Dois anos antes...
Por Kevin
_ O que você acha desse aqui?_ perguntei a Karina, que veio me acompanhar na escolha do anel perfeito para Lilian. _ Essa noite quero surpreendê-la com o mais lindo e romântico pedido de casamento, kary.
_Acho muito simples, Kevin. Que tal... _ Ela passeou com o dedo indicador sobre os anéis da vitrine e parou sobre um solitário, com uma linda pedra azul, como os lindos olhos da minha namorada.
_ Esse é perfeito, mana!_ Sorri._ _ Acertei quando decidir trazê-la comigo._ Ela me deu um meio sorriso._ Sei que você e Lilian são grandes amigas, mas não conte nada para ela. Quero que seja uma surpresa.
_ Não se preocupe, mano, não acompanhei você até aqui para te entregar no final de tudo. _ A vendedora abriu um enorme sorriso, quando lhe mostrei a nossa acolha perfeita, e eu lhe entreguei o meu cartão de crédito.
_ É uma excelente escolha, senhor! Ela vai adorar o presente!
_ Obrigado! _ Sorrio satisfeito e ela se afasta, e eu aguardo ansioso que ela volte.
_ Como vai fazer se o papai resolver dá o tal jantar?
_ Ele não vai, Kary, já me colocou a par disso. Terei a noite inteira livre para amá-la e fazer a surpresa._ digo empolgado. Recebo a pequena sacola de papel com a logo da king e saímos da loja. Karina tem um compromisso importante na faculdade com uma amiga, e eu sigo para o meu estágio. Às cinco da tarde quero estar livre e ficar perfeito para ela.
🖤
_ Qual é Karina, dá um jeito aí!
_ Não posso Kevin, você acha que eu não tentei? Papai quer todos reunidos para o tal jantar!
_ Porra, eu já estou perto do dormitório!
_ Não importa, Kevin, vem logo! _ Bufando de raiva, eu pego o meu celular e ligo para Lilian, para lhe pedir desculpas por não poder ir ao seu encontro.
_ Não tem problema, meu amor! Nos vemos amanhã?
_ Eu sinto muito, querida!
_ Tudo bem, vou aproveitar para estudar um pouco. Tenho muitas provas durante essa semana.
_ Eu te amo, Lilian!
_ Também te amo, Kevin! _ Irritado, eu volto para casa e me surpreendo ao encontrá-la completamente vazia.
🖤
Por Lilian
A campainha do pequeno dormitório tocou, e eu tirei os olhos do livro, para olhar o relógio digital sobre o criado mudo. Vinte horas. Com um suspiro audível, larguei o livro em cima da cama e fui até a pequena sala, usando apenas a pequena camisola de seda. Não acredito de ela esqueceu a chave de novo! Resmunguei, abrindo a porta e dei de cara um homem usando um boné branco, do time da faculdade. Seus olhos verde-esmeralda me encararam com um sorriso safado nos lábios.
_ Oi! _ Ele disse._ Estou procurando a Nanda.
_ Ah! Ela não está _ digo, mas ele força a entrada mesmo assim. _ Ela não está._ repeti. Ele olhou pela janela e depois para mim.
_Tá bem! _Caminhou de volta para porta, e senti imediatamente aliviada. _ Avisa pra ela que eu passei aqui _pediu, mas antes que eu dissesse qualquer coisa, ele me puxou bruscamente para os seus braços.
_Mas, o que você..._Não houve tempo dizer mais nada. Pois, ele colou as nossas bocas, prendendo-me entre uma parede e o seu corpo, de modo que os meus braços ficaram presos e eu não pude lutar contra esse ataque. O beijo era duro e rígido, ofegante e bruto e então ele parou de repente e simplesmente me soltou._ Você beija bem, gata!_ sussurrou me fazendo sentir nojo. Então eu o vi e o meu coração parou uma batida. Kevin estava por trás dele, pálido, atônito e ofegante.
_ Kevin _ sibilei nervosa e trêmula. Ele me olhou com desprezo, enquanto meneava a cabeça fazendo não para mim. Eu quis dizer-lhe que não era o que ele estava pensando, mas as palavras não saíram. Estou completamente muda.
