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Sob o mesmo contrato

Sob o mesmo contrato

Autor:: sofabarrios17
Gênero: Romance
Emilia Torres jurou nunca mais cruzar a linha entre a vida profissional e a pessoal. No entanto, o romance com seu chefe bilionário a pegou de surpresa. Adrián Vega entrou em sua vida e ela não resistiu: ele percebeu sua beleza e ela buscou o sucesso profissional que trabalhar para ele representava. Ela nunca pensou em se apaixonar novamente, mas a vida tinha outros planos para ela. O relacionamento ia bem até que seu ex-marido, Mateo Ortega, retornou à vida deles. O ciúme de Adrian era bem fundado, não apenas porque Mateo estava determinado a reconquistar Emilia, mas porque ele havia sido seu parceiro no passado e o traiu. Eu não confiava nele e sabia que ele não hesitaria em me machucar novamente. Emilia hesitou entre continuar com Adrián ou tentar novamente com Mateo, o que fez seu chefe perder o controle e atacar seu inimigo. Em meio às rivalidades, ela recebeu uma proposta irrecusável: ser dele para sempre, aceitando se casar com Adrián. Entre linhas do tempo, segredos do passado e uma tensão que fervilha mesmo no silêncio, Under the Same Contract explora o que acontece quando dois corações partidos precisam assinar mais do que apenas um acordo... um acordo que pode mudar suas vidas para sempre.

Capítulo 1 Ela é minha

A chuva caía forte nas ruas do Estilo Capital, castigando as janelas do luxuoso escritório de Adrián Vega. As gotas atingiram o vidro furiosamente, fazendo com que a cidade se transformasse em um amálgama de luz e sombra. O som constante da água caindo era a única coisa que se ouvia no quarto, um silêncio absoluto que parecia mais profundo do que realmente era.

Adrian estava perto da janela, olhando para a cidade enquanto seus pensamentos corriam, transbordando como um rio que não podia mais ser detido. A tempestade que assolava a cidade não era nada comparada à tempestade interna que assolava sua mente. Ele sabia o que tinha que fazer, mas a incerteza o consumia por dentro. Eu estava tomando a decisão certa? A vingança era o que ele realmente desejava ou era a consequência inevitável de se sentir encurralado?

O toque de um telefone interrompeu o fluxo de seus pensamentos. Ela olhou para ele, mas não respondeu. Não era hora de falar com ninguém. Não quando a sombra de Mateo o perseguia novamente. Mateo, seu antigo amigo e parceiro, um homem que antes fora seu aliado, agora representava tudo o que Adrian odiava: traição, manipulação e a corrupção do que antes era um relacionamento de confiança.

O CEO do Grupo Vega estava se segurando há meses. Deixei o tempo agir, deixei as emoções se acalmarem, deixei a raiva se dissipar. Mas agora, a hora havia chegado. Mateo havia ultrapassado os limites, entrando em questões pessoais. Ele não apenas manipulou os negócios de Adrian, mas também perseguiu Emilia, a mulher que Adrian estava começando a ver de forma diferente. A ameaça constante de Mateo a ela o fazia se sentir impotente e vulnerável. E o pior é que ele não tinha certeza se Emília sentia o mesmo por ele.

"Se eu não o impedir agora..." Adrian pensou enquanto seus dedos acariciavam a superfície fria do vidro."Não vou perder apenas Emília, vou perder tudo o que construí."

Naquele momento, uma sensação de medo percorreu seu corpo. Não era o medo comum de enfrentar um rival. Não, o que o aterrorizava era a ideia de perder o controle, de se tornar um fantoche dos próprios sentimentos. Adrian aprendeu a ser o homem que todos admiravam: calculista, implacável, sempre um passo à frente. Mas o que ele sentia por Emília o estava destruindo por dentro. Havia algo nela que o desarmava, algo que o fazia duvidar de si mesmo.

O encontro com Mateo estava marcado para meia-noite, em um local isolado nos arredores da cidade. Adrian sabia que Mateo escolheria um lugar que lhe daria uma falsa sensação de segurança, um prédio em ruínas, um daqueles que o tempo havia esquecido. O lugar perfeito para um confronto sujo. Mas Adrian já havia decidido que desta vez as regras seriam diferentes. Desta vez, não haveria negociação.

Ele saiu do escritório com passos firmes, mas a mente cheia de dúvidas. Enquanto caminhava pelo corredor da torre corporativa, o som de seus passos parecia se amplificar, como se cada um representasse um passo em direção ao desconhecido. A cidade estava adormecida, mas Adrian sabia que o que estava prestes a fazer mudaria sua vida para sempre.

