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Sedução em Verona

Sedução em Verona

Autor:: AnneVaz
Gênero: Romance
No frio norte da Rússia, Andy Collins, uma ex-espiã com uma vida de segredos, é forçada a abandonar sua identidade após uma missão perigosa. Decidida a escapar do passado, ela se reinventa como Laura Miller, uma mulher em busca de paz. Fixando residência em Verona, Itália, aceita o papel de babá de Vittorio. Longe das tramas de espionagem e tiroteios, Laura, inicialmente alheia à profissão de seu empregador, mergulha de cabeça no cuidado de Vittorio. Enquanto o vínculo entre a babá e a criança se fortalece, as sombras do passado de Andy começam a desaparecer, dando lugar a uma nova vida cheia de afeto e simplicidade. Contudo, quando o Don italiano da mansão começa a notar a transformação emocional de seu filho, uma atração sutil se desenvolve entre Laura e o enigmático homem. Com o coração antes treinado para evitar vínculos, Laura se vê envolvida em um dilema entre seu passado e a possibilidade de um novo começo. Uma história cativante de redenção, amor e a descoberta de uma vida além das sombras da espionagem.

Capítulo 1 01 - Prólogo

Bianca Collins

- Eles devem estar do outro lado, Angelina. - Digo para minha parceira e irmã.

Olhávamos a movimentação em um velho hangar aeronáutico, de longe camufladas no meio da neve que caia sem parar, avistávamos que a inteligência da SISU estava certa, eles estavam vendendo armas, faltava apenas saber quem eram eles.

Minha irmã é a oficial superior nessa missão, ela decide se arrastar no meio da neve e tentar fazer um melhor reconhecimento, não tínhamos ordens de interferir nas negociações, apenas deveríamos investigar quem são os responsáveis pela venda e a compra desse carregamento.

Nossa missão era apenas reconhecimento, mas se depender de Angelina, ela vai acabar entregando o carregamento para o nosso comando, um diretor da SISU que não me passa tanta confiança assim. Com a visão noturna monitoro os principais alvos que poderiam ver a minha irmã se aproximando deles se prestassem um pouco mais de atenção.

Por mais que sejamos altamente treinadas desde a infância quando fomos recrutadas em um orfanato da Sicília. Estou em pânico que algo aconteça a minha única parente, sei que não devemos demonstrar qualquer tipo de emoção em uma missão. Mas minha irmã é meu ponto fraco, sem ela desmorono e estaria sem chão.

- Angel, alvo se aproximando pela sua esquerda. - Digo em meu comunicador.

Sinto uma aflição ao notar que um homem em um casaco pesado de frio estava a menos de cinquenta metros de minha irmã.

"Se esconda"

Ouço o comunicador ficando no mudo, mantenho os olhos atentos a cena que se desenrolava a dada distância, minha irmã coberta com um pouco de neve atrás de um pequeno arbusto, observo o homem abrir o zíper e mirar no arbusto para mijar, saco a minha pistola e o silenciador, miro em sua cabeça caso seja necessário proteger a minha irmã.

Minha respiração se acelera observando enquanto ele olhava com desconfiança para o monte de neve que cobria o corpo de minha irmã, respiro fundo quando a atenção daquele homem muda e ele olha na direção oposta. Surge outro idiota do hangar e se aproxima.

Não consigo ouvir o que eles estavam falando, mas relaxo ao perceber que ele começavam a se afastar.

Deito a cabeça na neve e respiro aliviada, minha irmã estava segura.

Mas o som oco, me assusta e vejo a fumaça saindo do cano da pistola, observo o corpo inerte no meio da neve, a raiva e o desespero começam a me assolar, sinto o desejo ardente de ir até onde estavam e matar cada um por matarem a minha irmã.

Não posso deixar a dor de ver Angel sem vida tumultuar a minha mente, preciso sair daqui antes que seja pega e morta, tenho que levar as informações para nossos superiores. Pelo binóculo via que eles estava olhando para todos os lados procurando mais alguém, por sorte eles não olharam em minha direção.

