Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Sedução
Sedução

Sedução

Autor:: renata medeirosM
Gênero: Romance
Nicholas é um dos CEO mais respeitados e temidos da cidade, aos trinta e cinco anos, leva uma vida recheada de mulheres, bebidas e muito trabalho. Amor não faz parte da sua realidade, pois a única mulher que entregou seu coração, foi embora com outro. Angel divide sua atenção entre o filho e seu trabalho de dançarina em um clube famoso. No passado, após flagrar uma traição, resolveu deixar tudo para trás, incluindo seu grande amor, aquele que mais a machucou. Vítimas de um mal-entendido esses dois corações machucados são colocados frente a frente e Nicholas precisará se redimir, afinal de contas, o amor falará mais alto que a raiva e o rancor.

Capítulo 1 Sedução

Sabe aquele dia que desejamos jogar o despertador na parede? Essa é minha vontade, mas aí lembro que não posso quebrar meu querido e único celular. Essa rotina está me matando, preciso urgentemente encontrar uma creche mais perto, sem condições de acordar todos os dias às cinco da manhã. Me forço a levantar da cama. Entro no banheiro e tomo um banho bem gelado, perfeito para despertar completamente. Opto por um vestido na altura do joelho e coloco uma jaqueta na bolsa, nunca se sabe quando o tempo pode esfriar e hoje passarei o dia fora, tenho três entrevistas de emprego.

Trabalho como dançarina em um clube muito famoso na cidade, essa foi a única oportunidade que encontrei quando fiquei sem dinheiro. Levava uma vida tecnicamente boa, um emprego dos sonhos e o namorado perfeito, pelo menos é o que eu achava, até retornar de uma viagem a trabalho e encontrar o Nicholas na cama com outra mulher. Dias depois recebi a visita da minha sogra, contei sobre a gravidez e ela queria me obrigar a abortar - a velha nunca aceitou meu relacionamento com o filho - , eu disse que não iria tirar o meu bebê, então recebi um cheque com uma quantia razoável e fui embora. Não queria que Nicholas tomasse o meu filho, e infelizmente era isso que poderia acontecer se ele soubesse. Como se já não bastasse ter me traído, quando jurava me amar. Decido parar de relembrar o passado, eu só me machuco lembrando dessas coisas. Preparo a mochila do Leon, colocando tudo que ele precisa para passar o dia na creche. Como tenho que estar no clube às sete da noite, deixo-o na casa da minha vizinha, ela toma conta dele e eu a ajudo financeiramente. Meu filho tem apenas três anos, não entende muita coisa, meu maior medo é de quando ele começar a perguntar e querer saber sobre o pai. Não queria que ele crescesse sem uma figura paterna, infelizmente as circunstâncias me levaram a tomar essas decisões. Tomo um café bem caprichado, não tenho tempo para cair doente, seria o meu fim. Com o relógio marcando seis e meia da manhã, e o coração apertado, caminho até o quarto para acordar o meu pequeno. Todos os dias é uma luta. - Está na hora de levantar, Leãozinho. ─ Deixo pequenos beijos por seu rosto. ─ Vamos filho, você não quer se atrasar para ver a tia Deborah, né? Resmunga algo incompreensível, virando para o outro lado. Esse menino não nega que seja meu filho, na gravidez tive muito sono, passava quase o dia inteiro dormindo. - Vamos, filho, mamãe não pode se atrasar. Antes de nos mudarmos eu tinha um emprego fixo e trabalhava na área que eu gostava, mas as oportunidades para uma mãe solo são muito difíceis, perdi as contas de quantas vezes recebi um não. A resposta era sempre a mesma, eles tinham receio de que o meu filho fosse atrapalhar. Sou formada em publicidade, deveriam levar em consideração meus conhecimentos e experiências, não o fato de ser mãe. Desde que saí da Califórnia, só mantive uma das minhas amizades, que é a Cameron. Duas vezes no ano ela vem nos visitar, ainda não tive coragem de conhecer sua casa, tenho medo de retornar para a cidade. Nicholas Coleman ficou ainda mais famoso, em