Atualmente curso administração. Sempre fui uma pessoa reservada, com poucos amigos.
Nunca tive um relacionamento, mesmo aos vinte anos. Essa foi uma escolha minha; sempre preferi focar nos estudos em vez de namorar. Agora, até poderia considerar um relacionamento, mas minha vida mudou drasticamente.
Tudo começou quando policiais vieram à minha porta para dar a notícia devastadora de que as pessoas mais importantes da minha vida haviam sofrido um acidente e não sobreviveram. Desde aquele dia fatídico, meu mundo desabou. A dor de perder meus pais foi insuportável; chorei incessantemente, e o luto me consumiu. Isolada, passei muito tempo trancada no meu quarto, perdida em minha tristeza, sem saber como enfrentar a vida sem eles. Minha amiga Naná ficou preocupada, mas não sabia como me ajudar enquanto eu lutava contra o desejo de estar com meus pais novamente.
Por que eu não estava com eles? Assim, morreríamos todos juntos.
Eu sei que isso é um pensamento irracional, e talvez eu devesse agradecer por estar viva. Mas, no meio dessa dor imensa, essa é a única coisa que passa pela minha cabeça.
O funeral foi lotado. Amigos dos meus pais vieram de todos os lados. Eu mal conseguia prestar atenção nas palavras de conforto que todos repetiam:
"Meus pêsames, sinto muito..."
A cada vez que ouvia, era como se algo dentro de mim se partisse um pouco mais. Tudo o que eu queria era gritar.
E quando finalmente vi a cremação dos meus pais, senti uma dor tão profunda que pensei que não seria possível continuar respirando. Por que dói tanto?
Perguntei isso inúmeras vezes para Naná, mas nem ela sabia o que dizer. Na verdade, acho que ninguém saberia.
Até minha tia, que mora em Londres, veio com minha prima Paty. Não sabia se elas conseguiriam chegar a tempo, mas como única irmã, minha tia precisava se despedir. Elas se falavam quase todos os dias; o vínculo era forte, já que meus avós se foram cedo, deixando-as sozinhas no mundo.
É engraçado como, de repente, tudo muda. E, em um instante, parece que um buraco se abre no nosso peito, uma ferida que parece impossível de cicatrizar.
Minha tia precisou voltar para Londres depois do funeral. Ela me chamou para ir com ela, mas recusei. Minha vida era aqui, no Rio de Janeiro, por mais difícil que estivesse.
Com o tempo, a dor começou a amenizar, embora nunca tenha realmente desaparecido. Os negócios do meu pai... não consegui lidar com eles. Pedi ao advogado da família que vendesse tudo. Não tinha interesse em administrar os inúmeros imóveis que ele possuía.
Agora, moro em uma cobertura enorme no Leblon. Um lugar que parece ter ficado ainda maior e mais vazio, apenas eu e Naná tentando preencher o silêncio deixado por aqueles que se foram.
Naná era minha babá desde que eu tinha seis anos. Desde a morte dos meus pais, ela tem sido meu pilar, me dando todo o apoio e carinho para que eu não afunde no vazio. Talvez por isso eu tenha decidido começar a trabalhar em uma empresa de Arquitetura.
Sou formada em administração, mas nunca exerci a profissão. Mesmo assim, tentei manter a cabeça ocupada. Finjo que está tudo bem, mas a verdade é que ainda estou aprendendo a viver sem meus pais. Um dia de cada vez.
Foi nesse ambiente novo, logo ao chegar na empresa, que meus olhos encontraram o homem mais lindo que eu já tinha visto. Loiro, com olhos azuis penetrantes e um corpo atlético que nem mesmo o terno sob medida conseguia esconder. Ele era simplesmente de tirar o fôlego.
Meu coração disparou na mesma hora. Foi como se, em um instante, eu tivesse me apaixonado perdidamente. Será que amor à primeira vista realmente existe? Se não, acabei de descobrir que existe, porque fiquei completamente hipnotizada por aquele homem.
