A dor, o frio se espalhando e o grito final do meu filho que nunca veria a luz do dia foram meus últimos momentos.
Abri os olhos e a luz do sol invadiu o quarto, o cheiro de sândalo familiar.
Eu estava morta, tinha certeza, lembrando-me claramente de Clara, minha irmã adotiva, sorrindo enquanto o veneno fazia efeito.
"Como posso deixar uma bastarda me dominar? A culpa é dela e daquele bastardo por estarem no meu caminho!" Aquelas palavras ecovam, repletas de ódio.
Minha barriga estava lisa, mas senti uma vida ali, uma vida que, na existência anterior, não consegui proteger, um bebê que tinha acabado de ser confirmado pelo médico.
Olhei o calendário: era o mesmo dia, o início do meu fim.
Uma onda de choque, tristeza avassaladora pelo meu filho perdido, mas também uma chama fria de determinação cresceu.
Eu voltei. Não sei como, nem por quê, mas ganhei uma segunda chance. desta vez, tudo será diferente.
Lucas, o Quarto Príncipe e meu marido, entrou, com o mesmo sorriso fingido da minha vida passada.
"Sofia, meu amor! O médico me contou a boa notícia! Teremos um filho! Eu sou o homem mais feliz do mundo!" Ele tentou me abraçar, mas eu recuei, e seu sorriso vacilou.
Na vida anterior, eu teria me jogado em seus braços, cega para sua hipocrisia. Mas agora, via sua ambição, a alegria pela vantagem política.
Então, sorri. Eu tinha um plano.
A dor aguda, um frio que se espalhava pelo meu corpo, o grito final do meu filho que nunca veria a luz do dia, tudo isso se desfez como fumaça.
Abri os olhos.
A luz do sol entrava pela janela, aquecendo o meu rosto. O cheiro familiar de sândalo no quarto enchia meus pulmões. Não havia sangue, não havia dor, apenas a tranquilidade de uma manhã comum.
Meu cérebro demorou a processar. Eu estava morta, eu tinha certeza. Lembro-me claramente do rosto de Clara, minha irmã adotiva, sorrindo enquanto o veneno fazia efeito.
"Como posso deixar uma bastarda me dominar? A culpa é dela e daquele bastardo por estarem no meu caminho!"
Aquelas palavras ainda ecoavam em minha mente, cheias de ódio e desprezo.
Toquei instintivamente minha barriga. Estava lisa, mas havia uma vida ali dentro. Uma vida que, na minha existência anterior, eu não consegui proteger.
O médico tinha acabado de sair naquela manhã, confirmando a gravidez. A alegria que senti foi tão intensa, mas tão breve.
Olhei para o calendário na parede. Era o mesmo dia. O dia em que descobri que estava grávida. O dia que marcou o início do meu fim.
Uma onda de choque me percorreu, seguida por uma dor profunda, uma tristeza avassaladora por meu filho perdido. Mas, por baixo de tudo isso, uma nova sensação começou a surgir, uma chama fria e dura de determinação.
Eu voltei.
Eu não sei como, nem por quê, mas me foi dada uma segunda chance. E desta vez, as coisas seriam diferentes.
A porta se abriu suavemente e Lucas, o Quarto Príncipe, meu marido, entrou. Seu rosto, que um dia eu amei, agora me causava repulsa. Ele usava a mesma expressão de alegria fingida da minha vida passada.
"Sofia, meu amor! O médico me contou a boa notícia! Teremos um filho! Eu sou o homem mais feliz do mundo!"
Ele se aproximou, tentando me abraçar. Eu me encolhi, um movimento sutil, mas que o fez parar.
Seu sorriso vacilou por um instante.
"O que foi, querida? Você não está feliz?"
Na vida anterior, eu teria chorado de alegria em seus braços, cega para a sua hipocrisia. Mas agora, eu via através dele. Via a ambição em seus olhos, a alegria não por nosso filho, mas pela vantagem política que um herdeiro lhe traria.
Forcei um sorriso fraco.
"Estou feliz, Lucas. Apenas... um pouco sobrecarregada. É tudo tão repentino."
Ele relaxou, aceitando minha desculpa.
"Claro, claro. Você precisa descansar. Vou cuidar de tudo. Vou contar a todos a grande notícia!"
Ele se virou para sair, ansioso para espalhar seu triunfo.
"Espere," eu disse, minha voz calma e controlada, surpreendendo a mim mesma.
Ele parou, virando-se para mim.
"Sim, meu amor?"
Este era o momento. O primeiro passo do meu plano. Na vida anterior, a notícia se espalhou como fogo, e Clara, corroída pelo arrependimento de ter rejeitado este casamento, voltou correndo. Desta vez, eu mesma a traria para a armadilha.
"Lucas, eu sei que você quer contar a todos, mas... eu gostaria de fazer isso de uma forma mais discreta, por enquanto. Pelo menos até a gravidez estar mais estável."
Ele pareceu desapontado, mas assentiu. A imagem de uma esposa prudente e cuidadosa apelava à sua vaidade.
"Como você desejar, querida."
"E... eu gostaria que Clara viesse me ajudar," continuei, a voz suave. "Ela é minha irmã, afinal. E ouvi dizer que ela tem lido muitos livros de medicina ultimamente. Sua companhia e conhecimento me deixariam mais tranquila."