diversas ocasiões o vi na televisão. Ele não mudou nada, exceto pelo novo corte de cabelo. Diferente dele, eu abandonei os cabelos loiros e adotei uma tonalidade preta, e os óculos de grau deram lugar a lentes de contato. - Mamã, quero ficar em casa ─ Leon fala, me trazendo de volta à realidade. Ele coloca um travesseiro no rosto, tentando escapar. - Filho, você sabe que se fosse em outro dia até que eu deixaria, mas tenho que sair, Leãozinho. ─ Bagunço seus grandes e volumosos cabelos castanhos, herança do pai. - Eu tô com sono ─ resmunga novamente, se recusando a levantar. - Eu também estou, mas isso não quer dizer que podemos renunciar às nossas responsabilidades. ─ Beijo sua testa de forma carinhosa. ─ Vamos logo para o banheiro, temos meia hora para você se arrumar, tomar café e sairmos. Mesmo contrariado, se levanta correndo e entra no banheiro. O acompanho e agradeço aos céus, hoje não precisei usar chantagem, já é um grande avanço. Termino de lhe dar banho, visto seu uniforme, penteio seus cabelos e seguimos para a cozinha. Enquanto ele toma café, confiro todos os documentos que irei precisar. Quase uma hora depois, estaciono o carro em frente à escola. Despeço-me do meu filho e sigo para o outro lado da cidade, rumo à minha primeira entrevista. O local estava razoavelmente cheio, estou confiante, tenho todas as qualificações necessárias, além da experiência. Um a um foi entrevistado, na minha vez, perguntaram sobre a minha faculdade, os locais onde trabalhei e fizeram a tão temida pergunta. Quando respondi que tinha um filho, dava para ver a decepção na expressão dos entrevistadores, eu soube que não passaria. Coloquei um sorriso no rosto e me desloquei para as outras duas entrevistas. Assim como a primeira, eu sei que não irei conseguir a vaga e me sinto bem frustrada por tudo isso. Desde quando ser mãe virou critério para avaliação em entrevista? Não vou enlouquecer por isso, tenho certeza de que algo melhor ainda virá. São quase cinco da tarde e percebo que não comi, como um lanche rápido e sigo para a escola do Leon. Cumprimento a professora e pego o meu filho, apesar da pouca idade, ele é bem-falante e vamos o caminho inteiro conversando. Peguei algumas roupas e comida e o levei para a casa da minha vizinha, nos despedimos e sigo para o clube. Hoje a noite é temática, os clientes gostam desse tipo de variedade. Cumprimento minhas colegas e entro no camarim, preciso vestir minha roupa de mulher gato. Trabalho bem a minha maquiagem, prendo meus cabelos e coloco novamente as minhas lentes de contato, não dá para dançar com óculos de grau. - Você está bem, Angel? ─ Brittany pergunta, sentando-se ao meu lado. Ela é uma das poucas que tenho mais intimidade. - O mesmo de sempre, cansada de passar por tantas entrevistas e sempre receber a mesma resposta. - Infelizmente essa é a sociedade que vivemos, falam tanto em oportunidades e na primeira oportunidade viram as costas. Sei que você não gosta, mas essa noite temos muitos homens ricos, aproveite para ganhar uma gorjeta a mais. - Você sabe que eu não vou para cama com cliente. Essa é uma das únicas regras que estabeleci, todo trabalho é digno, porém não me sentiria bem indo para a cama com um homem por dinheiro. Eu gosto de dançar, provocar, até deixo que toquem em algumas partes do meu corpo, mas esse é o limite. Esse é um dos clubes mais famosos da cidade, muitos figurões frequentam por causa da privacidade, eles sabem que nada sairá dessas paredes, mesmo sendo o mais repugnante, ninguém saberá. Todos os dias recebo muitas propostas, os valores são altos, resolveria quase todos os meus problemas. No entanto, ainda tenho princípios e não quero ir contra. - Eu sei muito bem, sabemos que não é necessário ir para a cama. Você é linda, muitos desses homens vêm aqui para lhe ver. Aproveite sua popularidade, e arranca algum dinheiro deles. ─ Pisca para mim, saindo em seguida. Diferente de