_ Você é uma vadia! _ rosnou com um tom baixo e agressivo. Uma lágrima desceu, escorrendo por meu rosto e antes que eu tivesse qualquer reação, ele foi embora, sem olhar para trás. Eu simplesmente não me mexi e senti raiva por não ter nenhuma atitude para tentar consertar as coisas.
_ Eu sinto muito! _ O cara sibilou e saiu correndo do dormitório.
🖤
Por Kevin
Horas depois...
Observo a bela cidade do Rio de Janeiro, no terraço do prédio mais alto. Lá em baixo os carros e as pessoas parecem pequenas formigas andando de um lado para o outro. Respiro fundo, sentindo uma dor rasgar o meu peito e me pergunto, porque ela fez isso comigo? Angustiado, liguei para o meu melhor amigo Ricardo, e contei por alto o que acontecera. As lágrimas voltaram a preencher os meus olhos. Nada fazia mais sentido para mim. Então subi para-peito do terraço, desejando acabar de vez com tudo isso. Eu amo aquela mulher, sou completamente louco por ela, tinha um futuro inteiro planejado para nós dois. Porquê? Porque você fez isso comigo? Fechei meus olhos e respirei fundo, sentindo uma leveza tomar conta de mim imediatamente. Preciso acabar com essa dor de uma vez por todas... até que eu senti o toque firme em meus ombros.
_ Não faz isso cara.
🖤
Por Lilian
_Oi, o Kevin está?
_Oi, Lilian! Sim, ele está, mas não quer falar com você. Eu sinto muito, amiga! _ Karina disse em pé na porta, sem me dá passagem. Respirei fundo, contendo mais uma crise de choro. Hoje faz três dias que eu tento falar com ele e essa será a minha última tentativa.
_Tube bem, Kary! Só fala pra ele que... Não, deixa pra lá, não diz nada não.
Minutos depois...
_Como assim vai viajar para NY, Lílian? _ Minha mãe perguntou vendo as malas prontas em minhas mãos.
_Ganhei um intercâmbio, mãe, é uma chance única!
_Mas assim, de repente? E o Kevin, já contou pra ele?_ Apenas assenti.
_Eu volto em alguns meses, tudo bem? É só um intercâmbio, seis meses passam rápido.
_Mas...
_Eu tenho que ir mãe, ou vou perder o meu avião.
_Voce vai sem se despedir do seu pai, do seu irmão, de ninguém?
_Como eu disse mãe, eu tenho que ir. Ligo quando chegar lá, e prometo que falo com o Luís assim que der._ A beijo e saio em seguida.
Alguns anos depois....
Por Lilian Alcântara.
Morar em Nova York é praticamente uma aventura, um desafio, na verdade. Eu amo essa cidade, amo as pessoas correndo de um lado para o outro, para pôr em prática o seu dia a dia e o trânsito louco desse lugar cheio de vida. Desde que me formei, me estabeleci aqui neste lugar. Meu nome é Lilian, e trabalho como psicóloga em um dos maiores hospitais de NY; o Mount Sinai e isso já tem dois anos. Dois maravilhosos anos longe do Brasil. E saber que mudei todo o rumo da minha vida devido a um mal-entendido, consequência de uma atitude mal pensada ou uma má ideia, perdi a pessoa que mais amava nesse mundo. Neste dia, meus sonhos de uma vida a dois foram por água a baixo, nossos planos para o futuro, tudo ficou lá naquele quarto de um alojamento da faculdade no Brasil. De lá, trouxe comigo a dor e a saudade de dias felizes, que sei que não votaram mais.
_ Bom dia, doutora Lilian! _ Sou desperta dos meus devaneios por minha secretária, que invade o meu consultório. _ A senhora tem cinco consultas marcadas para essa manhã. _ Karen avisa, forçando-me a jogar para bem longe esses pensamentos tristes e torturantes.
_Obrigada, Karen! _ Abro o meu melhor sorriso._Pode trazer alguns formulários para mim, por favor? Eu vou até à copa tomar um café antes de iniciar as consultas do dia _ aviso.
_ Claro, doutora! Ah, doutor Peter ligou _ diz logo atrás de mim. _Disse que precisava falar com você. _ Suspiro cansada, sei bem o que ele quer falar comigo. Faz alguns meses que Peter Maison insiste em me convidar para um jantar, sem falar nos flertes cada vez que cruzamos pelos corredores do hospital. Ele está interessado em um relacionamento, mas eu ainda não me sinto preparada para um, mesmo depois de tanto tempo, as feridas ainda estão abertas e ainda dói muito.
