"O número discado está ocupado no momento. Por favor, tente mais tarde." A mensagem automática soava distante e insensível.
Do lado de fora do cartório em Gridron, Kristine Green, vestida num terno cinza-escuro, estava parada rigidamente.
O frio do vento de outono tirava qualquer traço de calor das suas feições marcantes e elegantes, seus dedos cerrados em volta de um documento que já estava amassado demais para ser recuperado.
Este deveria ser o dia em que ela se casaria oficialmente com seu namorado, Colton Yates. Desde a manhã, ela ficou esperando, mas ele nunca apareceu.
A essa altura, ela nem conseguia contar quantas vezes ele já a deixou esperando assim.
Ao tentar o número de Colton mais uma vez, a mesma voz mecânica a atendeu novamente.
Quando Kristine finalmente desviou o olhar, um alerta de notícias de última hora iluminou a tela do seu celular.
"O CEO do Grupo Yates, Colton Yates, comparece ao aeroporto para receber sua namorada que está voltando do exterior. O casal se reencontra de forma carinhosa e demonstra afeto abertamente."
Apesar do medo, a curiosidade a levou a abrir a notícia, e uma imagem preencheu a tela - Colton num terno preto sob medida, sua postura imponente e natural, e mesmo de lado, seu perfil marcante capaz de chamar a atenção.
O que mais detacava-se na foto era a ternura refletida no olhar dele. Ao ver isso, uma curva leve e amarga se formou nos lábios de Kristine.
Ela nunca tinha visto Colton tão gentil ou carinhoso com alguém. Agora, ficou claro para ela que Elyse Lloyd sempre foi a mulher que ele nunca conseguiu esquecer.
Afinal, bastou uma única ligação dela para ele abandonar um dia que deveria ser mais importante do que qualquer outra coisa.
Nesse momento, o celular de Kristine vibrou novamente, e uma nova mensagem apareceu na tela: "Você já viu a notícia, não viu? Se ainda tiver algum orgulho, deveria deixar Colton imediatamente."
Foi Elyse quem mandou - a mulher que claramente tinha o coração de Colton.
Ao rolar a tela para cima, Kristine encontrou uma mensagem que Elyse havia enviado vários dias antes: um relatório de exame pré-natal que confirmava uma gravidez de oito semanas.
O nome Elyse estava registrado como o da gestante e o de Colton como o do pai.
Mesmo vendo esse relatório pela primeira vez, Kristine não estava nem um pouco chocada.
Ano após ano, Colton passava quase metade do seu tempo viajando para Eyling, o país onde Elyse morava.
Considerando há quanto tempo isso acontecia, ela poderia ter questionado a fertilidade dele se Elyse não tivesse engravidado até agora.
Ao invés de optar por se afastar, Kristine sugeriu que eles se casassem.
Talvez fosse porque ela simplesmente não conseguia se desapegar.
Aos dezoito anos, ela se apaixonou perdidamente na primeira vez que viu Colton na entrada da universidade.
Embora as pessoas ao seu redor sempre dissesse que Colton era o herdeiro do Grupo Yates, alguém inalcançável e distante das vidas comuns, ela se recusava a aceitar isso.
Movida pela paixão e por uma esperança teimosa, foi atrás dele sem hesitar.
No terceiro ano de perseguição, ela finalmente conseguiu. Mesmo assim, a felicidade nunca veio.
Porque logo depois que ela confessou seus sentimentos e ele concordou em ficar com ela, uma ligação de Elyse os atrapalhou, e ele a deixou sozinha no vento cortante.
Foi a partir daquele momento que Kristine soube da existência de Elyse.
De volta à realidade, a jovem respirou fundo e abriu a tela de chamada mais uma vez.
Desta vez, o número que ela discou não foi o de Colton, mas o da sua mãe.
A ligação foi completada quase que imediatamente.
Sem esperar que sua mãe dissesse uma palavra, Kristine falou com uma voz calma e distante: "Vou voltar e aceitar o casamento arranjado."
A surpresa na voz de Monica Palmer era inconfundível ao ouvir a decisão de Kristine. "Então você finalmente se decidiu?"
Sem sequer respirar, Kristine respondeu: "Sim."
Após um breve silêncio, Monica perguntou: "Quando você voltará para casa?"
"No dia vinte."
Encerrando a ligação logo em seguida, Kristine entrou no seu carro e voltou para a casa de Colton.