Pela movimentação deles e direção ao hangar deveriam estar saindo dali, não consigo ter uma visão boa do assassino de Angel, mas tenho certeza que o encontrarei e o matarei sem piedade.

- Te prometo Angel. - Digo olhando para o seu corpo sem vida no meio da poça de sangue que manchava a neve.

Era apenas mais uma missão para a Sisu, mas ao retornar para a Escócia, onde fica um pequeno anexo da verdadeira identidade da SISU e me apresentar aos nossos superiores, houve divergências nas informações que coletamos e o que eles haviam criptografado. Houve desconfiança e muitos questionamentos sobre as motivações de minha irmã se aproximar dos alvos. Já que aquela não era a nossa missão.

- Precisa se apresentar em Moscou, senhor Saveli exigiu a sua presença. - Meu superior diz me olhando com desdém.

Via no olhar de cada um deles dentro daquela sala de interrogatório que não acreditavam em nada do que havia dito. Então o pensamento que Angel sempre externou veio em minha mente enquanto entregava as minhas credenciais.

"Serviremos apenas até quando formos convenientes a eles, depois seremos descartadas como lixo que precisa ser destruído"

Recordo e entrego a minha pistola para o superior que tinha ar de deboche, o que me deixou ainda mais intrigada com tudo aquilo.

Sabia que assim que colocasse meus pés para fora daquele prédio seria um alvo. Que me caçaram por ter me aproximado de algo que não deveria, a sensação que tenho é que meus superiores sabiam muito bem o que estava acontecendo na Rússia naquela noite.

E para a minha tristeza, minha irmã quis mostrar o porquê ela era muito competente e sempre era a escolhida para as várias missões que fazia. Angela queria entregar bons resultados para o comando, infelizmente ela perdeu a sua vida com isso.

Sair daquele prédio foi praticamente um prelúdio do que seria a minha vida se não colocasse em prática tudo o que aprendi com eles nos vinte anos que vivo nos muros da SISU sendo treinada para ser uma arma mortal.

Assim que escapo de um atropelamento, deixo o nome Bianca Collins para trás, com a ajuda de um amigo que ajudei algum tempo e me tornei Laura Miller, uma mulher desempregada fugindo de um ex-companheiro violento.

Foram várias tentativas de me matar e por destreza e sagacidade consegui escapar de todos os que me perseguiram.

"Laura consegui uma informação para você!"

Um dos meus informantes mais confiável ligou para o telefone descartável que tinha.

- Diga! - Falo olhando para a paisagem em Bruxelas.

A neve caia salpicando o chão deixando um ar romântico pela cidade.

"Encontrei uma informação sobre um possível comprador daquela noite"

Ele diz e me afasto da janela para prestar atenção ao que ele falava.

"Verona, Itália, peguei apenas isso, mas acho que seja o Don daquela região que estava lá naquela noite"

- Obrigado Jon, fico te devendo essa!

O telefone é desligado tão rápido quanto jogo o que estava em minha mão no chão e o destruo para evitar que seja encontrada. Tenho uma ideia em mente, chegou a hora de enfrentar aqueles que estavam no hangar naquela noite.

Não sei ainda, do que me aproximei, mas descobrirei e vigarei a morte de minha irmã.

Capítulo 2 01 - Laura Miller

Laura Miller

- Sinto muito, você não tem qualificação para nenhuma de nossas vagas. - A recrutadora diz com meu curriculum em suas mãos.

Mais uma vez não consigo um emprego sequer para me aproximar. Estou começando a ficar frustrada por não conseguir o que desejo.

Assim que consegui sair da Escócia fui perseguida por vários lugares, precisei trocar de nome e vida. Estava começando a ficar sem muitas opções, o dinheiro que tinha ainda comigo já estava acabando e se não conseguisse nada logo, precisaria a recorrer a meios que não desejava.

