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Sob a luz das estrelas

Sob a luz das estrelas

Autor:: Rê autora
Gênero: Romance
Taís se sente presa em um abismo sem fundo sem conseguir sair, mas é sobre a luz das estrelas que ela vai conhecer alguém especial, a sua luz no fim do túnel. O verdadeiro amor, aquele que te salva e te faz querer ficar para sempre.

Capítulo 1 Um

Prólogo

Era o meu fim! Caminhando desnorteada pelas ruas dessa cidade egoísta e cruel, seguindo na estrada da vida um caminho repleto de escuridão, dor, humilhações e tristezas, por todos os lados só havia trevas que me puxavam cada vez mais e mais para um túnel negro onde não havia nenhuma luz. Nenhuma luz! O fundo do poço! Eu estava no fundo do poço e não tinha a mínima ideia de como sair dali! Estava presa! Era assim que eu estava me sentindo naquele dia terrível! Eu, Taís Maia me sentia completamente presa em uma total escuridão, sem esperanças, perdida em um vazio que me consumia e me afogava, sem nenhum motivo ou vontade para continuar a caminhada porque eu estava perdida. Eu estava perdida! Até o momento em que eu me encontrei! Porque eu o encontrei! Foi ele quem eu sempre procurei mesmo quando ainda não sabia o que queria achar! Era ele! Sempre foi ele! Para sempre seria ele! João Melis, a luz que iluminou a minha vida! ................................

Devia ser umas quatro ou cinco da tarde! Nem sei dizer! As lágrimas que escorriam em meus olhos estavam tão fortes que nem conseguia enxergar direito. Caminhei pelas ruas sem destino, sem rumo, mas não me importava! Tudo o que eu queria era me afastar o máximo possível de toda aquela merda, eu só queria respirar, pensar na minha vida, espairecer. Andei bastante até chegar em uma praça, eu precisava de um banco para me sentar. Não sabia dizer por quanto tempo havia caminhado, mas sabia que meus pés estavam cansados. Olhei para todos os bancos e percebi que estavam todos ocupados, então deixei escapar um suspiro de frustração. Caminhei mais um pouco me perguntando como uma praça que havia tantos bancos não havia nenhum em que estivesse vazio. Foi então que eu o vi! Assim que olhei pra ele foi mágico, foi como se todas as trevas que me rondavam tivessem sumido! Naquele instante ele foi a luz que iluminou toda a escuridão da minha alma! Ele estava sentado no último banco que ficava embaixo de uma árvore, estava desenhando algo e olhando diretamente para o lago, seus cabelos loiros pareciam brilhar na luz do sol, ele era lindo, muito lindo. Eu estava tão encantada por ele que não conseguia parar de olhá-lo! Então depois de um tempo ele percebeu que eu estava o olhando e virou o rosto em minha direção, mas eu achei muito estranho o fato dele não me olhar diretamente nos olhos, ele parecia olhar para minha bochecha em algum ponto específico, mas nunca nos olhos. Mesmo assim eu ignorei completamente essa particularidade, porque a única coisa que eu reparava naquele momento era no seu rosto lindo, as bochechas levemente coradas, a boquinha rosada e seus olhos incrivelmente azuis, que me lembravam uma piscina, era a coisa mais linda de se ver. E como se eu estivesse sendo atraída por um imã, fui até o banco em que ele se encontrava e me sentei em um lugar vago. E foi aí que eu morri de vergonha! Porque no mesmo instante em que eu me sentei ele se arrastou e foi para a pontinha do banco me deixando totalmente sem graça. Primeiro eu abaixei meu nariz discretamente para verificar se eu não estava cheirando mal, mas até onde eu conseguia sentir estava tudo bem. Quando eu olhei novamente pra ele me dei conta que ele estava ficando vermelho e um pouco nervoso, como se estivesse com medo de mim, então me preparei para me levantar, pois não queria assustar o garoto. Foi aí que do nada escutei um sussurro muito baixo, era tão baixo que naquele momento eu pensei ser apenas fruto da minha imaginação, olhei novamente para o garoto e percebi que o mesmo olhava em um ponto fixo no lago. Eu realmente não queria assustar ele então me levantei de uma vez, e foi aí que novamente eu escutei o sussurro.

– Não vá! Eu não estou com medo de você! Estou apenas nervoso! - Ouvi sua voz baixa e rouca me chamando. Ele falava muito baixo, eu tive que me esforçar bastante para conseguir ouvir o que ele dizia!

– Porque você está nervoso? - Perguntei tentando puxar assunto com ele, não sabia o porquê, mas o fato dele ter me pedido pra não ir embora havia me deixado muito animada e me causado um calafrio gostoso no estômago. – Uma garota tão linda como você, nunca havia chegado tão perto de mim como você está fazendo agora! Eu só estou surpreso e um pouco assustado! - O loiro me confidenciou sem parar de olhar para o ponto fixo no lago, suas mãos mexiam sem parar ao lado de sua pernas, denunciando claramente o seu nervosismo, então eu virei meu rosto e dirigi meu olhar para o lado, ao mesmo tempo em que concentrava minha atenção ao garoto intrigante sentado na outra ponta do banco. Após um tempo ele aparentou ficar mais calmo, trocou de folha e voltou a desenhar. Olhar para o lago pelo ponto de vista dele era um pouco diferente, era como visualizar um lugar quando na verdade se observa outro era como se fosse uma fuga, e eu estava vivenciado aquela experiência e achando muito divertido.

– Me acha bonita? - Perguntei baixinho assim, como ele havia feito. Estava com medo de assustá-lo, mas eu queria conversar com ele, precisava saber mais dele, eu sempre fui muito curiosa, e devo confessar que aquele garoto estava despertando muito o meu interesse.

– Linda! - Ele disse e eu percebi um sorriso tímido se formar em seus lábios, na verdade o lindo ali era ele, eu só não estava entendendo porque ele não se dava conta disso. Eu também sorri com os lábios e continuei focando o olhar em um ponto fixo no lago.

