Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Bilionários > Sombras De Outono - Entre Vingança E Sedução
Sombras De Outono - Entre Vingança E Sedução

Sombras De Outono - Entre Vingança E Sedução

Autor:: Beatriz Borges
Gênero: Bilionários
Série Estações Da Minha vida: Livro 2 Anna Morais já não era a mesma mulher inocente e romântica que um dia fora; ela entregou seu coração a Ícaro Lykaios, e o que ele fez? Partiu-o em mil pedaços, como se não fosse nada. Agora, Anna não era mais uma menina inocente, mas sim uma mulher decidida que Ícaro não conseguiria manipular facilmente com suas palavras doces. Com sua atitude confiante e seu olhar sedutor, Anna tinha todos os homens aos seus pés, mas a única coisa que ela desejava era se vingar de todos que a machucaram, e Otto estava no topo de sua lista. Otto Smith, fotógrafo de moda e ex-namorado de Anna, é um homem ardiloso que fará de tudo para reconquistar a modelo, chegando a chantageá-la e ameaçar a segurança de sua família. Anna estava farta de suas ameaças e de se sentir como um brinquedo em suas mãos. Decidida a se vingar, Anna inicia seu plano fatal. Seria ela capaz de seduzir seu ex-abusivo para vingar-se de tudo que ele lhe causou? Anna desejava vingança, recuperar tudo que ele havia lhe tirado e que era seu por direito. Ela faria tudo para isso, até mesmo casar-se com ele. " - Você ouviu direito, Anna. – Otto diz, exibindo um sorriso cruel. Mal posso acreditar. Será que ele está realmente falando sério? Imagina que bastava lançar palavras assustadoras para me fazer correr de volta para os seus braços. Ele deve estar completamente fora de si. - Otto, você me traiu com minha melhor amiga, flertou com todas as minhas colegas de trabalho. – Eu rio incrédula ao me levantar. - Nunca vou me casar com alguém como você. - Eu não falaria assim se fosse você, meu anjo. – Seu sorriso diabólico aumenta. - Esqueceu quem está no controle? Otto me entrega uma pasta, e ao abri-la, minhas pernas tremem. - Você não tem opções. Ou casa comigo, ou eu destruo sua família, os condeno à pobreza e à miséria.– Suas mãos tocam minha cintura. " Livro erótico, Romance dark. Não recomendado para menores de 18 anos e pessoas sensíveis.

Capítulo 1 Não Preciso De Príncipe Encantado

A vida fica particularmente muito mais fácil quando você se dá conta de que não precisa de nenhum príncipe encantado para lhe salvar e que você não tem que ser a pessoa que segue as regras.

Olhando para a pista de dança encarando Ícaro e Melanie dançando enquanto riam, pensamentos cruéis tomaram conta de minha cabeça. Ele jurou que eles não tinham tido nada, que eu que estava exagerando e que não passava de uma invenção da minha cabeça. Agora? Agora estavam se divertindo como dois pombinhos apaixonados na pista de dança de seu aniversário.

- Eles foram um casal lindo, não acha? – Vovó comenta se aproximando.

Com um sorriso falso em meu rosto assenti com um balançar de cabeça sem desviar meu olhar da pista de dança.

- Realmente, um casal belíssimo. – Digo em uma falsa simpatia.

"Que queimem no inferno!" Digo a mim mesma internamente os vendo selar um beijo apaixonado. Em um único gole, termino meu drink e inspiro pelas narinas provocando um som que atrai a atenção de vovó.

- Você está bem? – Seus olhos brilham com a luz colorida da festa.

- Nunca estive melhor, essa é uma das melhores festas de aniversário que a senhora deu. – Sorri voltando minha atenção ao seu rosto.

O grupo de amigas da vovó acena para nós, vovó acena de volta animada.

- Vou me juntar a elas. – Vovó beija minha bochecha. – Você deveria se divertir um pouco, querida.

Volto a olhar para a pista de dança onde vejo Ícaro a segurar pela cintura iniciando um beijo completamente apaixonado.

