E eu não me importava se ele não me queria. Eu nunca iria querer nada além dele, não importava quanto tempo eu vivesse.
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Muita coisa aconteceu nesse longo tempo.
Estou grávida, depois de duas tentativas que falharam. Bruno e eu até tínhamos desistido de tentar ter outro filho. Mais por um milagre, estou grávida novamente.
Lua ser tornou uma adolescente um pouco difícil de lidar, bem diferente de mim. A mesma é tão apegada ao pai e Bruno também é louco por ela. Amo esses dois mais que tudo na vida.
Lua era a cópia viva do Nicolas, ela puxou a tudo nele. Quando ficava brava, quando sorria e até o amor pelos livros.
Nunca mais tiver notícias do mesmo, era como se ele nunca tivesse existido.
Não queria que ele sumisse dessa forma, queria que ficasse pela nossa filha.
- Mãe, você acha que o papai me daria esse box? - Sou tirada de meus pensamentos por Lua. Ela estava com o celular em mãos me mostrando um box de livros.
- Não sei, acho que sim. - respondo.
Ela da de ombros e volta a mexer no celular.
Bruno trabalhava como gerente no restaurante da minha mãe. Ele passa a maior parte do dia no trabalho e sempre que volta traz comida pronta. Eu e Lua adoramos. Lua não sabia cozinhar e eu tinha preguiça.
A dois anos trás recebi um e-mail um tanto estranho "Eu estou voltando" me subiu um calafrio e uma sensação estranha.
Pensei que pudesse ser o Nicolas, mais a mensagem não dizia mais nada. E já se passou tanto tempo, não podia ser ele.
Porém, não sabia como ele estava agora. Nicolas devia ter mudado.
.
Quando Bruno finalmente chegou, Lua correu até o pai e o encheu de beijos.
- Que saudades pai. - ela diz e pega a mochila de Bruno. - Deixa eu levar pro seu quarto. - quando Lua queria alguma coisa, ela sabia chantagear muito bem.
- O que ela quer dessa vez? - Bruno pergunta e vem até mim me enchendo de beijos.
- Livros. - digo e beijo seu pescoço.
- Lua ainda vai me fazer chegar a falência. - Bruno diz e sorrir em seguida.
- Pai, vou direto ao assunto. - Bruno se senta ao meu lado, Lua tenta falar, mais é interrompida pelo pai.
- A mocinha não está merecendo ganhar nada. - diz. - só recebo reclamação da diretora da escola e agora essa de namorado.
- Em minha defesa. - tenta falar novamente.
- Em sua defesa, você está de castigo até segunda ordem.
- Eu odeio você. - sai batendo as pernas com raiva.
- Não sei a quem ela puxou. - digo.
- Eu sei.
Lua tinha 16 anos, mais as vezes achava que tinha mais. Não entendo e nunca entendi esse estilo rebelde dela. Bruno e eu sempre a deixamos fazer o que quisesse, contanto que pudesse ter limites. Quando Lua ficava de cabeça quente, ela costumar ir pra casa da minha mãe e fica por lá mais de uma semana.
E agora ela vem com essa de namorado, pra mim ela sempre seria o meu bebê.
Minha filha tem um gênio difícil.
Eu volto logo pra que você não precise sentir a minha falta. Tome conta do meu coração, eu deixei ele com você.
◇
Nicolas
Minha filha é linda.
Tão delicada.
E ao mesmo tempo tão difícil. Nunca a deixei só, me doeu passar esses anos longe dela e da Beatriz. Eu não tive escolha. Era eu ou a minha filha.
Eu estava tão ansioso para a chegada dela, minha primeira filha com a mulher que eu amava. O que eu fiz não tem perdão, eu praticamente surtei com tudo.
Meus homens de confiança, os que deixei de olho na Lua. Me mandavam diariamente notícias dela, minha filha havia puxado em tudo a mim. Alguns anos atrás quando ela era somente uma criança, recebi um vídeo no celular. Lua gritava e chorava dentro do supermercado querendo um biscoito recheado. Beatriz dizia que não e Lua gritava ainda mais.
Se eu estivesse presente, teria comprado todos os biscoitos daquela sessão só pra ela escolher. E foi isso que mandei fazerem.
♤
Estou de volta na cidade.
De volta ao meu antigo lá, onde nasci e fui criado.
Carlos continuou na casa por mim, deixei instruções claras para o mesmo.
- Meu Deus - Carlos me abraça.
- Não precisa me esmagar Carlos. - digo. Ele sorrir e me solta.
- Como você está? - pergunta.
- Bem, eu acho. - olho ao redor e tudo estava do jeito que eu deixei. - Obrigado por ter ficado na minha ausência, é bom saber que tenho alguém de confiança.
- Sabe que para mim não foi nada.
Vou até o meu quarto e o vejo igualzinho como antes. Meus livros na estante e minha escrivaninha que costumava ser uma bagunça, estava completamente organizada.
- Contratei uma empregada na sua ausência. - Carlos diz despejando as malas no meu quarto.
