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Sobre seu túmulo

Sobre seu túmulo

Autor:: Evy Maze
Gênero: LGBT+
[ROMANCE GAY ENTRE VAMPIROS] No dia em que completou dezenove anos, Lim Heyon foi convidado por seu melhor amigo para ir até o cemitério da cidade para deitar-se sobre o lendário túmulo do vampiro. Tudo não passava de uma brincadeira boba entre amigos que ㅡ acreditava o Lim ㅡ seria apenas para se provar corajoso, fazendo-os, assim, acreditar que estava se tornando um adulto sem medos. Entretanto, o ato não tinha nada a ver com coragem, tampouco diversão. Aquilo era um ato de lealdade a tenebrosa criatura das trevas que, infelizmente ㅡ ou não ㅡ, Lim Heyon só conseguiu descobrir quando já era tarde demais. (Instagram da autora para adquirir o livro: @evy_maze)

Capítulo 1 🦇 Prólogo 🦇

Eu tinha apenas três anos quando tive minha vida arrancada do próprio corpo pela primeira vez.

Fui vítima do meu próprio pai por anos, um homem que sempre foi mau e desprezível, e que sentia prazer na minha dor. O verdadeiro demônio que bagunçou minha existência desde o início, o homem que eu mais odeio em toda minha existência.

Mas foi somente por causa dele e do que ele sempre fez comigo que me tornei o que hoje sou.

Que me tornei também um demônio.

Mas ele não leva toda a culpa por isso sozinho.

Foi também por causa do meu melhor amigo que me levou até aquele cemitério bem no dia do meu aniversário e me traiu friamente, me levando a se tornar o que sou.

O que sempre fui...

Kim Seok, a pessoa que eu mais confiei foi a principal em me fazer morrer e reviver, eu o odiei por isso, mas nunca deixei de amá-lo.

Foi por causa dessa traição que eu conheci Saejin. O meu Saejinie. Um vampiro bonito e arrogante que às vezes me faz querer matá-lo mesmo sendo imortal, e que também é responsável em me fez conhecer meu eu verdadeiro.

Todos são responsáveis por um pedaço da minha morte e também da minha vida.

Mas sinceramente, eu os agradeço.

Capítulo 2 🦇 Adoração 🦇

13 de Outubro

Com um pequeno bolo enfeitado com flores amarelas, Kim Seok prendia o sorriso ao ter que acordar o melhor amigo no dia de seu aniversário de dezenove anos.

Lim Heyon dormia serenamente, enrolado dos pés a cabeça em seu edredom azul bebê.

ㅡ Yonie? ㅡ O Kim sussurrou ao sentar ao seu lado.

Heyon tinha os cabelos escuros escorridos pelos olhos, cobrindo parcialmente sua visão. Seus pequenos olhos inchados piscaram com vagareza. Seok sorriu, erguendo o pequeno bolo quando enfim a visão do Lim foi completamente para si.

ㅡ Feliz aniversário. ㅡ ditou baixo.

Heyon sentou-se sobre os lençóis, esfregando os olhos enquanto abria um sorriso bonito.

ㅡ Espera. ㅡ Seok pediu, buscando um pequeno isqueiro que tinha no bolso da jaqueta preta que vestia. Heyon fitou-o com atenção. Mordeu o lábio inferior enquanto o Kim deixava sua atenção na pequena velinha e suspirou baixinho, percebendo como o Kim estava bonito. Os cabelos castanhos com as pontinhas verdes, era o que mais encantava Heyon. ㅡ prontinho. ㅡ o Kim ergueu o bolo com as velinhas acesas. ㅡ faz um pedido.

Heyon sorriu, arrumando-se melhor sobre a cama quando fechou os olhos. Assoprou as velas com força, fazendo seu desejo com muito querer.

Seus olhos voltaram a fitar o bolinho com girassóis na parte superior e seu sorriso retornou.

ㅡ É bonito. ㅡ falou, olhando pro Kim. ㅡ Obrigado, Seok-ssi.

ㅡ Não foi nada. ㅡ o Kim deixou o bolo sobre o móvel de cabeceiro. ㅡ o que pediu?

