SINOPSE
Fui sequestrada na minha lua de mel por três homens mascarados.
De olhos vendados. Presa.
Destino desconhecido.
Disseram-me para ficar em silêncio e cumprir as regras deles.
Mas eles não perceberam que eu não era uma vítima... não mais.
O mar aberto foi meu pano de fundo por nove dias torturantes.
Durante esse tempo, vislumbres do meu destino foram revelados por um homem com os misteriosos olhos esverdeados. Ele deveria ter me assustado, mas não o fez.
Ele me intrigou. E eu o intriguei.
Ele me puniu quando eu não escutava, o que acontecia todos os dias. Mas, sob sua crueldade, senti que ele estava guardando um segredo grave.
Eu fui vendida.
E em um jogo de pôquer, nada menos.
Meu comprador? Um mafioso russo que gosta de colecionar coisas bonitas. Agora que sei a verdade, só tenho uma escolha.
Afundar ou nadar.
E quando uma fatídica noite me apresenta a oportunidade, eu a aproveito. Eu apenas nunca previ que minhas ações me deixariam naufragada com meu sequestrador.
Ele precisa de mim viva. Eu o quero morto.
Mas à medida que os dias se transformam em semanas, uma coisa fica clara, eu deveria odiá-lo... mas não.
Meu nome é Willow. O nome dele é Saint.
Irônico, não é? Ele tem um nome que significa nada além de santidade, mas que não oferece nada além de inferno.
No entanto, se isso é um inferno na Terra... Deus, salve minha alma.
NOTA DA AUTORA
AVISO DE CONTEÚDO: Sequestrada pelo mafioso é o volume Um de uma trilogia. O livro seguinte da série será lançado logo após o primeiro. Esta é uma história contínua, portanto, nem todas as perguntas serão respondidas no Volume Um.
Sequestrada pelo mafioso é um ROMANCE DARK que contém temas maduros que podem deixar alguns leitores desconfortáveis. Inclui: sequestro, cativeiro, violência forte, linguagem leve e algumas cenas sombrias e perturbadoras.
Este conto distorcido não é destinado aos fracos de coração.
Então, se você está no jogo... bem-vindo à loucura.
CAPÍTULO 1
Não quero fazer isso, mas que escolha tenho? Ela está confiando em mim para salvá-la... e não vou falhar com ela novamente. Não posso.
Dia 1
"NÃO ME DEIXE CAIR"
"Não sonharia com isso... esposa." "Diga isso de novo."
"Esposa... esposa... esposa." Gritando como uma adolescente apaixonada, chuto minhas pernas para o alto enquanto meu marido de dois dias me leva pela porta.
Este ritual tem muito significado, e para a maioria, provavelmente é ridículo, mas para mim é absolutamente perfeito porque acabei de me casar com o homem mais maravilhoso. Nunca,
em meus sonhos mais loucos, jamais achei que eu, Willow Shaw, iria me casar com o milionário Drew Gibbs.
Mas o problema de Drew é que ele não mostra sua riqueza. Não dirige um carro caro, nem se veste com roupas de grife e ouro chamativo. É humilde e gentil, e quando nos olhamos pela primeira vez naquela pista, sabia que era meu fim.
"Bem-vinda em casa, querida", diz ele com seu charme brincalhão de menino. "Bem, nossa casa, pelo menos pelas próximas duas semanas."
Ainda me recuperando do fato de que estou na minha lua de mel, fico boquiaberta admirada com nossa vila isolada em uma das áreas menos povoadas das ilhas gregas. Nosso casamento na prefeitura de Los Angeles foi algo rápido, o que parece ser o lema de todo o meu relacionamento com Drew.
Chame-me de louca, nada que já não tenha ouvido antes, mas Drew e eu nos conhecemos seis semanas atrás, enquanto estava desfilando para um designer local em Los Angeles. Quando entrei na passarela e vi Drew sentado na primeira fila, soube que nossos caminhos se cruzaram por um motivo.
Depois do desfile, todas as garotas fofocavam sobre um milionário alto, moreno e bonito, mas quando esse estranho veio na minha direção, puderam ver que ele só tinha olhos para mim. Ele me convidou para uma bebida e o resto é história.
Passamos cada minuto acordado juntos nos conhecendo, e na segunda semana estava apaixonada. Sei o que está pensando, mas com um passado como o meu, você aprende que o tempo é precioso, e quando os céus lhe dão um presente, você o aceita.
Nasci e cresci em uma pequena cidade no Texas. Meu pai era o pastor batista local e nossa família era muito respeitada em nossa comunidade. Meus pais eram namorados desde o ensino médio e, juntos, eram perfeitos. Mas quando o destino interveio e levou meu pai embora quando eu tinha doze anos, a luz da minha mãe desapareceu.
Papai morreu de ataque cardíaco. Não havia nada que o hospital pudesse fazer. Mas mamãe viu a morte do meu pai como uma traição do cara lá em cima. Ela depositou sua fé em Deus durante toda sua vida e, em troca, Ele tirou o amor de sua vida.
Mamãe mudou, dando as costas para a igreja e seus amigos. O álcool se tornou sua nova salvação, assim como buscar consolo nos homens aleatórios que ela levava para casa tarde da noite, de qualquer bar que frequentasse.
Não tinha ninguém para conversar comigo. Era filha única e meus avós viviam fora do estado. A mulher desmaiada na poltrona reclinável com uma garrafa de uísque pendurada nos dedos flácidos enquanto murmurava o nome do meu pai era alguém que não reconhecia mais.
Quando fiz treze anos, comecei a me desenvolver de maneiras que não entendia, e as coisas só pioraram. Como vinha de uma família rigorosa e religiosa, meus pais nunca explicaram o que acontece quando seu corpo muda. Cresci, fiquei alta, perdi a gordura e meus seios dobraram de tamanho.
Eu odiava porque não era mais a garotinha do papai.
As garotas da escola me atacaram, chamando-me de vadia, enquanto os garotos, de repente, mostraram interesse, imaginando se meu apelido de "Prostituta de Satanás" era, de fato, verdade. No geral, eu estava infeliz. E a única pessoa com quem eu poderia falar parecia odiar me ver.
Sou a cópia do meu pai, sua imagem esculpida, um fato que minha mãe uma vez amou, mas agora, era um lembrete de tudo que ela havia perdido.