Durante o trajeto, ela permitiu que a dor no seu peito aumentasse sem qualquer restrição. No fim das contas, isso não importava mais, já que seria a última vez.
Quando Kristine chegou ao seu destino, o cansaço pesava sobre seu corpo. Após tomar um banho, ela se jogou na cama.
Ela sabia que podia ter largado tudo mão mais cedo - mas sete anos de paixão não se esqueciam da noite para o dia.
Com apenas menos de meio mês restando, ela precisava usar cada dia para resolver tudo e tirá-lo da sua vida para sempre.
Mais tarde à noite, enquanto dormia, Kristine sentiu a cama afundar ligeiramente ao seu lado. Momentos depois, um par de braços frios a puxou para um abraço desconhecido.
Uma carranca se formou entre suas sobrancelhas à medida que a irritação surgia.
A voz baixa e magnética de Colton roçou o ouvido dela: "Me perdoe."
Envolta na escuridão, Kristine não abriu os olhos - continuou imóvel, com seus cílios tremendo.
Colton falou baixinho: "Que tal nos casarmos amanhã de manhã?"
Quase que imediatamente, o celular sobre a mesa de cabeceira se iluminou.
Colton a soltou e seu tom saiu gentil: "Não chore. Estou indo aí agora mesmo."
O farfalhar das roupas dele chegou aos ouvidos de Kristine, que reagiu com uma risada silenciosa e amarga.
Imediatamente, ela acendeu o abajur e o chamou: "Colton, não vá."
Apesar das palavras dela, ele, que já estava à porta, não parou. Sem hesitar, girou a maçaneta, abriu a porta e saiu.
À medida que os passos dele desapareciam gradualmente, Kristine forçou um sorriso nos lábios, o mantendo ali até que uma lágrima escorresse silenciosamente do canto do seu olho.
A manhã chegou e, quando Kristine acordou, percebeu que havia outra pessoa na casa. Era Bobby Davis, assistente de Colton.
"Senhorita Green, o senhor Yates me pediu para entregar esses presentes a você", disse Bobby, apontando para as joias cuidadosamente dispostas sobre a mesa.
Ao invés de ficar animada, Kristine respondeu com um distanciamento calmo: "Tá bom."
Diante da resposta, um lampejo de surpresa cruzou o rosto de Bobby, porque no passado, Kristine sempre reagia com uma alegria visível quando Colton lhe enviava presentes.
Mas essa indiferença de hoje...
"Então vou me retirar." Mantendo seu tom profissional, Bobby preferiu não fazer perguntas e saiu.
Sozinha, Kristine olhou para as joias que brilhavam sob a luz, mas sua expressão não se alterou, pois sabia muito bem que foi Bobby quem havia escolhido cada uma delas.
Sempre que Colton tentava se redimir, a sinceridade nunca fazia parte do esforço.
Felizmente, ela parou de esperar algo dele. Sem nada mais a esperar, a dor no seu peito não tinha mais razão para permanecer.
De repente, um som suave veio do seu celular, chamando sua atenção para uma nova mensagem - de Elyse.
"Você recebeu os presentes que Colton mandou? Deveria me agradecer. Se eu não o tivesse convencido a se desculpar com presentes, ele não teria feito nada."
Os dedos de Kristine se apertaram em volta do celular.
Ela mantinha Elyse desbloqueada única e exclusivamente para reunir as mensagens e encaminhá-las a Colton quando saísse de Gridiron, fazendo-o assim enxergar a verdade e a vilania daquela que, supostamente pura e inocente, conspirava pelas suas costas.
Após respirar fundo, Kristine ergueu os olhos para o ambiente ao redor. A propriedade era de Colton, e quase nada ali dentro era dela - fazer as malas não era algo que a pressionasse.
O que realmente a preocupava era sua própria casa. Quando seus sentimentos por Colton estavam mais fortes, ela acreditava que passaria a vida em Gridron, a cidade onde ele morava. Por causa dessa crença, ela comprou coisas sem pensar muito.
Quanto aos eletrodomésticos e itens do dia a dia, ela não se importava muito, pois eles sempre poderiam ser vendidos.
No entanto, ela possuía antiguidades inestimáveis que não poderiam ser deixadas para trás.
Antes de voltar para casa, uma visita ao hospital era inevitável.
