Nalla Dmitriev:
O vestido de noiva era desconfortável, pelo menos dois números menos que o meu manequim e se eu respirasse fundo ele iria rasgar, a tiara machucava a minha cabeça, o sapato estava machucando os meus pés, mas, eu deveria estar perfeita para aquela ocasião, era o dia mais feliz de uma mulher, se eu não estivesse sendo obrigado a casar-me com um homem que eu não conhecia e até a semanas atrás era um inimigo mortal de minha família. Eu era a ovelha jogada aos lobos e tudo isso apenas por poder, a Bratva finalmente iria conseguir um substituto à altura caso algo acontecesse ao meu pai e a Casa Nostra iria se tornar a máfia mais poderosa do mundo com aquele acordo, meu casamento renderia dinheiro, sucesso e poder para os envolvidos naquela palhaçada e em nenhum momento eu fui consultado sobre o que eu queria para o meu futuro, apenas me informaram o que iria acontecer e eu não pude negar, pois, era uma mulher e mulheres não tinham voz dentro da máfia, apenas obedeciam o que lhes eram atribuídos, até casar-se com um maldito italiano, como era o meu caso.
_ Você está linda. – Elogiou Ivana quando entrou na maldita sacristia, eu era ortodoxa e estava me casando em uma igreja católica, mas, aquela era uma das exigências de meu futuro marido. Eu teria um casamento em termos italiano. _ A noiva mais bonita que eu já vi, seu marido terá muita sorte em lhe ter Nalla.
_ Obrigado. – Agradeci apertando a sua mão delicadamente, minha doce e delicada irmã caçula, esperava que quando ela estivesse em idade de casamento isso não lhe acontecesse, bem que eu já estava velha para a sociedade mafiosa, eu já tinha 22 anos, mulheres costumavam se casar muito cedo pelas regras da máfia, assim os herdeiros vinham mais rapidamente. _ Tenho certeza que quando chegar a sua vez, você estará ainda mais bonita e radiante. Pode avisar para nana que eu já estou pronta?
_ Nana ainda está terminando de assinar alguns contratos. – Respondeu ela fazendo com que eu desse uma risada irônica. _ Mas mamãe e Sasha estão esperando para falar com você, eu irei para o meu posto, sou sua dama de honra.
Sorri e a abracei antes que ela se distanciasse com o seu vestido azul marinho, já que ele tinha combinado perfeitamente com o seu tom de pele, tinha certeza que Sasha estaria tão bem quanto ela, cores vibrantes combinavam com a pele albina e não todo aquele branco que me deixava parecendo com um fantasma.
_ Sasha acompanhe a sua irmã, não é de bom tom apenas uma dama de honra do altar. – Mandou mamãe fazendo com que ela me encarasse com aqueles olhos azuis apreensivos e eu concordei sorrindo para ela. _ Vamos garota, não temos a noite inteira, logo seu pai estará aqui e eu não poderia conversar com sua irmã.
Ela concordou e me abraçou carinhosamente antes de se afastar indo em busca de Ivana. Mamãe me encarou de cima a baixo, como se estivesse avaliando ver se eu não tinha feito nada de errado, já que a seu passatempo preferido quando ela não estava bêbada era me criticar.
_ Já deveríamos ter tido essa conversa, mas, você não é uma pessoa fácil de se lidar Nalla. – Começou ela fazendo com que eu revirasse os olhos e apanhasse o buque de rosas vermelhas que eu detestava por mim teria mandado fazer um de lírios brancos, mas, não combinava com a decoração. _ Casamentos são uma merda, principalmente os que começam desse jeito, eu odeio o seu pai com todas as minhas forças e isso é reciproco, bem eu lhe dei três filhas mulher a maior desonra que um homem dentro da máfia pode ter e como bastardos não são reconhecidos ele nunca terá um filho homem para carregar o seu querido sobrenome.
_ Mãe, eu não quero e não preciso de seus conselhos. – Avisei tentando me sentir confortável dentro daquele vestido, mas, isso era impossível. _ Então, se nana perguntar alguma coisa, apenas diga que você destilou o seu veneno e que estamos bem.
_ O casamento vai matar esse seu espiro rebelde, na verdade ele vai matar você aos poucos e dentro de alguns anos você será apenas uma casca vazia assim como eu sou, viciada em alguma coisa que faça você tentar se sentir viva. – Falou ela dando-me as costas. _ Acho que não precisa dos meus conselhos para a noite de núpcias, espero que seja melhor do que a minha, com o tempo você se acostuma a sentir nojo do sexo e fazer apenas quando necessário e ficar feliz com as amantes que seu marido arrumara, assim ele lhe procurara menos e você terá um pouco de paz, se tiver sorte lhe dará um filho homem e isso será o seu auge querida, mas, lembre-se a genética não está ao seu favor.
_ Obrigado mama. – Agradeci quando ela saiu e me apoiei na cadeira, aquela conversa era bem motivadora, da qual toda mãe teria com a sua filha minutos antes dela atravessar as portas da igreja para se casar. _ Okay Nalla, você é melhor e mais forte do que tudo isso. É apenas um italiano que você terá que aturar o resto da sua vida, isso se você não o matar nesta noite.
_ Isso seria uma violação do acordo e eu realmente não quero matar minha filha preferida. – Avisou nana fazendo com que eu levantasse a minha cabeça e o encarasse parado perto da porta. _ Você está linda, rosa.
_ Você assinou a minha sentença quando me entregou de bandeja para aquele maldito italiano. – Disse endireitando-me. _ Vamos logo fazer isso, esse vestido realmente está me incomodando e eu quero terminar logo com essa palhaçada e tirar logo essa coisa.
_ Um dia você vai entender os meus motivos, rosa. – Falou ele beijando a minha testa carinhosamente enquanto me abraçava e isso fez com que eu tivesse em engolir o choro que estava preso na minha garganta, por mais que ele fosse um pai ausente e frio, era dele os únicos gestos de carinho que eu recebi durante toda a minha vida. _ Essa é a sua batalha rosa, mostre a eles que não iram conseguir destruir você como eles estão imaginando, mesmo que pra isso você tenha que usar artilharia pesada. Você é uma Dmitriev e nós nunca nos entregamos.
_ Deixarei você orgulhoso nana. – Prometi fazendo com que ele sorrisse e beijasse a minha testa. _ Eu amo você.
_ Também amo você, minha rosa. – Declarou ele acariciando o meu rosto. _ Ele não merecia alguém como você, não merecia nenhuma das minhas garotinhas. Infernize a vida dele rosa.
Sorri e concordei, ele me ofereceu o seu braço e eu suspirei antes de pegar o buque e respirar fundo antes de caminhar na direção da saída da pequena sacristia que o padre tinha oferecido gentilmente para que eu terminasse de me arrumar. O caminho até a posta foi rápido, lá a cerimonialista arrumou o véu e a pequena calda do vestido antes que as portas fossem abertas e a marcha nupcial entrou pelos meus ouvidos, fazendo com que eu tivesse vontade de correr na direção contraria, mas, nana apertou o meu braço fazendo com que eu andasse na direção do altar, a nona sinfonia de Beenthoven parecia mais apropriada para aquela cerimônia. A nave da igreja parecia enorme e todos me encarando não estava ajudando, todos pareciam separados, italianos de um lado, russos de outro, a expressão do meu futuro marido não era boa e isso me fez sorrir, parecia que eu não era a única infeliz com aquele casamento.
O padre começou a cerimônia falando palavras de amor e fidelidade o que me fez querer gargalhar, mas, eu não iria cometer aquele pecado, todos ali sabiam que casamentos dentro da máfia eram para toda a vida, aquele velho padre já deveria ter feitos muitos casamentos como os meus. Raros eram os casamentos por amor, um em milhões.
_ Eu Nalla Katrina Dimitriev prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na doença e na pobreza, todos os dias de minha vida, até que a morte nos separe. – Falei enquanto o padre me encarava e me passava uma pequena adaga, aquele pequeno verso era apenas a parte religiosa do casamento. _ Nesta noite santa, no silêncio das trevas e sob a luz das estrelas e o esplendor da lua, formo a santa cadeia. Em nome de Dmitriev, Bratva, com palavras de humildade, sangue e honra, eu formo a santa sociedade.
Cortei a palma da minha mão com a adaga e deixei com que o sangue pingasse sobre o livro, cada casal tinha a sua página, se algo acontecesse ela era incinerada e o sobrevivente recebia uma nova folha para um futuro casamento, isso era mais comum entre os homens, mulheres viúvas não costumavam casar-se novamente, apenas quando eram herdeiras, essas não podiam ficar sem um marido e eram aceito casamentos apenas para aquelas que não tinham filhos para assumir o lugar do seu marido.
