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Sempre sua Luce

Sempre sua Luce

Autor:: renata medeirosM
Gênero: Romance
Mesmo tendo um passado difícil e cheio de mistérios, Emma Smith cresceu confiante e certamente com muitos parafusos a menos. Dona de uma língua afiada e mente bem fértil, ela se mete em diversas confusões engraçadas muitas vezes sem nem sequer notar. Cuidando de um irmão problemático que ama participar de lutas ilegais, Emma deseja apenas conseguir um futuro melhor para os dois. Em meio a tudo isso conhece Sean, um homem encantador, perfeito demais para ser verdade e que adora colecionar segredos. Quando o pior acontece sempre parece estar no lugar certo para ajudá-la, mas o que ela não imagina é que talvez seja ele o verdadeiro vilão da história. Sem ele Emma nunca irá descobrir a verdade sobre seu passado e com ele corre grande perigo. O de se apaixonar e ter seu coração despedaçado para sempre."

Capítulo 1 Sempre seu Luce

O amor pode te salvar ou te destruir.

Mas ele pode ao mesmo tempo fazer os dois?

Capítulo 1

Perdendo-me

Quatorze anos antes.

- Olha pra mim! - ele gritou - eu sei que você tá me ouvindo... por

favor, não chora.

Eu estava chorando? Do jeito que ele falou parece que está

também. Não entendia o que estava acontecendo, minha cabeça

doía demais e tudo parecia girar, só queria que ele fizesse isso

parar. Desde que o conheci queria que fossemos amigos, nunca me

deixava sozinha, por que estava fazendo isso agora? Ele está indo

embora, eu sei. Sua voz parece cada vez mais longe.

Quero pedir para ele ficar, estou com tanto medo.

- Não importa onde eu vá ou onde você estiver... Você sempre será

a minha Luce. Nunca, nunca se esqueça disso! – fala triste.

- Por favor, diz que não vai esquecer... – pede tocando meu rosto. –

Eu sinto muito, muito mesmo. Não tive escolha, eu-eu...

Porque você não me ajuda, pensei. Estou assustada e quero ir

embora, você não consegue ver?

- ...você está me ouvindo? – chama – Luce!? Luce!

Meu nome foi a última coisa que ouvi antes de mergulhar para o

escuro.

Capítulo 2

Lar da decepção

Hoje.

Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiin! Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiin! Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiin!

Eu definitivamente odeio esse maldito barulho!

É o despertador do lugar onde eu moro, o "Nosso Lar da

Esperança", nome um tanto antagônico já que de lar e esperança

não tem nada. Estava mais para "comunidade onde jovens órfãos

dividem seus apartamentos (se é que dava para chamar esse

cubículo disso), convivem miseravelmente entre si e que,

ocasionalmente, evitam se matar". Só para constar o tamanho da

minha "sorte" meu dormitório fica no 15º andar, o último do prédio.

E não, o lar não tem elevador.

Levanto-me assustada como sempre.

Vivia neste "paraíso" já há um bom tempo. Vim para cá aos

dezesseis anos e ainda não me acostumei com esse barulho

insuportável do despertador, que está mais para sirene

desesperadora. Serve para acordar todos os órfãos mais velhos, ou

se você preferir, os veteranos do lar.

O que era muito ridículo já que quase acordava o Bronx todo.

Sinceramente não sei para que colocar esse negócio tão alto e por

que esse barulho? Sei lá, colocava uma música tipo Maroon 5 ou

Coldplay, assim eu acordava dançando ou feliz pelos menos.

Aceitaria até uma música do Justin Bieber, aquela Sorry até que é

boa. Mas não, acordava todos os dias assustada/irritada, odiando a

minha vida e querendo matar pessoas.

Ou só a Nina mesmo.

- Mas que droga, Emma. Cacete! Por que deixa essa merda toda

espalhada aqui? Tá querendo me matar?! – minha colega de quarto,

sempre me amando muito aos berros logo de manhã.

- Aí Nina, não dá pra ignorar a bagunça não? Essa é a minha parte!

Não tenho culpa se você caiu no meu lado do quarto. Além do mais

não é merda, são as minhas coisas. Agora para de gritar! - digo me

remexendo na cama, tentando dormir de novo.

- Que droga! Não sei como consegue, tá tudo junto jogado. Como

você encontra suas coisas, sua idiota? – nem preciso olhar para

saber que está me fulminando com os olhos.

- Arg! Encontrando. – Escondo-me debaixo do travesseiro, tentando

abafar os berros de Nina – Pelo amor de Deus. Vai logo tomar

banho antes que o lar todo acorde com essa sua voz de taquara,

não quero chegar atrasada hoje de novo. Só me avisa quando você

sair.

Nina é a garota irritante/insuportável que divide o dormitório comigo.

Tinha também a Andie e a Julia, mas elas já se mudaram. Sorte

delas. Quando as duas saíram (ou se libertaram) nós fizemos um

acordo para dividir o dormitório. Eu ficava com o lado direito, onde

estava a minha cama e a de Andie, e ela com o lado esquerdo, onde

ficava a cama da Julia e a sua. Óbvio que isso não deu certo porque

Nina não consegue agir como um ser humano normal.

Todo dia é a mesma coisa. Acordo cedo, às 05h00 da manhã por aí,

porque assim eu consigo tomar banho em paz e sem muitas filas.

No meu setor, o 15º andar, são seis dormitórios e cada um deles

tem quatro pessoas. Tirando o meu que só tem uma pessoa, já que

a Nina não pode ser um ser humano, é preciso ter sentimentos para

isso. Todos os dormitórios são compartilhados e ao cento temos

uma cozinha comunitária, dois banheiros (um feminino e um

masculino) e uma sala. Esse é o chamado "Nosso Lar da

Esperança", um centro de apoio aos jovens órfãos de Nova York. É

o nosso destino quando temos idade suficiente para sair do

orfanato, o que seria aproximadamente aos dezesseis anos.

Aqui não é moleza como lá no orfanato, temos nossos dormitórios e

no fim do mês pagamos pela estadia e pelos gastos do lar. Se não

pagar está na rua, já que não somos mais consideradas pobres

crianças órfãs e sim adultos independentes que podem se cuidar

muito bem sozinhos e que, só por acaso, são órfãos.

Enfim, voltando ao meu "maravilhoso e sensacional" dia-a-dia, eu

acordo cedo porque trabalho na Crawford Reaserch Enterprise, uma

multinacional que começou como banco, mas hoje em dia é uma

das maiores e mais completas empresas do mundo. Lá sou

secretária da ala comercial, o que não paga muito, mas dá para

arcar com as contas do lar, cuidador do meu irmão e sobreviver.

- Bom dia, minha Flooor! - grita Jason, tirando minhas cobertas -

Assim você não vai chegar cedo hoje, parece que todo mundo

decidiu tomar banho agora.

Esse é Jason, ou JayJay, meu amável não tão delicado irmão. Nos

conhecemos quando crianças, no primeiro orfanato em que

moramos. Não me lembro muitas coisas, tenho péssima memória

para falar a verdade e minha infância é quase um borrão, porém,

Jason ama se gabar com isso e vive dizendo que eu posso não me

lembrar, mas que desde o primeiro dia não larguei do seu pé e

assim nos tornamos inseparáveis.

Hoje ele é minha família.