Fazia dias que o estômago a martelava - mal comia alguma coisa, e já vinha tudo para fora. Mesmo assim, ela havia adiado a ida ao médico só para ir ao cartório oficializar o casamento.
Por fim, ela dirigiu para o hospital. Ao estacionar, notou a entrada lotada de pessoas.
Uma voz ecoou em meio ao barulho: "Eles estão saindo! O senhor Yates e sua namorada estão saindo!"
Os cílios de Kristine tremeram levemente ao fixar os olhos em Colton, que conduzia Elyse protegida pela multidão sob os flashes.
Na última vez, Kristine só havia visto os dois juntos numa fotografia. Desta vez, estava presenciando isso na vida real.
De onde estava, ela pôde perceber claramente o aviso incisivo gravado no olhar frio e penetrante de Colton.
"Recuem, ou vocês vão se arrepender!", ele gritou.
Uma ameaça inconfundível acompanhou suas palavras, e a presença imponente que ele exalava forçou a multidão a um silêncio repentino.
Após uma breve pausa, um repórter finalmente criou coragem para perguntar: "Senhor Yates, quem é essa moça para você?"
Embora os rumores há muito tempo apontassem Elyse como namorada de Colton, ele nunca havia admitido isso.
Todos os olhares se fixaram em Colton, inclusive o de Kristine, que observava de dentro do carro.
Ao invés de responder, Colton estendeu a mão e, com seus dedos longos, segurou o repórter pelo pescoço - gesto que provocou choque instantâneo na multidão.
Em plena luz do dia, ele havia perdido completamente o controle?
Ele estava realmente disposto a ir tão longe só para proteger uma mulher?
De um longo momento, Colton por fim soltou o repórter, cujo rosto estava pálido, lançou um olhar gélido para todos os presentes e falou: "Se vocês estão tão desesperados para saber, então vou deixar claro qual é o nosso relacionamento. Escutem bem, pois não vou repetir!"
Com suas palavras, a entrada do hospital mergulhou num silêncio total, e um medo opressivo se instalou no local.
Em meio a tudo isso, a voz profunda e imponente de Colton ecoou: "Ela é alguém que eu protejo. Se algum de vocês ousar incomodá-la novamente, é melhor pensar duas vezes no que virá a seguir!"
Nesse momento, Elyse ergueu a cabeça lentamente, parecendo envergonhada, enquanto olhava para ele com uma admiração evidente.
Observando isso, os repórteres logo entenderam a situação.
Dentro do carro, Kristine sentiu sua determinação em ir ao médico desaparecer completamente. Então, ela pisou no acelerador e dirigiu rumo à própria casa.
Mais de uma dúzia de caminhões foram necessários para retirar todas as antiguidades da casa de Kristine.
Parada no espaço quase vazio, ela sentiu um estranho alívio.
Ao pegar seu celular, ela verificou o calendário e só então percebeu que havia esquecido completamente: o dia anterior à sua partida era seu aniversário.
Com o tempo, cada dia de festa se tornou sofrimento - inevitavelmente, uma ligação de Elyse interrompia, e assim, ela acabou esquecendo até o próprio aniversário.
No entanto, agora que Colton estava fora da sua vida, ela finalmente poderia voltar a ter algo parecido com a normalidade.
À noite, ela foi dormir com essa frágil esperança.
Quando a manhã chegou, Kristine foi para a casa onde ela e Colton haviam planejado morar depois do casamento.
A princípio, Colton havia comprado a casa à vista, mas ela insistiu em pagar metade, pois para ela, um lugar só seria um lar se ambos contribuíssem igualmente.
Naquela época, ela tinha pouco dinheiro disponível, mas mesmo assim decidiu vender seu par de estatuetas de cerâmica mais valioso, que eram verdadeiramente insubstituíveis.
Kristine digitou a senha, mas a fechadura indicou um erro, fazendo uma carranca cruzar seu rosto imediatamente.
Ela mesma havia escolhido a senha, criada pela combinação dos aniversários de ambos, então não havia razão para que ela falhasse.
De repente, a voz de uma mulher de meia-idade veio de dentro da casa. "Quem é?"
Segundos depois, a porta se abriu ligeiramente e um rosto confuso apareceu.
Kristine perguntou com cautela: "Quem é você?"
Sem hesitar, a mulher respondeu: "E quem é você?"
