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Sob o Toque do Médico Mafioso

Sob o Toque do Médico Mafioso

Autor:: Nalva Martins
Gênero: Romance
LIVRO 1 - Sob o Toque do Médico Mafioso: Andreas Casteline é um médico brilhante - e o homem mais enigmático que alguém já ousou enfrentar. Confidente da temida Famiglia Vescari, conhecida como La Notte Rossa, ele domina com precisão cirúrgica tanto a medicina quanto os segredos da máfia. Frio, controlado e impenetrável, Andreas vive sob o peso de um passado que ninguém conhece. Por trás da serenidade impecável, existe uma dor antiga... e uma crueldade adormecida, pronta para despertar com um único erro. Giovanna Fontana é jovem, determinada e está prestes a se formar em medicina. Órfã desde cedo, dedicou toda a vida ao irmão - até o dia em que o perdeu de forma brutal. A dor se transforma em fúria, e a sede de vingança passa a ser o único remédio que ela conhece. Quando seus caminhos se cruzam, o destino costura o improvável: dois mundos opostos, duas almas marcadas e uma atração que desafia a razão. Entre o perigo e o desejo, Andreas e Giovanna descobrem que o amor pode ser tão letal quanto a vingança. Porque até o coração mais frio pode sangrar... quando o amor decide atacar. * LIVRO 2 - O Toque da Fera: Leônidas Constantino é um homem forjado pela dor. CEO temido, implacável e solitário, carrega no rosto uma cicatriz que não apenas desfigura sua pele, mas mantém viva a lembrança de uma traição que o destruiu. Desde então, ninguém é autorizado a encará-lo. Olhares são proibidos. Desobediência é punida. O medo é a sua armadura. Virna Casteline é tudo o que ele não esperava. Filha de um médico ligado à máfia, ela cresceu cercada de segredos, mas escolheu trilhar o próprio caminho. Tornou-se uma advogada brilhante, determinada e orgulhosa de sua independência. Ao aceitar trabalhar para Constantino, Virna não imagina que está entrando no território de um homem quebrado... nem que sua presença mudará tudo. O que Constantino não sabe é que a jovem que insiste em enfrentá-lo, que não desvia o rosto e não se intimida com sua ferocidade, guarda uma verdade que muda as regras do jogo: Virna é cega. Quando ele descobre sua fragilidade, algo inesperado desperta. O homem que vive nas sombras passa a observá-la em silêncio, tornando-se seu protetor invisível. Sempre à espreita. Sempre vigilante. Sempre lutando contra um sentimento que ele acredita não merecer. Mas o amor não pede permissão. E quando Virna toca o rosto de Constantino - não com medo, mas com ternura -, a fera percebe que, pela primeira vez, alguém o enxerga além das cicatrizes. Entre segredos, perigos, proteção obsessiva e um desejo impossível de controlar, nasce uma paixão intensa, proibida e arrebatadora. Porque às vezes... não é preciso enxergar para amar. E nem toda fera quer ser salva - algumas só precisam ser tocadas.

Capítulo 1 Prólogo

Giovanna

- Rápido, precisamos de mais pessoas aqui!

Alguém grita em meio ao caos dentro de um hospital público, enquanto os feridos não param de chegar. Fala-se em uma guerra entre facções. Uma disputa brutal e incontestável territorial pelo tráfico de drogas, e armas.

Bando de imbecis! Será que eles não conseguem ver que estão matando uns aos outros por nada?

- Doutora Giovanna, precisamos de você aqui! - Uma enfermeira pede em meio a uma turbulência de gritos, choros e gemidos doloridos.

- Só um instante, u já estou terminando aqui!

Meu nome é Giovanna Fontana. Atualmente trabalho como médica residente em um hospital público situado no centro de Verona – na região da Sicília. Entretanto, já estou no meu penúltimo ano de medicina e anseio por uma carreira de sucesso na área de cardiologia. E fora todo esse caos de dor, e de morte ao meu redor, eu amo o que faço. Contudo, não fiz isso sozinha. Na verdade, eu devo cada pedacinho dessa minha conquista Arturo Fontana, meu irmão mais velho. A verdade é que, desde que os nossos pais morreram ele se tornou a minha única família – o meu tudo. E acredite, ele me deu tudo que uma adolescente precisava para ser feliz, além de boa educação e muita dedicação. Arturo desistiu de tudo por mim – e quando eu digo tudo, quero dizer a faculdade de administração e uma carreira de sucesso, tudo isso para tornar-se meu pai e mãe. E para isso, tornou-se um dos melhores policiais que essa cidade já teve. Devo dizer que tenho muito orgulho do meu irmão e que faço tudo para ser o orgulho dele também.