- Pode deixar, irei me divertir bastante. – Digo a mim mesma em um tom diabólico.

Em passos largos, como se estivesse voltando as passarelas da fashion week, ando em direção ao grupo de rapazes que riam segurando suas taças. Rapidamente me torno o foco de seus olhares.

- Anna... você está deslumbrante. – Adam sorri ajeitando a armação de seus óculos.

Em meu melhor sorriso sedutor, agradeço seu elogio provocando um rubor suas bochechas.

- Que tal uma dança? Pelos velhos tempos. – Sugeri em um tom animado.

- Seria ótimo! – Adam pisca estasiado.

O puxando pela mão, levo Adam a pista de dança, por um segundo, Ícaro me observa e um sorriso sedutor toma conta de meus lábios.

Como se o universo me desse o aval de minha atitude, uma música lenta e sensual inicia.

Mordo meu lábio inferior mantendo contato visual com Adam, o médico suspira levando as mãos aos meus quadris que se movem no ritmo da música.

Me viro colando nossos corpos roçando minhas nádegas em sua ereção. Interessante, ele já estava animado? Então seria mais fácil que pensei.

Olhando para a pista, vejo os olhos de Ícaro atentos aos meus movimentos, como um lobo prestes a atacar sua presa. Isso era um ótimo insentivo para que eu continuasse.

- Anna.. você está tão diferente. – Sua voz soa mais rouca quando rebolo meu quadril na altura de sua virilha.

- Você está tão sexy. – Seu sussurro em meu ouvido me provoca arrepios. – Seu cheiro é tão bom.

Os lábios de Adam roçam em meu pescoço e um pequeno gemido escapa de meus lábios, fecho os olhos sentindo suas mãos se apertarem em minha cintura me puxando pra mais perto de seu corpo.

- Eu estou louco por você, sente? – Seu sussurro rouco soa ofegante.

Rebolo sentindo sua ereção crescer, Adam me puxa fazendo o meu corpo girar e nossos rostos ficarem a centímetros. Estávamos ofegantes, a tensão e excitação entre nós era tão palpável. Sabia que era errado usá-lo para dar o troco em Ícaro, ainda mais Adam sendo visivelmente interessado por mim, mas sendo sincera, não me importava com isso, não por hora, teria o resto da semana para me lamentar, mas agora apenas desejava beijar seus lábios grossos.

Uma gota de suor desce pelo seu rosto contornando seus traços, a acompanho com o olhar até vê-la parar na ponta de seu nariz e cair em sua roupa. Como se fosse a permissão que eu precisasse, junto meus lábios aos seus iniciando um beijo ardente.

A música acaba, assim como nosso beijo. Ofegante, nos olhamos e um sorriso surge em seu rosto, suas bochechas estavam completamente vermelhas e as lentes de seus óculos estavam embaçadas. Com um sorriso adorável, Adam ri tentando esconder o volume em sua causa, que pra minha surpresa, era muito maior que pensei.

- Uau... eu nem sei o que devo dizer agora. – Sua voz é um misto de vergonha e surpresa.

Adam sempre fora muito tímido, mesmo sendo um dos garotos mais bonitos da cidade na nossa adolescência, eu nunca o vi com ninguém. Sempre houve boatos de sua paixão por mim, mas nunca havia notado seus sentimentos, não até recentemente.

Meus braços se apoiam em seu ombro o puxando para mais perto, um sorriso malicioso brota em meu rosto. Aproximo meu rosto de sua orelha a mordendo com a ponta de meus dentes.

- E se terminarmos isso em outro lugar? – Sugeri em um tom rouco.

O corpo de Adam treme com a minha proposta, aproximo nossos rostos e vejo seus olhos escurecerem. Sem lhe dar tempo para responder, o puxo pelo pulso para fora da pista de dança.

- Anna? Onde você vai? – Ícaro pergunta surgindo em nosso caminho.

Agradecia aos céus pela iluminação baixa fora da pista de dança. Adam esconde seu corpo atrás do meu tentando fazer sua situação não ficar evidente.

- Não é da sua conta, não acha? – Minha resposta o surpreende.