Fiz vários cursos na área de administração e idiomas, com a ideia de um dia trabalhar no negócio da minha família. Meu pai sempre dizia que eu seria a herdeira de sua rede de imobiliárias, mas eu nunca me vi como uma empresária. Pelo menos, não agora. Talvez um dia.
Lembro de quando meus pais chegavam em casa e me contavam como tinha sido o dia deles no trabalho. Sempre tão atentos e carinhosos, queriam saber cada detalhe do meu dia também. Eles eram o meu mundo. Às vezes, depois das aulas, eu ia ao escritório deles, correndo pelos corredores e brincando com meu pai. Os dois trabalhavam juntos e, dizem, eu herdei a beleza da minha mãe. Ela era ruiva, com olhos verdes, e todos dizem que nos parecemos muito.
Mesmo com tanto amor e tantas lembranças boas, eu sabia que não podia assumir o controle dos negócios da família. Não tinha cabeça para isso. Eu só tinha vinte anos, não tinha amigos, e não me via pronta para lidar com uma rede de imobiliárias. Vendi tudo, porque não queria ficar presa a memórias dolorosas.
Hoje, sou uma mulher rica, herdeira de uma grande fortuna. Mas a riqueza não preenche o vazio. Então, decidi trabalhar. A vaga de administração na empresa já estava ocupada, então aceitei o cargo de secretária. Não é o que eu imaginei para mim, mas por enquanto, é o suficiente para me manter em movimento.
Pelo menos, trabalhando, eu não ficaria em casa o tempo todo pensando nos meus pais. Eu precisava ocupar minha mente, e agora ia começar como secretária do meu novo chefe, o irresistível senhor Guilherme Werkema. Eu começaria na segunda-feira.
Decidi não ir para a empresa com meu carro. Ninguém lá sabe que sou rica, e não precisam saber. Como eu explicaria o fato de estar ali se não precisasse trabalhar? Quem eu sou de verdade não importa. O que importa é que eu preciso me manter ocupada, e se o cargo de secretária foi o que apareceu, vou acompanhá-lo com prazer.
Só porque nunca trabalhei antes, não significa que eu não seria capaz de ser uma ótima secretária. Ainda mais para aquele pedaço de mau caminho que é o meu chefe. Para evitar chamar atenção, vou de táxi ou metrô. De jeito nenhum vou aparecer com meu Range Rover vermelho, que grita "dinheiro". Ninguém precisa saber do meu estilo de vida.
Pensando bem, talvez fosse mais fácil se eu comprasse um carro mais simples. Um que não levantasse suspeitas. Nunca andei de ônibus na vida, mas sempre ouvi a Naná reclamar que é um inferno, principalmente quando está lotado.
Então está decidido: vou comprar um carro novo, mais modesto. Algo discreto, que combina com essa nova fase da minha vida. Amanhã, depois do trabalho, vou à concessionária e resolvo isso. Não quero que ninguém descubra que sou milionária.
A verdade é que eu não preciso desse trabalho. Tenho mais dinheiro do que poderia gastar em várias vidas. Mas trabalhar é o que me mantém em movimento, é o que me ajuda a seguir em frente e, de alguma forma, me distrai da ausência dos meus pais, que, apesar de tudo, nunca saem do meu coração e pensamentos.
Chegou a segunda-feira e, junto com ela, a minha ansiedade. Mal podia esperar para começar o dia, só para ver aquele homem que, apesar de toda a arrogância, havia despertado algo em mim desde o primeiro momento que o vi. Meu coração, coitado, não tinha culpa de estar alimentando esses sentimentos.
A loucura começou cedo. Eu sonhei com ele, sendo que nem o conheço direito, apenas sei que será meu chefe. Estou enlouquecendo, não tem outra explicação.
Na segunda-feira, ele não perdeu tempo: me entregou uma pilha de documentos para digitalizar. "Hoje eu não saio daqui", pensei. Ele é um verdadeiro demônio... e eu completamente louca por ele.
O pior é que ele nem sequer olhou para mim. Como se isso já não fosse suficiente, logo apareceu uma mulher deslumbrante, perguntando:
- O Guilherme está?
Respondi de forma automática:
- Um instante, por favor... Senhor Guilherme, tem uma senhorita procurando por você.