mim, ela não se preocupa em dormir com os clientes. Britanny costuma dizer que está unindo o útil ao agradável, de certa forma não está errada. Nossa chefe aparece, informando que chegou o momento do grande espetáculo, uma a uma ocupa seu devido lugar e começam a dançar de maneira quente e bem sensual, prendendo a atenção de todos que estão presentes. Esses homens não conseguem disfarçar, o olhar de cobiça está estampado, o desejo é bem evidente também. Alguns deles chegam a ser nojentos, sim, essa é a definição. - E agora chegou o momento que sei que a grande maioria aguarda, nossa belíssima, gostosa e talentosa, Diablo. O rostinho é

de anjo, mas é quente como o inferno. ─ Todos aplaudem e sei que chegou o meu momento. Obviamente não podemos falar a nossa real identidade, por isso na época escolhi esse nome, para fazer um trocadilho com Angel. Coloco um sorriso no rosto e assumo uma nova identidade, deixando de lado a minha vida normal e às vezes sem graça. No palco eu consigo me entregar completamente, danço, faço uso do pole dance, e deixo que meu corpo sinta cada vibração da música que preenche o ambiente no momento. Abro mais um botão da minha roupa, e caminho vagarosamente entre as mesas. Danço mais um pouco, dando segmento ao meu número da noite. No caminho de volta ao centro, alguns homens se aproximam e colocam notas de dinheiro no cós da minha calça, agradeço e continuo sorrindo. Outra música começa e dessa vez eu retiro a parte de cima do meu figurino, ficando apenas com um top preto. - Gostosa! - Eu só queria uma mulher dessa na minha cama. - Acho que esta noite terei deliciosos sonhos. Esses são alguns dos comentários que eu escuto, não são ruins, já tive o desprazer de ouvir coisas mais desagradáveis. Danço por mais dez minutos e me retiro do palco, encerrando a primeira parte de uma noite de trabalho.

Capítulo 2 Sedução

Massageio as minhas têmporas, na falha tentativa de me acalmar. Estou cercado de pessoas incompetentes, não é possível que erros tão amadores possam ser cometidos pela nossa empresa a essa altura do campeonato. Não conquistamos um nome da noite para o dia, e não deixarei que manchem um legado que eu venho construindo ao longo desses anos.

- Eu preciso de uma explicação! Como vocês deixaram um projeto dessa magnitude na mão de um estagiário que não tinha nem dois meses dentro dessa merda de empresa? - Senhor Nicholas, estávamos tão ocupados com o projeto anterior que não nos atentamos a esse detalhe. Não é como se soubéssemos que ele iria fazer uma coisa dessas. Eu já cansei de falar para eles que não se deve confiar em absolutamente ninguém. Um moleque que tinha apenas um mês e meio na empresa, vendeu para um concorrente um dos nossos projetos, e o filho da puta teve audácia de lançar no mercado hoje, ou seja, três dias antes do nosso lançamento oficial do produto. É claro que temos meios de comprovar que nós somos detentores da ideia original, porém, antes de provar, toda essa merda já se espalhou na mídia e a confusão está instaurada e nós sairemos como copiadores. - Michael, nós trabalhamos juntos há quantos anos? - Sete anos, senhor. - A pessoa mais nova na sua equipe, quantos anos ela tem de empresa? - É o Chris, ele tem quatro anos. - Então me explique, por que vocês permitiram que um estagiário participasse das reuniões e tivesse acesso ao projeto? Eu sempre deixei bem claro o que deveria acontecer, a sua equipe é a mais antiga na empresa e a única que eu confio de olhos fechados, ou melhor, confiava. - Me desculpe, a gente vai dar um jeito de consertar a situação. - Não tenho a menor dúvida em relação a isso, se vocês não arrumarem uma maneira de abafar esse caso, eu mandarei todos embora. Eu obviamente não sou tão cruel a esse ponto, entretanto, preciso colocar um certo medo para que eles achem uma solução. Preciso resolver isso o mais breve possível, amanhã viajo a trabalho, mas antes disso