- Eu vos declaro, marido e...
A ponta de uma flecha atravessou o peito de Cian, fazendo com que ele caísse de joelhos, aos pés de Ríona.
- Não! - ela gritou, ajoelhando-se, sem saber o que fazer.
-Meu... Amor - ele disse, antes de perder a consciência. Ríona estava desesperada demais para se ater ao que se passava ao redor dela. Tudo o que ela podia focar era no corpo sem vida de seu noivo.
Um puxão a fez se levantar e ver aqueles olhos verdes intensos, como esmeraldas, queimando dentro dela.
- Vamos pra casa! - o homem de cabelos escuros disse, erguendo Ríona e colocando-a no cavalo dele.
Ela tentou se desvencilhar, mas o aperto dele era forte demais.
Logo, o cavalo ganhou velocidade e Ríona deu uma última olhada para trás. Só o que ela podia ver era caos, através da revoada dos próprios cabelos vermelhos.
Uma vez no castelo, ela foi levada por um largo corredor.
- Me solte! Seu monstro! - ela chorava e se debatia, mas o homem, que era muito mais alto e forte do que ela, continuava a levá-la.
- Você vai voltar a si! Tudo o que você precisa é de um tempo - o homem falou como se ela fosse uma criança.
- Feargus Mac Tire, eu o odeio! - ela gritou e foi possível ver um brilho diferente nos olhos do homem, mas ele continuou andando, até que chegaram a uma porta escura.
Feargus abriu-a e colocou Ríona lá dentro, sem jogá-la.
- Você logo vai ver que o que tinha com ele não passou de uma ilusão. É a mim que você ama - ele falou e suspirou, enquanto Ríona chorava - Logo tudo se resolverá e nós nos casaremos.
Ele saiu e deixou a ruiva sozinha. Ela chorou até que não havia mais lágrimas nos olhos dela.
- Ele não passa de um bruto - Uma voz melodiosa soou de trás de Ríona, que levou a mão à boca, a fim de não gritar.
- Quem... Quem é você? Como entrou aqui? - Ríona perguntou, cheia de esperanças. Se aquela mulher tinha entrado ali, então havia uma saída!
- Eu sou Morana, às suas ordens - A mulher de cabelos e olhos escuros falou, fazendo uma reverência - Agora, vejamos... Como eu posso ajudá-la, menina?
- Como entrou aqui? - Riona olhou em volta e não havia nada mais do que uma minúscula janela, com grades.
- Isso é importante? Prefere que eu fale sobre mim ou que eu te ajude? - Morana perguntou e observou enquanto Riona pensava.
- Meu noivo foi morto. Eu o quero de volta, eu quero sair daqui! - A prisioneira finalmente falou, após alguns momentos de silêncio.
- Calma, calma... Morto? - Morana perguntou e abanou a mão em direção a Ríona - Esqueça, magia não traz mortos de volta à vida. Você pode se transformar através da morte, mas precisa estar vivo antes. Corpos que não falam, não tem jeito. Eles não podem aceitar e nem recusar nada.
- Mas então... - Ríona se deixou cair de joelhos, para depois recostar-se nas próprias pernas - Então não sei o que você pode fazer por mim.
Morana se aproximou, com as vestes escuras arrastando-se atrás dela, até que parou em frente a Ríona, levantando o queixo desta com o dedo indicador.
- Posso te dar algo melhor.
A testa de Ríona se franziu.
- O quê? - Ela perguntou, sentindo que estava entrando em algo perigoso, ali.
Morana sorriu e Ríona sentiu um calafrio.
- Eu posso ajudá-la a permanecer neste mundo até que o seu querido noivo volte a existir. E... Você poderá se vingar do homem que arruinou a sua vida.
Ríona apertou os lábios, pensativa.
- E... E como você faria isso?
- Muito simples - Morana começou a falar e virou-se de costas, dando alguns passos para longe, antes de se virar - Você só precisa aceitar sangue da vida.
- Sa-sangue da vida? - Ríona franziu o sobrolho - Eu não entendo.
Morana olhou intensamente para Ríona.
- Basta confiar em mim e eu posso garantir que você será a dona do seu próprio destino, daqui para frente. Tudo o que você tem que fazer é... - Morana sorriu de uma forma macabra - Morrer.