Ele apenas disse para deixá-la entrar e, claro, desligou na minha cara. Que grosseria!
Esse homem não sabe o que é "por favor" ou "obrigado". E a mulher entrou, toda confiante. Voltei ao meu trabalho, tentando ignorar a situação, até que ouvi um som vindo de dentro do escritório.
Não pode ser verdade.
Estava ouvindo gemidos. **Gemidos**.
Meu chefe estava transando no escritório, em plena hora de trabalho! Isso só prova o quanto ele é irresponsável. Claro, ele é o chefe, mas isso não justifica. E aquela mulher ainda fazia questão de ser barulhenta! Que absurdo.
Como posso estar interessada nesse homem? Deve ser carência, só pode ser.
Me convenci de que esse sentimento logo vai passar. Assim que terminei minhas tarefas, saí sem nem olhar para o "galinha". Não consegui nem ir comprar o carro que tanto planejei, estava com a cabeça em outro lugar desde que escutei aquela cena vergonhosa.
Sério, como é possível? Ele fazendo... aquilo no escritório, sem se importar se todos poderiam ouvir. Eu estava furiosa. Mas, além da raiva, algo mais me incomodava. Meu coração apertou, e uma vontade de chorar tomou conta de mim. Eu odiava admitir, mas aquilo me afetou mais do que deveria.
Precisava esquecer Guilherme, afinal, mal o conhecia. Decidi ir para um bar em Ipanema, na tentativa de relaxar. Lá, conheci duas moças incríveis, Rebeca e Camila. Pareciam perceber minha solidão e logo me convidaram para sentar com elas. Foram extremamente gentis.
Entre drinks e risadas, acabei contando minha história desastrosa. Elas ouviram tudo atentamente, sem piscar. E, assim, fiz duas grandes amigas.
Foi a primeira vez que fiquei bêbada. Elas me levaram até minha casa e, sem cerimônia, perguntei se queriam passar a noite ali. E assim o tempo foi passando. Ainda continuo naquela empresa. Minhas novas amigas, agora casadas, estão felizes em suas vidas... e eu? Continuo solteira. Ah, e virgem.
Chegou a segunda-feira e, junto com ela, a minha ansiedade. Mal podia esperar para começar o dia, só para ver aquele homem que, apesar de toda a arrogância, havia despertado algo em mim desde o primeiro momento que o vi. Meu coração, coitado, não tinha culpa de estar alimentando esses sentimentos.
A loucura começou cedo. Eu sonhei com ele, sendo que nem o conheço direito, apenas sei que será meu chefe. Estou enlouquecendo, não tem outra explicação.
Na segunda-feira, ele não perdeu tempo: me entregou uma pilha de documentos para digitalizar. "Hoje eu não saio daqui", pensei. Ele é um verdadeiro demônio... e eu completamente louca por ele.
O pior é que ele nem sequer olhou para mim. Como se isso já não fosse suficiente, logo apareceu uma mulher deslumbrante, perguntando:
- O Guilherme está?
Respondi de forma automática:
- Um instante, por favor... Senhor Guilherme, tem uma senhorita procurando por você.
Ele apenas disse para deixá-la entrar e, claro, desligou na minha cara. Que grosseria!
Esse homem não sabe o que é "por favor" ou "obrigado". E a mulher entrou, toda confiante. Voltei ao meu trabalho, tentando ignorar a situação, até que ouvi um som vindo de dentro do escritório.
Não pode ser verdade.
Estava ouvindo gemidos. "Gemidos".
Meu chefe estava transando no escritório, em plena hora de trabalho! Isso só prova o quanto ele é irresponsável. Claro, ele é o chefe, mas isso não justifica. E aquela mulher ainda fazia questão de ser barulhenta! Que absurdo.
Como posso estar interessada nesse homem? Deve ser carência, só pode ser.
Me convenci de que esse sentimento logo vai passar. Assim que terminei minhas tarefas, saí sem nem olhar para o "galinha". Não consegui nem ir comprar o carro que tanto planejei, estava com a cabeça em outro lugar desde que escutei aquela cena vergonhosa.
