Ponto de vista de Olive
Embora eu tivesse três apresentações para clientes amanhã e uma estratégia de marketing que estava longe de ser concluída, tudo o que conseguia pensar era na volta de Cole em duas semanas.
Fazia dois meses que não o via pessoalmente. Só nos falávamos por videochamadas e mensagens que chegavam cada vez mais tarde todas as noites.
Se eu contasse isso para Grayson, ele diria que eu estava pensando demais novamente. Meu padrasto era o pilar da família desde que minha mãe se casou há dez anos, o tipo de pai que realmente se importava e não se esquecia do que era importante.
Puxei meu notebook para a cama e olhei para a campanha inacabada da Empresa Hopkins.
Patética...
Depois de deixar o notebook de lado, abri a gaveta da minha mesa de cabeceira.
Peguei meu vibrador e o posicionei bem onde eu precisava, imaginando Cole com sua camisa azul de treino, o cabelo jogado para trás e as mãos apoiadas na cabeceira acima de mim...
Tão próximo...
De repente, a porta se abriu com um estrondo.
Minha mãe estava parada na porta como se não tivesse acabado de presenciar algo que definitivamente não deveria ter visto. Enquanto eu me levantava às pressas, enrolada nos lençóis e tentando empurrar o vibrador para debaixo do travesseiro, ela abriu um sorriso.
Um sorriso verdadeiro.
"Ah, querida, sinto muito por ter interrompido, mas a brincadeira acabou."
"Deus, mãe. Bater na porta é algo que os adultos fazem", exclamei, meu rosto em chamas enquanto empurrava o vibrador para a gaveta da mesa de cabeceira tão rápido que quase quebrei meu dedo.
"Sua porta estava aberta, Olive. Agradeça por ter sido eu e não Hunter."
Eu teria que me mudar para outro estado se meu meio-irmão tivesse visto.
"Mãe, pare. Por favor, só pare de falar."
Embora ela tivesse cerrado os lábios, a diversão brilhava nos seus olhos, e nesse momento, eu só queria morrer.
Apesar de morar no espaço reformado acima da garagem supostamente me dar independência, isso não impedia minha mãe de entrar sempre que quisesse, mas ainda assim era melhor do que pagar dois mil por mês por um apartamento minúsculo em Seattle.
"Precisamos conversar com você. Grayson e eu temos uma notícia empolgante", ela disse em um tom sério.
Para mim, notícias empolgantes nessa família geralmente significavam algo que beneficiava todos, menos a mim.
"Olive Monroe, quero você lá embaixo em cinco minutos ou vou te arrastar para fora dessa cama, ouviu?"
No instante em que a porta se fechou, peguei meu celular. Precisava ouvir a voz de Cole, querendo algo bom para compensar o desastre que meus pais estavam prestes a me contar.
Liguei para ele. Um toque... dois toques... três...
Cole sempre atendia quando eu ligava.
A tela piscou, indicando que a videochamada havia sido aceita, e a imagem de uma câmera trêmula apareceu, apoiada em algo, num ângulo estranho.
Então, o vi...
Cole...
Ele não estava sozinho.
"Ah, meu Deus, sim... Cole, bem aí..."
A voz aguda e ofegante de uma mulher me atingiu. Por um momento, meu cérebro não conseguiu processar o que estava acontecendo.
Cole estava deitado de costas, sua cabeça apoiada no travesseiro e sua boca aberta enquanto gemia.
Uma garota estava em cima dele, seus cabelos loiros caindo pelas costas enquanto se movia.
"Porra, você é tão gostoso..."
"Sophia... Cristo, Sophia..."
A forma como ele pronunciava o nome dela, como se ela fosse algo precioso... O celular tremia a cada estocada.
Eu deveria ter desligado, jogado meu celular do outro lado do quarto e fingido que nunca tinha visto ou ouvido nada.
No entanto, só fiquei ali, paralisada, como uma idiota, vendo meu namorado de dois anos gemer o nome de outra mulher.
"Deus, estou chegando lá... Cole, estou tão perto..."
As mãos de Cole seguraram os quadris dela e a puxaram com mais força, soltando aquele gemido profundo que eu achava que ele só fazia comigo...