O padre me estendeu um pedaço de pano branco, fazendo com que eu enrolasse uma ponta em minha mão para que o sangue não pingasse em mais nenhum local e devolvi a adaga para ele que me ofereceu um sorriso reconfortante.
_ Eu Apolo Marino, prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias de minha vida, até que a morte nos separe. – Declarou ele com um sorriso debochado nos lábios, maldito italiano bonito, pelo menos olhar para ele não seria insuportável. Ele pegou a adaga e me encarou raivosamente, como se a sua vontade fosse enterrá-la no meu peito, mas, estávamos em solo sagrado e até os mafiosos respeitavam alguma coisa e a casa de deus era uma delas. _ Nesta noite santa, no silêncio das trevas e sob a luz das estrelas e o esplendor da lua, formo a cadeia. Em nome de Marino, Casa Nostra, com palavras de humildade, sangue e honra, eu formo a santa sociedade.
Ele cortou a mão profundamente e o sangue se misturou ao meu e ali eu soube que não tinha mais alternativas de fuga, a única seria a morte de meu marido que não era ruim, ele tinha muitos inimigos, não seria difícil alguém o matar. Ele pegou a outra ponta do pano e enrolou na sua mão fazendo com que as nossas mãos ficassem próximas. O padre continuou com a cerimônia até o fatídico beijo, para a Casa Nostra isso era uma demonstração de fidelidade a máfia, ele foi rápido e estranho o que me deixou constrangida.
De braços dados nós saímos da igreja, sem demonstrações de afeto ou chuva de arroz, seria mais fácil ter uma chuva de balas, a limusine já estava a nossa espera, eu ainda tinha de aguentar uma festa com aquele maldito vestido, tudo que eu queria era poder respirar normalmente novamente, pelo menos a limusine era espaçosa e eu não irei precisar dividir o mesmo banco com aquele homem irritante, ele entrou e encheu um copo de whisky, ficar bêbado era uma ótima maneira de comemorar aquele casamento, pelo menos eu não iria me lembrar de absolutamente nada no dia seguinte.
_ Você poderia parar de me encarar como se estivesse pensando onde seria melhor colocar uma bala no meu corpo. – Pedi enquanto pegava uma das taças de champanhe, se ele podia beber eu iria o acompanhar. _ Eu sei o quanto isso é tentador para você, sua fama lhe percebe um matador sem piedade, os boatos que correm são que seu nome foi dado em homenagem ao Deus errado, deveria ser o nome do Deus da Morte. Mas, isso quebraria o pacto e sua cabeça iria rolar e você é altruísta, prefere me aturar do que ser morto por causa de uma traição, isso seria uma desonra muito grande para a sua família.
_ E você mais irritante do que parece. – Falou ele fazendo com que eu sorrisse, ele não imagina o quanto eu poderia ser irritante quando me empenhava em alguma coisa. _ Apenas cala e boca mulher, não posso marcar o seu rosto bonito nesta noite todos iriam perceber isso e como você disse, não serei eu a quebrar o acordo. Porém, não sabemos o quanto você vai aguentar?
_ Muito mais do que você imagina. – Afirmei enquanto abria a garrafa e enchia a minha taça levantando em um brinde silencioso na sua direção, eu não era uma garotinha mimada que tinha sido criada para ser uma esposa perfeita, sem herdeiros homens nana tinha sido efetivo em me treinar como uma homem, eu aguentava muito mais do que ele estava imaginando. Eu era uma Dmitriev, eu nunca pediria clemência.
O caminho até a local da recepção foi rápido, tudo iria ocorrer no hotel mais luxuoso de Nova York, onde a suíte nupcial estava reservada para os noivos, eu queria estar bem louca para esse momento, assim não me lembraria do ato em si, que eu já sabia que não seria agradável mesmo que fosse feito carinhosamente e eu sabia que isso não aconteceria. Nova York parecia vibrar quando eu saí da limusine, aquela era a minha cidade, aquele era o meu lar e pela primeira vez eu pensava em fugir dali, me esconder no buraco mais obscuro da terra e nunca ser encontrada, ele puxou o meu braço fazendo com que eu andasse na direção do salão de festas. Os sorrisos falsos me irritavam, as parabenizações frias me deixavam desconfortáveis e os desejos de felicidades pareciam piadas, depois de cumprimentar todos os convidados fomos sentados na mesa central, junto com os nossos familiares, a festa estava regada a muito comida, bebida e estranhamento, aquilo iria acabar mal e eu iria adorar ver a confusão, russos e italianos nunca iriam conviver pacificamente, tinha um abismo entre nós, muitas mortes e ameaças e não seria um casamento que iria mudar aquilo, precisava apenas de uma fagulha para que aquela farsa fosse por agua a baixo e isso seria péssimo para mim, pois, eu tinha sido jogada na cova do leão.
_ Sorria. – Mandou Apolo enquanto nós dançávamos, aquelas palhaçadas convencionais estavam tirando o meu foco. _ Todos estavam esperando uma noiva mais alegre ou uma noiva que pelo menos parecesse conformada com o casamento. Então interprete menor ou eu irei quebrar você quando estivermos sozinhos.
Coloquei o meu sorriso mais falso no rosto e ele permaneceu nos meus lábios por todo tempo, não estava fazendo aquilo por causa das suas ameaças, apenas não queria confusões na minha primeira noite de casada, por mais que isso fosse impossível. Fui deixada na pista de dança assim que a valsa terminou, meu marido não parecia um homem que dançava, mas, logo nana tomou o seu lugar e depois de dancei com minhas irmãs quando a música mudou. Eu estava casada e iria me divertir pelo menos na minha festa, já que o casamento em si seria uma bosta.
_ Acho que eu fui o único que ainda não dançou com a noiva. – Falou uma voz dura nas minhas costas fazendo com que eu desse de cara com Ares Marino, o temido Dom da Casa Nostra, o mais poderoso dos irmãos Marino. _ Espero que me dê a honra dessa contradança.
_ Com prazer. – Disse aceitando a mão dele, eu não era louca de o desrespeitar na frente de todos, nana faria questão de me matar se eu fizesse algo que lhe desrespeitasse. _ Ares Marino, então você é o homem por trás do acordo com meu pai, mandou seu próprio irmão para a forca sem ter a certeza que meu pai aceitaria as suas propostas. Deveria agradecê-lo por isso ou amaldiçoar a sua linhagem por anos?
_ Sua língua é ferina para alguém tão pequena, querida cunhada. – Falou ele fazendo com que eu risse, ele ainda não tinha visto nada. _ Mas, tenha cuidado com as suas palavras, não sou um homem paciente e me ofendo com facilidade e não quero ser o responsável por deixar meu irmão viúvo antes da lua de mel, isso seria um desastre o acordo não duraria um dia. Algum dia irá me agradecer por isso, assim que eu coloquei os meus olhos em você soube que era a mulher perfeita para Apolo, mesmo sendo russa, é a única que conseguirá atura-lo e parece que seu pai pensa como eu, suas irmãs se matariam em uma semana.
_ Não se preocupe, não tenho a intenção de morrer tão cedo. – Avisei séria e fazendo uma pequena reverencia. _ Acho que chegou a hora de me retirar, um casamento não acontece realmente até que os noivos tenham saído a francesa.
Saí do salão a passos rápidos e vi que meu marido pareceu perceber isso e me seguiu, mas, eu não fiz aquilo por nervosismo e sim por necessidade, se eu não tivesse aquele maldito vestido iria morrer de parada respiratória por esmagamento.
_ Você ficou maluca ao sair sozinha? – Perguntou ele me prensando contra a parede do elevador e levando a mão ao meu pescoço fazendo pressão. _ Irei avisar isso apenas uma vez e espero que me entenda, você agora me pertence, é minha por direito, seguira todas as minhas regras na risca se quiser continuar com o seu lindo rostinho intacto. Nunca mais deixe um salão em sim, você me deve submissão e eu irei adorar ensiná-la isso.
Ele apertou mais forte o meu pescoço e me soltou fazendo com que eu respirasse com dificuldade, além do vestido um enforcamento, o casamento já tinha começado perfeitamente bem.
_ Pode abrir o maldito vestido? – Perguntei encarando-o quando o elevador parou no elevador e ele arqueou uma sobrancelha andando na minha frente a passos largos. _ Eu não consigo alcançar o maldito zíper.
_ Isso seria atentado ao pudor querida esposa. – Avisou ele me empurrando para dentro do quarto. _ Você é uma vadia, ansiosa para abrir as pernas. Será que ainda é virgem ou seu pai não soube educar você, não duvido disso, vocês russos não são confiáveis, tentei falar isso para Ares, mas, ele está mais interessado no poder que vai ter nas suas mãos do que em qualquer outra coisa, mas, ninguém me engana com tanta facilidade. Não se preocupe querida, irei lhe ajudar com o vestido e quem sabe em abaixar o maldito fogo que você está entre as pernas.