Sério, como é possível? Ele fazendo... aquilo no escritório, sem se importar se todos poderiam ouvir. Eu estava furiosa. Mas, além da raiva, algo mais me incomodava. Meu coração apertou, e uma vontade de chorar tomou conta de mim. Eu odiava admitir, mas aquilo me afetou mais do que deveria.
Precisava esquecer Guilherme, afinal, mal o conhecia. Decidi ir para um bar em Ipanema, na tentativa de relaxar. Lá, conheci duas moças incríveis, Rebeca e Camila. Pareciam perceber minha solidão e logo me convidaram para sentar com elas. Foram extremamente gentis.
Entre drinks e risadas, acabei contando minha história desastrosa. Elas ouviram tudo atentamente, sem piscar. E, assim, fiz duas grandes amigas.
Foi a primeira vez que fiquei bêbada. Elas me levaram até minha casa e, sem cerimônia, perguntei se queriam passar a noite ali. E assim o tempo foi passando. Ainda continuo naquela empresa. Minhas novas amigas, agora casadas, estão felizes em suas vidas... e eu? Continuo solteira. Ah, e virgem.
Dá para acreditar? Quase vinte e cinco anos e ainda sou virgem.
Mas ser virgem foi uma escolha minha, e sinceramente, não me importo com as piadas das minhas amigas sobre isso. O pior de tudo é que sou completamente apaixonada pelo babaca do meu chefe.
Sim, depois de tanto tempo convivendo com essa situação ridícula, o sentimento só piora. E agora, para minha total desgraça, o infeliz me chamou para uma viagem de negócios nos Estados Unidos.
Mas que droga!
O que vou fazer do outro lado do mundo com esse homem? Ele disse que precisava levar a secretária, e eu quase o mandei arrumar outra pessoa. Mas, como sempre, aceitei. Sempre aceito. Faço tudo o que ele manda, parece que só falta lamber o chão que ele pisa.
Maldito sentimento que insiste em não acabar.
Eu me odeio por isso, por não conseguir tirá-lo da cabeça nem por um minuto, mesmo sabendo que ele sai com pelo menos três mulheres diferentes por dia. Às vezes, ele simplesmente desaparece com uma delas e age como se eu nem existisse.
Ele só fala comigo quando precisa de algo. Nunca olha nos meus olhos a não ser para me pedir que trabalhe até tarde ou para me afogar em uma montanha de papelada.
Aquele desgraçado...
Nem percebe o que sinto por ele. Aceito todas as suas ordens, mas eu sei que preciso parar com isso. Sei que ele é o maior canalha que já conheci na vida. E mesmo assim, continuo presa a esse sentimento idiota.
Mas eu vou esquecê-lo, ou meu nome não é Letícia Fontenelle. Eu preciso esquecê-lo. Não posso mais amar esse homem como uma completa louca. E, para completar, tem essa droga de viagem chegando.
Domingo embarcamos, porque na segunda-feira ele tem uma reunião e depois um coquetel. Ainda por cima, me mandou levar uma roupa "decente".
Isso é porque ele nunca saberá com quem está lidando, e por mim, vai continuar assim. Deixa esse sem-vergonha pensar que preciso do dinheiro dele, aquele babaca sexy.
Por que, Senhor, esse homem precisava ser tão atraente?
Que tormento!
A solidão que carrego, aliada à saudade dos meus pais, despertou em mim esses sentimentos em relação a ele. Maldição! É assim que me vejo, uma pessoa tomada por um amor insensato por alguém desprezível.
Esse mulherengo que eu amo mais do que tudo!
É terrível como eu encontro desculpas para meu sentimento na tristeza da ausência, como se houvesse alguma lógica nisso. Por que diabos existe alguém tão cativante? Ele faz com que meu coração doa toda vez que testemunho uma daquelas mulheres deixando sua sala, cientes do que aconteceu.
Esse amor não se esvai, mesmo após cinco anos convivendo com ele! Parece que meu sentimento só cresce.
Me sinto como um cãozinho, obedecendo todas as ordens do senhor Guilherme. Isso está longe de ser justo!