O celular escorregou dos meus dedos, caindo na cama com a tela para cima, mas eu ainda conseguia ouvi-los... os sons obscenos, os gemidos dela, o nome dele na boca dela repetidamente.
Dois anos...
Dois anos passando frio nas arquibancadas para vê-lo jogar. Dois anos dirigindo três horas só para vê-lo no fim de semana. Dois anos usando a camisa do seu time como se tudo isso importasse.
E o tempo todo, ele estava com outra pessoa: alguém chamada Sophia.
Com as mãos tremendo tanto que eu mal conseguia apertar o botão certo, peguei o celular e toquei na tela até a chamada ser encerrada.
"Não chore. Não ouse chorar por ele", me ordenei.
Apesar disso, minha garganta estava apertada e meus olhos ardiam, e eu odiava saber que ainda conseguia ouvir a voz dela na minha cabeça.
Pressionei minhas mãos contra os olhos com tanta força que doeu, tentando me conter.
Ele não valia a pena, não valia uma única lágrima, nem os dois anos que eu havia dedicado a ele, nem nada disso.
Mesmo pensando assim, meu rosto já estava encharcado de lágrimas.
*******
Não me preocupei em arrumar o cabelo ou lavar o rosto antes de descer as escadas, já que não havia sentido algum nisso.
A casa principal cheirava a uma mistura de café e o que quer que minha mãe tivesse assado no início da semana.
No instante em que abri a porta, meus pais me olharam.
"Eu estava prestes a ir te arrastar para fora da..." Minha mãe parou no meio da frase antes de perguntar: "Olive, o que houve?"
Tentei responder, dizer qualquer coisa, mas no momento em que ela perguntou, foi como se uma barragem tivesse se rompido dentro de mim.
Com soluços feios e ofegantes, comecei a chorar.
Grayson imediatamente atravessou a sala em dois passos e me puxou para o seu peito, uma mão nos meus cabelos e a outra nas minhas costas, me abraçando enquanto eu desmoronava.
"Shhh, ei, está tudo bem. Vai ficar tudo bem."
"Peguei ele me traindo", disse com a voz embargada.
Silêncio.
Silêncio absoluto.
Vi a boca da minha mãe se abrir e o maxilar do meu padrasto se contrair.
"Aquele bonitão de Buffalo com o cabelo perfeito?", perguntou minha mãe com a voz afiada e cheia de raiva.
"Olive", Grayson chamou em um tom suave. "Você merece alguém melhor do que ele. Você sempre mereceu."
Eu queria acreditar nele, mas nesse momento, tudo o que conseguia pensar era no rosto de Cole, na forma como ele me olhou da última vez e disse "eu te amo" antes de perguntar se eu poderia buscar a roupa dele na lavanderia.
"Na verdade, temos algo que queremos te contar", disse minha mãe, suavizando o tom, antes de continuar. "Hunter recebeu a ligação. Ele está oficialmente jogando pelo Chicago Wolves."
Meu estômago se revirou. "Ele foi convocado?"
A promessa que eu havia feito há oito meses - "quando você chegar à NHL, estarei na primeira fila do seu primeiro jogo" - se chocou com a dura realidade do rosto de Cole, do seu time, da sua cidade.
Hunter esteve ao meu lado em tudo, em cada término, em cada dia ruim, e em cada momento em que precisei de alguém que entendesse como era ser a parte dispensável na história de outra pessoa.
"O jogo é na próxima semana. Sei que o momento é complicado", acrescentou Grayson baixinho.
"Cole está naquele time. Não posso..." Minha voz falhou. "Não posso vê-lo agora."
"Então não olhe para ele. Você fez uma promessa ao seu irmão", disse minha mãe bruscamente.
A culpa se instalou no meu peito porque ela estava certa - eu havia prometido. Na época que parecia um sonho distante, algo doce e hipotético, brincávamos sobre isso enquanto comíamos pizza e assistíamos a filmes ruins.
Agora, isso se tornou real, e o momento não poderia ser pior.
"Temos ingressos para o primeiro jogo dele. Com acesso exclusivo..."
"Não sei se consigo ir."
Grayson apertou meu ombro. "Hunter entenderá se você não puder ir, mas ele quer muito que você esteja lá, querida."