– Com certeza você está me achando estranho, mas eu não sou estranho! Sou apenas um ser humano especial! - continuou, olhando para o lago. Meu coração batia acelerado, eu não sei porque, mas saber que ele estava conversando tanto comigo fazia eu me sentir alguém especial, de uma maneira que há muito tempo eu não me sentia. – Como assim especial? - Perguntei sorrindo, eu sabia que ele era especial, aquela beleza dele não tinha nada de normal, mas claro que eu não iria falar isso pra ele, então apenas fiquei observando com o rabo de olho, quando ele tirou sua atenção do lago e focou no céu azul acima de nós, que estava naquele momento tão azuis quanto seus olhos. – Eu sou Autista! - disse – É como se eu fosse uma pessoa comum, mas na verdade eu tenho super poderes! E são esses super poderes, que me tornam diferente de um jeito especial! Você não acha que eu seria chato, se por acaso eu fosse igual a todo mundo? Eu fico completamente sem palavras com tudo o que ele estava me dizendo, eu já tinha ouvido falar sobre pessoas autistas, mas eu não conhecia nada sobre o assunto, e muito menos tinha conversado com alguém assim. – Nunca seja igual a todo mundo, por favor! Continue sendo assim do jeito que você é! Com seus super poderes! - Respondi um pouco triste para o garoto. Eu já tinha conhecido muito das pessoas ditas normais e iguais, para saber que ser alguém como ele era realmente muito especial! Ele parecia viver em seu próprio mundo, sem se importar com a podridão mundana ao seu redor. – Acha que eu estou brincando quando falo dos meus poderes? - Ele pergunta sorrindo e já parece se sentir confortável o suficiente para virar o rosto para mim, mas não olhar nos meus olhos, ele concentrava o olhar em meu pescoço. – Não! Eu não duvido! - Respondi sorrindo levemente. Ele realmente usou o seu super poder para tirar todo o foco da minha ansiedade e a angústia que havia dentro mim! Ele me fez sorrir depois de muito tempo! E isso era mesmo muito mágico! – Você está sofrendo? - Ouvi perguntando. – Como você sabe? - Olhei para ele aturdida. – Eu sinto a sua tristeza! É como se você estivesse presa e gritando por ajuda! - Afirmou com toda a convicção que pude sentir. Eu mudei meu semblante de boba para embasbacada, mesmo sem olhar para os meus olhos, era como se ele estivesse olhando dentro da minha alma, eu ficava me perguntando se alguém tão sensível assim poderia mesmo existir. – Eu estou presa... - disse sem nenhuma emoção. – Então lute pela sua liberdade! Ninguém merece viver preso dentro de si. Muito menos uma garota tão linda e especial como você! - exprimiu com toda emoção em sua voz. Tudo o que ele disse me fez derramar lágrimas dos olhos! Mas não eram lágrimas de tristeza! Eram lágrimas de gratidão porque ele tinha acabado de abrir a porta para a minha liberdade. Eu estava tão absorta em minhas consternações internas, que nem percebi o momento em que ele se levantou e caminhou até a minha ponta do banco e me entregou uma folha. Eu fiquei pasma com o tamanho dele! Deveria ter pelo menos 1,90 de altura com certeza, e ele era forte, muito forte. – A gente se vê por aí! - disse olhando pro meu colo, por um momento eu pensei que seu olhar era direcionado para os meus seios, mas alguém tão puro quanto ele não me olharia assim. – Não vá! - tentei fazê-lo mudar de idéia, suplicando desesperada. – Eu preciso seguir o meu caminho, mas espero que ele se cruze com o seu algum dia novamente! - respondeu então indo embora, eu fiquei observando ele se afastar, era como se toda a luz que tinha me iluminado, estivesse indo embora junto com ele e lá estava eu novamente mergulhada na escuridão. Enquanto ele caminhava em direção ao carro que o esperava no estacionamento, eu notei o quanto ele chamava atenção das mulheres a sua volta, isso ocorria devido ao fato dele ser realmente muito lindo. Uma lágrima solitária escorreu pela minha bochecha quando vi ele entrar no banco carona do carro e partir. Fiquei triste quando me toquei que não sabia nada dele, nem ao menos o seu nome. Olhei para o papel em minhas mãos e meu queixo caiu quando vi o desenho exato e perfeito do meu rosto olhando para o lago, enfim minha teoria estava certa, ele estava me observando assim como eu estava observando ele! Dei um largo sorriso olhando novamente para o papel. Parecia que eu estava me vendo em um espelho! Aquele garoto autista realmente tinha super poderes. E ele tinha acabado de deixar um lampejo de luz bem nas minhas mãos! Daquele dia em diante eu decidi que iria lutar pela minha liberdade.

Capítulo 2 Dois

Durante todo o trajeto da minha cidade natal até Teresina, local onde meu pai havia acabado de fechar contrato para um novo trabalho, eu ia me perguntando que novas surpresas o destino iria me preparar, era uma nova cidade, uma nova fase, uma nova vida. O novo emprego do meu pai não seria lá essas grandes coisas, ele vai ganhar apenas um pouco a mais do que ganhava em Picos, mas como fechou contrato por cinco anos, ele teria a certeza de uma estabilidade garantida para toda a família.