- Giovanna! - Desperto quando doutora Sienna solta um grito de desespero.

- Termine isso para mim! - peço para a enfermeira que está do meu lado e corro ao seu encontro.

- Nós o estamos perdendo! Não sei mais o que fazer. - Ela fala para a sua equipe. - Aplique mais uma dose de adrenalina, agora!

Eu sei que deveria estar lá, ajudando a equipe a salvar mais uma vida, mas a farda ensanguentada me fez paralisar a centímetros da cama estreita e um zumbido abafou todas as vozes desesperadas ao meu redor.

Não pode ser!

Um eco vibrou dentro do meu cérebro, roubando todas as minhas forças, tirando de mim a capacidade de respirar, mas principalmente, tirando o chão de debaixo dos meus pés.

- Giovanna! - Sienna adverte-me com outro grito, puxando-me de volta uma realidade cruel e só então resolvo me mexer do meu lugar.

- Arturo, fale comigo, irmão! - peço em agonia, segurando em cada lado do seu rosto sujo de sangue. - ARTURO... - As lágrimas embaçam os meus olhos. - ABRE OS OLHOS, POR FAVOR!

- Tirem-na daqui! - Alguém ordena e sou literalmente puxada para longe dele. E depois disso, tudo se parece com uma cena de filme de terror em câmera lenta bem diante dos meus olhos. Os médicos lutando pela sua vida. O seu corpo inerte não esboça qualquer reação e em meio a isso tudo, o meu desespero só aumenta.

Ele se foi! Penso quando a equipe o abandona e vai em socorro de outros pacientes. Eu tinha um mundo todo perfeito onde meu irmão mais velho era o meu herói. Onde eu julguei que ele seria indestrutível e que eu jamais ficaria sozinha. Mas agora estou sozinha.

Quebrada e sozinha. E não sei que direção seguir.

... Doutora Giovanna Fontana!

Arturo cantarolou orgulhoso e cheio de si, esbanjando um sorriso sem tamanho.

... Nossos pais sentiriam muito orgulho de você, irmãzinha.

Sorrio ao lembrar-me do seu sorriso, mas não consigo parar de chorar.

... Isso aqui é para você.

Ele disse uma vez, sem me dar qualquer explicação, ao me entregar uma bolsa cheia de dinheiro.

... Mas isso é muito dinheiro, irmão!

... Eu sei. Ele é para o seu futuro, irmãzinha.

... Não posso aceitar tudo isso, Arturo.

... Você pode e vai.

- Por quê? - sussurro em amargura.

... Quero que me prometa que nunca irá desistir, Giovanna.

... Eu não vou, irmão.

... É sério, Gio. Mesmo que eu não esteja aqui com você, me prometa que jamais desistirá.

... Mas você vai estar aqui. E por que não estaria?

Em resposta ele beijou os meus cabelos.

Meu Deus, eu sou tão boba! Ele era um policial. Um homem da lei e isso poderia acontecer a qualquer momento.

- É por aqui, Senhorita!

Um médico legista diz quando adentro o necrotério horas depois, e inevitavelmente observo as suas paredes cinzas, que tem uma frieza implacável. Tão sombrias quantos a dor que me parte ao meio. O som da rampa metálica se arrastando minutos depois me faz fitar o embrulho negro, deitado sobre uma placa fria e ao mirar o seu rosto pálido, adormecido para a eternidade, lágrimas silenciosas voltam a inundar os meus olhos outra vez.

- Pode me deixar sozinha por alguns minutos? - peço, mas não tenho certeza de que ele me escutou. - Eu gostaria de me despedir dele. - Contudo, o fato de o homem sair da sala e fechar a porta me diz que sim.

Engulo um nó em minha garganta e trêmula, deslizo a minha mão pelo seu peitoral frio. Entretanto, algo me chama a atenção. Uma carta de baralho largada na lateral do seu corpo. Curiosa, seco as minhas lágrimas e a seguro para olhá-la com curiosidade. Meu coração bate forte quando tenho o vislumbre de uma rosa negra e espinhosa bem atrás do pequeno cartão, com alguns detalhes destacados em vermelho-sangue.