farei uma visitinha a Aaron Rivera. Se ele pensa que deixarei isso passar em branco, certamente esqueceu quem é seu inimigo. Deixo todos quebrando a cabeça, informo para minha secretária que não voltarei hoje, e para só me ligar em caso de extrema emergência. Ou seja, algo que o vice-presidente ou um dos diretores não consigam resolver. Entro no meu carro e dirijo até o meu destino, estaciono no prédio onde sua empresa está localizada. Cumprimento o segurança e ele logo libera a minha entrada, não é como se fosse a primeira vez que apareço por aqui, esse maldito tem o prazer de atazanar minha vida. - O senhor Aaron te espera, pode entrar senhor, Nicholas ─ a secretária fala antes que eu consiga abrir a boca. Mais fácil e evita assunto desnecessário. - Nicholas, qual o motivo de sua ilustre presença? ─ Tenho vontade de socar a cara dele e arrancar seu maldito sorriso. Vou até o mini bar localizado no canto de sua sala e me sirvo com um pouco de whisky, preciso de álcool para controlar os meus ânimos. - Você não tem profissionais capacitados para criar suas ideias? Não acredito que viva em função da minha empresa, Aaron. O mercado automotivo é enorme, por que precisa ficar roubando os projetos dos concorrentes? - Nicholas, roubo é uma palavra muito forte. Alguém de dentro da Coleman veio até mim e ofereceu o produto, eu sou um empresário, não dispenso bons negócios. Ele fez a oferta e eu paguei, tão simples como dois mais dois são quatro. - Você sabia que o projeto tinha dono, não consegue ser honesto? ─ Sento-me à sua frente, encarando seu sorriso vitorioso. - Eu sou honesto. Para falar a verdade, te fiz um grande favor, é muito melhor estar nas minhas mãos do que na de outras pessoas. Nem todo mundo saberia aproveitar com maestria. Respiro fundo, controlando a vontade de jogar esse copo na cara dele. Sorrio e me levanto, apoio as duas mãos na mesa e digo: - Sinto que seus esforços no fim das contas não valerão de nada, você sabe que uma empresa do tamanho da minha, dispõe de diversas maneiras de comprovação. Nossos advogados já estão em ação, juro por Deus que arrancarei até suas calças com um processo. ─ Diminuo drasticamente o tom da minha voz. ─ Sua tentativa de ser melhor nunca dará certo. - Você se acha muito superior, Nicholas Coleman. - Não concordo, eu não me acho superior, eu tenho plena certeza de que sou muito melhor que você. A minha empresa não cresceu do dia para a noite, dei duro para alcançarmos o patamar que estamos, para chegar a um patife como você e querer as coisas com a maior facilidade. ─ Seu rosto está vermelho de raiva. Foda- se. ─ Eu não me importo, quer ficar com o projeto? Ok, ele é seu. O meu pessoal é mais capacitado que qualquer um neste país e num piscar de olhos eu terei um projeto melhor e desbancarei esse. - Um dia todo seu legado vai por água abaixo, e eu estarei aqui para aplaudir a sua queda. - Fico lisonjeado, mas a única coisa que teremos ligação, é no processo que moverei contra a sua empresa. Aguarde o contato do meu advogado, Aaron. Dou as costas e saio da sua sala, envio uma mensagem para minha equipe jurídica dando o aval para iniciar todo o processo necessário. Se ele pensa que sairá vitorioso, realmente não me conhece. Entro no meu carro e sigo para minha casa, preciso fazer as malas, acredito que eu devo ficar pouco mais de uma semana na cidade, tenho muitos assuntos para resolver. No caminho, paro em um semáforo e observo um casal, abraçados. Minha mente automaticamente vai para um dos poucos momentos de felicidade que eu tenho bem nítido na minha mente. Era uma tarde de domingo, e tinha trabalhado a semana inteira, precisava espairecer um pouco a mente, e Angel teve a ideia de fazer um piquenique no parque do centro da cidade, algo simples, porém, me marcou completamente. Passamos horas sentados sobre a grama, fiquei com a cabeça em seu colo, enquanto ela brincava com os meus cabelos. - Nic, me