Layra
Acordei de manhã cedo e me levantei rapidamente da cama, eu estava animada, muito animada, pois, amanhã será meu aniversário de 18 anos. Eu estava ansiosa para esse novo ciclo da minha vida, cheia de expectativas e esperanças para o meu futuro, principalmente pelo fato que finalmente o Arthur poderia me olhar como mulher e não como a filhinha mimada do seu melhor amigo, que também era seu advogado.
A última vez que o vi foi há uma semana, um dia antes dele embarcar para Nova York. Ele estava resolvendo alguns assuntos com meu pai no escritório aqui em casa. Seria impossível esquecer as sensações que tive quando nos trombamos na porta. Aquele toque grosseiro, o olhar de mar revolto, o cheiro almiscarado que aflorou todos os meus sentidos. Suspiro fundo, sem conseguir controlar as emoções que aquele homem vem despertando em mim, ano após ano. Agora, tudo está mais intenso, cada dia mais difícil de ser ignorado.
Impaciente, levanto-me da cama. Meu coração bate forte no peito com uma mistura gritante de medo e ansiedade. Caminho até a janela do quarto, que dá acesso à área da piscina, e coloco algumas mechas do meu cabelo atrás da orelha. Enquanto observo a paisagem, meus pensamentos voam até algumas semanas antes, quando papai fez um churrasco e convidou alguns amigos. Como sempre, Arthur estava entre os convidados, já que ele e meu pai são amigos antigos e geralmente estão presentes em todos os eventos das duas famílias.
Vê-lo dentro daquela sunga preta, que moldava perfeitamente o volume entre as pernas musculosas, levou-me à loucura, definitivamente. Minha vontade era de agarrá-lo na piscina e escalar aquele abdômen trincado. Contudo, eu nem sequer pude ter um segundo da sua atenção, já que ele estava ocupado demais na companhia de uma bela loira que o estava acompanhando. Tenho vontade de gritar de raiva só de me lembrar daquela mulher irritante. Bom, talvez para os outros ela não fosse tão irritante assim, mas para mim, é. Só de estar perto dele com aqueles seios quase saltando para fora do biquíni, da vontade de ir lá e matar ela.
Desencosto da janela e sigo até em frente ao espelho. Observo meus cabelos castanhos e desgrenhados, dou alguns passos para trás, ajeito o pijama no meu corpo e empino a bunda, esperançosa de já ter aumentado alguns centímetros após alguns meses indo a academia com Mari e Lucas, meus melhores amigos de infância e daqui a alguns dias, companheiros de faculdade.
Mordisco o lábio, desanimada quando me lembro das mulheres belíssimas, de corpos esculturais com quem o Arthur costuma sair. Definitivamente, minhas chances de conquistá-lo são iguais ou menores que zero. Talvez elas aumentem daqui a alguns anos. Quem sabe quando o mar secar ou as vacas começarem a voar? Porém, até lá, já terei morrido de raiva, ciúmes e vontade de tê-lo.
Arthur
A luz do sol invadindo o quarto do hotel me fez despertar, olho para o lado e vejo que a ruiva de lábios carnudos que ainda dorme enrolada no lençol branco, completamente nua. Retiro rapidamente o pano que a cobre e deslizo minha mão pela pele macia e clara, passo meus dedos pelas curvas da sua bunda e acerto um tapa, deixando o local avermelhado e volto a fixar meu olhar no teto, começo a relembrar o que passei a alguns anos atrás, quando era um idiota apaixonado.
Naquela ano, eu trabalhava como superintendente de um Banco, localizado em Brasília. Era meu orgulho, afinal, chegar em um patamar profissional como o meu, e sendo considerado "jovem", não era para qualquer um. Filho de um CEO e dono majoritário de uma das maiores empresas do País, do ramo da engenharia civil, com escritório principal localizada atualmente no centro do Rio de Janeiro, fez com que eu sempre me desafiasse a ir em busca de novos desafios. Confesso que ter nascido em berço de ouro cravejado com diamante me deu o suporte necessário para eu alcançar tudo o que eu almejava. Mas tudo há um preço...