Minha mãe peguei uma revista na mesa de centro e a colocou no meu colo. "Esse é o seu irmão. Na capa da Sports Illustrated."
Olhei para o rosto de Hunter me encarando da capa.
A manchete dizia: "Sangue novo na área: a arma secreta dos Wolves".
O orgulho cresceu dentro de mim, Como ele havia trabalhado tanto para isso...
Virei a página, tentando me concentrar em qualquer coisa que não fosse a ideia de ter que ver Cole novamente.
O que vi fez meu corpo inteiro ficar paralisado.
Era um anúncio de uma bebida energética, mas eu mal conseguia identificar qual era o produto.
O homem na foto estava com a camisa meio desabotoada, e seus músculos eram tão definidos que nem pareciam reais. A bebida energética estava inclinada contra sua boca, o líquido escorrendo pelo seu lábio inferior, pingando pelo seu queixo e pescoço.
Seus olhos eram intensos, em um tom azul frio, olhando diretamente para a câmera como se pudesse ver através da página.
Como se ele pudesse me enxergar...
Senti minhas coxas se contraírem.
"Olive?" A voz de Grayson me trouxe de volta à realidade, me fazendo perceber que estava olhando para a foto há tempo demais.
"Sim, desculpe. Eu só..." Limpei a garganta. "Quem é este cara?"
A expressão de Grayson se transformou, sombria e tensa, enquanto ele segurava sua caneca de café com tanta força que pensei que ela poderia se quebrar.
"Zane Mercer", ele disse de uma forma que parecia que o nome o machucava fisicamente.
"Quem?"
"Meu inimigo", ele respondeu em um tom completamente neutro.
"Seu inimigo? O que você é, um supervilão por acaso?"
"Ele é o melhor jogador da NHL e tem infernizado a vida de Grayson desde que começou a treinar. Aquele homem fez coisas que o forçaram a deixar o jogo completamente", disse minha mãe, com uma voz cautelosa.
Eu já havia ouvido histórias ao longo dos anos, referências vagas sobre alguém que havia arruinado tudo, alguém poderoso e intocável que destruiu a carreira de treinador de Grayson, mas nunca soube o nome dele.
Zane Mercer, o melhor jogador do Chicago Wolves e, aparentemente, a última pessoa que Grayson queria que eu pensasse.
Olhei para a foto novamente, para aqueles olhos azuis frios, o maxilar ameaçador e o corpo que parecia ter sido esculpido em pedra.
Pelo menos se eu tivesse que passar uma semana em Chicago vendo meu ex-namorado fingir que eu não existia, haveria algo que valeria a pena ver.
Fechei a revista e me levantei, a colocando debaixo do braço antes que qualquer um deles pudesse pegá-la de volta.
"Está bem. Vou para Chicago."
Minha mãe me encarou com os olhos arregalados. "Sério?"
"Sério." Olhei para Grayson. "Prometi a Hunter que estaria lá para o primeiro jogo dele. Não vou quebrar esta promessa só porque Cole se revelou um idiota."
A expressão de Grayson se suavizou, o alívio se misturando a um toque de orgulho.
"Além disso", acrescentei, tentando parecer casual, embora meu coração estivesse acelerado. "Talvez assistir a um jogo de hóquei me ajude a seguir em frente."
Ponto de vista de Olive
"Não vou ao jogo. O que diabos estava pensando?"
Bati a testa na mesa com força. O monitor até tremeu. Eu estava prestes a tomar uma decisão importante na vida com base numa foto de revista?
"Você não pode voltar atrás agora. Já concordou", respondeu Brenda, sem sequer tirar os olhos do computador.
"A única razão pela qual eu queria ir era porque vi um cara gostoso numa revista. Numa revista, Brenda, numa revista! Isso é loucura."
"E daí? Acho isso perfeitamente razoável", disse ela, continuando a digitar. "Não é todo dia que alguém encontra seu novo amor segundos depois de um término."
"Não estou tentando encontrar um novo amor..."
"Para quê? Ficar aqui e pensar demais até se convencer de que a traição de Cole foi culpa sua?" Ela parou de digitar e se virou para me encarar. "Já estou vendo. Você está entrando em crise."
Ela tinha razão.