Não quero ser uma mercenária, mesmo que deseje o coração daquele filha da puta com o casaco azul. Engulo a irritação pela negativa da mulher a minha frente, com o desejo de enfiar a minha mão em sua cara e deixar claro o quão sou capacitada para trabalhar no que for que ela tiver separado para aquela seleção.

Continuo irritada com os pensamentos circulando a cada treino que precisei suportar, para vir uma mulherzinha e me dizer que me falta capacitação? Olho para a mulher com um vestido floral deixando o busto praticamente exposto e com o meu melhor sorriso irônico, se pudesse dizer o quanto fui muito bem instruída, mas percebo que nada daquilo me será de serventia, pelo menos não em um emprego comum.

Sorrio com uma falsa alegria e levanto para sair do prédio simples, onde havia tentando uma oportunidade de emprego para conseguir me aproximar do meu alvo. Seguro a bolsa que estava apenas o meu básico, o pouco de dinheiro que tinha minha nova identidade. Laura Miller, nascida em um orfanato na Sérvia e que com a maioridade não pode continuar morando lá, sem familiares e sem passado, algo simples para não chamar atenção.

Assim que saio do prédio, o sol em Verona estava terrivelmente quente para essa época do ano. Olho ao redor e havia um parque e decido ir espairecer um pouco, caminho em direção ao parque não muito longe de onde é o prédio de recrutamento. Ele é lindo, via os vários casais sentados aproveitando o dia para um momento de lazer.

Naquele momento observando a todos me sinto incompleta, sentia falta de Angela, mesmo que fosse para treinar ou apenas para ver como nunca iriamos aproveitar o tempo como pessoas normais, já que nossa vida foi cercada por armas, treinos, surras, torturas físicas e psicológicas. Deixo mais uma lágrima escorrer ao lembrar de como a minha irmã sempre foi a mais corajosa, por isso ganhou mais destaque e conquistou um cargo.

Sento em um banco um pouco mais afastado, com a vista de uma deslumbrante de uma pequena mansão em tons de azul, com uma árvore na entrada e um garoto recolhendo algo no chão, noto que ele não estava sozinho ali, havia vários seguranças provavelmente para impedir que ele saísse do lugar sem que ninguém percebesse.

- Menino insolente... - Uma mulher surge do nada e o segura pelo braço.

Continuo olhando para a cena que se desenrolava entre a mulher e a criança, fico incomodada como ela estava tratando o menino que olhava assustado. Talvez a mulher seja uma tia ou até mesmo uma madrasta.

Noto que alguns seguranças que olham a cena parece não se importar com o que estava acontecendo. O que faz com que acredite realmente que ela é alguma parente para falar com ele daquela forma. Continuo observando a mulher que continuava puxando o garoto de qualquer jeito em direção à casa, aquela cena começa a me incomodar por algum motivo. Tenho vontade de ir até onde ele estava e tentar protegê-lo daquela situação da mesma forma como Angel sempre me protegeu.

Sorrio quando em um momento de distração daquela mulher ele consegue derrubá-la no chão e sorrio da infelicidade da desconhecida, não consigo evitar e começo a rir da travessura que o menino apronta. Coloco a mão na boca para esconder a risada, olho ao redor e percebo que sou a única interessada no que está acontecendo.

Fico surpresa que em seis meses é a primeira vez que consigo rir de algo tão bobo como um menino que foi mais esperto que uma mulher adulta, que pela sua fisionomia deveria ser mais velha do que sou. Mantenho os olhos filhos naquela mulher que começava a reclamar enquanto se erguia do chão.

Mas minha atenção muda de foco com o barulho alto de uma chamada em meu celular, estranho já que esse número dei apenas para agência de emprego, abro a bolsa e procuro o aparelho escandaloso, assim que consigo pegar o aparelho olho para o visor, mas não reconheço o número. Talvez seja outra tentativa de me aproximar.

Me assusto quando o menino travesso se joga em meu colo, com o impacto de seu corpo contra o meu acabo deixando o meu telefone cair no chão, que se espatifa completamente, olho irritada para o menino que agora estava com um olhar totalmente diferente do que havia visto há poucos segundos.