ㅡ Não posso falar, assim não vai se realizar.

Seok comprimiu os lábios, não aprovando o segredo, mas não fez questão de saber de qualquer modo.

ㅡ Trouxe o seu presente. ㅡ Ditou, buscando no fundo dos bolsos de sua jaqueta.

Heyon abriu os olhos, surpreso.

ㅡ E se ele brigar? ㅡ perguntou num sussurro.

ㅡ Não vamos falar nele, você está fazendo dezenove, é um adulto.

Heyon mordeu a pontinha do lábio inferior, fitando o pó descolorante e a tinta de cor laranja nas mãos do melhor amigo.

Sempre foi vontade sua, ter os cabelos coloridos. E depois que conheceu Seok que sempre teve as pontinhas de seus cabelos verdes, aquela vontade só aumentou.

ㅡ Quer fazer? ㅡ O Kim perguntou.

Heyon tinha os olhos redondos e escuros guiados no melhor amigo. Precisava ter coragem, por isso, assentiu.

ㅡ Certo, então vamos comer o bolo e fazer, tudo bem?

Heyon jogou a coberta para o lado, fazendo Seok sorrir ao vê-lo em seu pijaminha fofo de listras brancas e pássaros verdes.

A casa dos Lim's estava silenciosa. Lim HanWool estava sentado de frente com sua mesinha de anotações, mas tinha uma bíblia aberta ali, as mãos estavam unidas e sua boca balbuciava palavras baixas a um Deus.

Heyon olhou-o quando os olhos certeiros do pai foram para si e apenas o reverenciou, dando-lhe um pequeno sorriso.

Sabia como não deveria interferir seu pai quando estivesse em seus momentos de adoração, e no dia de seu aniversário, não queria ser castigado por aquele erro.

O homem voltou sua atenção para a bíblia a sua frente e deixou que o filho seguisse para a cozinha.

Heyon buscou dois garfos e voltou nas pontas dos pés para o quarto. Quando adentrou o cômodo, suspirou, aliviado.

ㅡ Como você passou por ele? ㅡ perguntou entregando um dos garfos a Seok.

ㅡ Só passei. ㅡ deu de ombros. ㅡ ainda não vai me dizer seu desejo?

Heyon riu, negando. Buscou um pequeno pedacinho do bolo, trazendo uma das flores de açúcar junto.

Experimentou, deleitando-se no gosto tão doce.

Lim adorava doce.

Seok sentou-se ao lado, buscando um pedacinho do bolo, mas logo fez uma careta desaprovando o sabor quando o provou.

ㅡ Não entendo como alguém não gosta de doce. ㅡ Heyon falou, olhando-o. ㅡ tipo, é doce!

ㅡ Não curto. ㅡ ditou, deixando o garfo ao lado. ㅡ mas coma, eu encomendei com muito prazer.

O sorriso persistente, deixava transparecer um pouco da quedinha que Heyon sempre sentiu pelo outro.

Continuou comendo o bolo como se fosse a melhor comida do mundo, e de fato parecia que era.

Os cantos dos lábios sujos com o glacê branco, deixava o garoto com a aparência fofa.

ㅡ O que você quer fazer hoje? ㅡ O Kim indagou, buscando seu celular. ㅡ vou te levar para onde quiser.

ㅡ Até para o parque de diversões?

O Kim franziu o nariz, detestava aquilo.

ㅡ Claro, para onde quiser.

ㅡ Mas você não gosta, Seok-ah...

ㅡ O dia não é meu, é seu, Yonie. Então se quiser ir, podemos ir.

ㅡ Então eu quero. Quero brincar na roda-gigante e você vai comigo, ok?

O Kim revirou os olhos, fazendo o Lim rir.

ㅡ Ok.

Heyon continuou comendo o bolo, já estava quase na metade quando a porta de seu quarto foi aberta.

Seus olhos se arregalaram com a visão de seu pai, mas o homem apenas olhou para Seok.

ㅡ Me dê isso. ㅡ pediu, apontando para o bolo.

