Sinopse
Jasmine sempre viveu à margem da favela,
evitando ao máximo se envolver com a
violência que dominava o lugar. Criada
apenas pelo pai, nunca conheceu a mãe, e
cresceu tímida, recatada e protegida - até
que uma dívida mudou tudo.
Seu pai, afundado na bebida e sem trabalho,
fez o pior acordo possível: entregá-la como
pagamento ao homem mais temido do
Vidigal. Cobra - dono do morro, chefe do
tráfico, respeitado pelo medo e conhecido
por tratar mulheres como objetos - não
estava interessado em amor, só em poder.
Para Cobra, Jasmine não passava de uma
"mercadoria" rara: bonita, inocente e,
principalmente, virgem. Um brinquedo para
moldar e descartar. Mas o que ele não
esperava era encontrar nela um olhar que
não se curvava, mesmo diante de suas
ameaças.
Presos num jogo perigoso, Jasmine e Cobra
se tornam inimigos e cúmplices, vítimas e
algozes, atraídos e repelidos pelo mesmo
fogo. Ela tenta resistir ao domínio dele. Ele
tenta provar que ninguém manda no dono do
morro. Mas, quando o desejo se mistura à
raiva e o perigo é constante, só uma coisa é
certa: um deles vai acabar se rendendo... e o
preço pode ser alto demais.
Vendida ao Dono do Morro é um romance
intenso, carregado de tensão, violência,
desejo e redenção. Uma história onde amor
e ódio caminham lado a lado, e cada escolha
pode ser a última.
Aviso de Direitos Autorais
AVISO LEGAL
Esta é uma obra de ficção de autoria de Val
Veiga.
Todos os direitos reservados.
É proibida a venda, reprodução, distribuição
ou compartilhamento deste livro em
qualquer formato (digital, físico, PDF, ebook, áudio ou outros) sem autorização
expressa da autora.
A comercialização ou divulgação não
autorizada constitui violação da Lei de
Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98) e está
sujeita às penalidades previstas na legislação
brasileira e internacional.
Somente a autora pode vender, distribuir ou
disponibilizar esta obra.
Se você adquiriu este livro por meios ilegais
ou através de cópia não autorizada,
denuncie.
Valorize o trabalho da autora.
CAPITULO 1
COBRA
Acordei com uma dor de cabeça horrível.
Logo, flashes da noite passada vieram à
minha mente: comi duas putas gostosas
depois do baile, e rolou de tudo o que
liberaram para o papai aqui. Deixei que
me tocassem, mas não podiam me
beijar. Agora estou aqui com mó ressaca
carai. Olhei para o lado e as duas piranha
ainda estavam dormindo na minha cama;
isso me tirou do sério. Já empurrei as
duas da minha cama, fazendo-as cair no
chão.
-Está doido cobra? Acorda a gente assim!
Cobra: Doido porra nenhuma, some da
minha frente, as duas agora.
-Mas Cobra, ontem você não estava
tratando a gente assim. Você até estava
gostando da brincadeirinha com nós
duas.
Cobra: Ontem foi ontem, eu estava mó
chapado carai.
Peguei as duas arrastando pelo cabelo
até fora do meu quarto.
As duas começaram a gritar, mas não me
importei. Arrastei elas pelo cabelo até
fora da minha casa e as joguei no chão,
sem nenhuma consideração.
Fechei a porta e deixei-as jogadas no
chão, vestindo apenas calcinha e sutiã.
Não sei como trouxe aquelas putas para
minha casa; estava mó chapado e não
consigo me lembrar de porra nenhuma.
Fui tomar um banho para tirar o cheiro
das putas do meu corpo. Não sei como
vim parar aqui com essas vagabunda.
Comi as duas ao mesmo tempo e, cara,
ver elas fodendo uma com a outra me
deixou piradão. Depois do banho, desci
para tomar um café bem forte.
Peguei minha moto e vou direto para a
boca. Entro na minha sala e encontro os
meus vapor de confiança e o sub do meu
morro jogados no meu sofá. Amigos,
jamais! Depois que a vagabunda que eu
tinha como namorada me traiu e fugiu
com meu melhor amigo, nunca mais
confiei em ninguém.
Terror: A festa foi boa ontem, mano. Saiu
com as duas gostosa do baile.
DK: Conta pra gente, cara, como foi ficar
com as duas ao mesmo tempo?