Fiquei quieta, esperando que as coisas mudassem, e elas mudaram quando tinha quinze anos – quando minha mãe levou seu novo namorado, Kenny, para nossa casa. Não sabia o que era desprezível até conhecer Kenny Smith.
Minha mãe e eu mal nos falávamos porque ela estava nervosa demais para perceber que eu estava lá a maior parte do tempo, mas quando Kenny chegou, foi como se ela quisesse ter a família perfeita novamente. Mas o que ela não sabia era que Kenny era um predador, um monstro à espreita no escuro.
No começo, era simpático e atencioso, demonstrando um interesse real em mim. Mas o ritual noturno de minha mãe de ir para a cama cedo drogada com pílulas para dormir e bebidas alcoólicas fez mostrar suas reais intenções. Começou com um toque inocente – um choque acidental de meus seios ou passando muito perto de mim
– mas quando ele entrou no meu quarto tarde da noite e sentou ao pé da cama, entendi que esses acidentes não foram acidentes. Ele estava me preparando.
Quando me questionou se já havia beijado um menino antes, disse que não. Ele então perguntou se gostaria de beijá-lo. Kenny tinha quarenta e dois anos. Eu tinha quinze anos e meio. Não entendi o que quis dizer, então me inclinei e beijei sua bochecha. Mas quando ele virou a cabeça e senti seus grossos lábios emborrachados embaixo dos meus, logo percebi que ele queria mais.
Implorei para ele sair, que contaria à minha mãe, mas ele simplesmente riu. Nunca esquecerei aquela risada assombrosa. Disse que ela nunca acreditaria numa provocadora de pau como eu. E no fundo, sabia que ele estava certo. Então não disse nada. Fiquei quieta como um rato.
Depois daquela noite em que Kenny me beijou, decidi arrumar um emprego, trabalhando no turno da noite em um restaurante local. O pagamento era bom, e também significava que não precisava me preocupar com Kenny entrando no meu quarto à noite.
Trabalhar no Lea's Diner foi uma das melhores lembranças que tive quando criança. Isso e, claro, meu pai, mas ele logo se tornou uma lembrança distante, desaparecendo lentamente enquanto observava minha mãe se deteriorar diante dos meus olhos.
A vida era boa, bem, tão boa quanto a vida poderia ser para uma desajustada como eu. Minha mãe parecia feliz que eu estava fora de seu caminho e ela ter Kenny só para si, mas, numa noite, bem tarde, tudo mudou para sempre.
Já passava das duas da madrugada e terminei o trabalho um pouco mais cedo. Lea, que conhecia da igreja, geralmente me deixava dormir por algumas horas na casa dela, que ficava logo atrás da lanchonete, até ir para a escola. Mas, naquela noite, ela teve que fechar tarde, então montei minha bicicleta para casa.
Lembrei-me da sensação de andar na ponta dos pés pela porta de trás e de segurar minha respiração como se fosse ontem, mas foi em vão porque Kenny estava sentado na cadeira do meu pai. Sua barriga redonda estava saindo pela sua regata branca, ostentando uma mancha na frente de uísque que tinha caído.
Quando nos encaramos, já sabia. Sabia o que ele queria. O que estive evitando desde a noite em que entrou no meu quarto. Corri, mas ele foi mais rápido, prendendo-me debaixo dele no chão da sala de estar. Seu hálito de uísque prometeu me fazer sentir bem.
Estava com tanto medo que não conseguia me mexer. Meu peito foi pressionado no tapete com o peso de Kenny em cima de mim, e
não conseguia respirar. E quando senti sua ereção nojenta tocar nas minhas costas, soube que meu apelido logo se tornaria realidade.
Uma mão desceu pela minha calça, alcançando a frente. A outra mão estava sobre a minha boca para que não gritasse. Ele mordeu no lado do pescoço exatamente como um predador faria com sua presa. Forçou minha bochecha no tapete, as fibras ásperas esfregando minha pele crua. Apertei meus olhos com força.
Pensei em papai. De como me disse para orar quando estivesse com medo... então orei.
Rezei para que isso não estivesse acontecendo. Que Kenny não estivesse tirando as calças e me dizendo para ser uma boa menina. Rezei para que minha mãe voltasse para mim como a mãe amorosa que ela uma vez foi. Rezei por um milagre e rezei para que este homem desprezível não estivesse a segundos de me estuprar, mas quando ouvi um grito grave e minha mãe me dizendo que eu era uma puta suja por seduzir meu padrasto, sabia que nunca mais iria rezar.
Minha mãe me chutou – chamando-me de prostituta, uma prostituta – e sem ter mais para onde ir, fui para Lea. Minha única amiga. Ela nunca se casou e não teve filhos, então me tratou como se fosse dela própria. Quando lhe contei o que havia acontecido, ela insistiu para que fossemos à polícia, mas eu não queria. Só queria ir embora. O dia em que meu pai morreu foi o dia em que esse lugar também morreu.
Lea me emprestou um dinheiro e peguei um voo para Los Angeles, onde meus avós moravam. Eles sentiam muito a falta do meu pai e tentaram se aproximar de mim, mas mamãe os proibiu de entrar em contato comigo. Apenas pensei que eles não se importassem comigo.
Então terminei a escola e arrumei um emprego de garçonete em um restaurante local, onde conheci Raffaella Mercino. Ela era dona da Models Inc., a agência de modelos mais badalada de LA, e quando ela perguntou se já fui modelo, ri em resposta.
Mamãe disse que eu usava minha aparência para o mal, mas Raffaella me mostrou que agora poderia usar minha aparência para o bem.
Acho que não tenho nada de especial, mas até hoje, Raffaella diz que sou uma das garotas mais bonitas que já trabalhou para ela. Disse que é porque tenho um olhar inocente e todos os homens querem pegar uma garota inocente. Sua analogia é repugnante e sexista, mas ei, ela parecia estar certa porque, em menos de seis meses, já era uma das modelos mais procuradas.
Estou com vinte e cinco anos, mas suponho que minha aparência não tenha mudado tanto assim. Meu longo cabelo castanho dourado é naturalmente ondulado. O sol da Califórnia trouxe os tons loiros, que complementam o azul profundo dos meus olhos amendoados.
Meu nariz arrebitado dá ao meu olhar um ar de arrogância, e meus lábios são cheios e carnudos. Muitas das garotas com quem trabalho têm certeza de que tive um encontro cirúrgico com o Dr. Hollywood, mas estão enganadas.