Sou tão otária que a Rebeca quase me mata por isso. Que saco!
Eu desejava intensamente o amor dele, ser dominada e pertencer a ele, já que ainda mantenho minha virgindade, aguardando por esse momento. Alimento a esperança de que ele seja exclusivamente meu em algum dia, sem se envolver com nenhuma outra dessas mulheres que se insinuam, ávidas por ele.
Na verdade, ele é o verdadeiro cachorro cretino, não as mulheres com quem ele sai. Ele as seduz, e pelo visto, faz isso com maestria.
Cretino!
Se ao menos fosse uma só, mas desde que cheguei aqui, já foram milhares. Esse homem deve ter o "pau das galáxias", não é possível. Escuto muita coisa sobre o que dizem sobre ele na cama. É uma pouca vergonha!
Por qual motivo continuo a trabalhar com esse homem insuportável? Não faço a menor ideia. Quanto mais ele me evita, mais sinto amor por ele. Meu Deus!
E assim meu amor por esse babaca só aumenta, mesmo depois de tantos anos. Eu ainda o amo com toda a força que existe dentro de mim.
Quem já viu um amor assim? Um amor que só cresce a cada dia? Um sentimento que me assusta, porque já era para eu tê-lo esquecido. São tantos anos esperando por alguém que provavelmente nunca irá olhar para mim.
Preciso fazer alguma coisa. Já passou da hora de mudar isso. Chega de sofrer, mulher!
O homem "pica das galáxias" não liga para você, então esqueça-o de uma vez por todas.
Ah, claro que vou esquecer...
Como se durante todos esses anos eu conseguisse. Jamais!
Chegou o grande dia da viagem, e a ansiedade me consome. Não sei por onde começar.
Informei minhas amigas que viajaria a trabalho com meu chefe. Elas, mesmo com suas responsabilidades familiares, não param de me ligar. E, sinceramente, a saudade das minhas duas faturas me deixa ainda mais inquieta.
Rebeca tem se comportado como uma figura materna para mim, e eu valorizo sua preocupação, no entanto, atualmente ela tem o esposo controlador e os filhos para se dedicar. Quanto a mim, tenho meus próprios desafios para enfrentar em minha vida.
Assim que retornar dessa viagem, pretendo solicitar minha saída do emprego. É imprescindível que eu consiga me desvencilhar desse sentimento impossível que nutro pelo meu chefe. Ele nunca corresponderá aos meus sentimentos; acreditar na possibilidade de que isso possa mudar é pura ilusão. Seria necessário um verdadeiro milagre!
A dor de amá-lo é intensa, principalmente quando o vejo cercado por tantas mulheres. Isso me destrói... Já não aguento mais sofrer por alguém que não vai retribuir meu amor.
Apesar de ter consciência de que ele nunca se compromete com ninguém, o sentimento persiste. Parece que estou agindo de forma masoquista, conforme minhas amigas afirmam, ou talvez tenha me tornado prisioneira de uma obsessão por um homem que mal nota minha presença.
Ele nunca demonstrou interesse em compromissos duradouros, sempre com uma expressão triste e carrancuda. É surpreendente como ainda consegue chamar a atenção das mulheres.
Com certeza! Quem poderia não se encantar com a sua presença? Mesmo sendo rude e pouco educado com os colaboradores, é impossível não notar a beleza desse enorme tolo despreocupado.
Será que ele nunca percebeu meus sentimentos por ele ou apenas faz de conta que não enxerga?
O Gabriel, irmão do meu chefe, é a única pessoa que, de vez em quando, vai até a empresa e lhe arranca um sorriso. Ele aparece poucas vezes, mas sempre traz consigo um ar de alegria com suas risadas. Acredito que sejam irmãos apenas pelo sobrenome, pois a vida pessoal do meu chefe é um enigma, um livro fechado que nunca conseguirei desvendar, já que ele mal me dá atenção. Em contrapartida, o irmão sempre faz questão de dar um breve "oi", o que destoa bastante da postura distante e brusca do meu chefe.