"E se eu não estivesse presente o suficiente? E se a distância fosse muito difícil...", murmurei.
Brenda se levantou e se apoiou na minha mesa. "Tudo bem, pare com isso. Pare agora mesmo. Só vou dizer uma vez: pare de ser uma vadiazinha chorando por um pau medíocre."
Instantaneamente, fechei a boca.
"Estou falando sério, Olive. Cole Maddox é medíocre no hóquei, medíocre na cama. Sim, você me contou quando estava bêbada, então não negue. E aparentemente medíocre na fidelidade. Você passou dois anos na chuva assistindo aos treinos dele, dirigiu três horas para vê-lo no banco de reservas, e é assim que ele te retribui? Que se foda ele."
"Eu sei, mas..."
"Mas nada. Você vai para Chicago. Prometeu a Hunter há meses que estaria lá para o primeiro jogo dele na NHL. Essa promessa não tem nada a ver com Cole, mas sim com seu irmão, que sempre te apoiou."
Mais uma vez, ela tinha razão. Hunter vinha me pedindo para ir aos jogos desde que assinou com o time de base, e embora na época a ideia de ele chegar à NHL parecesse um sonho distante, agora era real, e eu havia prometido estar lá.
"Tudo bem, entendi."
"Ótimo. Agora pare de pensar demais e...", ela parou no meio da frase, seus olhos fixos em algo atrás de mim. "Ah, merda."
Quando me virei para seguir seu olhar, vi do que se tratava.
TV.
E bem ali, ocupando toda a tela, estava o rosto de Cole.
Meu estômago se revirou.
Ele estava bonito, seu cabelo loiro perfeitamente penteado e olhos cinzentos que pareciam prateados sob as luzes da câmera.
Contudo, não foi isso que me fez prender a respiração.
Uma mulher estava debaixo do braço dele, pressionada contra seu corpo como se pertencesse a ele.
Ela era deslumbrante, com cabelos loiros caindo em ondas perfeitas e um vestido vermelho que realçava cada curva.
Ela estava rindo, inclinando a cabeça para trás e apoiando a mão no peito de Cole, seus dedos abertos como se ela fosse dona dele.
Então, reconheci: aquele cabelo... era exatamente o cabelo que eu vira caindo pelas costas na videochamada.
A voz da repórter ecoou no escritório: "Cole Maddox foi visto ontem à noite com sua suposta nova namorada, Sophia Mercer, a bordo de um cruzeiro particular."
Um texto em branco apareceu sob o rosto dela.
Sophia Mercer, 23 anos.
"Mercer."
"Ela é parente dele", sussurrei.
Os dedos de Brenda já voavam pelo teclado. "Deixe eu verificar... ah, caramba. Olive."
Então, ela virou o monitor na minha direção.
Zane Mercer - o melhor jogador da NHL do Chicago Wolves. Uma irmã: Sophia Mercer, 23 anos.
Havia uma foto de ação de Zane no gelo, sem capacete, com o cabelo escuro de suor, o maxilar cerrado e os olhos brilhando de fúria.
Ele parecia perigoso. Poderoso.
Eu já havia visto essa foto antes.
De repente, a ficha caiu.
A voz de Brenda soou distante quando ela me chamou: "Olive?"
Seis meses depois de Cole e eu começarmos a namorar, eu estava procurando uma caneta na bolsa de treino dele e acabei encontrando uma foto dentro do seu bloco de notas, dobrada e escondida lá dentro.
Era essa foto.
"Quem é esse?", perguntei.
Cole a arrancou das minhas mãos, o rosto vermelho e o maxilar tenso.
"Não toque. Nunca mexa nas minhas coisas, Olive", ele disse num tom ríspido.
Depois, se acalmou, beijou minha testa e disse que estava estressado, mas nunca chegou a explicar a foto.
Acabei me esquecendo disso, até agora.
"Já vi antes", murmurei.
"O quê?"
"Zane. Esta foto. Cole a tinha escondida na bolsa de treino dele há um ano e meio. Quando a encontrei por acaso, ele surtou, ficou todo estranho e na defensiva."
Os olhos de Brenda se arregalaram. "Então Cole estava obcecado por Zane durante todo o relacionamento de vocês?"