Assim que chegamos na nossa nova casa, minha mãe já foi começando a brigar, a casa que o papai alugou, era um pouco menor do que a nossa moradia antiga, e eu teria que dividir o quarto com a minha irmã Laís. – Como é que você tira a gente de um buraco para nos colocar em outro pior? - resmungou minha mãe. – Pelo menos aqui eu não ficarei desempregado! - respondeu meu pai rritado. – Mãe, não tem problema! Laís e eu ficamos no quarto menor e dormimos na mesma cama! - tentei apaziguar a situação, não queria ver meus pais discutindo. – Não irei aguentar isso por muito tempo! Amanhã mesmo eu irei procurar casas para faxinar e já procurar fixar alguns clientes! E você vem comigo Laís! - disse puxando minha irmã pela mão. – Eu também vou.... – Negativo Taís! Eu tenho outros planos pra você! - Minha mãe disse enquanto pegava minha irmã pela mão levado para ajudá-la. Minha mãe almejava um grande futuro pra mim! Ela queria que eu me casasse com algum milionário, ou seja, dar o golpe do baú e segundo ela, salvar toda a família da pobreza. Ela sempre me enchia o saco falando sobre essas coisas pra mim, queria me obrigar a ter uma vida que eu não queria, ao lado de alguém que provavelmente eu não amaria, somente por causa do dinheiro. – Minha família não era tão rica, mas era de classe média! Eu fui criada dentro dos bons costumes, por isso sou tão refinada! - Eu podia repetir de cor o discurso que minha mãe fazia todas as noites ao pé da minha cama, ela sempre ia todas as noites e repetia tudo novamente. – Mas em vez de me casar com um rapaz rico que gostava de mim, eu preferi o derrotado do seu pai! - dizia sempre reclamado de meu pai. – Mãe, eu estou muito cansada por causa da mudança! Eu quero dormir! - estava exausta por causa da viagem. – É bom que você fique acordada e entenda o quão é cansativo a vida de quem só trabalha e trabalha! Você é linda que nem eu era! E eu não vou deixar você cometer os mesmos erros que eu! - sempre queixando-se, chegava a ser insuportável. – Eu quero fazer faculdade! - Este era o meu sonho, estudar e ser independente. – Nós não temos dinheiro pra isso minha filha! E você não pode perder tempo estudando! Você tem que sair! Ir às festas, bares, academia, lugares onde encontrará possíveis pretendentes! - Dei um suspiro de frustração! Minha mãe não se cansava de falar sempre a mesma coisa. – Você não nasceu com esse corpo perfeito, essa pele maravilhosa e esses olhos azuis por nada Taís! Você era a garota mais linda de Picos, agora é a garota mais linda de Teresina! A Laís, se quiser, pode estudar para entrar em uma faculdade! - Mamãe não cansava de tentar me convencer de seus ideais distorcidos. Minha irmã revirou os olhos e se virou para o outro lado da cama, ela também era obrigada a ouvir os discursos da minha mãe já que dormia comigo, e para ela devia ser terrível ouvir que a irmã era simplesmente perfeita e maravilhosa e que ela era bonitinha mas era diferente da irmã mais velha. Eu acho a minha irmã muito linda, e o fato dela não ter esses peitos e essa bunda exagerada que eu tenho, e que na maioria das vezes até me incomoda, não a torna menos bonita do que eu. E por falar a verdade! Eu sentia inveja da Laís! Ela tinha a liberdade de fazer e escolher ser da vida o que quisesse! Eu por outro lado tinha que carregar o fardo de levar uma galinha de ovos de ouro para a minha mãe. – Toma esse dinheiro! - Minha mãe pegou um dinheiro rápido do bolso e me entregou como se tivesse fazendo uma traquinagem. – Mãe! Se a senhora tem dinheiro guardado porque não ajudou o papai a comprar o gás? - Perguntei incrédula! – Esse dinheiro é pra você ir no salão amanhã! Vai fazer as unhas, maquiagem e hidratar os cabelos! - Não estava acreditando no que ouvia! – Eu posso ir também? - Questionou a Laís, que com certeza também queria esses mimos de minha mãe. – Já disse que você vai me ajudar a fazer faxina! - Esbravejou. - Laís novamente revirou os olhos e jogou a cabeça de uma vez no travesseiro, demonstrando toda a sua frustração. – Mãe, eu não posso aceitar! - disse estendendo o dinheiro para lhe devolver. – Já chega disso Taís! Amanhã você vai fazer o que te falei! - ela disse de maneira autoritária e saiu do quarto logo após, deixando duas irmãs irritadas e frustradas por motivos iguais e ao mesmo tempo diferentes. – Taís, porque você não faz o exame nacional do ensino médio? Conseguindo uma boa nota você consegue entrar em uma faculdade, sem que o papai precise pagar! - Laís cochichou uma grande idéia que me deixou entusiasmada. – Você acha que eu consigo passar? - Será que eu era capaz, me peguei pensando. – Você estuda todas as noites quando a mamãe for dormir, mas não esquece, as inscrições já começaram! - me alertou. – Eu preciso dormir bem todas as noites! A mamãe não gosta que eu fique com olheiras! - Me lembrei das regras impostas por ela. – Taís a mamãe faz de você gato e sapato porque você permite! Já pensou se ela arruma um velho rico e babão pra jogar em cima de você? - Eu quase desmaiei com a ideia aterrorizante que Laís cogitou. – Tá Laís! Eu vou estudar todas as noites! - Ela me convenceu, agradeci abraçando minha irmã. E assim eu fiz todas as noites durante dois meses! Um tempo curto, comparado com outros estudantes que se preservam por muito mais tempo, mas eu dei o melhor de mim nos estudos e me esforcei bastante Nesse meio tempo eu também tive que me desdobrar para conciliar meus estudos e fazer as vontades da minha mãe, que era ir para vários pontos onde supostamente eu encontraria pretendentes ricos. E de fato os encontrava! Homens nojentos e asquerosos que ficavam me encarando como se eu fosse um pedaço de carne, minha mãe não sabe, mas eu me esquivei de várias investidas indesejadas durante os últimos tempos. Por fim eu fiz o provão e consegui pontos o suficiente para entrar na faculdade de Gastronomia, eu sempre amei cozinhar, e ser uma grande chefe de cozinha era o que eu queria para o meu futuro. Eu fiquei muito feliz e reuni toda minha coragem e fui dar a notícia para os meus pais, afinal eu havia conseguido entrar por mérito próprio em uma das faculdades mais caras de Konoha, meus pais deveriam ficar orgulhosos de mim. – O que? Garota, você não fez isso?! - ouvi minha mãe gritando enfurecida. Foi a primeira reação da minha mãe assim que eu contei para todos a novidade. – Filha gastronomia? Porque você não escolheu direito ou contábeis? - ouvi meu pai perguntando confuso. – Você ainda dá apoio, Cézar? Ela não vai enfiar a cara nos livros e esquecer do que ela tem que fazer! Você não vai pra faculdade! - berrou em minha direção. – Ela vai sim! - Laís retrucou gritando, um grito maior que o da minha mãe e todos olharam pasmos para ela, minha irmã sempre foi assim, eu queria ter metade da coragem e da força dela. – Na faculdade que a Taís foi aceita tá cheia de garotos ricos! - agora tinha entendido a estratégia