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Somente Minha

Somente Minha

Autor:: Rutiéle Alós
Gênero: Romance
Arthur, um médico bonitão e muito mulherengo, tem um caso de paixão a primeira vista. Carla, uma bibliotecária charmosa, animada e inocente. Será que este romance vai dar certo ?

Capítulo 1 Arthur Pacheco Gonçalves

Arthur não teve uma infância fácil, seus pais trabalhavam duro para que ele tivesse o básico para viver. Era o filho caçula de três irmãos. Seus pais viviam em guerra dentro de casa, não conseguiam engatar uma conversa sem partir para a agressão. Desde muito pequeno aprendeu a ficar no seu canto para não sobrar pra ele.

Em uma noite quente de verão, Arthur e seus irmãos dormiam, enquanto seus pais protagonizavam mais uma briga. Arthur não sabia dizer como as coisas ocorreram, mas lembrava de acordar, no meio do fogo e da fumaça. Correu, tossindo, afogado pela fumaça, não achava saída, não havia ninguém no quarto, ele gritava por socorro, mas ninguém o ouvia. Conseguiu alcançar a janela do quarto, e se jogou para fora.

Horas depois, quando acordara no hospital descobriu que tinha sido o único a sobreviver, pois não tinha tentado sair pela frente da casa. Arthur tinha 13 anos na época, não sofrera nenhuma queimadura, apenas alguns arranhões da queda. Passou uma semana no hospital por conta da quantidade de fumaça inalada.

Naquele dia, Arthur decidiu que nunca casaria, que nunca se submeteria a um casamento para viver um inferno, como seus pais. Foi mandado para a casa de seus avós, que o criaram com muito amor. Mas as marcas daquela vida com seus pais, ainda estavam lá. O fazendo recuar quando alguém tentava algum relacionamento mais sério.

***

Arthur estava com 30 anos, havia se tornado um dos melhores médicos de sua cidade, era recomendado por quem por ele era atendido. Era gentil, educado e muito competente. Em dias de folga de algum cirurgião, ou conforme as necessidades Arthur realizava cirurgias também. Mas não era o que fazia seus olhos brilharem. Gostava mesmo era de atender, conversar com os pacientes, fazer parte da cura de cada um que passava por ele.

O dia de hoje estava caótico, um engavetamento de carros devido a queda de uma árvore em meio a uma tempestade tinha revirado o hospital de pernas para o ar. Estava ajudando no atendimento das vítimas na emergência, uma moça atropelada chegara, seus sinais vitais eram fracos...

- PARADA CARDÍACA. INICIAR COMPRESSÕES. - Arthur comandava os colegas. - CHAMEM DR. FAVARETTO. HEMORRAGIA INTERNA. - Em meio a correria, Arthur ouvia o auto falante chamando.

ATENÇÃO DR. FÁBIO FAVARETTO COMPARECER A SALA DE EMERGENCIA TRAUMA 2

ATENÇÃO DR. FÁBIO FAVARETTO COMPARECER A SALA DE EMERGENCIA TRAUMA 2

Arthur saíra para chamar mais enfermeiros, quando retornou viu seu amigo Fábio estancado em frente a sala de trauma. Fábio Favaretto era o melhor cirurgião da região. Em qualquer situação de risco, era ele quem chamavam. Arthur corria em direção ao amigo, virando para a sala de trauma onde todos esperavam pelos comandos dele. Vendo que ele não se mexia, começou a comandar o pessoal, mandando que se dirigissem a sala de cirurgia.

- Está tudo bem? Pode realizar a cirurgia? Ela foi atropelada no acidente que aconteceu, está com hemorragia interna, precisamos parar o sangramento. - Arthur falava sério, encarando Fábio nos olhos.

O amigo parecia estar fora de si, nunca o tinha visto assim antes, nem mesmo quando soubera da morte de seu pai. Fábio era contido, alegre e profissional, nunca se envolvia demais com os pacientes.

- Ela está grávida! Não consigo... precisam salvá-la, e seu bebê... - Vendo Fábio ficar pálido, Arthur chamou uma enfermeira para ajudá-lo, sentiu pena do amigo, então garantiu, mesmo sem saber se cumpriria. - Vamos salvá-la! - E correu para a sala de cirurgia.

