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Segunda chance o viúvo

Segunda chance o viúvo

Autor:: Diene Médicci
Gênero: Romance
À beira da morte, Yágilla toma uma decisão inesperada: escolhe sua babá como esposa substituta. O viúvo, desde o primeiro instante, rejeita essa ideia absurda, tentando ignorar a jovem encantadora que desafia seus sentimentos mais profundos e desperta desejos que ele há muito tenta sufocar. Valentino é um homem frio, de coração despedaçado, incapaz de saber se ainda pode amar.

Capítulo 1 1

A vida de Kassandra era um emaranhado de desilusões. Casada com Andy, um homem que se revelara tóxico e cruel após a fachada inicial de amor, ela vivia infeliz, sufocada por um relacionamento que a esgotava. A alegria de outrora havia se dissipado, substituída por uma rotina de desrespeito e manipulação. A noite de Kassandra começou com uma tentativa cautelosa de não acordar Andy, ela tinha ido a igreja, fazer vigília. Ela entrou sorrateiramente, mas seus olhos logo captaram um par de calçados femininos que não eram seus na sala.

Sem acreditar, ela seguiu em frente, vendo os sapatos dele e roupas amassadas espalhadas pelo chão, um vestido e peças de Andy.

O som de gemidos explícitos vindo do quarto no corredor confirmou seus piores medos. A porta estava entreaberta, e a cena que se desenrolou diante de seus olhos a chocou: uma mulher com Andy em sua própria cama. Eles pareciam à vontade, trocando beijos e carinhos, e ela ouviu distintamente Andy elogiando a outra.Um choro silencioso a invadiu. Ela recuou para a sala, sentou-se, e a ficha não caía. Era demais para ela, que não conseguia reagir, nem voltar para brigar. Sempre foi louca por Andy e confiava cegamente nele. Por um tempo, permaneceu ali, aos prantos. Então, criou coragem e voltou ao quarto. Kassandra havia voltado para brigar, para tomar uma atitude. Quando ela se postou na porta, Andy a viu, assustou-se e parou de imediato, cobrindo-se.

- O que você está fazendo aqui? - ele perguntou, alterado.

Kassandra entrou no quarto, com a voz carregada de dor e fúria:

- Quem é essa vagab.unda, Andy? Como você pode trazer outra mulher aqui, na nossa casa, na nossa cama? Como você pode fazer isso comigo?

Ele correu até ela, enrolado no lençol, visivelmente bêbado. Empurrou-a para a sala. Kassandra quebrou dois porta-retratos deles, enquanto ele começou a pedir perdão, dizendo que não era nada, que havia sido apenas um mal-entendido. A mulher permaneceu no quarto.

- Vou sair e quando voltar não quero você aqui - Kassandra disse, empurrando-o para longe.

- Quero que você vá embora! Acabou tudo, Andy!

Ela pegou a bolsa e saiu transtornada. Sem ter para onde ir, ficou nas escadas do prédio, chorando por horas a fio. Às seis da manhã, subiu, abriu a porta e viu Andy sentado na sala, com o rosto marcado pelo choro. Ela entrou, e ele se levantou, aproximando-se.

- Vamos conversar, me perdoe, amo você. Deixe eu me explicar! - ele implorou.Kassandra ia para o quarto, mas ao chegar à porta, lembrou-se de tudo.

Foi para o quarto de hóspedes, pediu para ele a deixar sozinha. Trancou-se e só saiu depois das 13h. Ele estava dormindo na cama deles. Ela tomou banho e começou a limpar a casa; a pia estava cheia de louças. Ele dormiu a tarde toda. Quando acordou, Kassandra estava na sala, assistindo televisão. Ele se ajoelhou na frente dela, começou a dizer que estava bêbado e que não sabia o que estava fazendo na hora.

- Quem é ela? - Kassandra perguntou.

Ele disse que não sabia, que a conheceu naquela noite em um bar. Kassandra começou a chorar. Ele ficou quieto e sentou-se perto dela. Ela pediu para ele não se aproximar, pois sentia muito nojo dele. A resposta veio cortante:

- Tá vendo por que te traí? Tive uma noite foda com uma mulher que não tinha nojo de mim, agora vai ficar com frescura aí, fica sozinha. Tô cansado de você!

Ele se levantou e foi para o quarto. Ela o ouviu tomando banho, enquanto permaneceu quieta na sala, remoendo tudo. Até comida ele pediu e passou por ela para pegar, não oferecendo nada nem falando mais com ela. Ela amanheceu acordada, sem comer e sem dormir, corroída pela dor.