Os olhos de Lucas se iluminaram. Ele sempre teve uma queda por Clara, por sua beleza e vivacidade, tão diferentes da minha natureza quieta. Na vida anterior, a beleza dela e a minha gravidez foram a combinação perfeita para a sedução dele.
O que não se pode ter é sempre mais desejado. Eu sabia disso. E eu daria a ele exatamente o que ele queria, em uma bandeja.
"Que ótima ideia, Sofia. Você é sempre tão atenta. Vou mandar chamá-la imediatamente. Ela ficará feliz em ajudar."
Ele sorriu, um sorriso genuíno desta vez, não por mim ou pelo bebê, mas pela perspectiva de ter Clara por perto.
Enquanto ele saía do quarto, apressado, o sorriso sumiu do meu rosto. Uma frieza tomou conta de mim.
Sim, Clara ficaria "feliz" em ajudar. E Lucas ficaria "feliz" em tê-la aqui.
Eu os uniria. Deixaria que tivessem o que tanto cobiçaram.
Pois eu aprendi da maneira mais difícil que, quando se consegue o que se idealiza, a realidade raramente corresponde à fantasia. E a queda deles seria muito mais satisfatória de assistir desta vez.
No dia seguinte, Lúcia, minha empregada, entrou no quarto com uma bandeja de café da manhã. Na vida anterior, Lúcia foi uma das primeiras a me trair. Clara a subornou com joias e promessas de um futuro melhor, e Lúcia, sem hesitar, trocou sua lealdade por ganância. Ela foi a pessoa que trocou meus tônicos por veneno, a mando de Clara.
Lembro-me do seu rosto, fingindo preocupação, enquanto me via enfraquecer dia após dia.
Desta vez, eu usaria sua ganância a meu favor.
"Lúcia," comecei, com um tom casual. "A senhorita Clara chegará em breve para me ajudar durante a gravidez."
Lúcia me olhou, surpresa.
"A senhorita Clara, minha senhora? Mas..."
"Eu sei que ela não tem experiência, mas é minha irmã. Quero alguém da família por perto," eu disse, oferecendo a desculpa perfeita. "No entanto, ela precisará de uma empregada de confiança para auxiliá-la. Alguém que conheça a casa e minhas rotinas. Pensei em você."
Os olhos de Lúcia se arregalaram. Servir a irmã da princesa consorte era um passo social significativo. Significava mais prestígio, mais oportunidades de receber presentes e subornos. A ambição brilhou em seu rosto, exatamente como eu esperava.
"Eu, minha senhora? Seria uma honra!", ela disse, tentando conter a excitação em sua voz.
"Ótimo. Sei que você cuidará bem dela," eu disse, com um sorriso que não alcançava meus olhos.
Eu a estava entregando a Clara de bandeja. Lúcia era ambiciosa e fácil de manipular. Clara, por sua vez, não hesitaria em usar alguém como ela para seus próprios fins. Ao colocá-las juntas, eu estava plantando a semente da discórdia. Lúcia se tornaria os meus olhos e ouvidos, mesmo sem saber.
Mais tarde, Clara chegou. Ela entrou no meu quarto com um ar de falsa modéstia, seus olhos percorrendo cada detalhe luxuoso do ambiente que poderia ter sido dela.
"Sofia, irmã! Fiquei tão preocupada quando soube que você não estava se sentindo bem. E agora, grávida! Que bênção!", ela exclamou, sua voz soando como mel envenenado.
Ela tentou segurar minha mão, mas eu a usei para ajeitar um travesseiro, evitando seu toque.
"Obrigada por vir, Clara. Fico feliz em ter você aqui."
"Claro que eu viria! Somos irmãs! Farei tudo para garantir que você e o bebê fiquem bem," ela disse, com uma sinceridade que faria qualquer um acreditar. Menos eu.
"Na verdade, eu estava pensando nisso," eu disse, olhando para Lúcia, que estava parada no canto. "Você precisará de ajuda. Lúcia é minha empregada mais competente. Ela ficará encarregada de te servir enquanto você estiver aqui."
Clara olhou para Lúcia, um brilho de interesse em seus olhos. Ela reconheceu uma ferramenta útil quando viu uma.
"Oh, Sofia, não precisa se incomodar. Eu posso me virar," ela disse, com uma modéstia fingida.
"Não é incômodo algum," insisti. "Quero que você fique confortável. Pense nisso como um presente. Lúcia, a partir de agora, você servirá à senhorita Clara. Atenda a todas as suas necessidades."
"Sim, minha senhora," Lúcia disse, fazendo uma reverência profunda, seu rosto radiante de alegria.
Clara sorriu para mim, um sorriso que deveria parecer grato, mas que eu sabia ser de triunfo. Ela achava que estava ganhando uma aliada, um peão em seu jogo. Mal sabia ela que o peão já pertencia a outra rainha.
Naquela noite, a mãe de Lúcia veio me agradecer pessoalmente. A mulher, tão ambiciosa quanto a filha, não conseguia esconder o orgulho e a satisfação.
"Minha senhora, não tenho palavras para agradecer sua generosidade. Lúcia está tão feliz. Servir à senhorita Clara é uma grande honra."
"Lúcia é uma boa moça. Ela merece," eu respondi, mantendo a minha expressão serena.
Enquanto a mulher se afastava, cheia de presunção, eu sorri para mim mesma no escuro. A honra deles seria a sua ruína. O jogo estava apenas começando.