Meu estômago se revirou. "Você acha que ele está com Sophia só para se aproximar de Zane?"
"Meu Deus, isso faz sentido", disse Brenda, já abrindo o Instagram de Sophia. "Olhe."
Foto após foto, Sophia estava nos jogos, nos camarotes VIP, cercada por jogadores.
E em várias das fotos, um pouco desfocado ao fundo, lá estava Zane.
"Cole deve ter visto isso e a usou para ter acesso."
"Nunca fui suficiente para ele porque não estava ligada às pessoas certas."
Brenda segurou meu rosto. "Ei, não se atreva a dizer uma coisa dessas. Cole é um merda que só quer subir na vida e usa as pessoas. Você era boa demais para ele."
Meu celular vibrou sobre a mesa.
Era um e-mail. De Cole.
Eu não queria abri-lo, mas acabei cedendo.
'Sinto muito, Olive. Nunca quis que as coisas terminassem assim, mas alcancei um novo patamar na minha carreira e preciso de alguém que esteja à altura, alguém capaz de me ajudar a crescer. Você foi ótima para o momento em que eu estava, mas agora preciso de mais. Espero que entenda.'
O celular escapou dos meus dedos.
"Alguém capaz...", repeti em voz baixa, sentindo um nó na garganta.
Ele tinha acabado de me dizer que eu não era capaz o suficiente. Depois de dois anos. Depois de tudo.
Brenda pegou meu celular, e seu rosto passou da preocupação à pura fúria enquanto lia. "Depois de você tê-lo pego te traindo, ele te manda um e-mail de término te chamando de incapaz?!"
Eu não conseguia respirar.
"Espere, há mais", disse ela, mexendo no seu celular. "Estou pesquisando sobre ele desde ontem. Encontrei as fotos marcadas no Instagram, as que ele tentou desmarcar. Olive, olhe."
Era uma foto de Cole com uma mulher de cabelo vermelho.
Definitivamente não era Sophia, mas outra pessoa.
Eles estavam numa casa de praia, com os braços em volta um do outro e as bocas coladas.
A data indicava nove meses atrás.
"Nove meses...", murmurei para mim mesma.
"Há outra, de dois meses atrás, com uma garota diferente. Caramba, Olive, há pelo menos cinco mulheres diferentes no último ano."
Olhei para a tela. Para as provas. Para o padrão.
"Você vai para aquele jogo." Seus olhos eram ferozes. "Vai entrar lá com uma aparência arrasadora, de cabeça erguida."
"Não quero me vingar..."
"Não é sobre vingança. É sobre você se lembrar de quem você é. Você é Olive Monroe. É inteligente, bonita e não aceita merda de ninguém quando não está sendo manipulada por homens medíocres", ela disse, apertando meu braço.
Olhei para o e-mail novamente, e as palavras 'Alguém capaz... ' ecoaram na minha mente.
Que se foda ele!
"Vou", eu disse.
Brenda abriu um sorriso. "Essa é minha garota."
"Vou apoiar Hunter. Meu meio-irmão sempre foi bom para mim e prometi que estaria lá." Minha voz ficou mais forte. "Vou ficar tão gostosa que, se Cole me vir, vai engasgar com a própria merda."
Respirei fundo. Pela primeira vez desde aquela videochamada, não parecia que meu peito estava desmoronando.
Parecia raiva.
Parei, olhando de volta para a foto de Zane no computador de Brenda. Aqueles olhos azuis frios. Aquela energia perigosa.
O homem cuja irmã Cole estava usando. O homem que meu padrasto odiava. O homem que, de alguma forma, tinha se envolvido em tudo isso sem nem saber que eu existia.
"E Zane?", perguntei baixinho.
Brenda arqueou uma sobrancelha. "Acho que Zane é exatamente em quem você deveria estar pensando."
Ponto de vista de Olive
Quando eu disse que tinha um plano, estava mentindo descaradamente.
Eu era uma mulher de vinte e quatro anos, parada no saguão de um hotel de luxo, vestindo um moletom com capuz e leggings largos. O cabelo, preso num coque bagunçado, parecia ter desistido da vida em algum lugar sobre o Iowa.
Minha única estratégia era: não pensar no Cole e sobreviver a esta semana sem ter um colapso em público.
