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Senhor Arrogante - Amor sob contrato

Senhor Arrogante - Amor sob contrato

Autor:: Afrodite LesFolies
Gênero: Bilionários
Antonella está no fundo do poço. Após um casamento desastroso e afundada em dívidas, ela precisa desesperadamente de uma chance para recomeçar. Quando uma vaga de emprego surge, parece ser sua última oportunidade de escapar do caos. Mas o que ela não esperava era que essa entrevista a colocaria frente a frente com Enrico Ferrari, um magnata irresistivelmente charmoso, porém implacavelmente arrogante. Enrico é um homem que não se rende a ninguém. Controlador e meticuloso, ele governa sua vida pessoal e profissional com a precisão de um contrato. Marcado por uma amarga decepção amorosa, seu coração é blindado. No entanto, a entrada intempestiva de Antonella em seu caminho abala suas defesas. Ousada, indomável e de uma beleza que desafia sua lógica fria, ela o intriga e o provoca. Ele decide que a quer - não apenas em sua equipe, mas também em sua vida. O contrato que deveria ser apenas uma relação de trabalho logo se transforma em um perigoso jogo de sedução, onde o amor e o ódio caminham lado a lado. Antonella, determinada a manter sua dignidade e conquistar sua independência, se vê presa na teia irresistível de Enrico. Enquanto isso, Enrico se vê desafiado a abrir mão de seu controle absoluto, confrontado pela possibilidade de que o amor pode ser mais do que uma transação fria. Em meio a encontros explosivos, viagens sedutoras e uma tensão palpável que só cresce, ambos terão que decidir se vão ceder ao desejo e ao sentimento que parece consumi-los. O destino os colocou frente a frente, e agora Antonella, a Senhorita Atrevida, está nas mãos do Senhor Arrogante. Poderia essa faísca se transformar em um amor verdadeiro? Ou estão ambos condenados a serem vítimas de seus próprios corações feridos? Nota da autora: Se você gostou dessa história, não perca meus outros romances repletos de paixão e reviravoltas emocionantes: Per sempre Mia: Um contrato com o italiano Bella Mia: Uma noiva por contrato Nos braços do Mafioso Um contrato perigoso: A esposa do Mafioso Senhor Arrogante: Amor sob contrato Senhor Comandante: O embarque do amor Entre o amor e o Sangue: Na cama com o inimigo A babá e o CEO: Reencontrando o amor

Capítulo 1 A entrevista

Prólogo

Eu precisava admitir, algo estava diferente naquela discussão. Havia uma tensão no ar, algo não dito, mas claramente presente. Ele me encarava com fúria, mas seus olhos... Ah, seus olhos traíam a raiva, vagando sem controle pelas curvas do meu corpo. Eu sentia seu olhar queimando minha pele, como se a sala de trabalho tivesse se transformado em um cenário de desejo reprimido.

- Preciso de você nesta reunião - ele começou, sua voz afiada, mas com um brilho inegavelmente perigoso nos olhos. - Mas antes de viajarmos, você vai comprar roupas novas.

Aquelas palavras caíram como um choque, sua intensidade crua reverberando entre nós. Eu podia sentir a eletricidade de sua excitação. Era um jogo que eu ainda não sabia como jogar, mas já estava mergulhada nele.

- O que você quer dizer com isso? - Perguntei, minha voz oscilando entre o nervosismo e a curiosidade, a boca seca, o coração acelerado.

Ele deu um passo em minha direção, predatório, como se estivesse prestes a devorar cada parte de mim. Seus olhos correram sobre mim, devagar, deliberadamente, como se estivesse despindo-me ali, no meio daquela sala fria e corporativa. Senti-me nua sob seu olhar, vulnerável, exposta.

- Quero que você mude todas as suas roupas. Não suporto ver você assim... - Ele apontou com desdém para o que eu vestia, seus olhos me penetrando com uma intensidade que fez meu corpo tremer.

Fiquei paralisada por um instante, tentando entender o que ele realmente queria. Minhas roupas eram adequadas, simples, elegantes, perfeitas para o ambiente de trabalho. O que ele queria de mim?

- O que há de errado com as minhas roupas? - Minha voz saiu firme, mas por dentro eu lutava para manter o controle.