O ar me falta.

La Noitte Rossa. Penso, amassando a carta entre os meus dedos. Contudo, meu maxilar se enrijece sobremaneira, de forma que os ossos da minha face reclamam e uma fúria negra percorre as plantas dos meus pés, absorvendo todo o meu sistema, convertendo cada sentimento de dor em um instinto de vingança.

- Eu vou vingar a sua morte, irmão - prometo. - Não importa como, eu farei isso nem que seja a última coisa que eu faça em vida.

Capítulo 2 1

Giovanna

Um mês depois...

- Oiiii! - Alba, minha amiga de faculdade sibila quando adentro a sala de um apartamento que dividimos a cerca de seis anos. Desanimada, me deixo cair no sofá de três lugares e a fito de cima abaixo.

- Olá! Você está arrasando. Vai sair?

- O Camilo quer sair para dançar. - Ela fala e mira os meus olhos. - Você devia vir conosco, sabia?

Ah não, não tenho ânimo. Penso me afundando ainda mais no sofá.

- Sei lá, dançar um pouco. Beber. Se divertir. - Ela abre um sorriso largo e encorajador. Solto um suspiro frustrado.

- Eu não sei. - Pressiono os lábios.

- Ah, qual é, Gio? - Alba resmunga frustrada, sentando-se do meu lado. - Você está trancada nesse apartamento desde que...

Ela engole as suas palavras e puxa uma respiração pesada.

- Vamos sair um pouco, amiga - insiste com carinho. - Eu sei que não está sendo fácil, mas a vida continua e você precisa se distrair um pouco. Erguer a sua cabeça e... seguir em frente.

- Eu não tenho vontade de sair, Alba - resmungo desanimada.

- Eu sei, mas o Arturo não ia gostar de te ver assim. Se ele estivesse aqui com certeza reprovaria essa sua recusa e preguiça - sibila, abraçando-me. Entretanto, de repente algo se passa pela minha cabeça e me sinto instigada a finalmente encarar a minha vida por outra perspectiva.

- Tudo bem! - digo repentina, me ponho de pé como se estivesse revigorada. Alba me lança um olhar cheio de surpresa.

- Ah... é sério? - Ela fica de pé e os seus olhos chegam a brilhar em expectativas.

- Mas, eu não quero ir para a Nigth Dance como sempre vamos. - Ela une as sobrancelhas.

- Oh, e para onde você quer ir?

- Que tal a danceteria La Notte Rossa? - Minha amiga arregala os olhos em espanto.

- Ficou maluca?! Aquele lugar no mínimo custaria um dos meus rins na hora de pagar a conta! - Ela protesta.

Contudo, bufo em resposta.

- Deixe que eu cuido dessa parte, amiga. - Alba faz um O com a boca.

- Você? Vai pagar a conta? Com que dinheiro, Giovanna Fontana? - inquire e leva as mãos para a sua cintura.

Dou de ombros.

- Eu já disse para relaxar, não disse? Eu vou cuidar de tudo.

Minha amiga balbucia, mas decide fazer o que peço. Os seus ombros relaxam e ela faz um gesto de desdém para mim.

- Você está bem, se você diz. Mas, você está bem com isso, não é? - Ela procura saber.

- Eu estou ótima, Alba! - Ponho mais animação na minha voz. - Eu só preciso de alguns minutos para me produzir e podemos sair, ok? - Abro um sorriso espontâneo e ela corresponde com um sorriso extravagante.

La Notte Rossa. Não foi à toa que escolhi essa danceteria para essa noite. Essa é a boate mais badalada de Verona, mas é aqui que acontece os encontros entre os homens poderosos que fazem negócios com o lado mais obscuro dessa cidade também. E claro, que La Notte Rossa – a máfia mais temida da Itália faz parte desse grupo seleto. Eu tenho um plano. Usar a minha inteligência, o meu corpo e sensualidade para me aproximar de um deles e assim, encontrar o alvo perfeito para chegar mais perto de Dante Vescari. Eu só preciso me infiltrar no meio deles, conquistar a confiança e encontrar algo que os destrua definitivamente.

Sorrio sutilmente quando os meus olhos passeiam prazerosos pelo vestido vermelho de alças finas colado ao meu corpo. Observo o comprimento que chega na altura dos meus joelhos e depois, miro na cascata castanha e ondulada que cai pelas minhas costas. No segundo seguinte, deslizo um batom cremoso pelos meus lábios carnudos e completo com uma maquiagem sexy para uma noite "especial."