Ele me virou como se eu fosse uma boneca e rasgou o maldito vestido, eu poderia ter agradecido por aquilo, pois o ar voltou a circular pelos meus pulmões quando ele arrebentou o maldito espartilho que era a maldito instrumento de tortura que estava me apertando desde cedo e tinha me feito caber naquele vestido. Me debruçou sobre a cama e agarrou os meus cabeços com força, fazendo com que eu gemesse de dor, pelo menos eu não teria que olhar para o seu rosto enquanto ele me comia. Porém, isso não aconteceu, ele apenas deu uma risada baixa e rouca e colocou a boca no meu ouvido.
_ Eu preferi pagar para qualquer uma dessas vagabundas de esquina e pegar uma doença do que colocar o meu pau dentro de você. – Sussurrou ele fazendo com que eu serrasse as minhas mãos em punhos. _ Tenho nojo de você vadia russa, se está com tanto fogo alivie-se sozinha e se não quiser ter a sua honra manchada na próxima manhã, de um jeito para que todos saibam que não é mais uma mulher virgem e mais uma coisa querida esposa, sonhe em me trair com qualquer um de seus amantes e eu matarei você da forma mais cruel possível e a desonra que a sua família irá sofrer os perseguirá por toda a vida, faria o impossível para que ninguém se esqueça da sua traição.
Ele me empurrou na direção dos travesseiros e saiu batendo a porta com força, deveria ter outro quarto na suíte presidencial, ele não poderia dar as caras naquela noite ou iriam perceber que aquilo tinha sido uma farsa. Limpei a única lagrima que escorreu dos meus olhos, se ele estava pensando que eu iria deixar com que ele me humilhasse daquele jeito e não fazer nada estava muito enganado, eu não era uma boneca que ele iria manipular a seu bel prazer, joguei o que sobrou do vestido em um canto e entrei no banheiro, tomei um banho quente e demorado sentindo o meu corpo doer, horas dentro daquele espartilho estava acabando comigo, meus pulmões pareciam estar pegando fogo. Peguei a camisola que tinha sido deixada ali e encarei a cama, vasculhei a minha necessaire em busca de algo que pudesse reabrir o ferimento da minha mão, minha honra continuaria intacta, peguei uma lixa e passei na mão com força, o sangue voltou a escorrer e manchei os lenções brancos e impecáveis, virgens nem sempre sangravam, mas, era melhor preservar as tradições, todos queriam um lençol com sangue para provas que fomos para a cama e era isso que eles teriam para fazer o que quiserem.
Joguei o lençol longe e deitei-me enrolando-me no pesado cobertor, a noite quente de verão não iria esquentar o meu corpo naquela noite, eu queria apenas acordar e perceber que tudo que se passou naquele dia tinha sido um pesadelo e que eu estava no meu quarto na mansão dos Hamptons com as ondas quebrados a alguns metros de mim e os gritos histéricos de minha mãe por faltar alguma das suas bebidas, mas, aquilo era apenas uma ilusão de uma garota que teria de aprender a andar com as próprias pernas e em um caminho tortuoso, nana poderia não ter sido o melhor pai do mundo, porém, ele amou cada uma de suas filhas do seu jeito rude e desajeitado, ele teria amado minha mãe se ela não fosse uma vadia sem coração e eu não teria mais aquela proteção paternal que sempre me deixou segura. Tinha me casado com um monstro de olhos castanhos e o rosto mais belo que eu já tinha visto e um odeio descomunal dentro de si, aquele seria o meu purgatório e quando ele acabasse eu esperava ter meu lugar garantido no céu.
Virei-me na cama e encarei o teto branco, não estava reclamado de não ter sido tocado pelo meu marido, eu sabia que quando aquilo acontecesse não seria carinhoso e atencioso como uma mulher sempre sonhou, eu seria violada, humilhada e estuprada e não poderia falar uma palavra sobre aqui, pois, essas eram as regras, meu marido tina direito sobre mim, eu era uma propriedade e não tinha o direito de fazer nada contra as suas vontades, qualquer erro de minha parte poderia ser considerado uma violação das regras, que ia de uma humilhação pública a ser devolvida para a minha família que sempre acabava com a morte da mulher, já que quando a esposa era devolvida era por não cumprir os seus deveres matrimoniais ou ter feito algo que humilhasse ao seu marido e essa era a maior desonra para uma mulher, quando elas não se matavam para evitar aquele tipo de coisa quase sempre eram morta pelos pais ou expulsas de casa e da máfia sem direito a nada e me tronavam profissionais de sexo nas esquinas de cidades pequenas que não tinham conhecimento sobre ela, pois, até de sua cidade elas eram expulsas sem poda ter recorrer a qualquer ajuda.
O sono não veio naquela noite, eu escutei quando meu marido recebeu uma visita no quarto ao lado e eles não estavam preocupados em seres ouvidos, era como se ele estivesse jogando na minha cara que eu não era mulher suficiente para estar na sua cama, pensando que eu iria ficar humilhada com aquilo, pena que ele não me conhecia o suficiente para saber que eu estava aliviada por não ter que dividir a cama com ele. Adormeci quando o sol começava a entrar pelo quarto aquecendo o meu corpo e o meu coração, eu tinha sobrevivido ao primeiro dia e dizem que ele é sempre o pior.
Nalla Marino:
Acordei quando o sol já estava a pino, o quarto parecia estar exatamente como eu deixei, suspirei sabendo que não tinha sido um pesadelo e me levantei, fui até o banheiro e fiz a minha higiene demorando mais que o comum já que o meu cabelo estava parecendo um ninho de passarinho, passei quase uma hora para consegui o desembaraçar e deixar com que eles caíssem castanhos e ondulados pelas minhas costas, passei uma maquiagem leve para esconder as minhas olheiras e um batom nude, agora eu era uma mulher casada não deveria chamar atenção. Ao lado de onde tinham colocado a minha camisola estava uma roupa pendura e eu sabia que tinha sido uma de minhas irmãs que tinha a trago, já que era uma das minhas preferidas, a blusa branco básica, uma saia mid rose de chifon, meu sapato branco de salto e uma bolsa pequena para que eu colocasse apenas o essencial. Troquei o curativo da minha mão e peguei um óculos escuro antes de sair do quarto.
_ Pensei que iria passar o resto do dia trancada dentro deste maldito quarto, são duas horas da tarde e eu tenho coisas mais importantes para fazer do que esperar você acordar. – Falou ele enquanto tomava seu whisky, ainda bem que eu já estava acostumada com alcoólatras. _ Sua roupa não está apropriada para sair ao meu lado, está parecendo uma suburbana que compra roupas em um brechó qualquer, você agora é esposa de um empresário respeitado, deveria pensar em se vestir adequadamente. Não quero meu nome das revistas de fofoca falando que me casei com uma hippie feminista.
_ Irei repensar todo o meu guarda-roupa se isso lhe agrada. – Menti sorrindo e sabendo que não importasse o que eu usasse, ele sempre iria achar um defeito para me ofender. _ Isso é seu, não sei pra quem você deve entregar, mas, eu fiz o que você mandou na noite passada e tenho certeza que foi muito melhor do que transar com você.
Joguei o lençol na sua direção vendo os seus olhos brilharem de raiva enquanto eu pegava uma maça na mesa do café.
_ Você não disse que estava atrasado, acho que eu irei adorar conhecer a minha nova casa. – Falei sorrindo e andando na direção da porta e vendo ele rosnar e vir na minha direção.
Ele jogou o lençol para um soldado que estava nos esperando no elevador e parou ao meu lado, nem passamos pela recepção do hotel, eu sabia que os paparazzi deveriam ter descoberto sobre o nosso casamento e estavam famintos por uma foto do novo casal, Apolo era considerado o solteiro mais famoso e cobiçado de Nova York, o dono das casas noturnas mais badalados do país, junto com os irmãos eles tinham construído um patrimônio no mundo do entretenimento, Ares comandava os hotéis que estavam por todo o mundo, era o negócio mais lucrativo e a máfia estava submetida aquilo, o irmão mais novo Aquiles que parecia o melhor dos três e ser um playboy de carteirinha tinha uma rede de restaurante, eles estavam em todos os lugares e agora o império iria se expandir com os patrocínios das empresas Dmitriev.
_ Diretamente para casa Alvin. – Mandou-o fazendo com que eu suspirasse, sabia que ele tinha uma cobertura no Central Park, ele era um homem de Manhattan e não precisava ter uma casa enorme nos Hamptons, ele não era o Dom da Famiglia, como subchefe seria mais confortável para ele morar no centro da cidade, ficava de olho em tudo e resolvia os problemas antes deles saírem de controle. _ Despiste os malditos paparazzi, não quero nenhuma foto na impressa.
