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Sofia: O Recomeço Implacável

Sofia: O Recomeço Implacável

Autor:: Jin Yi Ye Xin
Gênero: Moderno
Quando a notificação dos resultados dos Exames Nacionais se iluminou no meu telemóvel, o meu coração parou. Não por nervosismo, mas pela avalanche de memórias da minha vida passada que me invadiram em flashes dolorosos: Tiago, Miguel, Beatriz. Traições. Sofrimento. Morte. Este tinha sido o dia exato em que tudo começou a ruir. Cada detalhe da minha vida passada desfilou perante os meus olhos: o discurso de honra roubado, o meu design de joias plagiado, as vezes incontáveis em que Tiago e Miguel me usaram - ou me abandonaram no meio do perigo - para proteger e agradar a sua "melhor amiga" , a víbora Beatriz. Lembrei-me dos telefonemas ignorados enquanto eu era agredida na rua, do abandono na piscina, da humilhação constante. A sua voz sibilante ainda ecoava na minha mente, enquanto eu chorava sobre o caixão de Miguel: "Sabes, Sofia... eles nunca te amaram. Eram meus, Sofia. Sempre foram. Eu orquestrei tudo." Eles viam-me como um mero "meio para um fim" , um "mal necessário" . A farsa era insuportável, um veneno que me queimava por dentro. Como pude ser tão cegamente ingénua a esta teia de mentiras, enganos e manipulações? Eu, a tola que acreditava na pureza da amizade e no amor verdadeiro, era apenas uma ferramenta descartável no seu jogo cruel. Mas a dor excruciante e o vazio gelado no meu peito trouxeram uma clareza cortante e uma determinação inabalável. Chega. Não desta vez. Não. Desta vez, o destino era irrevogavelmente meu. Eu renascera, e com esta nova vida, não haveria Coimbra, nem haveria lugar para eles. O meu sonho de ser estilista no Porto seria a minha libertação, o meu refúgio. E a vingança, uma consequência inevitável, fria e calculada, seria servida. Eles estavam prestes a perceber, da forma mais dura, o que é colher o que se semeia.

Introdução

Quando a notificação dos resultados dos Exames Nacionais se iluminou no meu telemóvel, o meu coração parou. Não por nervosismo, mas pela avalanche de memórias da minha vida passada que me invadiram em flashes dolorosos: Tiago, Miguel, Beatriz. Traições. Sofrimento. Morte. Este tinha sido o dia exato em que tudo começou a ruir.

Cada detalhe da minha vida passada desfilou perante os meus olhos: o discurso de honra roubado, o meu design de joias plagiado, as vezes incontáveis em que Tiago e Miguel me usaram - ou me abandonaram no meio do perigo - para proteger e agradar a sua "melhor amiga" , a víbora Beatriz. Lembrei-me dos telefonemas ignorados enquanto eu era agredida na rua, do abandono na piscina, da humilhação constante. A sua voz sibilante ainda ecoava na minha mente, enquanto eu chorava sobre o caixão de Miguel: "Sabes, Sofia... eles nunca te amaram. Eram meus, Sofia. Sempre foram. Eu orquestrei tudo." Eles viam-me como um mero "meio para um fim" , um "mal necessário" .

A farsa era insuportável, um veneno que me queimava por dentro. Como pude ser tão cegamente ingénua a esta teia de mentiras, enganos e manipulações? Eu, a tola que acreditava na pureza da amizade e no amor verdadeiro, era apenas uma ferramenta descartável no seu jogo cruel. Mas a dor excruciante e o vazio gelado no meu peito trouxeram uma clareza cortante e uma determinação inabalável. Chega. Não desta vez.

Não. Desta vez, o destino era irrevogavelmente meu. Eu renascera, e com esta nova vida, não haveria Coimbra, nem haveria lugar para eles. O meu sonho de ser estilista no Porto seria a minha libertação, o meu refúgio. E a vingança, uma consequência inevitável, fria e calculada, seria servida. Eles estavam prestes a perceber, da forma mais dura, o que é colher o que se semeia.

Capítulo 1

O ecrã do telemóvel iluminou-se com a notificação.

Resultados dos Exames Nacionais disponíveis.

O meu coração parou.

Este dia.

Eu lembrava-me deste dia.

As memórias da minha vida passada invadiram-me, nítidas e dolorosas. Tiago. Miguel. Beatriz.

Traições. Sofrimento. Morte.

Não.

Desta vez não.

Agarrei o telemóvel, os dedos a tremer.

Sabia o que tinha de fazer.

A média era alta, a melhor do agrupamento. Na vida anterior, Coimbra tinha sido o destino, um destino partilhado com eles os três.

Um erro.