- Por favor, me ajude, ela é má comigo... - Ele diz assustado.

Antes que ele terminasse, a mulher surge acompanhada de um homem enorme atrás dela.

- Sinto muito, não posso te ajudar. - Digo e observo todo o drama que o menino faz ali na minha frente.

O vejo tentar se esconder atrás de mim, procurando uma forma de se proteger da mulher que vinha com a roupa suja de algo que não faço ideia do que seja, o olhar irritado dela para o menino chega a ser cômico.

Como ela conseguiu deixar que um garoto desse tamanho a driblasse dessa forma, a deixando com cara de idiota. Enquanto ela tenta puxar o menino que estava atrás de mim, sem a interferência daquele homem, de uma forma sutil impedia que ela tocasse no garoto. Por mais que o menino seja travesso, ela como adulta não deve perder a compostura e a paciência com ele.

- Chega me demito! - Ela grita e arremessa o avental que estava usando aos meus pés. - Não suporto mais esse garoto!

Olho para o segurança que esfrega a mão no rosto e se irrita com o menino, que estava sentado agora ao meu lado com os olhar cheio de lágrimas. Por alguma razão sentia que ele estava fingindo toda aquela reação.

Vejo a mulher se afastar e nesse momento fico sem saber o que fazer, durante meus anos de trabalho nunca precisei lidar com uma criança. Respiro fundo e me abaixo para pegar o celular, olho com atenção para a tela completamente trincada.

- Ótimo! - Exclamo irritada.

O pensamento me irrita o suficiente para olhar feio para os dois que estavam me olhando.

Pego o garoto pelo mão, levanto do banco e caminho em direção ao troglodita que estava agora na minha frente.

- Precisa contratar uma tutora melhor e melhorar a segurança da casa, já que ele saiu facilmente. - Digo irritada olhando para aquele homem que me causava um sentimento de autopreservação.

Entrego o garoto para o homem e saio pisando duro, estava extremamente irritada com a situação, mal tenho dinheiro para viver até o fim da semana, agora sem telefone como conseguirei um emprego e continuar a minha investigação.

A irritação estava me consumindo, ouço uma movimentação acontecendo atrás de mim, alguns chamados e decido não olhar. Agora quero apenas chegar em casa.

O ônibus que passava próximo da pensão onde vinha vivendo, vem se aproximando, acelero os passos e entro no transporte coletivo, pelo menos isso para alegrar um pouco o meu dia. Procuro algumas moedas em minha bolsa e pago a minha passagem.

- Obrigada. - Digo gentilmente.

Caminho pelo corredor e sinto a freada brusca do transporte coletivo, com o susto olho para todos os lados procurando pelo perigo pela para repentina, acabo me desequilibrado e caio sentada no colo de um desconhecido que abre um sorriso preocupado, noto o seu olhar amedrontado na direção do motorista.

- Desculpa... - Digo e viro o rosto na mesma direção que o desconhecido estava olhando.

O olhar de todos pareciam assustados quando vemos o ônibus ser praticamente invadido por aquele troglodita do parque. Me ergo assim que o olhar dele vai para o coitado do homem que havia caído em seu colo, me aproximo do desconhecido querendo entender o motivo de ter invadido o ônibus.

- O que pensa que está fazendo? - Pergunto alterando a voz.

Baixo o olhar e vejo o menino vindo logo atrás dele com um olhar que parece estar aprontando alguma coisa. Estreito os olhos na sua direção que ri, mostrando os dentinhos perfeitos.

- Não ouviu te chamando? - O homem pergunta indignado.

- Não ouvi e se tivesse ouvido teria ignorado do mesmo modo. - Respondo sentindo uma irritação crescente.

- Preciso de uma babá, como viu a última se demitiu... - Olho para o garoto que parecia ter aprontado tudo aquilo.