- Não acha que seu showzinho na pista foi obsceno demais pra uma festa familiar? – Sua voz sarcástica falha ao ver as mãos de Adam em meu quadril.

Percendo seu ciúmes, rebolo levemente meu quadril em Adam que solta um xingamento baixo, quase inaldivel.

- Não cabe você julgar. Sou uma mulher adulta e solteira. – Respondi arqueando minha sobrancelha.

Seus olhos me analisam atentamente tentando entender minhas ações. Não iria dar a Ícaro o gostinho de sair como o vencedor, ele havia escolhido esse caminho. Agora, restava a ele sentar e curtir a viagem.

Passo por ele esbarrando propositalmente em seu ombro. Adam segura minha mão e beija meu pescoço me causando risadas. Mesmo sem olhar para trás, conseguia sentir o olhar de Ícaro me julgando.

Capítulo 2 Você Não Pode Mandar Em Mim

- Então é assim? – Ícaro nos segue enfurecido causando um desconforto visível em Adam que me olha confuso.

- Acho melhor eu ir embora. – O médico sussurra envergonhado.

Ícaro era como uma pedra em meu sapato, sempre estragando todos os meus planos, eu o odiava com todas as minhas forças e me sentia um idiota por ter caído em sua lábia uma vez, isso não funcionaria novamente, ele não iria me manipular como todas as outras vezes estava farta de suas promessas vazias, de ser um joguete em suas mãos.

- Você não vai a lugar algum. – Sussurro no ouvido de Adam que se arrepia.

- Agora você é esse tipo de mulher? – Ícaro indaga me seguindo pelo gramado.

Apresso meus passos ignorando sua voz, Adam já não estava animado com a idéia de transar comigo e sim apavorado por estar sendo seguido por um homem de um metro e noventa e oito que proferia ofensas furioso. Então, Adam me olha tímido e sorri envergonhado.

- Anna, foi boa a nossa dança, mas acho que é melhor pararmos por aqui. – Sua voz é envergonhada e suas bochechas ficam vermelhas enquanto ele ajeita seu óculos.

- Adam, Ícaro é um fracassado, ignore esse idiota! – Digo olhando em seus olhos. O médico não me responde, apenas beija minha bochecha e se afasta indo em direção a festa.

Me viro furiosa encontrando Ícaro com um sorriso vitorioso em seus lábios. Ando em sua direção furiosa e o acerto um tapa em seu rosto, Ícaro, ri alto como se minha raiva satisfazesse seus desejos obscuros.

- Eu te odeio! Você é uma desgraça em minha vida e sempre que está por perto coisas ruins acontecem! – Digo apontando o dedo para o seu rosto. – Você não vai mandar em minha vida, eu tenho o direito de fazer o que bem entender, você nunca mais vai interferir.

Ícaro bate em minha mão a afastando e ri diabólico, seus olhos brilhavam com a fúria e eu conseguia ver sua determinação em infernizar a minha vida.

- Eu não vou a lugar nenhum, Anna. Vou fazer sua vida um inferno, vou estar sempre perto de você te vigiando, você não vai ter paz. – Ícaro sorri diabólico enquanto seus olhos me analisam. – Não vou deixar nenhum homem te tocar.

- Não vai? Ícaro, acha mesmo que nesse meio tempo eu não estive com ninguém? – Sorri observando sua expressão facial murchar. – Você não me causa medo. Na verdade, tenho pena de você.

- Você está mentindo. Não faria isso comigo. – Ícaro ri dando de ombros. – E você nem saiu desse rancho desde que terminou comigo!

Sorri vitoriosa dando minha cartada final, ele merecia toda a agonia e sofrimento do mundo e eu iria lhe proporcionar isso.

- Quem disse que precisei sair? – Pergunto com um sorriso em meus lábios.

- Você... você e aquele filho do fazendeiro! Eu vou acabar com o Arthur! – Ícaro rosna com o ódio em seus olhos.

Minha risada amarga ecoou o causando confusão. Quem ele pensa que era? Achava que era quem para me dar ordens? Ícaro havia perdido esse direito quando me traiu bem na minha cara, eu o odiava profundamente.