de minha irmã. Minha mãe mudou sua expressão de raiva para diabólica. – Acho que um curso que ensina a mexer com comida não se precisa perder muito tempo estudando! Quando começam essas aulas? - investigou minha mãe com todas as más intenções. – Semana que vem! - Respondi rápido sem conseguir esconder minha empolgação, meu sonho agora seria real, eu iria mesmo para a faculdade. – Vou fazer umas pregas no cós da sua calça para deixar seu bumbum ainda mais empinado - disse a minha mãe, percebi que o sonho de minha mãe continuavam os mesmos, apenas haviam mudado, e eu agora iria procurar novos pretendentes para dar o golpe do baú na faculdade, mas pelo menos eu iria estudar, o que me fez transbordar de felicidade. (...) Esse foi todo o caminho que eu tive que trilhar até conseguir entrar na faculdade! No meu primeiro dia de aula eu estava muito animada e nervosa, não sabia se o concerto que minha mãe fez na minha calça jeans havia funcionado, mas assim que entrei no campus todos os olhares foram direcionados para mim, se eu já não fosse acostumada a chamar tanta atenção assim, talvez eu ficasse com vergonha, mas essas expressões de interesse e desejo são bastante familiares para mim, e também bastante entediantes. Descobri que iria dividir dormitório com uma garota chamada Bruna, uma loira linda de olhos verdes que mais parece uma Barbie, ela é super alegre e bem patricinha, ela também me tratou super bem e agora eu, ela e a Mila, sua amiga de infância, não nos desgrudamos nem um minuto e viramos "Best Friend's". – Taís! - ouvi minha amiga Mila me chamando. – Amigaaaa! Você tem que ir com a gente na festa hoje! - logo após chegou Bruna como sempre alegre. Encontrei as duas garotas fazendo maquiagem uma na outra assim que abro a porta do dormitório, já fazia um mês que estava frequentando a faculdade. – Acabei de sair da aula! Estou morta de cansaço! - fingi não ouvir o que dissera, e me joguei na cama exausta. – Não amiga! Eu não aceito não como resposta! Você fez isso o mês inteiro! Ainda não foi nenhuma balada desde que entrou na facul! - disse Bruna contrariada. – Não quero saber de balada! Meu objetivo é focar nos meus estudos! - Elas não entendiam que eu não queria arranjar ninguém para minha vida. – Ah! Qual é Taís! Você tem que se animar mais! Como é que alguém com um corpão desses só pensa em se esconder?! - Questionou Mila. – Todos os garotos estão loucos por você Taís! Você tem noção do quanto você é gostosa? - disse Bruna diz me pressionando. – Assim como vocês! - Disse, tentando fazer com que o assunto não tivesse enfoque em mim. – Quem dera eu tivesse esses melões que você tem! A sua beleza é fora do comum Taís! - Mal sabiam elas que isso só me deixava mais constrangida e não queria sair, de tanto que minha mãe exaltava meu corpo. – Por favor amiga! Vamos só hoje? Eu nunca te pedi nada! - A loira me pediu com tanta doçura que foi impossível dizer não, desde o primeiro dia em que entrei na facul elas duas me trataram bem, e apesar de serem riquíssimas nunca me desrespeitaram por não ter a mesma posição social que elas tinham. – Tudo bem! - respondi convencida. Bruna e Mila ficaram eufóricas! A loira já foi pegando um vestido dela, que segundo a mesma nunca lhe caíra bem, mas que em mim ficaria perfeito. E o pior é que ela estava certa! O vestido colado valorizava bastante meu decote e a minha cintura, além de empinar o meu bumbum e deixar metade das minhas coxas a mostra, se minha mãe estivesse aqui neste momento com certeza daria pulinhos de alegria. Depois de uma maquiagem bem feita pelas meninas e uma escovada no meu cabelo enorme e bem hidratado, eu já me encontrava pronta para ir à festa. Assim que entramos na enorme mansão da irmandade dos Zac's todo mundo começou a olhar pra mim, e eu devo confessar que daquela vez esses olhares não me incomodaram porque a quantidade de garotos lindos naquela festa era enorme. As meninas me puxaram para o meio da sala e nós começamos a dançar, eu sentia todos os olhares pra mim, mas tinha um que me queimava intensamente, e eu não conseguia parar de olhar pra ele, ele era muito lindo, a pele branquinha, o cabelo preto estilo emo, e os olhos tão pretos quanto duas jabuticabas, ele me encarava e algumas vezes sorria durante os intervalos em que dava goles em sua bebida. – Amiga disfarça! Mas o Silas não para de olhar pra você! - Mila me alertou. – Ele tem a maior cara de bad boy! - eu disse, seu olhar me fazia sentir arrepios. – E é mesmo! Passa o rodo em geral aqui na faculdade! - falou a loira entregando as sujeiras do bad boy. – É de alguém assim que eu devo ficar longe! - afirmei. – Relaxa que ninguém aqui hoje vai pegar ninguém! Apenas curtir! - E lá se foi a loira direto para a pista de dança. – Diga isso por você! Olha só quem acabou de chegar! - A garota apontou para o senhor Rodrigues, não era segredo pra ninguém que ela andava se pegando com o professor mais charmoso da faculdade, e depois de alguns minutos se encarando, os dois trocaram algumas mensagens no celular e num piscar de olhos nossa amiga rosada desapareceu, deixando eu e a Bruna sozinhas na pista de dança. – Eu vou procurar alguma coisa pra beber! - Avisei para a Bruna e depois fui direto para a cozinha, e lá mesmo tomei um refresco, estava com muita sede. Enquanto estava encostada no balcão, alguns garotos tentaram se aproximar, e eu saí educadamente de perto de todos, a festa estava cheia de riquinhos de merda no qual minha mãe adoraria ver eu me relacionando. E foi por isso que eu ignorei todos e voltei para a sala! "Eu não vou dar o golpe em ninguém! Eu não irei ouvir ninguém me chamando de interesseira! Eu irei estudar e conseguir meu próprio dinheiro, para ajudar a minha família com meus próprios esforços" - Esses eram meus pensamentos, e continuam sendo até hoje, conquistar algum garoto naquela festa, para mim estava fora de cogitação. – Taís vem cá! - Bruna me chamou na entrada da mansão, ela já estava de mãos dadas com um garoto moreno, muito bonito, e ao lado deles estava o Silas, o garoto que estava me encarando mais cedo. – Voltei amiga! - disse sem olhar para o moreno. – Achei que tinha sido sequestrada por algum desses garotos que estão te secando! - Bruna era muito brincalhona. – Bem que eles tentaram! - Respondi e nós gargalhamos, a todo momento eu sentia o olhar do Silas em mim, mas procurava disfarçar. – Amiga deixa eu te apresentar! Esses são o Dudu e o Silas! Os dois pegaram na minha mão e me deram beijos no rosto, depois ficamos algum tempo conversando, quer dizer, a Bruna ficou conversando, na verdade eu não estava me sentindo muito bem na presença daqueles garotos, já a Bruna, conversava abertamente com eles e depois de algumas bebidas a mais e algumas palavras em sua orelha, a loira acabou subindo as escadas com o Dudu, e me deixou sozinha com o Silas. – Você parece estar cansada da festa! Quer ir a