- Meu Deus! – levanto assustada - Que horas são?! Acabei

dormindo de novo, droga. A Nina já saiu? Aquela vaca nem me

avisou que já tomou banho, eu disse que queria chegar cedo!

- Calma Flor, - se aproxima sentando todo folgado na minha cama -

eu te levo hoje. Voltei para casa com o carro da empresa e tenho

uma entrega lá do lado da Cruelford. – diz deitando-se – E fica

calma, você sempre tá atrasada mesmo. – ri. – Calma que ainda dá

tempo pra chegar hoje.

Isso porque não é ele que vai ter que aguentar de novo o sermão do

Senhor Maxon, dizendo como eu sou irresponsável e que não me

demite por saber que sou uma sofrida "garota esperança".

Além de viver pessimamente ainda era conhecida por esse apelido

ridículo de garota esperança. Isso significa de onde eu vim, como se

eu fosse uma pobre coitada com problemas que foi abandonada

pelos pais em um orfanato. Pelo menos dessa vez eu gostava da

piedade que recebia, assim continuava com meu emprego. A gente

usa o que tem, né?

- Ah, valeu Jason, só vou tomar banho rapidinho e já estou indo. Me

espere lá embaixo, ok? – corro pegando minha toalha.

- Claro, mas vai logo que a fila do banheiro já está imensa. –

Levanta e me dá um beijo na testa antes de sair.

Honestamente não sei como é que Jason consegue entrar no meu

dormitório. Tudo bem que a segurança daqui é horrível, nem trava

na porta tem direito, mas nunca escuto quando ele está entrando.

Quando vejo, ele já está do meu lado falando comigo ou está

roubando meu estoque de salgadinhos. O que me irrita é que ele

sempre pega os melhores ou come e os devolve como se não

estivessem abertos, aí quando eu vou comer o salgadinho está todo

fofo com gosto de nada.

Tomei um banho super-rápido e corri para ir me trocar. Coloquei um

conjuntinho social que ganhei de Jason no Natal e até que dessa

vez ele acertou, tudo bem que eu tenho quase certeza de que foi a

vendedora que escolheu para ele. Deve ter sido uma de suas

peguetes, nesta época acho que era a Sheila ou Keila vendedora de

uma boutique chic. Então está explicado. É um conjuntinho social da

cor azul marinho composto por uma saia, um tanto justa, e um

blazer que contornava perfeitamente minha cintura e ia até o início

do meu quadril. O tecido é diferente, muito macio e leve, ficou

perfeito em mim. O único problema era achar uma blusa que

combinasse com essa roupa.

Acabei roubando de volta uma blusa minha que Nina "jurava que

era dela". É uma blusinha branca bem simples com pequenos

pedaços de renda preta que enfeitam aparte do busto. Coloquei

minha lingerie com uma cinta-liga e meia 7/8. Ao contrário do que

muitos pensam cinta-liga não é só uma peça sensual, é muito

confortável além de serem práticas de se tirar. Elas também não

ficam curtas, como no meu caso que tenho 1.70 de altura, as meias

normais nem vão até o meu quadril. Está vendo, te deixar sexy é só

um bônus.

Depois que terminei de me trocar decidi que minha roupa pedia por

um salto então peguei meu peep toe bege que apertava um pouco

meu pé, que já era um número menor que o meu. Ganhei de

aniversário aos quatorze anos de Dona Marlee, ela era a

responsável pelo orfanato, a nossa "mãezona". Me lembro que na

época tinha pedido um livro, no entanto, ela disse que não era

possível porque na nossa cidade não tinha livrarias e os únicos

livros que tinham na nossa biblioteca eu já tinha lidos mil vezes.

Assim pedi um par de saltos que vi na caixa de doações.

- Dona Marlee, por favor, você me disse que me dava qualquer

coisa! - peço.

- Minha querida, tem certeza? – pergunta receosa, ela pensava de

seriamos crianças para sempre e pedir um salto era adulto demais,

nas suas concepções – Brooke pediu para usar o telefone, ela vai

ligar para as meninas que saíram do lar esse mês. Você não quer

um tempinho também? – Pergunta esperançosa.

- Aí, para quê? Não tenho ninguém para ligar! As meninas nunca

gostaram de mim e outra, qual é o problema em me dar um salto? -

questiono aborrecida.

- Um salto é algo tão bobo, para que você quer um afinal?

- Ouvi Jason dizer que os meninos gostam de meninas que usam

salto. Eu já sou quase adulta, quando sair daqui vou conseguir um

emprego e um namorado, a senhora vai ver. Mas preciso do salto

pra isso Dona Marlee, por favor! – imploro unindo as mãos e

tentando olhar com a cara mais sofrida que posso.

- Mas...– Dona Marlee tentou me convencer, mas até ela sabia que

quando eu coloco algo na cabeça nem eu mesma se quiser consigo

tirar.

- Por favor, por favor, por favor. Eu quero um salto, é o que eu mais

quero! Deixa a Brooke, depois de um tempo as meninas nem vão

mais falar com ela mesmo. – Dei de ombros e sai batendo o pé.

Brooke, a menina do telefone, adorava me irritar desde sempre. Eu

nem sequer sei o porquê ela não gostava de mim, só que esse ódio

ficou muito pior depois que ganhei meu tão desejado salto e fui com

ele na festa de Natal da Igreja. Ela jurava que eu roubei Mike, o

menino novo do bairro que era de quem ela gostava, por conta dos

meus novos saltos. Um tempo depois, quando eles começaram a

apertar meus dedos pensei como essa escolha de presente foi

idiota. Mas agora sei que eles são sagrados, já sobreviveram seis

anos, roubaram Mike de Brooke e ainda me faziam lembrar da Dona

Marlee.

Quando desço Jason estava me esperando conversando com Kate,

que morava no 5º andar, conhecida como a "garota dá esperança",

mas não no sentido que você já conhece e sim por já ter dormido

com quase todos os caras e mulheres do lar, literalmente. E Jason

era um deles. Kate gostava de brincar com as pessoas e jogá-las

fora como se não valessem nada, todo mundo sabia disso, mas

mesmo assim ela ainda conseguia sempre o que queria.

- Pronto, podemos ir. – disse para Jason, ignorando a presença de

Kate. Ela ignorava a minha então ficávamos numa boa. Quase

sempre.

- Ah, ta eu já vou... Vai indo na frente, o carro é aquele

amarelo ali do outro lado da rua. – disse sem sequer mesmo me

olhar. Estava ocupado demais olhando para o decote de Kate ou

pedaço de pano que ela estava usando. Aquilo não podia nem ser

considerado um top.

Jason ainda continuava nessas de pegar às vezes Kate. Ela era um

alvo fácil, era só ele olhar para ela que suas pernas já se abriam.

Tudo bem que Jason é simplesmente lindo, tem cabelos cor mel

escuro e olhos de mesma coloração, além de ser alto e bem forte.

Mas essa força toda aí era fruto de sua teimosia de sempre estar

saindo com Jack e a sua gangue. Eles eram conhecidos como os

Snake's e ganhavam grana com lutas de vale tudo. Cada luta era

em um local diferente e você só ficava sabendo onde seria uns vinte

minutos antes, assim eles mantinham os tiras longe. Eu já perdi as

contas de quantas vezes briguei com Jason por conta dessas

disputas, uma vez tive que buscá-lo de uma delas porque apanhou

tanto que acabou inconsciente.