Era isso. Esse era o plano.
Três dias haviam se passado desde aquele colapso no escritório. Passei três dias empacotando e reempacotando aquelas malas estúpidas que Brenda tinha enchido com "trajes de vingança" que eu provavelmente nunca usaria.
E uma mensagem de texto do Cole que apaguei sem ler.
O voo durou seis horas, durante as quais minha mãe não parava de tagarelar sobre a grande oportunidade de Hunter, Grayson fazia ligações de negócios e eu fingia dormir.
Agora estávamos aqui. Chicago. O hotel.
E puta merda, que hotel.
Pisos de mármore se estendiam infinitamente sob lustres. Janelas do chão ao teto davam vista para o horizonte de Chicago. E em todo lugar - literalmente em todo lugar - havia pessoas.
Pessoas bonitas com roupas caras. Flashes de câmeras. Repórteres gritando perguntas.
Jogadores de hóquei.
Dava para saber pelo jeito que se moviam. Aquela confiança casual. O jeito como todos abriam caminho para eles como se fossem da realeza.
"O que você acha, Olive?" Minha mãe estava praticamente vibrando de empolgação.
"Mãe", a interrompi. "Estou aqui pelo Hunter. Só isso."
"Diane, deixe-a respirar", disse Grayson, apertando meu ombro. "Vamos, vamos fazer o check-in."
Eu os segui em direção à recepção, tentando manter minha cabeça baixa, mas quando levantei o olhar para ver para onde estávamos indo, meus pais tinham desaparecido.
Sumidos.
"Você só pode estar de brincadeira comigo."
Eles já tinham feito isso antes. Minha mãe se distraía e se afastava, e de repente eu me via sozinha, sem saber para onde diabos eles foram.
Peguei meu celular, procurando o contato dela.
"Ah, graças a Deus, estava te procurando por toda parte!"
Duas mãos agarraram meu braço antes que eu pudesse reagir.
Dei um gritinho, tropeçando enquanto alguém me puxava para longe da área da recepção.
"Espere... acho que você pegou a pessoa errada..."
"Sem tempo! A equipe está esperando e já estamos quinze minutos atrasados." A mulher que me arrastava - uns quarenta e poucos anos, olhar aguçado, movimentos rápidos - me apressou. "Por que você estava aí parada? Vamos..."
"Senhora, sério, houve um engano..."
Ela passou um cartão-chave em uma porta enorme e me empurrou para dentro antes que eu pudesse protestar.
Tropecei para dentro da sala e congelei.
Não era um quarto de hotel, mas uma sessão de fotos.
Equipamentos de iluminação montados por toda parte. Um pano de fundo que parecia pertencer a uma revista.
Que diabos era isso?
"Sei que é avassalador", disse a mulher. "Mas esta oportunidade é enorme. Seu contato realmente moveu os pauzinhos para te trazer aqui."
Minha cabeça virou bruscamente em sua direção. "Meu contato?"
Ela sorriu. "Seu irmão. Hunter Sinclair? Ele se esforçou muito para que isso acontecesse para você."
Meu cérebro deu um curto-circuito. "Hunter fez o quê?"
"Você vai liderar a sessão de fotos do anúncio hoje. O senhor Mercer pediu especificamente que o diretor de criação fosse alguém jovem, com um olhar novo, e quando Hunter mencionou que você estava vindo para a cidade..."
"Espere, senhor Mercer? Tipo..."
Uma porta do outro lado da sala se abriu.
E todos os pensamentos em minha cabeça evaporaram.
Um homem saiu.
Alto. Ombros largos. Sem camisa.
Meus olhos foram direto para o peito dele - oito gominhos perfeitos, pele bronzeada que parecia ter sido mergulhada em ouro sob as luzes do estúdio.
Não, isso não era real.
Meu olhar subiu.
Mandíbula marcada. Cabelo escuro, bagunçado como se ele tivesse acabado de passar as mãos por ele. E então seus olhos.
Azuis. Penetrantes. Frios.
Fixos diretamente nos meus.
Zane Mercer.
Ele estava parado ali, com uma calça preta de cintura baixa, sem camisa - parecia ter saído direto de uma foto de revista, mas era ainda melhor, porque era real e estava bem ali.