um lugar mais tranquilo para tomar um ar? - O moreno me convidou me olhando intensamente. Olhei em seus olhos e fiquei muda, o garoto mais popular da faculdade estava conversando comigo e claramente dando em cima de mim, e eu simplesmente fiquei calada, sem conseguir soltar nenhuma palavra. – Você é tímida né? - Me perguntou sorrindo ladino. Não respondi e saí apressada da festa direto pro campus, fiquei tão estarrecida que deixei o garoto falando sozinho, eu estava sempre tão acostumada a dar foras em garotos, mas com o Silas foi diferente, talvez porque com ele eu não quisesse dar um chega pra lá, talvez eu quisesse algo com esse garoto e por isso eu fiquei muito confusa e não soube lidar com isso, e foi com esses pensamentos que eu fui dormir depois de muito tempo após ter chego no dormitório. (...) Depois de um fim de semana todo mergulhada nos livros, esqueci completamente o acontecido da festa e voltei a minha rotina normal na faculdade, eu já estava decisiva, nada de festas, nada de homens ricos, meu foco era apenas os estudos e nada mais. De repente meu celular começou a tocar no meio da aula, pedi licença para sair, e quando cheguei no corredor percebi que era um número desconhecido, achei estranho mas mesmo assim eu atendi. - Alô! - Oi Taís! Aqui é o Silas! O garoto que você deixou falando sozinho na festa! - O... oi! - estava meio sem graça. - Você deve estar achando estranho né? Mas foi a Bruna que me passou o seu contato! Eu gostaria de te chamar pra conversar! Sabe, com mais calma, mais tranquilidade! - A... acho que, tudo bem! Eu realmente fiquei surpresa com aquela ligação! O que aquele garoto queria comigo? Ele tinha todas as garotas da faculdade aos pés dele, será que eu deveria me sentir preocupada ou lisonjeada? Inúmeros pensamentos se passavam pela minha cabeça, mas eu não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Nós combinamos de nos encontrar à noite, na pracinha do campus, quando eu cheguei ele já se encontrava no local, estava sentado na grama e tocava violão, era uma música calma e romântica, e muito bonita também. Ele me viu e me deu espaço pra sentar ao lado dele, mas não disse nada, continuou a tocar o violão. – Você luta por seus sonhos Taís? - me perguntou. – Na medida que posso eu luto sim! - respondi. – Eu não! Eu queria ser músico! Mas para impressionar o meu pai estou na faculdade de direito! - Me confidenciou, seu olhar era enigmático. – Você acha que está fazendo a coisa certa? - Eu queria saber mais sobre a vida dele, então perguntei. – Ter a atenção do meu pai também é o meu sonho! Eu meio que estou na luta ainda! - Ele falava um pouco tristonho e ali eu tive a visão de outro Silas, uma visão que as outras garotas não tinham, uma visão que aparentemente ele estava apenas mostrando pra mim, e eu me senti única por causa disso. – Vocês é mesmo muito linda Taís! É a garota mais linda que eu já vi! Você me deixou impressionado! - Ele disse olhando no fundo dos meus olhos e me fez derreter – Eu posso te dar um beijo? – Sim... - Aquele momento com o Silas foi muito bom, depois disso nós nos encontramos várias vezes e eu sentia que estava cada vez mais apaixonada, então depois de duas semanas que nós estávamos ficando o Silas me convidou para ir ao apartamento dele e lá ele colocou um anel de compromisso em meu dedo e me pediu em namoro, depois do momento em que eu o aceitei, nós tivemos a nossa primeira noite de amor, um pouco grossa e rápida demais, mas pra mim estava tudo bem, era nossa primeira vez e eu não iria cobrar nada dele. Depois de um mês de namoro, quando eu já tinha a certeza de que gostava dele, levei o Silas para conhecer minha família, é claro que minha mãe amou ele de cara, era gentil, educado, e podre de rico. Meu pai também gostou bastante do jeito educado dele, e a Laís ficou encantada com a sua gentileza. Por fim! Eu fiquei feliz em saber que minha família estava apoiando o meu namoro, isso para mim era muito importante, e como eu conheci o Silas na faculdade, minha mãe não implicava mais com meus estudos. – Quando eu irei conhecer a sua família? - Perguntei assim que desci da sua moto, ele tinha acabado de me deixar em frente a faculdade. – Não acho muito necessário! Aliás você não vai ver nada demais por lá! Apenas o meu irmão que é retardado! - Estranhei sua resposta. – Você tem um irmão que é doente mental? - Questionei. – Ele é doido de pedra! Se eu levar você lá com certeza ele vai querer avançar em você! Rasgar sua roupa, te morder, sabe, esses doidos tem uma força descomunal! – Misericórdia! - respondi assustada. – Pois é! Ele baba o tempo todo! Você vai ficar com nojo! Mas ... princesa, essa saia está muito curta! Eu tenho ciúmes amor! - Disse, percebi que ele quis cortar o assunto. Naquele momento eu fiquei toda boba em saber que ele sentia ciúmes de mim. – Ciúmes? - Perguntei me sentindo poderosa. – Sim! Não veste mais essa roupa não linda! Ok? - Ele me respondeu, mais parecia uma ordem. – Essa é uma das minhas roupas favoritas! - Resmunguei. – Gatinha eu não posso aceitar que os outros caras olhem para o que é meu! Você não é qualquer uma! Você é a minha namorada! Aquela revelação fez meu coração palpitar. – Eu tenho outras roupas maiores! - Rapidamente mudei de idéia. O moreno dá um sorriso de orelha a orelha e depois me abraça. – Vai ficar mais linda do que já é! Vista uma roupa bem comportada na festa de hoje tá bom? - O moreno dá um sorriso de orelha a orelha e depois me abraça. Concordei, logo depois ele me deixou em frente ao meu dormitório e voltou para o seu apartamento. Assim que entrei me deparei com a Mila e a Bruna, elas estavam se maquiando, com certeza estavam se preparando para a festa. – Nossa! Quem é vivo sempre aparece! - Falou a Bruna emburrada. – Amiga, você agora parece uma turista aqui no dormitório! - Disse a Mila, parecia preocupada comigo. – Ando muito ocupada ultimamente! - Respondi irritada, mas que tanto me faziam perguntas? – Com as aulas é que não é! - Vi que Bruna estava tentando me dar um sermão – Eu vi que você ficou retida em duas matérias Taís! O que está acontecendo? – Está muito difícil conciliar as aulas e... - tentei me explicar. – É por causa do seu namorado né? Por Favor né Taís? Você não é assim! Sem contar que... - Mila interrompeu o que ia falar. – Que o quê? - Questionei. – Mila! Melhor não! - Bruna estava me escondendo algo, assim como a Mila. – Melhor sim! Se vocês estiverem escondendo alguma coisa de mim! É melhor me falarem! Eu pensei que fôssemos amigas! - Olhei para as duas pressionando-as. – Na sexta passada! Quando você foi passar o fim de semana com seus pais e... - Percebi que ela estava relutante em me dizer. – Mila conta logo! - Gritei perdendo totalmente minha paciência, se elas estavam me escondendo alguma coisa, eu tinha todo o direito de saber. – A gente viu o Silas beijando uma garota! - Revelou a Bruna.