E o que isso me importa, olhar para esse homem estava de deixando em alerta, algo não está certo e sei que isso pode ser muito perigoso para mi, ainda mais agora sem ter nenhum apoio.

Fico olhando para toda a situação que estava acontecendo, para o olhar de medo de algumas pessoas que pareciam reconhecer o troglodita a minha frente e principalmente o pavor que todos estavam demonstrando. Estufo o peito e olho em direção ao menino que meneia a cabeça pedindo que aceite a oferta.

O que poderia dar errado? Sei me defender e posso derrubar esse idiota em poucos movimentos e matá-lo, sem contar que tenho certeza que esse menino não irá me dar trabalho.

Talvez seja algum ser superior se compadecendo de mim nesse momento delicado. E esteja me entregando essa oportunidade de trabalho para conseguir algo para continuar a minha investigação aqui em Verona. Fecho os olhos tentando controlar os pensamentos contraditórios e o sentimento de alerta.

Quando os abro, olho diretamente para o troglodita e confirmo com a cabeça aceitando a sua oferta.

- Você me deve um celular! - Digo a primeira coisa que me vem a cabeça.

- Irei providenciar um ainda hoje. - O homem diz. - Afinal como se chama?

Respiro fundo e suavizo o meu rosto para poder contar a mentira.

- Sou Laura Miller...

Ele se aproxima e perto a sua mão, de repente outros dois homens surgem por trás de mim e me conduzem para a saída do ônibus. Nesse momento todos os meus anos de treinamento começam a apitar, gritando que não deveria ir naquela direção, na verdade, deveria ir na direção oposta.

Caminho ao lado do menino que não deve ter mais que seis anos, ele segura em minha mão e o vejo rir por algum motivo. Não estávamos longe da casa azul, passamos pela entrada da casa e ouço o grandalhão que não se apresentou chamando atenção dos seguranças que não estavam nos seus postos, permitindo que o menino saísse da casa tranquilamente e corresse perigo.

A casa é deslumbrante, passamos por uma sala bem decorada com alguns quadros que devem valer alguns milhões, a escadaria de conto de fadas é linda, realmente de retirar o fôlego.

Caminho lentamente observando tudo, sinto o garoto me puxar casa adentro e entramos na cozinha sem dizer uma única palavra, ele senta em uma das banquetas que estavam ali e fica me olhando como se esperasse alguma coisa.

- Estou com fome, quero comer algo. - Olho para a imensa cozinha e me apavoro.

Essa casa não tem cozinheira? Volto a olhar para o garoto e começo a coçar a cabeça sem saber o que fazer.

- Olha só, não sou babá, não tenho qualificação para isso e tão pouco sei cozinhar... - Digo preocupada.

Sei que se mentir estarei bem ferrada, já que tenho uma ligeira impressão quem eles são.

- Me chamo Vittorio Romano, preciso de uma babá. - Ele se apresenta.

- Já entendi, mas... - Tento explicar novamente para o garoto.

Paro de falar assim que começo a ouvir um alvoroço do lado de fora da cozinha, uma voz forte e grossa amaldiçoando a todos os que deixaram Vittorio aprontar mais uma de suas artimanhas, expulsando a segunda babá durante o mês.

Olho para o menino com o olhar de culpado dando de ombros a ouvir tudo o que o homem estava falando.

"Vocês ainda trazem uma desconhecida?" - Gritou ainda mais alto.

A voz dele me causa uma eletricidade desconhecida, é como se houve algo naquela voz que me chamava, me atraísse.

"Ele a exigiu e precisamos de alguém para ficar com ele!" - Ouço o outro dizer.

Mantenho os olhos sobre Vittorio preocupada em como iria trabalhar em algo que não faço ideia por onde começar. Continuo ouvindo as reclamações de quem acredito ser pai desse menino.

- Aceite, farei com que o meu pai lhe contrate, por favor! - Olho para o Vittorio.