E esse preço era está longe dos meus pais. Meu pai, que era também meu melhor amigo, meu mentor, sempre me apoiou em tudo, porém, o fato de eu ter recusado assumir os negócios da família não lhe agradava muito, mas mesmo assim ele sempre se manteve ao meu lado em cada decisão. Infelizmente não nos falávamos com muita frequência, ambos tínhamos a vida extremamente corrida e exaustiva, entretanto, mesmo com a distância e a agenda apertada dávamos um jeito de mantermos o contato, e mesmo com todas as facilidades que eu tinha na vida, provei a mim mesmo que eu não era apenas mais um riquinho mimado herdeiro de um império. Mostrei a todos que eu poderia caminhar com os meus próprios pés.
Nesse período eu estava noivo da belíssima Thais, acreditei que havia encontrado o amor da minha vida. Começamos a sair no inicio da faculdade de administração e, desde então, não nos desgrudamos mais. Pensar nela era algo que me fazia sorrir, saber que aquela bela morena logo seria minha esposa me deixava feliz e revigorado. Foi pensando nisso que eu havia decido sair do trabalho mais cedo para lhe fazer uma surpresa naquele dia.
Eu achava que não estava dando a atenção que ela merecia, eu quis compensar minha ausência, por isso que não liguei para avisá-la que estava saindo do trabalho mais cedo, pois queria surpreendê-la. Durante o percurso, comprei um de seus vinhos preferidos e belas rosas vermelhas. Cheguei em casa duas horas mais cedo que o costume. Saí do carro, e corri em direção ao elevador, segurando os presentes em minhas mãos. Ao chegar na sala, coloquei o vinho sobre a mesa e o buquê de rosas em cima do sofá, para então começar a tirar o terno quente que estava me sufocando.
Arregacei as mangas da camisa branca e abri alguns botões, enquanto andava. Meus nervos relaxaram instantaneamente e um sorriso surgiu em meus lábios assim que ouvi a música baixinha que vinha do nosso quarto, misturando-se ao som do chuveiro ligado. Abri a porta devagar e entrei, tomando cuidado para não fazer barulho, maravilhando-me ao som da bela melodia que estava tocando. Retirei o relógio do pulso e o coloquei sobre o criado-mudo, abri mais alguns botões da camisa e andei em direção ao banheiro, na intenção de surpreendê-la, já imaginando tudo o que faria daquele momento em diante.
No entanto, um som abafado, e tão conhecido por mim, me fez parar no meio do caminho, congelei, era um gemido de prazer. Senti o sangue sumir do meu corpo, dando lugar a uma mistura de confusão e raiva descontrolada. A passos firmes, segui até o banheiro e empurrei a porta usando toda a força que tinha, fazendo o objeto se chocar contra a parede, causando um grande barulho. Então, eu os vi, minha noiva e meu amigo, traindo-me descaradamente dentro da minha própria casa.
Vi o homem se encolher covardemente atrás da vadia, sem nem ao menos ter a decência de me enfrentar, um verdadeiro covarde. Thais me encarou alarmada, o peito subindo e descendo nervosamente, enquanto tentava tapar o seu corpo nu com as mãos. Fora de mim, segurei-a pelo braço bruscamente e a arrastei para fora do banheiro.
- Saia, agora! Saia! - ordenei com ódio.
- Arthur. Meu amor... Não faz isso, vamos conversar.
- Cala a boca, por*a! Sua put@ descarada, saia agora, você e esse filho da put@!!!
- Arthur cara, não pode fazer isso - o imbecil falou, vindo logo atrás.
Virei-me e cravei minha atenção em sua fisionomia, com sangue nos olhos, tomado pela raiva avancei em sua direção e o atingi com socos, logo depois, empurrei-o para cima da vadia.