promete uma coisa? - O quê, anjo? ─ Puxo-a pela nuca, beijando seus lábios. - Que você nunca vai cortar o cabelo, eu o amo grande dessa forma. - Você promete nunca me deixar? - Sim, quero ficar ao seu lado até ficarmos bem velhinhos. Você vai precisar me aguentar por muito tempo. ─ Sorri, fazendo meu coração acelerar. Nunca pensei que alguém fosse despertar a minha atenção igual a Angel, eu amo essa mulher e por ela sou capaz de renunciar a qualquer coisa, até dos meus pais, que não aceitam muito o nosso relacionamento. O sinal vermelho desaparece e faço o mesmo com esses pensamentos idiotas. Angel não cumpriu com sua promessa, então a primeira coisa que fiz quando percebi que ela não voltaria, foi cortar o cabelo e adotar um corte mais curto e bem diferente do que passei anos acostumado. Chego ao meu condomínio, cumprimento o segurança e adentro, estacionando na minha vaga. Antes de chegar à entrada da minha casa, avisto Victória, um casinho sem muita importância. - O que faz aqui? ─ Não faço rodeios, vou direto ao assunto. - Nicholas, eu estava com saudades. É assim que me trata? ─ Sua voz é tão fina que me deixa irritado. - Não sei como entrou, mas saia pelo mesmo caminho. Não quero encontrá-la hoje, quando eu estiver afim, sei muito bem qual o número do seu celular ─ falo sem me dar o trabalho de parecer agradável. - Você não vai me convidar para entrar? Podemos aproveitar que já estou aqui, aposto que posso deixar sua noite bem prazerosa. ─ Passa a mão pelo meu peito e logo a afasto. - Victória, você entende nosso idioma com clareza, não me faça parecer mais grosso do que já estou sendo. Não quero nada contigo hoje, por favor, saia ou chamarei o segurança. Sem dar mais importância, entro, deixando a mulher com o rosto incrédulo. Não preciso parecer educado apenas para agradar as pessoas, tentei falar de uma maneira clara e não houve êxito. Dificilmente fico mais de duas vezes com a mesma mulher, com ela abri algumas exceções e pelo visto não estão sendo bem aproveitadas. Aquela maldita ainda ocupa espaço no meu peito, mesmo depois de quatro malditos anos. Me sirvo com uma bebida e tomo todo o líquido de uma só vez, arremessando o copo no espelho, partindo-o em pedaços. Não posso aceitar que ela tenha jogado todo o nosso amor no lixo, ou melhor, todas as juras eram falsas, já que foi embora com outro homem, sem se preocupar comigo. Se Angel aparecer na minha frente, sou capaz de esganá-la. Capítulo 3 Dez horas de carro foram suficientes para chegar nesta bendita cidade chamada Nayun, localizada no interior, então não existe outro meio de transporte a não ser pela estrada. Faz quase uma hora que cheguei no hotel, tomei um banho para relaxar os músculos e agora estou aguardando o jantar que pedi para trazerem no quarto. Não vim sozinho, trouxe uma equipe comigo, incluindo motorista, assistente, advogado e mais um pessoal do setor de criação. Pretendo fechar o contrato de compra de dois galpões, será o espaço perfeito para instalar uma nova fábrica. Somos uma empresa do setor automotivo, projetamos e produzimos automóveis, caminhões, motores, autopeças, entre outros. O projeto vendido para o Aaron era de um software para carros automáticos, uma promessa de revolucionar. Estou deixando que ele se sinta vitorioso, quando menos esperar tudo voltará ao seu devido lugar. Ou seja, eu liderando e sendo o melhor do meio. Escuto batidas na porta, minha comida chegou. Como tudo tranquilamente, enquanto mando alguns e-mails importantes. Recebi uma mensagem dos meus pais, eles devem retornar ao país no próximo mês, estavam passando uma temporada na Inglaterra. Confesso que foram os melhores dias da minha vida, minha mãe sabe como ser chata e ela estava no pé com uma história doida de casamento. Não adianta, não tem quem me faça casar ou me relacionar novamente com uma mulher, elas não prestam. Meu celular começa a tocar, vejo o nome do Kalel no