fiquei exausto, - ele diz, obviamente não gostando do silêncio.
- Obrigada por me trazer comida, - eu limpo a boca e rapidamente volto a devorar a pizza, até porque, se a minha boca está cheia, eu não posso falar muito.
- Isso não foi nada. Para que servem os vizinhos afinal? - ele sorri e molho de pizza cai no seu lábio.
- Você está sujo, - eu aponto para o meu lábio, sua língua se lança para fora e limpa o pouco de molho. Definitivamente é atraente, mas eu reforço as paredes. Tenho que separar amizade de atração.
- Obrigado. Você está na faculdade? - eu aceno. - O que você está estudando? - ele pergunta.
Parte de mim não quer responder, não quer lhe dar nenhuma informação sobre mim. Mas eu também não quero ser uma vadia mal-educada. - Administração, mas estou apenas começando, então tenho que passar pelas disciplinas básicas primeiro.
- Eu estudo Administração também. Estou no segundo ano, então ainda estou nas básicas também. Espero que no próximo semestre a coisa fique mais séria.
Eu rio da sua fala. - Como são as aulas? - eu pego outro pedaço de pizza da caixa e começo a comer na mesma hora.
- Boas. Nada demais, - ele dá de ombros antes de dar uma grande mordida no pedaço na sua mão.
- Eu estou ansiosa para começar, - pego o copo e dou um grande gole, surpresa que falar com ele é tão natural que meu corpo começa a relaxar um pouco.
- Então, Casey, me conte um pouco sobre você, - eu enrijeço, a tranquilidade que comecei a sentir momentos atrás voando do meu corpo enquanto eu olho para ele. Jace nota a minha hesitação, - Estamos apenas nos conhecendo. Nada demais.
Seria legal conhecer alguém aqui e ele parece um cara bem legal. Inferno, ele me trouxe pizza. Posso falar com ele, apenas cuidar para não falar demais.
- Eu sou de Sumner. Amo trabalhar com carros e é isso, - eu volto para o meu pedaço de pizza.
Ele sorri. - Tenho certeza que há mais coisas aí, mas vou ficar com isso, - ele pausa. - Eu sou daqui, na verdade. Comecei a faculdade ano passado por insistência do meu pai. Trabalho com ele como administrativo, então ele acha que pode ficar me dando ordens. Bem, acho que ele pode, - ele ri. - Eu saio para correr com frequência, amo assistir futebol e sou um cara excelente.
É a minha vez de rir. - Com certeza você tem uma ótima visão de si mesmo.
Ele mastiga a pizza e engole. - Nah. Nada disso. Apenas pensei que ia fazer conseguir ouvir a sua risada, e estou feliz porque consegui.
Eu fujo rapidamente do seu flerte, enchendo minha boca com mais pizza.
Ele levanta as mãos em rendição. - Desculpe. Eu vou parar. Estou deixando você desconfortável e isso é a última coisa que eu quero.
Limpo minha boca outra vez e me levanto lentamente. - Eu realmente gostei muito de você ter trazido o jantar, mas estou muito cansada.
- E essa é a minha dica para ir para o inferno, - ele grunhe enquanto levanta do banco. Eu não posso negar as suas palavras. - Obrigado por me deixar comer com você. Tenho certeza que nos vemos por aí.
- Obrigada novamente por me ajudar com a caixa e trazer o jantar. Foi muito legal da sua parte.
- O que todo cara que ouvir. Isso foi bom, - ele ri. - Não foi trabalho algum. Se você precisar de algo, estou no 306. Apareça a qualquer hora.
Eu aceno e me movo rapidamente em direção à porta para abri-la. - Obrigado. Vejo você por aí, Casey, - ele sorri apertando os olhos. É melhor que ele vá embora. Ele precisa ir embora.
- Tchau, - eu fecho a porta e tranco todas as fechaduras, limpando o que sobrou da janta, e vou para cama. Eu não estava brincando, estou morta. Preciso dormir agora, e o sono me consome assim que minha cabeça descansa no travesseiro.
CASEY
A primeira semana de faculdade passa correndo diante dos meus olhos e está quase acabando. Eu realmente gosto das minhas aulas e meus professores parecem legais. Meu trabalho, por outro lado, não é tão legal assim. O trabalho é difícil. Achar o seu lugar em uma indústria dominada por homens é um desafio, e a Foster's Garage não é diferente – e isso é o que eu esperava. Mesmo em Sumner, eu enfrentei diversos desafios para demonstrar minhas habilidades diariamente para os caras, e por isso eu sou respeitada. Aqui... não tanto.
Os caras fazem comentários imbecis sobre a minha bunda, mas eu deixo passar e finjo que não ouvi. Se eu deixar essa merda me afetar, então estou no trabalho errado. O que me irrita é o tom condescendente que alguns deles usam quando eu falo de motores. Na verdade, eu posso andar em círculos ao redor deles falando sobre motores, e muito provavelmente posso montar e desmontar um mais rápido do que eles jamais imaginaram ser possível. Novamente, isso se trata de provar minhas habilidades e eu aceito, apenas não tenho que gostar.
Felizmente, só trabalho algumas horas, dois dias por semana. Eu na verdade não preciso trabalhar de fato. Bam me deixou dinheiro suficiente para sobreviver por um bom tempo, e eu também economizei muito ao longo dos anos. Bam me ensinou muito bem as coisas relativas a dinheiro. Nunca gaste mais do que ganha e se quer alguma coisa, trabalhe para conseguir isso. É exatamente isso que estou fazendo agora. Além disso, eu amo estar sob um motor e não estou pronta para abrir mão disso ainda.