Posso estar fazendo a pior escolha em minha vida, mas a atual situação está me obrigando a aceitar o trabalho para me manter aqui em Verona até descobrir quem estava na Rússia. Mas se o que o pai dele está dizendo é verdade, então esse garotinho é o terror de qualquer babá.

- Tudo bem, mas na primeira gracinha vou embora, ouviu bem... - O ameaço.

Ele concorda com a cabeça e a entrada do homem enorme me chama atenção, ele é um homem alto e extremamente charmoso, nossos olhares se conectam, mas existe algo nele que me é familiar.

- Então você é a vítima da vez? - Diz.

Ergo o queixo e olho diretamente para o homem de barba grossa e olhos escuros que me sondavam, ele se aproxima do menino e deixa um carinho sem seus cabelos.

- Conversaremos daqui a pouco Vittorio Romano. - Noto um peso em sua voz.

Ele volta a me olhar, sinto que estava me analisando, não consigo identificar o que ele procurava em mim. Coloco as mãos na frente do meu corpo e tento relaxar na frente dos dois homens que pareciam querer me intimidar.

Se eles soubessem que já fiz muitas coisas com homens como eles, adoraria ver em seus olhos aquele medo novamente. Respiro com calma para diminuir os pensamentos.

- Provavelmente ele será a minha vítima, senhor. - Digo com confiança.

Uma vez que não tenho nenhuma experiência, sinto a necessidade de me mostrar um pouco mais confiante.

O vejo gargalhar e sorrir de canto.

- Prepare algo para ele lanchar e me encontre no escritório para poder lhe conhecer, quero saber quem está com meu filho... - Diz e chama o outro homem para lhe acompanhar.

Confirmo com a cabeça e olho para Vittorio que se empolga.

- Ok, o que farei para você? - Coloco a bolsa no balcão e olho para aquela cozinha luxuosa.

Capítulo 3 02 - Laura Miller

Laura Miller

Assim que fico sozinha com o pequeno traquina, me sinto perdida naquela cozinha enorme, não faço ideia do que fazer para ele e nem onde posso encontrar algo para preparar. O menino olha para mim esperando que resolva fazer algo para lanchar.

Respiro fundo tentando ser prática no que posso fazer para ele, acho que parecia aos olhos dele, como se fosse uma mulher idiota. Meus olhos se fixam no menino que deve estar nesse momento se duvidando se deveria ter mesmo me trago para sua casa.

Afasto da mesa e começo a vascular o que há na geladeira, já havia visto uma cesta com pães sobre o balcão, talvez na geladeira haja algo para colocar entre os pães e um pouco de suco. Graças a Deus estou com sorte e havia queijo e presunto, arrumo um sanduíche para Vittorio e coloco um copo de suco a sua frente.

- Acha que precisa de mim aqui ou posso ir conversar com seu pai? - Pergunto receosa.

Esse menino já aprontou tanto com todas as babás, por que ele não aprontava alguma coisa comigo? Uma desconhecida que ele escolheu para dar trabalho aos seus pais.

- Pode ir, prometo que vou me comportar. - Estreito os olhos em sua direção, não consigo confiar no que ele diz.

Por garantia me sento de frente para ele e fico observando lanchar tranquilamente olhando para mim.

- Você não é daqui! - Ele afirma com muita segurança.

Observo enquanto ele baixa a cabeça e mantém a boca cheia para evitar dizer alguma coisa, mas estou curiosa e quero conhecer melhor o Vittorio assim como todos dessa casa.

- Por que acredita nisso? - Pergunto curiosa.

Seus olhos se abrem ainda mais, aperto meus lábios para esconder o sorriso que começava a se formar, e espero que ele crie coragem para fala o que deseja. O vejo largar o seu lanche e beber um pouco do seu suco, me lança um sorriso tímido em minha direção.

- Sua pele é mais escura que a minha e seus cabelos enroladinhos são muito lindos. - Assim que diz vejo suas bochechas corarem envergonhado.

Começo a rir da forma como ele tentou parecer gentil e galante, sem que me ofendesse com a sua pergunta. Estico a minha mão em sua direção e toco em sua pequena mão.