Procurei o contacto da professora Helena Silva, a minha antiga professora de Artes Visuais, a única que verdadeiramente viu o meu talento.

"Professora Helena? É a Sofia Almeida."

A voz dela soou calorosa do outro lado.

"Sofia! Que surpresa boa! A ligar para celebrar as notas, imagino?"

"Sim, professora. Mas também para lhe pedir um favor enorme. Uma mudança de última hora."

Expliquei-lhe. Design de Moda. Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. FBAUL.

Houve um silêncio.

"Lisboa? Design de Moda?" A surpresa dela era palpável. "Com a tua média, Sofia? Pensei que irias para algo mais... académico."

"É o meu sonho, professora. Sempre foi. Só agora tive coragem."

Uma mentira. A coragem vinha do desespero, da necessidade de fugir.

Ela acabou por ceder, prometendo ajudar com a alteração da candidatura. Desliguei, o alívio a misturar-se com uma frieza nova que se instalava em mim.

Ao descer as escadas, ouvi vozes animadas na sala.

Tiago Ferraz. Miguel Santos. Beatriz Costa.

Lá estavam eles, a prepararem uma "festa surpresa" para celebrar as "nossas" notas.

Os meus amigos de infância. Os meus futuros maridos. Os homens que se sacrificariam por ela.

Beatriz, a minha "melhor amiga". A víbora.

"Sofia!" Beatriz correu a abraçar-me, o sorriso falso a brilhar. "Parabéns! Sabíamos que ias arrasar!"

Tiago e Miguel sorriam, os olhos brilhantes. Por mim? Ou pela perspetiva de Coimbra, mais perto dela?

O meu telemóvel tocou novamente. Professora Helena.

"Sofia, querida, tenho más notícias." A voz dela estava carregada de consternação. "Ligas-me da escola. A tua nomeação para o discurso de honra na cerimónia de finalistas... foi alterada."

Senti um arrepio. Já sabia.

"Alterada para quem, professora?"

"Para a Beatriz Costa. Parece que houve uma... 'sugestão' de dois benfeitores importantes da escola."

Os pais de Tiago e Miguel. Claro. As suas influências já começavam a mover os cordelinhos.

"Compreendo, professora. Não se preocupe."

"Mas Sofia, é uma injustiça! Tu merecias!"

"Está tudo bem." A minha calma pareceu perturbá-la. "Obrigada por me avisar."

Desliguei.

Olhei para os três. Beatriz exibia um triunfo mal disfarçado. Tiago e Miguel pareciam satisfeitos.

Na minha vida passada, chorei. Implorei. Senti-me traída.

Agora, sentia apenas um vazio gelado e uma determinação férrea.

A festa deles era uma farsa. A amizade deles, veneno.

Lembrei-me do funeral de Miguel. Beatriz, vestida de luto, mas com os olhos a brilhar de uma satisfação cruel.

"Sabes, Sofia," ela sibilara, enquanto eu chorava sobre o caixão dele, "eles nunca te amaram. O Tiago fez uma vasectomia antes de casar contigo. O Miguel também. Não queriam filhos de uma mulher que não fosse eu."

O acidente de Tiago, a protegê-la. O coração de Miguel, doado a ela.

"Eu orquestrei tudo," confessara, a voz baixa, apenas para mim. "A tua posição social, a tua inteligência... sempre tive inveja. Eles eram meus, Sofia. Sempre foram."

Morri ali, de desgosto e raiva.

Mas renasci.

E desta vez, o jogo seria meu.

"Obrigada pela festa," disse eu, a voz neutra. "Mas estou um pouco cansada. Acho que vou subir."

Eles entreolharam-se, surpreendidos pela minha falta de entusiasmo.

Ignorei-os.

No meu quarto, fechei a porta.

Coimbra estava fora de questão. Lisboa seria o meu refúgio.

O meu sonho de ser estilista não seria mais adiado.

Eles os três? Seriam apenas uma memória amarga, uma lição aprendida da forma mais dura.

A minha nova vida começava agora. Longe deles. Em paz.

Capítulo 2

Beatriz recebeu a notícia do discurso de honra com um ar de modéstia ensaiada.

"Oh, nem acredito! Eu? Mas a Sofia é que merecia..."

Tiago passou um braço pelos ombros dela.

"Tu também és brilhante, Bia. Não sejas modesta."

Miguel concordou, os olhos fixos nela com uma adoração que me dava náuseas.

"És incrível, Bia."

Eu observava-os, a minha expressão indecifrável. Na vida passada, teria acreditado na falsa humildade dela, teria sentido ciúmes da atenção deles.

Agora, via apenas a teia de mentiras.

Mais tarde, Tiago e Miguel vieram ter comigo ao jardim.