É angustiante perceber que ele me ignora, mesmo cercado por diversas mulheres. Desde que comecei a trabalhar na empresa, esse sentimento de amor me faz parecer uma pessoa que gosta de sofrer. Em vez de conhecer novas pessoas ou tentar um romance, estou completamente envolvida por essa fixação. Nunca experimentei um relacionamento sério; o mais longe que cheguei foi trocar alguns beijos, e isso por si só já parecia algo estranho. Coitados dos homens!
Sinto até a tensão deles, mas assim que algo acontece, eu saio correndo como se estivesse fugindo de uma cruz. Não é culpa minha; simplesmente não consigo sentir nada quando beijo alguém. Muitas vezes, minhas amigas me pressionaram a sair e tentar algo, mas eventualmente desistiram e me diziam:
- Ah, amiga, você não tem mais jeito!
Rebeca até comentou com Camila:
- Chega, desisto! Ela gosta de sofrer por aquele do "demônio loiro".
Eu sempre defendia meu loiro, brigando com elas e pedindo que não o chamassem assim. Agora, eu mesma o chamo de demônio-um demônio lindo e irresistível pelo qual me apaixonei.
Fico furiosa comigo mesma, mas o que eu poderia dizer? "Coração, não se apaixone por esse homem irresistível!"
A única fonte de prazer que verdadeiramente experimento é com o meu vibrador. Sinto vontade, mas é por ele. E, nos dias que antecedem a menstruação, é como se uma chama se acendesse dentro de mim, um desejo avassalador de ter alguém junto a mim. Essa ânsia insuportável só se ameniza quando utilizo o meu discreto vibrador, posicionando-o sobre o meu clitóris e deixando-o vibrar.
De vez em quando, penso que é a boca do meu chefe me provocando, e a sensação que acompanha isso é tão agradável que é difícil de descrever. Como nunca experimentei um clímax genuíno, não tenho palavras precisas para descrever, porém minhas amigas sempre enfatizam o quão extraordinário é.
Só não uso vibradores internos porque quero que minha virgindade seja com um homem, não com um pedaço de borracha. O vibrador de clitóris me ajuda a aliviar o desejo que sinto. É algo que mantenho em segredo, minhas amigas jamais saberão.
Amo o meu pequeno vibrador. Ele é discreto, rosa e do tamanho de um dedo, quase parece um batom. Sempre me alivia quando preciso. Mas, no fundo, gostaria de experimentar o que é ter um homem de verdade dentro de mim, só para saber como é. Mesmo assim, sei que provavelmente morrerei virgem, porque o sentimento que tenho pelo Werkema me impede de estar com qualquer outro homem.
É uma sensação angustiante amar alguém intensamente, ciente de que esse sentimento jamais será correspondido. O desejo de beijar seus lábios se intensifica a cada instante. Cada aspecto da personalidade dele me parece cativante, e os suspiros das mulheres ecoam pelo ambiente. Imagino que seja surpreendente na intimidade.
Porém necessito me livrar dessas ideias. Não consigo mais ficar idealizando sobre ele! Devo deixá-lo para trás e avançar. Após retornar dessa viagem, irei tomar uma resolução a respeito da minha vida e, enfim, encerrar esse sentimento de cinco anos.
Por cinco anos dediquei meu amor a um homem que sequer me percebe! Devo estar completamente desequilibrada.
Caso ele pertencesse a mim, eu me tornaria a mais radiante das mulheres, porém tenho plena consciência da impossibilidade desse desejo se concretizar.
E agora, faltam poucas horas para viajar com ele. Só de pensar nisso, meu coração já dispara. Parece até que estamos indo numa viagem de casal, mas, claro, essa é só a minha fantasia.
- Você está atrasada! - ele diz com aquele típico tom irritado.
Idiota!
Uau, ele está simplesmente incrível. Nunca o vi assim antes. Com uma blusa que destaca seus braços fortes, uma calça jeans que parece ter sido feita especialmente para ele, e o cabelo úmido. Ele está arrasando, com certeza!
Partimos e chegamos ao hotel aproximadamente às dez horas da noite. Após as reservas dos quartos já confirmadas, fui diretamente à recepção para pegar a chave, evitando que o conselho absurdo da Rebeca viesse à mente: "Seduzir seu chefe e ter relações sexuais com ele até ficarem exaustos."
