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Silêncio Ensurtdecedor: Onde Estavas, Marido?

Silêncio Ensurtdecedor: Onde Estavas, Marido?

Autor:: Alanna Du bois
Gênero: Romance
O funeral do meu pai acabou. Três dias se passaram e o meu marido, Diogo, ainda não apareceu. Ligo para ele, mas a chamada vai para a caixa postal. Envio mensagem. Apenas um tique cinzento. Estou em casa, sozinha, com o cheiro a flores velhas e a ausência dele. Não. Ele não estava "ocupado". Ele estava com a ex-namorada dele, Bia. O pai dela morreu no mesmo acidente que o meu, um acidente que a família do Diogo insiste em culpar o meu pai. "O Diogo está com a Bia?" , a minha voz quase não sai. "Claro" , responde a Sofia, minha cunhada, sem me olhar. "Ela precisa dele. O pai dela morreu por causa do teu pai!" As palavras da minha sogra, Dona Elvira, eram veneno puro. "Não sejas dramática, Clara. O teu pai já morreu. Não adianta chorar." A casa transformou-se num campo de batalha onde eu era a inimiga. Diogo não só me abandona no meu luto, como me vê chamando-a de "egoísta" e desliga. Depois, vejo a foto. Bia abraçada ao Diogo, ele beija-lhe a testa. A legenda: "Obrigada por estares aqui comigo no pior momento da minha vida, Di. Não sei o que faria sem ti. ❤️" Sinto o estômago a revirar. Vomito a bílis amarga. Estou pálida, com olheiras. Um fantasma. Ele não atende as minhas chamadas, mas está ativo nas redes sociais. A decisão forma-se na minha mente, clara e fria. Pego no telemóvel e envio uma mensagem ao Diogo. "Vamos divorciar-nos." Saio de casa com a minha mala e sem olhar para trás. Este não é o fim da minha história. É apenas o começo.

Introdução

O funeral do meu pai acabou.

Três dias se passaram e o meu marido, Diogo, ainda não apareceu.

Ligo para ele, mas a chamada vai para a caixa postal.

Envio mensagem. Apenas um tique cinzento.

Estou em casa, sozinha, com o cheiro a flores velhas e a ausência dele.

Não. Ele não estava "ocupado".

Ele estava com a ex-namorada dele, Bia.

O pai dela morreu no mesmo acidente que o meu, um acidente que a família do Diogo insiste em culpar o meu pai.

"O Diogo está com a Bia?" , a minha voz quase não sai.

"Claro" , responde a Sofia, minha cunhada, sem me olhar.

"Ela precisa dele. O pai dela morreu por causa do teu pai!"

As palavras da minha sogra, Dona Elvira, eram veneno puro.

"Não sejas dramática, Clara. O teu pai já morreu. Não adianta chorar."

A casa transformou-se num campo de batalha onde eu era a inimiga.

Diogo não só me abandona no meu luto, como me vê chamando-a de "egoísta" e desliga.

Depois, vejo a foto.

Bia abraçada ao Diogo, ele beija-lhe a testa.

A legenda: "Obrigada por estares aqui comigo no pior momento da minha vida, Di. Não sei o que faria sem ti. ❤️"

Sinto o estômago a revirar. Vomito a bílis amarga.

Estou pálida, com olheiras. Um fantasma.

Ele não atende as minhas chamadas, mas está ativo nas redes sociais.

A decisão forma-se na minha mente, clara e fria.

Pego no telemóvel e envio uma mensagem ao Diogo.

"Vamos divorciar-nos."

Saio de casa com a minha mala e sem olhar para trás.

Este não é o fim da minha história. É apenas o começo.

Capítulo 1

O funeral do meu pai acabou há três dias, e o meu marido, Diogo, ainda não apareceu.

Ligo para ele, mas a chamada vai direto para a caixa postal.

Envio-lhe uma mensagem no WhatsApp. Apenas um tique cinzento. Ele desligou o telemóvel ou bloqueou-me.

A casa está silenciosa. O ar está pesado, com o cheiro a flores velhas e a café frio.

Na sala, a minha sogra, a Dona Elvira, está sentada no sofá, a ver televisão em volume alto.

Ela olha para mim com desprezo.

"Ainda estás com essa cara de enterro? O teu pai já morreu, não adianta chorar."

A minha cunhada, a Sofia, que está a lixar as unhas, acrescenta:

"Exatamente. E o Diogo está ocupado a ajudar a Bia. Ela está a passar por um momento tão difícil."

Bia. A ex-namorada do meu marido.

O pai dela também morreu, no mesmo dia que o meu.

Um acidente de carro. Os dois estavam no mesmo veículo. O meu pai conduzia.

"O Diogo está a ajudar a Bia?", pergunto, a minha voz sai mais baixa do que eu queria.

"Claro", responde a Sofia, sem me olhar. "O pai dela também morreu. Ela está sozinha, coitadinha. Não tem mais ninguém."

"Eu também não tenho mais ninguém", digo eu. "O meu pai era tudo o que eu tinha."