Depois de olhar para o outro lado da rua a procura do tal carro

amarelo voltei a olhar para ele. Kate chegou bem perto e começou a

sussurrar algo em seu ouvido. Jason, nada bobo, apalpou quase

que o corpo todo da garota e repousou uma de suas mãos em sua

bunda dando alguns beliscões. Enjoada com essa cena eu disse

meio que alto demais.

- Tá! Só não demora muito.

- Por que você não se vira garota? Não percebeu que ele está

ocupado? – diz Kate e depois de dizer isso começou a tocar Jason

naquele lugar. Sim, nesse mesmo que você está pensando.

Nojento.

Não era obrigada a ficar ali presenciando essa cena, então ignorei o

comentário idiota e sai andando. Melhor chegar atrasada do que

ficar traumatizada vendo Kate enfiar a língua na orelha do meu

irmão.

No caminho acabei parando no Joe's, uma cafeteria pequena que

tem no bairro. Não é só porque fica aqui pertinho porque Joe faz o

melhor café da cidade! Gosto de vier aqui, me sentar e tomar café

tranquila, enquanto lia alguns livros que Joe deixava no balcão para

os clientes. Esse é um dos meus lugares preciosos, aqui eu não

preciso pensar nem me lembrar de nada. Joe já está tão habituado

comigo que não deixa ninguém se sentar na minha mesa e até

mesmo comprava alguns livros velhos no sebo para mim.

- Bom dia Ems, hoje eu vi que você se atrasou um pouco, está tudo

bem? – pergunta quando chego ao balcão.

- Nem me fale Joe, está tudo bem sim eu só me atrasei mesmo.

Sabe como é complicado lá no lar né, um banheiro só para gente

demais. – ri.

- Claro, - sorri de lado, quase me fazendo desmaiar - já deixei tudo

prontinho para você. O de sempre, não é mesmo!?

Joe é uma das pessoas que embelezavam o bairro, o lugar podia

não ser lá essas coisas, mas foi aqui que eu cresci e conheci as

melhores pessoas da minha vida, incluindo ele. Joe é negro de

olhos castanho escuros, forte (deliciosamente forte) e tem quase a

minha idade, uns 22 anos. Ele é lindo, tanto por dentro como por

fora (principalmente por fora) e nunca o vi sem um sorriso no rosto.

- Hmm... Como sempre o cheiro está ótimo Joe, você é um máximo!

– digo pegando meu pedido. Entrego o dinheiro a ele, pego um dos

seus livros em cima do balcão e quando estou saindo o ouço me

chamar.

- Oh.. Espera – diz passando os dedos rapidamente naqueles seus

lindos cachos, os bagunçando ainda mais – Emma.. Er.. Você vai

fazer algo hoje à noite? Sabe, quando sair do trabalho? – depois de

dizer isso me encarou com aqueles olhos escuros, que nem

jaboticaba, de um jeito pidão, mas muito, muito sexy.

- Acho. Acho que não, por quê? – digo fingindo não ligar e surtando

por dentro.

Para tudo! Joe vai ENFIM, ALELUIA, me convidar para sair?! Já

estava desistindo, sério! Sabe quantos brownies eu tive que comer

para que isso acontecesse? Muitos, milhares! Estou perto de virar

um bolinho ambulante e minha bunda super concorda com isso.

- Ótimo, eu tenho um par de convites para uma festa no Granni's.

Queria saber se você gostaria de ir comigo.

Ai Deus, com esses olhos aí meu querido vou onde você quiser

principalmente se esse lugar for o Granni's, que é simplesmente a

melhor balada da cidade. As melhores festas acontecem somente

uma vez no mês e só entra quem é convidado.

Mas é claro que eu respondi diferente.

- Ah... Pode ser. Me manda o endereço e o horário, ok?

- Ok, então está marcado! – responde com uma piscadinha.

Dei um sorriso tímido e fui saindo rindo internamente dessa situação

(uma risada interna bem histérica, diga-se de passagem). Esperava

por um convite dele há uns três meses, acho. No início fui lá não

porque o café era ótimo, mas porque o cara que o fazia era lindo.

Meu último quase namorado deve ter sido há uns dois anos, sem

brincadeira. Precisava de uma mudança na minha vida e como já

disse, conseguir essa proeza foi um grande sacrifício que se

consistia em muitos, muitos bolinhos.

- Calma.. Emma, espera! – disse Joe, tirando o avental e correndo

para me alcançar, já estava virando a esquina quando me

encontrou.

- O-oi, o que foi? – Nossa dessa vez foi bem rápido, já vai me

dispensar? Desistiu? Será? Ah.. mas eu nem estava querendo tanto

assim. Vou ao Joe's todo dia pelo café, claro que não tem nada a

ver com aqueles braços fortes que ele tem, ou aqueles olhos

penetrantes e extremamente sexys. Eu não preciso disso! Se eu

estiver carente é só chamar o Jason para sair comigo, claro que ele

vai me deixar sozinha nos primeiros instantes que encontrar uma

que se esfregue nele e...

- Ems, primeiro, como vou te avisar se não tenho o seu número?

Segundo, posso estar com avental e cheirar a muffins, mas sou um

cavalheiro. Te busco lá no lar às 20h00, pode ser? – Acho que ele

era o único homem que conseguia cheirar a muffin e ainda ser

gostoso demais.

- Ah S-sim... Cla-claro. Pode ser... Está ótimo... Perfeito... Tá bem

bom assim... Muito bom...

Ok, agora para de falar que nem uma retardada Emma, só sai

andando antes que o cara desista de verdade. Joe deu mais um

daqueles sorrisos esplêndidos, que me fazem pensar em coisinhas

(bem safadas) e voltou para a cafeteria.

Ai, preciso mudar.

Não a minha rotina, estou falando do meu jeito. Preciso ser mais

legal, mais solta, se não vou morrer seca, sozinha com 27 gatos,

todos com roupinhas e nomes estranhos como Jeremiah, ou Sir

Joseff. Essa ideia de como será meu futuro é fruto da exagerada e

irritante imaginação de Jason. Ele sempre me diz isso quando eu

recuso ir para casa com alguém do bar. Porque perder a virgindade

com um estranho bêbado de um bar do subúrbio é o sonho de

qualquer garota.

Claro.

Todo esse drama começou quando eu contei a ele que era virgem,

por mais incrível ou deprimente que pareça. Ele ficou rindo da minha

cara por uns dez minutos e depois que percebeu que era verdade

ficou abobado. O pior disso é que eu não sou uma virgem qualquer,

eu sou totalmente virgem. Acho que nem cheguei ao fim da primeira

base. Eu nem sequer sei o que se faz na primeira base.

Eu sei, eu sei... Decadente! Mas para ser sincera, eu nunca tive

vontade de entregar a minha estrelinha a ninguém ou qualquer outra

coisa. Pode ser que Joe mude essa realidade hoje à noite. Não me

julgue, não sou fácil! Apenas quero parar de ser a única virgem

patética no lar. Isso não é algo tão simples assim? Pelo menos todo

mundo fala como se fosse.