"Sofia, sentimos muito pelo discurso," começou Tiago, o tom sério. "Não sabíamos de nada."

Miguel acrescentou: "A Beatriz ficou tão surpreendida quanto nós. Ela até queria recusar."

Mentira. Recordava-me de conversas ouvidas ao acaso na vida anterior, de como Beatriz se gabava de conseguir tudo o que queria deles.

"Não tem importância," respondi, a voz monocórdica. "A Beatriz vai fazer um ótimo trabalho."

Eles pareceram aliviados. Idiotas.

A noite da declaração chegou. Exatamente como da última vez.

O miradouro com vista para o Tejo. Flores. Velas. Um cenário pateticamente romântico.

Tiago e Miguel, nervosos, preparavam-se para o discurso ensaiado.

"Sofia," começou Tiago, "nós..."

O telemóvel de Miguel apitou. Uma mensagem no grupo de WhatsApp dos quatro.

Uma foto. Um cano rebentado. A casa de Beatriz inundada.

"Oh, meu Deus! A Bia precisa de nós!" exclamou Miguel, já a levantar-se.

Tiago nem hesitou. "Temos de ir!"

Abandonaram-me ali, no meio das flores e das velas, sem um olhar para trás.

Exatamente como da última vez.

Na vida passada, esperei. Chorei. Senti-me humilhada.

Desta vez, levantei-me com calma.

Peguei nos ramos de flores que tinham deixado para trás. Eram bonitos, mas falsos, como os sentimentos deles.

Caminhei até ao contentor de lixo mais próximo e atirei-os lá para dentro.

Os presentes, pequenas caixas de joalharia, tiveram o mesmo destino.

Voltei para casa.

Bloqueei os números de Tiago, Miguel e Beatriz.

Fiz uma pequena mala.

No dia seguinte, parti. Costa Alentejana e Vicentina. Um mês.

Precisava de tempo para solidificar os meus planos, para me afastar do fedor da traição deles.

O mar, o sol, a solidão. Eram os meus únicos companheiros.

Refleti sobre cada detalhe da minha vida passada, cada armadilha, cada mentira.

A ingenuidade morrera. A nova Sofia era astuta, fria, implacável.

Quando regressei, um mês depois, bronzeada e com uma nova resolução nos olhos, encontrei Tiago e Miguel à porta de casa.

A preocupação nos rostos deles parecia genuína.

"Sofia! Onde te meteste?" Tiago agarrou-me os braços. "Ficámos tão preocupados!"

Miguel ecoou: "Ligámos tantas vezes! Pensámos que te tinha acontecido alguma coisa!"

Na vida anterior, esta demonstração de preocupação ter-me-ia derretido. Teria acreditado.

Desta vez, senti apenas repulsa.

Afastei-me do toque de Tiago.

"Estive a viajar. Precisava de espaço."

A festa de finalistas foi na praia da Caparica. Outra recordação dolorosa.

Beatriz, como sempre, não perdeu a oportunidade de me provocar.

Estávamos perto da água, a conversar trivialidades.

"Sabes, Sofia," disse ela, a voz melosa, "o Tiago e o Miguel estavam tão preocupados contigo. És mesmo importante para eles."

Um sorriso frio brincou nos meus lábios. "A sério?"

De repente, Beatriz tropeçou, ou fingiu tropeçar, e caiu na água, gritando.

"Socorro! A corrente está a levar-me!"

No mesmo instante, uma onda mais forte atingiu-me, desequilibrando-me. Caí também.

Tiago e Miguel, que estavam perto, não hesitaram.

Correram para Beatriz.

Ignoraram-me completamente.

A água fria envolveu-me. Por um momento, o pânico da vida passada ameaçou regressar.

Mas um surfista local, que observava a cena, nadou rapidamente na minha direção e ajudou-me a sair.

Tiago e Miguel só se aperceberam da minha situação quando já estava em terra firme, a tossir água, amparada pelo surfista.

A preocupação nos rostos deles era, mais uma vez, direcionada a Beatriz, que se agarrava a eles, a tremer dramaticamente.

Lembrei-me de uma conversa que tive com eles na minha vida anterior, depois de um episódio semelhante.

"Sofia, desculpa," dissera Tiago, "mas a Bia parecia estar em maior perigo."

"Sim," concordara Miguel, "ela é mais frágil."

Frágil? Beatriz era uma predadora disfarçada de ovelha.

Desta vez, não disse nada. Apenas os observei com um olhar gelado que pareceu desconcertá-los.

O surfista perguntou se eu estava bem. Agradeci-lhe.

A máscara de "melhores amigos preocupados" de Tiago e Miguel estava a rachar, revelando a verdade feia por baixo.

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