Uma das melhores coisas que me aconteceu foi conhecer Bella. Ela é realmente a única amiga que fiz na faculdade. Nos conhecemos em duas aulas que temos juntas. Ela sentou ao meu lado um dia e eu não podia tirar os olhos dela. Seu cabelo era tão único, preto escuro, mas foi a maciez e o brilho que chamou a minha atenção; eu queria tocá-lo para ver se era real. E essa foi a primeira coisa que pedi a ela. Bella riu e disse que sim. Depois de conversamos mais um pouco, descobrimos que tínhamos muito em comum, e viramos amigas desde então. Começamos a ir a uma cafeteria no fim da rua para conversar depois das aulas.
Bella perdeu seu pai há cerca de um ano, e falar das nossas experiências fez com que um vínculo se formasse entre nós instantaneamente. Nós também estamos cursando o mesmo programa na faculdade, o que faz da gente um par perfeito. Ela na verdade mora no prédio ao lado do meu, o que foi uma feliz surpresa.
Quando entro na cafeteria, vejo Bella imediatamente. Seu longo cabelo preto flutua incontrolavelmente pelas suas costas. Seus olhos são azuis, mas possuem um toque púrpura que os torna únicos. Dizer que ela é exótica é um grande eufemismo. Somado a isso, ela tinha um corpo de morrer e uma personalidade inteligente e atrevida; os caras do clube a comeriam viva.
- Ei! Então, como você está? - Bella pergunta quando sento à mesa, próximo a ela.
Envolvendo as mãos ao redor da xícara de café que ela generosamente deixou esperando por mim, eu sorrio. - Ótima. E você?
- Tudo bem. Absolutamente nada de emocionante acontecendo, como sempre, - ela grunhe olhando para a sua xícara.
- Você ainda está vendo aquele cara... - minha voz some quando eu aceno a mão, sem lembrar do seu nome.
- Ele se chama Ethan, e não. Ele foi embora. Não tenho ninguém no momento, - seu sorriso perverso marca os lábios cheios.
- Você está brincando comigo, - eu a incitei com um sorriso. No pouco tempo que a conhecia, aprendi rapidamente que Bella sempre estava com alguém, e sempre havia alguém na fila para tomar esse lugar. Até agora, ela passou por dois.
Uma risada escapa dos seus lábios. - Nah. Eu preciso de uma pausa. Esse último era muito frouxo. Eu preciso de um homem... um de verdade, - o balançar das suas sobrancelhas me fez rir abertamente.
- Você tem certeza que consegue lidar com isso? - eu digo ofegante por causa dos risos, pensando em todos os irmãos do clube.
Eu sou mais forte do que pareço. Por que você não me apresenta para um dos seus motoqueiros? - ela passa a língua lentamente pelo lábio superior. Contar para Bella sobre a minha vida foi muito mais fácil do que imaginei. Estou sempre apreensiva de contar as pessoas onde eu cresci, especialmente pela forma como todos reagiam quando eu estava na escola.
Fui chamada de tudo, de cria de motoqueiros a vadia do clube, e muitas coisas entre isso. A maioria dos pais dos meus colegas disse a eles para ficarem longe de mim e Harlow; nós significávamos problemas, confusão e éramos más companhias. Quando olho para isso agora, vejo que foi algo bom. Harlow e eu não tivemos que lidar com amizades superficiais que parecem ser parte da experiência escolar da maioria das pessoas. Mas isso não significa que foi fácil.
Mesmo agora, adulta, eu ainda fico meio receosa, mas a única reação de Bella foi o puro desejo de ir ao clube para conhecer os caras. Só que de maneira alguma eu ia deixar ela se transformar em uma das vadias do clube. Não ia acontecer.
- Garota, eles iam te comer viva.
- Talvez seja isso que eu precise. Ser comida... pra valer, - a xícara que estava quase na minha boca bate com força na mesa e eu começo a rir incontrolavelmente. Por isso eu amo sair com Bella, essa boca que ela tem.
- Bem, essa é uma risada bonita, - meus olhos encontram os de cor de chocolate que estavam no meu apartamento. Eu os vi algumas vezes, mas não o bastante para conversar desde a noite da pizza. Foram sempre encontros rápidos, com ele entrando e saindo do seu apartamento. Eu sorrio levemente, mas nunca puxo uma conversa, e para minha surpresa ele apenas sorri de volta e vai embora.
- Oi, Jace. Como vai você? - eu pergunto, me virando para Bella, cujos olhos saltam. Jace é um homem muito atraente, com os músculos tonificados e os traços do rosto afiados. Eu sorrio sabendo disso.
- Estou bem. Como está indo a faculdade?
- Bem. Essa é a minha amiga Bella. Ela mora no prédio ao lado do nosso, - ele sorri educadamente para ela.
Olá, - para o meu total choque, seus olhos correm de volta para mim, não dando atenção a Bella. Meu primeiro pensamento é o que há de errado com ele e o segundo é droga. Eu olho para Bella, que dá de ombros, mas nenhuma palavra sai dos seus lábios.
- Você quer sair sábado à noite? Meus amigos e eu vamos a um bar, o Dixie's, e eu adoraria que você fosse com a gente. Bella, você também é bem-vinda.