- Não conheci meus pais, nasci e fui criada em um orfanato, então não faço ideia quem são ou quem foram os meus pais, por isso devo ser dessa cor, parecendo um chocolate. - Digo evitando contar algo muito íntimo.

Até porque não posso criar qualquer vínculo com esse menino, ainda mais que ele deve ter vários truques para me deixar em maus lençóis com seu pais, e se quero realmente conseguir emprego para levantar algum dinheiro e iniciar as minhas investigações, preciso que dê certo a minha estadia aqui.

- Sinto muito. - Os seus olhos ficam tristes.

Suspiro preocupada com o que esse pequeno menino possa estar enfrentando, se estiver certa, ele com a idade que têm já deve estar vendo coisas que nem deveria imaginar. O pensamento conseguem me deixar incomodada. Vittorio é uma criança que ainda não deveria ver o que esses carcamanos fazem com esses negócios sujos deles.

Antes que pudesse dizer algo para melhorar o seu rosto tristonho, noto que o grandão que ainda não conheço acabou de entrar na cozinha e nos olha surpreso, acho que ele não esperava que estivesse tendo uma conversa tranquila com o Vittorio.

- Não ouviu quando Steffano a mandou dar o lanche e ir para o escritório? - Ele me pergunta ainda surpreso.

- Sim, ouvi, mas estou conhecendo primeiro o Vittorio, se não gostar dele então não há necessidade de conhecer o seu patrão. - Digo de queixo erguido.

O vejo trincar os dentes e o seu maxilar ficar rígido, acho que toquei em um ponto fraco naquela relação, é visível que eles são parentes e se estiver mesmo certo, ele deve ser irmão ou um parente próximo.

- Ele é meu irmão, me chamo Enrico, lembro que não nos apresentamos. - Meneio a cabeça e me ergo da cadeira.

- Se comporte, daqui a pouco eu volto. - Digo a Vittorio e viro em direção Enrico.

Ele mantinha a posição intimidadora e o olhar cheio de interesse em minha direção, estou em dúvida se é por minha beleza ou se porque toquei em algo que doeu o seu ego.

- Terceira porta a esquerda, meu irmão te aguarda...

Enrico diz, pego a minha bolsa e vou em direção ao tal escritório, dou uma última olhada para Vittorio que sorri me encorajando. Se ele souber que esse tipo de gente é o meu tipo preferido de matar, eles são mais resistentes.

Começo a olhar a casa com mais cuidado, observando os pontos de fuga, onde pode haver armas escondidas. Chego até as portas duplas e uma delas estava entreaberta, respiro fundo para controlar as minhas feições e não deixar que ele perceba quando contar uma mentira.

Bato na porta três vezes e espero que ele permita que entre.

- Entre. - A voz dominante que Steffano Romano tem, chama a minha atenção.

Passo pelas portas duplas e observo o ambiente com uma decoração clara e sofisticada assim como toda a casa que se revelou ser uma linda mansão por dentro. O vejo sentado em sua cadeira como um rei em seu domínio, observando pelas janelas atrás de sua grande mesa que mais parecia uma obra de arte, com a sua base retorcida e sustentando o tampo de vidro.

De um lado da parede havia um grande quadro com ele sentado em um trono, Vittorio e Enrico cada um de um lado. Viro o corpo em direção a outra parede e observo os diversos livros que haviam ali.

Por algum motivo acreditava que aqueles livos nenhum fosse verdadeiro, talvez escondessem algum cofre ou fosse o dispositivo que abrisse alguma porta para um esconderijo. Italianos são famosos em fazer essas artimanhas para esconderem seus esquemas.

Me aproximo da mesa e seguro a minha bolsa na frente do corpo e espero que ele diga algo, até porque fui arrastada para sua casa.

- Então você foi a escolhida pelo meu filho? - Sua pergunta parecia um tanto irônica.

- Vittorio estava aprontando com a mulher que foi estúpida com ele e o pegou pelo braço. - Começo a relatar o que havia visto do parque.