O segurança parecia conhecer todos os caminhos até o prédio onde ele morava, já que pegamos as ruas menos movimentadas, para nos livrar do trânsito infernal que estaria pelas avenidas naquele horário, Nova York nunca parava e eu acho que isso era o que mais me encantava naquela cidade. O carro foi estacionado na garagem, Alvin nos acompanhou até o elevador, como se algo fosse acontecer naquele trajeto, Apolo digitou o código de segurança do elevador enquanto eu me escorava em uma das paredes, não precisava saber aqueles códigos, todos os seguranças tinham acesso a ele.
_ Seja bem-vinda a sua nova casa. – Ironizou ele quando eu entrei na espaçosa sala, era tudo masculino demais, mas, o que me chamou atenção foi o piano de calda, eu iria ter onde gastar as minhas horas livres, já que duvidava que iria poder sair pela cidade para fotografar. _ A cobertura é um tríplex, Abigail irá lhe mostrar, assim como o seu quarto, não divido a minha cama com ninguém. Enrique é o seu novo segurança, você não saí sem ele estar por perto, você não respira sem ter ele por perto. Não quero problemas envolvendo o seu nome nos meus ouvidos, respeite os meus funcionários e lide com as funções de casa, pois, para isso que eu tenho uma esposa. Como dono de boate eu não tenho horário fixo para chegar em casa, então não me espere para nada, todos os convites que chegam para festas e eventos passam primeiro por Abigail, ela sabe de como eu gosto das coisas, então não crie problemas com isso. Sem visitas no meu apartamento.
_ Eu sou sua esposa ou sua nova empregada? – Perguntei encarando-o. _ Não responda, o dia está lindo demais para estragá-lo com o seu humor, já entendi que Abigail é o seu braço direito, eu sigo as regras dela e tudo saíra bem. Você não estava com o seu dia cheio? E não podemos repatriar Andreas? Ele é meu segurança desde que eu tinha 10 anos, já estou acostumada com ele e nana não se importaria de sede-lo.
_ Não. – Respondeu ele fazendo com que eu arqueasse uma sobrancelha. _ Não trabalho com russos, agora você é uma mulher italiana, acostume-se com isso e esqueça daqueles malditos russos que um dia fizeram parte da sua vida, agora é esposa do subchefe da Casa Nostra, pare de agir como uma garotinha mimada.
_ Ou você repatria Andreas ou eu irei fazer com que o seu segurança peça pra sair e isso não seria nada bom para o subchefe da máfia, todos iriam pensar no porquê o segurança da sua esposa se despediu ou o escândalo seria enorme. – Avisei encarando-o. _ Acostume-se com os russos, um dia irá se tornar o Dom da Bratva e eu quero ver você ter o respeito deles com essa sua arrogância, será morto em menos de uma semana. E eu irei adorar ver isso.
_ Se você ainda estiver viva até lá querida. – Disse ele apertando o meu rosto até eu gemer de dor. _ Acostume-se com Enrique, pois, ele é o único segurança que você terá e se fizer algo contra ele, não será nele que eu irei descontar a minha raiva, querida.
Ele saiu me deixando plantada no meio da sala, com o maldito segurança me olhando como se eu ficasse ainda irritada, andei pelo andar inferior do apartamento que era enorme, não tão grande quanto a mansão de nana nos Hamptons, mas, eu conseguiria evitar meu marido, além no piano eu adorei a biblioteca, tinham livros maravilhoso por lá, ainda tinha um escritório e a cozinha que deveria ter sido modificada, pois, era verdadeiramente muito maior do que qualquer cozinha de apartamentos comuns, uma senhora fria e arrogante estava parada com uma roupa impecável e me olhava com um certo nojo.
_ Você deve ser a senhora Marino. – Falou ela fazendo com que eu concordasse. _ Estávamos a sua espera, Apolo pediu para que eu mostrasse o apartamento para a senhora, seu quarto já está arrumado e as malas que chegaram nesta manhã já foram colocadas no closet esperando pelas ordens para serem arrumadas ao seu gosto. Antes da senhora eu cuidava de todos os assuntos do apartamento, seguimos uma série de regras aqui, o senhor Apolo gosta de tudo do jeito dele, irei explicar tudo para a senhora no momento certo, por enquanto irei lhe auxiliar em tudo que precisar. Podemos fazer o tour pela sua nova casa?
Concordei apenas para me ver um pouco mais longe daquela mulher, ela era fria como um iceberg, já estava com saudades de Kristen e seus grandes e carinhosos olhos azuis. O terceiro piso do apartamento era uma piscina privada, com direito a sauna e um vestuário separado por sexo e uma academia, o segundo piso tínhamos os quartos no total eram quatro, o meu ficava de frente para o parque, pelo menos era uma suíte e tinha um closet considerável.
_ Obrigado pela visita senhora Abigail. – Agradeci quando vi que ela ainda estava parada no meio do quarto. _ Não se preocupe, eu irei desfazer as minhas malas e arrumar as minhas coisas, não irei precisar da sua ajuda ou de nenhuma das funcionárias.
_ O jantar é servido às oito em ponto quando o senhor está em casa. – Avisou ela fazendo com que eu concordasse. _ Ele gosta de massas, mas, eu posso preparar algo para a senhora se quiser uma comida mais leve.
_ Não costumo comer muito durante as noites. – Informei. _ Apenas uma salada. Obrigado.
Ela não pareceu satisfeita com a minha resposta mais saiu me deixando sozinha. Peguei a minha necessaire e comecei a arrumas as coisas no banheiro, seria mais fácil do que desfazer cinco malas, deixei as coisas do jeito que eu gostava, pendurei o meu roupão ao lado dos toalhas brancas e felpudas, arrumei simetricamente os meus cremes na prateleira, o shampoo e os sais em um local acessível para o local onde eu fosse me banhar e coloquei a minha escova de dentes no armário. Aquele quarto parecia o mais feminino da casa, era decorado com cores claras e objetos delicados e eu não queria pensar em quem dormia ali antes de mim, entrei no closet e abri a primeira mala, optei por começar pelos meus sapatos, eles eram mais rápidos de arrumar, por mais que eu tivesse uma queda por sapatos e bolsas, aquele local seria pequeno para todas as minhas roupas, não tinha nem um local adequado para que eu guarda-se as minhas joias e óculos. Sasha e Ivana tinham empacotado praticamente tudo que tinha no meu quarto, até as roupas que eu tinha tirado para doação, então eu tive que começar a separá-las novamente e mais algumas coisas iriam sair para que coubesse as peças que eu mais usava.
_ O que diabos você está fazendo? – Perguntou Apolo entrando no closet sem um convite enquanto eu terminava de colocar as roupas na caixa que eu tinha conseguido com o segurança. _ Você já deveria estar pronta e arrumando tudo para receber os nossos convidados.
_ Como? – Perguntei levantando-me e pegando a minha tiara para colocá-la na caixa, agora era ela minha por direito e deveria ficar em um local seguro. _ De que convidados você está falando?
_ Meus irmãos viram jantar conosco nesta noite. – Respondeu ele fazendo com que eu revirasse os meus olhos. _ É uma tradição familiar, mas, eu não acho que você sabia o que é isso, Abigail deveria tê-la informado sobre isso, mas, a culpa não é deve se você é uma péssima esposa e não se preocupou em saber do cronograma desta casa. Mas, eu deveria saber que você iria se preocupar apenas em ficar se espelhando em uma tiara, é apenas uma vadia mimada.
_ Na verdade eu fico muito bem espelhada em centenas de diamantes. – Falei colocando a peça dentro da sua caixa. _ Sua querida governanta apenas me informou que o jantar seria servido às oito, ainda teve a audácia de me perguntar o que eu gostaria de jantar. Não se preocupe querido, seus irmãos iram me amar, eu serei a melhor anfitriã que eles já tiveram, agora dê o fora do meu quarto e deixe com que eu me arrume para essa tradição de família, quem sabe eu não tenho sorte e você morra engasgado com a comida.
_ Faça algo que me ofenda e eu irei quebrar você. – Rosnou ele apertando o meu rosto e me puxando para perto dele. _ Na verdade eu iria adorar ver você pedir por clemência.
_ Nem nos seus sonhos. – Avisei afastando-me dele a passos largos. _ Coloque um sorriso no rosto querido, você acabou de se casar, deveria estar feliz e relaxado, não irritado ao ponto de ameaçar a sua querida esposa. Dê o fora ou não teremos nenhum maldito jantar.