Cobra: Pô, lembro de quase nada,
maluco. Tô com uma dor de cabeça
horrível, tá ligado? Só lembro de ver as
duas putas se pegando na minha frente,
e aquilo me deixou piradão. Eu fodia uma
enquanto a outra chupava a outra. Aquilo
foi adrenalina pura, manos.
Terror: porra veio tu e doidão, fuder as
duas ao mesmo tempo só pode ser louco
mano, as duas vai ficar agora te
cercando.
Cobra: Deu mole pro papai aqui, e vapo
tá ligado?
Acordei com as duas na minha cama. Já
fui logo metendo o louco e agarrei as
duas pelo cabelo, jogando-as para fora
da minha casa, seminuas. Puta nenhuma
deve acordar na minha cama,
carai.Estava muito chapado para que
isso tivesse acontecido.
Dk: Desde que a Simone fez o que fez,
você só vive na putaria.Depois que tem o
que quer com elas espanca e maltrata as
minas. Você sabe que elas não são a
Simone, né?
Cobra: não mencione o nome dessa
vagabunda. Eu só não a matei porque a
mãe dela se colocou na frente, mas ela
ainda levou uma boa surra de mim.
Além disso, ainda pretendo me vingar
dela e daquele que se dizia meu amigo.
DK: Por que você não esquece da porra
dessa vadia e foca na sua vida, mano?
(Eu bato a mão na mesa com firmeza.)
Cobra: Vocês realmente acredita que eu
conseguiria perdoar uma traição? Uma,
tudo bem, mas duas carai? Da mulher
que eu estava planejando pedir em
casamento e do meu melhor amigo, que
sabia de tudo.Eu não sou Deus para
perdoar ninguém carai. Vou me vingar
dessas porra e não importa o que
aconteça, não vou desistir.
Terror: Enquanto isso, você pega as mina
do morro, as usa e depois as agride e
manda embora.
Cobra: Algum problema com isso carai?
Se tiver, pode vazar do meu morro, meu
chapa.
Terror: Não acho justo você fazer as
minas sofrerem e depois elas ainda virem
se arrastando atrás de você.
Cobra: Essas vadias estão viciadas no
pau do papai aqui.
Quanto mais elas apanharem, mais elas
piram, tá ligado?
Cobra: Agora chega de papo seus viados !
Não pago vocês para ficarem com o rabo
sentado na minha sala. Vão lá cobrar
aquele coroa da casa 5 que me deve uma
grana alta.
DK: Você sabia que ele tem uma filha?
Cobra: Claro que não carai! O cara só
pega empréstimo e nunca falava para
que. Mas agora cansei, quero minha
grana toda hoje, vão la cobrar esse
desgraçado e se não colaborar, vou fazer
uma visitinha para esse coroa.
NARRAÇÃO DA JASMINE
Meu nome é Jasmine e resido no Morro
do Vidigal com meu pai, que me criou
desde o meu nascimento, quando minha
mãe faleceu. Até hoje, não tenho
informações sobre o que aconteceu com
ela; meu pai apenas me informou que ela
morreu no meu parto. Sempre que tento
questioná-lo sobre ela, ele muda de
assunto. Ele é a única família que me
restou. Sou uma jovem tímida, que não
aprecia fazer amigos ou sair de casa.
Nunca tive namorados, nem sei como e
beijar um garoto.completei meus
estudos e, desde então, permaneci aqui
no morro, onde não há muitas
oportunidades de emprego.
Não consegui me formar na faculdade,
não queria que meu pai gastasse o que
não tem comigo, pois nossa situação é
bastante humilde. Meu pai trabalha para
o dono da morro, esse dono que nunca
conheci e da qual tenho certo receio, em
virtude dos comentários que circulam.
Em algumas ocasiões, ao ir ao mercado,
ouço rumores sobre ele. Dizem que é
uma pessoa de temperamento
extremamente difícil e que trata mal as
mulheres. Cheguei até a escutar relatos
sobre a agressão que ele teria cometido
contra a própria namorada. Deus me livre
de cruzar com ele, dizem que ele é o
diabo em pessoa.
Já pedi diversas vezes ao meu pai que
considerássemos a possibilidade de nos
mudarmos, mas ele sempre afirma que
este é o único lugar onde consegue arcar
com o aluguel. No entanto, nos últimos
tempos, notei que ele tem estado
diferente, passando mais tempo fora de
casa consumindo bebidas e se
encontrando em situações complicadas
nas ruas.