- Você não pode mandar em mim! Perdeu esse direito quando me traiu com a Melanie, eu odeio você. – Minha voz rouca sai furiosas enquanto olho sua expressão de tristeza surgir.

- Anna, eu... – Ícaro tenta me tocar mas bato em sua mão.

- Não me toque nunca mais! Eu te odeio! – Grito em fúria antes de sair correndo.

As lágrimas embaçavam minha visão enquanto eu corria em desespero me afastando cada vez mais do local da festa. Meu tornozelo dobra ao passar rápido pela estrada de pedras, caio no chão sentindo minha perna doer.

- Merda, só faltava essa! – Digo ao ouvir um trovão. A chuva se inicia rapidamente me deixando encharcada, tento me levantar mas escorrego novamente.

- Quer ajuda, My Angel. – Meu corpo se arrepia com as palavras próximas ao meu ouvido.

Olho para cima de vejo Otto agachado ao meu lado, o sorriso perverso brilhava em seu rosto. Como ele entrou aqui? Eu pensei que a segurança havia sido reforçada no rancho. Esse homem não devia estar aqui! Engatinho pra trás assustada provocando suas risadas.

- Tão assustada, como uma ratinha. – Ele sorri diabólico e em um movimento rápido, me puxa pela cintura me fazendo levantar do chão.

- Não era pra você estar aqui! Eu... eu vi a polícia te prender! – Gaguejei nervosa e sua gargalhada explode.

- Dinheiro, my angel. Dinheiro compra qualquer coisa, até nessa bosta de cidade. – Otto sorri apertando suas mãos em minha cintura. – Ainda é tão gostosa quanto eu me lembro.

- Me solte, imbecil! – Bato em seu braço, mas sua mão aperta mais a minha cintura.

- Continua a mesma mulher estressada. – Otto sorri me soltando. – Algumas coisas nunca mudam.

Meu coração estava acelerado, como esse homem ousava invadir o rancho de minha família e agir com tanta naturalidade? Ainda mais depois de ameaçar a minha família! Precisava ligar para a polícia, ele iria para a cadeia e dessa vez eu mesma ia me certificar que ele ficasse lá por um bom tempo! Olho ao redor procurando minha bolsa e sua gargalhada ecoa pela rua.

- Está procurando isso? – Ele diz segurando minha bolsa. Um arrepio percorre o meu corpo.

- Me devolve isso! – Ordeno impaciente.

- Você nem percebeu que esqueceu na mesa quando foi para a pista de dança rebolar como uma cadela no cio. – Otto balança sua cabeça negando e ri. – Você já foi melhor, Anna. Agora age feito uma vagabunda? Terminar comigo te fez chegar no fundo do poço!

- Fundo do poço é você ter que seguir uma mulher e ameaçar sua família para ter sua atenção! – Rebati com um sorriso sarcástico

Otto ri se aproximando, seu olhar me causava náuseas, me sentia nua com seu olhar pervertido.

Capítulo 3 O Meu Próprio Caos

- Vamos ver se ainda estará se divertindo depois do que tenho para te dizer. – Sua voz adquiriu um tom diabólico que fez meu coração disparar.

Eu sabia que ele era capaz de loucuras, mas o que teria feito agora? Um pressentimento me alertava de que algo muito errado acontecera e que isso afetaria minha vida de alguma maneira. Um arrepio percorreu minha coluna ao pensar nisso.

- O que você está insinuando? – Perguntei, ansiosa. – Otto, o que você fez dessa vez?

Seu sorriso maligno se alargou e uma risada sinistra escapou de seus lábios.

- Oh, meu Anjo... Você continua sendo a mesma garota assustada de sempre. – Ele sussurrou, se aproximando. – Você escolheu esse caminho quando se envolveu com aquele idiota grego. Foi você quem trouxe essa desgraça para sua família.

Um calafrio percorreu meu corpo diante das suas palavras ameaçadoras. O que ele queria dizer com aquilo? Meu coração apertou e diversas possibilidades passaram pela minha mente.