ㅡ O senhor quer um pedaço? ㅡ Seok perguntou.

ㅡ Você sabe bem como eu não aprovo Heyon comer tanto doce. Já está bom.

ㅡ O senhor vai guardar? ㅡ Heyon perguntou, cheio de receios quando buscou o pequeno bolo e entregou-lhe.

ㅡ Vou jogar fora. E se apresse, você ainda não orou hoje.

Heyon suspirou, assentindo. O homem ainda olhou para Seok antes de ir, deixando sua implicância no ar. Não gostava do Kim, muito menos aprovava aquela amizade.

ㅡ Porque você ainda ora? ㅡ Seok indagou, vendo Heyon se erguer para buscar sua bíblia que ficava guardada na última prateleira do guarda-roupa. ㅡ você nem acredita nisso.

ㅡ Mas ele acredita. O que posso fazer?

ㅡ Pedir para ele respeitar sua descrença, assim como você respeita a crença dele.

ㅡ Se fosse só por causa da crença... isso não tem nada a ver com o que está nesse livro, Seok.

ㅡ Então porque ainda vai?

ㅡ Porque eu não quero ser castigado. ㅡ falou, rumando para a sala. ㅡ Não me siga, fique aqui e espere.

ㅡ Não vá. Por favor.

Heyon deu-lhe um sorriso pequeno, já sentindo seu coração doer.

ㅡ Não tenho escolhas, Seok... Será rápido, eu volto logo. ㅡ Seok tinha os olhos escuros em si. Heyon sorriu triste. ㅡ use seus fones de ouvido.

Seguindo para o lugar onde sempre fazia suas orações, o Lim viu seu pai na cozinha, jogando o restante do bolo no lixo.

Aquilo doeu-lhe, e até mesmo pensou no quão hipócrita o homem era. Ditava sobre tanto sobre o que era errado, e sempre falava como não podia estragar alimentos.

Mas então porque jogou todo o restante do seu bolo fora?

Havia sido Seok a lhe dar, tinha mais valor do que simplesmente sabor.

ㅡ De joelhos. ㅡ o homem ordenou.

Heyon seguiu, deixando sua bíblia sobre a mesinha de centro e ajoelhou-se em frente.

ㅡ Comece. ㅡ HanWool mandou.

O garoto encolheu os pés, arrumando-se sobre os joelhos e viu o pai sentar na poltrona à frente.

Enojou-se quando logo de início, o homem abriu um sorriso satisfatório.

Heyon sempre fechava os olhos o mais forte que conseguia, e seguia um roteiro de palavras que o próprio homem havia lhe ensinado.

HanWool suspirou, fitando a imagem do garotinho ajoelhado à sua frente. Lembrava-se sempre de quando aquilo começou, Heyon havia crescido tanto...

Heyon fechou os olhos com mais força quando ouviu o suspiro alto de seu pai e imaginou o que o homem começava a fazer enquanto o observava daquele jeito.

HanWool era desprezível. Tocava-se ainda sobre a roupa, vendo o modo prazeroso que seu pequeno filho idolatrava o que ele havia ensinado.

Heyon sentia o coração acelerar, desde que entendeu o que aquilo realmente era, sentia-se cada vez mais sujo. Mas, infelizmente, se recusasse a fazer aquilo, seria ainda pior.

Ele já havia sentido na pele a dor da rejeição dos prazeres de seu pai. Havia sentido e visto nos rastros de sangue que sempre ficavam no tapete da sala e no couro do cinto que o homem usava para lhe ensinar a ser um garoto bom.

Seok ouvia aqueles sons do quarto, sentia sua cólera aumentar a cada segundo. Imagina como seria bom Heyon se livrar daquele homem, mas, infelizmente, era tudo o que o Lim tinha como família.

Com um ruído alto, Heyon sabia que sua oração havia chegado ao fim. Ergueu-se, limpando a única lágrima que escorria por sua bochecha e recolheu a bíblia, caminhando de volta para seu quarto sem olhar no rosto do homem.