A cirurgia fora longa e complicada. O sangramento tinha sido estancado, quando estavam finalizando a cirurgia, perceberam que o feto estava fora do útero, se formando em sua trompa. Arthur praguejara em voz alta. - Mas que inferno! - Não sabia se aquele bebê era de Fábio, como falaria para o amigo que tiveram que tirar a criança ou a mulher morreria?

Quando saiu da sala de cirurgia, encontrou Fábio sentado em uma cadeira na sala de espera, com as mãos na cabeça e olhos inchados. Caminhou lentamente até o amigo, ensaiando como falaria com ele.

- Fábio...

Fábio, dera um salto da cadeira. - Como eles estão?

- Bem... A jovem está bem. - Olhou o prontuário. - Luana da Silva está bem, mas a gravidez era ectópica, não tivemos escolhas, tivemos que remover o feto.

Fábio se jogou de volta na cadeira. Não dissera uma palavra. Quando Arthur ia perguntar o que ele era da moça, Fábio se levantou. - Quando poderei vê-la?

- Dentro de algumas horas ela estará no quarto e você poderá vê-la. - Arthur achou melhor deixar o amigo sozinho por enquanto, ele estava muito abatido. Virou-se para sair, mas Fábio o chamou.

- Arthur... pode me substituir até tudo se acertar? - Fábio tinha olhos suplicantes.

- Claro que sim, cara. - Arthur respondera, dando um abraço de leve em Fábio.

***

Se passaram 15 dias alucinados, com Fábio enfurnado naquele quarto com Luana. Arthur estava a 15 dias tocando direto, para substituir Fábio. Estava beirando a loucura, não pode sair nem uma vez à noite, para beber, ou dançar, encontrar alguém para o satisfazer. Nada. Só o que fazia era trabalhar, levara até roupas para tomar banho no hospital, visto que mal tinha tempo de ir para casa.

Arthur estava massageando as têmporas, quando Melissa, sua enfermeira favorita, veio correndo lhe chamar.

- Dr. Gonçalves, A Srta. Luana da Silva acordou.

Arthur ergueu as mãos para o céu. - Graças a Deus Melzinha, graças a Deus... - Arthur já tinha dormido algumas vezes com Melissa, ela era uma boa moça, nunca lhe exigira nada, nem se quer uma ligação. Ia saindo em direção ao quarto, quando ouviu-a dizer.

- Ela perguntou pelo bebê.

- O que você disse? - Arthur a encarava sério.

- Que chamaria o médico para lhe dar maiores informações. - Arthur assentiu e foi em direção ao quarto de Luana.

Ao chegar lá deparou-se com Fábio e Luana conversando. Interrompeu-os. - Fábio... - Ambos o encararam. Ele sorriu para Luana. - Luana, eu sou o Dr. Arthur Gonçalves. Cuidei de você esse período que esteve aqui.

Olhou para o amigo, não sabia a relação deles, mas precisa de toda a compreensão de Luana, então mesmo sabendo que podia magoar o amigo falou. - Fábio, preciso conversar com Luana, poderia nos dar licença?

- Não vou sair, Arthur! - Fábio falava sério, com uma carranca no rosto.

Virou-se para Luana. - Tudo bem pra você Luana?

- Sim, Dr. Pacheco, pode falar! Fábio e eu somos amigos.

AMIGOS? Arthur estava chocado, como podiam ser somente amigos e Fábio ter definhado por ela esses 15 dias?

Arthur explicou tudo que podia e um pouco mais, Luana tinha encarado melhor do que ele esperava a situação. O que era bom, assim poderia lhe dar alta, e Fábio voltaria a trabalhar, lhe permitindo ter vida novamente.