Enfim, já estou bem atrasada para o trabalho agora. Ao menos Joe

me deu uma boa notícia hoje, vou pensar nela quando eu quiser

socar a cara do meu chefe quando chegar à empresa. Ele vai

começar outro discurso da esperança lá e eu não estou nem um

pouco a fim de ouvir. Tudo bem, eu estou errada de chegar assim

tão atrasada, mas todos os dias, sem nenhuma exceção, eu faço

meu trabalho com extremo êxito e ainda continuo fazendo após o

horário. E você acha que ele paga minhas horas extras? Aham, se

eu fosse esperar por isso já estaria morta em decomposição. "Então

porque você fica após o horário Emma?" Você deve estar se

perguntando. Porque este era um jeito de evitar voltar para o lar,

porque no fim do dia eu não tinha nenhuma casa para voltar. Lar era

o nome do local, mas eu sabia que lá não era o meu verdadeiro

lugar. Esse era meu último ano lá, pelo menos esse é o meu

objetivo. Nem que eu alugue um lugar do tamanho de uma azeitona,

eu saio daqui! Preciso ter pela primeira vez a minha casa, o meu lar.

Capítulo 2 Sempre seu Luce

Capítulo 3

Cruelford

Acabei indo de ônibus. Era "tarde" demais e peguei um trânsito

enorme no caminho, mas essa era a melhor alternativa. O metrô é

vazio e bem mais limpo, mas demorava demais e fica a uns quatro

quarteirões de distância do meu trabalho.

Para melhorar furei minha meia calça quando entrei correndo no

edifício Crawford. Ele é um dos maiores e mais altos da rua, todo

espelhado, com um quê de superioridade comparado aos outros ao

seu redor. No primeiro andar está a sua recepção toda em mármore

claro, uma cor próxima ao bege, e com muito vidro. Para entrar você

deve ter uma carteira de identificação com nome e cargo, mas só os

funcionários da plebe, eu como exemplo, precisam disso. Para os

chefes e empresários isso nem é necessário, só é preciso olhar para

o grande Rolex em seu pulso ou seu terninho impecável de marca.

Não sei nenhuma marca de terno cara, mas nem preciso, o que sei

é que qualquer que seja sua marca, só a gravata deve valer a minha

vida e mais um pouco, ainda ficaria devendo.

Entrei na recepção e passei correndo por Gabe, o recepcionista,

para conseguir pegar o elevador. Trabalho no 9º andar, o que é bom

porque a cozinha fica no 7º, e a maravilhosa e melhor máquina de

café do mundo fica no 12º, então nem preciso de elevador. Quando

cheguei ao meu andar já sabia que o senhor Maxon estava me

esperando, como sempre.

- Minha sala, agora! – Ele ama gritar comigo. Deve ter uns 45 anos,

loiro alto, sempre está de terno tons de cinza e até que dava um

caldo. Mas ele é tão irritante que consegue ficar feio.

Fui correndo para sua sala, no fim do corredor do departamento.

Quando entrei ele logo fechou a porta com tudo atrás de mim, dessa

vez eu até que senti um pouquinho de medo. Só um pouquinho.

- Senhorita Smith, estou cansado de tanto chamar sua atenção por

conta dos seus atrasos. A Senhorita trabalha para mim há um ano e

nesse tempo todo acho que nunca a vi chegar na hora, você sabe

qual é o horário que deve estar aqui na empresa? Às vezes penso

que não!

- Desculpa senhor Maxon, é que eu acabei me atrasando – ele era

tão irritante, não acredito que já o aguento há um ano.

– Isso eu já percebi senhorita! – disse ele, gritando. Não te disse,

ele ama gritar comigo.

- Sim, mas ontem fiquei até as 22h00 aqui na empresa, repassei

todos os relatórios da semana inteira. Fiz também suas planilhas de

custos e investimentos, está tudo com o departamento de

atendimento e pronto para entregar ao cliente. Sei que não justifica

o meu atraso senhor, mas não estou prejudicando o meu trabalho

aqui na empresa por chegar atrasada, eu sempre compenso em

horas extras. – Isso sem nenhuma bonificação, é claro.

- Disso eu estou ciente, sei muito bem o que cada funcionário em

meu departamento faz – não parece – Porém, como a senhorita

mesmo disse, isso não justifica os seus atrasos. Estou sempre

tentando te ajudar, sei que o seu passado não foi fácil, estou a par

dos problemas e dificuldades... – Blá, blá, blá como você é sofrida e

sua vida é uma droga, era só o que eu escutava. Sabia que como

sempre ele iria entrar com esse discurso da garota esperança,

estava até demorando – Enfim, vou te dar mais uma chance como

sempre, mas desta vez não desperdice! Vou ficar de olho em seu

serviço, qualquer deslize seu já sabe, RUA! – gritou ele, mas uma

vez.

- Sim senhor, pode deixar comigo e me desculpe novamente pelo

atraso, não vai mais acontecer. – Eu espero.

- Acho ótimo. Agora pode ir para a sua mesa, temos muito trabalho

a fazer.

Sai da sala do senhor Maxon com um sorriso bem falso no rosto. No

fundo ele está certo, tenho que parar de chegar atrasada, mesmo

fazendo todo o meu trabalho sem erros e até mesmo

antecipadamente, eu precisava deste emprego. Precisava demais.

Tinha que sair do lar o mais breve possível, logo iria completar 21

anos e devo ter meu próprio cantinho. Mais alguns meses

poderíamos, eu e Jason, estava economizando a mais de um ano

para que isso fosse possível.

Assim que cheguei a minha mesa comecei a adiantar o meu

trabalho, hoje não poderia ficar trabalhando até mais tarde como

sempre, porque ia sair com o cara mais gato do meu bairro, Joe

Davys. Quando estava quase encerrando o meu expediente o

senhor Maxon jogou uma pilha de pastas em minha mesa, fazendo

com que eu desse um pulo de susto.

- Bom, senhorita Smith, percebi que gosta de ficar após seu horário

então não terá problemas em recolher dados sobre novos

investidores e criar estratégias de como podemos conseguir mais

contas, não é mesmo? Preciso delas para amanhã às 07h00 na

minha mesa juntamente com uma apresentação, faça um trabalho

completo pesquisando sobre os nossos maiores concorrentes e

também mande uma cópia para o Senhor Dickens, em meu nome.

Quando você acha que não pode odiar ainda mais uma pessoa,

aparece o senhor Maxon mostrando que isso é extremamente

possível. Era realmente uma pena eu já ter idade para ser presa por

assassinato.

- Mas Senhor eu... – não consegui nem argumentar porque ele já

estava a caminho do elevador.

O ódio e raiva me fizeram terminar o trabalho em menos de duas

horas. Cataloguei todos os novos clientes, focando no motivo da sua

escolha por nosso sistema e quais benefícios se encaixam melhor a

cada um, montei sua apresentação, transformei em dashboards e

fiquei com uma cópia de tudo só por precaução.

O ponteiro do relógio que ficava em cima da minha mesa tocou,

marcando 19h00. Comecei a me apressar. Marquei com Joe às

20h00 lá no lar, eu precisava chegar cedo e ainda me arrumar, ou

tentar ficar apresentável pelo menos. Até que meu celular tocou

mostrando que eu tinha uma nova mensagem. Número

desconhecido avisava o visor. Mas eu já sabia a quem aquele

número pertencia.

Capítulo 4

Emma Smith versus A melhor cafeteira do mundo

Eram duas mensagens de texto de um número desconhecido.

Comecei a ler a primeira e com isso me sentei de novo em minha

cadeira. Estava pronta para ir embora, era quase a hora do meu

encontro. Já tinha arrumado todos os documentos, colocado na

mesa do senhor Maxon e do senhor Dickens e consegui tempo de

até adiantar o trabalho do dia seguinte. Mas o que estava escrito

nas mensagens fez com que minha pressa fosse embora.