Ao chegar ao estacionamento, ele caminhou até seu carro, um modelo preto elegante, e ligou o motor. As luzes da cidade desapareceram lentamente, deixando para trás uma escuridão que parecia envolvê-lo. A estrada deserta se estendia diante dele, uma linha reta que o levava direto ao confronto. Ele não pôde deixar de sentir uma leve pressão no peito, uma mistura de ansiedade e incerteza que o fez questionar se estava no caminho certo. Mas não havia como voltar atrás.

Cada quilômetro que ele avançava parecia afastá-lo do que ele conhecia e aproximá-lo do que ele mais temia: encarar a verdade dos seus próprios sentimentos. Emília era apenas um jogo de emoções ou algo mais? A pergunta o assombrava enquanto ele dirigia, o som do motor e o cair da chuva criando uma atmosfera que parecia cada vez mais sufocante. O medo tomou conta dele, não pelo confronto com Mateo, mas pelo que ele representava. O que ele estava prestes a fazer não afetaria apenas seu relacionamento com sua ex-companheira, mas também seu relacionamento com Emília. Ele realmente poderia confiar nela? Ela era quem parecia ser?

Ao chegar ao local combinado, um prédio antigo que já tinha visto dias melhores, Adrian freou bruscamente. A escuridão era total, exceto pelas sombras projetadas pelas ruínas do edifício. A tensão no ar era palpável, como se a própria cidade estivesse prendendo a respiração. Adrian ajustou seu terno, seu olhar fixo e determinado. Não importava o que acontecesse naquela sala. Não importa o quanto eu temesse. Ele já havia tomado sua decisão.

Ele saiu do carro e caminhou em direção à entrada do prédio. Seus passos ecoaram no vazio, criando um eco que ampliou a solidão que sentido. Ao se aproximar da entrada, a incerteza o invadiu novamente. O que aconteceria depois desse confronto? Ele seria capaz de viver com as consequências do que estava prestes a fazer?

Quando ele entrou no prédio, estava quase completamente escuro. Apenas o fraco luar iluminava o espaço, criando sombras longas e estranhas. Ali, no centro da sala, estava Mateo. Sua figura se destacava contra o fundo escuro, seu sorriso arrogante iluminado pela luz fraca que filtrava pelas frestas.

"Adrian, que surpresa", disse Mateo, em tom de zombaria. Pensei que não teríamos mais reuniões. Você se arrependeu do que fez comigo?

Adrian não respondeu. Em vez disso, ela caminhou lentamente em direção a ele, com passos firmes, mas cada um carregado de incerteza. A tensão no ar era palpável. Os dois homens se entreolharam, mas era como se nenhum deles estivesse realmente vendo o outro. O que Adrian sentiu não foi ódio, nem mesmo raiva. O que eu senti foi algo mais profundo, algo que eu não sabia como descrever.

"Isso não é apenas uma questão de negócios, Mateo", Adrian finalmente disse, com a voz baixa e séria, mas clara. Isso é pessoal.

Mateo deu um passo para trás, surpreendendo Adrian. Parecia que, pela primeira vez, Mateo estava começando a sentir a pressão da situação. Seu rosto endureceu enquanto ele se preparava para enfrentar o que Adrian tinha a dizer.

Sem aviso, Adrian avançou e empurrou Mateo contra a parede. O som do impacto ecoou pelo vazio e, por um instante, o tempo pareceu parar. Mateo olhou para Adrian, a fúria em seus olhos substituída por um traço de medo. Mas Adrian não desistiu. Eu não ia desistir.

"Emilia é minha", disse Adrian, com uma voz fria e cortante. Se você tocá-la novamente, não restará nada de você.

Mateo tentou se soltar, lutando, mas Adrian o imobilizou, com o braço apertado em volta do seu pescoço. A respiração de Mateo era irregular, cheia de desespero.

-O que você vai fazer, Adrian? Você vai me matar? - perguntou ele, num tom diferente, não mais desdenhoso, mas cheio de pavor.

Adrian de repente o soltou, empurrando-o com força e fazendo-o cair no chão. Quando Mateo se levantou, ainda ofegante, Adrian já estava se virando para sair, deixando para trás um rastro de incerteza.

"Se você chegar perto dela novamente", ele disse sem se virar, "não haverá 'depois'."

Voltando para o carro, Adrian respirou fundo, sentindo a adrenalina começar a diminuir. Embora tivesse alcançado o que pretendia, ele não conseguia se livrar do sentimento de incerteza. Essa era a maneira certa de lidar com as coisas? O que ele fez, embora necessário, deixou-o com mais perguntas do que respostas.