- Simplesmente não são o que eu quero - Ele se aproximou ainda mais, sua voz grave e repleta de desejo, quase um sussurro. - Você não está vestida para mim.

O calor da sua mão em meu braço fez meu coração saltar no peito. Eu deveria recuar, me afastar, mas algo mais forte me puxava para ele, algo que eu mal conseguia compreender.

- Minhas roupas não precisam agradar você... precisam agradar a mim - murmurei, quase sem fôlego, enquanto ele invadia meu espaço pessoal, sua respiração quente a centímetros do meu rosto.

A distância entre nós era mínima, e algo inflamava no ar, algo proibido, perigoso, mas irresistível. Nós dois sabíamos. Se nossos lábios se encontrassem, nada mais poderia impedir o que estava prestes a acontecer.

Capítulo 1:

Antonella Caruso

Eu estava extremamente atrasada, e parecia que o universo conspirava para piorar tudo. As ruas de Paris estavam um caos, como sempre. Cada um mais apressado que o outro, como se a cidade inteira estivesse em uma corrida contra o tempo. Acelerei em direção à sede das Empresas Ferrari, minha mente focada em apenas uma coisa: conseguir aquela vaga. Era minha chance de recomeçar, de fugir das dívidas e do peso deixado pelo meu ex-marido. O canalha sumiu, mas as contas, essas ficaram - e a cada mês, o fardo crescia.

Ao chegar no estacionamento, a primeira coisa que notei foi o quão lotado estava. Tive que dar várias voltas até encontrar uma vaga. Vi um carro parado ao lado, o motorista distraído no telefone, e aproveitei a oportunidade para estacionar. Mas assim que desliguei o motor, um baque forte sacudiu meu carro. Um homem, furioso, surgiu à minha janela, seu terno impecável e a barba perfeitamente alinhada. Seu olhar, penetrante, quase me queimava de raiva.

- Essa vaga é minha! - Ele rosnou, aproximando-se, como se cada palavra fosse uma ameaça. - Você não pode simplesmente chegar e estacionar, belezinha.

Eu pisquei, atordoada por sua audácia. Ele franziu a testa, impaciente.

- Você estava no telefone, a seta não estava ligada. Não tenho tempo para isso - retruquei, tentando manter a calma, embora minha pulsação estivesse disparada.

- Eu disse: saia da minha vaga! - Ele estalou os dedos, um gesto prepotente que me irritou profundamente.

- Sua vaga? Está brincando comigo? - Debochei. - Tem o seu nome gravado aqui, por acaso?

Ele abriu um sorriso arrogante, e apontou para uma placa no muro à frente.

- Claro que sim. Dá uma olhada.

Liguei o farol alto e, para meu desgosto, ele tinha razão. O número do carro dele estava estampado na parede, exatamente onde eu estacionei. Bufei, manobrando o carro para sair, mas antes de ir embora, passei perto dele e disse:

- Agora eu vi a placa. Está escrito "Senhor Arrogante".

Seu rosto endureceu, mas eu não esperei pela resposta. Acelerei e fui em direção ao andar superior, sem olhar para trás.

Por sorte, consegui uma vaga e corri para o elevador. Ao chegar no andar da entrevista, meus nervos estavam à flor da pele. O lugar era luxuoso, intimidante. Caminhei até a recepção, torcendo para que o atraso não tivesse arruinado minhas chances.

- Bom dia. Vim para a entrevista da vaga de intérprete e tradutora.

A recepcionista digitou meus dados e me olhou com um sorriso fraco.

- Sinto muito, mas você está vinte minutos atrasada. O responsável pela entrevista não aceita atrasos.

Senti meu estômago afundar. O atraso, a briga no estacionamento, tudo tinha me ferrado. Antes que pudesse responder, o telefone dela tocou. Ela fez um sinal para eu esperar, e fiquei ali, imóvel, com uma sensação de derrota.

- Sim, Senhora. Entendido - disse ao telefone. Desligando, ela me olhou. - Pode esperar na sala no final do corredor.

Segui suas instruções, confusa. A sala estava cheia de mulheres, todas impecavelmente vestidas, cheias de confiança. Passei as mãos pela saia lápis, ajeitei a blusa básica e conferi as meias 7/8. Estavam intactas, pelo menos isso. Me acomodei, tentando ignorar os olhares debochados.