Meus peitos são maiores do que a maioria das modelos padrão, assim como minhas curvas. Tenho bunda e coxas musculosas e tenho orgulho disso. Os exercícios de ioga que faço religiosamente e o fato de correr cinco quilômetros por dia mantêm meu estômago tonificado. Com um metro e setenta, sou pequena para uma modelo, mas compenso isso com a personalidade que trago para a passarela. Suponho que não sou uma modelo "típica". Como o que quero, e não tenho medo de falar o que penso. Sei que é péssimo, mas fui banida por colegas por ser diferente. Eles foram os únicos que me disseram que eu era estranha por comer carboidratos sem nenhum arrependimento.
Minha infância me ensinou que você pode ser uma vítima ou uma lutadora, e depois do que Kenny fez comigo, recuso a ser uma vítima novamente. Trabalhei duro, fiz um nome para mim e me concentrei apenas na minha carreira. Então, quando conheci Drew, você pode imaginar a minha surpresa, porque agora, não estava sozinha.
Por causa do que aconteceu na minha infância, ainda sou virgem, embora tenha beijado alguns caras e tive uns amassos. Não me considero religiosa, mas queria seguir essa regra de não fazer sexo antes do casamento. Era uma das que meu pai acreditava
firmemente, por isso é uma coisa da minha infância que fico feliz em abraçar na idade adulta.
Mas hoje à noite tudo muda porque agora sou uma mulher casada.
Drew beija a ponta do meu nariz, levando-me pela vila. Quando chegamos ao quarto principal, arqueia uma sobrancelha. "Gostou?" Ele sussurra enquanto aceno ansiosamente.
"Amei", corri o olhar vagando para a cama king-size envolta em lençóis brancos.
Drew sabe que sou virgem, mas é um cavalheiro e não me pressionou. Respeita minhas crenças para esperar até o casamento. Diria até mesmo que aceita isso. No entanto, não sou idiota e sei que ele não é um santo. Com seu par de olhos azuis e cabelos dourados, não carece de atenção feminina.
Com dinheiro e boa aparência, poderia ter qualquer mulher que quisesse, mas ele me escolheu. Então, parece apropriado começar este novo capítulo da minha vida com um homem que me escolheu – com defeitos e tudo. Do lado de fora, as pessoas me veem como bonita, bem-sucedida e feroz, mas, por dentro, ainda estou procurando meu lugar no mundo. É por isso que disse sim quando Drew propôs – finalmente havia encontrado meu lugar.
Meus amigos me chamaram de maluca porque mal sabia sobre ele, mas como se sabe, a vida é curta. E não pretendo perder um segundo dela.
"Você pode me colocar no chão." Eu rio, sem ter certeza do porque ainda está me carregando.
Saímos de Los Angeles logo após o casamento e voamos para a Grécia. Drew foi muito secreto sobre aonde estávamos indo, e agora, posso ver o porquê. Não há como descrever esse lugar.
É isolado, longe de olhares indiscretos. Quando entramos no nosso barco, não vi uma alma em quilômetros. A praia é privada e não é usada por ninguém. Ninguém pode me ouvir gritar.
Quando os lábios curvados de Drew se abrem em um sorriso travesso, é evidente que é exatamente o que pretendia. "Ok". Ele finge um suspiro, colocando meus pés descalços no tapete felpudo. "Mas só porque vou tomar um banho. Posso pegar alguma coisa para você?"
Balanço a cabeça, ainda vacilando que esta é a minha vida.
"Ok, querida, amo você. Não vou demorar. Por que não desce as escadas e me espera no terraço? A visão é de outro mundo."
"Isso parece incrível. Amo você... marido."
Drew inspira de forma vitoriosa. "E eu te amo, esposa." Nunca me cansarei desse título.
Nós nos beijamos suavemente, uma promessa do que está por
vir.
Drew pega algumas coisas e vai até o banheiro. Quando fecha a porta, exalo porque isso está realmente acontecendo. Não posso acreditar que estou aqui, na minha lua de mel, com o homem dos meus sonhos.
Decidindo seguir a sugestão de Drew, desço as escadas, maravilhada com as altas janelas de vidro, que proporcionam vistas deslumbrantes de 360 graus da lua cheia iluminando o oceano agitado. Tive a sorte de ir a Milão e Paris para desfiles de moda, mas isso é outra coisa.
É tão calmo.
O carpete parece o céu sob meus pés, e quando vejo meu reflexo nas portas duplas do terraço, paro e aproveito para absorver tudo. Meu cabelo está solto e bagunçado pelo vento do passeio de barco que pegamos para chegar até aqui. Minhas bochechas estão coradas, e isso não é porque estou usando maquiagem, já que estou usando quase nada.
Estou feliz.
Meus olhos brilham e um grande sorriso é fixado em meus lábios. Pareço uma tonta, mas suponho que eu sou. Meu vestido simples de verão de algodão branco pode não ser brilhante e glamoroso, mas essa sou eu. Quando não estou desfilando,
geralmente uso jeans ou um vestido casual. Meu rosto e corpo podem estar estampados em outdoors e revistas, mas no fundo, ainda sou a inocente garota do Texas que gosta de usar suas botas de caubói e prefere o interior à cidade.
Meu lindo diamante põe qualquer noite estrelada no chinelo, brilhando enquanto coloco a mão na minha frente, balançando o dedo. Isso reforça meu compromisso, e nunca pretendo tirá-lo.
Caminhando para o terraço, inalo profundamente e suspiro. Inclino a cabeça para trás e espio o céu cheios de estrelas. Gosto de pensar que meu pai está olhando para mim e está orgulhoso de tudo que realizei. Instintivamente, alcanço a pequena cruz de prata em volta do meu pescoço. Papai me deu de presente há muitos anos e não o removi desde então.
Não tenho ideia do que aconteceu com minha mãe ou Kenny.
Perdi todo o contato quando me mudei.
Drew sabe de tudo. A primeira coisa que queria fazer era contar sobre o meu passado não tão perfeito. Ele me envolveu em seus braços e disse que agora era minha família. O fato da minha infância ter sido uma merda parecia encorajar Drew a acelerar o casamento. Ele sabe que é a única família que tenho desde que meus avós faleceram anos atrás.