Ele me olhou irritado e saiu batendo a porta com força, minha vontade era de fazê-lo passar pela maior vergonha da vida dele, porém, isso teria consequências e eu realmente não queria ser espancada no meu primeiro dia como casada. Entrei no banheiro e tomei uma bucha rápida, sabia que se entrasse na banheira não iria sair a tempo de me arrumar para o jantar, parei na frente dos meus vestidos para decidir o que seria adequado para um jantar em família. Optei por um preto, nada básico, estilo cigana em formato de coração e uma fenda na parte esquerda e que terminava acima do meu joelho. Calcei minhas sandálias pretas de salto quadrado, um par de brincos de diamante, passei uma maquiagem leve e amarrei os meus cabelos em um rabo de cavalo alto, deixando o meu rosto em evidência e era um belo rosto, qualquer homem gostaria de ter se casado comigo, eu era uma mulher bonita, minha pele era branca como porcelana, meus olhos eram azuis límpidos, eu tinha uma estatura média, meu corpo era defino, seios médios, barriga chapada, pernas grossas e longas. Eu absolutamente era uma mulher bonita e aquele imbecil era que estava perdendo me rejeitando daquele jeito, coloquei a maldita aliança que estava esquecida sobre a pia do banheiro e desci, eu tinha que estar na sala para receber os convidados como uma boa esposa.
_ Abigail, pode deixar que eu arrumarei a mesa. – Falei quando vi que ela estava arrumando um vaso sobre ela. _ Você pode ir ver se o jantar está pronto, não quero que os convidados esperem pela comida e leve essas rosas vermelhas daqui, só o cheiro delas já me embrulham o estomago e tire aquele arranjo que está na sala também.
_ Rosas vermelhas são as flores preferidas da senhora Marino. – Disse ela fazendo com que eu erguesse uma sobrancelha. _ O senhor Apolo que mandou comprá-las, elas sempre deixam a senhora Lavínia mais feliz.
_ Enrique. – Chamei fazendo com que ele aparecesse como um fantasma ao meu lado. _ Tem uma floricultura na esquina, desça até lá e mande com que eles façam dois belos arranjos de lírios, eu adoro lírios. Quero isso pronto em dez minutos. Você pode fazer isso por mim?
_ Claro signora. – Respondeu ele indo fazer o que eu mandei.
_ Você deveria ser mais parecida com ele Abigail. – Falei encarando-a sorrindo falsamente. _ Tire essas rosas da minha frente, você não deveria agradar a Lavínia Marino, mas, a mim, eu sou a sua patroa.
Ela saiu contrariada levando as rosas vermelhas consigo, sentei-me na poltrona e coloquei o meu melhor sorriso no rosto, iria ser divertido conviver com ela, desde que Abigail seguisse as minhas ordens. Enrique voltou com os meus arranjos de lírios, eles eram lindos, sofisticados, delicados e perfeitos para aquela ocasião, arrumei a mesa e coloquei o arranjo maior no aparador da sala.
_ Onde estão as rosas vermelhas que eu mandei com que Abigail comprasse? – Perguntou Apolo descendo as escadas enquanto arrumava as mangas da camisa, ele não usava o habitual terno, estava usando apenas uma camisa social dobrada até o cotovelo e uma calça social.
_ Mandei-a jogar fora, odeio rosas vermelhas. – Respondi arrumando o meu arranjo e me virando para encará-lo. _ Espero que não se importe com isso, estou apenas agindo como a dona da casa e a esposa ideal que você precisa. Você não queria uma anfitriã, pois, aqui está a sua anfitriã.
_ Minha cunhada adora rosas vermelhas. – Falou ele aproximando-se perigosamente, mas, eu não tinha medo, ele não iria fazer nada com os irmãos para chegar. _ Quero essas malditas rosas brancas fora e as rosas vermelhas de volta.
_ São lírios e eles ficaram. – Avisei me afastando dele. _ Se sua cunhada gosta tanto de rosas vermelhas, mande entregá-las na casa dela. Está é a minha maldita casa e eu irei colocar as porcarias de flores que quiser e não para agradar uma de suas cunhadas, então acostume-se com isso. Sorria querido, seus irmãos estão chegando.
_ Você não vai se safar desta. – Disse ele no meu ouvido. _ Iremos resolver os nossos problemas quando meus irmãos forem embora e eu irei lhe mostrar de quem é a maldita casa.
Mantive o meu olhar enquanto ele preparava a sua bebida, se ele estava tentando me intimidar não iria conseguir. Eu era a dona da cama e as minhas vontades tinham de prevalecer.
_ Sejam bem-vindos. – Desejei quando eles chegaram, Ares e a esposa que eu tinha falado rapidamente na noite anterior, parecia ser uma mulher silenciosa e contida. Eu tinha gostado de Aquiles, ele era engraçado e não parecia pertencer aquela família. _ Estávamos esperando ansiosamente por vocês.
_ Você é mil vezes mais bonita e mais educada que mio fratello. – Falou Aquiles sorrindo e me abraçando desprevenidamente. _ Gostei de você.
_ Obrigado. – Agradeci sorrindo. _ Por favor, sintam-se em casa. Irei ver se o jantar já está pronto para ser servido.
Sorri e andei a passos largos na direção da cozinha, aquilo tinha sido constrangedor.
_ O jantar estará pronto em cinco minutos senhora. – Avisou Abigail encarando-me. _ Só espero que a senhora não se oponha ao cardápio do jantar desta noite, está em cima da hora para mudarmos.
_ Podemos discutir isso no próximo jantar, quem sabe você não faça um prato típico russo para me agradar – Provoquei fazendo com que ela sorrisse forçadamente. _ Sirva o jantar assim que ele estiver pronto.
Respirei fundo e saí da cozinha e voltei para sala, vendo que todos já estavam acomodados nós seus lugares, sentei-me na ponta de frente para o meu marido que não parecia nada confortável com a situação, peguei a minha taça de vinho e tomei um gole e suspirei aquele jantar seria um martírio, eles falavam praticamente o tempo inteiro em italiano, a comida era pesada para noite e eu sentia saudades de casa.
_ Como foi o primeiro dia de casada Nalla? – Perguntou Lavínia me encarando curiosamente. _ Espero que Apolo não esteja sendo irritante e intransigente, ele era um solteirão convicto a adaptação para essa vida de casado pode ser difícil.
_ Está tudo maravilhoso. – Menti sorrindo enquanto brincava com a comida no meu prato, se eu comesse um prato de macarronada iria passar a noite inteira correndo na esteira até conseguir digerir toda aquela massa. _ Estamos começando a nos conhecer melhor, mas, tenho certeza que tudo terminará bem. Deve falar isso por experiencia própria, nunca é fácil se casar com alguém com um posto tão visado.
_ Oh não! – Exclamou ela sorrindo e eu como uma ótima mentirosa conseguia conhecer outra de longe e aquela mulher era falsa como um lobo em pele de cordeiro. _ Ares é um homem e marido sensacional, ele foi a escolha mais certa que eu já fiz na minha vida.
Vi os olhos do marido focarem nela e ele apertar a mão dela sobre a mesa, mas, não foi isso que chamou a minha atenção, sim a expressão corporal de Apolo, seus músculos se retesaram e ele se remexeu na cadeira como se aquela conversa o incomodasse, seus olhos estavam fixos na cunhada enquanto ela lhe encarava de canto de olho, tinha alguma coisa ali por mais que eu não quisesse admitir que os dois pudessem ser tão idiotas e eu irei descobrir o segredo sujo dos dois, pois, aquilo com certeza séria o meu passe para ter uma vida tranquila.
_ Espero que você e Apolo encontrem alguns pontos em comum. – Disse ela sorrindo. _ Casamentos dentro da máfia podem ser cruéis quando o casal realmente não tenta se conhecer melhor. O amor pode surgir dos casais mais improváveis.
Sorri antes de virar a minha taça de vinho em apenas uma vez, Aquiles quebrou aquele clima pesado e fez uma piada fazendo com que os irmãos o repreendessem, mas, ele não parecia interessado naquilo e continuou a falar coisas sem sentida, pelo menos o foco saiu de cima de mim e eu podia tomar o meu vinho em paz. Eles foram embora cedo para os meus parâmetros, sempre que nana recebia alguém eles passariam quase a noite inteira e eu tinha que ficar fazendo sala para s convidados.
_ A próxima vez que flertar com mio fratello na minha frente irei quebrar a sua cara. – Falou ele pegando o meu braço com força e fazendo com que eu arqueasse uma sobrancelha. _ Não deveria ficar lisonjeada com elogios de outros homens, principalmente se ele for seu cunhado.
_ Aquiles foi apenas simpático. – Disse puxando o meu braço com força. _ Não irei ser mal educada com o garoto, ele é apenas um pouco mais velho, não se preocupe não irei pra cama com ele se é isso que está lhe preocupando, não me rebaixaria a tanto, estar casada com um italiano já foi humilhante do que eu, poderia ser meu irmão, mas, obrigado pelo aviso, irei me controlar da próxima vez. Encoste um maldito dedo em mim e eu irei acabar com você. Agora me dê licença marido, irei me recolher, pois foi um longo dia.