*600 ANOS DEPOIS*
Faolán acordou sobressaltado após ter o mesmo pesadelo de quase todas as noites. A mulher de olhos vermelhos que lhe arrancava o coração, enquanto ele agonizava até o fim.
Ele se levantou da cama de hotel e foi para o banheiro. Aquele encontro com a CEO da Frontier era de extrema importância e ele não podia aparecer de qualquer jeito.
"Preciso estar no meu melhor", ele pensou. Não que ele tivesse intenção de seduzir a mulher a fim de conseguir o que ele queria, mas a imagem de um homem responsável e à altura daquele negócio era o que ele precisava, além de boas palavras. "Ou, eu uso a aura Alfa nela. Humanos ainda são animais, afinal de contas".
Faolán McKay era o CEO da Pinnacle Construções, bem como o Alfa do bando Mac Tíre. Ele era um lobisomem.
"- Sinto que algo grandioso está vindo!" - Lonn disse, ansioso.
Todo lobisomem, quando chegava à época, despertava o lobo interior. O lobo era o reflexo mais instintivo da alma da porção humana.
- Eu também... Hoje vamos resolver esse problema - Ele respondeu em voz alta.
Há menos de um mês, Forlán precisou retornar ao bando, uma vez que o mesmo foi atacado por rogues. Nisso, o pai dele foi uma das vítimas, o que fez Faolán ser coroado Alfa antes do esperado.
Após se vestir, Faolán saiu do hotel no carro alugado e foi em direção ao ponto de encontro: uma cafeteria na parte central de Fort Wayne.
Faolán estava sentado, esperando pela chegada de... Ele olhou o nome dela na mensagem que o Beta dele, Kieran Owens havia enviado. Lyla Haynes.
E então, um cheiro o atingiu com força. Menta, com chocolate e uma pitada de pimenta. E outra coisa, porém, ele não conseguia discernir. Lonn começou a "pular para cima e para baixo", e Faolán sabia que sua companheira predestinada estava em algum lugar próximo.
"- Vá procurá-la!" - o lobo insistiu com ele, em agonia.
"- Mas... e o compromisso?"
"- Dane-se! Você pode dizer que teve uma emergência! Vá AGORA!"
No entanto, toda a urgência de Lonn não era realmente necessária, já que o cheiro estava se aproximando, em vez de se afastar. Faolán, que já estava de pé, pronto para sair em busca de sua companheira, ficou parado, esperando que ela se mostrasse. A porta da cafeteria se abriu e uma mulher com um vestido tubinho preto clássico, salto agulha de mesma cor, cabelos ruivos na altura dos ombros, entrou.
O caminhar dela era elegante, e, mesmo com um óculos de sol cobrindo-lhe os olhos, Faolán sabia que ela teria um olhar penetrante. A mulher ergueu as mãos surrealmente brancas e tirou os óculos escuros, revelando olhos que eram de um azul semelhante à pedra Larimar.
Mesmo com um vestido de escritório, "comportado", Faolán podia ver suas belas formas.
"- Perfeita!" - ele e Lonn pensaram juntos.
"- Ela está se aproximando!" - Lonn disse, animado. Faolán mandou-o ficar quieto e limpou a garganta, pronto para falar.
- Sr. McKay? Sou Lyla Haynes, prazer em conhecê-lo.
A mulher se apresentou formalmente, e sua voz era como música para os ouvidos de Faolán. Ela estendeu a mão para que ele apertasse.
"- O prazer é todo nosso! Marque-a!" - Lonn estava quase babando, e Faolán não sabia o que fazer, afinal. Ela era aquela CEO cruel e mesquinha, que ele ouviu falar, mas também, sua companheira. O que o preocupava era que ela parecia não perceber a ligação que eles tinham. Ao menos, não aparentava sentir absolutamente nenhum tipo de excitação ao vê-lo. Mesmo sendo humana, ela deveria ficar afetada de alguma maneira.
Ele olhou para a mão dela como um idiota, mas não conseguia se mexer. Ela ergueu as sobrancelhas e retirou a mão, torcendo os lábios e sentou-se à mesa, descontente.