Arthur era um homem forte, alto com 1,85 de altura, ombros e costas largas, cabelos e olhos bem pretos. Sua pele era bronzeada, deixava a barba bem aparada mas grande no rosto, o deixando mais charmoso. Colecionava números de garotas no celular, dificilmente dormia com a mesma mais de uma vez, era o estilo conquistador. Ele flertava até com as senhorinhas da academia, achava que era bom pra elas se sentirem vistas e desejadas. Então não o surpreendeu quando Fábio entrou em seu escritório dizendo que Luana não estava disponível.

Ele riu do amigo. - Nunca dei em cima de suas paqueras! - Dissera divertido.

- Ela é muito mais do que uma simples paquera. - Fábio dissera estreitando os olhos.

- Hummm, me lembro de ouvi-la dizer que vocês eram apenas amigos...

Fábio se levantara da cadeira de punhos cerrados. - Ou ou ou, calma lá amigo, estou só brincando. - Arthur erguera as mãos em rendição. Fábio era maior que ele, e não estava a fim de brigar sem motivos.

- Assim que Luana receber alta, volto aos meus plantões, e te devo alguns ainda. Então é só me dizer que venho em seu lugar.

Arthur sorriu. Não aguentava mais. - Ok, muito obrigado.

***

Dois dias depois, Arthur estava indo ao quarto de Luana, entregar a liberação de alta dela. Avistou de longe Fábio sair do quarto, parecia ter um sorriso leve nos lábios. Parou próximo ao quarto ao ver que Luana não estava sozinha. Havia com ela uma moça, estava de costas, mas via-se que era de estatura baixa, de cabelos curtos e cacheados que brilhavam enquanto ela pulava de um lado para o outro gargalhando e abraçando a amiga. Arthur virou a cabeça, reparando no bumbum marcado no macacão que a moça vestia. - Hummm, gostei. - Arthur argumentou consigo mesmo, e seguiu para dentro do quarto.

Capítulo 2 Carla Fontana

Carla Fontana, filha única, foi mimada até não poder mais por seus pais. Eles trabalhavam muito para lhe dar tudo de melhor na vida. Ela era uma menina estudiosa e comportada. Nunca deu incomodação para seus pais, ficava feliz de lhes dar orgulho, sendo sempre a primeira da classe.

Sempre foi uma garota muito alegre e apaixonada pela vida. Amava ler, amava tanto que decidiu ser bibliotecária, que lugar melhor para se trabalhar do que em uma biblioteca? Ela não poderia ser mais feliz com seu trabalho.

Ela nunca teve muitos namorados, os poucos garotos que se aproximavam dela, era para pedirem ajuda em alguma matéria na escola. Se bem que pensando bem, ela nunca dava atenção aos garotos que se aproximavam.

Hoje com 24 anos, Carla estava satisfeita com sua vida. Era baixa, cerca de 1,55 de altura, cabelos curtos castanho e cacheados, tinha olhos verdes claros, que eram seu ponto forte. Vestia-se de maneira confortável, sempre prezava pelo conforto, amava calça jeans, camiseta, macacão, tênis all star, ou chinelo de dedo. Tinha miopia, mas era um grau moderado, usava um óculos com armação fina e arredondada, com 2 graus em cada olho, mas isso não a incomodava. Tinha o emprego dos seus sonhos, seu próprio apartamento e seu próprio carro. Seus pais sempre estavam por perto pra quando ela precisasse. Sentia-se grata pela vida maravilhosa que tinha.

***

Carla recebera uma ligação de Luana, dizendo que estava de alta.

- Ah meu Deus, que bom Lu. Estou tão feliz. - Carla falava pulando, enquanto sentia os olhos arderem com as lágrimas que ameaçavam em sair. - Claro amiga, deixa de ser boba, vai ser um prazer ir te buscar no hospital... Quando? Amanhã? Tá ok, pode deixar, que eu vou pegar umas roupas suas e te pego... Capaz o Jeremias não vai se importar.

Jeremias, ouvindo a conversa de Carla logo apareceu no balcão da biblioteca. - Quem era? Luana? Como ela está?

Carla pulava, balançando os cachos sedosos e batia palmas. - A Lu vai receber alta amanhã... aaaah, que felicidade meu Deus.

Jeremias se escorou no balcão. Os braços fortes se contraindo. - Graças a Deus, eu estava preocupado com ela.