Antes que as palavras saiam da minha boca, Bella responde por mim. - Nós adoraríamos. A que horas devemos nos encontrar?
Minha boca cai no chão e eu olho para seus lindos olhos azuis, querendo estrangulá-la. Seu sorriso só me deixa mais furiosa; ela sabia que eu ia recusar. Maldita seja.
Em vez de responder a ela, olho para o rosto triunfante de Jace. - Eu posso pegar vocês.
- Não, - eu balanço a cabeça. - Eu vou dirigir.
- Certo, certo. Às oito. Nos encontrem às oito.
- Vamos estar lá, - Bella diz. Jace sorri para Bella, mas não de um jeito quero dormir com você; é mais um sorriso de agradecimento.
- Eu tenho que ir. Vejo vocês no sábado, - ele sorri. - Ah, espere. Aqui está o meu número. Me ligue ou mande mensagem, - ele me entrega um papel com seu número e vai embora.
Eu rosno para Bella. - Que diabos foi isso?
- Ah, pare com isso. Ele obviamente está muito afim de você e você ia dizer não. Você precisa sair e conhecer pessoas. Droga, eu preciso sair e conhecer pessoas. Isso é perfeito, - ela sorri e eu quero arrancar isso do seu rosto.
Eu não contei a ela que estou grávida. Droga, eu não contei isso para ninguém, e sair para beber não é a minha ideia de diversão.
- Eu não estou interessada nele, Bella. Estou tirando um tempo dos homens, - um tempo muito grande, assim que eles descobrirem que estou prestes a ser mãe.
Você tem alguém na sua cidade? - Bella pergunta e eu arregalo os olhos. Nós conversamos um pouco sobre o clube e a minha vida lá, mas ela nunca me perguntou se eu tinha um homem e eu não sei se quero responder isso.
Um bebê ao longe começa a chorar e meus olhos se desviam para o som. Uma jovem mãe, um pouco mais velha do que eu, pega um pequeno bebê da sua cadeirinha no carro. O bebê está coberto de rosa dos pés à cabeça, e grita como uma alma penada. Eu observo com admiração quando a mãe entra com o bebê e abre um cobertor sobre a mesa. Ela começa a fazer uma mágica estranha em que enrola o bebê, prendendo suas mãos e pernas juntas. Quando ela termina, a garotinha parece um burrito, toda enrolada apertada. Seja lá qual foi a mágica da mãe, o bebê para de chorar na mesma hora.
A mãe a balança suavemente enquanto olha para a sua filha, o amor se derramando dos seus olhos. Meu coração aperta. Aperto a mão, não querendo colocá-la sobre a minha barriga em público, mas tudo em mim está gritando para sentir o bebê que carrego dentro de mim.
Eu vou fazer tudo no mundo por ele.
- Alô! - a voz de Bella estala, me trazendo de volta. - Onde você estava?
Levo alguns segundos antes de registrar suas palavras. - Estou aqui. Me desculpe.
- Então é óbvio que você tem um homem na sua cidade, - ela diz em tom de brincadeira.
- Eu tinha, mas não deu certo, - isso é um meio-termo.
- Me conte.
- Eu não falo sobre isso, mesmo, - eu olho para a minha xícara desejando que Bella deixe isso para lá, mas sei que ela não vai.
- Me conte, - seu tom é duro e absoluto.
Eu suspiro. - Seu nome é GT Eu sou apaixonada por ele desde que somos crianças, mas não deu certo. Agora eu estou aqui e ele está lá. É o melhor para todos.
E por quê isso?
Minha cabeça começa a doer e eu esfrego os olhos, soltando um suspiro profundo. - GT deixou bem claro que não quer nada comigo, - ou nada associado a mim. - Eu me recuso a implorar que ele me ame. Me recuso a cair aos seus pés. Eu não sou essa mulher. Foi escolha dele, e agora nós dois precisamos viver com as consequências.
- O que você está escondendo? - meus olhos encontram os dela, meus ombros endurecem e meu coração parece que vai sair do peito. Eu estou sem palavras. Minha boca abre, mas nada sai. De jeito nenhum ela tem como saber isso.
- Esqueça, - ela diz. - Olhe, seja lá quem for esse GT.. ele é um idiota. Não estou dizendo que você tem que namorar Jace. Vamos apenas sair e nos divertir.
Dou um suspiro de alívio e fecho os olhos por um momento, então os abro e encaro o olhar intenso de Bella. Sinto que ela está olhando através de mim, direto para as minhas mentiras. Mas eu não estou pronta para contar a ela.
- Eu vou, - minha voz sai mais trêmula do que previ, então limpo a garganta e repito o que disse rapidamente.
* * *
- Será que você poderia se apressar? - eu grito para Bella. Ela está no banheiro, "dando um jeito na cara" há pelo menos vinte minutos. Passei a semana toda com medo dessa noite, e pareceu que o tempo passou mais rápido do que o normal. Mas aqui estamos nós, e de jeito nenhum Bella vai me deixar fugir disso.
Marcamos de encontrar Jace e seus amigos daqui vinte minutos, mas com certeza vamos nos atrasar se ela não mexer esse traseiro.
- Estou indo, - ela diz enquanto caminha pelo corredor. Quando eu a vejo, longas cascatas de cabelo preto caem pelas suas costas, enquanto seus olhos estão escuros e incrivelmente tentadores. Seu jeans apertado com rasgos nos joelhos e um top roxo de faixas1 dão ainda mais destaque para a cor dos seus olhos.