Desconhecido: Esqueça nossos planos pra hoje à noite, isso foi um

erro.

Desconhecido: Vou sair com a Kate.

Fui do céu ao inferno em cinco segundos. Maldito Joe Davys.

Sabia que era ele, passamos a tarde toda trocando algumas

mensagens bobas que me esqueci de adicionar seu número na

agenda do celular. Sua primeira mensagem chegou às 16h00.

Desconhecido: Ansiosa para hoje à noite?

Nem precisei pensar para respondê-lo.

Emma Smith: Claro que estou, nunca fui em uma festa no Granni's.

Óbvio que isso não era verdade, o que mais me deixava excitada

ansiosa era sair com Joe. Ficaria feliz até se ele me convidasse

para ir ao lixão, mas não ia deixar isso na cara. Depois de alguns

minutos ele responde.

Desconhecido: Aí, essa doeu. Então você só está me usando,

senhorita Smith?

Ri discretamente de sua resposta, olhei para os lados para ter

certeza de que meu chefe não estava por perto e o respondi.

Emma Smith: Bem, se isso significar café e muffins de graça por

toda vida acho que estou sim, senhor Davys.

Imediatamente ele me respondeu.

Desconhecido: hmm... mas você só quer isso de mim, muffins e

cafés ilimitados?

Claro que não, estava querendo outras coisas meio indevidas para

se escrever por mensagem de texto. Então me fiz de inocente e

respondi.

Emma Smith: Não tenho culpa se o seu café e seus bolinhos são os

melhores da região! Tenho que me aproveitar disso.

Desconhecido: Sim, mas eu possuo outras coisas que são as

melhores da região. Você pode se aproveitar delas também se

quiser...

Ai ai, Joe, Joe.

Pode ter certeza de que eu sei. Ele era bem simpático e discreto,

mas já "corriam" boatos pelo bairro sobre seus relacionamentos e

paqueras. Diziam que na adolescência era mais agitado, mas que

Joe nunca foi um canalha com suas parceiras, sempre era muito

carinhoso e cavalheiro. Também tinham outros boatos por aí que

falavam de sua GRANDE pessoa, se é que você me entende.

Emma Smith: está tentando me seduzir, Davys?

Desconhecido: com certeza! então me diz, está funcionando?

Essa tinha sido sua última mensagem, antes é claro de eu receber

esta agora. Ele não só me deu um bolo como me trocou pela Kate?!

QUAL É O PROBLEMA DOS HOMENS?

O que mais me irrita não é nem não poder sair com Joe, ter a

chance de usar pela primeira vez minha perseguida (que até então

nunca foi devidamente "perseguida"), ser abraçada por aqueles

braços fortes, arranhar aquelas costas firmes e largas, aí e aquele

cabelo.

TUDO BEM, ESSA PARTE ME DEIXA MUITO, MUITO PUTA! Mas

Kate? Sério?! Esperava mais de você Joe Davys.

Depois disso acho que vou ficar mais um tempo aqui na empresa.

Ainda não quero voltar para o lar e José, o porteiro, sempre me

avisa quando vai fechar tudo. Algumas vezes ele até me

acompanha até o ponto, diz que é perigoso uma moça como eu

andar por aí a noite.

Já que não iria sair com Joe e estava cedo para ir embora decidir ir

ao 12º andar, onde fica a melhor máquina de café do mundo que

falei. Deixei minhas coisas em minha mesa e subi. Quando o

elevador abriu me surpreendi com o que vi. O andar inteiro estava

aceso como se todos os funcionários estivessem trabalhando ainda.

Fui direto na cozinha, peguei um copo e apertei o botão cappuccino.

Sem sucesso.

A máquina parecia estática, não mexia e nem fazia nenhum

qualquer barulho. Nada.

Juntei toda a minha raiva acumulada do dia como ter me atrasado

(de novo) para o trabalho, ter rasgado minha meia preferida no

caminho, receber o esporro do Senhor Maxon, o toco que recebi do

Joe sendo trocada por Kate, tudo isso e comecei a dar tapas na

máquina.

Dar tapas é eufemismo comparado ao que eu estava fazendo,

depois de uns segundos comecei a espancá-la mesmo. Estava

dando uma boa lição naquela maldita, escrota e estupida máquina

de café quando ouvi alguém parar atrás de mim.

- O que ela lhe fez para tratá-la tão mal assim? - Disse um homem

com voz grave atrás de mim.

E como se estivesse sido pega em flagrante fazendo algo estúpido,

o que eu estava fazendo mesmo, gelei.

Capítulo 5

O estranho do 12º andar

Fiquei parada, imóvel por um instante, com as mãos apertando a

parte de cima da máquina. Passei por um misto de sensações.

Primeiro foi o medo. Quem estaria a essa hora ainda aqui na

empresa e por quê? Ninguém nunca ficava até esse horário, pelo

menos até agora. Segundo foi a curiosidade. A voz era de homem

com certeza. Era uma mistura de firmeza, repreensão, mas também

comicidade. Ele deveria estar rindo ou achando engraçada a minha

discussão com a máquina de café.

Ou achar que sou uma louca mesmo.

- Acho melhor você dar um tempo a ela antes do 2º round, linda. -

disse o estranho.

Tomei coragem e me virei para olhá-lo. Acho que até senti uma

glória divina na minha cara, sem exageros. Se Deus mandasse

alguém para representar o sexo na terra era esse homem. Devia ter

uns 30 anos, não sei bem. Pele um pouco bronzeada, cabelos

negros ondulados estavam bagunçados e emolduravam seu rosto.

De início seu corpo foi o que chamou a minha atenção, todo grande

e forte, emanava certa segurança, conforto. Seu sorriso era de um

perfeito conquistador que faziam companhia a sua postura. Estava

debruçado no vão da porta, com as mãos apoiadas no batente, seu

corpo ocupava todo o vão.

Porém o que me enfeitiçou foram seus olhos.

Foi muito estranho. Sabia que nunca havia visto aquele homem em

minha vida, mas algo em seus olhos teimava me dizer o contrário.

Enquanto isso, minha mente e meu coração travavam sua própria

batalha. Não conseguia parar de olhá-los, eram como faróis me

chamando, cada vez mais. Tinham uma cor escura, tal qual carvão,

onde quase não se distinguia de sua pupila. Cílios e sobrancelhas

negras e grossas contornavam e aperfeiçoavam seu olhar, os

tornando cada vez mais enigmáticos.

Para muitos, até mesmo para mim, a beleza dos olhos estava em

sua cor como azul, verde ou amendoada, mas pela primeira vez

percebi o quão errado era esse pensamento. No momento não

conseguia pensar em um par de olhos azuis ou verdes mais bonitos

que os negros do estranho em minha frente.

Não reparei que minhas mãos estavam suadas até que as esfreguei

em minha saia plissada, fingindo tirar dobras que não existiam. Ele

também me encarava. Seu sorriso logo se desmanchou e agora

estava sério. Seus olhos estavam fixos nos meus e seu olhar era

incrédulo, como se estivesse com dúvida ou preocupado com

alguma coisa.

- O-o que – eu disse tentando voltar à realidade – O que você

disse?

