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Seu Amor Imprudente, o Amargo Fim Dela

Seu Amor Imprudente, o Amargo Fim Dela

Autor:: Qin Wei
Gênero: Romance
Lucas Almeida e eu crescemos no mundo cinzento do orfanato, jurando construir uma vida que fosse só nossa. Esse sonho se despedaçou no dia em que sua família rica, há muito perdida, o encontrou e o levou embora, me deixando para trás. A mãe dele deixou claro que eu não era bem-vinda. Ela me ofereceu um milhão de reais para que eu desaparecesse da vida dele para sempre. Eu recusei, acreditando que nosso amor não tinha preço. Essa crença me levou a um casamento secreto, um contrato cruel de três anos para gerar um herdeiro e, por fim, ao meu fracasso. Eles trouxeram uma barriga de aluguel, Kássia, que não apenas carregou o filho dele - ela roubou seu coração.

Capítulo 1

Lucas Almeida e eu crescemos no mundo cinzento do orfanato, jurando construir uma vida que fosse só nossa. Esse sonho se despedaçou no dia em que sua família rica, há muito perdida, o encontrou e o levou embora, me deixando para trás.

A mãe dele deixou claro que eu não era bem-vinda. Ela me ofereceu um milhão de reais para que eu desaparecesse da vida dele para sempre. Eu recusei, acreditando que nosso amor não tinha preço.

Essa crença me levou a um casamento secreto, um contrato cruel de três anos para gerar um herdeiro e, por fim, ao meu fracasso. Eles trouxeram uma barriga de aluguel, Kássia, que não apenas carregou o filho dele - ela roubou seu coração.

Capítulo 1

Laura Santos e Lucas Almeida cresceram juntos no mundo cinzento e uniforme do sistema de orfanatos. Eles eram tudo um para o outro. Em um lugar onde ninguém era permanente, eles eram uma constante. Compartilhavam comida, segredos e a crença feroz e inabalável de que um dia sairiam dali juntos para construir uma vida que fosse só deles.

Essa crença se despedaçou no dia em que um carro preto e comprido parou em frente ao orfanato.

Uma mulher em um terninho de grife saiu, seu rosto uma máscara de fria compostura. Seu nome era Eleonora Almeida, e ela era a mãe de Lucas. Ele não era um órfão, afinal, apenas um herdeiro perdido, uma peça esquecida de uma família poderosa e tradicional, finalmente encontrada.

Lucas foi levado para um mundo de mansões e jatos particulares, deixando Laura para trás no silêncio do dormitório que compartilhavam. O abismo entre eles se tornou imediato e vasto.

Eleonora Almeida deixou claro que Laura não era bem-vinda em sua nova realidade. Ela convocou Laura para a mansão dos Almeida, um lugar tão grande que parecia um museu. Eleonora sentou-se à sua frente em uma sala de estar luxuosa, com um talão de cheques sobre a mesa polida entre elas.

- Eu sei o que você quer - disse Eleonora, sua voz gotejando desprezo. - Garotas como você sempre querem a mesma coisa.

Ela escreveu um número em um cheque e o empurrou pela mesa. Era um milhão de reais.

- Pegue isso. É mais dinheiro do que você jamais sonhou. Deixe meu filho em paz e nunca mais entre em contato com ele.

Laura olhou para o cheque, depois para a mulher que a desprezava por nenhuma outra razão além de seu nascimento.

- Eu não quero o seu dinheiro. Eu só quero o Lucas.

A risada de Eleonora foi um som agudo e feio.

- Você quer o Lucas? Uma aleijada que saiu da sarjeta? Você não é nada. Você sempre será apenas uma mancha na reputação dele.

As palavras atingiram Laura, mas ela se recusou a deixá-las quebrá-la. Deixou o cheque na mesa e saiu, seu mancar mais pronunciado sob o peso do ódio de Eleonora.

A família Almeida cortou todo o contato. Eles mudaram o número de Lucas, a bloquearam em todas as redes sociais e instruíram a equipe do orfanato a não entregar suas cartas. Por meses, Laura viveu em um vácuo, o silêncio de Lucas uma dor constante e latejante.

Então, notícias começaram a surgir. Lucas Almeida, o herdeiro recém-descoberto, estava em greve de fome. Ele se recusava a comer e a receber tratamento médico, sua única exigência era se reunir com uma garota de seu passado. Sua vida estava em perigo.