Ficou na sala a noite toda. De manhã, entrou no quarto para pegar roupas. Ele perguntou por que ela não foi dormir na cama com ele.

- Porque eu não consigo parar de pensar em você me traindo com outra na nossa cama - ela respondeu.

Ele falou sério:

- Vamos comprar outra então. Você sabe que eu amo só você. Errei e já foi, agora vida que segue, ou nosso relacionamento vai acabar de vez, por sua culpa.

Ela repetiu que precisava de um tempo. Ficaram sem conversar por dias, sem o menor contato físico, falando apenas o necessário. Houve um almoço na casa dos pais dele, mas ela não foi, ele foi sozinho.Semanas se passaram, e eles ainda estavam dormindo separados, falando só o essencial. Nesse período, ele não saiu mais à noite, apenas ia para o trabalho.Um dia, enquanto ela se trocava no quarto deles, ele se aproximou, abraçou-a por trás e beijou seu pescoço.

Muito carinhoso, a levou para a cama e eles fizeram amor. Ela dormiu com ele sem querer, não foi a mesma coisa emocionalmente. No mesmo dia, ela o chamou para conversar.

- Não sei se vou conseguir te perdoar um dia, mas quero o divórcio - ela disse.

- Não quero te beijar e ser tocada por você, não quero nada disso! Como você tem para onde ir, quero que você saia de casa o mais rápido possível.

Ele se transformou na hora, começou a falar que não iria a lugar algum, que o apartamento estava no nome dele, que se ela não ficasse com ele mais, iria precisar trabalhar, ajudar a pagar as contas ou então "rua". Tudo só piorou. Ela tinha um dinheiro guardado e pensou em se virar com ele, anos e anos de poupança. Pensou que sairia de casa o mais rápido possível para terminar de vez com Andy.

Mas sozinha e com uma família que não podia contar, preferiu deixar quieto, levar em banho-maria. Ficaram dias brigados sem conversar. Ela ficava em casa o dia todo e ele ia ao trabalho, a outros lugares sem avisar nada. Mais de uma semana depois, nessa situação com um clima horrível, ela o convidou para sair, pois queria sair, ver pessoas, se distrair, e não sabia se iriam mesmo se separar ou não. Pensou que ninguém precisava saber da situação deles. E se ela saísse sem ele, começariam as especulações e brigariam mais.

Capítulo 2 2

Quando Andy chegou do trabalho, Kassandra estava arrumando o cabelo. Ele entrou no quarto, aproximou-se e disse, como se nada tivesse acontecido:

- Já está linda.

Kassandra deu um sorrisinho sem jeito. Andy sentou-se atrás dela na cama e começou a apalpá-la, passando a mão pela perna e subindo para as coxas. Ela usava um vestidinho simples, de ficar em casa mesmo. O toque dele a incomodou profundamente. A mágoa que sentia não permitiria qualquer intimidade com ele, como sempre fora.

- Para, Andy. Estou ocupada! - ela disse, chateada.

Ele respondeu, apertando os sei.os dela:

- Se você não for dormir comigo hoje, não vou te levar para sair.

Kassandra começou a chorar de ódio, sentindo-se humilhada, mas não respondeu. Achou que, ficando quieta, ele sairia e ela não seria obrigada a fazer nada. Ele se afastou para tomar banho. Ela continuou a se arrumar, colocou um macacão, fez uma maquiagem forte. Ele começou a se arrumar também, e até pediu para ela passar uma calça para ele. Quando Kassandra estava pronta, ele estava na sala mexendo no celular. Ela se aproximou, parou na frente dele e disse, mexendo na bolsa:

- Estou pronta, vamos?

Ele sorriu, levantou-se e se aproximou devagar, deu um beijinho nela e disse, colocando-a de costas para ele e puxando-a pela cintura:

- Antes, quero fazer uma coisa com você.

Kassandra entendeu o recado e afastou-se, apreensiva:

- Andy, vamos logo, quero sair um pouco.

Ele respondeu, enrolando a mão no cabelo dela e puxando, fazendo-a ficar encostada nele:

- Vamos fazer um amorzinho antes, preciso me aliviar, vai. Faz dias que você não dorme comigo! Vai, Kassandra.

Ela afirmou que não estava a fim, mas ele insistiu e começou a beijá-la. Kassandra retribuiu o beijo, sugerindo que poderiam dormir juntos quando voltassem. Eles se beijaram, seguindo para o sofá. Andy a jogou com força e tentou abrir o macacão às pressas, estourando o zíper. Kassandra começou a negar, virando o rosto, enquanto ele insistia, quase a forçando a beijá-lo, determinado a deixá-la nua. Ela gritou:

- Para, eu sinto no.jo de você, não quero, Andy! Me larga!