- Arthur, amor, me ouve. Eu... Me perdoa por favor, eu amo você, eu cometi um erro - Disse Thais enquanto chorava desesperada
- Saia! E não diga mais nenhuma palavra ou eu vou perder a cabeça com você - eu disse, possesso. Voltando a segurá-la pelo braço, puxei-a na direção da sala.
- Por favor, espere, já que não quer me ouvir agora, ao menos me deixe pôr uma roupa.
- Tá com vergonha agora, sua put@? Pois quero que o prédio inteiro saiba a vadia que você é! - Sem cerimônia e remorso, abri a porta que dava acesso ao corredor e os joguei para fora da minha casa, eu queria humilhá-los, da mesma maneira que haviam feito comigo.
E a partir daquele momento, prometi a mim mesmo que aquela seria a primeira e última vez que eu havia sido feito de idiota. Naquele dia, prometi a mim mesmo que nenhuma mulher teria lugar na minha vida.
Meus pensamentos foram interrompidos pelo som do toque do meu celular sobre o criado-mudo, ao lado da cabeceira da cama.
Arthur
Ao sair dos meus pensamentos que apesar do tempo, ainda me machucam, pego o telefone, levanto-me e vou até a varanda, sem prestar atenção no visor, atendendo à chamada.
- Alô.
-Bom dia, Arthur! - cumprimenta Antony com a voz seca - Que merda foi aquela ontem na minha casa?
Franzo a testa e suspiro. Para falar a verdade, nem eu mesmo sei por que me meti justamente com a noiva e pior, filha de um antigo amigo da minha família. Contudo, já havíamos ficado algumas vezes em segredo e ela que havia me instigado. Aquela gracinha de olhos verdes tentadores, de 27 anos, experiente, que pagava de virgem só porque tinha o rostinho de inocente... Ah se ele soubesse o que sua filhinha já havia feito comigo, certamente me mataria, mesmo eu sendo a vitima daquela safada.
- Peço desculpas pela indiscrição, Antony. Acabei bebendo um pouco, e não sei o que me deu, sinto muito. - minto.
- Não tente me fazer de idiota, te conheço há anos, conheço a sua fama também - diz, austero.
Gargalho, sem conseguir me conter. Realmente, conheço Antony há muitos anos, fomos apresentados pelo meu pai em uma das nossas muitas viagens. Apesar de ser um Homem rigoroso e respeitado, ele é também frequentador de grandes eventos importantes entre as pessoas mais requisitadas do país.
- Vamos esquecer o passado e focar no presente, por favor- sugiro. - Que tal um almoço mais tarde? Pegarei o voo daqui a algumas horas e não tenho muito o que fazer durante este tempo.
Paro de observar o circular de pessoas passando lá em baixo, pela varanda da suíte , e me viro na direção da cama.
- Hoje não posso, estou morto depois da noite de ontem, mas podemos marcar algo daqui a uma semana no Brasil. Pegarei alguns dias de férias e pretendo fazer um passeio em família. Aproveito para fazer uma visita ao seu pai. - diz o homem um pouco mais calmo.
- Sem problemas - respondo - Tenha um bom dia, Antony - Deixo o celular sobre o criado-mudo e sigo para o banheiro.
De banho tomado e já vestido, me aproximo da ruiva que havia acordado, mas permanecia deitada, em uma pose sedutora. Apesar de a noite ter sido suada e deliciosa, está chegando a parte menos interessante do dia, a parte em que dispenso a mulher sem deixar tão evidente que eu só queria comê-la e nada mais. Só espero que ela não dê um ataque logo pela manhã, não tenho muita paciência para aturar esse tipo de coisa, até porque somos dois adultos.
Ao me aproximar, ela se levanta e coloca suas mão em volta do meus pescoço, fico de frente para ela, afastando-lhe um pouco pela cintura e pisco descaradamente, como somente eu sei fazer. A moça praticamente se derrete, enquanto me analisa dos pés até o último fio de cabelo.