_Tudo bem, Karen, depois falo com ele, obrigada! _ falo me levantando da cadeira e vou direto para a copa. Sirvo-me de uma xícara de café com leite, fumegante do jeito que eu gosto e volto para minha sala.
Queria muito poder dar uma chance ao Peter. Ele é um cara legal, é divertido, atencioso comigo e muito inteligente, porém, o meu coração ficou preso com um certo jovem lá no Brasil e por mais que eu tente seguir com a minha vida, e acredite, eu tentei, eu não consigo. Entro em minha sala e com meus blocos de anotações em mãos, atendo minha primeira consulta do dia. _ Bom dia, Richard! _ falo, oferecendo a minha mão para que ele a aperte. _ Como está se sentindo hoje? _ pergunto de modo profissional, observando-o sentar-se a minha frente, cabisbaixo, e como sempre mexendo em seus dedos em um gesto nervoso.
Richard é um jovem de apenas dezoito anos, que carrega o trauma da morte dos seus pais em um trágico acidente de carro. Atualmente ele mora com seus avós paternos em num bairro nobre de NY,. Faz três meses que ele é meu paciente e estamos gradualmente derrubando algumas barreiras emocionais, e a base de alguns medicamentos e de exercícios, estamos vencendo sua depressão.
_ Me sinto melhor hoje!_ Ele diz sem erguer sua cabeça e me lança um meio sorriso, porém, ainda não me olha nos olhos. _ Conheci uma pessoa. _ Revela e isso me impressiona. Estou muito feliz por ele e posso garantir que isso é um bom sinal. _ O turno da manhã fora bem tranquilo, se comparado o ontem. Tive apenas cinco pacientes e todos, adolescentes, sempre precisando que alguém os ouça e lhes dê uma direção para seguir, um sentido novo para suas vidas.
Amo minha profissão, acredito que porque gosto de ajudar as pessoas. Desde que meu o irmão fora abandonado por sua noiva as vésperas do seu casamento, e ainda descobriu que a megera havia matado seu filho ainda em seu ventre, provocando um aborto em uma clínica clandestina, deixando-o desolado e sem vida por longos três anos, decidi que queria ser uma psicóloga, que queria ajudar as pessoas que tivessem problemas psicológicos e assim também poder ajudar meu irmão. Ele teve muita sorte em encontrar Ana Júlia, minha cunhada, em algum momento da sua vida. Ela é uma mulher linda, meiga e determinada. A mulher que lhe devolveu tudo o que Camilly Donato lhe tirou sem nem uma piedade. Sorrio ao lembrar da família linda e maravilhosa que eu deixei no Brasil; meus pais, meu irmão e meus sobrinhos. Eles são as únicas pessoas que faz valer a pena voltar para o meu país algum dia... Mas isso, se eles precisassem de mim.
_ Sonhando acordada, doutora? _ Cris, entra em minha sala esbanjando um sorriso espalhafatoso. Sorrio para ela. Cristiny Steel é uma das minhas amigas de trabalho, a primeira amiga que eu fiz aqui no hospital. Ela é fisioterapeuta e também minha única confidente, é a única pessoinha que sabe de toda minha história e de todo o meu sofrimento e claro, é a pessoa que me dá a maior força para não fraquejar e desistir de tudo o que conquistei durante todo esse tempo. Porque para mim não é nada fácil conviver com as minhas lembranças e ainda me sentir mal com isso, embora eu saiba que não tive culpa alguma do que aconteceu naquela maldita noite. Solto um suspiro baixinho.
_ Sonhar não custa nada !_ rebati, ainda com um sorriso no rosto.
_ Sim, com certeza não não paga nada. Mas, realizar sonhos é bem melhor do que viver sonhando, concorda?
_ Você sabe que esse sonho nunca se realizará, Cris _ falo, perdendo o sorriso expontâneo.
_ Nunca, é um termo muito distante para se alcançar, Lilian Alcântara!
_Como foi seu dia?_ Mudo de assunto.
_ Bem tranquilo! Que tal sairmos para nos distrair um pouco essa noite?
_ Gostei da ideia! No mesmo barzinho?