- Posso sair amanhã para buscá-la? Ela pediu para eu pegar umas roupas dela e ir pegá-la no hospital. - Carla o olhava esperançosa. Jeremias era um chefe legal, sempre se deram muito bem.

- Mas que pergunta? É claro Carla, e me mande notícias depois, tá?

- Pode deixar. - Disse ela sorridente, voltando ao trabalho.

***

Carla corria com seu carro para o apartamento de Luana. A biblioteca enchera na hora dela sair, o que a fez se atrasar. Pegou duas mudas de roupas para Luana e correu para o hospital.

Carla entrou no hospital sentindo o cheiro forte de limpeza. Se dirigiu a recepção.

- Olá, vim para levar uma amiga que receberá alta hoje...

- Qual o nome da paciente?

- Luana da Silva.

A moça digitava em seu computador.

- Sim, um documento por favor.

Carla entregou, a moça anotou seus dados e lhe entregou um crachá de visitante. - Pode passar, 2º andar, quarto 7.

- Muito obrigada. - Carla saíra sorrindo. O dia estava lindo, um vento fresco soprando. Ela estava com seu macacão marrom favorito, uma blusinha de magas curtas amarela por baixo, e tênis all star.

Carla estava tão ansiosa que quando avistou o quarto 7, correu até lá. Foi entrando e falando sorridente. - Lu, que bom que está bem, trouxe tudo que você pediu. - Parou assim que viu o bonitão com a mão no rosto de Luana e ela vidrada nele.

Luana se virou para ela com os olhos brilhantes. Sorriu para ela.

- Prazer me chamo Fabio. - O bonitão ao lado de Luana dissera.

- Sou Carla, amiga de Luana. - Carla olhava com olhos arregalados para amiga, como em tão pouco tempo ela arrumara um gato daqueles? Invejou Luana por um momento, afinal ela não lembrava de ter tido um paquera tão bonito desde a escola.

- Obrigada Carla por se disponibilizar em vir me buscar.

Carla saiu de seu devaneio. - É um prazer Lu. Estava morrendo de saudade. - Disse indo ao encontro da amiga para lhe dar um forte e apertado abraço. Ao se afastar deu um sorriso e ergueu a sobrancelha de maneira travessa em direção a Fábio.

Luana não pode deixar de rir. A amiga era uma romântica incurável. Se bem que ela não ficava muito atrás.

- Fábio, como eu disse agradeço, mas já tinha pedido Carla para me pegar.

Carla viu o tal Fábio se aproximar da amiga e a beijar apaixonadamente, cochichando algo em seu ouvido.

Fábio virou as costas para Luana, balançou a cabeça em direção a Carla e saiu.

Carla abriu a boca de forma inacreditada, e sorrindo começou a pular até Luana.

- Não acredito no que vi, ele parece ser um anjo, um anjo muito alto, forte e musculoso, mas aqueles olhos dele? Amiga, estou tão feliz por você. - Disse lhe abraçando.

- Pare com isso, eu mal o conheço.

- Hummmm, mas ele parecia muito íntimo de você - Carla provocou rindo . - Quero saber de tudo dessa história emmmm...

- Cale a boca! - Disse Luana rindo também. - Quando chegarmos em casa te conto. Agora precisamos esperar o médico vir me liberar.

Nesse momento, Dr. Arthur entrou no quarto. - Olá, estou atrapalhando?

- De maneira nenhuma doutor. - Disse Luana, sorrindo. - Estávamos lhe esperando.

Arthur se direcionou a moça que estava com Luana. Ela era ainda mais linda de frente do que de costas. Olhos verdes como grutas cristalinas, óculos arredondados, e um sorrisão que lhe tomava o rosto todo. No momento que a encarou intensamente, ela ficou séria.

Uau, ele era o homem mais charmoso que ela já tinha visto na vida, pensou Carla. Olhos negros, pele morena, o jaleco cobria seu corpo até quase os joelhos, os cabelos curtos, penteados para trás, e ele falava de modo firme. Quando viu que ele a encarava seu estômago se revirou.