- Apronte-se, está na hora de ir embora.
Seu sorriso morre instantaneamente, dando lugar a uma expressão de incredulidade.
- Como assim? Pensei que... Não sei... Que fôssemos nos divertir um pouco mais.
Encaro a mulher com seriedade e em seguida, retiro suas mãos do meu pescoço e afasto-a mais.
- É uma pena. Mas tenho muito o que fazer, então você precisa ir.
- Mas hoje é sábado, podemos fazer tantas coisas - diz, desapontada.
Toco o seu queixo de leve e faço com que ela me encare. Sorrio com cinismo, já impaciente.
- O que foi? - questiono ao ver que a moça segura o lençol com força contra o seu corpo esguio. Ela me encara com frieza no olhar, a testa franzida de raiva.
- Eu já conheci homens imbecis, mas você certamente ganhou o título de honra - diz sarcástica, enquanto retira minha mão do seu queixo.
- Fico feliz que você tenha compreendido o recado... - tento relembrar o nome dela. Contudo, é em vão. Não me lembro nem se ela tinha me dito. - Como se chama mesmo? - pergunto na cara de pau.
A mulher arregala os olhos e abre a boca, incrédula, mas eu apenas dou de ombros, até porque aqui não tem nenhuma criança. Somos dois adultos que estavam com tesão, só isso.
- Vou embora e espero nunca mais precisar olhar para essa sua cara, ridículo! - rebate.
- Obrigado! - Sorrio e respondo calmamente. Ela está me poupando de uma enorme dor de cabeça.
Encosto-me na parede e sem que ela se dê conta, observo-a se vestir, irritada, apesar da indiferença, me delicio com a visão do seu corpo nu, no qual fiz um banquete a noite inteira. Quando ela termina, pega a bolsa e passa por mim, soltando fogo e fazendo questão de empinar o nariz.
- Adeus querida, foi um prazer comer você! - provoco ainda mais.
A mulher parece transformar-se em um felino raivoso, pois dá meia volta e marcha na minha direção.
- Querida é o car@lho, seu imbecil. - Levanta o braço e faz menção a me acertar com um tapa no rosto, mas, para seu azar, sou mais rápido. Seguro sua mão com força e a impeço.
- Não ouse levantar a mão para mim, agora, saia! - ordeno, olhando-a fixamente.
- Seu maldito... - vocifera com o olhar cheio de ódio. - Algum dia você ira encontrar alguém que vai te mostrar como é ser tratado como um lixo, que vai fazer você se sentir um idiota, que vai te causar uma humilhação maior do que essa que está me causando, e eu espero que isso não demore muito, seu babaca.
Balanço a cabeça e sorrio ainda mais, quase que gargalhando. Ah... Se ela soubesse que esse dia nunca irá chegar, com certeza não estaria me fazendo perder tempo, já gastei a minha cota de trouxa para nunca mais repetir. Para falar a verdade, tenho pena da criatura que tentar entrar no meu caminho com segundas intenções que não sejam apenas de me dar prazer. Não tenho pena de pisar nos cacos dos pobres corações feridos, afinal, não tenho culpa delas serem tão vulgares e descaradas, além disso, não sou responsável por suas ilusões infantis, nunca ofereço mais do que sexo.
Assim que a mulher sai da suíte, batendo a porta com ira, sigo até o bar e sirvo-me de uma dose de whisky. Ainda que esteja cedo e o sol mal tenha acabado de raiar, sinto a necessidade de relaxar um pouco antes de embarcar de volta para o Brasil, lá, deixarei a pose de conquistador e voltarei à velha e boa rotina como o CEO respeitado que sou, dentro do meu império na Vidal Engenharia, que após tudo o que aconteceu e o meu pai ter adoecido, decidi assumir.
Respondo a algumas mensagens da minha secretária particular e outras de Jonas, meu advogado e melhor amigo, bloqueio o telefone e sigo para o aeroporto.