A Dona Elvira ri-se, um som seco e desagradável.

"Não sejas dramática, Clara. Tu tens a nós. A Bia não tem essa sorte."

"Além disso", continua a Sofia, "o meu irmão sente-se culpado. Se não fosse o teu pai a insistir em ir àquela reunião estúpida, o Senhor Almeida ainda estaria vivo."

A culpa. É isso.

Eles culpam o meu pai pelo acidente.

E o meu marido, em vez de me consolar, está a consolar a mulher que ele deveria ter esquecido há muito tempo.

O meu coração fica pesado. Sinto uma náusea.

"Vou para o meu quarto", digo, virando as costas.

"Melhor mesmo", ouço a Dona Elvira a resmungar. "Pelo menos lá não temos de olhar para essa tua cara."

Fecho a porta do quarto e encosto-me a ela.

O silêncio aqui é diferente. É um silêncio que grita a ausência do meu pai. E agora, a ausência do meu marido.

Pego no meu telemóvel. Abro o Instagram.

A primeira coisa que vejo é uma foto publicada pela Bia.

Ela está abraçada ao Diogo. Os olhos dela estão vermelhos de choro, e ele beija-lhe a testa. A legenda diz: "Obrigada por estares aqui comigo no pior momento da minha vida, Di. Não sei o que faria sem ti. ❤️"

A foto foi tirada na casa dela. Reconheço o papel de parede.

O meu marido está na casa da ex-namorada dele.

Sinto o meu estômago a revirar. Corro para a casa de banho e vomito.

Não há nada no meu estômago, só bílis amarga.

Quando me levanto, olho para o meu reflexo no espelho.

Estou pálida, com olheiras profundas. Pareço um fantasma.

O Diogo não me atende, mas está ativo nas redes sociais.

A decisão forma-se na minha mente, clara e fria.

Pego no telemóvel e envio uma mensagem ao Diogo.

"Vamos divorciar-nos."

Capítulo 2

Desta vez, a resposta é quase imediata. O meu telemóvel vibra na minha mão.

É o Diogo.

"Ficaste maluca? Divórcio? Agora?"

A sua voz, através da chamada, está cheia de raiva, não de preocupação.

"O teu pai acabou de morrer e já estás a pensar em divórcio? Não tens respeito por nada?"

"Respeito?", a minha voz treme. "Tu estás na casa da tua ex-namorada a consolá-la enquanto a tua mulher está de luto sozinha. Onde está o teu respeito por mim, Diogo?"

Ouve-se um silêncio do outro lado. Consigo ouvir a voz da Bia ao fundo, a perguntar o que se passa.

"A Bia precisa de mim, Clara. O pai dela morreu por causa do teu!"

A acusação atinge-me com força. O ar falta-me nos pulmões.

"O meu pai não teve culpa. Foi um acidente."

"Um acidente que ele podia ter evitado! Ele estava a conduzir! Ele é o responsável!"

"E tu és meu marido! A tua responsabilidade é comigo!"

"A minha responsabilidade é fazer o que é certo! E agora, o certo é estar aqui com a Bia. Ela está devastada, não tem o apoio que tu tens."

"Que apoio? A tua mãe e a tua irmã, que me culpam pela morte do pai delas?"

"Elas estão apenas a dizer a verdade! Para de ser egoísta! O mundo não gira à tua volta, Clara. Cresce!"

Ele desliga.

Olho para o ecrã do telemóvel, incrédula.

Egoísta. Eu sou a egoísta.

As lágrimas que segurei durante dias finalmente caem. Choro silenciosamente, o corpo a tremer com soluços que não fazem barulho.

Choro pelo meu pai. Choro pelo meu casamento desfeito. Choro pela mulher que me tornei, uma sombra na minha própria casa.

Passados uns minutos, o meu telemóvel toca outra vez. É a Dona Elvira. Atendo.

"Clara! O que é que disseste ao meu filho? Ele ligou-me, furioso! Divórcio? Tu atreves-te?"

A sua voz é estridente.

"Como é que podes ser tão cruel? O Diogo já se sente culpado o suficiente pela morte do pobre do Senhor Almeida, e tu ainda lhe fazes isto? Tu não tens coração?"

"Eu não fiz nada", respondo, a voz rouca do choro. "Foi ele que me abandonou."

"Abandonou? Ele está a ser um homem de verdade, a assumir a responsabilidade! Coisa que o teu pai não fez! Se queres culpar alguém, culpa o teu pai por ter matado um homem inocente!"

Ela desliga na minha cara.

O veneno nas palavras dela queima.

Olho à volta do quarto. As nossas fotos de casamento na parede parecem uma piada. O Diogo a sorrir, a abraçar-me. Era tudo mentira?

Pego numa mala de viagem debaixo da cama.

Começo a arrumar as minhas coisas. Roupas, livros, as poucas recordações que tenho da minha mãe.

Não posso ficar aqui mais um minuto.

Esta casa não é o meu lar. Talvez nunca tenha sido.

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