Diante da morte potencial de seu único filho e do escândalo que se seguiria, a família Almeida cedeu. Eles trouxeram um Lucas fraco, mas determinado, para vê-la. Ele a abraçou com força, seu corpo frágil, mas seu aperto firme.

- Eu nunca mais vou te deixar, Laura - ele sussurrou, a voz rouca. - Eu prometo. Prefiro morrer a deixá-los nos separar de novo.

Seu desespero a levou às lágrimas. Ela acreditou nele.

A família propôs um acordo, um acordo cruel disfarçado de aceitação. Eles permitiriam que Lucas e Laura ficassem juntos, mas o relacionamento deles teria que permanecer em segredo. Eles se casariam em uma cerimônia particular, sem convidados e sem registro público. E havia uma condição, embutida em um grosso acordo pré-nupcial.

Laura tinha três anos para gerar um herdeiro para os Almeida.

Se ela falhasse, o contrato estipulava que a família contrataria uma barriga de aluguel para carregar o filho de Lucas. A linhagem tinha que ser assegurada.

Era uma armadilha, e ambos sabiam disso. Mas olhando para o rosto magro de Lucas, Laura não viu outra escolha. Eles eram jovens e apaixonados, e acreditavam que seu amor poderia conquistar qualquer coisa, até mesmo as maquinações frias da família Almeida. Eles assinaram os papéis.

Três anos se passaram. O casamento secreto foi solitário, confinado à casa de hóspedes na propriedade dos Almeida, longe da mansão principal. Laura tentou criar um lar, mas a pressão do acordo era uma sombra constante. E a cada mês, a sombra ficava mais escura.

Ela nunca engravidou.

No terceiro aniversário de seu casamento secreto, Eleonora Almeida chegou à porta deles. Ela não estava sozinha. Ao seu lado, estava uma mulher que se parecia surpreendentemente com Laura. Seu nome era Kássia Ribeiro.

- Seu tempo acabou - anunciou Eleonora, sua voz desprovida de qualquer emoção. - Esta é a barriga de aluguel.

Lucas ficou furioso, mas o contrato era inflexível. Ele teve que cumprir. O arranjo era frio e clínico. Kássia viveria em uma ala separada da casa principal. Ela passaria pelo procedimento e, assim que a criança nascesse, seria paga e mandada embora.

Mas Kássia não queria apenas o dinheiro. Ela queria a vida que vinha com ele.

Suas interações com Lucas começaram protocolares, mas lentamente, mudaram. Ela era uma mestra da manipulação, interpretando o papel de uma mulher gentil e amável presa em uma situação difícil. Ela lhe trazia chá, perguntava sobre seu dia e ouvia com uma simpatia que Laura, desgastada por anos de estresse e isolamento, não conseguia mais oferecer.

Os sentimentos de Lucas começaram a mudar. Ele começou a passar mais tempo com Kássia, atraído por sua natureza aparentemente dócil. A mudança foi sutil no início, depois inegável. Ele começou a ver Kássia não como uma barriga de aluguel, mas como uma pessoa, uma mulher por quem estava começando a se importar.

Alguns meses depois, Kássia anunciou que estava grávida.

Uma onda de alívio inundou Laura. O contrato estava cumprido. A pressão finalmente havia acabado. Ela pensou que seu pesadelo estava prestes a terminar. Ela poderia finalmente ter Lucas só para ela novamente.

Ela estava errada.

Uma noite, Lucas veio até ela. Ele não conseguia encará-la.

- A Kássia quer ficar com o bebê - disse ele.

O sangue de Laura gelou.

- Do que você está falando, Lucas? Esse não era o acordo.

- Ela se apegou. Ela ama o bebê - ele explicou, sua voz suplicante. - Laura, por favor, entenda. Depois desta criança, podemos ter a nossa. Eu prometo. Vamos tentar de novo.

Suas palavras eram uma traição. Ele estava escolhendo Kássia e seu filho em vez do futuro deles, em vez do vínculo de vinte anos.

Antes que Laura pudesse discutir, antes que pudesse gritar, ele se virou e saiu.

- Eu tenho que ir - disse ele por cima do ombro. - A Kássia está se sentindo ansiosa.

Ele se apressou, deixando Laura sozinha na casa silenciosa, a promessa de seu futuro se transformando em cinzas em sua boca.