Subi as escadas tranquilamente, sabia que ele não iria ficar em casa deveria ir atrás de um rabo de saia para o satisfazer e só por precaução eu tranquei a porta do quarto para que não fosse incomodada durante o meu sono. Coloquei a minha camisola e tirei o meu notebook de dentro de uma das malas que ainda estavam para arrumar e comecei a editar alguma das fotos que ainda precisavam de um reparo, se eu tivesse nascido em uma família normal com certeza teria ido para a universidade feito ou artes plásticas ou fotografia, eu adorava o mundo das artes, batalharia para fazer a minha própria exposição de arte, viajaria o mundo conhecendo culturas novas, pessoas novas, porém, aquela não era a minha vida e tudo que eu tinha era um marido que me odiava e iria passar o resto da minha vida cuidando de um casa e se tiver algum filho me dedicaria a sua educação da melhor forma possível, essa era a vida das mulheres da máfia, a maioria tinha por hobbie fazer compras e gastar o dinheiro do marido em coisas sem sentido, mas, eu não era uma dessas mulheres, não iria mentir e falar que eu não gostava de compras, pois era uma mentira, porém não era algo que eu iria querer fazer pelo resto da minha vida.
Antes de me deitar respondi as mensagens das garotas, elas pareciam ansiosas para saber como estava sendo a vida de casada, para não preocupa-las menti que Apolo estava sendo um gentleman e que nós tínhamos mais coisas em comum do que eu imaginava, falei como era o apartamento e que eu estava com saudades delas e dos Hamptons, mas, que logo estaria adaptada a nova casa e adoraria o Central Park tanto quanto gostava dos Hamptons e que logo iria fazer uma visita para colocarmos as fofocas em dia e matar as saudades.
Como eu previ meu marido foi procurar um rabo de saia para esquentar os seus lenções naquela noite, já que ele fez questão de passar rindo com duas mulheres pelo corredor e eles não foram nada silenciosos, sorte deles que eu tinha um sono profundo e os seus gemidos não iriam me incomodar, só esperava que Abigail já tivesse colocado o lixo para fora quando eu acordasse, por, eu não iria ser humilhada daquele jeito e deixar aquilo barato. Apolo estava mexendo com fogo e iria se queimar se pensava que eu iria pegar leve com ele.
Nalla Marino:
Acordei cedo naquela manhã, o sol estava começando a nascer no horizonte, laranja e vibrante, joguei as cobertas de lado e me espreguicei antes de correr para o banheiro, fiz a minha higiene e saí disposta a dar uma corrido pela parque, eu adorava praticar esportes ao ar livre, não tinha mais a praia para nadar pela manhã, então teria que me acostumar com uma corrida matinal pelo Central Park. Coloquei uma roupa confortável e saí do quarto colocando os meus fones de ouvido.
_ Senhora Marino onde está indo? – Perguntou Enrique quando eu apertei o botão do térreo no elevador. _ O senhor Marino não permitiu a saída da senhora sem um segurança.
_ Irei apenas dar uma corrida no parque Enrique. – Avisei quando as portas começavam a se fechar. _ Nada demais irá acontecer.
Ele não pareceu satisfeito com a situação, mas, continuou parado ao meu lado como se fosse uma estátua, cumprimentei o porteiro quando passei pelo hall de entrada no prédio e atravessei a rua antes de começar a minha corrida, o Central Park era um dos maiores parques urbanos do mundo, alguns quilômetros de arvores, locais para piqueniques, pistas de corridas, bancos, os novaiorquinos adoravam aquele lugar era como o jardim das suas casas, já que a maioria morava em apartamento minúsculos.
_ Deve ser desconfortável correr de terno Enrique. – Falei quando parei para comprar uma água, ele estava soando incessantemente. _ Não está com roupas adequadas para uma corrida, teremos que resolver isso, adoro esportes ao ar livre, não gosto de me sentir presa dentro de uma academia, então como você não pode sair do meu pé, traga roupas mais confortáveis amanhã.
Ele concordou quando eu joguei uma garrafa de água pra ele e esperei com que ele se recuperasse antes de fazer o caminho de volta, eu tinha pique para correr pelo menos mais uns 5 km, mas, estava com pena dele e resolvi voltar para casa ou iria matar o meu segurança e ele parecia ser um dos homens de confiança de meu marido, então ele não iria ficar feliz com isso.
_ Senhora Marino tem uma concentração de paparazzi e jornalistas na frente do prédio. – Avisou-o fazendo com que eu suspirasse, aqueles carniceiros não iriam sair do nosso pé até conseguissem o que queriam, uma fofoca para envenenar a todos. _ Seria melhor entrarmos pela garagem, assim despistaríamos os abutres e não teríamos problemas com o senhor Marino.
_ Okay. – Concordei sabendo que seria um inferno passar pelo hall de entrada.
Enrique foi mais esperto do que eu esperava, entramos uma quadra antes do apartamento, assim não seriamos visto e a chance de sermos seguidos era pequena, passamos por uma pequena viela que ligava os prédios e dava de frente para a garagem do edifício. Ele digitou o código de segurança e eu cruzei os meus braços vendo-o ofegar, aqueles seguranças precisavam de mais condicionamento físico, tínhamos corrido apenas alguns quilômetros e ele estava ofegando, eu nem ao menos tinha suado.
_ Onde diabos você estava? – Perguntou um Apolo irritado assim que eu saí do elevador. _ E que malditas roupas são essas? Espero que você não tenha saído do prédio com essas roupas indecentes.
_ Eu estava correndo no parque, estamos no meio do verão, então faz um maldito calor e eu não estou vendo problemas com a minha roupa. – Falei passando por ele. _ E seu segurança me acompanhou o tempo inteiro, essa não era a regra para que eu pudesse sair de casa, então não se preocupe eu estava segura o tempo inteiro. Agora irei fazer a minha yoga e depois quem sabe ir passear pelo shopping para gastar o seu dinheiro, não é isso que as mulheres casadas fazem?
_ Você está proibida de sair desta casa. – Rosnou ele fazendo om que eu arqueasse uma sobrancelha como desafio. _ Não me provoque garota, eu sou capaz de arrebentar a sua cara apenas para mantê-la presa em casa, não quero o meu nome ligado ao seu e os malditos paparazzi querem apenas uma foto para infernizarem a minha vida.
_ Você não manda em mim. – Avisei me aproximando dele, mas, isso foi um péssimo ato, já que eu estava a mercê das suas mãos. _ Eu irei fazer o que diabos eu quiser, afinal eu sou sua esposa, não sua escrava.
O tapa veio certeiro, fazendo com o meu rosto sentisse o impacto da sua mão pesada e o gosto de sangue invadisse o meu paladar e a raiva se alastrasse por todos os poros do meu corpo.
_ Aprenda a se comportar como uma esposa descente e não teremos esse tipo de problemas. – Falou ele apertando o meu rosto e fazendo com que o lado onde ele tinha batido latejasse ainda mais, se ele estava esperando lagrimas, isso nunca iria acontecer, já tinha levado tapas mais doloridos que aquele. _ Coloque gelo neste rosto, tenho um evento para ir está noite e não quero que minha esposa seja alvo de comentários maldosos, não quando estamos casados a apenas um dia. Tenha um bom dia querida e aproveite a companhia de Abigail e dos outros empregados, pois, serão apenas eles que você verá durante os seus dias.
Ele deu-me as costas e dispensou Enrique com a cabeça, peguei o vaso com os lírios que eu tinha comprado na noite passada e joguei na sua direção, fazendo com que ele se estilhasse a centímetro da sua cabeça.
_ Precisa melhorar a sua pontaria querida. – Avisou ele sorrindo e virando-se. _ E nunca ataque alguém pelas costas é feio.
_ Se eu quisesse acertar o maldito vaso em você eu teria mirado em você. – Rosnei vendo as portas do elevador se fecharem e ele sair com um sorriso triunfante.
Respirei fundo para me acalmar e fui pegar o maldito gelo, a maquiagem esconderia a marca de sua mão, mas, se estivesse inchado eu teria que responder a perguntas inadequadas e o meu humor tinha acabado de ir para o ralo, praticamente mandei com Abigail cuidasse da sua vida quando ela perguntou o que eu desejava e subi as escadas na direção da piscina, eu precisava fazer a minha yoga para me acalmar e pensar no meu próximo passo, se Apolo estava pensando que eu iria me render a todas as suas vontades aquele cafajeste estava muito enganado, aquela tinha sido a primeira e única vez que ele iria me bater, pois, da próxima iria ter volta, eu não iria ser uma daquelas mulheres que ficam se escondendo por conta de uma agressão, eu sabia dos meus direitos, eu era uma herdeira e ele estava abaixo de mim na escala de poder. Eu irei fazer da sua vida um verdadeiro inferno até ele aprender a me respeitar, se não fosse como sua esposa, seria como mulher.