Ele não gostou da reação. Deitado sobre ela no sofá, ele agarrou o cabelo dela, olhou-a nos olhos com ódio e disse:

- Agora sente nojo? Você nem faz nada direito. Vou atrás de mulher na rua, já que você não está sendo mulher suficiente para mim. Acho que nunca foi.

Kassandra olhou nos olhos dele e respondeu:

- Você vai se arrepender muito por isso!

Ele a soltou, foi para o quarto, bateu a porta e logo voltou, saindo da casa. Antes de partir, disse a ela:

- Não quero encontrar você mais aqui quando eu voltar. Pegue suas coisas e vá embora!

Kassandra via em Andy um homem completamente diferente daquele por quem se apaixonara. Ele nunca fora muito meloso, mas era gentil e, à sua maneira, demonstrava gostar dela. De repente, tudo mudou, e ela não conseguia entender o porquê. Arrasada, arrumou suas malas, mas não tinha para onde ir. Decidiu ir para o quarto de empregada ao lado da lavanderia, levando suas coisas para lá a fim de evitá-lo.

Ouviu Andy chegando de manhã. Dormiu no quartinho, e, de manhã, levantou-se para comprar pão, enquanto ele dormia até tarde. Quando ele se levantou, não falou com ela e saiu novamente. À noite, quando ele chegou, Kassandra o chamou para conversar. Sentaram-se na sala, e ela começou a falar enquanto ele mexia no celular:

- Andy, eu não tenho para onde ir, não tenho experiência alguma, e você sabe disso. Não quero mais brigar, tá bom? A gente já devia ter terminado antes. Você me traiu e isso é uma coisa que não vou conseguir passar por cima.

Ele respondeu que a traição era culpa dela.

- Como você tem coragem de me tratar assim, Andy? - ela perguntou.

- A gente está junto há anos, o que eu te fiz para você me odiar tanto?

Ele não respondeu. Levantou-se, foi para a cozinha, passou pela sala e disse com frieza:

- Fique o tempo que precisar, mas você vai cuidar da casa para mim. Vou dispensar a faxineira e você vai fazer o trabalho dela em troca de ficar aqui. É o mínimo, já que você não faz bosta nenhuma da vida.

Kassandra começou a chorar e pediu a Andy que lhe desse pelo menos a metade do dinheiro que havia dado como entrada no apartamento, para que pudesse se virar. Ele respondeu que ela não sabia fazer nada sozinha, que gastaria tudo. Ao mesmo tempo em que a humilhava, ele tentava fazer parecer que não agia com más intenções.

- Ficarei pouco tempo, até conseguir um emprego - ela disse.

Ele retrucou que, nesse caso, ela ficaria muito tempo, já que nunca gostou de trabalhar.

- Então você está saindo e fazendo o que quer, com certeza ficando com outras, e eu aqui como a trouxa? - ela questionou.

- Quando vamos terminar oficialmente para todos saberem?

Ele respondeu com ironia:

- Quando eu quiser, ainda não é hora.

Andy também a alertou que não era para ela sair ou encontrar ninguém, e que se soubesse que ela estava conversando com algum homem, ele a jogaria na rua, sem nada.

Kassandra sentiu-se péssima, desejando desaparecer. Começou a ficar descuidada e triste. Às vezes, pensava que um dia acordaria, abriria os olhos e tudo estaria como antes, normal. Não conseguia entender por que ele a tratava daquela forma. Os dias foram passando, Andy levava vida de solteiro e, quando os pais dele iam à casa, Kassandra tinha que fingir que estava tudo bem. Ele vivia a ameaçando, dizendo que se a família dele soubesse da verdade, ela se daria mal. Ele começou a inventar que ela não se sentia bem para receber visitas, disse que ela estava depressiva, tomando remédios e que só dormia o dia inteiro, enquanto a casa ficava suja e ele sem comida.

Quando os amigos deles mandavam mensagem, ele a instruía a ignorar ou então deixá-lo responder, porque todos estavam o vendo com outras mulheres e, com certeza, logo contariam a ela. Se ela soubesse, teria que tomar um rumo, sair dali. Às vezes, algumas colegas mandavam mensagem perguntando se ela estava bem, mas Kassandra apenas ignorava.

Quando os pais de Andy foram visitá-los, Kassandra ouviu o dia inteiro como estava feia, relaxada, com o cabelo desarrumado, as unhas sem fazer. Ele a fez faxinar a casa toda, mesmo ela tendo limpado bem no dia anterior. Com medo da visita, ela fez tudo. Pensou em pedir ajuda, mas era o filho deles, e se algo desse errado, ela estaria na rua sem um centavo. Eles foram em horário marcado, e Kassandra teve que dizer à sogra que não estava bem para sair, que talvez fosse síndrome do pânico. Essa era a justificativa para ela não ir à casa da sogra há tanto tempo.