_ Mesmo barzinho e no mesmo horário. Tomei a liberdade de convidar o Peter, espero que não seja um problema pra você. _ Olho para Cris , que continua com aquele sorriso sacana no rosto. Eu queria dizer que não quero que ele vá, mas não faço, apenas forço outro sorriso, assentindo.
_ Sem problema, desde que ele não insista em nada comigo. _ Dou de ombros.
_ Você devia dá uma chance para ele, Lilian, quem sabe você não esquece de vez um certo brasileiro injusto e mal amado, que te machucou e até hoje te machuca tanto. _ Reviro os olhos e puxo uma respiração audível.
_ Você fala como se eu não tivesse tentado, Cris! _ resmungo.
_ Sei que você está se esforçando, amiga, mas você precisa insistir. Não pode desistir de viver, porque a vida continua. E talvez ele já tenha até seguido em frente, se casou, teve filhos... e acho que você deveria fazer o mesmo! _ Respiro fundo mais uma vez, estou cansada de ouvir sempre a mesma coisa! A final, quem é a psicóloga aqui ?
_ Tudo bem, você está certa! Quem sabe com ele não será diferente, não é? _ Seu sorriso se espalha ainda mais.
_ É assim que se fala, amiga! _ diz empolgada. _ Tenho que ir, não se atrase... e principalmente não desista, espero por você lá. _ Cris me beija no rosto e sai do meu consultório tão rápido, assim como entrou. Mais essa agora ! Penso. Espero não me decepcionar com esse encontro.
Talvez a Cris esteja certa, eu não posso desistir de viver, de tentar. Tenho que seguir em frente, assim como ele seguiu com a sua vida, refazer a minha vida, sair desse mar de solidão e esquecer esse passado que com certeza não tem concerto. Arrumo alguns relatórios e coloco tudo dentro do arquivo, que fica ao lado da minha mesa, guardo alguns prontuários na gaveta da minha mesa e pego a minha bolsa, para sair do hospital. Na garagem, sigo para o meu carro, um HR-V, quatro portas, prata e em alguns minutos estou em minha casa. Um apartamento sofisticado, que fica de frente para uma das praças mais movimentadas de NY, que divido com uma amiga. Escolhi morar perto do meu trabalho por causa do trânsito caótico dessa cidade, assim evito atrasos desnecessários e corre corre durante a semana.
Quando entro no sossegado apartamento, sigo para minha suíte e me livro da minha roupa, colocando- as em um cesto. Tomo uma ducha quente e levo um bom tempo lavando os meus cabelos, e quando termino, me seco e envolvo o meu corpo com uma toalha, e os meus cabelos com outra. Volto o quarto e dedico-me a secar meus cabelos com a ajuda de um secador. Minutos depois, escolho um vestido preto, curto e de alcinhas, com um decote profundo nas costas. Ponho os saltos altos e faço uma maquiagem para ressaltar meus olhos claros. Me olho no espelho e gosto do que vejo. Estou vestida pra matar! Penso e sorrio, afastando-me para pegar a minha bolsa.
Não demora que eu chegar ao bar e encontro Cris sentada a uma mesa, acompanhada e Antony e de Peter. Os três se levantam ao me ver e me cumprimentam. Antony, me estende sua mão para que eu aperte em cumprimento, já o Peter, me puxa para dois beijos inesperados no rosto e na sequência, puxa a cadeira para que eu me acomode. Agradeço-o com um sorriso e logo um garçom se aproxima para pegar nossos pedidos. Os homens pedem uísque e nós duas pedimos um dry martini.
A noite passou devagarosa, praticamente se arrastando e curtir que é bom, nada! Não estou me sentindo a vontade com esse "encontro", mas prometi para mim mesma que me esforçaria e é o que estou fazendo nesse exato momento, forçando uma situação. Entre um copo e outro e uma conversa descontraída, a noite segue o seu curso. Em algum momento, Cris me chama para dançar e eu aceitei de bom grado. Quem sabe assim eu me solto um pouco e a coisa fica bem mais fácil. Anthony se aproxima por trás da minha amiga e ambos começam uma dança só deles. Logo sinto as mãos quentes e grandes de Peter tocando no meu corpo. Ele dança seguindo o ritmo do meu corpo, e eu chego a sentir a sua respiração em minha pele. O seu perfume amadeirado se espalha ao meu redor. Deixando-me levar pelo ritmo eletrônico, logo vejo Cris e Anthony se afastarem, eles tem planos para essa noite. Penso. Incomodada, eu resolvo voltar para mesa e Peter me acompanha.