Depois de passar horas meditando eu voltei para o meu quarto e tomei um banho gelado, precisaria de mais compressa gelada para colocar no meu rosto que já estava inchado e com a marca da mão dele no um rosto pálido. Vesti uma roupa simples e desci, por sorte Abigail estava fazendo o que eu mandei e apenas a cozinheira estava na cozinha e ela era agradável, peguei uma compressa gelada e coloquei no rosto e depois me sentei ao piano, tocar me acalmava e fazia com que os meus pensamentos ficassem em ordem e eu podia passar horas e horas ali tocando.
_ Senhora, o porteiro ligou pedindo para que a música no apartamento parasse, está incomodando os vizinhos. – Falou Abigail tocando o meu ombro e fazendo com que eu a encarasse. _ E temos que cuidar deste rosto, senhor Marino não vai gostar de chegar e vê-lo desse jeito, sei que não começamos bem o nosso relacionamento, mas, eu não estou acostumada a receber ordens a não ser dele.
_ Deixe os vizinhos reclamaram, isso é Mozart, música clássica é cultura. – Disse encarando-a sorrindo. _ Não se preocupe com o meu rosto Abigail., eu irei dar um jeito nisto mais tarde, agora me deixe em paz, estou tentando pensar e você está atrapalhando-me.
_ E quem consegue pensar com essa música na cabeça, está enlouquecendo ao prédio inteiro. – Resmungou ela enquanto saia de perto e por birra eu toquei ainda mais alto.
Eu sempre gostei de música clássica, Mozart e Debussy, eram os meus compositores preferidos, mas, apenas Mozart fazia com que os meus pensamentos fluíssem, Debussy eu tocava quando estava triste, ela me levantava. Meus dedos dedilhavam o piano delicadamente enquanto pensava qual a próxima composição de Mozart que eu iria tocar quando ele aparecer, lindo, rude e furioso o que me fez sorrir.
_ Algum problema, querido? – Perguntei quando ele andou em passos largos na minha direção. _ Pensei que voltaria apenas mais tarde, não posso ter me perdido tanto no tempo e já ter anoitecido.
Ele parou ao lado do piano e fechou a tampa com força, fazendo com que eu tivesse que tirar as minhas mãos com rapidez ou ele quebraria todos os meus dedos, ergui uma sobrancelha ao lhe encarar e me levantei parando ao meu lado.
_ O que eu fiz dessa vez? – Perguntei ironicamente. _ Passei o dia inteiro em casa como você me ordenou, não era isso que você queria, uma prisioneira, estou cumprindo ao pé da letra ou eu deveria ficar no meu quarto sem comunicação nenhuma?
_ Eu tenho tanta vontade de torcer o seu pescoço, mas, seu rosto já irá me dar problemas nesta noite. – Disse ele diminuindo mais o espaço entre nós. _ O telefone do escritório não parou de tocar o dia inteiro com reclamações dos moradores do prédio, falando que a minha esposa estava infernizando a todos com a sua orquestra.
_ É apenas música clássica. – Falei voltando a me sentar, mas, ele colocou as mãos sobre a tampa do meu piano, me impedindo de abri-lo. _ Eles deveriam me agradecer por dar um concerto grátis a eles, um ingresso pra ver a orquestra de Nova York não é barato, eu estou tocando de graça. Se vai bater por eu ter cumprido as suas ordens e ficado em casa pelo menos bata do lado bom, assim tudo vai ficar perfeito.
_ Não me teste Nalla. – Disse ele semicerrando os olhos e me puxando para perto de si. _ Eu quebraria seu rosto bonito por bem menos do que isso, então seja uma boa garota e vá se arrumar, pois, a minha paciência está terminando e quando ela acabar, eu não gostaria de estar na sua pele.
_ Você pode me bater quantas vezes quiser, mas, eu não irei mudar. – Avisei sem medo da sua represália. _ Eu sou muito mais forte do que você imagina, meu corpo pode parecer frágil, mas, nana não iria criar uma herdeira sendo uma garotinha mimada, comece a dormir com um olho aberta, coisas ruins podem acontecer durante o sono, acho que já soube da minha fama, eu consigo fazer um assassinato passar por a ser uma morte por causas naturais, seria uma pena perder um homem como você desse jeito, atlético, jovem, estressado. Sabia que estresse é um dos fatores para se ter uma parada cardíaca, eu me tornaria viúva, mas, isso não seria por muito tempo, nana logo me arrumaria um marido mais respeitável que você. Alguém que da nossa origem, que não tente se passar por superior, porém não passa de um garotinho assustado que não quer sair de baixo das asas do irmão mais velho. Com licença, eu irei me arrumar para o evento de caridade, as crianças com câncer necessitam desse dinheiro para conseguirem os seus tratamentos.
Dei-lhe as costas e saí da sala a passos decididos, Apolo precisava ouvir algumas verdades, ele não era nenhum Deus e estava longe daquilo. Tranquei-me no quarto e procurei por algo que estivesse à altura do evento beneficente mais importante da alta sociedade de Nova York, todos os anos era feito uma festa para arrecadar fundos para o tratamento de crianças com câncer e que não tinham bons planos de saúde que cobriam o tratamento. Os leilões rendiam alguns milhões, os cheques com vários zeros doados pelos empresários o resto do que eles necessitavam e todos comiam, bebiam e se divertiam naquela noite, importando-se apenas com as crianças. Peguei o vestido vermelho que eu usará apenas uma vez em um jantar sem importância da máfia, ninguém se lembraria dele, coloquei a banheira para encher e gritei por Abigail, mandando com que ela me trouxesse uma compressa quente e outra gelada, meu rosto precisava de um tratamento de choque para voltar ao normal.
_ Você sabe fazer penteados Abigail? – Perguntei encarando-a enquanto entrava na banheira, a mulher realmente parecia preocupada em não deixar com que a agressão do meu marido não transparecesse naquela noite, ela estava cuidando do seu patrão como tinha sido ordenada. _ Sasha quem cuidava dos meus cabelos quando tínhamos algum evento, ela tinha mãos de fada.
_ Posso pensar em algo senhora. – Respondeu ela mudando a compressa no meu rosto. _ Com o tempo menina, irá perceber que confrontar Apolo não é a sua melhor arma, ele não irá ceder desse jeito, ele tem um gênio ruim como o pai. Aprenda a conviver com ele criança, você é a sua melhor arma, Apolo sempre gostou de uma mulher bonita, ache os pontos fracos dele e assim as coisas iram melhorar. Não será confrontando ele que irá conseguir o que deseja, aprenda com uma mulher experiente, um homem gosta de estar no comando de seu casamento, mesmo que seja apenas uma farsa, você sempre terá as rédeas da situação se souber tratar de Apolo da maneira certa. Então garota a sua vida nesta casa irá mudar.
Dei um pequeno sorriso e ela voltou a cuidar no meu rosto enquanto eu tentava relaxar na água morna, Abigail não era tão ruim quanto eu estava imaginando, eu poderia ter uma aliada dentro daquela casa afinal. Saí da banheira quando a água ficou gelada e a governanta falou que eu teria de começar a me arrumar para não me atrasar, ela me enrolou no roupão e me sentou na frente da penteadeira.
_ Acho que o batom vermelho combinaria com o seu vestido. – Falou ela pegando o batom entre os outros e colocando na minha frente quando eu começava a me preparar para me maquiar. _ Faremos um rabo de cavalo sofisticado, deixaremos o seu rosto bonito a mostra e iluminaremos meus enormes olhos azuis, todos exaltaram a sua beleza e comentaram o quanto seu marido é sortudo em tê-la ao seu lado, amacie o ego de seu marido e irá ver que as coisas podem ficar melhores.
_ Ou ele vai me tratar como uma vadia que é o que está fazendo desde que nos casamos. – Desabafei suspirando, sentia saudades de ter alguém para conversar. _ Eu sabia que seria difícil, russos e italianos sempre se odiavam, passaram anos se matando e agora uma união poderia confundir tudo. Eu sou a mulher da relação, tenho que me calar e aguentar tudo, mesmo que seja errado, que me magoe, tenho que agir como uma boneca de porcelanas, sendo exposta quando necessário e jogada em um canto o resto do tempo. Eu apenas quero um pouco de respeito, é pedir muito?