Eles acreditaram em tudo. Assim que saíram, Andy disse que só faltava ela "dar para ele" para completar o seu "show, o teatro". Kassandra respondeu que só fingindo mesmo para parecer ter prazer com ele. Ela estava tirando a mesa quando ele jogou uma assadeira com comida no chão, mandando-a limpar para ela ver como era bom.

A rotina de Kassandra era limpar a casa, cozinhar e mandar muitos currículos por e-mail, mas sem experiência e sem ensino superior, as portas pareciam estar sempre fechadas para ela. Ela dormia e ficava no quarto da empregada no período em que Andy estava em casa para evitá-lo. Eles quase nunca conversavam; ele pedia favores, exigia que ela passasse as roupas mesmo estando no cabide, só dizia o que queria comer e criticava quase sempre tudo o que ela cozinhava. Kassandra apenas ouvia calada e ficava olhando ele sair. Sentia um alívio ao vê-lo indo para qualquer lugar.

Capítulo 3 3

Recentemente, Kassandra havia conseguido duas entrevistas de emprego, uma em uma pequena loja de roupas e outra em um escritório para auxiliar administrativo. As duas oportunidades a encheram de uma esperança quase esquecida. Ela se arrumou com o pouco que tinha, tentou disfarçar as olheiras e o cansaço, e se esforçou para parecer confiante. No entanto, os dias se passaram e nenhuma ligação chegou. As recusas, ainda que silenciosas, a atingiram como golpes. Kassandra ficou arrasada.

Cada "não" a empurrava ainda mais para o fundo do poço de sua desesperança, reforçando a sensação de que não conseguiria escapar daquela prisão imposta por Andy.Kassandra chegou em casa depois de ir a uma entrevista de emprego.

Quando ela foi abrir a porta, ouviu vozes e risadas. Entrou apreensiva. O casal a olhou, e ela se sentiu como uma intrusa descoberta em uma festa. Fechou a porta e disse, constrangida:

- Olá, boa noite!

Andy levantou-se rápido, aproximou-se e falou:

- Vem comigo!

Ele pediu licença ao casal, que devia ter uns trinta anos e estava muito bem vestido. Ele usava camisa social e ela um conjunto de alfaiataria. Kassandra notou que a bolsa dela era de marca boa uma Schultz. Foram para a cozinha. Andy estava bravo com ela, apertou o braço dela com força e disse:

- Te avisei para deixar tudo pronto, onde você estava? Te liguei várias vezes!

Kassandra contou a verdade.

Andy respondeu:

- Você vai se passar por empregada agora. Se tivesse feito o que mandei, podia se passar por minha noiva. Prepara a mesa e pede comida! Anda logo.

Ela puxou o braço e respondeu:

- Não quero fingir ser sua mulher.

Ele retrucou:

- Você tem meia hora! Se falar algo, já sabe, é daqui direto para a rua.

Ele saiu da cozinha. Kassandra começou a chorar e a separar a louça para a mesa de jantar. Ligou para um restaurante, pediu. Eles estavam na sala, e a mesa de jantar era separada, em outro cômodo. Enquanto levava as louças para a mesa, Kassandra cruzou com a moça no corredor. Sorriu forçadamente para ela e disse, cabisbaixa:

- Olá precisa de alguma coisa? Posso ajudar?

A moça sorriu e respondeu, olhando Kassandra intrigada:

- Não, obrigada. Posso espiar a sala de jantar?

Kassandra respondeu, continuando a andar:

- Claro, fique à vontade. Eu só vou arrumar a mesa aqui, tá?

A moça ficou reparando na sala, em tudo. Kassandra colocou três lugares à mesa. Então, a moça perguntou intrigada:

- Você não vai comer conosco, querida?

Kassandra respondeu sem jeito:

- Não. Eu trabalho aqui. A senhora me dá licença?

Ela voltou para a cozinha e, quando retornou, a moça já havia voltado para a sala com eles. A comida chegou. Kassandra foi à porta pegar, e Andy também foi. Ele pagou e a acompanhou para dentro. Ela percebeu que ele estava nervoso, querendo impressionar o casal.

- Me dá dinheiro para eu sair hoje, Andy? - ela perguntou.

Ele respondeu que não, porque ela tinha que ajudá-lo. Ela ficou séria e disse, largando tudo:

- Se você não der, eu vou fazer você passar vergonha. Eu espero eles irem embora, se você faz tanta questão, mas quero um dinheiro.