_Você está linda! _ Ele diz, e eu apenas sorrio. _ O que acha de sairmos desse barulho?
_ Não vai dá, Peter, desculpa!
_ Achei que estivesse gostando da minha companhia.
_ E eu estou... só que eu não...
_Tudo bem, Lilian! Não quero forçar a barra com você. Pelo menos me deixe te levar em casa. _ Ergo a chave no meu dedo indicador.
_ Estou de carro. _ Ele me sorri sem graça. _ Desculpa! _ Ele assente e eu resolvo que é hora de ir.
🖤🖤🖤🖤
NOTA DO AUTOR:
Olá pessoinhas que curte romances, espero que gostem de mais esse trabalho , feito especialmente para vocês ! 💕💕💕💕
Por kevin Lacerda
_ Senhorita Karla, pode por favor ligar para os irmãos Maskovits e avisar que chegarei atrasado para o almoço? Uns vinte minutos no máximo e estarei lá _peço para minha secretária por telefone, enquanto termino de ler alguns contratos que estão em minha mesa.
_ Claro, senhor! Farei isso agora mesmo. _ Desligo o telefone e termino de ler para logo enviar alguns e-mails. Desde que me formei em administração, em uma das melhores universidades aqui do Brasil, meu pai resolveu afastar-se da presidência, me deixando em seu lugar. Ser um CEO da rede de tecnologia me deixa em um corre-corre extremo. Quase não tenho vida social, escapulindo ocasionalmente em alguns finais de semana, com Ricardo Rosa, meu melhor amigo desde sempre. A verdade é que esse cara, é mais que um amigo para mim, ele é como um irmão, que segurou uma barra tremenda comigo, em um dos piores momentos da minha vida, quando eu quase fiz uma loucura com a minha própria vida. Desde que... droga! Prefiro não comentar esse maldito episódio, se quer pensar no que aquela mulher me fez.
Arrumo alguns papéis dentro da minha pasta e saio do escritório, para ir a um restaurante italiano, que fica na avenida principal do Rio de Janeiro. Se fecho esse contrato com os irmãos Maskovits, nossa! A empresa vai para um patamar ainda mais alto no ranking internacional de tecnologia. Estou super entusiasmado com as novas expectativas que esse contrato pode nos trazer.
Entro no carro negro da empresa, que tem os vidros blindados, e Joás, meu motorista e segurança pessoal dirige, enquanto me concentro nos papéis referentes a reunião que acontecerá em alguns minutos.
Ao chegar no restaurante, sou recebido pela brisa suave que vem do mar, que fica a poucas quadras da avenida. O sol quente me aquece, renovando as minhas energias e um meitre, vestido com elegância, me guia até a mesa onde, os homens me aguardam. Yuri Maskovits é um homem alto, muito alto e careca, e Romão Maskovits é tão alto quanto seu irmão, porém não se parece em nada com seu irmão mais velho. Assim que me aproximo, nos cumprimentamos com apertos firmes de mãos e logo nos acomodamos, Romão beberica o uísque que está em sua mão e Yuri apaga seu charuto. Ele me sorri e acena com dois dedos para o garçom.
_ Bom te ver de novo, Kevin Lacerda! Fiquei feliz em saber que você viria pessoalmente a esse almoço! _ Yuri disse satisfeito. Somos grandes amigos desde o intercâmbio que fiz na Rússia a alguns anos. Desde então mantivemos contato, e agora ele será um dos meus melhores clientes, representando a empresa em seu país.
_ Não podia mandar um assessor para atendê-los meu amigo. Assim podemos falar de negócios e ainda matarmos a saudade dos velhos tempos _ comento e sorrio, dando tapinhas cordiais em seu ombro.
_ Claro que sim. Será um prazer relembrar nossas facetas na Rússia. _ Ele riu satisfeito. Durante o almoço falamos sobre a mais nova tecnologia da nossa empresa; um micro chip, usado para rastreamento e localizar pessoas sequestradas ou desaparecidas, ou coisa do tipo. Os Maskovits trabalham com uma rede de empresas de segurança internacional. Eles são responsáveis pela segurança de pessoas muito importantes como, alguns artistas renomados, presidentes e senadores e entre outros e estão bastante empolgados com o avanço dessa nova tecnologia, que com certeza, facilitará o trabalho de ambos e os ajudará a avançar no quesito segurança de sua empresa.