Passando por ela, Kristine entrou e avistou Elyse saindo do quarto principal de camisola - prova dolorosa de que já morava ali.
A irritação tomou conta de Kristine ao perguntar: "Quem te autorizou a se mudar para esta casa?"
Ver Kristine não surpreendeu Elyse nem um pouco: ela havia decidido se mudar de propósito, ciente do que esse lugar significava para sua rival.
Com um sorriso calmo, Elyse respondeu: "Colton me disse para morar aqui. Você ainda não entende? Sou a única que importa para ele."
Enquanto Elyse aguardava, na expectativa de que Kristine perdesse a paciência, esta pegou o celular calmamente e ligou para o síndico. "Olá, sou a proprietária da casa. Há uma pessoa não autorizada aqui. Como vocês estão cumprindo suas responsabilidades?"
Quase uma hora se passou até que alguém finalmente chegasse.
Em vez do síndico, surgiu Colton, de presença gélida e traços marcantes endurecidos pela impaciência.
No momento em que ele viu Kristine, a irritação brilhou nos seus olhos. "O que vai aprontar desta vez?"
Kristine pensara que já não sentiria nada, mas de repente, uma dor aguda atingiu seu peito, sufocando-a.
Com uma raiva contida, ela respondeu: "Esta é a nossa casa. O que te dá o direito de decidir por conta própria e deixá-la morar aqui?"
O clima entre eles ficou pesado de tensão.
Observando de lado, Elyse parecia extremamente satisfeita com o desenrolar da situação.
Com uma expressão frágil, ela falou num tom gentil, agitando ainda mais as coisas: "Colton, me desculpe. A culpa é toda minha. Não sabia que esta era a casa que você moraria com ela depois do casamento. Vou me mudar imediatamente."
De repente, ela levou a mão ao peito e começou a tossir forte, como se pudesse desmaiar a qualquer momento.
Sem hesitar, Colton correu até ela e a segurou, lançando uma repreensão a Kristine: "Kristine, pode tentar ser razoável pelo menos uma vez?"
Vendo seu próprio noivo segurando Elyse causou outra dor aguda em Kristine, que falou novamente, sua voz inesperadamente calma: "Ela não precisa ir embora. Paguei metade desta casa. Então é só me devolver essa metade em dinheiro e estaremos quites."
Há pouco, ela estava preocupada em como resolver a situação da casa, mas agora o problema já havia se resolvido.
A racionalidade repentina de Kristine era exatamente o que Colton queria, mas, por algum motivo, isso o deixou desconfortável.
"Sem problemas. Vou pedir para Bobby transferir o dinheiro para você assim que eu voltar para a empresa", disse ele.
"Está bem." Depois disso, Kristine se virou e saiu sem olhar para trás.
Enquanto Colton observava a figura dela se afastando, um lampejo de pânico surgiu no seu peito, mas ele rapidamente o reprimiu - Kristine o amava profundamente, então mesmo que ela estivesse chateada, não era nada grave, pois ela resolveria isso sozinha.
Mais tarde, uma transferência de Colton surgiu na conta de Kristine: dez milhões, o dobro do que ela havia pago pela casa.
Apesar das suas muitas falhas, Colton nunca foi do tipo que se continha quando se tratava de dinheiro.
Pouco depois da transferência, uma mensagem dele chegou: "Vou te buscar amanhã."
Como sempre, suas palavras eram uma declaração, sem espaço para discussão.
A mensagem continha apenas algumas palavras, sem dar nenhuma dica sobre o destino ou quem mais poderia estar presente, pois para ele, acrescentar detalhes era desnecessário.
Ignorando a mensagem, Kristine guardou o celular e voltou a preparar tudo o que precisava para sua partida.
Às dez da manhã do dia seguinte, o carro de Colton chegou no horário previsto.
"Você não está morando em Crestwood?", perguntou ele.
A casa de Colton ficava num bairro chamado Crestwood. Kristine só foi autorizada a se mudar para lá no terceiro ano do relacionamento.
Por outro lado, os rumores diziam que na primeira noite em que Colton conheceu Elyse, já a levou para lá.
Só isso já mostrava a diferença entre ser amada e simplesmente tolerada.
Com pouca emoção, Kristine respondeu: "Já fiquei lá por tempo suficiente. Cansei."
Colton não fez mais nenhum comentário, e o carro mergulhou no silêncio.