Naquele momento, estava impuro. Sentia a ânsia de pôr sua mágoa para fora, por tanto, sem olhar sequer para Seok, devolveu o livro para o lugar onde sempre ficava e se trancou no banheiro.

Seok se ergueu, sentindo-se enojado. Tocou a madeira branca da porta do banheiro e colou o ouvido ali, ouvindo o choro baixinho que o Lim começava a deixar escorrer junto com a água.

Fechou os olhos, controlando-se para não deixar seus instintos aflorarem e se misturar à raiva.

Respirou fundo, voltando a abrir os olhos marrons.

ㅡ Yonie? ㅡ chamou, ouvindo o som do choro parar. ㅡ eu vou te levar ao cinema também, ok? Vou comprar um baldão da pipoca amanteigada, tá bem?

Heyon tremulava os lábios naquele momento, tentando, de alguma forma, limpar seu corpo maculado. Mas sorriu, sentindo uma leve paz ao ter alguém bom no qual podia contar e confiar.

Ao menos tinha Seok.

Capítulo 3 🦇 Corajoso 🦇

Caminhando ao lado de Seok, Heyon tentava ocupar sua mente com todas as coisas boas que fariam naquele dia. Estava quente, o dia era de calor, mas ainda assim, o Lim usava uma camisa de mangas muito longa por baixo do macacão.

ㅡ Você não está com calor? ㅡ Seok perguntou, vendo o modo em como o Lim segurava o pulso esquerdo. ㅡ está sempre com camisas longas demais.

ㅡ Eu gosto. ㅡ o Lim lhe deu um sorriso doce.

ㅡ Tudo bem. Quer ir lá pra casa?

Heyon buscou o pirulito que Seok havia comprado para si, desembrulhando o pacote, enquanto mantinha a visão no melhor amigo.

ㅡ Para pintarmos os cabelos? ㅡ perguntou, curioso.

ㅡ Podemos fazer isso lá.

ㅡ Então vamos.

Com um sorriso pequeno, o Kim enlaçou os ombros do outro com seu braço. Seguiu para a casa que ficava apenas a alguns quarteirões dali.

Heyon, quando descobriu a casa que Seok morava ㅡ logo após ambos saírem da aula juntos quando ainda estavam no segundo ano do ensino médio ㅡ ficou com medo de adentrar aquela residência. Costumavam dizer que, apenas por estar em um lugar mais afastado, sem casas ao lado, era moradia de vampiros e outros seres malignos que assombravam as redondezas durante a noite.

Era óbvio que aquilo era balela, e para não levar o nome de frouxo quando Seok lhe convidou para irem até lá, o Lim aceitou na hora.

E realmente, não tinha nada de mais ali. Era uma casa comum, com apenas Seok morando lá.

Não foi de estranhar a constatação de que o Kim morava sozinho. Seok, na turma do segundo ano, era o mais velho dentre todos. Já tinha dezenove anos quando Heyon tinha apenas dezessete. O Kim contou que seus pais haviam morrido num acidente em sua cidade natal, Daegu, e que a casa havia sido uma herança de seu pai. Não tinha irmãos ou qualquer parente para dividir ou brigar por aquilo, por tanto, decidiu vender tudo o que tinha em Daegu e mudar de cidade para morar sozinho.

A escola veio apenas como um adicional. O Kim queria fazer novos amigos, mesmo que não sentisse interesse algum em ter realmente um futuro e uma carreira de trabalho.

Quando conheceu Heyon, com suas bochechas redondas, seu sorriso bonito e sua inteligência sem igual, se identificou com o garoto de cara, mesmo não tendo nada em comum.

A amizade fluiu com leveza. Heyon era solitário, às vezes parecia até mesmo muito triste, mas quando estavam juntos, tudo aquilo mudava.

E naquele momento, adentrando mais uma vez a casa tão grande e vazia, Heyon sentiu-se bem por estar ao lado do melhor amigo.

ㅡ Como que faz isso? ㅡ perguntou-o, sentando-se no único sofá da grande sala, vendo Seok deixar os produtos sobre o grande móvel de madeira escura que ficava no centro da sala.

ㅡ Vou ver um vídeo no YouTube.