- Enrico não me disse nada disso. - Ele parece irritado. - Vittorio é um bom menino, mas desde quando perdi a mãe dele, está sempre tentando chamar atenção.

O vejo se ergue detrás da mesa e passar por mim, não deixo de perceber a real altura que ele tem, o perfume másculo que emanava de seu terno, as joias que estava usando em seu pescoço e a grossa aliança que ainda exibia em seu dedo anelar.

Steffano caminha em direção à porta, com passos seguros e uma postura controladora, ele parece um homem bastante confiante, aqueles que matam e perguntam depois. Observamos enquanto ele retorna para o seu lugar atrás daquela mesa.

Em poucos segundos via Vittorio e Enrico entrando atrás dele, sorrio e Vittorio se coloca ao meu lado e segura em minha mão. Comecei a me sentir confiante em estar com ele ao meu lado, ele é um menino lindo com olhos claros, deve ter herdado da mãe já que Steffano tem olhos escuros.

Enrico se põe ao meu lado e olha para o irmão que não parecia muito satisfeito.

- Vittorio o que fez para a sua babá? - O vi olhar para o menino.

E sabia que ele não estava dando brecha para ele mentir, ali ele queria apenas a verdade, o que me irrita. Céus ele é apenas uma criança, fico indignada com a postura dele.

- Ele é apenas uma criança que fez uma traquinagem, não percebe? - Digo preocupada com o que ele possa fazer ao pequeno que estava ao meu lado assustado.

Mantenho os meus olhos fixos no homem que se ergue da cadeira, aparentemente muito irritado com a minha postura, nunca tive medo de bandido e não será desse que terei.

- Corajosa você, mas gostei... - Diz sorrindo e olha para seu irmão. - Resolva a situação daquela babá, já que ela bateu em Vittorio.

- Providenciarei agora mesmo, desculpa se falhei com a segurança do meu sobrinho, não vi quando ela fez algo. - Ele diz e me calo para não colocá-lo em nenhuma confusão.

Afinal não preciso de um inimigo na casa enquanto procuro informações e arrecado um pouco de dinheiro.

- Meu filho parece que se afeiçoou em você, então acredito que podemos fazer um contrato de trabalho inicial por três meses e testar. - Ele diz e Vittorio aperta em minha mão e o vejo sorrir.

- Aceite, gostei de você, prometo que vou me comportar Laura!

Olho para o seu rosto delicado e o desejo de tocar e abraçá-lo me incomoda, não posso criar vínculos com essa criança, preciso ter foco.

Estou aqui pelo dinheiro e conseguir informações, não para me relacionar.

- Okay, eu aceito...

- Ótimo, então providenciarei tudo o que será necessário, recomendo que se mude ainda hoje, meu irmão irá te ajudar com isso. - Olho para Enrico que me olha com um sorriso.

- Não há necessidade, cheguei recentemente e não tenho nenhum pertences, fugi da minha casa com apenas duas mudas de roupas. - Conto a eles a mentira que criei para explicar o meu aparecimento em Verona.

Minha história criada é que vivi em um orfanato, logo me casei e que sofria agressões. Cansei de sofrer e fugi no meio da madrugada. Tipico caso de mulher que precisa de ajuda e acolhimento.

Os vejo se olharem e me calo para Vittorio não ter que ouvir algo e ficar criando imagens em sua mente.

Vejo Steffano trocar um olhar com irmão, provavelmente para descobrir as coisas sobre a minha vida.

- Tudo bem, senhorita ou senhora? - Ele pergunta meio incerto.

E fico mais incerta ainda em responder algo sobre do tipo, para o homem que me olhava dos pés a cabeça.

- Senhorita, senhor Romano. - Digo ainda segurando as mãos de Vittorio entre as minhas.

- Então ela poderá ficar papá? - Olho para o meu empregador e espero por sua resposta.

- Bem-vinda a mansão Romano, senhorita Miller...

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