- Prazer, sou Dr. Arthur Gonçalves. Você é quem? - Arthur não perdia tempo, se interessou por ela no mesmo instante, e já pensava em tirar aquele macacão horrendo dela e devorá-la em sua cama.

- Carla. - Respondeu simplesmente.

- Ela é minha amiga veio para me levar para casa. - Dissera Luana, percebendo a tensão entre os dois.

Arthur se virou para Luana. - Que ótimo, precisa se cuidar pelas próximas semanas. Você está ótima, já retiramos os pontos, que estão com uma cicatrização ótima. Só peço que não faça força pelos próximos dias para acelerar sua recuperação. Espero que atenda o conselho que lhe dei, e vá a um psicólogo também. Pode não parecer nada agora, mas pode lhe trazer sequelas no futuro uma perda como essa.

Luana assentiu, assinou os papéis. Estava contente em poder finalmente sair daquele hospital, queria ver o sol, correr na avenida e tomar um bom banho de banheira. Luana olhou para Carla que não tirava os olhos de Arthur.

- Terra chamando Carla... - Luana brincou com Carla, que mostrou a língua pra ela.

Arthur presenciando essa cena não pode deixar de sorrir. Então ela também tinha gostado dele. Daria um jeito de chamá-la para sair.

Luana, olhou para Arthur agradeceu mais uma vez e pediu licença para ir ao banheiro se trocar, para poder sair do hospital, deixando a sós Carla e Arthur.

Arthur encarou descaradamente Carla, que acompanhava com os olhos a amiga sair. Praguejava em pensamento. "Aquela garota danada, a tinha deixado sozinha com o Dr. bonitão. Ela iria lhe pagar.". Enquanto isso, Arthur a analisava da cabeça aos pés. Ela era linda, ele se imaginou mordendo aqueles seios redondos que se sobressaiam no tecido jeans do macacão.

- Você tem namorado? - Perguntou sem discrição.

- Ahn, o quê? - Carla estava surpresa, o Dr. bonitão não perdia tempo. - É... não. - Olhou para ele diretamente nos olhos.

Arthur perdeu o fôlego ao se ver refletir naqueles olhos. - Eu também não tenho namorada. - Respondeu sem que ela tivesse perguntado. - Gostaria de sair para jantar comigo amanhã à noite? Conheço um lugar maravilhoso que abriu recentemente na cidade. Posso pegá-la as 19hs é só me passar seu telefone e me mandar seu endereço.

Nossa, pensou Carla, ele não perde tempo mesmo.

- Bem, eu ... - Engoliu seco, o que responderia? - Ok. Eu aceito o convite para o jantar. Anote meu número.

Arthur anotou o número em seu celular rapidamente. Piscou para ela e saiu do quarto sem dizer mais nenhuma única palavra. Carla estava lá, parada no mesmo lugar quando Luana saiu do banheiro.

- Tudo bem Carla?

- Sim, sim. Podemos ir?

- Falou mais com o Dr. Arthur? - Perguntou Luana cutucando a amiga

- Deixa de ser boba, e vamos logo. - Carla ria com a amiga.

Luana concordou, mas achou a amiga um pouco distraída.

Ao chegarem no carro, Carla olhou para Luana e disse: - Ele me chamou pra sair, amanhã a noite. - Carla estava apavorada.

Luana não conseguia acreditar. - Eu sabia que você estava estranha. - Luana ria com vontade. Estava tão empolgada, pela primeira vez em muito tempo estava tão feliz e relaxada.

Carla ria com ela, entraram no carro e foram para a casa de Luana.

Capítulo 3 O jantar

Carla tirava todas as roupas do roupeiro.

- Calça, calça, macacão, blusa amarela, outra amarela, laranja, verde limão... Meu Deus! Eu não tenho roupa para um encontro!!!

Carla havia dado seu número para Arthur a um dia atrás, que lhe enviara mensagem no mesmo dia, confirmando o jantar deles e pedindo seu endereço, para buscá-la. Até se animou na hora, mas agora olhando para seu guarda roupas, arrependia-se de ter aceitado.