Suponho que você poderia dizer que sou uma solitária. Realmente não tenho amigos próximos, apenas conhecidos. Pensando bem, se desaparecesse... a única pessoa que realmente
sentiria minha falta seria Drew – meu marido e o homem em quem confio minha vida.
Uma corrente de energia de repente ocupa o espaço. Não ouço até sentir, o que, na maioria dos casos, é tarde demais. "Não se mova e você não se machucará."
Essas palavras aqui no paraíso soam tão erradas, pois nada além de tranquilidade nos rodeia, mas quando sinto algo frio e duro enfiado nas minhas costas, essa serenidade logo se despedaça.
"O quê..."
"Eu disse para não se mexer", diz alguém com um forte sotaque russo e cruel. Meus dedos cavam no corrimão, com medo de não me segurar em algo, e meus joelhos cederem.
Outra voz soa atrás de mim. Não consigo entender o que estão dizendo, mas eles definitivamente estão falando russo. Eles parecem estar discutindo.
Meus olhos disparam da esquerda para direita enquanto minha luta ou o plano de fuga está em andamento. Posso pular deste terraço e pousar na areia. Não é alto. Na pior das hipóteses – vou acabar com uma torção no tornozelo. Melhor que a alternativa de acabar morta.
Não me atrevo a olhar para trás, pois a minha audição é tudo de que preciso. Quem está atrás de mim ainda está discutindo, o que me dará a oportunidade de pular do terraço e pedir ajuda. A adrenalina dispara em minhas veias e posso sentir o gosto no fundo
da garganta. Assim que me levanto, prestes a saltar para a segurança, uma mão quente segura meu bíceps, me arrastando de volta.
"Agora, onde pensa que está indo?" Sua respiração rouca e melada banha minha nuca, e sei que ele está perto. Quando seu peito pressiona contra minhas costas, sou atingida por uma combinação de cheiros – picante, doce e floral.
"Por favor, solte-me", choramingo, tentando fingir inocência. Espero que ele caia nessa, porque vou lutar com todas as minhas forças.
Ele não cai.
"Você vem com a gente. Mexa-se." É um americano.
"Meu marido está lá em cima", imploro. Encolhendo os ombros, mantenho meu olhar para frente, porque se não o ver, não terá que me matar.
"Que bom pra ele", brinca enquanto sinto as paredes começando a fechar em mim. "Agora se mexa." Ele puxa meu braço direito sem muita força, mas outra mão rasga à minha esquerda, quase deslocando meu ombro do lugar.
Lágrimas de dor ardem nos meus olhos quando sinto que estou sendo despedaçada por um cão selvagem. "Coloque isso!", grita o número um da Rússia. "Cadela, eu disse, coloque isso!"
Minha luta se vai, porquê de repente estou com medo.
"Não, por favor, não", imploro, mas quando me viro e sou forçada a encarar os três, sei que isso não é opcional.
Meu cérebro parece não conseguir processar o que está acontecendo, porque diante de mim, no paraíso, estão três homens com máscaras de esqui. Este lugar não é feito para essa finalidade, mas eles não parecem apreciar a beleza. Um dá um passo à frente e me dá um tapa tão forte na cara que sinto gosto de sangue. Isso não pode estar acontecendo.
"Não vou pedir de novo", ele rosna enquanto tenta empurrar uma mordaça na minha boca, e sei que a fronha preta grossa pendurada na mão será a próxima.
Memórias de Kenny me empurrando para baixo no tapete e meu ar sendo sugado por seu peso me esmagando, mexo-me alcançando a primeira coisa sólida que consigo encontrar, que por acaso é o enorme bíceps de um dos meus captores.
O calor através de sua camiseta de mangas compridas me queima. Lentamente, olhando para cima, prendo meus olhos com os dele e me deparo com um tom incomum de verde com redemoinhos de âmbar. A cor dos olhos é semelhante a uma garrafa de Chartreuse1. Aqui no escuro, eles brilham... como um predador.
1 Chartreuse: Licor francês de coloração verde brilhante.
O pensamento me faz cortar rapidamente nossa conexão.
Os russos estão perdendo a paciência comigo porque, quando não atendo às exigências deles, outra tentativa é feita para enfiar um pano branco na minha boca.
"Por favor, não me amordace", digo. Segurando minhas mãos em sinal de rendição, espero que eles vejam a razão. Eles não veem.
Assim que o segundo russo recua para me acertar, o braço do americano dispara em velocidade rápida e aperta seu pulso em advertência. Não tenho ideia do porque me salvou, mas isso não importa porque Drew aparece de repente.
"Que porra é essa?" Ele amaldiçoa enquanto tenta freneticamente entender o que está vendo. "Quem é você?"
"Drew, corra!" Grito, lançando-me para frente, mas esse é meu último movimento, quando sou golpeada mais uma vez. Cambaleio para trás, procurando por ar e sentindo minha bochecha, mas ainda consigo dizer, "corra".
Drew corre para frente, mas não tem chance quando o americano avança e bate com o punho no queixo de Drew. Drew tropeça para trás, confuso. O americano não mostra nenhuma piedade quando o empurra no chão e começa a bater nele.
Ele cai de joelhos e prende Drew pelo ombro enquanto levanta o punho várias vezes. Grito, implorando por misericórdia pelo meu marido, mas não há nenhuma. A torre americana que está sobre
Drew, mesmo vestido de preto da cabeça aos pés, é evidente que está em boa forma.
Drew não tem chance.
Embora as lágrimas atrapalhem minha visão, ainda tento salvar Drew, mas o russo número dois está cansado da minha desobediência. Ele levanta a arma e, desta vez, bate com a pistola. O mundo gira ao redor antes de cair no chão.
Estou entrando e saindo da consciência, mas tenho certeza de que vejo os lábios de Drew se mexerem. Não posso entender o que está dizendo. O americano o soca uma última vez antes de cuspir nele. Isso parece pessoal. Mas o que sei é que, de repente, estou perdendo a consciência.
Meus olhos se fecham, mas com a pouca força que me resta, estendo meu braço para Drew. Ele está com os pés longe, ofegando. "Dreeww." Sai arrastado, mas preciso que saiba que estou aqui.
É tarde demais.
Embora a minha falta de força me deixe frágil como uma boneca de pano, um dos russos empurra a mordaça branca na minha boca. Quando tenta enfiar a fronha na minha cabeça, chuto, dou gritos mudos, mas meu corpo está mole.