Após mostrar-lhes como funciona o micro-chip, e todos os seus pontos mais do que positivos, fechamos negócio com a estimativa de bilhões de dólares em um contrato anual. E logo estávamos conversando descontraidamente sobre os tempos do intercâmbio, onde fiquei alojado na casa dos seus pais e curtimos muitas noitadas juntos, azarando muitas garotas gostosas, e na maioria das vezes sempre terminávamos com elas em uma cama de motel. Duas horas depois, encerram o almoço de negócios com um abraço apertado e os irmãos seguiram direto para o aeroporto e eu para a empresa.
🖤🖤🖤🖤
Na empresa, sigo tarde a dentro entre uma reunião e outra, e perto das dezoito horas, vou para o meu apartamento
Na empresa, sigo tarde a dentro entre uma reunião e outra, e perto das dezoito horas, vou para o meu apartamento. Depois de um dia corrido e exaustivo, tomo banho demorado e saio para casa dos meus pais, pois, todas as sextas costumemos jantar juntos. E como sempre, aproveito para deixar meu pai informado dos últimos acontecimentos da empresa.
_ Filho, demorou muito hoje! Pensei que não vinha mais. _ Minha mãe, Célia Lacerda, me recebe com um abraço carinhoso e me dá espaço para entrar na casa, onde passei dias felizes da minha infância e adolescência. É uma casa de campo enorme, composta de três andares, com um jardim imenso, onde corri e brinquei muito com minha irmã e com alguns amigos. Meu pai Gabriel Lacerda, se levanta do sofá assim que me ver e me abraça apertado.
_ Desculpe a demora, tive um dia cheio na empresa hoje. Mas, tenho muitas novidades para lhe contar. O senhor vai gostar de saber dos novos contratos que conseguimos para empresa.
_ Depois do jantar, filho. Agora quero saber como você está ? _ Ele pede com um tom sério.
_ Estou bem, pai, vivendo a vida como sempre.
_ E a vida social? _ Minha irmã, Karina, pergunta descendo as escadas e me abraçando em seguida. Reviro os olhos pra ela. É incrível como ela tem pego no meu pé em relação a minha vida pessoal!
_ O que tem a minha vida, Karina? _ inquiro em tom seco.
_ Quero saber se você tem saído, se tem namorado. Essas coisas, ou tem se afundado em trabalhos como sempre?
_ Minha vida social vai muito bem, obrigada! _ Beijo sua testa e me afasto. _ Você não precisa se preocupar com isso. _ Abraço minha mãe com muito carinho. Ela sorri e ela retribue o meu gesto. Eu amo a minha irmã, nós sempre fomos muito unidos e sempre cuidamos um do outro. Ela sempre me dá a maior força. Até parece que ela é a irmã mais velha dessa relação e não eu.
_ Sabe que eu me importo com você, meu querido, sempre! _ ralha e beija a minha bochecha, voltando a me abraçar.
_ Mas não precisa, karina, é sério, eu estou bem! _ Maria surge na sala, avisando que o jantar está servido, o que me anima bastante, porque adoro sua comida e estou faminto.
Maria trabalha com minha mãe desde que somos pequenos, ou seja , desde sempre. Ela é uma senhora de cabelos grisalhos, que vivem sempre presos em um coque severo e aparenta ter pelo menos uns cinquenta anos. Vamos todos para a sala de jantar conversando animadamente e durante a conversa, minha mãe soltou que Lilian Alcântara estava vindo ao Brasil para o aniversário de casamento dos seus pais. Meu coração acelerou só de ouvir a notícia. Não devia, mas esse traiçoeiro ainda se anima só de ouvir falar esse nome. Um desconforto começa a tomar conta de mim e logo sinto o olhar de Karina em cima de mim, mas eu procuro não olha-la nos olhos não quero que ela perceba que essa mulher de alguma forma ainda mexe comigo.