Faltava uma hora para ele chegar. O que faria... Ligou para sua prima Elaine, que desde criança era sua melhor amiga. Era quem a salvava da solidão, enquanto seus pais trabalhavam.

- Alô? Laine, por favor me ajuda. Estou com um problemão.

- O que houve Carla? - Elaine perguntou agitando-se.

-Tenho um encontro e não tenho roupa...

- Ai meu Deus! - Elaine, gritava no telefone. - Cleber, Carla tem um encontro. - Elaine falava com seu noivo.

- Dá pra parar de me expor dessa maneira? - Carla revirava os olhos. Tudo bem que quase não tinha encontros, mas não era pra tanto. - Ele estará aqui em 50 minutos, e não tenho nada que possa ser usado em um encontro.

- Claro que não tem!

- Elaine!

- Ok, faz o seguinte, vai arrumando o cabelo e maquiagem, que levarei algo meu para emprestar, tá? Em 20 minutos estarei aí. Beijos. - E desligou. Deixando Carla gelada de medo. Sua prima era pouca coisa mais alta que ela, mas vestia-se de forma totalmente sedutora, não acreditava que teria algo que fosse agradá-la. Mas tinha outra escolha?

Carla já estava de banho tomado e cabelos arrumados, só faltava a maquiagem. Não costumava usar muita coisa, nem tinha muitas maquiagens, optou por passar um rímel nos longos cílios, um pó compacto só para retirar o brilho da pele e um batom nude.

Cerca de 20 minutos depois, estava com uma sacola em suas mãos. Olhava para dentro com a cara torcida. - O que você trouxe Elaine?

- Ai para de bobeira, trouxe maquiagens também. - Ergueu outra sacola em sua mão com um sorriso enorme no rosto.

- Já me maquiei. - Carla disse pegando o vestido preto, na sacola também tinha um par de sandálias de salto. - Obrigada pela sandália de salto, mas vou de sandália baixa... - Antes que terminasse, Elaine retrucou.

- De maneira nenhuma! Trate de colocar um salto.

- Mas eu não sei caminhar de salto direito. - Carla arrependia-se de ter ligado para a prima.

- Bobagem, eu trouxe uma sandália de salto largo, veja. - Disse ela, pegando o salto e mostrando. - Você vai ver que é bem fácil.

Carla revirou os olhos, não dava pra discutir com essa garota!

Vestiu o vestido que se ajustou perfeitamente em seu corpo, era curto, um palmo acima do joelho, que para ela era muita coisa. Colocou a sandália e parecia que o vestido tinha ficado mais curto.

- Pelo amor de Deus Elaine! Eu não vou sair assim! - Nesse instante seu celular apita. Carla pegou-o e empalideceu. - Ele já está aí em baixo. - Olhou de olhos arregalados para a prima que ria com a mão na boca.

- Vai, pega sua bolsa e vai. Vou te esperar aqui, quero saber de tudo depois.

Carla olhou-a sem acreditar. - Vai deixar seu noivo sozinho, só por uma fofoca?

Elaine caiu na gargalhada. - Pode apostar, já o dispensei por hoje.

Carla revirou os olhos. Se olhou no espelho novamente. Que desastre! Pensou. Pelo menos não dera tempo de Elaine a maquiar.

Saiu do apartamento, suas pernas bambearam um pouco, mas se concentrou no piso a sua frente. Não dava pra voltar atrás. Entrou no elevador, respirando fundo, uma, duas vezes.

Saiu andando lentamente, tentando parecer calma. Ao sair na portaria deu de cara com Arthur.

Ele estava escorado no carro. Calça social preta, sapatos pretos, camisa branca de manga longa, ressaltando cada músculo que ele tinha. Seu rosto estampava um sorriso de lado, os olhos continham um brilho que a fez querer correr de volta para o apartamento.

Arthur chegara 10 minutos mais cedo propositalmente, gostava de surpreender. Carla demorou uns minutos para descer, mas quando desceu... Seu coração falhou uma batida. Quem foi surpreendido foi ele.