ㅡ Mas você não disse que sabia fazer? ㅡ perguntou, levemente arrependido de topar fazer aquilo.

ㅡ Eu sei, mas eu fiz olhando o vídeo no YouTube, ué.

Seok sentou-se ao lado do Lim, abrindo o vídeo no celular. Ambos assistiram aquilo com atenção, vendo passo a passo para não errar.

ㅡ Precisamos de água-oxigenada. ㅡ o Kim falou, constatando que não tinha aquilo ali. ㅡ eu vou comprar.

Heyon se ergueu, mas o Kim negou, dizendo que iria mais rápido se fosse sozinho.

Heyon fez bico, não era tão corajoso para ficar no lugar sozinho, mas o Kim não quis lhe ouvir, saiu com pressa de casa e sumiu na vasta estrada que tinha de sua casa até a primeira avenida.

Seus olhos vagaram pela casa quieta e seu corpo arrepiou.

ㅡ É só uma casa estranha, Heyon. Só uma casa estranha... ㅡ sussurrou para si mesmo, caminhando por ali.

Na escada que dava para o andar superior, diversos quadros ficavam pendurados. Heyon sempre teve medo de olhá-los, pareciam com os de filmes de terror. Mas curioso, e instigado a ocupar a mente com qualquer bobeira para não sair correndo, seguiu pela escada, cobrindo a lateral do rosto para não olhar para nenhuma daquelas fotos antigas.

O quarto de Seok era o último no corredor. Era o único que Heyon conhecia da casa.

As portas sempre ficavam fechadas quando ele ia ali, mas nunca questionou o devido porquê.

Entretanto, enquanto caminhava para o quarto de Seok, seus olhos curiosos foram para a segunda porta do corredor. Estava entreaberta e o cômodo escuro.

Heyon sentiu seu coração acelerar, mas enfiou a mão pela fresta, dedilhando a parede até encontrar o interruptor. Ligou-o, suspirando quando a luz se acendeu e arregalou os olhos, vendo um pouco da imagem do que tinha ali.

Sua boca estava aberta, seus pés guiavam-no para dentro.

Todas as paredes estavam cobertas por estantes que iam até o teto, todas repletas de livros.

Uma poltrona em couro na cor bordô estava no canto, e um castiçal com três velas apagadas estavam sobre o pequeno móvel de apoio bem ali ao lado.

Heyon sempre achou Seok um pouco esquisito, mas nunca num nível como ter uma sala de leitura igualzinha a de um bruxo de filmes.

Aproximou-se para ler os títulos dos livros, mas não entendia sequer um do que estava escrito ali sobre as laterais dos livros.

ㅡ Que porcaria de língua é essa? ㅡ perguntou-se, buscando o livro de capa escura. Franziu o cenho ao ver uma caveira traçada com o que simulava sangue na capa. O título ainda era numa língua que não entendia, e quando o abriu, tudo tornou-se ainda mais confuso. ㅡ eu vou orar pelo Seok. ㅡ brincou, vendo os desenhos macabros ali.

ㅡ Vai pedir a qual Deus?

Com o susto, Heyon virou-se, deixando o livro cair no chão.

Seok riu, caminhando até o Lim e abaixou-se à sua frente, buscando o livro.

ㅡ Desde quando é tão curioso? ㅡ perguntou pertinho do outro. Heyon conseguia até mesmo sentir o calor da respiração do outro.

ㅡ Desde que me deixou nessa porcaria de casa sozinho! ㅡ falou, irritado. ㅡ e porque me assustou assim? Quer me matar?

ㅡ Te matar? ㅡ Seok riu ladino. ㅡ imagina, Yonie.

ㅡ Porque você tem tantos livros?

ㅡ Porque sou jovem?

ㅡ E desde quando Jovem tem tantos livros?

ㅡ Que tipo de visão de jovem você tem? ㅡ Seok riu. ㅡ vem, eu comprei o que faltava e mais dois picolés de manga.

ㅡ Você não gosta de picolé de manga.

ㅡ Eu sei, são os dois para você.

Heyon riu, seguindo finalmente para o quarto de Seok.