"- Ela está triste. Ela está chateada conosco. FAÇA ALGUMA COISA!"
- Senhor Mc...
- Cale a boca e deixe-me pensar! - Faolán disse, em voz alta. As pessoas ao seu redor ficaram em silêncio e olharam para ele. Os olhos de Lyla se arregalaram para ele e depois semicerraram-se.
- O que você disse? - Ela perguntou, incrédula, levantando-se lentamente, as duas mãos em cima da mesa.
- N-não, não! Eu estava... pensando em outra coisa, me desculpe. Não era para você! - Ele tropeçou nas palavras, e Lyla apenas o encarou, com uma cara de descrença, meio entediada.
- Então, o senhor tem um problema mental? Afinal, não estou vendo ninguém além de mim interagindo com o senhor. - Ela perguntou casualmente, tentando não cruzar os braços e parecer muito hostil. O homem era bonito, alto, pele bronzeada, olhos verdes de matar, e cabelos escuros e sedosos que imploravam para serem acariciados. Mas ela manteve o olhar frio, afinal, ele não merecia nada de bom dela.
- Eu só... Pensei em voz alta sobre algo que me lembrei. Esses últimos dias foram difíceis para mim, sinto muito. Meu pai faleceu e...
- Isso não vai me comover. - Ela o cortou. Faolán, que estava com os olhos fechados, abriu-os e olhou para ela com o cenho franzido. Ela era insensível, de fato!
- Não é para comover a senhorita. Meu pai faleceu há menos de um mês. - Ele disse, sério. Apesar de estar chocado com o comportamento dela, ele ainda queria abraçá-la, beijá-la e torná-la dele.
"Tudo culpa dessa ligação!".
"- Se você a marcar, ela vai nos sentir e vai mudar!" - Lonn não aceitava que Faolán estivesse perdendo tempo, em vez de tomar a companheira deles de uma vez. O Alfa o mandou ficar quieto, ou o "trancaria" no fundo da mente.
- Minhas condolências. - Ela falou, ainda com o tom monótono e voltando a sentar-se. - Agora, o senhor pediu uma reunião comigo, a fim de discutir um terreno que sua empresa parece interessada. O problema é que eu também o quero e... Nós temos a preferência para a compra.
- Obrigado. - Faolán limpou a garganta. - Bem, meu pai e eu ajudamos algumas pessoas e como as terras na qual as pessoas moravam pegou fogo, muitas ficaram desabrigadas. Aquelas terras não prestam mais, mesmo que construíssemos casas para eles, eles não poderiam mais plantar nada, ali.
- Eles são nativos? - Ela questionou.
- Ah, não exatamente. São pessoas que vivem principalmente na natureza, então precisam de terra cultivável. - Ele tentou explicar. Claro, ele não podia simplesmente dizer, ali mesmo, no meio de um bando de humanos, que as pessoas em questão eram parte de uma alcateia de lobisomens.
- Eu entendo. Mas existem outras terras. - A maneira como ela falou o fez, mais uma vez, pensar que ela tinha algum problema com ele. Sua frieza não era a de uma pessoa que simplesmente não se interessava pelos problemas dos outros, mas a de alguém que guardava algum tipo de rancor.
- Mas esta terra que eu quero é perto deles. Há várias pessoas, incluindo idosos e crianças. Mudar para outro lugar seria problemático.
- Com todo o respeito, o senhor não é pobre, senhor McKay. Se o senhor está disposto a comprar um terreno tão caro, um dos mais caros do mercado, diga-se de passagem, por que não pagar um transporte adequado para essas pessoas? - Lyla levantou de leve os ombros. - Idosos e/ou deficientes podem usar um avião, ou ônibus mais confortáveis. Os meios de transporte se desenvolveram muito. Você mal consegue perceber que eles estão se movendo. - Ela disse, sua voz ainda fria e apática, mas com um toque de deboche.
Faolán olhou para baixo, pensativo. Na verdade, ele não era pobre. E a solução dada por ela era viável. A questão era a terra, que, mais do que tudo, oferecia o isolamento de que tanto precisavam.