_ Não criança, não é. – Respondeu ele limpando o meu rosto e levantando-o. _ Não se abale, você foi a única mulher que o desafio daquela maneira e ainda está viva, então ele não sente só raiva e nojo por você, com o tempo você vai perceber que Apolo tem um bom coração, ele apenas não o mostra com tanta facilidade, eu acho que ele criou uma barreira sobre si para se proteger, o senhor Marino nunca foi uma pessoa fácil de se conviver, quando eu o conheci ele já estava no fim da sua vida, mas, era um homem cruel e indigerível, ele teve outras três esposas depois que a mãe dos garotos morreu, nenhuma lhe deu mais herdeiros, eram todas ainda muito jovem quando morreram, acho que se desgosto, pois, ninguém aturava aquele homem, Aquiles foi o único que foi poupado dos treinamentos intensivos desde jovem, Ares e Apolo foram criados como armas, eles seriam o futuro da máfia e assim aconteceu, sem uma mãe carinhosa por perto eles se fecharam para o mundo, Ares é mais carinhoso e compreensivo, porém, Apolo é reservado e fechado, ele apenas precisa de compreensão. Permaneça firme agora e vai conseguir o respeito de seu marido e com o tempo as coisas podem fluir entre vocês.
_ Se está falando que eu possa vir a me apaixonar por aquele homem, está ficando maluca Abigail. – Falei pegando o batom que ela escolhido e passando nos meus lábios finalizando a minha maquiagem, nada exagerado, olhos marcados com um delineado e meus lábios vermelho carmim, Abigail tinha feito o que prometeu e se retirou deixando com que eu terminasse de me arrumar sozinha.
Peguei o meu vestido e o coloquei, ele era vermelho vibrante, de alças finas e um decote em forma de coração profundo, seu corte era normal e não tinha fendas, mas, ainda assim eu ficava sexy nele, acho que a cor combinava com o meu tom de pele. Calcei as sandálias pretas que tinha escolhido e peguei a minha caixa de joias, precisava de algo brilhante e discreto para aquela noite, meu vestido já chamava atenção demais, peguei os brincos de diamantes pequenos e uma pulseira no mesmo estilo. Antes de sair do quarto peguei a minha bolsa e saí colocando a aliança no meu dedo, se eu aparecesse sem ela o escândalo estava feito.
_ Pela primeira vez desde que nos conhecemos você está consideravelmente bonita. – Elogiou Apolo tortamente fazendo com que eu sorrisse falsamente. _ Vejo que seu rosto melhorou desde essa manhã, isso é ótimo. Sorria querida, você irá ver a sua família, pensei que estaria mais ansiosa para se reencontrar com o clã de víboras que você adora.
_ Não sei por que eu ainda paro para ouvir as besteiras que saem da sua boca. – Falei passando por ele. _ Vamos logo, não quero me atrasar, seria indelicado com os organizadores, já que eles estão esperando pelas doações generosas da família Marino.
_ Tenho algo pra você. – Falou ele puxando para perto do enorme espelho que tinha na sala. _ Será nossa primeira aparição pública, todas as mulheres Marino tiveram o prazer de usar este colar e mesmo que eu não goste essa é a sua vez.
_ Ele não combina com o meu vestido. – Menti quando ele colocou o colar no meu pescoço, era uma peça maravilhosa, os diamantes faiscavam no meu pescoço, o maior pingente tinha caído no começo do meu decote, deixando-o ainda mais atraente, todos os olhares estariam naquele colar. _ Por que não foi de sua cunhada?
_ Lavínia não é de uma famiglia tradicional, Ares se apaixonou por ela em uma viagem pela Sicília e moveu céus e terras para tê-la ao seu lado, mas, meu pai não a considerava digna de usar o colar que sua primeira esposa usou. – Respondeu ele deslizando as mãos pelo meu pescoço de fazendo com que eu suspirasse. _ Ares me entregou o colar está manhã, o velho Giovanne deve estar se revirando no tumulo ao ver o colar que ele tanto amava no pescoço de uma russa.
_ E se eu não quiser usá-lo? – Perguntei vendo a sua expressão mudar e ele ganhar seu olhar assassino, eu deveria saber que mantendo a boca fechada eu não arrumava confusão, mas, o instinto sempre falava mais alto.
_ Irei enforcá-la com ele e jogá-la em uma vala qualquer onde ninguém nunca irá encontrá-la e depois irei desonrar o nome da sua família falando que você fugiu com o segurança e eu nome será proibido de ser falado pela eternidade. – Respondeu ele sorrindo, aquilo com certeza lhe daria mais prazer do que me ver usando uma joia de família. _ Decida agora querida, estamos atrasados.
_ Se formos roubados a culpa será exclusivamente sua. – Avisei apertando o botão do elevador.
_ Ninguém rouba a máfia italiana. – Disse ele parando ao meu lado. _ Pelo menos ninguém que tenha continuado vivo para contar a história. Pegue.
_ Não uso armas. – Avisei quando ele tirou uma mini resolver calibre 22 de dentro do seu palito. _ Prefiro objetos afiados, adagas, facas, espadas, estrelas. Armas não são elegantes e não tem uma história, os humanos usam lâminas para matar desde a pré-história.
_ Quando estiver emboscada sem as suas queridas lâminas não me acuse de não ter tentando lhe proteger. – Disse ele entregando o revólver para Enrique. _ Pode ter certeza que eu não irei arriscar a minha pele para lhe salvar.
Sorri em concordância e saí do elevador na sua frente, Alvin o chefe de segurança já estava a nossa espera perto da mercedes, com as portas abertas e o semblante sério, agradeci e me acomodei no banco arrumando o meu vestido para que ele não fosse amassado. Como morávamos no coração de Manhattan o caminho foi rápido era um dia de semana e não estávamos no horário de rush, o majestoso hotel Marino iria sediar o evento naquele ano, o hotel mais caro e luxuoso de Nova York, um empreendimento novo e que queria milhões para a família de meu marido.
_ Senhor os jornalistas estão cercando todo a entrada, não terá como eu o deixar mais perto. – Avisou Alvim fazendo com que Apolo bufasse. _ Terão de passar por uma onda de jornalistas e paparazzi, meus homens já estão a postos para fazer a segurança até a entrada.
_ Obrigado Alvin. – Agradeci quando ele abriu a porta para que eu saísse.
Ele acenou com a cabeça e Apolo circulou a minha cintura com um dos braços me puxando para perto dele e seguimos escoltados por quatro dos homens do chefe de segurança, os flashs e as perguntas gritadas me deixaram atordoadas enquanto Apolo me puxava para longe daquela concentração de pessoas.
_ Abutres. – Rosnou ele quando subimos as escadarias do hotel. _ Algum deles conseguiram entrar na festa, nem uma palavra sobre o nosso casamento, não gosto de sair em revistas de fofocas e adivinhe o nosso casamento ainda está cercado de perguntas que eles não responderam.
_ Não gosto de jornalistas. – Falei arrumando o meu vestido e entrelaçando o meu braço no dele. _ Não se preocupe, prefiro manter a minha vida em privado, eles não estão atrás de você, todos conhecem o seu estilo playboy e pervertido, estão apenas surpreso por ter se casado tão subitamente, mas, eles não sabem nada sobre mim a não ser que eu sou filha de um magnata russo e que conquistei o coração do solteirão mais cobiçado da cidade. Prefiro ser mantida no anonimato.
_ Ótimo! – Exclamou ele começando a andar na direção do salão de festas.
O local estava lotado de pessoas importantes, todos sentados em suas mesas esperando pelo começo do leilão, Apolo me puxou para mesa onde seus irmão estavam, Aquiles deu um sorriso divertido, Ares me cumprimentou com um balanço de cabeça e Lavínia me encarou de cima a baixo, parando os seus olhos no colar e deu o sorriso mais falso que eu já presenciei. De longe eu podia ver nana, minhas irmãs e minha mãe, acenei discretamente para as garotas, não iria me levantar agora, quando o leilão terminasse nós iriamos os cumprimentar, não tinha como Apolo fugir disso. Como anfitriões daquela noite Ares e a esposa iriam fazer o discurso de abertura do evento, agradecendo a todos pela presença. Lavínia fez um discurso emocionado, apelando pela vida das crianças e pedindo para que as carteiras permanecessem abertas durante todo o evento e foi ovacionada por todo o salão, principalmente por meu marido que não tinha tirado os olhos dela um único segundo. Acho que Ares não tinha sido o único a se apaixonar por aquela mulher, mas, ela foi esperta o bastante para escolher o mais poderoso dos irmãos Marino e dispensar Apolo, sabendo que ele não iria se contentar com aquilo e trairia o irmão da forma mais estupida, cabeças poderiam rolar se o caso deles fosse descoberto e a minha rolaria junto por ter descoberto e não os delatado. Abigail falou de um trunfo contra o meu marido e aquele era o maior que eu iria conseguir, precisava apenas de provas concretas daquela traição.