visor. - Nicholas, fiquei sabendo que você está na minha cidade. Você está proibido de ir embora sem beber alguma coisa comigo. - Não sei se terei tempo. ─ Sou sincero, afinal de contas meu objetivo aqui é unicamente profissional. - Quanto tempo não nos vemos? Não seja tão carrancudo, tem um clube bem frequentado aqui na cidade, muita mulher bonita para você escolher. Vamos lá na sexta-feira. ─ Sua animação não me contagia, mas ele sempre foi assim. Nos conhecemos na faculdade, Kalel é uma das poucas pessoas que posso chamar de amigo, apesar da distância entre nós. Assim que nos formamos ele veio morar neste fim de mundo, iria assumir os negócios da família, por conta disso conversamos esporadicamente. - Tudo bem, mande o endereço, combinamos o horário no decorrer da semana. Ficarei na cidade pelos próximos dez dias. - Perfeito, meu amigo. Nos vemos em breve. ─ Encerra a ligação. Jogo o celular na cama e decido me concentrar no que é realmente importante, em poucas horas terei a primeira reunião do dia e preciso estar preparado para convencer os nossos possíveis compradores. Recebi uma mensagem dos meus advogados, informando que todo o material necessário para dar início ao processo contra a empresa do Aaron está pronto. Amanhã começarão todos os trâmites legais e estou louco para ver aquele sorriso de merda indo embora. O garoto que vendeu o projeto também será processado, irei lhe dar uma lição e estou pouco me fodendo que isso vai manchar sua carreira que ainda nem começou. Ninguém atrapalha os meus planos e fica por isso mesmo. Minha semana passou extremamente corrida, as reuniões duraram mais tempo do que eu esperava, tomando praticamente todos os meus dias. Quando chegava no hotel, só tinha tempo de cair na cama, devido ao tamanho cansaço. A princípio, pensei em negar o convite do Kalel, mas lembrei que estou precisando de descanso e diversão, quem sabe não encontro uma companhia realmente agradável para passar a noite. O ambiente é realmente agradável, fica localizado em uma rua discreta, apesar da fachada simples, é bem luxuoso. Dou meu nome para a recepcionista e ela me encaminha para a mesa do meu amigo, felizmente tem uma visão privilegiada do palco. - Nicholas, por um momento pensei que não fosse aparecer, meu amigo. ─ Se levanta, me cumprimentando com um abraço. - Realmente não viria, talvez a possibilidade de encontrar uma bela mulher tenha resolvido as coisas. - O que está achando da cidade? ─ Me serve um pouco de whisky. - Não é tão ruim, foi difícil chegar por conta da estrada, porém, o ambiente é agradável. Espero que as dançarinas sejam tão boas quanto você me prometeu. Dou um gole na minha bebida, sentindo o líquido descer queimando em minha garganta. A música para e um rapaz sobe no palco, ele dá início às apresentações e os homens vão à loucura, me deixando confuso. É apenas um grupo de mulheres dançando. Elas aparecem com roupas bem sensuais e dão início ao número, fazendo uma performance com o auxílio de uma cadeira. Caminhando na direção da plateia, elas passeiam entre as mesas e os homens colocam dinheiro em suas roupas. - É um clube exclusivo de dança, ou outros serviços também são oferecidos? - Se você quer saber se pode dormir com as dançarinas, sim, algumas estendem o serviço escuto uma batida na porta. - Entre. Agora saberei se ela faz jus ao nome, talvez precise ir ao inferno me queimar.

Capítulo 3 Sedução

Não sei por que continua insistindo nesse assunto, eu sempre deixei bem claro que não sou garota de programa. Não irei atender a esse pedido, Vargas. Eu já recebi diversas propostas, de uma certa forma me acostumei com isso, mas dessa vez é diferente, não sei o que essa pessoa prometeu ao Vargas para ele estar tão disposto a me convencer. O problema nunca foi dinheiro, todos estão cansados de saber. - Você não está entendendo, Angel. Tem muito dinheiro envolvido, é uma oportunidade para você e o clube.