Você vai ser uma boa menina, não é Willow? Deixe foder essa buceta virgem apertada. Você vem para o papai.
Lágrimas escorrem dos meus olhos, misturando com o sangue jorrando da minha têmpora enquanto a memória horrível, uma que não permitia me lembrar, inunda-me e já não consigo respirar. Ofego por ar, mas quanto mais tento, mais difícil se torna, e logo estou hiperventilando.
Estou me preparando para outro tapa, mas não recebo um. Em vez disso, o americano tira o cabelo emaranhado de minhas bochechas. Tento lutar, mas meu corpo exausto não ajuda.
"Confie em mim. Basta colocá-lo." Confiar nele? Ele está falando sério? Está me pedindo para confiar nele quando acabo de testemunhá-lo batendo em meu marido em uma luta sangrenta.
Mas que escolha tenho? Claramente, isso está acontecendo, quer eu coopere ou não, então me rendo. Assim como fiz com Kenny, fico relaxada e o deixo ganhar.
"Muito bem, ангел2."
Não tenho ideia do que acabou de me chamar, mas não parece um insulto. Soa quase... agradecido.
Ele acena, indicando que está colocando a fronha de travesseiro, e tudo que posso fazer é obedecer. No entanto, quando Drew geme, girando e ainda muito alerta, vejo algo no bolso do seu roupão branco, mas devo estar alucinando, pois certamente há algum erro.
Antes que possa me questionar, o mundo fica negro e estou mergulhado em meu próprio inferno pessoal. A fronha e a mordaça certamente vão me matar em breve, e se não, meu coração acelerado vai desistir em pouco tempo. Braços se unem nas minhas costas me ajudando a ficar de pé. Sei que é o americano. Sua fragrância o entrega. Estou cansada, mas vou cambalear até a morte antes que alguém me carregue.
Drew está gemendo, mas quando ouço aqueles sons dolorosos flutuando mais e mais longe, sei que estamos indo para onde quer que meus captores pretendam me levar.
"Dez degraus", o americano sussurra atrás de mim. Estremeço com sua voz abafada pela fronha. Ele fica em pé atrás de mim, garantindo que eu não caia. Poderia confundir suas ações com ele fazendo meia-boca, mas é claro que onde quer que esteja indo, eles precisam de mim viva. Senão, eles já teriam me matado.
Isto não é um assalto. É um sequestro.
Depois de descer trêmula os dez degraus, meus pés batem na areia e, em qualquer outra circunstância, poderia apreciar a suavidade entre os dedos dos pés. Mas quando sou empurrada, uma vez que o americano não parece mais estar perto, tudo o que posso apreciar é que não estou morta – bem, pelo menos ainda não.
Através da fronha, posso ouvir o suave bater do oceano contra a costa, mas não é difícil pensar que três criminosos estejam prestes a usá-lo para mudar meu mundo de vez. Quando meus pés pisam na
água, eu me assusto com o medo repentino deles me afogarem. Mas isso não ajuda em nada.
Se vou sobreviver a isso, tenho que manter minha mente limpa.
"Barco. Dentro", diz alguém, talvez o russo um ou dois. Todos soam iguais.
Sou puxada para cima – alguém puxando meus braços enquanto o outro levanta minhas pernas – sinto como se fosse um brinquedo rasgado em dois. Quando sou arrastada para o barco, sou orientada a andar quando alguém me empurra pelas costas, gritando para mim em uma língua que não entendo.
Sou forçada a descer algumas escadas onde desequilibro e caio de barriga para baixo. Grunhindo no impacto, imediatamente olho em volta, esperando distinguir onde estou – estou no fundo do barco. Na cozinha
"Fique aí", alguém comanda, garantindo que eu seja o bom cão como eles claramente me veem.
Que se fodam.
Levanto lentamente, usando minhas mãos como olhos enquanto sinto ao meu redor cegamente. Preciso encontrar uma arma. Uma pequena o suficiente para esconder. O sangue está escorrendo em meus olhos da ferida na minha têmpora, então fecho porque não posso ver através da fronha de qualquer maneira.
Meus dedos entram em contato com o que parece uma pequena lanterna. Não é a arma que tinha em mente, mas terá que servir.
Sou interrompida quando ouço alguém falar antes de ser arrastada pelo meu cabelo comprido e ser arremessada contra o que parece ser um banco acolchoado. A dor na minha cabeça só aumenta. "Braços para atrás. Mãos juntas."
Cumpro trêmula, soluçando ao redor da mordaça.
Ele chega ao meu redor, e quando a sensação inconfundível de metal se encaixa em meus pulsos sei que minha liberdade está diminuindo a cada segundo. Ele puxa as algemas para garantir que estão apertadas. Elas estão.
Minha respiração ofegante revela meu medo, mas quando sinto o toque predatório na parte de trás das minhas panturrilhas, congelo. Duas mãos deslizam para cima e para baixo na minha carne, gemendo de satisfação. Ele está de joelhos diante de mim.
Oh Deus.
"Você é bonita." Seu inglês enferrujado, mas ainda consigo entender. Sei o que ele quer.
Sua aparência é usada para o mal... as palavras da minha mãe ecoam em voz alta. Talvez ela estivesse certa afinal.
"Vamos nos divertir, e vai ser o nosso segredo." Em seguida, sinto uma língua molhada subindo a lateral da minha panturrilha. O cheiro de cigarro e suor faz meu estômago revirar.
A adrenalina toma conta, tento chutá-lo, mas ele é muito rápido, rindo enquanto empurra meus tornozelos. Então começa a amarrá-los com uma corda grossa. "Garotinha má. O chefe vai gostar de você."
Quem é esse chefe e por que ele me quer?
Uma vez que puxa as cordas, parece que está de pé. Tento chutar meus pés para fora, mas eles estão amarrados a algo duro debaixo de mim. Estou amarrada. Mãos e pés. E amordaçada. Não vou a lugar nenhum.
"Ela está amarrada?" Quase suspiro de alívio quando ouço o americano. Ele foi o único que me mostrou um pingo de misericórdia. Os outros dois me assustam. O americano não.
"Sim, como um presente. Quer desembrulhá-la?"
De repente me sinto tão objetificada e suja, tento recuar, mas não consigo me mexer. Meu coração está acelerado e minha respiração está irregular. As lágrimas secaram há muito tempo enquanto aguardo o próximo movimento.