No dia seguinte, ela recebeu uma ligação de seu médico. Os resultados de seu check-up recente haviam chegado. Era uma consulta de rotina que ela havia agendado devido a uma fadiga persistente. A voz do médico era grave.

Ela tinha insuficiência renal terminal. Sua expectativa de vida era de menos de um ano.

O mundo girou em seu eixo. Ao desligar o telefone, seu corpo ficou dormente. Naquela noite, enquanto estava sentada no escuro, tentando processar a sentença de morte que acabara de receber, dois homens de terno preto invadiram a casa. Eles a agarraram, um pano enfiado em sua boca, e a arrastaram para a noite fria.

Eles a jogaram na parte de trás de uma van. Quando finalmente pararam, a puxaram para fora e a jogaram na água gelada da piscina da propriedade.

O pânico a dominou. Ela não sabia nadar. Um acidente de infância a deixara com um medo profundo de água. Ela se debatia, seus pulmões ardendo, o frio se infiltrando em seus ossos.

Justo quando sua visão começou a escurecer, uma figura apareceu na beira da piscina. Era Lucas.

Por um momento de parar o coração, ela sentiu uma onda de esperança. Ele a salvaria.

Mas o olhar em seu rosto não era de preocupação. Era de fúria pura e inalterada.

- Como você ousa empurrar a Kássia? - ele cuspiu, sua voz um silvo venenoso. - Ela está grávida do meu filho! Eu deveria saber que você era tão vingativa.

A esperança no peito de Laura morreu, substituída por uma percepção arrepiante. Ele não acreditava nela. Ele achava que ela era um monstro.

Ele, que uma vez prometeu protegê-la do mundo. Agora, ele era a maior ameaça do seu mundo.

Ele gesticulou para seus homens.

- Afundem a cabeça dela.

Eles empurraram sua cabeça de volta para a água congelante. O mundo se tornou um borrão de azul e preto. Seus pulmões gritavam por ar. Enquanto lutava, uma memória surgiu: Lucas quando menino, mais magro e menor, doando sua porção miserável de pão para ela porque ela estava doente.

Eles a puxaram para cima, ofegante, engasgando.

- Você sabe quem salvou minha vida cinco anos atrás? - A voz de Lucas estava carregada de uma gratidão cruelmente mal colocada. - Quando meus rins falharam e eu precisei de um transplante? Foi a Kássia. Ela me deu o rim dela, Laura. Ela salvou minha vida. O que você já fez por mim além de me atrasar?

A mentira era tão enorme, tão audaciosa, que roubou o ar de seus pulmões novamente.

Ela tinha sido sua doadora. Ela havia lhe dado seu rim em segredo, dizendo a ele que era de um doador anônimo falecido porque não queria que ele se sentisse em dívida com ela. A cirurgia havia comprometido seu rim restante, levando diretamente ao diagnóstico terminal que ela recebera apenas algumas horas antes.

- Não, Lucas... - ela coaxou, água e desespero a sufocando. - Fui eu. Eu te dei meu rim.

O telefone dele tocou. Ele atendeu, seu tom mudando instantaneamente de raiva para uma preocupação suave.

- Kássia? Você está bem? Onde você está? Não se preocupe, estou a caminho.

Ele desligou e olhou de volta para Laura, seu rosto duro. Sua família havia encontrado Kássia, ilesa, vagando pelos jardins. Sua mãe e irmã estavam ao telefone, gritando acusações, exigindo que Laura fosse punida.

Lucas tomou sua decisão. Ele mesmo resolveria isso.

- Ajoelhe-se - ele ordenou, sua voz como gelo.

Ele a fez ajoelhar-se à beira da piscina enquanto uma chuva fria começava a cair, encharcando suas roupas finas. A água se misturava com as lágrimas que escorriam por seu rosto. Ela se lembrou de outra vez, anos atrás, quando ele se ajoelhou diante dela, implorando por perdão após uma briga estúpida, prometendo que nunca mais a faria chorar.

A ironia era uma dor física. Ela ficou ajoelhada ali por horas, o frio se infiltrando profundamente em seus ossos, seu corpo tremendo de calafrios, até que a dor e o coração partido se tornaram demais para suportar.

Ela desabou, sua consciência deslizando para a escuridão misericordiosa.