- Então eu preciso me vender? É isso que você está dizendo? - Esse cliente está disposto a tudo, você é mulher, deve saber como enrolar um homem. Não precisa dormir com ele, apenas vá até o quarto ─ fala com um tom de voz autoritário. - Não irei! ─ falo decidida, não quebrarei minha regra. - Então procure um emprego, lembre-se que fomos nós que lhe demos uma oportunidade. Acho pouco provável você encontrar outro. Não posso acreditar no que estou escutando, como esse filho da puta ousa me ameaçar dessa forma? Infelizmente não posso me dar o luxo de perder esse emprego, é daqui que tiro o dinheiro do meu aluguel e da alimentação do meu filho. Droga, o que vou fazer? - Ok. ─ É a única coisa que sai da minha boca. - Perfeito, pode ir até o quarto 1050, ele está à sua espera. Contrariada, confiro minha aparência e sigo para o andar superior, o qual nunca havia pisado em três anos de trabalho. Encontro algumas meninas no caminho, a expressão de choque no rosto delas é evidente, apenas dou de ombros e sigo. Espero ao menos que esse homem não seja um velho barrigudo, seria humilhação demais para uma pessoa. Bato na porta e aguardo sua resposta. - Entre! ─ Todo o meu corpo se arrepia neste momento, sua voz se assemelha muito com a do Nic, ou melhor, Nicholas. Respiro fundo e entro, fechando a porta em seguida e me apoiando nela. Levanto o olhar, se eu não estivesse encostada, certamente cairia no chão. Meu coração começa a bater de maneira descompassada, minhas mãos estão suando e sinto que o sangue fugiu do meu rosto. Nicholas Coleman. Sentado na cama, com a camisa dobrada até o cotovelo e alguns botões abertos, seus olhos encontram os meus, não deixando dúvidas de que ele realmente está na minha frente. Como? Onde eu estava com a cabeça que não o vi na plateia? Será que ele sabe que sou eu? - Não precisa ficar com medo, não irei te machucar, Diablo. ─ Sua voz rouca me causa um frio na espinha. ─ Venha, sente-se ao meu lado. Tento andar e minhas malditas pernas não me obedecem. Conto mentalmente até dez, não posso continuar parecendo uma garotinha indefesa. - Por que queria tanto minha companhia? Você gastou muito dinheiro para passar a noite com uma desconhecida. ─ Agradeço por estar com um leve resfriado, ele mudou a minha voz. - Queria confirmar algumas coisas. Como se estivesse prestes a devorar uma presa, caminha em minha direção, sem desviar os olhos dos meus. Ele está mais lindo do que na televisão, esse corte realmente lhe caiu bem. O maldito é lindo, não posso negar. Pena que é um traidor. - O quê? ─ Quase não consigo falar por conta de sua aproximação. Sem o menor aviso, afasta o meu cabelo e beija o meu pescoço, em seguida parece inalar o meu perfume, deixando todo o meu corpo arrepiado. Suas mãos seguram firmes em minha cintura, me trazendo para mais perto. Não sei como agir, se eu me afastar posso colocar tudo a perder e ser descoberta. Nicholas segura em minha nuca e cola nossos lábios, ficamos assim por alguns segundos, até que sua língua pede passagem e me permito ser comandada pela emoção do momento. O contato é quente, e ao mesmo tempo, delicado. Suga meu lábio inferior e sem que eu perceba, um gemido escapa da minha boca. Nic sorri entre o beijo e lembro de todas as vezes que ele fez isso quando estávamos juntos, eu amava esses pequenos momentos. - Minha intuição tinha razão ─ fala assim que nos afastamos e fico em alerta. - Em que sentido? - Você faz jus ao nome, é quente como o inferno e foi capaz de me deixar louco com apenas um beijo. ─ Pega minha mão e leva até sua calça, onde sinto o volume. ─ Não irei te forçar a nada, afinal de contas sei que não costuma dormir com clientes. - Se você sabe, por que insistiu tanto? - Porque sempre... sempre consigo o que quero. ─ Sorri de canto, me puxando até o banheiro. Maldito, filho de uma mãe! Sem dizer uma palavra, retira a camisa, evidenciando seu abdômen bem definido. Tira a calça e leva a cueca junto, tento não olhar. Ele sabe que é gostoso e abusa desse malefício. Me vira para ficar de costas, abre o zíper da minha roupa, que cai no chão e fico apenas de calcinha à sua frente. Sinto beijos serem depositados em minhas costas, ao mesmo tempo que aperta um dos meus seios, antes cabiam perfeitamente em suas mãos, depois da gravidez, tem o dobro do tamanho. - Você é tão cheirosa, tem uma pele macia e