"Cala a boca e vamos embora."
Essa não era a resposta que esperava. O russo ri.
"Acalme-se, неудачник2."
"Vá se foder. No convés agora." O americano fala alto e parece estar dando as ordens. Pergunto-me quem é ele?
Minha única pista sobre o que está acontecendo é o que ouço, e antes que a escotilha se feche, sou apresentada a pista número um. "Estaremos na Turquia em breve. Espero que não fique enjoado, Saint." Então a escotilha se fecha, me deixando com o som das vozes abafadas acima de mim.
Turquia? Por que estamos indo para lá? Mas o mais importante, descobri o nome do meu captor americano ... Saint.
Irônico, não é, que alguém que tem um nome que significa santidade pode se relacionar a nada além do que o inferno.
Boa Viagem.
Acordo de um pesadelo tão hediondo que não posso acreditar que meu cérebro possa evocar essas imagens.
2 неудачник: Significa "perdedor" em russo.
Sangue, violência, rapto. Realmente preciso parar com a cafeína.
Enquanto tento me virar e me aconchegar no calor do meu novo marido, o terror me surpreende porque não consigo me mexer.
Não.
Meus olhos se abrem, apenas para serem confrontados pela escuridão pura. Tento gritar, mas ela sai abafada quando percebo que estou amordaçada. O pânico me invade quando tento me mover, mas não posso porque estou presa.
Não.
A realidade me atinge, balanço minha cabeça impotente. Desmaiar de choque e cansaço era uma pequena misericórdia, mas agora que estou acordada, não tenho outra escolha senão enfrentar essa realidade.
Três homens me sequestraram durante minha lua de mel. Dois russos. Um americano chamado Saint. Zombo da situação. Nós estamos em um barco indo para a Turquia para ver alguém que eles chamam de Chefe? Isso está aumentando a pulsação na minha cabeça.
Tento me lembrar, esperando que isso me dê mais pistas. Recuo quando a lembrança de Saint espancando Drew se materializa. No bolso do seu roupão branco poderia jurar... mas dou de ombros. É
impossível que o que eu pensava ter visto no bolso fosse um celular, porque se fosse, por que não ligou para a polícia?
Sim, ele foi atacado, mas quando saí, estava se movendo e gemendo. Ele tinha toda a oportunidade de pedir ajuda, então, por que não pediu?
Repreendo a voz na minha cabeça por pensar em tal coisa e ao invés disso me concentro em dar o fora daqui. Não há nenhuma maneira de fazer isso amarrada, então preciso pensar fora da caixa. Saint foi o único que mostrou uma pitada de humanidade, então ele é a chave para me tirar desse barco.
Sua aparência é usada para o mal...
É hora de ouvir a mamãe.
Mesmo sendo um tiro no escuro, não posso sentar aqui e esperar que eles ataquem. Então respiro fundo e grito. Sai como um lamento, um gemido silenciado, mas só posso esperar que isso chame a atenção da pessoa que quero. Continuo gritando, lágrimas vazando dos meus olhos enquanto me agito, na esperança de evocar algum tipo de resposta.
Finalmente, funciona.
O trinco se abre, e sou atingida pela brisa fresca do oceano e também por um toque de especiarias. Esse cheiro masculino e refinado parece ser sua fragrância de marca registrada. Escuto
enquanto ele desce as escadas lentamente. Meu peito sobe e desce rapidamente, e meu coração está na garganta.
"O que há de errado?" Ele tem a ousadia de perguntar.
Estou amarrada e amordaçada, seu idiota. Isso é o que está errado, silenciosamente respondo, mas apenas resmungo, esperando que entenda o que quero.
Seus passos avançam em minha direção antes de pararem. Não tenho ideia de como aparento, mas tento meu melhor para fingir submissão. "Por favor", mexo ao redor da mordaça, balançando a cabeça, sugerindo que quero que tire a fronha.
O silêncio me envolve, mas seu pensamento pode ser sentido.
"Vou tirar sua mordaça, mas tem que me prometer que não vai gritar." Sua voz é profunda e áspera.
Aceno rapidamente, prendendo a respiração.
Um suspiro pesado o deixa como se esperasse que eu não estivesse mentindo. Quando seus passos indicam que está avançando, fico feliz por ser uma mentirosa convincente, mesmo quando amordaçada e amarrada. Ouço um farfalhar, como se ele estivesse colocando alguma coisa.
Espero com a respiração presa, mentalmente cruzando os dedos para ele não recuar. Ele não recua.
Seu cheiro é único, e quando se aproxima, mais uma vez me sinto encoberta por uma doce e picante nuvem de esperança. Tem o cuidado de não me assustar quando gentilmente remove a fronha da minha cabeça. O ar frio nas minhas bochechas coradas parece o paraíso, e suspiro. Mantenho meus olhos fechados, precisando de um momento para me concentrar.
Com duas respirações profundas, abro os olhos gradualmente, piscando rapidamente para me concentrar onde estou. Os olhos estão cheios de lágrimas secas e sangue, fazendo tudo parecer embaçado. Espreitando o melhor que posso, vejo que estou em uma pequena sala no convés. Quase não há iluminação, mas consigo distinguir uma mesinha e um conjunto de cadeiras, uma pia de cozinha com prateleiras empilhadas com produtos enlatados por cima e um banco de couro branco à minha frente. Corresponde ao que estou amarrada. A decoração é de madeira e quase moderna. Acho que estamos em um iate.
No canto mais distante, há uma porta. Só posso esperar que meu plano funcione.
Minha respiração está pesada e a mordaça na minha boca não está ajudando. Preciso tirá-la. Agora. Aos poucos, olho para cima eu o vejo – Saint. Está parado a poucos metros de distância, a fronha pendurada em seus dedos.
Seus olhos estão em chamas, observando-me de perto. Vestiu a máscara de esqui, o que não é surpresa, pois está claro que não quer
que eu veja seu rosto. Não percebi o quão alto ele era. Mas agora que está na minha frente, levanto meu pescoço para absorver toda a sua estatura.
Seus ombros são largos e seus músculos são grandes através da sua camisa apertada de mangas compridas. Está de calças cargo pretas e botas pretas, mas ainda não tenho ideia de quem seja. E o ar de mistério ao seu redor não tem nada a ver com sua máscara. Seus olhos são a única coisa que posso realmente ver, mas eles são a janela para a alma de alguém, é o que dizem.