- Essas pessoas não gostam de se expor, de estar em contato com a sociedade. Então é dessa terra que eles precisam. - Ele insistiu. Ela sorriu.
- Vou pensar nisso, porque minha empresa precisa daquele terreno que se adapta perfeitamente ao nosso novo projeto, Sr. McKay. Mas prometo que falarei com a diretoria e lhe darei uma resposta o mais rápido possível. - Ela se levantou, ajeitou o vestido e estendeu a mão. - Foi um prazer conhecê-lo. - Ele engoliu em seco, olhando para a mão dela.
Ele ergueu a mão, e quando suas suas peles se tocaram, ambos sentiram a eletricidade percorrendo seus corpos. Ela arregalou os olhos e ele sorriu. Faolán sabia que ela tinha sentido o mesmo! Mas logo a expressão de Lyla mudou, agora mostrando algo que fez seu coração doer: desprezo.
A ruiva largou a mão dele com sutil brutalidade, colocou a bolsa no braço e se virou para sair. Ela nem havia tocado no café que ele deixou na mesa para ela, como cortesia. Na verdade, ela nem pareceu percebê-lo ali.
********** ********** ********** **********
- Eu não posso acreditar que aquele idiota está de volta! - Lyla gritou, sozinha, jogando sua bolsa no sofá do escritório.
Ela havia falado com um lobo diferente, Kirian Owens, mas como ela se recusou a desistir da terra, ele pediu que ela falasse diretamente com o CEO da Pinnacle Construções. Acontece que Lyla já sabia que o assunto não tinha nada a ver com negócios, e hoje aquilo se confirmou. Ela sentiu o cheiro de lobo em Kirian na primeira vez que ele entrou no prédio. Farejar um lobisomem não era difícil para alguém como ela.
- Ele veio aqui para tentar me subjugar, com a aura Alfa, dele - Ela fez uma careta - Humpf! Coitado!
No entanto, ela não esperava que ele fosse o Alfa. Ela reconheceria aquele rosto em qualquer lugar, não importava quanto tempo tivesse passado. Seiscentos anos não era tempo suficiente para ela fazê-la esquecer do rosto do algoz dela.
Lyla não negava que ele era bonito e charmoso - e, agora que seu cabelo estava mais comprido, ele era muito mais atraente. Mas ele era quem era, seu maior inimigo, a razão de sua vida ter dado errado e sua existência ser vazia e dolorosa.
No entanto, algo a confundiu. Ele parecia estar atraído por ela de uma forma incomum. Faolán McKay estava emitindo feromônios como um louco, e ele tinha aquele olhar idiota em seu rosto quando olhava para ela. Ela riu, incrédula e tentando afastar a possibilidade que surgiu em sua mente.
- Será que é isso? - Ela se perguntou, sentada na cadeira atrás da mesa, pensativa. Seria de uma ironia absurda! - Não. Não... Isso seria ridículo!
Sem pensar duas vezes, Lyla ligou para um número que raramente procurava, a menos que fosse uma emergência.
- Olá? - A voz do outro lado era tão melodiosa quanto Lyla se lembrava.
- Morana? Temos um problema.
Debaixo do chuveiro, Faolán estava pensando. O plano era chegar a Fort Wayne, usar sua aura Alfa no CEO da Frontier, resolver toda a situação e retornar, talvez no mesmo dia, para sua matilha. Porém, a realidade era bem diferente. Não só ele não resolveu a situação territorial, mas também descobriu que ela era sua companheira. E obviamente, mesmo que quisesse usar sua aura, não poderia, já que os companheiros de Alfa são imunes a isso.
- O que diabos eu vou fazer?! - Ele grunhiu, pegando a toalha e se enxugando. Ele tinha agora dois motivos para não sair dali: o problema do terreno e, claro, "nem a pau" Faolán sairia daquela cidade sem levar Lyla com ele - Ela pode sumir e eu vou perdê-la de vez!
"- E você a deixou ir embora!" - Lonn reclamou na mente de Faolán - "E se ela sair com outro? Você não falou nada sobre a gente!"
Faolán mandou o lobo se calar. Pelo que Kieran havia pesquisado sobre Lyla, ela era solteira, sem filhos, tinha formação em Administração de Empresas, contava com vinte e cinco anos e era isso.