Deixe-me eu explicar um pouco dessa situação pra vocês entenderem melhor. Eu, Karina, Luís e Lilian somos amigos de infância, estudamos juntos durante todo o colegial e eu sempre nutri uma paixonite por ela. Mas foi quando eu e Lilian fomos para a faculdade juntos que acabamos nos envolvendo intimamente. Sim, fomos para a mesma universidade, ela estudava psicologia e eu administração. Na época eu dividia um apartamento com um amigo e ela dividia um quarto no dormitório da faculdade com outra garota. Durante três anos namoramos firme, foi um namoro quente, envolvente e eu me apaixonei ainda mais por ela. No último ano da faculdade quis fazer uma surpresa e resolvi comprar uma aliança de compromisso, queria noivar com ela, mas penso que os meus planos não eram os planos dela.
_ Você ficou calado de repente, filho. _ Minha mãe me trouxe de volta ao presente.
_ Só estou... pensando em uns negócios que deixei pendentes... para próxima semana _ menti descaradamente. Não gosto de mentir para minha família, mas não quero falar sobre esse assunto, não na hora do jantar, e com a minha família. Tão pouco falar do meu passado. Sinto raiva só de pensar nele. Todos em minha família sabiam sobre nosso namoro, sobre meus planos de noivar e tudo mais, porém o que ninguém sabe até hoje, é como tudo acabou ou o porquê de ter acabado. A única pessoa que sabe de toda essa história sórdida é o meu amigo Ricardo Rosa, porque ele foi o único que viu como eu fiquei transtornado naquela maldita noite e o quão desesperado eu fiquei.
_ Na hora do jantar não querido, por favor! _ Minha mãe pediu carinhosamente.
_ Desculpe, mãe, não voltará a acontecer. Prometo. _ Então toquei no assunto da viagem de Karina para Marrocos e todos entram no embalo do assunto, e eu agradeci a Deus. O jantar fluiu tranquilamente, com assuntos variados e descontraidos, e depois de uma boa xícara de café, eu e meu pai fomos para o escritório e lhe deixei a par de tudo sobre a empresa.
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_ Você ficou diferente quando sua mãe mencionou a vinda de Lilian ao Brasil
_ Você ficou diferente quando sua mãe mencionou a vinda de Lilian ao Brasil. _ Papai comentou em meio ao assunto do escritório e eu fiquei rígido na mesma hora. _ Ainda gosta dela, filho? _ inquiriu, seus olhos curiosos estavam nos meus.
_ Impressão sua, papai. Não me incomoda a sua vinda ao Brasil, eu só fiquei surpreso. E não, não sinto mais nada por ela. _ Minto, porque só eu sei como estou por dentro, só de pensar em vê-la outra vez.
_ Eu nunca entendi. Vocês se amavam tanto, e de um dia pra o outro não existia mais nada entre vocês. Como um sentimento tão lindo desapareceu assim, do nada?
_ Porque esse assunto agora, papai?_ pergunto me sentindo irritado. Sério, não gosto de pensar nessa mulher, quanto mais falar dela _ As coisas não deram certo entre nós, só isso. Não era amor e pronto, cada um seguiu com a sua vida! _ falei um tanto alterado.
_ Tudo bem! _ Ele ergueu suas mãos. _Não está mais aqui quem falou! _ Respiro fundo quando noto que quase perdi o controle.
_ Ótimo! Eu tenho que ir, tenho alguns compromissos amanhã cedo e vou ter que madrugar pra não perder a hora. _ disse levantanado da cadeira e abraço o meu pai, que não parece nada convencido com as explicações que lhe dei. Dou de ombros, e saio do escritório, para me despedir de minha mãe e de minha irmã, e saio logo em seguida.
Trancado em meu apartamento penso na melhor maneira de não ir nesse aniversário de casamento. Não quero ter que bater de frente com a mulher que me enganou da forma mais traiçoeira possível. Eu a odeio e não sei do que serei capaz de vê-la na minha frente mais uma vez. Não vejo Lilian desde... porra, dois anos se passaram e a raiva que sinto ainda é tão intensa quanto no dia em que peguei os dois juntos. Como pude me iludir tanto com uma pessoa?
Transtornado, pego uma garrafa de uísque no bar de canto e me jogo no sofá, levando o gargalo direto na boca, e enquanto me alimento da raiva, me embebedo até cair como morto ali mesmo.
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NOTA DO AUTOR:
Gente, Estou aqui me corroendo de curiosidade. o que será que separou esses dois dessa maneira? Comenta aí...