Ela vestia-se com um vestido preto justo, marcando cada curva de seu corpo, um pouco acima dos joelhos, estava de salto, os cabelos soltos com aqueles cachos brilhantes, que pulavam a cada passo dado. O rosto com pouca maquiagem mostrando os traços suaves e perfeitos de seu rosto. Ele passou a língua nos lábios, deu alguns passos para alcançá-la.

Carla estava séria, os olhos verdes por trás do óculos mostravam que estava em dúvida, mas antes de qualquer decisão, Arthur já lhe contornara a cintura e lhe beijava o rosto. Ela fechou os olhos brevemente, apenas para apreciar o perfume que ele exalava.

Arthur lhe encaminhou ao carro com a mão em suas costas, fazendo queimar onde tinha tocado. No caminho para o restaurante, Carla fazia uma nota mental: agradecer Elaine, apesar de estar nervosa, via o quanto ele estava impressionado com ela.

Chegaram no restaurante. Era uma casa branca enorme, cheia de luzes, chique pra caramba. Arthur andava segurando sua mão, a qual ela não recusou, estava gostando do contato.

- Olá. - Dirigiu-se ao garçom na recepção. - Reserva em nome de Arthur Gonçalves.

O garçom olhou seu computador. Sorriu. - Por aqui senhores. E adentrou o enorme salão, cheio de mesas e pessoas jantando.

Carla estava sem ar, acompanhava os passos de Arthur, agradecendo internamente por ele estar caminhando devagar. Foram encaminhados para um corredor lateral, adentraram em uma sala menor, que tinha na porta escrito: Sala VIP reservada.

Carla sentiu um arrepio estranho na barriga. Ele tinha pedido uma sala VIP, se sentiu lisonjeada.

Vendo que ela parou na entrada da sala, Arthur olhou-a e sorriu. - Vamos princesa?

Carla o olhou e torceu o nariz. - Não sou uma princesa. - E entrou.

O jantar estava delicioso, conversaram sobre suas vidas e trabalhos, nada muito íntimo. Arthur bebera apenas uma taça de vinho, Carla apenas água. Não costumava beber, e não arriscaria sua vida bebendo com um estranho.

Arthur gostara da companhia dela, ela parecia sincera, conversava com ele sem se insinuar, apesar de a cada movimento que ela dava ele perceber. Ria com vontade das piadas dele, e quando não achava engraçado ela mexia as sobrancelhas de um jeito engraçado. Arthur estava ansioso para beijá-la. Ela tinha a boca perfeita, bem desenhada, era grande mas não exagerada e os dentes brancos e retos, completavam a harmonia daquele rosto.

Seus olhos brilhavam de excitação, não queria apenas beijá-la, não mesmo, queria era tirar aquele vestido e ver as curvas por debaixo dele. Quando deu por si, Carla o chamava.

- Arthur?

- Ahn desculpa, o que disse? - Ele sorria convencido.

Carla não sabia no que ele estava pensando, mas reparou a mudança em seus olhos tão negros quanto a noite, isso a fez arrepiar-se.

- Está com frio? - Ele perguntara. - O ar condicionado está muito gelado?

Carla sorriu levemente. - Não. Está ótimo.

Arthur sorriu, mostrando seus belos dentes brancos contrastando com a barba preta. - O que você dizia? - Falou erguendo uma sobrancelha.

Carla pigarreou. - Perguntei qual a sua idade, você não me disse ainda.

- 30. - Ele respondera como se isso fosse algo a se vangloriar. - E você?

30 anos... ele era mais velho alguns anos, talvez por isso parecia tão seguro de si. Talvez quando chegasse nos 30 se sentiria mais confiante em um encontro. - 24 - Disse e bebeu um gole de sua água. Sentia sua boca ficando seca, talvez fosse a sobremesa ou esse nervosismo que retornara a fazendo sentir o estômago adormecer.

Arthur observava cada movimento, como um Guepardo a espreita de sua presa, sentia o nervosismo dela, isso o deixava mais excitado.

- Bem agora que nos conhecemos um pouco, que tal irmos lá pra casa? - Arthur falava como se a tivesse convidando para ir ao mercado.

Carla ergueu as sobrancelhas surpresa. Enrugou a testa e virou a cabeça de lado.