Droga, garota. Você está gostosa! - Bella sorri e dá de ombros, como se não fosse nada.
- Assim como você, baby, - eu optei por uma roupa com menos amarrações, indo com uma calça jeans justa que abraçava cada curva dos meus quadris, bunda e pernas. Meu top azul marinho tem um decote baixo, levantando as minhas meninas ao mesmo tempo em que marca minha cintura. Alguns dias atrás eu pintei as pontas do meu cabelo de preto, enquanto o resto continuou loiro. Acho que ficou lindo. Fiz cachos nas pontas e ele cai pelas minhas costas, batendo na minha bunda. Também tirei um tempo meticuloso para fazer minha maquiagem, nem sei por quê. Coloco minhas botas, aquelas de salto alto que vêm até as coxas.
- Obrigada. Nós temos que ir, - eu digo, colocando meu gloss de cereja. Eu uso essa coisa há anos e não saio de casa sem ele.
No caminho até lá, Bella me fez rir tanto que eu achei que ia me mijar várias vezes. Ela falou de tudo, desde seus encontros sexuais no passado até o tamanho do pênis dos seus homens. Maldita garota. Meu bom humor muda meu estado de espírito.
Entramos no bar e a música é alta, a pista de dança vibrando. A multidão está começando a se formar enquanto caminhamos lá dentro. Eu não sou idiota. Posso sentir todos os olhos em nós enquanto vamos até o bar. Chegando lá, meus olhos encontram outros de cor chocolate e instantaneamente estudam as outras pessoas na mesa enquanto nos aproximamos.
Dois homens e duas mulheres se viram para nós enquanto Jace se levanta sorrindo. - Você veio, - seu sorriso contagiante se espalha pelo seu rosto.
- Eu disse a você que viria.
- Oi, Jace, - Bella diz parada ao meu lado, seu braço encostando no meu.
- Oi. Me deixe apresentar vocês, - ele se vira para a mesa. - Esse aqui é Alex, - o cabelo escuro de Alex está arrumado de forma perfeita, nem um fio fora do lugar. Parte de mim quer passar os dedos por ele, para bagunçá-lo. Eu sorrio ao pensar nisso. Seus olhos castanhos brilham com entusiasmo e, embora ele seja
atraente, é muito limpinho e me dá a impressão de ser meio metido, diferente de Jace. Eu sorrio e dou a ele um pequeno aceno.
- Esse é Jared, - Jared, por outro lado, é todo áspero. Seu longo cabelo castanho parece um pouco fora de lugar quando olho para Jace e Alex, mas combina com seu dono. Ele está usando uma camisa preta de mangas compridas e calça jeans, seu corpo é magro e musculoso. Mas é quando seus olhos encontram os meus que eu perco o ar. A intensidade deles vai um pouco além do esperado, mas eu consigo disfarçar e apenas sorrio.
Jace passa a mão no meu braço e eu paro de fazer contato visual com Jared. - E essa são as garotas. Joey está com Jared e Ella, com Alex, - a irritação no rosto das mulheres não passa despercebida, mas assim que Jace olha para elas, as duas escondem isso e colocam um sorriso cem por cento falso no rosto. Todas os meus apitos disparam como loucos. Eu definitivamente vou manter um olho nelas.
Ella é bonita, de um jeito muito garota perfeita que nunca vai ter tatuagens. Sua pele perfeita e o cabelo castanho claro só reforçam essa ideia. Joey, por outro lado, é totalmente falsa: unhas postiças, cílios postiços, silicone nos peitos. Seus olhos brilham de ódio e desdém, mas eu ainda não sei dizer por quê. Os olhos delas correm de cima a baixo por mim e Bella.
Eu endireito os ombros inadvertidamente. Essa mulher tem um problema, mas ela está louca se pensa em começar alguma merda comigo. Não estou apenas me protegendo, mas o meu bebê também.
- Sentem, por favor. Posso pegar algo para vocês beberem? - Jace pergunta, puxando cadeiras para longe da mesa.
- Sprite para mim, - eu digo olhando para Bella, seus olhos em mim, mas ela não está me julgando. Estive lendo várias revistas online sobre bebês e aprendi que eu não devo tomar cafeína, o que é um saco. Mas eu faço qualquer coisa pelo meu pequeno amendoim.
- Chope. Com colarinho, por favor, - Jace acena e vai para o bar para pegar as bebidas, voltando logo em seguida.
- Então, Casey, qual é a sua história? - Joey pergunta maliciosamente. Eu ignoro isso e acho estranho que ninguém na mesa, além de Bella, parece ter notado.
- Não há muito para contar, - eu digo a eles de onde eu sou e sobre o meu curso. Até falamos sobre como eu e Jace nos conhecemos, muita conversa fiada. Eu continuo a beber o Sprite enquanto Bella faz uma rápida recapitulação da sua vida.
- E a sua família, Casey? - Ella pergunta, e parece realmente interessada. Eu não sinto a malícia que senti com Joey. Flexiono os dedos, abrindo e fechando a mão. Bella lidou muito bem com o estilo de vida da minha família, mas não tenho certeza de como eles vão reagir.
- Eu não tenho nenhuma. Meu pai morreu há alguns anos e agora sou apenas eu, - eu o meu bebê.