O tempo passou devagar. Uma a uma, as outras candidatas eram chamadas e saíam rapidamente. Quando chegou minha vez, o tremor tomou conta do meu corpo. Respirei fundo e entrei na sala. E então, meu coração congelou.

O homem do estacionamento estava ali, atrás da mesa. Ele ergueu uma sobrancelha, um sorriso prepotente dançando em seus lábios.

- Bom dia. Sou o Senhor Arrogante. Você deve ser a Antonella, certo?

Capítulo 2 O chefe

Enrico Ferrari

Após o encontro no estacionamento

Após a discussão no estacionamento, dirigi-me ao meu escritório com passos firmes e decididos. Os funcionários que cruzavam meu caminho desviavam o olhar; minha expressão não deixava espaço para interrupções. Odiava estar atrasado, e o incidente com aquela mulher só havia piorado meu humor.

Hoje, Simona, minha secretária eficiente, estava encarregada de entrevistar algumas candidatas para a vaga de tradutora. Eu revisaria seus relatórios e escolheria a mais qualificada, como sempre fazia. Mas algo em mim queria quebrar essa rotina hoje.

Entrei na minha sala e afrouxei o nó da gravata, tentando aliviar a tensão que se acumulava em meus ombros. Liguei o laptop e peguei o celular, discando o número de Ethan, meu primo e melhor amigo.

- Até que enfim resolveu dar as caras! - ele atendeu com sua típica animação. - Enrico, você precisa desligar um pouco do trabalho e...

- Ethan, não te liguei para ouvir sermões - cortei, tentando esconder a irritação na voz.

- Por que esse mau humor todo? Foi a Selene de novo?

Suspirei, passando a mão pelos cabelos.

- Selene testa minha paciência diariamente, você sabe disso. Mas hoje de manhã algo mais aconteceu. Uma mulher estacionou na minha vaga e teve a ousadia de me chamar de "Senhor Arrogante".

Ethan riu do outro lado da linha, aquela risada leve que sempre me desarmava.

- Então ela já percebeu quem você é de verdade? - provocou.

- Não me enche, Ethan. Ela foi irritante, e eu já estava nervoso por outros motivos.

- Ela é bonita?

Fechei os olhos por um instante, lembrando das curvas dela, do olhar desafiador, dos cabelos caindo em cascata sobre os ombros. Uma visão que, apesar da contrariedade, me despertou sensações inesperadas.

- Sim, é bonita. Tem curvas que qualquer homem notaria. Mas tem uma língua afiada. Em poucos minutos conseguiu me tirar do sério.

- Interessante... - ele comentou, em tom malicioso. - Então, ela conseguiu atingir o inabalável Enrico Ferrari.

- Não viaje, Ethan. Não sou como você, que se deixou enfeitiçar por Camille.

Enquanto conversávamos, meus olhos corriam pelos currículos das candidatas à vaga. E então, como se o destino pregasse uma peça, lá estava ela: Antonella Caruso. A mulher do estacionamento era uma das candidatas.

- Camille é especial - ele retrucou, mas eu mal ouvi. Minha mente estava formulando planos.

- Antonella... - murmurei, quase para mim mesmo.

- O quê?

- Nada, Ethan. Preciso ir. Obrigado por confirmar sobre o helicóptero. Nos vemos mais tarde.

- Certo. Não se esqueça da festa na boate. Até logo!

Desliguei, ainda com um sorriso pensativo nos lábios. A ideia de entrevistar pessoalmente Antonella era irresistível. Nunca me envolvia nesse processo, delegava ao RH e a Simona. Mas desta vez seria diferente.

Chamei Simona e expliquei que assumiria as entrevistas. Pedi que deixasse Antonella por último. Eu queria saborear esse encontro.

Uma a uma, as candidatas entraram e saíram rapidamente. Suas qualificações eram adequadas, mas minha decisão já estava tomada. Meu interesse por Antonella ia além do profissional. Havia algo naquela mulher que despertava meu lado mais instigante.

- Senhorita Atrevida, mal posso esperar para nosso próximo encontro - murmurei, segurando o currículo dela entre os dedos, um sorriso se formando em meus lábios.