Cerca de trinta minutos depois, o veículo parou em frente a uma concessionária de carros de luxo, e uma breve emoção passou pelo olhar de Kristine.
Há apenas um mês, quando uma empresa automotiva lançara o novo esportivo, ela se apaixonara instantaneamente e o mencionara a Colton mais vezes do que podia contar.
Como o modelo ainda não havia entrado em produção em massa, só existiam três unidades em todo o mundo. Há pouco tempo, essa concessionária havia conseguido uma delas, e a notícia se espalhou rapidamente por toda parte.
A empolgação tomava conta de Kristine ao sair do carro e seguir Colton para dentro. Mas assim que ela entrou e notou Elyse cercada pelos funcionários como se fosse o centro das atenções do lugar, seu humor desmoronou completamente.
Kristine estava prestes a sair, mas Elyse falou num tom gentil e deliberadamente doce: "Colton, Kristine, vocês chegaram!"
Apontando para o carro esportivo que Kristine adorava, Elyse continuou: "Já escolhi um, Colton. Quero este. Posso comprar?"
A voz de Colton se tornou carinhosa ao responder: "Claro."
Quando seu olhar se desviou para Kristine, a suavidade desapareceu completamente. "Você também pode escolher um."
Kristine desviou o olhar para Elyse, cuja expressão carregava orgulho e provocação.
Erguendo a mão, ela respondeu calmamente: "Quero este também."
Com essas palavras, uma carranca apareceu no rosto de Colton. "Escolha outro."
Sem recuar, Kristine respondeu com determinação: "Este é o que eu quero."
Ao ver Kristine retomar o que considerava sua antiga teimosia, um leve sorriso se formou nos lábios de Elyse, pois sabia que Colton não aprovaria.
Como esperado, a expressão de Colton se enrijeceu. "Não seja irracional, Kristine. Há tantos carros aqui. Por que não pode escolher outro?"
Num tom brando, Kristine repetiu as palavras dele: "Pois é. Por que não posso escolher outro?"
Ela ergueu a cabeça e um sorriso radiante se formou lentamente. "Não fique tão tenso. Só estava brincando. É claro que eu não competiria com sua preciosa namorada. Quero este aqui."
Seguindo a direção do gesto de Kristine, Elyse se virou para olhar, e sua expressão se obscureceu imediatamente - o esportivo escolhido custava cem milhões.
"Senhorita Lloyd!", gritou o gerente da concessionária ao ver Elyse desabar no chão.
Antes que qualquer outra pessoa pudesse reagir, Colton já estava em ação - ele correu até ela, a pegou nos braços e a carregou para fora sem hesitar.
Um traço de escárnio se espalhou lentamente pelos lábios de Kristine.
Depois que Colton foi embora, ela não teve outra opção senão encontrar um táxi sozinha.
Infelizmente, conseguir um táxi perto dessa concessionária se mostrou praticamente impossível.
Usando seus saltos altos, Kristine caminhou por uma hora inteira antes de conseguir chamar um táxi.
Sentada no carro, ela olhou para seus pés doloridos e cheios de bolhas, soltando um suspiro silencioso de alívio. Pelo menos a dor estava nos seus pés, não no coração.
...
Desde o incidente na concessionária, vários dias se passaram sem que Kristine cruzasse com Colton, e não havia razão para ela entrar em contato ou perguntar sobre ele.
De qualquer forma, Elyse fez questão de contar cada detalhe.
"Às 9:05 desta manhã, Colton se sentou comigo e me deu sopa na boca. Ele foi tão atencioso."
"Às 18:23 desta noite, Colton descascou uma laranja só para mim. Ela está uma delícia. Quer um pedaço? Que pena que você nunca terá essa chance."
Abaixo da mensagem, Elyse anexou uma foto da laranja cuidadosamente descascada.
"Às 22:35, Colton está deitado ao meu lado e já dormindo."
Em seguida, veio uma foto mostrando Colton descansando na cama ao lado de Elyse, com o braço apoiando o próprio peso, inclinado para perto dela.
Kristine leu as mensagens rapidamente antes de colocar o celular de volta na sua bolsa. Talvez ela já tivesse ficado insensível, porque as atualizações constantes de Elyse sobre Colton eram como assistir a um drama ridículo.
Após abrir a porta do carro, ela saiu e foi direto para a K&C Entertainment, uma empresa que havia sido construída por ela e Colton juntos.