Jace se vira para mim, chocado. - Você não tem mais ninguém?
- Não deixe ela te enganar. Casey tem todo um clube para cuidar dela, - eu me viro para Bella de boca aberta. Mas o que é isso?
A cabeça de Jace estala para mim, suas sobrancelhas levantadas. - Que clube?
Eu respiro fundo. - Meu pai, Bam, era parte do Ravage Motorcycle Club. Minha melhor amiga, Harlow, é uma old lady, mas eu não sou parte disso.
- O que diabos é uma old lady e por que alguém gostaria de ser chamado assim? - Joey estala e Ella balança a cabeça, enquanto Alex e Jared apenas ficam quietos e escutam. Eu realmente não queria ter essa conversa. Parece que, toda vez que eu explico isso, as pessoas ficam com a impressão de ser algo horrível, que ser a propriedade de alguém vai contra todo o código moral do mundo. Mas eu, particularmente, daria tudo para ser propriedade de GT Suspiro, afastando esses pensamentos.
- Ser uma old lady é um sinal de respeito. É o status mais elevado de uma mulher no clube. Não é um nome derrogatório e não há nada de negativo associado a ele. É uma honra ser uma old lady. Tem o mesmo peso e compromisso que ser a esposa de alguém.
- Você já foi uma old lady? - Ella pergunta.
- Não. Nunca. Se eu fosse uma old lady, meu homem estaria bem aqui ao meu lado, e todas as pessoas nesse bar saberiam exatamente a quem eu pertenço, - esse pensamento faz meu estômago apertar. Quem dera fosse assim.
- Você provavelmente sai por aí dando para todos os caras e é a vadia deles, - Joey ri, mas para o meu deslumbramento, toda a mesa se vira para ela e a encara.
- Mas que diabos há de errado com você, Joey? - Jace repreende.
O que a mesa não percebe é que essa é exatamente a merda que eu tive que lidar a vida toda. Uma das razões pela qual eu nunca quis ser uma das vadias do clube. - Ela não foi criada dentro de um clube. Está tudo bem, - eu aceno com a mão e olho diretamente para Joey.
- Eu não saio por aí transando todos os caras do clube. Número um, eu sou a filha de um membro e fui criada dentro dessa vida. Eu já vi coisas demais para algum dia fazer essa merda. Dois, você está falando do que nós chamamos de vadias do clube. São mulheres que estão lá e pulam na cama de um cara diferente a cada noite. Elas gostam disso.
- Mas quem iria querer fazer isso? - penso em GT A única razão pela qual eu estive na sua cama é porque eu era apaixonada por ele. Nada mais.
- Elas têm suas razões. Não sei qual é a de cada uma delas, mas vão de apenas querer ter um bom momento até desejar ser uma old lady e pensar que esse é o melhor caminho para chegar lá.
- Então isso é como uma gangue de motoqueiros?
Eu reviro os olhos.
- Não é uma gangue. É um clube, - ao longo dos anos, o termo gangue foi usado implacavelmente. Os irmãos sempre odiaram a palavra porque, em primeiro lugar, o Ravage é um clube de motoqueiros que amam montar e dirigir.
- Então...
Jace corta as palavras de Joey. - Já chega de falar do clube. Ela está se remexendo na cadeira. Ela não quer falar disso.
Percebo que estou, de fato, mexendo os quadris e paro imediatamente.
- Acho que precisamos de uma pausa. Você quer dançar? - Jace pergunta. De repente arrepios de frio correm pelo meu corpo e eu preciso desesperadamente de uma bebida. Agarro o canudo entre os lábios e começo a chupar, o líquido molhando a minha garganta. - É só uma dança. Nada demais.
Bella aperta meu braço e eu quero lhe dar uma cotovelada, mas me impeço. Deslizo lentamente para fora do assento. - Claro.
Jace pega minha mão e me leva para a pista de dança. Uma batida lenta enche o salão. Jace passa os braços ao redor da minha cintura, unindo seus dedos nas minhas costas. Não querendo que ele chegue muito perto, coloco as mãos nos seus ombros.
Por que de repente eu tenho a impressão de que estamos dançando como na maldita formatura do Ensino Médio? Não que eu tenha de fato feito isso.
- Me desculpe por isso, - olho para o rosto de Jace. Ele tem rugas marcando a testa e suas sobrancelhas estão unidas.
- Está tudo bem, - minha voz é suave comparada ao volume da música.
- Fico feliz por saber um pouco sobre você, - ele sorri.
Meus olhos se desviam, procurando por não sei o quê, apenas pulando de pessoa para pessoa no clube.
- Ei, - ele diz, puxando meu queixo. Encontro seu olhar. - Eu quero conhecer você. Eu gosto de você, Casey. Existe alguma coisa em você.
Eu puxo meu rosto para longe da sua mão. - Nós só podemos ser amigos.
- Eu ainda quero conhecer você, - ele ri e tudo que eu quero fazer é ir embora, ficar longe desse homem. Por alguma razão, ele está fazendo o meu interior se apertar, e eu não estou pronta ainda. Não estou pronta para dar mais um passo com outra pessoa, qualquer pessoa, e fazer ele acreditar que sim seria muita falta de caráter da minha parte. Além disso, se ele souber sobre o bebê, vai querer ficar o mais longe possível de mim.
Eu me afasto dele. - Eu realmente acho que está na hora de eu e Bella irmos embora. Obrigada pelo convite.