Antonella Caruso

Estava convencida de que minha sorte havia me abandonado. Encarar Enrico Ferrari, o "Senhor Arrogante", como meu entrevistador era a última coisa que eu esperava.

- Sim, sou Antonella. E você, pelo visto, é mesmo o Senhor Arrogante - respondi, tentando manter a compostura.

Ele abriu um sorriso que poderia derreter o gelo dos Alpes. Inclinou-se sobre a mesa, os olhos fixos nos meus.

- Senhorita Atrevida. Gosto disso. Tivemos um início turbulento, mas sejamos francos: você precisa do emprego, e eu preciso de alguém com suas qualificações. Não há por que prolongarmos o desentendimento.

Engoli meu orgulho. As contas empilhadas em casa pesavam mais do que minha vontade de retrucar. Respirei fundo e concordei.

- Tudo bem. Podemos seguir em frente. Somos adultos, afinal.

- Perfeito. Vamos começar do zero. Sou Enrico Ettori Ferrari, CEO das Empresas Ferrari. Prazer em conhecê-la, senhorita Antonella.

Ele estendeu a mão. Ao tocá-la, senti um calor inesperado, uma corrente elétrica que percorreu meu corpo. Seus olhos não desviaram dos meus, e por um momento, o mundo ao redor pareceu parar.

- O prazer é meu - respondi, com a voz ligeiramente trêmula. - Antonella Caruso.

Sentei-me diante dele, tentando manter a postura profissional. Enquanto ele analisava meu currículo, seus olhos ocasionalmente levantavam para me observar. Havia algo naquele olhar que me deixava inquieta, como se ele pudesse ver além das palavras no papel.

- Serei estritamente profissional e provarei que não sou o imbecil que você imagina - ele disse, com um meio sorriso.

- Nunca disse que você é um imbecil.

- Não precisou. Está escrito na sua expressão - retrucou, divertido.

Mordi o lábio, tentando conter uma resposta ácida. Ele era provocador, mas eu não podia me dar ao luxo de estragar tudo.

- Você tem disponibilidade para viajar? - perguntou, voltando ao tom sério.

- Sim, tenho. Mas imaginei que o trabalho seria fixo aqui na empresa...

- Não posso fornecer detalhes até decidir quem ocupará a vaga, senhorita Caruso.

Aquele sorriso enigmático retornou aos seus lábios. Eu precisava me controlar. Pensei nas contas, nas dívidas, na necessidade desse emprego.

- Quantos idiomas você domina fluentemente?

- Italiano, francês, alemão, inglês, espanhol e tenho um bom nível em mandarim.

- Impressionante. - Ele fez anotações, sem tirar os olhos de mim por muito tempo. - Está ciente do salário oferecido?

Assenti, e ele continuou:

- Tem alguma pergunta?

Hesitei por um momento.

- Sim... gostaria de saber quando o emprego teria início, caso eu seja escolhida.

- Deveria ser mais confiante. Que tal "quando eu for escolhida"? - Ele arqueou uma sobrancelha, provocador.

Não consegui decifrar se ele estava me encorajando ou simplesmente brincando comigo. Decidi ignorar.

- Preciso começar o quanto antes.

- Tem outros compromissos?

Ele parecia se divertir com a situação. Seu queixo erguido, a postura altiva, tudo nele exalava poder e segurança. Sentia-me desafiada.

- Nenhum. Apenas necessidade de trabalhar.

Ele finalizou suas anotações e fechou a pasta.

- Muito bem, acho que concluímos por hoje. Foi um prazer, senhorita Antonella. Em breve, entraremos em contato com o resultado.

Levantamo-nos ao mesmo tempo. Enquanto me acompanhava até a porta, senti novamente aquele olhar intenso sobre mim. Meu coração acelerou, e tentei disfarçar o nervosismo.

Ao estender a mão para me despedir, seus dedos envolveram os meus com firmeza, mas suavidade. O toque quente fez um arrepio percorrer minha espinha. Seus olhos fixos nos meus, um sorriso quase imperceptível nos lábios.

- Obrigada, senhor... - minha voz saiu quase como um sussurro.

- Enrico - corrigiu, a voz profunda ressoando em meus ouvidos. - Espero ter notícias suas em breve.