A noite havia caído e, com ela, a sombra do que estava por vir. Mas Adrian sabia que não havia como voltar atrás. E a incerteza, embora o atormentasse, era a única certeza que lhe restava.

Capítulo 2 O dia em que a conheci

A cidade de Estilo Capital parecia engolir Emilia Torres a cada passo que ela dava. Enquanto caminhava pelas ruas, cercada por edifícios imponentes que se erguiam como paredes de vidro e aço, ela se sentia como se fosse apenas mais uma engrenagem em uma máquina sem fim. O barulho do trânsito, as buzinas, as vozes das pessoas cruzando seu caminho, tudo parecia uma torrente de ruído da qual ele não conseguia escapar. Tudo ao seu redor estava em movimento, mas ela, como uma sombra, não conseguia encontrar seu lugar.

O sol, brilhante e frio, filtrava-se entre os arranha-céus, projetando longas sombras na calçada como tentáculos, tentando prendê-la.

Hoje não foi um dia qualquer, longe disso. Algo havia mudado no ar, algo que Emília não conseguia identificar, mas tinha certeza de que afetaria irreversivelmente seu futuro. Ele caminhou lentamente, mas com uma tensão crescente no peito. Com a maleta debaixo do braço, ela sentiu o peso da cidade, a pressão do que estava por vir, se apoderar dela, sufocando-a, aos poucos.

A Vega Industries, gigante empresarial liderada por Adrián Vega, era o desafio que ele havia decidido aceitar. A oportunidade de trabalhar no projeto da nova sede representou mais do que apenas uma tarefa profissional. Era sua chance de provar que estava à altura da tarefa e de mudar sua vida. Mas cada vez que pensava nisso, uma onda de incerteza e ressentimento o inundava. Como chegou a esse ponto? Por que ela concordou em trabalhar para um homem como ele, um homem que tinha mais poder do que qualquer outro na cidade? O que se esperava dela?

Enquanto ela caminhava em direção ao prédio da Vega Industries, o nó em seu estômago ficou mais apertado. O edifício em si não era apenas uma estrutura de vidro e aço, mas um símbolo de controle, de ambição desenfreada, de poder absoluto sobre a cidade. Não era apenas um projeto arquitetônico. Era a chave para algo muito maior, algo que poderia mudar sua vida para sempre. Mas quanto mais perto ele chegava, mais parecia uma armadilha.

"Não é pessoal", ela repetia para si mesma como um mantra, mas sabia que não era verdade. Ele não conseguia ignorar o que sentia por dentro. Havia algo nela que lhe dizia que esse projeto não seria apenas profissional. Havia algo muito mais profundo que a conectava a esse lugar, a essas pessoas, a esse homem, e ela não conseguia deixar de se perguntar o quê.

Ao atravessar a rua, seus passos ficaram mais pesados. Alguns segundos depois, eu estava em frente à porta principal do prédio da Vega Industries. O saguão era impressionante, de mármore branco e impecavelmente decorado, mas tudo nele parecia projetado para intimidar. Ao entrar, a recepcionista olhou para ela com um sorriso perfeitamente polido, mas havia algo em seus olhos que a fez se sentir ainda menor, mais insignificante.

-Arquiteto Torres? "O elevador privativo está pronto", disse uma das recepcionistas, com um tom frio e profissional, como se já soubesse de tudo o que iria acontecer. Emília assentiu sem dizer nada e seguiu a recepcionista em silêncio, sentindo como cada passo a aprofundava no labirinto daquela empresa que parecia feita sob medida para isolar aqueles que ali viviam.

O elevador, cercado por vidro e metal polido, não oferecia nenhum calor, nenhuma sensação de boas-vindas. Era apenas uma cápsula que a transportava para o centro do poder. A sensação de perder o controle sobre sua própria vida a sufocava. No 47º andar, as portas se abriram automaticamente, e Emilia foi recebida por um escritório que era, simplesmente, avassalador. Não havia espaço para dúvidas, nem mesmo para trégua. Cada parede branca, cada janela enorme com vista para a cidade, não deixava espaço para privacidade. Tudo parecia planejado para fazê-la se sentir uma intrusa em um lugar ao qual ela não pertencia.

E lá estava ele.Adrian Vega. Em pé, com as costas retas e as mãos apoiadas na mesa. Quando seus olhares se encontraram, Emília sentiu uma onda de desamparo. Sua presença dominava a sala. Ele não era apenas um empresário, ele era um homem cuja sombra parecia cobrir a cidade inteira. O dono da Vega Industries. O mesmo homem que criou esse império e que agora a olhava como se ela fosse apenas mais uma ferramenta em seu arsenal.