Capítulo 3 Três

"A gente viu o Silas beijando uma garota!" Assim que ouvi o que as meninas falaram, troquei de roupa imediatamente e fui na festa com as meninas, vesti minha roupa mais curta e coloquei uma maquiagem bem pesada, porque até com isso o Silas estava implicando ultimamente. Enquanto a Bruna dirigia seu carro de luxo e conversava com a Mila sobre algum assunto qualquer, eu estava com a testa colada no vidro janela, olhando para as luzes da cidade e me perguntando se era normal as pessoas mudarem tanto assim depois de um certo tempo de namoro.

O Silas passou de príncipe encantado a sapo em poucas semanas, ele me sufocava, fazia questão de mostrar para os amigos que estava comigo, era como se eu fosse um troféu pra ele. "O garoto mais popular, com a namorada mais bonita!" E eu me perguntava se relacionamentos assim, era o que eu teria durante toda a minha vida, uma lágrima solitária escorreu pela minha bochecha enquanto minha mente vagava com esses pensamentos. Ser portadora de uma beleza descomunal não é tão bom quanto todos pensam! Pra mim mais parecia uma maldição do que uma benção, como minha mãe queria me fazer acreditar. - Amiga não fica assim! Logo você vai resolver essa situação. - a Bruna disse percebendo a minha tristeza. - Se você quiser ajuda pra quebrar a cara dele pode contar comigo! - a Mila disse me fazendo sorrir. - Obrigada meninas! Vocês são as melhores! - As amigas se ajudam! E é isso o que nós somos! - Bruna respondeu sorrindo. Se tem uma coisa que eu aprendi com a faculdade é que assim como o amor, amizade é um laço que não se quebra facilmente, mas somente quando a mesma é sincera e verdadeira, e naquele momento eu me considerava bem sortuda por ter a Mila e a Bruna como amigas. (....) Assim que chegamos na festa dei de cara com o Silas agarrado com duas garotas, naquele momento senti um ódio inexplicável e fui de encontro ao mesmo. - Amor deixa eu te apresentar! Essas são... - ele começa a me dizer e eu dei um tapa enorme no rosto dele e subi as escadas, não sabia bem pra onde ia, só queria me afastar do Silas imediatamente. - E isso aí amiga! Arrasou! - As meninas me alcançaram, e nós ficamos conversando encostadas no corrimão da escada, eu estava me sentindo leve, como a muito tempo não me sentia. - Mas que filho da puta! Estava com duas! - a Bruna disse e a Mila concordou. - Nem quero mais falar disso! - eu respondi com raiva. - Bruna cadê o Dudu? - pergunto mudando de assunto. - Ele é um completo imbecil assim como o seu ex-namorado! E eu mandei ele ir passear! - É por isso que eu não perco meu tempo com esses garotos imaturos! Meu namoro com o Carlos está de vento em polpa! - Mila disse se achando. - Então são essas duas vadias que estão enchendo a sua cabeça de merda? - Senti o hálito quente com um cheiro forte de bebida do Silas por trás do meu pescoço, e em seguida a mão dele apertando o meu pulso com força, ele me puxou pra um dos quartos, ignorando os gritos e reclamações das minhas amigas, e assim que entramos ele bateu a porta com força e a trancou. - O que você pensa que está faze... - A mão grande e pesada dele atingiu em cheio o meu rosto causando uma enorme queimação na minha bochecha, involuntariamente eu coloquei a mão em cima da dor e comecei a massagear. - Desculpa! Mas só estou retribuindo a gentileza! - ele disse sorrindo. - FILHO DA PUTA! - gritei sentindo o meu rosto arder. - Eu sou filho da puta? Você chega na festa parecendo uma vadia arrancando os olhares de todo mundo, e já vem me tacando o tapa, sem nem me deixar apresentar minhas amigas. - Aquelas vadias são bem próximas de você não é mesmo? - Sim! Aquelas são a Soraya e a Karin! - E.... Elas são as primas que... - Não são bem primas! A Karin é sobrinha da minha madrasta! Nós crescemos juntos, e a Soraya sempre foi colada na gente! Como eu já havia falado pra você diversas vezes! - disse revirando os olhos. De fato! O Silas já havia me falado bastante sobre essas garotas que foram criadas com ele como se fossem irmãos, as mães são amigas, e parece que tem uma que é prima ou algo assim, ele sempre me falou muito pouco sobre a família, e sempre quando eu falava em conhece-los ele desconversa, dizia que a madastra iria me desprezar por eu ser pobre, que ela era uma completa megera, e que ainda era muito cedo para o pai dele me conhecer, o que me fazia que ele só estava mesmo comigo para mostrar aos amigos que tem uma namorada bonita. - Pronto! Podemos voltar para a festa agora? - ele chama como se nada tivesse acontecido. - Eu soube que você beijou uma garota na sexta passada! - Isso é coisa das suas amigas não é? - Silas perguntou com a voz alterada, e eu dei uns passos para trás, além de bêbado ele estava com os olhos vermelhos, como se estivesse usado algo mais forte do que bebida. - Eu apenas dei um selinho na Karin! Não foi nada demais! A gente sempre faz isso! Agora deixa de bobagem e vamos voltar pra festa! - Eu quero terminar Silas! - digo decidida. - O quê? Tá brincando né? - A expressão dele era de incredulidade, quase até esboçando um sorriso, como se eu estivesse dizendo uma piada sem nenhum sentido. - Eu não quero mais namorar Silas! Eu quero terminar! - Onde você acha que vai encontrar alguém melhor que eu? Você é gostosa, mas ninguém vai querer te assumir! Só vão querer te usar e jogar fora! - Eu tô me lixando pra você e pra todos os garotos dessa faculdade! A gente não está mais namorando e ponto final! Destranquei a porta e saí praticamente correndo do quarto! Eu não queria demorar o suficiente para que meu ex-namorado me puxasse de volta pra aquele quarto, ele já estava começando a me deixar com medo dele. Saí da festa as pressas! Peguei um táxi! Mandei uma mensagem para as meninas avisando que já tinha voltado para o dormitório e que a partir daquele momento era novamente uma garota solteira, elas ficaram tristes por eu já ter saído da festa, mas comemoraram o término do meu namoro. Assim que cheguei no dormitório tranquei a porta e a janela! Tirei a roupa colada da festa e vesti uma camisola, desliguei meu celular pois não parava de chegar ligação e mensagens do Silas, deitei na minha cama, e finalmente pude respirar. E assim foi o meu término com o Silas! Sem choro, sem tristeza, apenas vazio, um sentimento inane e nada mais. (.....) Durante toda a semana que se sucedeu eu praticamente voltei a minha rotina antiga de quando comecei a estudar, eram apenas livros, estudos, lógico que alguns garotos sempre davam suas investidas, que eu cortava no mesmo instante, não queria saber de