Jace pega o meu braço, não com força, mas firme. - Por favor, não vá.
- É melhor assim, - eu me viro e acho Bella no bar. Vou rapidamente até ela.
- Preciso ir embora agora. Se você não quiser, vai precisar achar outra carona.
- O há de errado? - ela diz com os olhos crescendo em pânico.
- Nada. Eu só preciso sair daqui.
- Isso não tem nada a ver com o homem atrás de você se aproximando de nós, não é?
Merda.
- Eu só preciso ir. Você vem ou não?
- Vamos lá.
Eu me viro quando Jace nos alcança. - Muito obrigada por tudo. Nós estamos indo embora.
- Casey. Eu sinto muito. Você não precisa ir embora.
- Sim. Eu preciso. Obrigada.
Eu agarro o braço de Bella e a puxo para fora do clube e até o meu carro. Ela não diz uma palavra até que estamos ali dentro, com as portas fechadas.
- Mas que diabos foi isso? - ela se vira no seu assento, me encarando.
- Bella, eu sei que ele gosta de mim. Eu sei. Mas eu não sinto o mesmo, e vai ser uma merda total deixar ele pensar o contrário.
- Eu entendo você. De verdade. Você gosta dele, mas há outra coisa aí. O que é? - ela me olha e eu quero contar. Quero dizer tudo a ela, então vou ter mais alguém para conversar além da médica que vi apenas uma vez. Mas não falo nada.
- Nada. Estou apenas cansada, - não é uma mentira total porque eu realmente estou exausta; só não quero admitir nada, pelo menos por enquanto.
* * *
UMA SEMANA E CINCO DIAS DEPOIS
Enquanto dirijo de volta para Sumner, uma sensação de calma toma conta de mim. E sei que é por apenas uma razão. Entrando no grande campo que tem lápides de pedra alinhadas de um lado a outro, estaciono o carro em um lugar vago sob um grande carvalho.
Caminhando entre o labirinto de sepulturas, meus olhos correm para a que estou procurando. Bam Alexander – Pai e Irmão. Sento na grama e encaro a lápide do meu pai, colocando a mão sobre a pedra fria. Fechando os olhos, eu deixo ir.
- Oi, pai. Você vai ser vovô, - eu sorrio. - Eu sei. Você não está feliz com isso, mas pai, eu estou. Eu amo esse pequeno amendoim dentro de mim. Todos os dias eu imagino como ele ou ela vai ser, como vai ser a sua personalidade. Eu leio para o bebê todas as noites, pai, assim como você tentava fazer comigo. Na verdade, só comecei com isso na semana passada, mas estou tentando, - solto um suspiro profundo. - Eu não quero que você fique decepcionado comigo. Estou com medo que você esteja. Nunca tive a intenção de acabar grávida, e eu deveria ter me cuidado melhor. Pai, eu ainda não contei para o GT, - eu não paro as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, não há porque fazer isso.
- Eu quero esperar para saber se é menino ou menina antes de contar para ele, - eu paro. - Bem, isso não é totalmente verdade. Eu quero fazer isso, mas também quero saber que posso fazer isso sozinha. Porque é assim que as coisas são, pai. Eu vou ser mãe solteira, assim como você foi pai solteiro. A vida é engraçada às vezes.
Eu arranco um punhado de grama da terra e começo a despedaçá-la lentamente, sentindo a suavidade entre os meus dedos. - Eu estou na faculdade, pai, assim como você queria. Ainda não sei como vou fazer para ir às aulas e cuidar do bebê, mas estou pensando nisso. Tenho uma boa amiga, Bella. Você ia gostar dela, pai, e estou pensando em pedir a sua ajuda. Ainda estou vendo como vai ficar a questão do meu emprego, mas tenho algum tempo, - me sinto um pouco atordoada com todo o meu divagar, mas preciso dizer isso a ele. Preciso dizer isso para alguém.
- Estou com cerca de onze semanas agora, e da última vez que fui ao médico ela disse que estava tudo muito bem. Fiquei de voltar em duas semanas, - respiro o ar quente da Geórgia, a umidade se prendendo à minha pele. - Queria que você estivesse aqui para me dar conselhos sobre como contar para GT Eu sei que ele vai ficar irritado comigo. Primeiro por estar grávida, embora ele tenha tanta responsabilidade por isso quanto eu, e depois por não ter contado logo para ele, - eu suspiro. - Pai. Estive dando duro desde que fui embora daqui para colocar minha cabeça no lugar. E acho que estou quase lá. Mas quando se trata dele, ainda sou aquela mesma garotinha apaixonada, pai, e eu odeio isso. Eu odeio isso.
- Ainda não contei a ninguém sobre o bebê, só para você. Nem mesmo para Harlow. Eu quero tanto fazer isso, pai. Mas ela tem uma nova vida agora, e eu não quero colocar mais isso nos seus ombros. Eu preciso tanto dela. Mesmo quando falamos ao telefone, a maior parte do tempo é ela falando e eu escutando. Tenho certeza que ela não faz por mal, mas acontece. E eu estou bem com isso.
- Eu vou deixar você orgulhoso, pai. Vou ser a melhor mãe do mundo. Vou contar para ele ou ela tudo sobre você. Eu sei que posso fazer isso, porque você fez. Eu te amo, pai.
Fico ali sentada por um bom tempo, curtindo o silêncio.