- Otto, diga logo ou eu volto para a festa e chamo os seguranças! – Falei, tentando parecer determinada.

Seus olhos claros brilharam com o fogo do seu ódio, como se Otto pudesse me aniquilar apenas com um olhar. Um nó se formou em minha garganta e o ar pareceu faltar nos meus pulmões. Mesmo depois de tanto tempo, aquele homem ainda tinha um poder assustador sobre mim.

Otto se aproximou do meu rosto, seu sorriso diabólico se intensificando, e sussurrou com um tom ameaçador:

- Você se arrependerá se chamar os seguranças. Toda a sua família estará perdida se tomar essa decisão.

Engoli em seco, sentindo meu corpo tremer diante da sua ameaça implícita. O som do trovão ecoou no céu, fazendo-me pular de susto.

- Por favor, pelo menos vamos para um lugar coberto. Podemos ser atingidos por um raio aqui fora! - Implorei, sentindo o medo percorrer meu corpo.

Otto sorriu, dando de ombros com indiferença.

- Não importa onde vamos, desde que estejamos longe da sua família. A conversa que precisamos ter pode ser bastante desagradável. – Sua voz grave arrepia meu corpo.

Caminhamos juntos em direção ao velho celeiro do rancho, cada passo aumentando a tensão no ar. Ao abrir a porta enferrujada, me deparei com algumas cadeiras e mesas deixadas pelos funcionários da festa. Otto se sentou em uma das cadeiras e me encarou, esperando que eu fizesse o mesmo.

Eu o olhei com raiva, sentindo meu sangue ferver. O que ele queria afinal? Por que estava me perseguindo?

- O que você quer, Otto? Por que está me seguindo? – perguntei, minha voz carregada de raiva.

Ele sorriu, mas sua expressão era enigmática.

- Uma coisa de cada vez, minha querida Anna – respondeu, sua voz suave, mas cheia de malícia.

Revirei os olhos com sarcasmo.

- Ah, claro, porque você é tão paciente, não é? Já se cansou da Ester e dos joguinhos de casinha? – minha voz transbordava sarcasmo enquanto o encarava.

Otto me fitou com uma expressão séria, mas seus olhos brilhavam com fúria contida. A tensão no ar era palpável, como se estivéssemos à beira de um confronto iminente.

O ambiente escuro do celeiro parecia envolver-nos, intensificando a tensão entre mim e Otto. Seu tom sombrio cortou o ar quando ele falou:

- Ester é irrelevante, Anna. Você não precisa se preocupar com ela agora.

Meu coração deu um salto ao ouvir o tom em sua voz, como se fosse um aviso silencioso de que algo terrível acontecera com Ester. Engoli em seco, sentindo um nó se formar em minha garganta.

- O que você fez com a Ester? - minha voz saiu em um gaguejar, a preocupação transbordando em minhas palavras.

Otto deu de ombros com indiferença.

- Isso não é da sua conta, Anna. E se você for esperta, não se meterá nos meus assuntos pessoais - sua resposta foi permeada pelo sarcasmo e por um tom ameaçador, acendendo uma luz vermelha de alerta em minha mente.

Eu me ajeitei na cadeira, ficando na defensiva diante da sua atitude. Então, questionei:

- Por que você está me perseguindo, se você me traiu com a Ester e agora vocês estão noivos, esperando um filho?

Um sorriso assustador se formou nos lábios de Otto.

- Anna, você sempre será minha, não importa para onde vá ou quanto tempo passe - sua voz era possessiva, enviando calafrios pela minha coluna.

Encolhi-me na cadeira, percebendo que ficar sozinha com aquele homem possessivo não tinha sido uma boa ideia.

Em um sussurro, murmurei:

- Você é louco, Otto. Não temos mais nada.

Ele segurou meus pulsos na mesa, puxando-me para frente da cadeira. Seus olhos me perfuraram enquanto ele declarava:

- Não deixarei você ficar com esses homens, Anna. Você me pertence.

Um calafrio percorreu todo o meu corpo, enquanto eu lutava para me libertar da sua aderência, percebendo que estava presa com esse lunático em um lugar distante onde ninguém iria me procurar.