Quando se concentra na cruz em volta do meu pescoço, ele parece ter remorso, o que me faz pensar por que está fazendo isso.
"Por favor", murmuro ao redor da mordaça, suplicando que a
tire.
Ele balança os calcanhares de volta, lutando com meus pedidos. A única coisa que tenho à minha disposição são meus olhos, o que é irônico, porque ele também só tem isso. Imploro por ajuda, colocando tudo que posso na minha expressão. Ele é minha única esperança de sair daqui.
Uma única lágrima escorre na minha bochecha e na minha mordaça. Isso é inútil. Estou negociando com o diabo. Mas quando ele exala alto e lentamente se inclina para frente, um novo senso de esperança me invade.
"Vou tirar isso tudo bem? Não faça eu me arrepender." Ele me prende com uma promessa; se eu o desobedecer, vou pagar.
Não me atrevo a respirar.
O sangue pulsa pelos meus ouvidos e meu coração dispara em uma nota ensurdecedora enquanto remove a mordaça da minha boca. Está bem posicionado, pronto para colocar de volta, se não cumprir minha palavra. Não vou... por enquanto.
No momento em que sai, engulo ar com a boca para reabastecer meus pulmões esgotados. Imediatamente fico tonta porque é muito, muito rápido. Firmando minha respiração, acalmo a tempestade dentro de mim.
Quando paro de chiar, olho para Saint. "Oo-obrigada." Minha boca está seca, e minha voz rouca, por isso me leva três tentativas para falar. Ele acena com a cabeça uma vez, braços cruzados, mas fora isso, não faz nenhuma tentativa de se mover ou falar.
Visões dele caindo de joelhos e espancando Drew com seus punhos me dominam, mas engulo meu medo. "Preciso usar o banheiro."
É o truque mais antigo do mundo, mas tenho certeza de que a porta leva a um banheiro, um banheiro que esperançosamente terá uma janela. No que diz respeito ao plano, é fraco e provavelmente me matará, mas prefiro essa alternativa do que esperar pelo destino.
O peito de Saint sobe antes de descer com uma forte expiração. "Por favor, sei que você não é como os outros", digo em uma respiração apressada. "Tentou me ajudar mais cedo."
"Você não sabe de nada", ele rosna, balançando a cabeça com firmeza.
Recolhendo-me, rapidamente recuo. "Meu nome é Willow, Willow Shaw." Ao lhe dizer meu nome, espero que veja que sou uma pessoa e não uma coisa.
"Pare de falar." Ele se inclina para a frente, com a intenção de me amordaçar de novo, mas lágrimas começam a surgir
"Por favor, não m-me amordace." Meu lábio inferior treme quando esse pensamento vira meu estômago.
"Você fala demais", ele responde, como se me amordaçar fosse a solução aceitável.
"Eu sei. Sinto muito. Mas estou assustada. O que vai fazer co- comigo?" Sussurro, com medo de sua resposta, mas precisando ouvir de qualquer maneira.
Felizmente, ele para seu avanço e não me amordaça por enquanto. Há muito por trás daqueles olhos vívidos. Está lutando com sua decisão mais uma vez. "Vou te desamarrar para poder usar o banheiro. Você vai com a porta aberta."
Aceno ansiosamente.
Suspirando, ele puxa uma fina corrente de prata por baixo da camisa e vejo uma chave pendurada no final. Tenho a súbita vontade de recuar quando pisa para frente, porque sua presença chama atenção, mas permaneço totalmente quieta enquanto se inclina para baixo e alcança atrás de mim.
Minha respiração está pesada, e estar tão perto dele intensifica sua fragrância. Seus dedos na minha pele me deixam arrepiada. Ele trabalha habilmente enquanto coloca a chave nos punhos e os destrava.
Instantaneamente deixo cair minhas mãos de lado e rolo meus ombros para conseguir sentir meus braços. Aperto e relaxo minhas mãos até que a circulação comece a fluir.
Ele se afasta lentamente, parando quando nossos rostos estão a poucos centímetros de distância. Uma inspiração está presa na minha garganta, mas olho para cima, desafiando-o a fazer o melhor.
Nossos corpos preenchem o espaço enquanto nos examinamos cuidadosamente. Minha proximidade parece afetá-lo, fazendo com que suas pupilas se dilatem, e suspiro. Seus olhos se movem para meu peito arfando antes que eles voltem para encontrar os meus aterrorizados.
Ele vai para trás de mim sem pressa e, quando a lua cheia espreita pela janela que reflete a prata da lâmina que ele segura, choramingo, mas não me movo. Este é um teste, e eu passo com
facilidade quando ele cai de joelhos, os olhos ainda trancados com os meus, e corta as amarras ao redor dos meus tornozelos.
Ele é selvagem no comando, mas não me sinto ameaçada. Deus sabe que deveria, mas não estou porque sei que usar minha aparência do mal me dá tempo. Ele gosta do que vê, e é por isso que passa o dedo na minha tornozeleira de prata antes de se levantar e enfiar o canivete no bolso. Se eu não estivesse prestando atenção, teria esquecido ou encarado o toque como algo acidental. Mas eu sei que não foi.
Estou livre, mas de repente nunca me senti mais aprisionada do que agora.
Ele está esperando que eu faça minha próxima jogada. Mais uma vez, outro teste.
Levanto com cautela, pois não tenho dúvidas de que ficarei tonta. O sangue escorre pelo meu corpo, mas encontro meu centro de gravidade e fico em pé. Colocando meus braços bem abertos, me equilibro, inalando e exalando lentamente.
O convés parece frio sob meus pés, mas começo a cambalear lentamente em direção ao banheiro. Meus passos são lentos sentindo picadas e formigamentos nas pernas, mas tento não tocar em Saint enquanto passo por ele. Ele inala pelo nariz.
Quando o banheiro está ao meu alcance, abro a porta, nunca me sentindo mais aliviada. No entanto, ver a pequena janela acima
do vaso sanitário me agrada mais. Faço o que ele disse e deixo a porta aberta enquanto entro no minúsculo espaço. Só há espaço suficiente para uma privada, um chuveiro minúsculo e uma pia, mas serve.
Eu o observo, arqueando uma sobrancelha, insinuando alguma privacidade.