No início, acreditara que o negócio a uniria mais a ele, tornando mais difícil qualquer corte de laços.
Contudo, o que ela nunca esperou foi que isso acabaria se tornando a corrente que a aprisionaria.
"Você está planejando ir para Peudon?" Vance Bailey, o vice-presidente, olhou para Kristine com uma descrença evidente. "Colton sabe disso?"
Sem hesitar, Kristine respondeu: "Ainda não contei a ele. Preciso que mantenha isso em sigilo."
"Claro", disse Vance, acenando com a cabeça, embora a descrença ainda permanecesse no seu rosto. "Você não era completamente dedicada a Colton? Será que realmente é capaz de se afastar dele assim?"
Por sete longos anos, Kristine permaneceu ao lado de Colton, entregando os anos mais preciosos da sua vida sem reservas.
"Terminei com ele. Quando eu for embora, entregarei o trabalho restante relacionado à divisão de cotas da empresa a você. Detesto ter que te dar esse trabalho."
"Não precisa falar assim. Afinal, nos formamos na mesma universidade. Só consegui entrar na empresa porque você me indicou", respondeu Vance, abaixando a cabeça enquanto um leve olhar de satisfação passava pelos seus olhos.
Um sentimento silencioso de gratidão surgiu em Kristine enquanto ela olhava para Vance. Na verdade, embora a empresa estivesse registrada em seu nome, o fardo de mantê-la viva recaía sobre os ombros dele.
Sem os esforços dele para manter tudo em ordem, o negócio teria desmoronado há muito tempo.
Após dar uma última volta pelo escritório, Kristine decidiu ir embora.
Na entrada do prédio, Vance a acompanhou e ficou lá até que o carro dela desaparecesse de vista, só então, relutantemente, subiu de volta.
...
Enquanto dirigia, Kristine desbloqueou seu celular e marcou o penúltimo item da sua lista, que era a divisão de cotas da empresa.
Logo depois, sua atenção se voltou para a última tarefa que vinha em seguida - se mudar da casa de Colton em Crestwood.
Quando essa etapa fosse concluída, não haveria mais nada que a ligasse a ele.
Durante o resto do trajeto, o clima foi ficando cada vez mais sufocante e tenso.
Assim que chegou à casa de Colton, Kristine subiu direto para o segundo andar.
Quando ela entrou, os funcionários da casa agiram como se ela não existisse, e ninguém se aproximou para reconhecer sua presença, pois todos sabiam que Colton não a amava.
Desde o dia em que ela se mudou para lá, ele raramente voltava para casa.
Ao invés de ir para o quarto principal, Kristine foi para o quarto de hóspedes, já que ela e Colton estavam dormindo em quartos separados.
Dentro do armário havia fileiras de roupas de marcas de luxo conhecidas, cada peça dada a ela por Colton.
No entanto, para Kristine, nada disso tinha qualquer importância.
Lentamente, ela se agachou e arrastou sua mala de debaixo da cama.
Quando ela começou a colocar as coisas lá dentro, uma buzina de carro soou do lado de fora.
"Senhor Yates", vozes educadas ecoaram da entrada.
Colton havia voltado.
Imediatamente, Kristine empurrou a mala de volta para o lugar de onde a tirou, pois ainda não queria que ele soubesse de sua partida.
Kristine ergueu a cabeça e ali estava ele, na porta - alto, cansado, mas inegavelmente atraente sob a luz do corredor.
Por um momento, Kristine se esqueceu de respirar.
"O que está fazendo?", Colton perguntou, a encarando com um olhar penetrante.
Bloqueando a mala com o corpo, Kristine respondeu: "Estava procurando uma coisa."
Sem insistir, Colton entrou no quarto.
"Os últimos dias foram uma confusão. Falei com Bobby mais cedo. Estarei livre no dia dezenove, então vamos nos casar nesse dia."
Mais uma vez, ele falou como se estivesse tomando uma decisão, ao invés de abrir uma discussão.
Inclinando levemente a cabeça, Kristine respondeu: "O dia dezenove é meu aniversário."
Diante dessas palavras, um lampejo de surpresa cruzou os olhos de Colton antes de desaparecer.
"Já fiz planos para esse dia", ela continuou.
"Você não costuma comemorar seu aniversário, né?", ele perguntou.