- Otto, me solte! Você está me machucando! – Minha voz saiu chorosa, meus pulsos tremiam em suas mãos.

Percebendo o impacto do seu comportamento, seus olhos se arregalaram e por alguns segundos pareceram voltar ao normal. Otto finalmente liberou meus pulsos, e eu os massageei, sentindo a dor latejante em meus músculos.

Encarei minha pele, onde as marcas arroxeadas de suas mãos estavam gravadas em meus pulsos. Um nó se formou em minha garganta, enquanto o medo se apoderava de mim.

- Anna, eu... Eu não queria te machucar. – Sua voz agora soava envergonhada. – Peço desculpas e...

- Não importa. – O interrompi, minha voz estava fria. – Apenas me diga logo quais são suas intenções ou irei embora!

Otto pareceu ficar um pouco desconcertado, seus olhos inquietos, suas mãos trêmulas. Ele passou a mão pelo cabelo molhado, bagunçando-o ainda mais.

- Eu... Eu realmente não queria machucar você, my angel. – Ele murmurou, envergonhado. – Droga, não consigo me controlar quando estou perto de você.

Permaneci em silêncio, observando sua súbita mudança de humor e personalidade. Temia que Otto tivesse recorrido às drogas novamente, seu comportamento estava demasiadamente imprevisível, evocando lembranças desagradáveis.

- Otto, você usou alguma coisa? – Perguntei, encarando seu rosto pálido. – Não minta para mim.

Sua risada incrédula ecoou pelo celeiro, seus olhos me analisaram em silêncio por alguns segundos.

- Sempre tão perspicaz, my angel! – Otto respondeu, dando de ombros. – Mas isso não é relevante.

Sua resposta atingiu-me como um soco no estômago. Depois de todo o esforço que eu investira, todas as noites em claro, todas as vezes que o vi à beira da morte... Agora ele simplesmente havia desistido de se manter limpo e voltara a usar drogas?

- Sabe de uma coisa? Não importa! – Levantei as mãos em sinal de rendição. – Eu fiz tudo o que pude por você. Agora, se você quer arruinar sua vida com a Ester, tudo bem.

Seus olhos marejados me observaram por alguns instantes, e por um breve momento, vi o verdadeiro Otto, o homem que conheci anos atrás.

Inclinei-me para a frente, socando a mesa, o que o fez recuar, surpreso.

- Mas pelo menos tenha a decência de deixar o filho de vocês fora disso! – Minha voz soou como um rosnado, impregnada de raiva e desespero.

Otto permanece em silêncio, seu rosto exibindo uma expressão de tristeza profunda, enquanto seus olhos marejados se perdem em seus próprios pensamentos.

- Só você, my angel... Só você consegue me salvar do meu próprio caos. – Ele murmura, sua voz tingida de melancolia, seu sotaque britânico mais acentuado. – Por isso, você sempre foi my angel... Você me salvou e sempre irá me salvar.

- Otto, você não vê? Não adianta tentar salvar alguém que não quer ser salvo! – Ri sem humor, recostando-me novamente na cadeira. – Você é incorrigível, sempre acabará retornando aos mesmos erros e tentando me usar como uma escada para sair do abismo onde você mesmo se colocou.

- Anna... Não é assim! – Sua voz se desvanece no ar.

- Estou cansada, Otto. Deixe-me em paz! – Meu apelo é quase um sussurro. – Não destrua a vida da minha família como fez com a minha.

Seu olhar muda, tornando-se frio novamente. Otto retira uma pasta de dentro de seu sobretudo, algo que me deixa confusa.

- Tudo dependerá de você, my angel. – Um sorriso diabólico se insinua em seu rosto. – Se sua doce e bela família ficará bem.

Tento alcançar a pasta, mas Otto a puxa para mais perto.

- Otto, estou cansada de joguinhos! Fale de uma vez! – Minha voz transborda impaciência.

- Case-se comigo, Anna. – Sua voz diabólica ecoa pelo celeiro.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022