Respiro fundo.

Estou pronta para pôr o meu plano em prática.

- Minha nossa! - Alba praticamente se engasga ao me vir sair do meu quarto. Seu olhar extremamente extasiado percorre a planta dos meus pés dentro de um par de saltos altíssimos, escorrega pelas curvas do meu corpo e para bem no meu rosto maquiado. Contudo, seguro um sorriso pretencioso. - Você está de matar, mulher!

- Então, já podemos ir? - Ansiosa demais, descarto o seu elogio. Entretanto, os meus olhos balançam com uma empolgação contida da minha amiga para o seu namorado Camilo que estão em pé bem na minha frente.

Camilo é um brasileiro que veio arriscar tudo aqui em Verona em busca de oportunidades. E se quer saber, ele tem uma grande chance de tornar-se um vencedor.

- Só se for agora, gata! - O rapaz de pele escura sibila animado e um sorriso perfeito de dentes brancos se abre nos seus lábios quando ele abre a porta, nos dando passagem logo em seguida.

Confesso que dentro de mim tem uma agitação diferente. Algo que me esquenta, que me deixa o tempo todo em alerta, que traz uma energia misturada a uma determinação que eu não reconheço e que não sei administrar também. Só sei que o meu sangue está fervendo por antecipação. É algo que me faz ver a vida por outro panorama. Um mais perigoso, ousado e dramática. E com certeza, dançar com meus amigos, enquanto me embriago não faz parte desse panorama.

Não demora muito e New Rules preenche os meus ouvidos em um volume tão alto que é quase impossível ouvir o que os meus amigos estão falando. Um universo de cores exultantes, de luzes ofuscantes e de corpos suados, em uma penumbra de luxúria preenchem as minhas retinas curiosas.

- O que vocês preferem? - Camilo grita, atraindo a minha atenção. - Uma mesa ou ficar no balcão do bar?

Nenhum dos dois. Minha consciência grita de volta. O meu maior desejo agora é estar onde os meus olhos podem alcançar. A área vip que fica no segundo andar.

- Que tal... ali? - Aponto para cima, mas sem tirar os meus olhos da porta de vidro escuro, que esconde os segredos mais obscuros deste lugar.

- Oh, acho que não podemos pagar por isso, Giovanna. - Alba resmunga um tanto hesitante.

- E eu te disse para deixarem tudo comigo - rebate um tanto pretenciosa. Portanto, não espero eles me responderem e caminho com passos decisivos na direção da escada metálica. Contudo, um brutamontes está guardando a passagem, e bem atrás dele tem uma corrente de segurança.

- Que tal dar meia volta, crianças? - O armário de terno escuro e mal-encarado sugere, mirando nos meus olhos.

Crianças!? Protesto mentalmente.

- Essa área não é para vocês. - Ele continua. Presunçosa, ergo algumas notas grande de euro e balanço diante dos seus olhos.

- Acho que isso é suficiente para o nosso passaporte para esse lugar, certo? - Seu olhar rude se desvia do dinheiro e penetra o meu. Mesmo assim, ele se afasta um pouco, tira a corrente do caminho e abre passagem.

Sorridente, enfio as notas dentro do bolso do seu terno e começo a subir os degraus.

- Posso saber de onde você tirou tanto dinheiro, Fontana? - Alba resmunga perplexa perto da minha nuca. Mas dou de ombros.

- Digamos que eu recebi uma herança.

... Mas isso é muito dinheiro, irmão!

... Eu sei. Ele é para o seu futuro, irmãzinha.

Por você, irmão!

Resmungo mentalmente assim que ponho os meus pés dentro de um salão extremamente luxuoso, onde algumas garotas lindas exibem seus corpos dentro dos seus vestidos ousados, cheios de brilhos e curtos demais, colados em seus corpos. Além de seus saltos extremamente altos.

- Uau! - Camilo sibila extasiado, olhando para todos os lados com muita atenção.

- E, olha para esse drinque! - Alba fala completamente admirada, segurando uma taça que tem um líquido colorido, decorado com azeitonas e um mini guarda-chuva da bandeja de um garçom.

- Olha, eu me acostumaria com essa vida de rei! - Camilo sibila soberbo.