Ele piscou, e por um instante, todas as preocupações pareceram desaparecer. Afastei-me, sentindo o rosto corar. O que estava acontecendo comigo? Não podia me deixar levar por encantos superficiais.

Saí da sala com passos rápidos, tentando recuperar o controle. Meu coração batia descompassado, e minha mente estava uma confusão. Enrico Ferrari era um homem sedutor, inegavelmente atraente. Mas também era arrogante e provavelmente acostumado a ter todas as mulheres aos seus pés.

Mas eu não era como as outras. E algo me dizia que ele sabia disso.

Capítulo 3 Volúvel e imprevisível

Saí do escritório e fui direto para o carro, ainda com os olhos marejados. Meu dia tinha sido um completo fracasso. Dei partida no motor, frustrada, já me preparando mentalmente para uma noite de lamentações. No entanto, uma notificação no celular mudou tudo. Meu coração parou por um segundo ao ler a mensagem: O emprego era meu.

A incredulidade tomou conta de mim. Liguei para minha melhor amiga, Lola, com a voz trêmula de emoção.

- Você não está falando sério! - Ela praticamente gritou do outro lado. - Além de estacionar na vaga dele, você o chamou de "Senhor Arrogante"?!

- Sim! Eu tive a coragem de fazer isso. - Eu ri nervosa. - Não fazia ideia de quem ele era, e ele me irritou me chamando de "belezinha". Agora ele é o meu chefe!

Lola caiu na gargalhada.

- Como você não sabia quem ele era? Eu já vi fotos dele na internet. Enrico Ferrari é praticamente um Deus grego!

Revirei os olhos, mas um leve calor subiu pelo meu rosto ao lembrar de sua figura imponente.

- Eu trabalhei para a empresa antes, mas só conhecia o pai dele. Nunca cruzei com o Senhor Arrogante em pessoa - expliquei, tentando desviar a conversa do fato de que ele realmente era um homem impossível de ignorar.

- Bem, agora você conheceu o filho gostoso, né? - provocou Lola, divertida.

- Para com isso! Ele é meu chefe agora, precisamos manter a seriedade.

- Tá, tá, vou ficar quieta. Mas vamos sair mais tarde para comemorar e você me conta tudo. Não aceito desculpas!

- Está bem, às oito? - cedi, já sabendo que não tinha como escapar.

- Perfeito! E esteja preparada para todos os detalhes sobre esse Senhor Arrogante.

Ri, mas logo depois que desligamos, a realidade voltou a me assombrar. Como eu ia esquecer aquele olhar penetrante? Aquele sorriso torto que parecia um desafio? E a arrogância que ele carregava como uma segunda pele? Não importava. Agora, o que contava era o meu salário e a estabilidade que ele traria, pagando as contas que ainda me sufocavam.

Suspirei, tentando me concentrar, mas uma notificação do Google piscou na tela do meu laptop. Uma matéria sobre Pierre Alan, o cantor fracassado que eu um dia chamei de marido, surgiu no site de fofocas. Meu estômago revirou de nojo e amargura. Ele agora fazia shows beneficentes pela Europa, mas eu sabia que isso era uma fachada barata. As lembranças de nosso relacionamento tóxico voltaram com força total, e um misto de arrependimento e repulsa me envolveu.

Eu o havia amado, acreditado nas suas promessas vazias e perdoadas suas traições. Enquanto ele subia ao palco, todo tatuado e se exibindo para as fãs, eu estava nos bastidores, mais uma assistente do que uma parceira. Trabalhei duro para manter nosso relacionamento e nossa vida juntos, mas ele nunca me enxergou. Até o dia em que o peguei com a vizinha. Sem vergonha, sem preservativo. O golpe final na minha dignidade.

Mas agora, eu estava de volta. Tinha um novo emprego, uma nova chance de recomeçar e, pela primeira vez em muito tempo, sentia que estava no controle da minha vida novamente.

Passei o resto do dia organizando minhas coisas para o início no novo trabalho. Contei para minha irmã e ficamos horas em uma chamada de vídeo, compartilhando a felicidade e o alívio que o novo emprego trazia. Era a primeira vez em muito tempo que eu me sentia empolgada com o futuro.