Eu ia morrer em um quarto de hotel de luxo olhando para um abdômen que não parecia humano.
"Senhor Mercer, peço desculpe pelo atraso." A mulher deu um passo à frente. "Esta é Olive Monroe, a diretora de criação de quem falamos."
"Não tem problema, Sheila." A voz dele era grave, suave. "Estou pronto quando ela estiver."
Seus olhos nunca deixaram os meus.
E odiei a reviravolta em meu estômago, o calor que subiu pelo meu pescoço, a contração involuntária das minhas coxas.
"Maravilha! Senhorita Monroe, pode assumir a partir daqui. Estarei do lado de fora se precisar de algo."
Abri a boca, mas nada saiu.
Os lábios de Zane se contraíram. Como se ele soubesse exatamente o efeito que causava, parado ali seminu, a ponto de me fazer esquecer como formar frases.
"Pode ir, Sheila", ele disse. "Só preciso ficar a sós com minha diretora de criação."
Sheila me lançou um olhar - preocupação misturada com inveja - antes de sair de fininho.
A fechadura clicou.
Apenas nós dois.
O silêncio se estendeu.
Ele não se moveu, nem falou. Apenas ficou ali, de braços cruzados frouxamente, esperando.
Eu me forcei a respirar e a encontrar minha voz.
"Olha, não sei o que está acontecendo, mas não sou diretora de criação. Aquela mulher me agarrou no saguão e me arrastou até aqui pensando que eu era outra pessoa. Então, seja lá o que for isso, você pegou a pessoa errada e eu só... vou embora." As palavras saíram mais ríspidas do que eu pretendia.
Ele inclinou a cabeça, me estudando.
O jeito que me olhava - como se estivesse descascando camadas, vendo coisas que eu não queria que fossem vistas - fazia minha pele parecer apertada demais.
"É mesmo?" Sua voz era baixa, quase divertida.
"Sim. Então, se me der licença..." Virei-me em direção à porta.
"Você realmente acha que isso foi um engano, Olive?"
Meu nome na boca dele me paralisou.
Virei-me lentamente. "Como você sabe meu nome?"
Ele se endireitou e deu um passo em minha direção, apenas um, mas a sala encolheu.
"Sei que você não é uma diretora de criação", ele continuou, a voz baixando ainda mais. "Sei exatamente quem você é."
Meu coração bateu com força nas minhas costelas. "Então por que..."
"E sei exatamente por que você está aqui."
A tensão era palpável entre nós.
Eu queria me mover. Sair. Colocar distância entre nós.
Porém, não conseguia.
Porque o jeito que ele estava me olhando - como se eu fosse um quebra-cabeça que ele já tinha resolvido - deixava bem claro.
Não foi um acidente.
"O que você quer dizer? Estou aqui para apoiar meu meio-irmão. Só isso." Minha voz saiu mais firme do que me sentia.
Seus lábios se curvaram, levemente. "É isso que você disse a si mesma?"
"É a verdade."
"Então por que concordou em vir depois de ver minha foto naquela revista?"
Minha respiração falhou.
Como ele...
"Seu padrasto me odeia", Zane continuou, dando outro passo em minha direção. "Há anos. Sua mãe conhece a história. E ainda assim você concordou em vir para Chicago, para um jogo onde sabia que eu estaria jogando, logo depois de pegar seu namorado traindo."
Outro passo.
"Então me diga, Olive. Por que você está realmente aqui?"
Eu não conseguia respirar. Não conseguia pensar além da pulsação em meus ouvidos.
"Não sei do que está falando."
"Não sabe?" Ele estava perto o suficiente agora para que eu pudesse ver uma cicatriz sutil acima de sua sobrancelha, tão perto que tive que inclinar a cabeça para trás para manter o contato visual. "Deixe-me simplificar as coisas para você."
Ele parou bem na minha frente.
O calor irradiava dele. Aquele cheiro masculino, caro e limpo que me deixou tonta.
"Tenho uma proposta", ele disse baixinho. "Uma que beneficia a nós dois. Mas primeiro, preciso saber de uma coisa."
"O quê?", sussurrei.
Seus olhos se fixaram nos meus.
"O que você está disposta a me dar?"