delicada. Me lembra muito... ─ Não conclui a frase e ouso perguntar: - Te lembra quem? - Ninguém importante, vamos continuar o que realmente importa. Entramos no box e a água quente cai sobre os nossos corpos, evito encará-lo por muito tempo, tenho medo de que possa me reconhecer. Rodeio os braços em volta de seu pescoço e tomo a iniciativa de beijá-lo. Apesar do que me fez, meu corpo ainda reage ao seu e desejo ser tocada por ele. Afinal de contas, isso não voltará a se repetir. Com a mão livre, estimulo o seu membro, que está cada vez mais rígido. Nicholas fala algumas palavras totalmente incompreensíveis, e sorrio com o resultado. Nesse momento, suas mãos passeiam incontrolavelmente pelo meu corpo, ele está tão desejoso quanto eu e acredito que as preliminares sejam totalmente dispensáveis. - Valeu a pena cada centavo gasto com você, Diablo, fico feliz de ser o primeiro a experimentá-la. Não vai me dizer seu nome? - Diablo. - Seu nome verdadeiro. - Nós nunca voltaremos a nos encontrar, não é necessário saber nossos nomes. Nunca o vi por aqui, então aposto que em breve voltará para a sua cidade. - Você tem razão em uma parte, porém, talvez voltemos a nos encontrar. - Você fala demais. O puxo para mais perto e selo nossos lábios, conversar demais é extremamente perigoso. Nicholas é inteligente, temo que uma hora me reconheça e o momento não é propício para isso. Ele me traiu e não teve a decência de me procurar, mandar uma mensagem. Nada, simplesmente agiu como se eu fosse a culpada. A atmosfera neste espaço pequeno fica ainda mais quente, Nic enrola meus cabelos em sua mão e me prensa na parede, de costas para ele. Sua mão livre estimula meu clitóris, introduzindo dois dedos dentro de mim. Um movimento de vai e vem começa, deixando todo o meu corpo em alerta. O contraste de seu corpo quente e a parede gelada é assustadoramente delicioso. - Vou entrar em você, Anjo. ─ Meu corpo gela na hora. - Do que me chamou? ─ Tento não transparecer o nervosismo em minha voz. - Anjo, é mais adequado que Diablo. Respiro aliviada, apesar de essa ser a forma que ele me chamava, acredito que tenha sido uma escolha aleatória. Além do mais, muitos clientes se referem a mim dessa forma. Sinto seu membro na minha entrada, ele brinca um pouco, antes de me preencher completamente. Seus movimentos são calculados e bem devagar, me fazendo ansiar por um pouco de velocidade. Antes de conseguir protestar, Nic se movimenta cada vez mais rápido e se torna impossível controlar os gemidos que escapam dos meus lábios. - Huumm... ─ Suas mãos apertam firmemente os meus seios. - Você é gostosa e tão apertada, Anjo. Eu sinto como se estivesse enferrujada, desde que nos separamos, essa é a primeira vez que transo com alguém. Meu corpo precisava disso, sou mulher e tenho as minhas necessidades. Ele sai de dentro de mim e me vira, prendo as pernas em volta de sua cintura e ele volta a me preencher. Seus olhos estão fixos nos meus, não sustento e desvio o olhar. Ele está tornando tudo mais difícil. - Seus olhos são lindos. - Humm. Não consigo formar uma resposta, sinto o orgasmo cada vez mais perto e isso me impossibilita de raciocinar. Beijo-o novamente e ele intensifica os movimentos, apenas o barulho dos nossos corpos se encontrando podem ser escutados no momento. - E-eeuu... - Shiu, só se entregue, Anjo. Sua voz funciona como um gatilho e sinto ondas de prazer percorrendo o meu corpo. Me agarro ainda mais a ele, que não demora a se liberar. Com o coração acelerado e a respiração forte, ficamos abraçados, até minha ficha cair e me afasto. Com um sorriso de canto, retira a camisinha, jogando no lixo em seguida. Não sei o que falar, então apenas fico em silêncio. Deixo que a água do chuveiro leve embora todos os resquícios do que acabamos de fazer, se possível apagar também da minha mente. - Ainda não acabei com você, descanse, ainda teremos um segundo round. - Não posso dormir fora de casa, tenho responsabilidades. - Tudo bem, são dez da noite, ainda podemos aproveitar um pouco. Pega um sabão e ensaboa o meu corpo, deixando beijos no pescoço, me deixando louca a cada toque de suas mãos. Enquanto minha mente não consegue esquecer a traição do Nicholas, minha pele parece ter esquecido completamente, pois a cada segundo anseio mais e mais por seu toque.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022