Arthur se surpreendeu com a demora para aceitar, mas não perdeu o sorriso. Nunca o recusavam, talvez ela precisasse de mais incentivo. Se aproximou dela por cima da mesa. - Quero lhe mostrar alguns livros que tenho. - Falava com a voz mais baixa, fingindo inocência.

Carla olhou para ele, seus olhos brilhavam, mas ela não conseguia lê-los. Olhou para seu celular. Já eram quase 23 horas. - Está tarde... marcamos outro dia, o que acha? - Falara sorrindo para ele.

Carla viu o sorriso de Arthur se desmanchar lentamente. Ele engoliu seco.

"Mas que droga está acontecendo aqui?" Pensou, sentindo seu membro latejar na calça. Olhou mais uma vez naqueles olhos verde claro, ela não parecia estar "se fazendo" de difícil. Parecia só ela sendo ela. Aquilo o incomodou.

- Ok... - Sorriu para ela. - Vamos para a casa então ?

- Vamos! - Carla sorriu. - O jantar estava maravilhoso, muito obrigada pelo convite. - Disse levantando-se.

Ao passarem por uma das mesas no grande salão, Arthur sentiu olhos o fitando, virou o rosto e viu Pâmela, uma ex-ficante. Não demorou-se no olhar, fingindo não vê-la.

Na viagem de volta, Arthur pegou o caminho mais longe, para poder conversar mais com Carla. Estava intrigado com ela, tão linda e alegre, devia ter muitos rapazes a seus pés. Mas ela parecia alheia aos olhares que davam a ela.

- Chegamos princesa.

- Meu Deus, para com isso! - Carla falava sorrindo dessa vez, ele tinha sido educado e gentil o jantar inteiro, e uma vez por outra a chamava de princesa, ela detestava ser chamada assim, mas não conseguia se zangar, via que era um costume dele. Mas não gostava.

Arthur riu alto. - Mas você é tão linda quanto uma princesa. - Disse com a voz rouca.

Carla olhou para seu rosto, agora sério. Aquele brilho estranho nos olhos dele, estava lá de novo. Ficou encarando-o fixada em seus olhos.

Arthur foi aproximando-se lentamente, até quase encostar seu nariz no dela. Desviou de seus olhos e mirou a boca. Carla passou a língua de forma inconsciente nos lábios, que estavam ficando secos devido a respiração pesada.

Era o que faltava para Arthur não resistir mais. Aproximou seus lábios até encostarem nos dela. Ela tinha a boca macia e quente, Arthur começou com um beijo suave, sentindo o toque da boca dela. Ao sentir que ela entreabria os lábios penetrou sua língua na boca dela, explorando o máximo que podia.

Carla correspondia ao beijo, que de suave se tornou voraz e avassalador, ele beijava bem, muito bem... segurava seus cabelos atrás da nuca, fazendo-a arrepiar-se inteira, ela mantinha as mãos em seu colo, arriscou colocá-las nos ombros dele, e quando deu por si, estavam em seus cabelos, que já estavam despenteados pelas carícias.

Carla se afastou sem fôlego.

Arthur levou a mão em sua perna, subindo devagar e se aproximando para retomar o beijo. Ele estava tomado pelo desejo, não precisavam ir para casa nenhuma, ele poderia tomá-la ali mesmo naquele carro.

- Calma. - Carla levou as mãos ao peito dele, sentindo a pulsação acelerada de seu coração, sentindo a firmeza daquele peitoral. - Vamos com calma.

Arthur não podia acreditar no que ouvia. Ela estava falando sério ?

Viu que ela abria a porta do carro. - Espere. - Disse alto, a fazendo parar e virar-se para ele. Ele engoliu seco. O que diria? Escolheu algo que o daria tempo para pensar se valia a pena sair com ela de novo. - Eu te ligo!

Essa frase era dita por todos os homens que não queriam compromisso, para todas as mulheres com quem saiam. Mas dava uma esperança a elas, talvez ele realmente ligasse. Assim, despediu-se de Carla, que entrou rapidamente em seu prédio.

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