Eu não disse a Harlow que estava vindo para a cidade, porque ela teria insistido para eu ir vê-la, e eu não posso. Não posso olhar nos seus olhos e não contar sobre o bebê. Cada vez que falo com ela, fica mais difícil manter a boca fechada.
Durante minha viagem de volta a Cherry Vale, eu me recomponho. Sempre amei falar com meu pai, e isso é um grande alívio, mas me recuperar depois é sempre a parte mais difícil.
Chego no meu prédio e Jace está parado na porta da frente. Eu juro que parte de mim se pergunta se ele está me seguindo ou algo assim. Ele sempre parece saber onde eu vou estar. Desde que o vi no bar, ele me disse oi algumas dezenas de vezes e conversamos sobre nada em especial ocasionalmente. Ele até me trouxe o jantar umas duas vezes.
Maldito seja se ele não está ficando sob a minha pele.
Desço do carro e vou até a porta. - Oi. Como você está?
- Bem. Acabei de voltar de uma corrida. Onde você estava?
A pergunta inocente não me deixa surpresa como teria feito algumas semanas atrás. - Fui falar com o meu pai. Agora eu tenho que estudar. Pura diversão, - eu sorrio.
- Você precisa de ajuda?
- Nah. Mas obrigada.
* * *
UMA SEMANA DEPOIS
Eu tenho uma grande prova amanhã. Grande e de uma matéria que eu não consigo entender, estúpida civilização ocidental. Qual é o objetivo dessa aula? Eu sei que algumas pessoas provavelmente amam, mas não é para mim. Depois de três horas olhando para as minhas anotações e lendo esse livro, estou pronta para vomitar a maldita coisa. Só estou conseguindo gravar algumas pequenas partes, e preciso de um descanso.
Abro a geladeira e me chuto internamente por não ter ido ao mercado. Entre a faculdade e o trabalho, não tenho muito tempo, e não estou prestes a cortar o queijo velho que encontro na geladeira. Bella e eu temos feito corridas loucas para jantarmos juntas, e esse tem sido nosso único tempo juntas. Nós precisamos manter nossas notas e temos focado apenas nisso.
Meu estômago dói e se contrai. Eu me xingo mentalmente. Deveria cuidar melhor da minha alimentação, especialmente por causa do bebê. Tomo minhas vitaminas religiosamente, mas quando estou estudando todos os meus pensamentos sobre comida voam pela janela.
Pego minha carteira e as chaves e vou até à delicatessen na esquina comprar um sanduíche de peito de peru e pão de trigo, e o como enquanto caminho de volta para casa. O dia está lindo e ensolarado, o calor me acaricia como uma segunda pele.
Imagens minhas passeando com o meu pequeno correm pela minha mente, e excitação e felicidade me invadem. - Ei, o que é esse sorriso? - a voz de Jace vem do meu lado e me faz saltar. Ele está em uma das suas corridas, todo molhado de suor. Sua respiração está ofegante e ele puxa os fones de ouvido para podermos conversar.
- É que hoje está um dia lindo, - eu respondo, dando outra mordida e engolindo.
- Sim, está. Eu precisava sair para correr. Não posso deixar um lindo dia desses ser desperdiçado. Você se importa se eu te acompanhar no caminho de volta? - ele pergunta, ofegando.
- De jeito nenhum.
Enquanto caminhamos, eu continuo a comer, tentando acalmar a dor no meu estômago. Jace fala sobre as suas aulas e pergunta com interesse sobre as minhas. Nossa conversa é casual e flui naturalmente. Uma coisa que eu realmente aprendi a gostar em Jace é como é fácil falar com ele.
Bocejo, - De repente eu fiquei tão cansada. Acho que é de tanto estudar, - eu sorrio suavemente.
- Sem problemas. Eu tenho que ir tomar um banho, - ele sorri e vai para o seu apartamento.
Enquanto entro no meu, uma enorme onda de exaustão me invade. Eu me enrolo na cama sentindo as cobertas frias abraçarem meu corpo enquanto caio no sono.
* * *
Dor. Dor. Dor. Meu corpo se contorce à sua própria vontade, não sendo capaz de ficar confortável. Minha cama parece ser feita de um colchão de pedras em vez de ter a maciez de sempre. Tento acordar desse sonho horrível, dessa dor horrível. Mas não consigo.
Me balanço de um lado para o outro, tentando ficar confortável, mas é impossível. Estalo os olhos abertos e imediatamente sei que a dor não é um sonho. É uma contração forte no meu ventre, e minhas mãos se movem para apertar minha barriga. Eu rapidamente tiro as cobertas, mas não vejo nada de errado. Mas minha intuição está me dizendo que há algo errado, muito errado.
Eu me levanto lentamente, cada movimento adicionando mais dor à minha agonia interior. Além disso, estou quase paralisada de medo e, por sorte, consigo me mover até o banheiro. Puxando minha calcinha para baixo, vejo que ela está coberta de sangue. - Mas que diabos! - eu grito e o pânico me domina. Meu bebê.
O mais rápido que posso, tiro minha calça e a calcinha e pego meu telefone. Preciso achar Bella. Ela pode me ajudar. Ligo para o seu número, mas cai instantaneamente na caixa de mensagens. Uma cólica me acerta com tanta força que eu derrubo o telefone e ouço ele bater contra o chão. Eu me dobro e fico assim por alguns minutos, agarrando o balcão para não cair até que a dor diminui ligeiramente.