Eu mesma já busquei ele várias vezes na
porta de bares, o que não aprecio, pois
não gosto de me expor. Raramente saio
de casa, exceto para ir ao mercado e à
padaria; fora isso, prefiro permanecer em
meu lar, onde desfruto do meu pequeno
jardim no quintal. Sinto-me em paz
quando estou cuidando das minhas
flores.
Escuto barulhos na sala, onde objetos
caem ao chão. Apresso-me para ver o
que aconteceu e descubro que é meu
pai, mais uma vez sob o efeito do álcool.
Dirijo-me rapidamente a ele e o ajudo a
se sentar no sofá.
Jasmine: Mais uma vez, pai. O senhor
sempre promete que vai parar de beber,
mas nunca cumpre. Veja como está, mal
consegue se sustentar em pé.
Pedro: Silencio, menina. Não preciso dos
seus conselhos. Estou bem; bebo
apenas para esquecer o passado.
Ele responde de maneira confusa.
Jasmine: Pai, se bebe por que sente falta
da mamãe; eu também sinto, mas nem
por isso fico buscando consolo em
bebidas.
Pedro: Minha filha, você é tão ingênua.
Não sabe o que aquela mulher nós fez.
Ela não merece o seu amor, nem o meu.
Jasmine: Como assim, pai? Mamãe está
morta. Como pode dizer que ela não
merece nosso amor?E o que ela nós fez
papai?
O que o senhor está querendo dizer? Por
que sempre que pergunto sobre ela, a
resposta é apenas que ela morreu!
Ela morreu e não tenho mais nada a dizer
sobre essa mulher. Não quero que o
nome dela seja mencionado nesta casa,
entendeu? Durante todos esses anos,
conseguimos viver sem ela e nunca irei
perdoá-la.
Jasmine: Pai, o senhor está se
contradizendo. Vou ajudá-lo a ir para o
seu quarto e já trago um café bem forte
para o senhor.
Ajudei ele a ir para o quarto e fui preparar
um café bem forte. Quando ouvi batidas
agressivas na porta, fui atender e me
deparei com dois homens de aparência
intimidante, o que me deixou com medo.
Terror: Onde está seu pai, mina?
Jasmine: Ele chegou da rua passando
mal e foi deitar, senhor. O que deseja
com ele?
DK: Avise seu pai, garota, que se ele não
pagar o chefe o que ele deve até esta
noite, nosso chefe virá fazer uma visita
pessoalmente, garanto que a visita não
será nada agradável, tá ligada?
Jasmine: Qual é a valor que meu pai,
deve ao seu chefe,senhor?
Terror: Quatro mil reais. Se ele não pagar,
o chefe não será compreensivo. Vamos
retornar à noite para buscar o dinheiro.
Se não houver o valor, nosso chefe
poderá optar por outra forma de
cobrança.
Naquele momento, ao ouvir suas
palavras, senti um arrepio. Ele me
analisou de maneira intimidadora, o que
me causou grande temor. Após a saída
deles, não consegui conter as lágrimas.
Onde conseguiremos esse dinheiro? O
que meu pai estava pensando ao solicitar
esse empréstimo a essa gente?
COBRA
Estava na minha sala, cheirando um pó e
aproveitando a brisa, quando os dois
viados entraram de volta na minha sala,
tirando a tranquilidade que eu tinha.
Cobra: Hoje vocês decidiram me tirar a
paz, caralho! Bando de arrombados do
carai!
DK: Você tá chapado em plena luz do dia,
Cobra. Essas coisas estão te fazendo
mal, tá ligado?
Cobra: Tô suave, são as únicas coisas
que me deixam em paz e me fazem
esquecer da merda que a vagabunda me
fez, tá ligado?
Terror: Pode crer, viemos lá da goma do
coroa que deve uma grana alta pra tu, se
pá.
Cobra: Dá o papo, porra.
DK: E aí que tá, não estivemos com o
coroa, e sim com a filha dele, que, por
sinal, é gostosinha. Bagulho doido, porra!
Nunca tinha visto a mina antes, mas
parece uma deusa de tão linda que a
mina é.
Cobra: Tá de caó com minha cara, né?
Vocês foram lá para ver a mina e não
cobraram o coroa, seus viados?