Capítulo 2

Laura acordou em uma cama de hospital, o cheiro estéril de antisséptico enchendo suas narinas. A primeira coisa que viu foi o rosto sombrio do médico.

- Senhorita Santos, sua condição está se deteriorando rapidamente - disse ele, sua voz gentil, mas firme. - O frio e o estresse causaram danos significativos. Precisamos agir agora.

Havia apenas uma esperança: uma cirurgia complexa e de alto risco que apenas uma pessoa no mundo poderia realizar, um cirurgião renomado chamado Dr. Delano Rios.

Laura sabia que não podia pagar por ele. Mas havia uma pessoa que podia.

Ela ligou para Eleonora Almeida.

Sua voz era um sussurro rouco.

- Eu vou desaparecer - disse ela, as palavras com gosto de veneno. - Assinarei quaisquer papéis que você quiser. Deixarei a vida de Lucas para sempre. Apenas me consiga a cirurgia. Consiga-me o Dr. Rios.

Houve uma pausa do outro lado da linha, depois a voz fria e calculista de Eleonora.

- Tudo bem. Mas você não contará a ninguém sobre este acordo. Você partirá silenciosamente após a operação.

Laura concordou. Ao desligar, uma onda de amargo arrependimento a invadiu. Eleonora sabia o tempo todo. Ela sabia que Laura era a doadora do rim. Um investigador particular havia descoberto a verdade anos atrás. Mas uma garota doente e aleijada do orfanato, mesmo uma que havia salvado a vida de seu filho, ainda não era boa o suficiente para a família Almeida. O mancar que Laura adquiriu ao salvar Lucas de ser atropelado por um carro quando criança era apenas mais uma marca contra ela aos olhos de Eleonora.

Eleonora já havia tentado comprá-la antes, oferecendo-lhe milhões para deixar Lucas. Laura sempre recusara, acreditando que o amor deles não tinha preço. Agora, ela estava implorando por sua vida, trocando aquele mesmo amor por uma chance de sobreviver. Como ela tinha sido tola.

A porta de seu quarto se abriu e Lucas entrou. Ele segurava um pequeno pote de pomada.

Ele se sentou na beira da cama dela, sua expressão uma mistura de culpa e irritação.

- Seus joelhos devem estar doloridos - disse ele, evitando seus olhos. Ele começou a esfregar o creme em sua pele machucada. Seu toque era gentil, um fantasma do cuidado que ele costumava demonstrar.

- Você me levou ao limite, Laura - ele murmurou, como se isso desculpasse tudo. - Você não deveria ter ido atrás da Kássia.

Sua garganta estava ferida. Doía para falar.

- Você acredita em mim? - ela sussurrou. - Que eu não fiz isso?

O silêncio dele foi sua resposta. Era uma parede sólida entre eles, construída tijolo por tijolo com sua confiança mal colocada em outra mulher.

Ele finalmente falou, sua voz baixa.

- Estou com a Kássia por nós, Laura. Pelo nosso futuro. Ela está nos dando um filho. Você não vê? Assim que o bebê nascer, eu posso finalmente te reconhecer. Podemos ser uma família de verdade.

Ele expôs seu plano distorcido: Kássia daria à luz, e eles registrariam a criança no nome de Laura. Ele então apresentaria oficialmente Laura como sua esposa, a mãe de seu herdeiro.

Ele viu o olhar no rosto dela e zombou.

- Que olhar é esse? Seja realista. Você é uma aleijada de um orfanato. Esta é a única maneira de minha família te aceitar.

Cada palavra era uma nova ferida. Ele a via não como sua parceira, sua alma gêmea de vinte anos, mas como um caso de caridade que ele tinha que contrabandear para sua vida.

- Não - disse ela, sua voz tremendo com uma força que ela não sabia que tinha. - Eu não quero esse futuro.

O rosto de Lucas endureceu. Ele estava prestes a discutir quando um forte trovão sacudiu a janela. Ele se levantou imediatamente.

- A Kássia tem medo de tempestades - disse ele, já se movendo em direção à porta. - Eu preciso estar com ela.

Ele parou na porta, olhando para trás.

- Apenas espere um pouco mais, Laura. E pare de ser tão difícil.

Então ele se foi.