Viu quando o Kim buscou os outros produtos que já havia levado consigo e observou-o misturá-los.

ㅡ Vai cortando o papel alumínio. ㅡ Seok pediu.

ㅡ Qual a medida? ㅡ Heyon perguntou, segurando o papel e a tesoura.

ㅡ Medida "vai na sorte que dá".

Heyon riu, mas sentou-se no meio da cama, cortando pedacinhos no qual achava que daria certo no final.

Demorou-se ali, mas franziu o cenho quando Seok aproximou-se da janela e sorriu, acenando para algo.

ㅡ É o SooMin? ㅡ perguntou, controlando o leve ciúme quando viu o Kim assentir.

Heyon, desde que descobriu que Seok era a sua pessoa favorita no mundo inteirinho, descobriu também como era se sentir apaixonado por alguém que não podia.

Não era uma novidade para ele se apaixonar por um garoto, Seok era o segundo de sua vida. O primeiro havia sido Min Eun, o garoto encrenqueiro do último ano, mas depois que o garoto se formou e sumiu de Seul, Heyon não tinha sentido aquilo outra vez até que Seok apareceu.

Porém, a proibição vinha quando Seok já tinha alguém. Alguém muito bonito, simpático e que irritava Heyon com uma facilidade absurda.

Fitou o Kim sorrir ainda mais quando o Choi adentrou o cômodo. Ambos se gostavam aquilo era nítido, mas, no fundo, Heyon torcia mesmo era para que tivessem um fim trágico. Tão trágico que Seok ficaria de coração partido e teria apenas a ele a quem recorrer.

Era algo maldoso a se pensar e até desejar? Sim, Heyon sabia que era. Mas não ligava. Só queria ter Seok como namorado um dia.

Xingou baixinho quando SooMin enlaçou a cintura de seu melhor amigo e beijou-lhe bem ali, na sua frente. Buscou o primeiro picolé, tentando não prestar tanta atenção naquilo.

ㅡ O que estão fazendo? ㅡ o Choi olhou a bagunça sobre a casa e encarou o Lim. ㅡ vão pintar o cabelo?

ㅡ Não, a parede. ㅡ Heyon respondeu, criando um bico.

ㅡ Ser mal educado não vai te fazer crescer, pintor de rodapé.

ㅡ Pintor de rodapé é a mãe!

ㅡ Parem com isso, seus dois idiotas. ㅡ o Kim pediu. ㅡ e vamos pintar o cabelo do Yonie. Ele vai ter as pontinhas dos cabelos laranja.

ㅡ Que brega.

ㅡ É sério, Seok, eu vou bater nele.

ㅡ O que vai fazer? Bater no meu joelho?

ㅡ SooMin, pelo amor do universo, fica quieto cão.

SooMin olhou-o devido ao apelido e riu.

ㅡ Me deixe ajudar. ㅡ pediu a Heyon. ㅡ você cortou muito pequeno.

ㅡ E desde quando você entende disso? ㅡ Olhou-o.

SooMin riu, retirando o elástico que prendia seus cabelos lisos e deixou que os fios de pontas roxas caíssem sobre seus ombros.

ㅡ Agora me dê logo, seu irritante!

Heyon xingou-o baixo, não permitindo que Seok ouvisse e entregou-lhe, terminando de comer seu sorvete.

ㅡ Senta aqui, Yonie. ㅡ o Kim chamou, puxando a cadeira para o meio do quarto.

Heyon obedeceu-lhe, observando sua imagem no espelho de moldura antiga que Seok tinha no quarto.

ㅡ Fica quieto, entendeu?

Assentiu para o Kim. Terminou com pressa o picolé e segurou o pote onde o produto que iria descolorir seus cabelos estava, deixando-o na altura dos ombros.

Seok pincelava com cuidado apenas as pontinhas dos cabelos. SooMin ajudou-o enrolando as partes que já estava pronta e sorria, deixando o Lim ainda mais irritado para todas às vezes que Seok retribuía os sorrisos.

No fim, Heyon tinha mais papel alumínio no cabelo do que peru de natal enquanto estava no forno.