- Você é bem discreta... - Faolán acariciou a foto que ele havia conseguido na internet e, agora, era a imagem de fundo do celular dele.
"- Vai ficar aí só olhando a foto dela? Nós precisamos falar e estar com ela!"
"- Eu já te disse por que não posso pressioná-la demais. Ela é humana e também está por um fio de comprar algo que nossa matilha precisa muito. Não quero assustá-la ou ofendê-la!" - Faolán tentou manter a calma, mas Lonn estava muito agitado. "- Seguinte, eu vou esperar por ela depois do horário de expediente e convidá-la para jantar. Que tal?
"- Que plano mais tosco! Ela não vai sair do escritório assim, andando! Com certeza ela vai estacionar o carro dentro da garagem, onde você não tem acesso. Se você vai convidá-la para sair logo depois que ela sair do trabalho, como diabos ela vai se preparar para jantar com você? Francamente..." - Lonn falou com desdém.
"- Ah, bom... Quando você coloca desse jeito..." - Faolán disse, franzindo os lábios.
"- Nem parece que você vive tanto tempo entre os humanos, já que ainda não aprendeu como eles são, principalmente as mulheres." - Faolán quase pôde sentir os olhos de Lonn revirarem.
"- Tudo bem, espertinho. Vou ligar para ela na empresa dela, agora mesmo." - Ele pegou o telefone e, antes que Lonn pudesse reclamar, Faolán mandou o lobo para o fundo da mente dele, para ouvir o que a telefonista dizia do outro lado da linha.
Lyla estava tão imersa em resolver alguns problemas sobre outro resort que estava quase pronto, que não ouviu o telefone fixo do escritório tocar. Foi então que sua secretária desistiu de tentar falar com ela pelo ramal, levantou-se, entrou no escritório de Lyla e disse que o CEO da Pinnacle Constructions estava ao telefone e precisava falar com ela com urgência. Lyla queria dispensá-lo, mas sua secretária insistiu que ele parecia muito nervoso. A ruiva franziu a testa.
- Ai, tudo bem. Eu vou falar com ele. Obrigada, Kim!
A jovem ajustou os óculos, sorriu e saiu, indo direto para a mesa e transferindo a ligação.
Quando Lyla ouviu o telefone tocar, ela apertou o botão da linha, irritada.
- Oi! - Ela disse, sem muita paciência. Faolán percebeu isso e isso o deixou ainda mais nervoso.
- Ah, senhorita Haynes, preciso vê-la hoje mais tarde. - Ele disse, por telefone, com bastante frieza. Lyla ergueu as sobrancelhas.
- É mesmo? Posso saber o motivo? Não tenho nada a dizer ao senhor, muito menos pretendo ouvir suas lamentações novamente. Se for sobre a terra do Wyoming, já disse que pensaria nisso, além de conversar com meus acionistas. Obviamente, ainda não fiz nada disso, pois tenho muitos outros assuntos para tratar. Sendo você mesmo um CEO, pensei que me entenderia. - Ela disse, irritada.
- Não é sobre isso! - Ele disse, apressadamente, o que fez Lyla contorcer a boca em surpresa.
- Não? Então é sobre o que, senhor McKay?
- Não. Por favor, é algo muito importante. É pessoal. Não posso falar muito por telefone.
Lyla estreitou os olhos. Parecia apenas uma desculpa para ela se encontrar com ele. Se ela fosse um humano comum, ela até ficaria com medo de ele ser um pervertido que queria atacá-la. Ele era imenso e, obviamente, seria fisicamente muito mais forte do que ela. Como aquele não era o caso, ela resolveu aceitar. O que de ruim poderia acontecer?
- Vou sair em duas horas. Onde vamos nos encontrar? - A voz dela demonstrava a sua total falta de interesse.
- Como não conheço a cidade, deixarei que a senhorita escolha. - Ele deu a ela seu número pessoal e pediu que ela lhe enviasse uma mensagem com o endereço.
- Certo.
Faolán ouviu a linha cair e deslizou o botão de desligar na tela do telefone. Ele estava muito feliz, porque iria vê-la novamente. Lonn foi libertado de sua mente e o lobo estava pulando de alegria.