Permaneço em silêncio olhando tudo.
- Já foi ver a sua filha?
Não sei como ela reagiria, talvez me desprezasse ou nem quisesse olhar na minha cara. E ela tinha toda razão, eu sumi de sua vida desde o nascimento.
Mas agora estou aqui, para me explicar e contar tudo que aconteceu, e do porque que eu fui embora.
- Ainda não.
- O que tá esperando senhor Nicolas? - Carlos estava animado. - ela vai adorar te conhecer.
- Não teria tanta certeza. - me sento na beirada da cama. - ela provavelmente cresceu achando que o imbecil do Bruno é o seu verdadeiro pai.
- E você vai deixar isso continuar?
Sim.
Não, sei.
Não vim para destruir a família perfeita que minha filha havia crescido. Só queria conhecê-la, Beatriz e Bruno jamais iriam permitir.
Passo minhas mãos sobre os cabelos e os bagunça frustrado.
Descobri que sou um completo fracasso em ficar longe de você. Um problema muito grave. - Maxon Schreave.
.
Beatriz
Já havia se passado dois dias e Lua continuava de cara emburrada. Bruno tentou falar com ela e bateu várias vezes na porta do quarto dela, e quem disse que ela abriu.
- Deixa ela Bruno. - Digo. Eu estava deitada alisando minha barriga que ainda estava pequena.
- Não gosto de vê-la triste.
- Eu também não. Porém ela precisa aprender que não poder ter tudo que quer. - digo e o vejo concordar. - qual seria graça se tivéssemos tudo?
- Você tem razão. - Bruno sorrir e me dá um selinho para se despedir.
- Você pode trazer sorvete? - pergunto.
- Quantos você quiser.
E se foi, me deixando sozinha com uma adolescente irritada.
Eu não gostava de pensar no que poderia ter acontecido se Nicolas não tivesse ido embora. Porque se eu me permitia pensar nele, eu estaria traindo o Bruno.
Eu gosto de pensar na minha nova vida e em como tudo estar bom demais. Meu casamento com o Bruno aconteceu um ano depois do pedido, exatamente no dia 8 de março. Não poderia existir data mais perfeita que essa.
Eu estava suando frio e pensava e repensava sobre esse grande passo.
Conforme eu mexia a cabeça devagar, respirando ofegante de nervosa.
- Vamos? - Clystoff pergunta. Balanço a cabeça que não.
- Eu não tô pronta. - digo. - diz que eu passei mal ou que fui embora.
Coloquei minhas mãos sobre a parede e olhei para meus pés.
- Vai amarelar agora? - meu irmão mais velho pergunta.
- Vou. - respondo simplesmente.
- Ok. Irei dizer que você não ama mais o Bruno e que fugiu. - Clystoff estava já saindo quando o puxei pelo braço. - O que??
- Não diga isso. Eu só... Eu só..
- Tem medo de ser finalmente feliz? - fico em silêncio. - Beatriz, não precisa ter medo. Ele te ama e ama minha sobrinha como se fosse filha dele. Ele não é o Nicolas, Bruno jamais abandonaria vocês duas.
Ele tinha razão.
Bruno permaneceu nos momentos mais difíceis da minha vida. E eu o amo por isso.
- Vamos! - digo. pego o buquê sobre a penteadeira e agarro o braço do meu irmão.
- Essa é a minha insuportável. - Clystoff sorrir e deposita um beijo rápido em minha testa.
Sorri.
Era bom me lembrar de coisas assimÉ bom me lembrar de quando minha filha era somente uma criança sapeca.
Sou tirada de meus pensamentos pela companhia tocando. Era raro alguém vim aqui em casa pela manhã, abro a porta e dou de cara com Antony um garoto do nosso condomínio.
- Oi? - digo sem entender.
- Lua estar? - ele pergunta.
- Sim. - digo. - quer que eu chame?
- Sim, mas não agora. - ele diz tímido. - posso falar com a senhora?
Convidei Antony para entrar e se sentar comigo no sofá. Antony suava e estralava seus dedos.
- Eu pedi a Lua em namoro e ela aceitou. - diz.
- Já desconfiava. - o que era verdade. Lua vivia grudada no Antony já fazia algum tempo e eles nunca foram amigos.
- Queria perguntar se a senhora deixa ela namorar comigo? - pergunta olhando para as mãos.
Sorrir e concordei que sim. Antony era um bom garoto e sabia que não seria má influência para a minha chatinha.
- Claro. Devia ter vindo antes. - respondo. - LUAAAA O ANTONY ESTÁ AQUI. - Grito chamando pela mesma.
- Obrigado dona Beatriz.
- Dona não, me sinto velha. E ainda estou na flor da idade. - digo sorrindo.
Antony era alto e de olhos claros. Tinha cabelos negros e um topetinho até que fofo. Minha filha tinha bom gosto, da minha parte estava tudo certo. Não sei o que o Bruno iria achar de tudo isso.