- Que tal aquela mesa? - Minha amiga aponta uma direção. Mas estou ocupada demais olhando para alguns homens dentro de uma antessala com poltronas de couro cor de caramelo, conversando animadamente.

Eles estão comemorando algo. Penso.

- Gio? - Alba me chama, interrompendo a minha análise.

- Ah... vão indo. Eu... alcanço vocês - peço, seguindo para outra direção do amplo e sofisticado salão. E antes de me acomodar em uma poltrona redonda e macia, pego uma bebida, me sento e cruzo as minhas pernas para avaliar o quadro de homens poderosos e de mulheres exuberantes que vivem o lado negro da vida.

Donatella Sofia Vescari. Essa é a caçula da família Vescari. Jovem, bonita e inteligente. Mas já ouvi falar em sua habilidade tornar-se uma sombra quando e onde ela quer. Essa garota idolatra o perigo e brinca com ele. É audaciosa e com certeza não pensaria duas vezes em cortar a minha garganta caso descobrisse os meus planos.

Do outro lado da sala, em uma mesa bilhar está Domenico Vescari. É o caçula dos irmãos. Aparentemente é o mais calmo, mas eu sei que é o tipo de homem que não leva desaforos para casa.

Nossos olhos se encontram.

Capítulo 3 2

Giovanna

E, meu Deus, é possível sentir a maldade escorrer feito um veneno letal pelo seu sorriso de dentes brancos tão perfeito. E embora nenhuma autoridade consiga provar, eu sei que existe muito sangue derramado em suas mãos. E com essa sua frieza, ele acertaria um tiro na minha cabeça sem pensar duas vezes e sem qualquer remorso.

Por fim, tem o Dante Vescari. Na verdade, eu não sei muito sobre esse homem. A vida dele é como um cofre fechado a sete chaves e ainda com sete segredos. Tudo o que consegui descobrir sobre ele me diz que é um homem influente no mundo da política, além dos hotéis de luxo e dos cassinos que ele coleciona e mantêm o poder em suas mãos.

E falando em poder...

Descobri que Dante tem uma coleção de homens poderosos comendo em sua mão. Contudo, ele também é um amante da família e um protetor de ferro capaz de fazer qualquer coisa apenas para mantê-la segura. Mas, fora dos muros da mansão Vescari a sua crueldade transcende qualquer vestígio de humanidade que existe dentro desse homem.

Merda, isso não será nada fácil!

Penso e entorno a minha bebida toda de uma vez na minha boca, fazendo uma careta no processo. Depois, pego outro copo na sequência. No mesmo instante mais um membro de La Notte Rossa se junta eles recebendo abraços fortes dos homens e beijos derretidos das mulheres.

Olhar penetrante e sorriso fácil.

Penso, enquanto o observo atentamente. Uma mistura pecadora entre o rígido e a doçura masculina. Contudo, a minha inspeção é interrompida quando ele olha de repente na minha direção e imediatamente abaixo os meus olhos, fixando-os no copo em minhas mãos. No entanto, não resisto e volto a olhá-lo por baixo.

Quem é você?

Me pergunto quando percebo que não tenho informação alguma sobre ele. Bebo mais um gole da minha bebida, porém, me sinto agitada quando ele leva suas mãos às bases das colunas de duas belas garotas.

É isso, ele gosta dessa liberdade. Gosta desse acesso livre e de estar entre elas.

Essa é uma porta aberta para você, Giovanna. Penso quando o vejo sorri para uma delas de forma sugestiva e sedutora. E no ato, ele beija suas bocas. É possível ver a sua língua penetrar a boca de uma delas. Ainda assim, o seu olhar penetra no meu enquanto faz isso. E por algum motivo me sinto ferver por dentro. O estranho sedutor se afasta delas e na sequência, se aproxima de Dante. Os homens se abraçam forte como dois ursos gigantes, depois conversam como se fossem dois irmãos de sangue.

Dá para ver que Dante Vescari confia nele. E perceber isso, faz algo se passar pela minha cabeça.

É ele! Esse homem será um alvo perfeito.

- Anda, vem! Vamos dançar! - Alba insiste, arrancando o copo quase intocado da minha mão e sou literalmente rebocada para o meio de uma pista circular com alguns jogos de luzes coloridas, onde poucas pessoas se aventuram a dançar. - Então, vai me dizer o que está aprontando? - Ela questiona, mexendo-se bem na minha frente e mesmo a contragosto, começo a dançar com ela.