ㅡ Como convenceu seu pai a te deixar fazer isso? ㅡ SooMin perguntou, deitando-se na cama de Seok.

Heyon permanecia na cadeira, tinha medo de se mexer e tirar os papéis do lugar.

ㅡ Não convenci. ㅡ ditou simples, olhando o Choi.

ㅡ O quê? Então quer dizer que decidiu se rebelar? ㅡ perguntou rindo grande. ㅡ eu sempre soube que você não era tão bonzinho assim, Lim Heyon.

ㅡ Eu não sou mesmo. ㅡ ditou, fitando Seok que adentrou o quarto com uma porção de salgadinhos de batata num pote muito grande. ㅡ eu sou adulto agora. ㅡ falou, abrindo a boca em seguida para Seok enfiar alguns salgadinhos ali.

ㅡ Não sou seu empregado. ㅡ falou duro, fazendo-o bufar e buscar os salgadinhos com cuidado.

ㅡ Ah, é verdade, você está fazendo dezenove hoje. ㅡ o Choi lembrou-se, olhando para Seok. ㅡ ele aceitou?

ㅡ Shhh ㅡ o Kim foi rápido, erguendo o pote para o Choi buscar alguns salgadinhos também.

ㅡ Aceitou o quê? ㅡ Heyon perguntou, curioso.

ㅡ Não é nada. ㅡ SooMin tentou dizer, mas Seok apenas revirou os olhos.

ㅡ É só uma coisa que pensamos juntos, mas não é nada, Yonie.

ㅡ Anda, me diz. ㅡ implorou, unindo as mãos. ㅡ é um presente?

ㅡ Um presentão. ㅡ SooMin riu, fazendo o Kim olhá-lo outra vez.

ㅡ Não é nada.

ㅡ Se você não me contar agora, eu juro que fico de mal de você!

O Kim ergueu apenas uma sobrancelha, rindo. Não acreditava naquilo.

ㅡ É só que... você está se tornando adulto, pensamos em fazer algo para provar que você não é tão medroso como todos dizem.

ㅡ As pessoas dizem que eu sou medroso? ㅡ perguntou, arregalando os olhos.

ㅡ É te olhar para saber, garoto. ㅡ SooMin disse, coçando a orelha.

ㅡ Mas eu não sou!

ㅡ Não? ㅡ Seok riu. ㅡ você quase morreu do coração quando eu te peguei xeretando meus livros.

ㅡ Você entrou na sala dos livros? ㅡ SooMin espantou-se.

ㅡ Não tinha nada de mais, lá. ㅡ o Kim sussurrou.

ㅡ Parem de sussurrar e me digam logo o que é que pensaram! O que eu teria que aceitar?

ㅡ Bem, é simples. Sabe o túmulo dos mil anos? ㅡ SooMin perguntou, notando como os olhos escuros do Lim se arregalaram.

ㅡ O túmulo do vampiro?

SooMin riu.

ㅡ Esse mesmo.

ㅡ O que tem ele?

ㅡ Pensamos que você poderia ir até lá conosco hoje.

ㅡ E eu tô doido? Claro que não!

ㅡ Viu? Um medroso!

ㅡ Deixa ele, SooMin...

Heyon fitou o melhor amigo, suspirando quando o olhou.

ㅡ Você realmente me acha um medroso, Seok?

Seok deu de ombros.

ㅡ Só um pouquinho.

ㅡ Mas eu não sou! Juro! Provo se vocês quiserem.

ㅡ Você não precisa provar nada, Yonie.

ㅡ Claro que precisa. Aceite ir ao cemitério hoje, você só precisa deitar sobre o túmulo do vampiro e pronto, será o mais corajoso de todos.

Seok, que permanecia quieto, fitava o rosto do Lim. Os olhos de Heyon estavam arregalados, o garoto já estava assustado desde ali, seria difícil.

ㅡ Eu aceito.

A resposta fez o Kim se surpreender. Heyon fitou-o, dando-lhe um sorriso grande.

ㅡ Eu vou mostrar que sou corajoso!

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