Devagar eu coloco roupas limpas, tentando imaginar como chegar ao hospital. Jace. Indo até meu telefone, eu grito quando a dor me atravessa, me fazendo cair de joelhos contra o azulejo do piso. Alcanço o telefone e ligo para Jace. Ele atende no primeiro toque. Graças.
- Essa é uma ótima surpresa. Você não está feliz por eu ter te dado o meu número? - eu não tenho tempo para os seus gracejos, então o corto abruptamente.
- Preciso que você venha aqui agora e me leve para o hospital. Estou grávida, 12 ou 13 semanas. Estou sangrando e com muita dor. Por favor, rápido, - eu peço a ele, lágrimas escorrendo pelo meu rosto quando percebo o que pode estar acontecendo agora. Antes que eu sequer termine de falar, escuto batidas altas na porta do meu apartamento.
Estou indo. Está um pouco difícil chegar na porta, - eu digo, juntando toda a força que tenho para levantar do chão. Seguro minha barriga e tento caminhar o mais rápido possível, mas não é rápido o suficiente quando cada passo envia tiros de dor pelo meu corpo.
- Leve o seu tempo e respire. Eu vou te levar para o hospital, - sua voz é calma e segura enquanto ele fala comigo através da porta. Mas eu sinto tudo, menos calma e segurança.
Destranco a porta e a abro. - Merda, - ele murmura, seus olhos se arregalando com pânico quando ele olha para o meu corpo. - Venha aqui, - ele me levanta em seus braços, me segura perto do seu corpo durante a viagem de elevador e me coloca dentro do seu carro. - Respire. Nós já estamos chegando.
Eu mordo o lábio para tentar não gritar, mas a dor é tão intensa, como nada que já senti antes, minhas cólicas multiplicadas por mil. Fecho os olhos e descanso a cabeça no assento, empurrando para baixo o máximo de dor que eu consigo. Jace não diz uma palavra, ele só dirige... rápido, mas tudo é um borrão para mim.
Entramos na emergência e eu digo rapidamente aos médicos e enfermeiras o máximo que posso, então eles começam a me checar da cabeça aos pés. Eles me colocam em uma maca e me levam para outro lugar, todo o tempo eu agarro a minha barriga com foça. O quarto em que eles me colocam é branco e frio, intravenosas são presas aos meus braços e grandes máquinas que fazem muitos barulhos são trazidas. Eles fazem Jace esperar do lado de fora do quarto, então eu estou totalmente sozinha.
As lágrimas escorrem incontrolavelmente pelo meu rosto. Eu sei que me bebê se foi. Lá no fundo, posso sentir que já o perdi.
Depois do que parecem horas, o médico coloca uma cadeira ao lado da minha cama e se senta próximo à minha cabeça. - Srta. Alexander, eu sinto muito, mas o bebê não sobreviveu. Nesse momento, ainda não sabemos as razões para você ter abortado, - soluços escapam da minha garganta; meu peito se aperta ao ponto que eu não consigo respirar. Eu me sinto sufocando... morrendo. - Preciso levar você para fazer um D&C. Isso é necessário para limpar o seu útero.
Não! - eu grito alto. - Você não vai tirar meu bebê de mim! - eu me afasto dele e tento levantar, mas os fios e tubos presos ao meu corpo me impedem. Eu começo a puxá-los em pânico, a sensação do plástico estranha para o meu toque.
O médico se levanta e agarra meus braços. - Srta. Alexander, se acalme. Nós temos que fazer esse procedimento, não há outra opção, - sua voz está tentando me acalmar, não sem efeito algum.
Eu olho para ele e o medo me domina, meus braços abraçando minha própria barriga. Eu nunca contei ao pai que o bebê existia, e agora ele se foi. Se foi, assim como o meu pai.
- Vou chamar a enfermeira para te dar algo para se acalmar, - eu continuo a encarar o homem, minha mente se tornando uma grande tela em branco, cheia de nada. Eu não tenho a motivação para pará-lo ou discutir mais com ele. Eu apenas não me importo. Meu bebê se foi, e eu não tenho nada.
* * *
- Eu sinto muito, Casey, - a voz de Jace sussurra no meu ouvido. Sinto sua mão esfregar o topo da minha e eu lentamente abro os olhos, a percepção do que acabou de acontecer me atingindo como um caminhão.
Eu puxo minha mão da dele, coloco as duas sobre o meu rosto e choro incontrolavelmente. Derramo toda a minha tristeza, frustração e raiva nas lágrimas que não param mais de vir. Eu apenas não consigo parar.
Sinto Jace ao meu lado, mas não o reconheço de fato. Eu não quero ele perto de mim agora. Eu não quero ninguém. Não preciso de ninguém.
A porta se abre, mas não me incomodo em olhar; em vez disso, faço meu melhor para me curvar em uma bola, tentando prender os pés no peito. A dor está ali, mas dessa vez é bem-vinda. Pelo menos eu consigo sentir alguma coisa.
Oh, meu Deus! - a voz de Bella vem de algum lugar perto e ela desliza sobre mim, meus olhos apenas vendo um borrão da sua forma quando eles ficam cheios d'água. - Eu sinto muito, baby. Queria que você tivesse me contado.
Eu continuo a chorar e minhas palavras saem cortadas. - Isso não importa. Ele se foi. Tudo se foi.
Bella se deita ao meu lado e me abraça enquanto eu continuo a soluçar.