- Agora, vamos escolher o que vestir - disse Faolán.
- Sim, você tem que ficar lindo pra caralho!
- Eu já sou lindo pra caralho - Ele brincou e Lonn revirou os olhos, dessa vez.
- Tente não soltar essas piadinhas infelizes com ela. Que vergonha!
- Ela vai amar, Lonn! Somos feitos um para o outro!
- Torço para que o amor dela seja realmente enorme, ou estaremos os dois ferrados.
Faolán não mencionou que Lonn já estava no prejuízo, pelo fato de Lyla não ter um lobo. Para que jogar sal na ferida?
Enquanto ele se arrumava, Lyla mandou uma mensagem com o endereço. Ele viu a foto dela no aplicativo de mensagens e deu um sorriso bobo.
- Mulher maravilhosa!
O celular de Faolán tocou e o nome do Beta apareceu no visor.
- E aí! - Kieran falou, animado - Me diz que ela aceitou!
Memórias da conversa deles, logo depois de Faolán avisar ao bando sobre a necessidade de ele novamente se ausentar, brotou na mente do Alfa.
"- Cara, aquilo foi ótimo! - Kieran disse - Você realmente sabe como controlar esses lobos. Mesmo estando fora há anos!
- Eu apenas contei a verdade a eles. Não gosto da ideia de sair da matilha de novo, mas infelizmente não tenho escolha, pois aquela vadia decidiu ficar no nosso caminho!
- Uma vadia muito gostosa, eu tenho que dizer. Você vai ver. Tentei colocar meu charme para funcionar, mas ela nem prestou atenção em mim - Kieran fez um beicinho, como se estivesse chateado.
- Não deveria ter feito isso. Vai que ela curte mulheres? Você já pensou nessa possibilidade? - Faolán retrucou, e então Kieran parou no meio do caminho, boquiaberto. Depois sorriu e correu para o lado de Faolán, que não parava de andar.
- Duas de uma vez? Você acha que ela concordaria com isso?
- Você é um pervertido, Kieran. Você não tem vergonha? - perguntou Faolán, rindo.
- Eu tento o meu melhor. Quero encontrar minha companheira. E se ela não estiver aqui, preciso dar uma volta, para ajudar na minha busca - Kieran piscou - Até lá, não tenho motivos para não me divertir. Assim, ganho muita experiência para praticar com a minha predestinada.
Os dois caíram na gargalhada."
Gargalhar era tudo o que Faolán não estava fazendo, apertando com força o telefone.
- Ei! Tá aí? - Kieran perguntou.
Faolán respirou fundo. Kieran não sabia que Lyla era a predestinada dele.
- Ah, tá, tá sim. E não, ela não aceitou - Faolán soltou um suspiro, enquanto Kieran, um muxoxo.
- Te disse que ela era dura na queda.
- Sim, muito.
- E ela é gata demais, né? Super gostosa! Nossa, uma boquinha de dar água na boca. E aquele corpo?
A expressão de Faolán mudou na hora.
- Eu acho melhor você guardar esses seus pensamentos para si mesmo! Não, melhor ainda, nem mesmo os tenha! Ela é minha! - Faolán soltou entre dentes, ameaçadoramente. Kieran ficou confuso por alguns segundos.
- Nossa, certo. Não parecia tão incomodado quando falei da beleza dela, antes. O que te deu? - Kieran riu - Não me diz que ela é a sua companheira!
O Beta soltou uma bela risada, mas com o silêncio de Faolán, ele ficou sóbrio.
- Ela é? Cara, ela é a sua companheira? Cacetada! Me perdoa! Eu não quis desrespeitar a nossa Luna, a sua companheira! Perdão! E parabéns!
- Vou deixar passar essa. Agora, eu tenho que ir. Tenho um encontro com Lyla. Fui! - Ele desligou sem sequer esperar pela resposta de Kieran.
Lyla havia escolhido um restaurante não muito ostentoso, mas bom o suficiente para comerem bem e terem privacidade. Faolán chegou lá alguns minutos antes dela. E quando ela desceu do carro, ele ficou deslumbrado.