Mais tarde, naquela noite, encontrei Lola na boate. O lugar estava cheio, a música alta, as luzes dançantes. Mas minha mente estava longe, pensando no meu novo chefe, o Senhor Arrogante. Percebi que, mesmo com a tentativa de relaxar, ele ainda ocupava meus pensamentos.

- Terra chamando Antonella! - Lola riu, me puxando de volta à realidade. - Esquece o trabalho por algumas horas e vem dançar. Hoje é só celebração!

Ela me puxou pela mão, me fazendo rir enquanto eu tentava acompanhar seus movimentos no meio da pista. Estava me esforçando para parecer sensual, mas os saltos altos me dificultavam um pouco. Quando finalmente encontrei o ritmo, olhei para cima, e meu coração deu um salto.

Na área VIP, cercado por mulheres deslumbrantes que se esfregavam nele, estava Enrico Ferrari. Ele parecia completamente à vontade, seu olhar poderoso vagando pelo salão até cruzar com o meu. Engoli em seco e virei de costas rapidamente.

- O que foi? - Lola perguntou, percebendo minha reação.

- Nada - menti, tentando me recompor.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, um homem esbarrou em mim. Era bonito e sorria de um jeito que fazia meu radar de alerta disparar.

- Desculpe, me empurraram - disse ele, inclinando-se para falar no meu ouvido. - Mas já que estou aqui, preciso dizer: você é linda. E essa dança me deixou louco.

Eu sorri, sem graça, mas quando ele tentou se aproximar ainda mais, me afastei. Ele, no entanto, insistiu.

- Que tal irmos para um lugar mais reservado? Na área VIP, talvez? Posso te mostrar como danço... no seu colo.

Senti sua mão deslizar em direção à minha coxa, e meu corpo inteiro se retesou de indignação.

- Dispenso seu convite - respondi, fria, virando de costas. Mas antes que pudesse ir embora, senti uma mão grosseira apertando minha bunda. Virei pronta para dar um tapa no idiota, mas não tive tempo.

Um soco rápido e preciso atingiu o homem, e ele caiu no chão, gemendo de dor. Olhei, chocada, e vi Enrico em cima dele, furioso, desferindo mais golpes.

- Fique longe dela, imbecil! Jamais ouse tocá-la novamente! - ele rugiu, o olhar feroz enquanto esmurrava o sujeito.

O caos tomou conta da boate. A música parou, gritos começaram, e a multidão se agitou. Alguém me puxou pelo braço e, quando percebi, já estava do lado de fora, ofegante. Lola estava ao meu lado, os olhos arregalados de preocupação.

- Você está bem? - ela perguntou, a voz tremendo. - O Enrico brigou por você. Isso foi surreal!

Olhei para trás e vi a boate cercada de policiais. Antes que pudesse processar o que havia acontecido, Lola me arrastou para dentro de um táxi. O silêncio entre nós era pesado, preenchido apenas pelas batidas rápidas do meu coração.

Enquanto Lola recebia notificações de notícias sensacionalistas, virei-me para ela, surpresa.

- Olha isso - ela disse, me mostrando o celular. As manchetes diziam que Enrico havia brigado por causa de uma ex-mulher ou por um funcionário, todas completamente erradas.

Quando finalmente cheguei em casa, estava exausta, mas meus pensamentos ainda estavam emaranhados. Despedi Lola, assegurando-a que ficaria bem, e entrei no meu apartamento. Tentei dormir, mas o tumulto da noite e, principalmente, Enrico, não me saíam da cabeça.

Enquanto eu me acomodava na cama, desejando que o sono me dominasse, o telefone tocou. Atendi, confusa, e uma voz grave e familiar atravessou a linha, fazendo meu coração disparar.

- Antonella...

Eu sabia exatamente quem era. Meu corpo inteiro reagiu àquela voz, que misturava autoridade e desejo. Era ele.

- Enrico - respondi, sentindo uma onda de adrenalina.

- Você está em casa? Está bem?

- Sim, estou... obrigada por perguntar - murmurei, a voz quase trêmula.

- Ótimo. Te espero amanhã às 7:30. Não se atrase. Eu não perdoo atrasos - ele disse, com aquela voz grave e sedutora que me fazia perder o fôlego.

Desligou antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, deixando-me com uma mistura de surpresa, excitação e confusão. Meu coração batia forte, e o sono parecia impossível.

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