- Por que acha que estou aprontando alguma coisa? - ralho e faço um sinal para o garçom.

- Você não tira os olhos daquelas pessoas, Giovanna. - Ergo as sobrancelhas com desdém.

- Pessoas? - Dou uma de desentendida. - Que pessoas? - Alba revira os olhos.

- Qual é, Giovanna? - Ela retruca. Contudo, percebo o tal carinha se afastar do grupo e sair da antessala em seguida. Isso me inquieta e penso em uma maneira de me livrar da minha amiga pegajosa para encontrar um jeito de me aproximar dele agora.

- Me espere aqui! - falo de repente e me afasto dela no mesmo instante.

- O que?! Giovanna, para onde você vai? - Alba replica aturdida.

Pego o meu terceiro copo da noite e me misturo aos corpos suados, enquanto o procuro com os meus olhos para não chamar a atenção.

Droga, onde você está? Rosno mentalmente, olhando para todos os lados a sua procura em um ato de quase desespero e frustrada, me viro para ir para a escadaria. Ele só pode estar lá embaixo. Penso, porém, paro abruptamente quando encontro um par de olhos acinzentados me encarando firmemente.

- Estava me procurando?

Um som extremamente calmo, porém, áspero demais passa pelos lábios carnudos e um tanto rígidos.

Balbucio, pensando no que dizer.

- Eu? - Arfo e me repreendo por isso. - Por que o estaria procurando? - Ele simula um sorriso safado, desenhando dois furos sexys em suas bochechas.

- Eu não sei. Me diga você? - Ele dá dois passos na minha direção e receosa, recuo um pouco, sentindo a barra de proteção na base da minha coluna.

Prendo a respiração.

- Não pude deixar de notar que me observava, enquanto eu beijava aquelas garotas.

Meu coração dispara errado.

- Eu... não estava...

- Gosta de observar as pessoas? - Sua voz sussurrada perto demais do meu ouvido me causa sérios arrepios. - Ou gosta de ser observada? Eu não tenho problema nenhum com as duas opções.

Puta merda! Meu cérebro grita em êxtase. Contudo, o empurro para afastá-lo de mim.

- Eu preciso ir! - Dou um passo para sair de perto dele, mas ele age rápido demais e logo que a sua mão segura no meu braço, o seu tronco está colado em minhas costas e a sua boca, perto demais da minha nuca.

Suspiro arrastado, buscando o ar que não vem.

- Por que você está aqui, menina? - Franzo as sobrancelhas sem entender esse seu questionamento.

- O que disse?

- Está na cara que você não pertence a esse meio. Então me responda, por que está aqui?

Engulo em seco.

- Este... meio? - inquiro aturdida. - Ah... aqui é uma danceteria, certo? - Por algum motivo me sinto audaciosa agora. Portanto, ergo a minha cabeça para olhar dentro dos olhos selvagens. - As pessoas vêm aqui para se divertir. E que eu saiba este é um lugar público, não é? - Suas sobrancelhas se unem de modo rude.

- Eu vou perguntar mais uma vez. Por que... você... está... aqui? - repete pausadamente e a sua voz agora parece gélida.

Pense rápido, Giovanna! Pense rápido!

- Por você - Me pego sussurrando e no mesmo instante levo uma mão para o seu peitoral firme.

O que?! Minha consciência berra.

- Como é que é?

Respiro fundo e mordo meu lábio inferior no processo.

- É que... eu te vi entrar na danceteria e... - Dou de ombros. - Sei lá. Você mexeu comigo. E, eu... precisava saber mais sobre você.

Merda, meu coração está enlouquecido agora!

Em resposta, o estranho rude se agiganta diante de mim, chegando perto demais outra vez, de modo que preciso erguer mais o meu olhar para encarar o seu. E um sorriso pequeno, porém, perverso se abre nos seus lábios.

- Já está tarde, garotinha. - Ele rosna após inclinar-se na direção do meu ouvido. - Você não tem medo de Lobo-Mau, menina?

Mas, que porra!!! Meu cérebro grita quando essa pergunta cheia de maldade e de luxúria me faz queimar ainda mais por dentro.

Fuja, Giovanna! Fuja!

Um grito de alerta ecoa dentro da minha cabeça.

Fuja enquanto é tempo!

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