- Oh, eu...– parecia que também estava perdido em seus

pensamentos. Limpou a garganta e continuou –...Perguntei o que a

máquina lhe fez, linda.

Sai do meu momento de êxtase e comecei a ficar irritada de novo.

Quem esse cara pensa que é? Odeio quando homens colocam

apelidos em mim sem motivo ou se quer me conhecer. Por que fica

me chamando de linda? Até aqui na empresa não fico em paz.

- Não te interessa! - respondi irritada - Quem é você?

- Calma, minha linda. Trabalho aqui como a senhorita, suponho.

Estava trabalhando até mais tarde em um novo projeto, sou... – sua

voz mansa e extremamente sedutora estava me tirando do sério.

- Não sou sua linda! Na verdade, não sou nada sua nem te

conhecer eu conheço! Se você me chamar de linda mais uma vez

juro que te dou um soco na cara!

Ele continuava a me olhar daquele jeito intenso, deixando-me cada

vez mais sem fôlego. Soltou o batente e começou a andar em minha

direção. Lentamente. Não conseguia pensar, falar, nem mesmo me

mover. Não sei por que estava tão irritada com aquele estranho,

mas ao mesmo tempo queria sentir suas mãos grandes e fortes em

mim, explorando meu corpo todo, saciando o meu desejo me

apertando contra o balcão. Não, não. O que está acontecendo

comigo? Preciso pegar alguém, a abstinência está me fazendo mal.

Ele continuou vindo devagar em minha direção até que começou a

abrir seu paletó. Depois foi a vez de gravata. Tudo isso sem nenhum

momento tirar os olhos de mim. Meu coração começou a disparar, a

respiração aumentou tanto que parecia que faltava ar no ambiente,

não conseguia entender o que estava acontecendo comigo. O

desejo estava tomando conta e aqueles olhos quase negros

estavam me levando à loucura. Ele parou a uns 30 centímetros de

distância. Ainda me encarando passou a mão por de trás de minha

cintura e...

Tec!

- Você tem que apertar mais forte. – Seu sorriso malicioso estava de

volta. Comecei a encarar seus lábios e sua barba por fazer. Pensei

como deve ser senti-la no rosto, esfregando em meu pescoço, qual

seria a sensação dele me apertando seus lábios contra os meus...

Oh céus, eu me transformei em uma tarada!

- O... O-oque? – minha voz saiu fraca, quase inaudível. A gagueira

estava me dominado hoje.

- Eu disse que você precisa apertar mais forte. – seu tom de voz era

grosso e profundo. Ai meu Deus, apertar o que mais forte? Como

assim? Será que ele estava pensando o mesmo que eu?

- Apertar o-o que mais forte?! – Fiquei um pouco com medo de

perguntar. Tudo o que passava na minha cabeça não era nada

inocente, queria apertar muitas coisas daquele homem ou que ele

apertasse muitas coisas minhas, aí não sei!

Foco, Emma, foco!

Então ele passou a mão pelas minhas costas de cima a baixo e

parou perto do topo da minha bunda. Comecei a ofegar. Respirar

estava se tornando uma tarefa cada vez mais difícil perto dele. Até

que me puxou para o lado devagar e foi se aproximando cada vez

mais. Ele me apertou ainda mais, puder sentir seu corpo prensando

o meu cada vez mais. Em um momento fechei os olhos, me

concentrando apenas em suas mãos e o caminho que as

percorriam.

- Apertar a alavanca da máquina mais forte, ela costuma travar às

vezes. Se a senhorita preferir... – sussurrou baixinho em meu

ouvido, com uma voz rouca muito – ...posso ajudá-la com isso.

Nesse momento soltei um grunhido vergonhoso, que me fez

despertar e ser jogada de volta a realidade. Encarei seus olhos mais

não por muito tempo, estava confusa demais e aí então desviei o

olhar e vislumbrei a máquina ligada. Estava tão enfeitiçada que não

reparei que ele abriu o compartimento de cápsulas para ligar o

equipamento. Que vergonha!

Precisava sair dali imediatamente. O estranho irresistível estava me

olhando profundamente com um sorriso tentador. Libertei-me de

seus braços e comecei a andar rapidamente em direção ao elevador

até que ele me puxou pelo braço.

- Espere! Qual é o seu nome? – questiona.

Puxei meu braço um pouco forte demais e continuei andando mais

rápido agora de encontro ao elevador olhando para o chão. As

escadas não eram uma boa opção nesse momento, ficar em um

lugar escuro com esse homem não ia ajudar.

Então ele disse com uma voz firme e séria quase gritando:

- Eu perguntei qual é o seu nome, senhorita. Responda. – Comanda

petulante.

Apertei o botão do elevador e só aí olhei para trás. Ele estava

parado no mesmo lugar onde tinha me puxado quando pediu para

que eu esperasse. O elevador chegou. Não consegui tirar os olhos

daquele estranho executivo que me encarava.

Seu rosto estava sério e impassível, pude ver que me olhava em

dúvida. Ainda olhando para ele comecei a entrar lentamente no

elevador de costas. Agora ele estava se aproximando rapidamente

com uma expressão de raiva em seu rosto. Não sei bem se era isso

direito. Ele escondia muito bem suas emoções, ao contrário de mim

é claro.

- Eu? – falo baixo, desviando o olhar – Não sou ninguém, senhor.

Boa noite.

E as portas do elevador se fecharam.

Capítulo 3 Sempre seu Luce

Capítulo 9

O idiota do meu chefe

- Não vai me falar mais sobre você? Estou esperando. – Pergunta.

- Falar o que de mim Sean? Acredite, não tenho nada de importante

a dizer.

- Eu Duvido.

- Tudo bem, por onde eu começo a falar sobre a minha

"extraordinária" vida. – Debocho sorrindo. Não queria falar sobre o

orfanato para ele, mas então sobre o que falaria? Realmente não

tinha tanta coisa assim para dizer...

- Você pode começar a me dizer no que você trabalha lá na

empresa. Sei que é no 9º andar, mas o que a senhora faz?

- Ah, sou secretária no setor comercial de novos clientes. Trabalho

para o Senhor Maxon, na realidade eu posso até dizer que trabalho

por ele na maior parte do tempo. – Dei uma risadinha porque isso

realmente era engraçado, eu trabalhava por ele quase todos os

dias, na realidade até hoje o que eu mais fiz foi trabalhar no lugar

daquele cara. Ele mais dorme do que trabalha.

- Como assim? – Sean parecia mesmo interessado no que eu

estava dizendo e pode até parecer loucura, mas olhando em seus

olhos pude sentir que podia confiar nele.

- Bom, - suspiro - que fique aqui entre nós, mas, por exemplo, você

sabe daquela conta milionária que pegamos com a Goldman

Sachs?

- Sim, eu ouvi falar – pude sentir que ficou um pouco nervoso,

agitado no momento. Não entendi sua reação - o que tem ela?

- Pois então, quem fechou e assinou todos os papeis foi o Senhor

Maxon, mas eu que fiz todo o planejamento. Vi que os clientes que

compravam seus empreendimentos eram de alto escalão e que

precisavam de uma empresa como a nossa para cuidar tanto das

transações quanto trabalhar na melhoria da divulgação, e ver os

reais lucros que esse investimento pode ter. Fiquei cuidando desse

contrato durante meses, mas no final quem assinava o trabalho todo

era ele.