Laura olhou para a porta vazia, uma risada amarga escapando de seus lábios. Ela se abaixou e esfregou o tornozelo. A velha lesão, do acidente em que ela o empurrou para fora do caminho de um carro, sempre latejava na chuva. Ele costumava se lembrar disso. Ele costumava sentar-se com ela em noites de tempestade, massageando suavemente seu tornozelo, sussurrando que sentia muito por ela estar com dor por causa dele.

Agora, ele só se lembrava que Kássia tinha medo de trovão. Ele havia esquecido todo o resto. Ele a havia esquecido.

No dia seguinte, ela os viu no corredor do hospital. Lucas estava saindo do consultório do obstetra com Kássia, segurando uma pasta com o último ultrassom do bebê. Ele estava radiante, seu rosto iluminado com uma alegria que Laura não via há anos. Ele se inclinou e beijou a testa de Kássia, sua mão repousando protetoramente em sua barriga.

Era o mesmo olhar terno que ele costumava lhe dar. O mesmo toque gentil.

O coração de Laura se apertou. Ela se virou para sair, mas Kássia a viu.

- Laura - ela chamou, sua voz doce como mel, seu sorriso triunfante. Ela se aproximou, bloqueando o caminho de Laura. Lucas a seguiu, uma leve carranca no rosto.

- Você está com uma aparência horrível - disse Kássia, seus olhos percorrendo o rosto pálido e a camisola de hospital de Laura. - Mas suponho que seja de se esperar. Pessoas da sua laia não envelhecem bem. - Ela deu um tapinha na própria barriga. - O Lucas está tão preocupado comigo e com o bebê. Ele diz que eu sou o mundo inteiro dele agora.

Laura apenas a encarou, depois olhou para os próprios pés. O mancar. A lembrança constante de um sacrifício que ele não valorizava mais.

- Este mancar - disse Laura, sua voz baixa, mas clara. - Eu o adquiri salvando a vida dele. Este corpo, que você acha tão nojento, deu a ele um rim para que ele pudesse viver. O que você já deu a ele além de mentiras?

Ela olhou além de Kássia, diretamente para Lucas.

- Eu estou indo embora. Espero que você consiga mantê-lo apenas com seu rostinho bonito e suas mentiras.

O rosto de Kássia se contorceu em um lampejo de fúria. Ela levantou a mão para golpear Laura.

Mas então, ela viu Lucas voltando do posto de enfermagem em direção a eles. Sua expressão mudou em um instante. A mão levantada que era para o rosto de Laura veio e deu um tapa em sua própria bochecha, com força.

Com um grito dramático, Kássia Ribeiro desabou no chão.

Capítulo 3

Lucas correu para frente, empurrando Laura para o lado sem pensar duas vezes.

- Laura!

Ela tropeçou, suas costas batendo com força na quina de uma cadeira da sala de espera. Uma dor aguda e lancinante atravessou sua lombar, e pontos pretos dançaram em sua visão. Ela ofegou, incapaz de se levantar.

Lucas nem sequer olhou para ela. Ele já estava no chão, embalando Kássia em seus braços.

- Lucas - Kássia soluçou, enterrando o rosto em seu peito. - Ela... ela disse coisas horríveis. Disse que eu era uma vagabunda, que o bebê não era seu. Depois ela me bateu! - Ela agarrou sua barriga. - Ah, o bebê... estou com tanto medo, Lucas. E se acontecer alguma coisa com o nosso bebê?

O rosto de Lucas, que estava suave de preocupação por Kássia, tornou-se uma pedra ao olhar para Laura. Ele gentilmente deitou Kássia de volta e se levantou, seus olhos queimando com um fogo frio.

Ele caminhou em direção a Laura e, sem uma palavra, deu-lhe um tapa no rosto.

A força do golpe a fez cambalear. Seu ouvido zumbiu, e o gosto metálico de sangue encheu sua boca. Por um momento, ela estava de volta ao pátio do orfanato, observando um jovem Lucas, com os punhos machucados e ensanguentados, depois de ter lutado com meninos mais velhos que a provocavam. Ele pegou a mão dela então e jurou: "Eu nunca vou deixar ninguém te machucar, Laura. Nunca."

A memória era tão vívida, tão dolorosa, que levou um segundo para ela registrar que a pessoa que acabara de golpeá-la era aquele mesmo menino, agora um homem que a olhava com nada além de ódio.