garotos, apenas focar na faculdade, minha experiência com namoro não havia dado certo e eu não queria perder o imo novamente. E por falar em namorado, eu praticamente andava me escondendo dele, eu sempre via ele passando pelos corredores com a Soaraya e a Karin, sempre o via também com a sua turma de garotos ricos, populares e idiotas, e ele sempre estava feliz e demonstrando que havia me superado mas as mensagens que ele me mandava sempre me mostravam o contrário, por isso eu achava melhor evitá-lo. Já era tarde da noite e eu já me preparava para dormir. Logo, logo a semana de provas iria começar e mais do que nunca, eu tinha que tirar notas boas. Passei a tarde livre estudando, revisando matéria, fazendo simulados... e quando eu dei por mim, já era quase meia noite. Tomei um banho longo, vesti uma roupa confortável e me deitei pronta para dormir quando meu celular tocou, avisando que havia chegado mensagem. Ao olhar para o visor, senti um vento gélido percorrer a minha espinha, meu coração começou a acelerar, a respiração a falhar e eu comecei a tremer. Sim, eu estava tendo um ataque de pânico em apenas reconhecer o número daquele que um dia eu gostei. Abri a mensagem que ele havia enviado e confesso que eu não acreditei no que estava escrito... Silas Boa noite, meu amor! Como você está? Eu estou morrendo de saudades de você. Dei o tempo que você precisava, então já podemos voltar com nossas vidas normais. Confesso que tive que me segurar para não arrebentar a cara de um daqueles idiotas que deram em cima de você. Também não gostei de saber que aquelas vadias das suas amigas andam espalhando por aí que a gente terminou. Já te falei para ficar longe delas. Estou morrendo de saudades. Te amo!" Sim, ele teve a cara de pau de falar que minhas amigas eram as culpadas pelo nosso término. Sendo que a única pessoa culpada foi ele. Coloquei o celular na cama e me preparei para dormir novamente, mas as mensagens não paravam de chegar. Silas Porra Taís! O que você está fazendo que não respondeu minhas mensagens? Você está me irritando. A última vez que você me deixou assim eu agi sem pensar e acabei te agredindo. Mas a culpa disso tudo foi sua. Se me escutasse e fizesse o que eu mando, não iríamos nos desentender! Você é a única culpada por tudo." Silas Então vai ser assim, não vai me responder mesmo? Então tá certo. A sua sorte é que eu te amo e quero você do meu lado. Mas saiba que se eu ver você novamente vestida igual uma puta e dando moral para outra pessoa que não seja eu, te garanto que você irá se arrepender. E só pra te lembrar, não quero ver você conversando com a Bruna e nem com a Mila. Elas são má influência para você. Elas estão te infectando com mentiras sobre mim. Aposto que elas queriam dar pra mim" Eu lia tudo com um nó na garganta. Ele estava louco, só podia ser isso! Desliguei o celular, conferi novamente a porta e a janela para certificar-me que estavam trancadas, e finalmente, me permiti dormir. Apesar desses desconfortos, a minha semana foi maravilhosa, eu estava cansada, mas também estava com o sentimento de dever cumprido, afinal eu tinha conseguido colocar todas as disciplinas em dias novamente. Foi aí que na sexta a noite eu recebi uma ligação da minha mãe! Ela estava desesperada e pedia para eu ir em casa o mais rápido possível, e eu fui correndo, pois imaginei que alguma coisa ruim teria acontecido com o papai ou com a Laís. Mas assim que cheguei e abri a porta de casa, me deparei com a cena mais inusitada que eu poderia imaginar. O Silas sentado na mesa da nossa cozinha e conversando todo educado com a minha mãe. - O que você tá fazendo aqui? - perguntei irritada para o meu ex. - Isso é jeito de falar com seu namorado? - minha mãe se intrometeu na conversa. - Nós terminamos! - Eu respondi firme para minha mãe! Mas a verdade é que eu estava desesperada e chorando por dentro, o Silas estava mesmo se provando mais louco do que eu imaginava. - Você não pode terminar o seu namoro simplesmente por causa de fofocas feitas por amigas falsas! - minha mãe diz em defesa do Silas. - Mãe você não sabe nem metade da história! - Silas você poderia nos dar licença um instante? - É claro! Te espero lá fora meu amor! Ele disse pra mim todo sorridente e eu congelei por dentro com o seu olhar perverso! Aquilo tudo estava parecendo mais com um pesadelo! Um pesadelo que se confirmou no instante em que minha mãe deu um tapa forte na minha cara. - Você enlouqueceu? Um rapaz bonito, rico, educado e inteligente louco por você, e você fica com essas birras idiotas! - Mamãe eu.... - Cale-se! Eu ainda não terminei! Minha mãe me empurrou bruscamente fazendo com que eu me sentasse no sofá, ela se aproximou de mim e colocou o dedo na minha cara. - Sabe onde a Laís está agora? - ela perguntou. - No, no cursinho? - Ela está fazendo faxina! E vai ser assim até que as coisas melhorem! Você não pensa nela! Não pensa em nenhum de nós! Está com a faca e o queijo na mão! Estudando fazendo tudo o que sempre quis, e fica privando o futuro da sua irmã. - Não! Eu quero que a Laís também estude. - Minhas palavras quase não saiam devido as lágrimas, a verdade era que a minha mãe sabia as palavras certas para me intimidar e me fazer se sentir culpada. - Pense bem no que você vai fazer! Por acaso esqueceu tudo o que conversamos? Saia da minha frente. Me levantei e peguei minha bolsa, caminhei até a porta, mas antes que eu pudesse abri-la, mas uma vez a voz dura da minha mãe me cortou-se - "O seu namorado" ainda deve estar te esperando. - Assim que minha mãe disse isso eu entendi que eu não estava livre como eu imaginava, eu estava presa, acorrentada, e amordaçada. Quando cheguei na rua, caminhei diretamente para onde o Silas estava montei na garupa da sua moto. - Vamos no meu apartamento? - ele pediu se fazendo de desentendido. - Pode ser. - Respondi em desamino. - Antes vamos apenas passar em um local! Ele passou por umas ruas estranhas, e seguiu rumo a um bairro bem esquisito de Teresina, e parou em um endereço que mais parecia uma boca de fumo. Minha suspeitas foram confirmadas quando eu vi o Silas descendo da moto e indo conversar com uns homens mau encarados, que ficavam me olhando descaradamente, o que só fazia o moreno sorrir satisfeito e inflar ainda mais o seu ego. Ele conversava com os caras como se fossem velhos amigos, até o momento em que eles lhe entregaram um pacote quadrado bem esquisito, depois ele se despediu deles e veio até mim, ele me puxou e me deu um beijo quase forçado, e depois que terminou o seu show, ele me mandou subir de novo