De braços cruzados, ele se vira lentamente, dando-me as costas.
Não querendo alertá-lo para o meu plano, timidamente alcanço debaixo da minha saia para puxar a calcinha e rapidamente sentar no vaso sanitário. Tenho que deixar sair, mas com ele em pé lá, minha bexiga fica cheia.
"Por que está demorando tanto?" Ele pergunta quando há silêncio.
Minhas bochechas tornam uma beterraba vermelha. "Não posso
... fazer xixi com você parado aí."
"Ou faz comigo aqui, ou não faz de jeito nenhum. Faça sua escolha."
Estreitando os olhos, planejo as maneiras de fazê-lo pagar por ser tão idiota, então decido cantarolar baixinho para que possa fazer xixi sob o mantra da música. Funciona. Nem sei o que estou cantarolando, mas não importa, porque assim que terminar, vou bater essa porta e tentar dar o fora desse barco.
Esticando meu pescoço, vejo que a janela tem um trinco. Está desbloqueado. É pequena, mas vou conseguir me espremer. Quando termino, pego um papel higiênico, meu olhar indo de Saint para a janela.
Coro e decido lavar as mãos, pois isso me dará mais tempo para ele abaixar a guarda. Quando olho no espelho quadrado acima da pia, suspiro quando meu reflexo se parece com algo saído de um filme de terror.
Sangue coagulado gruda no meu cabelo emaranhado em tufos. O vermelho pinta minhas bochechas, com riachos de lágrimas secas caindo em cascata por todo o meu queixo. Minha boca parece inchada e meus olhos também. Tanto tempo usando minha aparência, e agora o que vejo é uma merda.
A razão que está passando pelas minhas veias e uma onda de adrenalina me domina. É agora ou nunca. Garantindo que suas costas ainda estejam viradas, respiro fundo. E de novo.
Com a água ainda correndo, vou para a porta e a tranco, recuperando minha vida. Só tenho segundos antes dele quebrar a porta frágil. Meu coração está na minha garganta quando subo no vaso sanitário e, com os dedos desajeitados, abro a janela.
Quando ela se abre, não tenho tempo para comemorar enquanto freneticamente me levanto e coloco meu corpo pelo buraco. Posso provar a minha liberdade quando estou quase passando, mas é a última vez que vou saboreá-la, porque antes que eu perceba, ouço
um estrondo ensurdecedor e estou sendo puxada para trás violentamente.
"Não!" Grito, agitando como uma louca quando chuto minhas pernas. Mas é em vão. "Solte-me!"
Saint me empurra para trás, envolvendo as mãos em volta da minha cintura enquanto me agarro à moldura da janela, segurando minha querida vida. Ele é tão forte e, eventualmente, desmorono, com medo que me parta em duas.
"Não." Soluço quando me joga por cima do ombro como se eu não pesasse nada. Bato em sua bunda, me debatendo para me libertar, mas ele só aperta mais. Quando ele torce, sou capaz de chegar ao seu lado, e no instinto mordo e com força.
Ele grunhe quando minha mordida doeu claramente, mas quando ele se solta dos meus dentes, sei que acabei de piorar as coisas. Está furioso. Seu corpo volumoso treme de raiva quando atravessa o barco e me coloca de pé. Tento correr, mas ele me agarra pela garganta e me empurra para trás. Minhas costas atingem um suporte e respiro fundo.
"Quer agir como um cachorro, vou tratá-la como um."
"Por favor", imploro, lágrimas e saliva escorrendo pelo meu rosto. Mas ele não escuta.
Com os dedos ainda agarrados ao meu pescoço, alcança um pedaço de corda e força minhas mãos para trás. Com a corda, ele a
enrola violentamente ao redor dos meus braços, logo abaixo dos meus seios, então prende ao mastro.
"Não tem que fazer isso", imploro, mas ele está com tanta raiva, que não vai ouvir uma palavra que tenho a dizer.
Quando ele cai de joelhos e força minhas pernas fechadas para também amarrá-las ao poste, minha luta morre e começo a chorar. No momento em que amarra meus tornozelos, começo a choramingar. Estou presa ao mastro por meus braços, pernas e pés. Não estou indo a lugar nenhum.
No entanto, o que mais me assusta é que não olha para mim. "Saint..." É tarde demais para voltar atrás.
Ele olha para cima e se levanta do chão, rosnando no meu rosto, "Como sabe meu nome?"
"E-eu..." me atrapalho com as palavras, seus olhos uma vez suaves, cor de Chartreuse agora parece um âmbar flamejante.
"Diga!" Ele grita, sua respiração batendo nas minhas bochechas.
"Ouvi um dos homens te chamar. Sinto muito." Estou ofegante porque meu medo está me roubando o ar.
"Não confunda minha bondade com fraqueza porque sou muito mais cruel do que aqueles dois no andar de cima", ele rosna, apertando minha garganta mais uma vez. Engolindo em seco, eu me
inclino para trás na tentativa de escapar, mas não tenho para onde ir. "Tenho muito mais a perder do que eles, então não me force a te machucar."
Ele me solta e caio para frente, soluçando. Nunca me senti tão derrotada em minha vida.
Quando pega um rolo de fita adesiva, choramingo. "Por favor, não m-me amordace. Não posso suportar isso. Por favor, por favor."
Meus apelos não são ouvidos enquanto se alonga e está prestes a enfiar na minha boca. É minha última chance. "Por favor, Saint, nã-não..." nem me importa o que vai fazer comigo por usar o nome dele. Estou morta de qualquer maneira.
Preparo-me para o sufocamento, apertando meus olhos, mas não entendo. Não acontece nada.
"Foda-se!" Ele ruge antes que eu ouça algo quebrar. Ele vai me matar. Tenho certeza disso. Mas quando ouço suas botas pesadas batendo no chão e subindo as escadas, fechando a escotilha, parece que não tenho certeza de nada.
Minhas pálpebras pesadas se abrem e olho ao redor. Ele se foi. Ainda estou amarrada a um poste, mas ele se foi. O barulho que ouvi foi a fita adesiva sendo arremessada contra a parede, quebrando um copo no caminho.
Não tenho ideia do porque não me amordaçou. O fato de ter usado o nome dele foi motivo suficiente para isso. Mas não fez nada, e preciso saber o porquê.
Mas por enquanto, rendo-me ao esgotamento, antecipando o que o segundo dia reserva.