Ele a encostou na pia e disse, muito próximo:

- Você fica linda brava assim!

Kassandra ia responder quando ouviu passos se aproximando. Ela se afastou dele no susto e quebrou um prato. Assim que se afastaram, o casal chegou à cozinha. A moça disse que queria mostrar para o marido o design do balcão. Ela ainda disse, toda simpática:

- Desculpa a falta de educação, Andy!

Ele, muito simpático, respondeu que não tinha problema, que só tinha ido pôr as bebidas para gelar. Kassandra estava um pouco alterada por causa dele. Abaixou-se para pegar os cacos do copo e se cortou. Andy continuou conversando com a moça e ainda a olhou com reprovação. O homem estava parado, olhando-a sério. Ele tinha olhos azuis, um olhar profundo, uma cara de má pessoa.Kassandra foi à pia lavar a mão. Ele estava encostado perto, aproximou-se e disse:

- Posso ver?

Ela balançou a cabeça que sim. Ele pegou na mão dela. Ela estava trêmula, com as mãos geladas.

- Qual o seu nome? - ele perguntou baixinho.

- Kassandra - ela respondeu em voz baixa.

Ele disse, segurando a mão dela na água:

- Você vai desmaiar?

Ela balançou a cabeça que não. Ele disse que não foi muito fundo e se afastou. Ela lavou a mão e colocou papel toalha. Eles foram para a sala de jantar e Andy disse que já voltava para ajudá-la a fazer um curativo. Kassandra já estava quase chorando. Ele voltou e começou a brigar com ela, falando que ela não fazia nada direito e que o estava envergonhando, disse que ela fez de propósito para chamar atenção. Kassandra não respondeu nada.

Foi para os fundos, no seu atual quarto, tirou os sapatos, sentou na cama e começou a chorar. Tomou banho e foi dormir, trancou a porta e não voltou mais para lá. Estava exausta de tudo.O jantar correu bem, apesar de tudo. De manhã, levantou cedo. Andy estava dormindo ainda. Ela limpou toda a bagunça do jantar e ficou na sala assistindo televisão. Quando ele levantou, não falou com ela, logo se arrumou para sair e deixou uma nota de cem reais na mesa. Disse que iria demorar para voltar e que talvez não fosse dormir em casa. Kassandra deu graças a Deus por ele a deixar sozinha. Ela ficou deitada assistindo o dia todo.

O interfone tocou. Ela abriu a porta surpresa, não estava esperando ninguém. Era Yágilla, a moça que havia ido em casa na noite anterior. Kassandra estava de camisola de renda e pantufa, bem à vontade. Abriu a porta sem jeito. Yágilla a cumprimentou com beijo no rosto e falou que havia esquecido o carregador de celular la.

Kassandra respondeu, ainda sem jeito:

- Ah sim, entra, fica à vontade. O Andy não está, ele deu uma saída!

Yágilla entrou, sentou-se na sala e disse, encarando Kassandra:

- Nem pude me despedir de você ontem... O Andy disse que você estava indisposta!

Kassandra respondeu, sem graça:

- Desculpa, eu tive um dia corrido, tenho enxaqueca às vezes.Yágilla respondeu com um tom irônico:

- Também imagino, trabalhar de salto alto e bico fino deve ser muito cansativo mesmo.

Kassandra disse que tinha tido um compromisso à tarde e que não pôde se trocar. Yágilla rebateu:

- Fiquei muito intrigada com você, Kassandra, não é? Sabe que não pude deixar de notar, ao ir no banheiro, a quantidade de produtos para mulher que tem lá, duas escovas de dentes, maquiagens de ótima qualidade.

Kassandra ficou muda, ouvindo. Yágilla continuou:

- Você quer me contar o que vocês são? Estou muito curiosa. Desculpa a minha ousadia!

Kassandra respondeu que ele tinha alguém, mas que não era ela. Yágilla pontuou:

- Uma esposa, não é? Vi a aliança dele!

Kassandra confirmou que sim. Yágilla sorriu e disse:

- E você tem uma marca de aliança que, pelo que vejo, deixou de usar há pouco tempo.

Kassandra respondeu irritada, sentindo-se acuada:

- Olha, não é por nada não, mas eu não posso falar da vida pessoal do Andy.

Yágilla pegou o carregador, levantou-se e disse que só queria saber mais sobre Andy, que ele e o marido dela estavam para fechar um negócio muito importante e de grande investimento, confessou ser um pouco curiosa.

Kassandra reafirmou que não podia ajudar, porque Andy era um pouco rígido e não seria certo expor a vida pessoal dele.

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