Qual amiga aconselharia algo assim? Ignorei sua sugestão, porém ao contemplar aquele homem, fica praticamente impossível não ceder. Quem não desejaria agir da mesma forma?
Seria mais prudente eu ir para o meu quarto agora, antes que eu perca o controle só de pensar no sabor daqueles lábios tão atraentes!
Ao adentrar no elevador, dirigi-me imediatamente para o quarto. Sentindo o peso do cansaço, tomei um banho relaxante, vesti meu pijama e entreguei-me a um sono reparador.
Quando o domingo chegou, o clima estava frio e nublado.
Que bom que me lembrei de trazer minhas peças de roupa mais quentes...
Optei por fazer a primeira refeição do dia no quarto, sem a menor intenção de descer e, especialmente, de encontrar o senhor Guilherme. Assim que o café foi servido, aproveitei a calma do momento. Depois, abri o laptop para falar com Naná e as meninas.
Durante nossa vídeo chamada, Rebeca fez questão de mostrar Pietro, que estava cada dia mais lindo.
Essa minha amiga é uma figura. Faz o marido de gato e sapato, e não consigo evitar a gargalhada. O pobre turco ainda implica com as roupas dela, mesmo depois de casados.
Rebeca contou que, certa vez, ele chegou a rasgar um vestido novo que ela havia comprado, o que a deixou furiosa. Nós, claro, caímos na risada, o que só fez aumentar sua raiva.
- Meninas, isso não tem graça nenhuma! Toda vez que compro algo curto, ele vai lá e rasga! Um dia eu ainda mato esse turco - reclamou Rebeca, fingindo indignação.
- Ah, para com isso! Você adora o ciúme dele. Aliás, você mesma já disse que essa cena toda te deixa animada... - provoquei, relembrando suas próprias palavras.
Ela tentou se esquivar.
- Eu nunca disse isso! Vocês estão inventando! - Mas logo se rendeu, caindo na gargalhada. - Tá bom, eu admito... isso me deixa, sim, muito excitada! - confessou, para a diversão de todas.
Camila também estava na chamada, com seu pequeno amor, Enzo. As duas vivem uma na casa da outra, já que, com um simples passo pelo portão, estão juntas.
Foi uma ideia genial do Rahmi comprar uma casa ao lado da de Camila. Assim, elas nunca ficam sozinhas, já que os maridos passam o dia trabalhando.
É engraçado pensar nisso. Eles já têm uma fortuna, mas não conseguem parar de trabalhar.
Rebeca é proprietária de um estúdio de design e, embora tenha funcionários que se dedicam até tarde, ela faz questão de comparecer diariamente. Mesmo assim, ela volta para casa mais cedo, pois sente falta do seu filho.
Camila também não foge à regra. Mesmo exercendo a advocacia, organizou sua agenda de modo a ter mais momentos ao lado do pequeno Enzo.
Ambas são mães atenciosas e esposas admiráveis. E eu? Nunca me envolvi emocionalmente com ninguém, pois meu coração pertence somente a um homem especial.
A única pessoa que minha mãe amou de verdade foi meu pai, e eles formaram um casal muito feliz.
Penso que herdei essa característica dela...
Que Deus a acolha em um local tranquilo.
Meu pai se encantou por ela imediatamente. Foi amor à primeira vista. Em contrapartida, Guilherme mal repara em mim.
Guilherme, meu chefe irresistível, que me faz perder o juízo de amor e me deixa boba ao mesmo tempo.
Ele é meu chefe. Meu amor. O único amor da minha vida. E eu? Nunca tive coragem de contar para Werkema o quanto sou apaixonada por ele. Pior, as roupas que escolho usar só parecem afastá-lo cada vez mais.
Pode ser que seja a hora de eu sair do emprego e confessar meus sentimentos de uma vez. Quem sabe dessa forma ele me dá uma oportunidade e deixa de insistentemente se envolver com outras mulheres?
"Chega de ter pensamentos tolos, Letícia Fontenelle! Esse homem nunca será seu!"