- Fecha a boca! Não queremos parecer idiotas, pra ela!"- Lonn o lembrou e Faolán se endireitou.
- Senhorita Haynes - Ele disse, oferecendo a mão para ela. Lyla olhou para a mão dele e, só para evitar parecer estúpida, aceitou-a.
- Senhor McKay - O mesmo sentimento de antes tomou conta de ambos. Desta vez, ele foi muito mais galante e menos pateta. Lyla notou que Faolán tentava se exibir como o Alfa que era. Apesar de não ser um lobo, ela sentiu o cheiro de seus feromônios afetando-a, embora ela tentasse resistir.
"Esse cretino é realmente lindo!", ela pensou amargamente. O cheiro era atraente. Ele estava fazendo a boca dela aguar, porém, ela não queria mordê-lo. Não no sentido de machucar, pelo menos, mas de outra forma.
Ao perceber o que estava acontecendo com ela, Lyla tratou pensar em outras coisas, pois sabia que ele farejaria a sua excitação. Como uma forma de ser atraente fisicamente, de maneira completa, para as presas, ela ficava molhada lá.
- Muito obrigado por aceitar meu convite - Faolán ofereceu-lhe o braço, com um sorriso malicioso. Ele estava sentindo o quão afetada a ruiva estava com a presença dele. Ela poderia até tentar negar, mas não conseguia disfarçar que estava atraída por ele.
Eles foram levados a uma mesa no fundo do salão, num local mais recluso, para que ninguém pudesse ouvir o que falavam.
Enquanto caminhavam até a mesa, Faolán notou todos os olhos dos clientes presentes, nela - alguns deles querendo-a para si, e outros querendo ser como ela. De qualquer forma, eles a admiravam e Faolán a conduzia com orgulho e superproteção. Assim que chegaram à mesa, Lyla o mirou seriamente.
- Agora você pode começar a falar - Ela disse, mandona.
Faolán sorriu antes de dizer qualquer coisa. Ele estava tentando manter a calma, mas a visão daquela mulher era algo fora de sério, para ele.
A ruiva tinha ido para sua casa tomar banho e trocar de roupa. Faolán podia sentir o cheiro do sabonete e do hidratante na pele dela. Agora, ela usava um vestido verde simples que combinava perfeitamente com seu tom de pele e cabelo. Saltos bege, quase nenhuma maquiagem, exceto o batom vermelho sangue. Na maioria das mulheres, poderia parecer muito extravagante, cabelo ruivo alaranjado, com vestido verde e um batom mais que chamativo. Mas nela, estava perfeito. Tudo nela era perfeito.
- Certo. Posso te chamar de Lyla? - Ele perguntou com um sorriso no rosto. Lyla não gostou, mas queria acabar logo com aquilo e resolveu assentir. Faolán gentilmente puxou uma cadeira para ela sentar, o que ela fez. Ele foi para o outro lado e sentou-se de frente para ela - Você acredita em amor à primeira vista, Lyla?
Ela ponderou por dois segundos, antes de concordar com a cabeça.
- Claro, por que não? - Ela respondeu. Lyla havia amado loucamente um homem, séculos antes, e foi amor à primeira vista. No entanto, ele foi arrancado de sua vida. A lembrança daquilo a fez sentir um gosto amargo na boca.
- Você acreditaria em mim se eu dissesse que estou apaixonado por uma mulher, quando a vi apenas uma vez? - ele manteve contato visual com ela.
- Hmm - foi a resposta dela.
O garçom se aproximou, apresentando-se. Lyla pediu um dry martini, enquanto Faolán preferiu um licor de chocolate. Ela olhou para ele interrogativamente.
Cerca de 2 minutos depois, o garçom voltou com as bebidas.
- Eu amo esse licor - Ele afirmou, e ela achou fofo, mas depois voltou à sua expressão séria. Lyla não poderia ter tais pensamentos sobre o inimigo - Não estou dizendo isso para influenciar você a me dar seu território, mas estou realmente interessado em você.
- Eu duvido muito - Ela disse, depois de tomar um gole de sua taça.
- Estou falando sério. Quando você apareceu no café, fiquei completamente fascinado e nem sabia quem você era - Ele falou em um tom sedutor, o que a fez cair na gargalhada.