na moto e nós seguimos para o seu apartamento. - Agora sim! Eu vou matar toda a saudade que eu estava de você! - Ele veio pra cima de mim e começou a me abraçar e me encher de beijos, as mãos dele era gelada e todos os seus movimentos estavam me causando calafrios. Terríveis calafrios! - Silas não! Eu não tô no clima! - Só um pouquinho vai! Eu tava morrendo de saudade! - ele continua insistindo. - Eu tô cansada Silas! - Deixa de frescura! Eu sei que você quer! Ele insistia sem parar, e eu só queria sair de perto dele, então respirei fundo e deixei ele me penetrar, por sorte ele nunca demora o bastante, e em pouco tempo ele já havia alcançado o que queria e se retirou de dentro de mim. - Você também gozou? - ele perguntou desinteressado. - Sim! - Menti pra ele. - Eu sou mesmo muito foda! - Me deixa agora no meu dormitório? - Pra quê? Para aquelas duas piranhas fazerem a sua cabeça? A partir de hoje eu não quero mais você andando com elas ou você vai se mudar literalmente para o meu apartamento! Apenas o pensamento de morar com ele me causou extrema repugnância, tudo o que eu queria era sair dali o mais rápido possível, então concordei com tudo o que ele falou e logo depois ele me deixou no meu dormitório. - Amiga não me diga que você voltou com aquele traste! Ele passou a semana toda ficando com tudo o que é garota! - a Bruna me abordou assim que entrei no quarto, o semblante dela era de pura decepção, o que me deixou ainda mais envergonhada. - Silas e eu voltamos! E eu não vou mais acreditar em suas mentiras! Não se meta no nosso namoro. - Disse de uma vez e evitei encarar a rosto triste da minha amiga, então fui direto para o banheiro, tranquei a porta e deixei as águas do chuveiro caírem junto com as minhas lágrimas. Eu estava no fundo do poço! E sem a mínima condição de escapar dali. (....) Nos dias seguintes após a minha volta com o Silas, eu me sentia perdida, e mais sozinha do que nunca, a Bruna e a Mila me abandonaram completamente, e a Soaraya e a Karin estavam sempre coladas no Silas, o que não deixava de ser um favor pra mim, mas por causa disso eu acabei virando motivo de chacota na faculdade, todo mundo estava me chamando de "corna consciente" e mesmo que eu estivesse sendo forçada pela minha mãe a namorar alguém que eu não queria, ser motivo de piadas era muito ruim. As notas também voltaram a diminuir! Pois o Silas queria sempre que eu estivesse com ele nas festas, em bares, ele era muito popular, e tinha amigos de todos os tipos, ele queria que eu me desse bem com as amigas dele, só que por mais que eu tentasse o meu santo não batia com os delas, e quando eu descobri que elas faziam fofoca sobre mim foi que eu não quis mesmo nenhum tipo de aproximação com elas. Certo dia eu estava aproveitando o horário do intervalo para estudar na pracinha da faculdade, quando de repente o Caio sentou do meu lado e pediu umas dicas sobre o trabalho que ele estava fazendo, o garoto fazia gastronomia junto comigo e algumas vezes nós fizemos alguns trabalhos de classe juntos. - Então eu só preciso acrescentar mais calda de açúcar? - ele perguntou olhando minhas anotações. - Sim! Simples assim! - Eu disse dando risada e ele me acompanhou, nesse momento as duas "amigas" do Silas passaram olhando sem nem disfarçar para a gente, e só com aquilo eu me dei conta que teria problemas com o Silas. Depois de uns dez minutos ainda conversando sobre o tema, o Caio se despediu e só então eu lembrei de pegar meu celular da bolsa, me assustei com o tanto de ligações perdidas do meu namorado, ao fim tinha uma mensagem me avisando que ele estava na porta do meu dormitório, eu apenas me levantei e me dirigi imediatamente pra lá, e no momento em que o avistei no corredor já comecei a gelar, porque ele estava com aquela expressão no rosto, a mesma expressão do dia em que ele me deu um tapa, comecei a tremer de medo, mas forcei minhas pernas a caminhar até chegar perto dele. - Entra princesa! - Ele disse com uma calma no qual os olhos dele não estavam transmitindo, o que me fez achar mais estranho, e quando eu destranquei a porta aconteceu um dos piores momentos da minha vida. O Silas me empurrou para dentro do quarto e trancou a porta atrás de si, depois ele veio pra cima de mim e começou a me bater sem parar. - Sua vadia! Vagabunda! Acha que você vai ficar rindo de mim pelas costas? Eu sou o "fodão" dessa faculdade, eu quem sou o pegador aqui e não você! - Do que você está falando? Me solta porfavor! - eu pedia em desespero. - Acha que não percebo o jeito que todo mundo olha pra você? Como todos te desejam, e querem você pra eles? Heim sua vagabunda? Ele dizia tudo isso entre tapas, socos e chutes, a maioria dos golpes eram na barriga ou nas pernas, locais que ele saberia que os hematomas passariam despercebidos, mas também continuava a encher meu rosto de tapas. Eu me debatia, tentava me soltar, mas apesar de magro, ele era forte e tinha a mão pesada, e eu estava sentindo todo aquele todo aquele peso na pele. E então quando ele mesmo se cansou de me bater, levantou e pegou meu celular da minha bolsa. - Isso vai ficar comigo a partir de agora! Você não precisa desse troço que só atrai homens! E pense duas vezes antes de ficar conversando e se jogando pra cima dos boiolas que estudam com você. E dizendo isso ele saiu do quarto me deixando esparramada no chão, eu chorava tanto que nem sabia que existiam tantas lágrimas assim dentro de mim, eu queria gritar e pedir por socorro, mas não havia ninguém para me ajudar, não havia amigos, pois eu mesma havia me afastado por causa do namoro, não havia família, pois eles amavam o Silas e o colocavam em um pedestal, eu estava sozinha, perdida e imersa em uma total escuridão. A casca seca do que restou de mim, se levantou e saiu caminhando campus a fora, comecei a vagar pelas ruas sem nenhum destino, a única coisa que eu queria naquele momento era desaparecer. Caminhei tanto que minhas pernas começaram a doer, até o momento em que cheguei em uma pracinha, ela era muito bonita, mas a dor que havia em meus olhos não me permitia enxergar tal beleza. Tudo em mim era desgosto, trevas e sofrimento! Até o momento em que eu o avistei! E tudo mudou na minha vida! Foi como se o sol estivesse começando a nascer e seus raios clareassem a noite infindável que existia em minha alma. Foi ali naquela pracinha! Sentado em um banquinho desenhando uma paisagem, que eu o encontrei. A luz da minha vida! João Melis! E foi ali que começou a minha linda história de amor.

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