"Arquiteta Torres", disse ele, sem se virar, como se já soubesse quem ela era, como se sua chegada fosse uma formalidade. Seu tom profundo, tão confiante, tão autoritário, a fez se sentir ainda menor. Pontual. Eu gosto disso.

Emília ficou em silêncio por um momento. Ela não esperava um elogio, mas algo naquelas palavras a intrigou. Ele estava brincando com ela? Você estava tentando manipulá-la desde o começo? A tensão em seu estômago aumentou e, de repente, todo o ambiente do escritório parecia uma prisão invisível. Eu não estava lá apenas para fazer um trabalho. Havia algo mais. Algo que eu não conseguia controlar.

"Tenho os planos preliminares", disse Emília, tentando manter a calma, e colocou os documentos sobre a mesa de vidro, que de alguma forma parecia não ter fim.

Finalmente, Adrian se virou para olhá-la. A intensidade do olhar dele a perfurou, quase como se ele estivesse examinando sua alma. Não era a primeira vez que Emilia encontrava homens poderosos, mas havia algo naquele homem, algo em seus olhos, que a perturbava profundamente.

-Eu não quero um escritório bonito, Torres. "Quero um espaço que funcione como uma extensão da minha mente", disse ele, em voz baixa, quase um sussurro, enquanto se aproximava da mesa sem dar mais um passo.

Emília sentiu o ar ficar denso. A pressão não vinha apenas da magnitude do trabalho, mas da maneira como ele falava, como se cada palavra carregasse um peso de responsabilidade que ele não havia pedido. A sensação de estar presa naquele lugar, de estar à mercê das expectativas de um homem que parecia não conhecer limites, tomou conta dela com força.

"Então teremos que derrubar algumas barreiras mentais, Sr. Vega", respondeu Emília, quase sem pensar. Essa resposta saiu de seus lábios como um ato de rebelião interna. Ele sentia que sua vida, sua identidade, estava sendo reduzida aos limites daquele prédio, às paredes de vidro e aço que o cercavam.

Adrian sorriu. O sorriso foi tão rápido, tão imperceptível, que Emília não teve certeza se o tinha visto. Mas havia algo em sua expressão que a desconcertou. Foi um sorriso de aprovação? Um sorriso de desafio? Eu não sabia, mas a resposta que ele deu não foi apenas sobre o projeto. Não era mais.

"Gostei disso", disse ele, voltando o olhar para os planos.

O momento se estendeu em silêncio. Emília não sabia se havia ganhado alguma coisa com aquela conversa ou se, pelo contrário, havia perdido ainda mais o controle sobre sua vida. Tudo deixou de ser apenas um trabalho. Ela estava em algo muito mais complexo, algo que não apenas a testaria como arquiteta, mas a forçaria a confrontar seus próprios medos, seus próprios limites. E talvez o que mais a aterrorizasse fosse saber que não tinha ideia de como sairia de tudo aquilo.

Capítulo 3 Preso em sua rede

Emília afundou no sofá do seu apartamento, exausta pela pressão constante sobre os ombros. A maleta ainda estava em seu colo, um lembrete constante de tudo o que ele tinha que fazer e, mais importante, de tudo o que ele não podia evitar. O peso do projeto da Vega Industries a esmagou. A Capital, com seus arranha-céus dominando o horizonte, era uma prisão sem grades, mas com uma opressão muito mais difícil de escapar.

Em suas mãos, os planos para a nova sede da Vega Industries estavam espalhados sobre a mesa, as linhas e os detalhes arquitetônicos refletindo um futuro que ela não queria, mas que ela era obrigada a construir. Cada golpe parecia um lembrete das correntes invisíveis que a mantinham presa àquele projeto, àquele homem.Adrián Vega não era apenas um chefe, não era apenas um cliente. Era um símbolo de tudo o que ela queria evitar: controle, manipulação, dominação.

Apesar de suas tentativas de se concentrar no trabalho, sua mente continuava vagando até ele. O jeito como ele olhou para ela em seu escritório, aquele olhar penetrante, como se pudesse ver através dela, a perturbou. Ele não era apenas o homem poderoso da cidade, ele não era apenas o CEO da Vega Industries. Havia algo mais, algo que a capturava, que a deixava sem fôlego toda vez que pensava nisso.

O som do telefone a tirou da espiral de pensamentos. Era uma mensagem de texto e, embora ela não quisesse ler, seu dedo não conseguiu evitar deslizar para baixo na tela.Adrian Vega:

-Reunião às 10:00. Amanhã. Por favor, confirme sua presença.