Ele nunca havia comemorado essa data com ela - constatação que, embora implícita, persistia em na mente de Kristine.
"Então podemos escolher outra data." Após dizer isso, Colton ajeitou a gravata e foi para o banheiro.
Cerca de meia hora se passou antes de ele sair, com o calor do banho ainda o envolvendo, toalha enrolada na cintura e gotas de água traçando lentamente o caminho do peito ao abdômen definido.
Esses contornos, que outrora despertavam em Kristine algo feroz a ponto de fazê-la correr até ele, incapaz de resistir a tocá-lo, agora a deixavam indiferente.
Do outro lado do quarto, Colton a observava sentada com a cabeça baixa enquanto mexia no celular. Vendo isso, uma leve ruga apareceu entre suas sobrancelhas.
"Deveríamos dormir." Colton estendeu a mão e apagou as luzes.
Rodeada pela escuridão, Kristine se levantou. "Tenho que ir."
Uma carranca se formou no rosto de Colton enquanto ele observava a porta se abrir e depois se fechar.
Mais uma vez, a escuridão tomou conta do quarto.
Por um instante, o desconforto o dominou, mas ele o reprimiu e se convenceu de que tudo permaneceria sob controle.
...
Nos dias seguintes, Kristine não viu Colton nem de relance.
Pelo que Vance lhe disse, Colton provavelmente havia saído da cidade para uma viagem de negócios.
Nem Vance conseguiu entrar em contato com ele durante esse tempo.
Se isso tivesse acontecido antes, a notícia teria deixado Kristine arrasada. No entanto, dessa vez, foi como uma pequena bênção.
Como Colton estava ausente, ela finalmente tinha a oportunidade de ir à casa dele e pegar suas coisas em paz.
Na verdade, havia muito pouco lá que pertencia a ela. O que restou foram principalmente itens que ela havia comprado para Colton, incluindo relógios de casal, roupas, um urso de pelúcia e outras coisas do tipo.
Para Colton, tudo isso parecia imaturo, então ele jogou tudo no canto mais distante do armário.
Um por um, os itens foram para a mala, que encheu até o limite, antes que Kristine atravessasse a porta pela última vez.
Um funcionário da casa notou sua partida, mas presumiu que ela estava indo trabalhar e não parou para fazer perguntas.
Quando Kristine se deu conta, o dia dezenove havia chegado.
A essa altura, ela já havia resolvido tudo o que precisava da sua atenção, e tudo o que lhe restava fazer era esperar pelo dia vinte e finalmente deixar Gridron para trás.
À noite, Kristine foi sozinha a uma confeitaria da cidade, comprou um bolo pequeno e levou-o para um parque próximo, onde escolheu um canto tranquilo e o comeu lentamente.
A doçura permanecia na sua língua. Dessa vez, não havia necessidade de se preocupar com Colton indo embora no meio do caminho.
Recostando-se, ela ergueu o olhar para o céu escuro, e um leve sorriso apareceu nos seus lábios.
Justo nesse momento, uma explosão ecoou acima dela e o céu se encheu de fogos de artifício - cores deslumbrantes se espalhando em padrões vertiginosos.
Kristine ficou com a cabeça erguida por tanto tempo que seu pescoço começou a doer antes que a explosão final se dissolvesse no silêncio.
De repente, uma vibração quebrou a quietude.
Colocando a mão na sua bolsa, Kristine pegou seu celular e verificou a tela - uma mensagem de Colton.
"Gostou dos fogos de artifício? Feliz aniversário."
Lágrimas surpreenderam Kristine, turvando sua vista: nunca antes um parabéns dele, e agora, justo na despedida, o primeiro.
Após abrir a mensagem, Kristine mal havia terminado de digitar a palavra "obrigada" quando um novo alerta apareceu na sua tela - notificação de uma foto enviada por Elyse.
Com um leve toque, Kristine a abriu e viu uma imagem de uma fatia de bolo.
"Colton fez esse bolo para mim com as próprias mãos. Soube que hoje é seu aniversário, então pedi para ele fazer um só para mim. Vou comer bolo de aniversário, e você não. Que pena para a aniversariante!"
Enquanto lia a mensagem, as lágrimas que haviam inundado os olhos de Kristine desapareceram lentamente.
Indo para a conversa com Colton, ela digitou uma resposta curta: "Quero que faça um bolo para mim."