A dor em seu coração era muito pior do que a ardência em sua bochecha. Ela lentamente levantou a cabeça, seus olhos se encontrando com os dele.

Por um momento fugaz, ela viu algo piscar em seu olhar. Um lampejo de dúvida, de dor. Sua mão, levantada para um segundo golpe, congelou no ar enquanto ele observava seu rosto pálido e o filete de sangue no canto de sua boca.

Mas então Kássia soltou um gemido de dor do chão, e o momento se foi.

O rosto de Lucas endureceu novamente. Todos os vestígios de suavidade desapareceram, substituídos por uma fúria fria.

- Nunca mais toque nela - ele rosnou. - Se algo acontecer com ela ou com meu filho, eu te mato.

Ele pegou Kássia nos braços e se afastou, deixando Laura no chão. Ao passar, Kássia, aninhada em seus braços, virou a cabeça e lançou a Laura um olhar de pura e triunfante malícia.

Laura tentou se levantar, mas a dor em suas costas era excruciante. Ela se ergueu com os braços, apenas para desabar de volta no chão frio de linóleo. Tentou de novo, e de novo, seu corpo se recusando a obedecer.

As pessoas no corredor começaram a olhar, a sussurrar.

- Aquele não é o Lucas Almeida?

- Quem é a garota no chão? Ela parece patética.

- Ouvi dizer que ela é a ex obcecada dele. Uma maluca perseguidora tentando separar ele e a namorada grávida.

Os sussurros ficaram mais altos, cheios de desprezo e nojo. O peso do julgamento deles era sufocante. Laura cobriu os ouvidos, mas não conseguiu bloquear o som. Não conseguiu bloquear a dor.

Um soluço escapou de seus lábios, depois outro. As paredes cuidadosamente construídas que ela havia erguido ao redor de seu coração desmoronaram, e ela desabou, seu corpo tremendo com lágrimas viscerais e sem esperança.

Dois dos seguranças de Lucas apareceram. Eles agarraram seus braços, seus apertos rudes e impessoais, e a arrastaram para fora do hospital, ignorando seus gritos de dor.

Eles não a levaram para casa. Eles a jogaram em um freezer de um dos restaurantes dos Almeida. A porta se fechou com um estrondo, mergulhando-a em uma escuridão gélida.

- O chefe disse que você precisa esfriar a cabeça - disse um dos guardas através da porta.

Ela se encolheu em uma bola no chão congelado, o frio se infiltrando através de sua fina camisola de hospital. Mas o frio em seu coração era muito pior. Ela pensou em Lucas, o menino que uma vez largou seu emprego de meio período e arrumou mais dois só para que ela pudesse pagar seus livros da faculdade. O menino que segurou sua mão e prometeu que nunca a deixaria sofrer.

Agora, ele era a fonte de todo o seu sofrimento.

O frio, a dor e o desespero absoluto eram demais. Seu corpo finalmente desistiu, e ela mergulhou na inconsciência.

Ela acordou na mesma cama de hospital. Estava se tornando um ciclo deprimentemente familiar.

O rosto do médico estava ainda mais grave desta vez.

- Seus rins estão falhando, Senhorita Santos. A exposição ao frio extremo acelerou o processo. Além disso, suas costas estão gravemente feridas. - Ele a olhou com pena. - Você está usando uma sonda urinária. Sinto muito. Seu corpo está sob imensa pressão.

Sua vontade de viver se fora. Parecia que ninguém no mundo queria que ela sobrevivesse. Nem Lucas, nem sua família. Talvez fosse melhor assim.

Ela ficou no hospital por uma semana. Lucas nunca veio. Ele nunca ligou.

Quando finalmente recebeu alta, ela voltou para a casa. Ele estava sentado no sofá, olhando para o telefone. Ele ergueu o olhar quando ela entrou, seus olhos percorrendo sua figura esquelética e as olheiras sob seus olhos. Não havia pena em sua expressão, nem remorso.

Ele apenas parecia irritado.

- A Kássia vai dar uma festa de aniversário na próxima semana - disse ele, sua voz casual, como se estivesse discutindo o tempo. - Eu preciso que você esteja lá.

Laura o encarou, sua mente lutando para compreender a crueldade de seu pedido.

- Você vai subir no palco - ele continuou, seu tom não deixando espaço para discussão - e vai pedir desculpas a ela na frente de todo mundo.

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