Sean ficou sério e em silêncio por alguns minutos pensando no que

eu havia dito. Fiquei tentando analisá-lo para tentar saber no que

estava pensando, mas não conseguia ver nada. Quando queria

Sean conseguia se tornar indecifrável, seu rosto era impassível.

Estávamos quase chegando então paramos mais uma vez em um

farol.

- Emma, isso é muito grave. Você deveria conversar com ele sobre

isso ou delatar esse caso. O que ele está fazendo com você é

extremamente errado, está te usando para obter lucros para si.

- E você acha que eu não sei? Mas ele é desse jeito mesmo, um

tremendo idiota, tem vezes que eu vou na sala dele e ele está

dormindo. Mas a coisa é mais complicada do que isso...

- Emma, responda-me sinceramente. O que você estava fazendo

até essa hora na empresa? Porque já está bem tarde e essa hora

ninguém mais deveria estar lá. – Sean agora me olhava sério e pelo

tom de sua voz pude sentir que ele não me pedia uma resposta.

Estava mandando mas de forma gentil, parecia realmente

preocupado ou somente curioso. Hesitei de início, mas acabei

cedendo,

- Eu estava fazendo uma pesquisa e criando a apresentação final de

lucros e estratégias para prospectar novos clientes, para a reunião

que Senhor Maxon fará amanhã.

- Emma, você ficou a noite toda fazendo a apresentação que ele

fará amanhã. Você não percebe o quão absurdo é isso? - ele

pergunta indignado.

- Se você acha isso absurdo espera eu te contar que ele nem me

paga por isso – comecei a rir, mas parei quando Sean parou o carro.

Havíamos chegado e eu nem percebi. Quando ele parou o carro

virou totalmente na minha direção exatamente igual como havia feito

quando começamos a nos beijar. No entanto, agora me olhava com

raiva, estava sério e parecia um pouco irritado.

- O que foi? - perguntei sem entender.

- Como assim? – disse cada palavra pausadamente.

Sua voz era tão séria e firme que nem consegui responder de

imediato. Ele não estava brincando. Seus olhos pareciam mais

escuros e frios, sua mão que estava no volante o segurava tão

firmemente que os gomos de seus dedos estavam esbranquiçados.

A outra estava novamente em minha coxa. Tive que me segurar

para não me derreter naquele instante, meu corpo todo se aqueceu

tão rapidamente que respirar normalmente, estava de novo, se

tornando meu maior desafio.

- Emma, responda-me. Agora.

- Você é bem mandão. - Tentei brincar para diminuir sua irritação,

todavia Sean estava impassível. Seu olhar ficou mais sério ainda e

suas sobrancelhas se união formando um "v" em sua testa.

- De qualquer forma você não entenderia, me desculpe, é mais

complicado do que você pensa.

- Experimente. - Sean disse me desafiando.

Respirei fundo. Mais uma vez. De novo só para garantir.

- O senhor Maxon não poderia me contratar, eu não sou apta ao

meu cargo – dei uma risada sarcástica – ou a qualquer cargo

daquela empresa, talvez para faxineira.

- Não acredito nisso.

O interrompi e continuei.

Se eu não falasse de uma vez talvez depois não fosse ter coragem

de fazê-lo.

- Eu não consegui terminar a faculdade. - Faço um movimento com

os ombros – Tranquei faltando alguns meses para me formar. Além

disso só fiz alguns cursos de secretariado e administração, nada

que me faça ser apta a trabalhar na Crawford. Ele já me conhecia

por uma amiga em comum, ficou sabendo que eu precisava de um

trabalho então confiou em mim. Por isso que faço tudo o que ele

pede, e fico feliz por fazê-lo, porque isso prova que mesmo sem

diploma eu consigo fazer um trabalho excelente como o que te falei,

que foi aceito pela presidência da empresa. - E estava dizendo a

verdade, me orgulhava muito disso.

Sean continuou em silêncio. Agora não olhava mais para mim e sim

para frente. Tirou a mão de minha coxa e voltou a sua posição de

motorista. Sofri em silêncio por isso e como ele não disse nada

continuei.

- Ele não paga minhas horas extras porque sabe que não vou

denunciá-lo ou algo assim. Preciso mesmo desse trabalho, não

posso perdê-lo Sean. Sei que se eu for ao RH a primeira coisa que

vão fazer é me demitir, além de que não posso provar minhas horas

extras, pois todo trabalho que faço é no computador pessoal dele, e

todas as planilhas, pesquisas e reuniões estão em seu nome, como

vou provar que fui eu que fiz tudo? Sou uma simples secretária

quem nem faculdade tem.

- Emma isso... isso é tão errado de tantas maneiras. Você não

pode...

- Sean o que eu não posso é perder o meu emprego - disse sendo

firme - Mas sabe de uma coisa? Eu até gosto de ficar na empresa

até tarde, faço isso desde sempre. Sério está tudo bem, só te disse

por que confio em você, não preciso que você faça nada e

principalmente não conte a ninguém! Preciso muito desse emprego.

Sean olhou para mim ainda com raiva e certa relutância em seus

olhos. Sei que não era direcionada a mim, mas a situação. Parecia

revoltado e derrotado ao mesmo tempo.

- Você promete? Promete não contar a ninguém? - perguntei.

Olhei diretamente em seus olhos, sei que era algo extremamente

difícil, porém era o que precisava fazer. Sean tinha que prometer

não dizer nem fazer nada, preciso demais daquele emprego. Mais

alguns meses e eu já posso me mudar do lar, ter meu próprio

cantinho. E para que isso seja possível eu aceitaria até engraxar os

sapatos do Senhor Maxon todo dia.

- Tudo bem, – disse a contragosto – não irei dizer nem farei nada.

Porém se esse tal de Maxon fizer algo mais absurdo que isso, não

me responsabilizo, Emma.

- Fechado? – perguntei.

Estendi a mão para um "high five" com soquinho, era assim que

fazia com Jason quando éramos pequenos. E aquele sorriso

esplêndido, que me fazia pensar em coisinhas e fazia minhas

pernas ficarem bambas, apareceu novamente. Sean mostrava certa

teimosia, mas quando sorri ele desistiu e bateu em minha mão.

- Fechado.

- Ótimo, sabia que podia confiar em você Sr. Riquinho que curte

comer lesma, - estendo o punho em sua direção - agora faltou dar

um soquinho, para fechar a promessa.

Seu sorriso se estendeu tanto que pude ver seus dentes. Seus

olhos agora estavam me encarando com carinho. Apertando minha

mão a levou até seus lábios e deu um beijo de leve no gomo dos

meus dedos.

- Sempre que precisar Senhorita Smith, - fechou o punho e deu o

"soquinho" - e não se sinta desvalorizada só porque não terminou a

faculdade, você é mais inteligente do que muitos engravatados

cheios de diplomas naquela empresa.

Capítulo 10

Eu, você e o dogburger

Senti borboletas no estômago. Ele não precisava me dizer, sentia

que podia confiar em Sean mesmo não sabendo o motivo. Sejamos

racionais, eu o conheci a menos de quatro horas isso é realmente

muito, muito estranho. Porém, quando eu olhava para ele parecia

ser algo normal. Natural, como se já o conhecesse.

- Chegamos, estamos no Bronx. Onde é que fica o tal do dogduder?

Estou ansioso para comer comida de verdade.