- Você não sabia quem eu era?! Não posso aceitar que um homem que dirige uma empresa vá falar de negócios com alguém, sem sequer verificar se é a pessoa certa. Se fosse antigamente, eu não ficaria surpresa; mas hoje em dia, com a internet disponível? Inconcebível! - Lyla disse, recostando-se na cadeira e olhando para ele com desdém.
Faolán sabia que havia errado. Lyla podia nem ser a CEO, mas ele abriu a boca e contou tudo a ela, como um idiota.
- Sim, fui descuidado. Minha cabeça está um pouco fora de órbita, esses dias. Mas garanto que não estou mentindo. E, pelo que posso perceber, com todo o respeito, você não é indiferente a mim - Ele disse, sorrindo.
- Eu não sou hipócrita, nem mentirosa. Então, sim, admito que você é muito bonito, charmoso, o tipo de homem que a maioria das mulheres nem tentaria resistir. Porém, eu, Sr. McKay, não faço parte desse seleto grupo das damas.
- E é isso que eu mais gosto em você. Você não é apenas bonita; você também é inteligente e tem uma personalidade forte, tudo que um Lun...- Ele parou, pigarreou, como se tivesse sido engasgado, e tomou um gole da água que o garçom lhes serviu como cortesia - ...um líder nato deve ter.
Lyla percebeu o que ele estava prestes a dizer. Luna. Isso confirmou as suspeitas dela. Ele a reconheceu como sua companheira. Era tentador usar isso para destruí-lo para sempre, mas ela sabia que as coisas poderiam dar errado. Se ela era sua companheira, isso significava que sua atração por ele era recíproca, e ela não poderia resistir a isso por muito tempo. Depois de tantos séculos de experiência, Lyla não correria tal risco.
- Falar docemente não vai me fazer desistir das terras. Agora, se é isso que você queria me dizer, podemos encerrar esta reunião agora mesmo - Ela disse, bebendo o que sobrou em seu copo de um só gole e puxando a carteira para pagar sua parte. Lonn, que estava apenas observando o tempo todo, começou a ficar inquieto. Lyla tirou uma nota de cem dólares da bolsa, colocou-a sobre a mesa, levantou-se e foi até a porta.
- Vai ficar aí como um idiota? CORRE ATRÁS DELA! - Lonn gritou, impaciente, fazendo Faolán sair do transe.
- Espere! Não vá! - Faolán a chamou, levantando-se. Ela não esperou, então ele foi atrás dela, alcançou-a, segurou-a pelo braço e a virou para ele. Lyla tentou se afastar, mas ele a puxou para mais perto de si.
- Me solta! - Ela comandou, entre os dentes. A última coisa que ela queria era atrair a atenção de outras pessoas, por isso, não podia simplesmente dar um empurrão mais forte naquele Alfa.
Faolán não disse nada, apenas colocou as mãos no rosto dela e baixou os lábios em direção aos dela, pegando-a de surpresa. Lyla tentou virar o rosto, mas o desejo que brotou no âmago dela foi muito mais forte e, logo, ela tinha os braços no pescoço dele, permitindo que Faolán explorasse sua boca.
A cada segundo, o vínculo entre eles ficava mais forte e a mente de Lyla já estava se esvaziando, focando exclusivamente no belo moreno de olhos verdes.
- Esses jovens não têm nenhum respeito! Eles poderiam pelo menos ir para suas casas, em vez de fazer essas safadezas no meio da rua! - Uma senhora idosa passou por eles e comentou em voz alta, para que ouvissem, o que despertou Lyla de seu "transe", fazendo-a empurrar Faolán.
- Chega! Não gosto de fazer isso em público - Ela quase nem reconheceu a própria voz, cheia de desejo.
- Ok, então vamos para o meu quarto - Ele disse, sem dar tempo a ela para recusá-lo. Lyla não ofereceu resistência, sentindo-se flutuando. Ela entrou no carro e, quando deu por si, Faolán já estava dirigindo.
"O que diabos?", ela se perguntou, confusa. O que ela faria? Lyla não queria que Faolán soubesse o que ela era. Não ainda, pelo menos.