Terror: Sem neurose! E claro que fomos lá
cobrar o cara, mas a mina disse que ele
estava passando mal. Com certeza ele
estava bêbado e só isso que o
desgraçado do velho sabe fazer.
Cobra: Não importa! Eu metia o louco e
enfiava a arma na testa dele rapidinho, a
bebedeira passava. Estou vendo que eu
mesmo vou ter que ir atrás desse velho
desgraçado. Vocês estão muito fracos.
DK: Dê mais um tempo, Cobra. Talvez
eles não tenham o dinheiro; eles são
humildes, cara.
Bati na mesa com força.
Cobra: Tô nem aí se essa porra e humilde
caralho, quando pegar esse coroa
maldito safado, tá fudido na minha
mão,ta ligado?
Terror: Calma, cara! Ele tem uma filha
que parece ser órfã de mãe. Vamos
manter a calma; a garota estava
assustada. Não vamos chegar lá e ser
grossos com ela.
Cobra: De grosso aqui e só meu pau! Vou
chegar lá e meter um tiro na cara do
desgraçado e da puta da filha que me
deve há meses, morô.
Terror: Calma, pô, a gente resolve isso e,
se o velho, não passa a grana, você vai lá
e faz o que quiser com ele.
Eu me levanto da minha cadeira, pego
meu maço de maconha e acendo. Aquela
brisa me deixava loucão e fico frente a
frente com o Terror.
Cobra: Por que não posso ir na casa do
coroa? Vai dizer que já 'gamou' na mina e
quer proteger o pai, Terror?
Terror: Claro que não, tá doido? Eu só
achei a mina de responsa. Não sabe que
o pai dela deve uma grana pra você. A
mina tem cara de ser ingênua, tá ligado?
Cobra: Essas minas que têm cara de
ingênua são as piores. Elas fazem a gente
esquecer tudo, o bandido fica de quatro
por elas e depois vazam, tá ligado? Ou te
trocam por um vacilão, Zé ruela.
DK: Você não esquece essa porra
mesmo, né?
Cobra: Vou meter o pé, tem baile hoje à
noite. Quero comer carne nova. Essas
putas daqui já me cansaram e vou dar
meu papo,quero minha grana aqui até
amanhã, se não, eu que vou lá e cobrar o
velho, caralho, não vou querer saber se a
mina é linda ou tem cara de ingênua; eu
vou passar os dois. Pega a visão, porra!
Peguei minha moto e estava subindo
acelerado em direção à minha goma
quando, de repente, uma moça
atravessou a rua sem prestar atenção. Ao
frear a moto para não atropelá-la, ela se
assustou com barulho e deixou as
sacolas cair no chão.
Estacionei a moto e desci bastante puto
com pessoas que não prestam atenção
por onde andam. Fui em direção a porra
da garota que estava pegando seus
pertences do chão.
Cobra: Você não olha por onde anda, não
caralho? Eu podia ter te atropelado, sua
estupida!
Ao me aproximar dela, já estava bastante
agitado, e percebi que ela não me olhava.
- Me desculpe, estava distraída, moço.
Ajoelhei-me ao seu lado, segurei seu
braço, forçando-a se levantar e a olhar
para mim. Quando ela me encarou, fiquei
surpreso; a garota era extremamente
linda, quase parecia um anjo. No entanto,
não me deixei levar pela sua beleza.
Cobra: Na próxima vez, vou passar por
cima de você, garota.
- Me desculpe, por favor, você está
machucando meu braço.
Olhei em seus olhos, que já se
umedeciam com lágrimas, e a soltei,
saindo apressado em direção à minha
moto.
Cheguei na minha goma e fui direto tomar
um banho gelado.
Cobra: Que mulher era aquela?
Parecia um anjo, véi.
Depois do banho, percebi que já
estava anoitecendo, então me arrumei
para o baile, pronto para comer para
comer uma gatinha. Fui de moto e o baile
tava frenético, do jeito que papai gosta.
Subi para o meu camarote, fui pegar uma
cerveja e me sentei para observar o
movimento. Então, uma gostosa veio e se
sentou no meu colo, tentando me beijar,
mas eu a empurrei para o chão, pois não
curto essa porra de aproximação.
-Que loucura, Cobra, por que você fez
isso?
Cobra: Não gosto de ser beijado por
putas ta , ligado? Agora, vaza daqui
caralho.