A simples mensagem a encheu de um sentimento de desesperança que a envolveu. Eu já estava farto. Ela se sentia presa em um destino que não havia escolhido, em um ciclo do qual não conseguia escapar. A pressão aumentava a cada dia, e a expectativa de Vega só a sufocava mais. O desejo de fugir, de abandonar tudo, a consumia.

Emília suspirou e, antes que pudesse processar todas as emoções que a dominavam, respondeu com um simples:

-Confirmado.

Ele colocou o telefone na mesa e fechou os olhos por um momento, buscando alívio. Mas tudo o que ela sentia era que cada vez que ela avançava naquele projeto, naquele trabalho, ela perdia mais de si mesma.

Eu não queria estar lá. Eu não queria fazer parte daquela maquinaria. Ela havia prometido a si mesma que não cairia nas armadilhas do poder, que não deixaria sua vida ser manipulada por um homem que não a entendia. Mas agora, naquele exato momento, ele percebeu que era tarde demais. Eu estava preso e não sabia como escapar.

O som do telefone vibrando novamente a acordou de seu sono. Foi uma ligação. Mateus.

A visão do ex-marido a fez se sentir ainda mais presa.Mateo, o homem que compartilhou sua vida, mas que, no final, a deixou com mais perguntas do que respostas. O casamento deles começou como uma promessa de amor, mas acabou se tornando um campo de batalha cheio de mentiras e segredos. Apesar de tudo, Emília não conseguia impedir que seu coração batesse mais rápido cada vez que ouvia sua voz.

"Oi, Emília", disse Mateo, com um tom caloroso, mas havia algo em sua voz que a fez se sentir mais sozinha do que nunca. Como vai você? Como vão as coisas com Vega?

Emilia recostou-se no sofá, olhando para o teto enquanto tentava encontrar as palavras certas. Mas, como em tudo em sua vida, as palavras não foram suficientes. Como ele iria explicar a ela que sua vida estava desmoronando? Que ela tinha começado a trabalhar para o homem que representava tudo o que ela odiava, tudo o que ela havia jurado evitar em sua vida profissional? Como eu poderia dizer a ele que sentia que estava perdendo o controle do meu destino?

"Tudo bem..." ele disse finalmente, com a voz carregada de cansaço. O trabalho está progredindo. Mas, você sabe, é... grande. Grande demais.

-Grande demais para você? -Mateo respondeu, com um sorriso evidente em seu tom de voz. Emília podia sentir a ironia através do telefone. Aquele sorriso que sempre foi tão fácil de ler, aquele que não podia ser escondido nem mesmo com um telefonema.

-Não, não é isso. É só que... mais do que eu pensava. É tudo maior do que eu pensava. Não apenas em termos de trabalho, Mateo. Em tudo - Emília começou a dizer, sentindo a voz falhar. Ela não conseguia controlar o que sentia e isso a aterrorizava. O sentimento de aprisionamento que a assombrava na vida profissional também atingiu sua vida pessoal, seu coração. Ela se sentia prisioneira de suas próprias decisões.

"Sim..." disse Mateo, fazendo uma pausa. Parecia que ele também entendia, ainda que à sua maneira. Ela sabia que seu relacionamento com Adrian a estava afetando, embora não soubesse como. Ela não conseguia entender o que realmente se passava em sua mente, mas Emília não tinha mais forças para lhe explicar. Eu não queria mais falar com ele sobre isso. Ela não queria mais contar a ele como se sentia, presa, como sua vida estava escorregando para as mãos de outros, como suas decisões não eram mais somente dela.

"Escute, Mateo, estou ocupada", ela finalmente respondeu, com uma força que não sentia, mas que ela forçou a sair. Preciso me concentrar. Não é hora de falar sobre isso.

Houve uma pausa do outro lado da linha antes de Mateo atender.

"Eu entendo", ele disse, com um tom um pouco mais distante. Emília não pôde deixar de notar como ele estava se afastando dela, como se não soubesse mais como estar ali para ela. Mas a verdade é que ela nem sabia como estar lá para ele. Ele não sabia mais quem era ou o que queria da vida.

Ela desligou o telefone e ficou em silêncio, olhando para os planos à sua frente. As linhas que ela havia desenhado, o edifício que ela estava projetando, pareciam um futuro imposto, uma corrente invisível que a prendia cada vez mais forte. Mas o desespero que senti foi maior que o medo. O desejo de escapar, de fugir de tudo aquilo, tomou conta dela como uma onda.

Eu sabia que não poderia continuar assim. Eu precisava tomar uma decisão. Mas como escapar de algo que já a havia absorvido completamente? Como você pode mudar seu destino quando as portas que você pensava estarem abertas agora parecem estar se fechando uma a uma?

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