- Primeiro, é DogBURGER. - Ri de sua confusão - E segundo,

estamos bem perto. É só você continuar aqui nessa rua mesmo e

em frente virar na terceira à esquerda. É naquela rua ali com a

estátua engraçada da mulher nua.

- Ah sim, Afrodite.

- Bom, se você quer chamá-la assim, por mim tudo bem. – Respondi

sem entender.

- Não Emma – Sean gargalhava. Toda vez que fazia isso olhava

para mim como se eu não estivesse falando sério. Sua risada tinha

um som tão gostoso de se ouvir, era firme e contagiante. Ele

realmente ria de verdade, não era para me agradar nem nada. Além

de que quando ria ficava mais atraente, como se fosse possível.

Seus dentes brancos apareciam e sua boca que fora lapidada por

deuses se abria gloriosamente. Ele era um sonho, só podia ser –

aquela estatua engraçada é Afrodite, uma deusa da mitologia grega.

- Acho que sei qual é. Aquela do amor, não é?

- Exatamente. Acho que chegamos.

Paramos em frente ao Dog&Burger's. É um foodtruck simples, todo

laranja e decorado com umas lâmpadas pisca-pisca de natal. Sean

parou o carro ao lado do furgão, saímos e logo fomos pedir.

- Hey Tuck! – eu digo ao homem alto dentro do furgão, que estava

picando alguns alimentos na bancada do fogão. Tuck tem uns 32

anos, é alto, magro, tem os cabelos da mesma cor que os meus,

marrom cor de terra, e olhos castanho escuros.

- Oi m&m's! Qual o pedido de hoje? Deixa eu

adivinhar...- Tuck disse, fazendo piada.

- O de sempre, é claro! – ri.

- Pode deixar comigo. Quem é o seu amigo? – disse levantando a

cabeça na direção de Sean.

- Esse é o Sean, ele trabalha lá na Cruelford também.

- Cruelford? – Sean me olhou não entendendo a referência. Fiz um

sinal com a cabeça dizendo "te explicou depois" e virei para Tuck

novamente.

- Faz dois DogBurgers do jeito da M&M's ok. Completos!

Tuck sorriu e disse - É pra já! Querem algo para beber?

- Não quero nada, e você Sean?

- Uma cerveja, por favor.

Sentamos em uma das mesas ao lado do furgão, nela haviam

algumas flores pequenas, pareciam margaridas. Sean puxou a

cadeira para mim, o que eu achei bem estranho. Que homem faz

isso atualmente? Mas me lembrei que Sean devia ser um Anjo

divino que deveria estar perdido na terra, ou algo assim. Era beleza

e simpatia demais para ser real.

- Cruelford? – perguntou quando finalmente nos sentamos.

- Pois é, mas não me dê todo crédito. Jason que inventou depois de

ter recebido um esporro do Senhor Maxon e dos seguranças de lá

na última vez que tentou me visitar. Ele seduziu umas das

recepcionistas e subiu escondido para me ver, coisas de Jason. –

não consigo evitar rolar os olhos – Porque pedir para que eu

descesse para vê-lo seria normal demais para ele.

- Claro que seria – Sean sorriu sem mostrar os dentes – Você mora

por aqui?

- Sim, dá para ir a pé. Meu apê fica perto daquele prédio ali na

esquina, o verde.

- Estou vendo, fica bem próximo mesmo. Você mora com seus pais

e com seu irmão?

- Moro só com Jason, meu irmão de criação. – E mais umas 200

pessoas, mas isso era só um pequeno detalhe não é mesmo?

- E seus familiares estão no Texas?

- Não tenho família, só Jason mesmo. Somos órfãos – não queria

parecer triste, porém foi inevitável. Não era pelo fato de não ter

família, já havia me acostumado com isso, mas porque chegaria um

momento em que teria que dizer a Sean quem eu realmente era.

Uma estúpida garota esperança.

- Sinto muito. – disse sendo sincero.

- Não, tudo bem. Eu cuido dele e ele... bem, vamos só dizer que ele

precisa de mais cuidados que eu. Jason pode ser um pouco

inconsequente às vezes – ou SEMPRE, TODA SANTA HORA – mas

o amo do mesmo jeito. E você? Tem irmãos?

- Tenho uma irmã, Kara. Ela mora em Londres... – Reparei que

quando começou a falar de sua irmã Sean pareceu triste por um

momento – Minha mãe mora em Hamptons, com o marido. – Agora

parecia com raiva, não pude identificar o porquê, mas parecia ter

algo a ver com marido de sua mãe – e eu em Manhattan.

- Nossa te trouxe para bem longe de casa então. Aposto que você

não vai se arrepender.

- É certo que não vou. – disse me encarando com aqueles olhos

negros como a noite e esbanjando um sorriso malicioso que fez com

que meu corpo todo se estremecesse.

Desse jeito não vou conseguir sobreviver. Quando chegar vou ter

que tomar um banho com pedras de gelo para ver se consigo

apagar um pouco desse fogo todo que sinto perto de Sean. Ótimo,

agora imaginei Sean nu. Se vestido já é desta forma, nu então...

Imagine ele todinho como veio ao mundo, molhado tomando banho,

cheio de sabão. Tocando meu corpo todo com suas mãos grandes.

Ele tem mãos bem grandes, realmente. Aqueles braços fortes me

apertando contra seu peitoral bem definido. Eu agarrando e

arranhando suas costas largas. Seu olhar negro e intenso sobre

mim. Seus cabelos ondulados, negros e molhados tocando meu

rosto. Aposto que Sean deve ter um grande e majestoso...

- Pronto! Dois DogBurger's estilo M&M's – disse Tuck deixando

nossos lanches em nossa mesa, me trazendo de volta para a

realidade – Aproveitem.

- Obrigada Tuck. – disse meio sem graça.

Ele fez um aceno com a cabeça e voltou para o furgão.

- Agora você pode me explicar o que estou prestes a comer, Emma?

Porque a aparência é ótima, mas tem tantas coisas...- disse

encarando o lanche confuso.

- Eu te disse que com Tuck não tem miséria. Tem de tudo um pouco.

Expliquei a Sean detalhadamente o que ele iria comer. Se fosse o

Jason nesta posição ele nem questionaria, aquele come até pedra.

Mas gostei de ter que explicar a Sean como era um simples

sanduíche. Ele me olhava com tanta atenção que pareceu até que

estava explicando qual era a cura do câncer. Sean realmente nunca

comeu um sanduíche decente. Essa era a mais estranha,

comovente e fofa situação em que eu já estive.

O lanche que iriamos comer é o mais vendido. Parece um

sanduíche normal, só que com tudo de gostoso possível. Muito de

tudo. No lugar do tradicional hambúrguer ia um salsichão. De

complemento vinha uma porção de batatas fritas e nuggets. Esse

sanduíche era uma explosão de enfarte cardíaco, diabetes e

colesterol. A morte em uma mordida. Pelo menos seria uma boa

forma de morrer, pois é delicioso.

- Nossa, pelo tamanho imaginei mesmo que teria muita coisa. É

gigantesco!

- Sim – eu disse – espere até você provar.

Fiquei observando Sean comer seu sanduíche. Ele pegou com tanto

cuidado que parecia que poderia quebrar. Levou o lanche até aboca,

mas hesitou. Antes de morder me olhou.

Seus olhos me perguntavam se estava fazendo certo, comecei a rir

e acenei com a cabeça o incentivando a continuar, então Sean deu

sua primeira mordida.

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