Dandara narrando
Estava organizando algumas caixas, desde que mudamos para o apartamento eu ainda não tinha aberto mas não era por falta de tempo e sim porque eu já sabia que eu ia acabar chorando com o que tinha guardado ali dentro.
Tinha fotos da nossa adolescência, minha e do Miguel e com os nossos amigos que agora já não convivemos mais.
- Dandara - Miguel entra no quarto me chamando e eu levo um susto e eu coloco a caixa de lado - O que você está fazendo? - Ele pergunta e encara a caixa que eu estava mexendo.
- Olhando algumas fotos antigas - Eu falo - Ainda não tinha mexido nessas caixas e hoje tirei o dia para isso - Eu abro um pequeno sorriso para ele que continuava com o seu semblante sério.
- O que é isso? - Ele pergunta quando me vê segurando uma foto.
- É uma foto a onde está você, Leo, Alice e eu - Eu falo e ele me olha com uma cara bem séria que já demonstrava o que eu sabia, ele
- Porque você guarda isso ainda ? - Ele pergunta
- Nós éramos tão amigos eu até hoje não entendo o porquê de você e Leo se afastarem - Eu falo para ele
- Você sabe o que o Leo virou e com quem ele tá envolvido? - Miguel diz
- Não é porque você e policial que deve julgar tanto os outros assim - Eu falo para ele - Leo não é uma pessoa ruim, e também não é bandido.
- Meu amor você vive em um conto de fadas onde todos são bons o tempo todo - Ele diz e eu suspiro.
Não iria discutir.
- Você já está indo trabalhar? - Eu pergunto para ele
- Já sim - Ele diz - Estou de plantão, só volto amanhã perto do meio dia.
- Como sempre - Eu falo para ele deixando um ar de tristeza no tom da minha voz.
- Amanhã quando eu chegar prometo que vamos fazer algo - Ele diz e eu assinto com a cabeça.
- Bom trabalho meu amor - Eu falo para ele - Se cuida , eu te amo - Eu me levanto e nós nos beijamos , ele pega sua mochila junto das chaves do carro e sai pela porta.
Eu volto a sentar e mexer nas caixas e pego uma foto de nós dois , e fico me perguntando quando a nós deixamos todos os nossos sonhos para trás.
Eu sei que com o tempo os nossos planos e objetivos mudam, o dele mudou, o meu nunca,mas abri mão dos meus para viver o dele.
Eu e Miguel a gente namorou desde pequenos, morávamos em uma pequena cidade da Serra do Rio de janeiro chamada Itaipava, uma cidade linda e cheia de encantos, éramos vizinhos, todos , eu , Miguel e Leo e Alice que são irmãos, crescemos juntos.
Vivíamos juntos, até que um dia do nada tudo mudou e cada um foi para um canto.
Eu e Miguel sempre sonhamos em comprar uma casa la , onde tinha um lago , naquele lago foi a onde começamos a namorar e virou nosso ponto de encontros , não só meu e do Miguel, mas de nós quatros quando ainda éramos amigos.
Eu sempre sonhei com a casa cheia de filhos , com uma pracinha linda para eles brincarem naquele lago, com pedalinhos para andar com eles , com uma quadra de futebol para o Miguel ensinar os nossos filhos a jogar bola e lá no fundo a loja de cristal que o Miguel sempre disse que iria ter e junto dela a minha confeitaria.
Mas nada saiu como a gente sonhou, Miguel resolveu entrar para a polícia e viemos para o Rio de Janeiro, ele me convenceu a cursar medicina e aqui estou, sem nenhum filho, sem minha casa , sem minha confeitaria mas com ele, ao lado dele.
Pelo menos o que sentimos um pelo outro nunca mudou, a gente se amava e se completava.
Não saberia viver sem o Miguel ao meu lado, por mais que eu me sentisse tão sozinha por aqui, ele vivia em plantão na delegacia em operações e confesso que às vezes eu via a minha vida passar pela sacada dessa cobertura.
Eu via os meus planos serem levados pelo mar toda vez que eu olhava ele pela nossa cobertura. Às vezes me perguntava se realmente estava fazendo à coisa certa.
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Plutão NARRANDO
- Moret – eu falo chamando ele e ele me encara.
- O que tá pegando? – ele pergunta.
- Quem é aquela que vem no orfanato? – eu pergunto apontando para uma loira que saia do orfanato e que eu estava observando ela sempre por aqui e até mesmo me encarando.
- Laura , sobrinha da Arlete que trabalha ali – ele fala
- Porque? – ele pergunta.
- E o que ela faz aqui? – eu pergunto – visita tanto a tia assim?
- Parece que vem visitar um menino – ele fala.
- Descobre tudo sobre ela – eu falo – além do que está nos arquivos, chama a tia dela para o juízo final lá encima e faz ela abrir a boca, nem que tenha que fazer o pior.
- Porque isso? – ele pergunta.
- Não sei não, essa mulher me cheira a coisa ruim – eu falo
- Vou fazer isso – ele fala.
Eu encaro ele descendo em direção ao orfanato, a presença dela aqui era quase diariamente nos últimos meses e confesso que só agora eu comecei achar que tinha maldade em suas visitas e até mesmo muito mistério rolando, se tem uma coisa que meu pai me ensinou muito era observar as pessoas, e ela sempre olhava para todos os cantos muito desconfiada do mundo e sempre me procurava com os seus olhos e isso me deixou intrigado, intrigado para saber quem ela era.
- Plutão meu querido – minha vó Xaxa fala. – você não comeu quando saiu, vem comer um pão doce.
- Não estou com fome, vó. – eu falo.
- Depois fica doente e não sabe porque – ela fala – leva um tiro e morre e vai ver que era falta de comida – eu olho para ela e começo a rir.
- Porque leva tiro morre? – minha irmã Sabrina pergunta – e a culpa é que não comeu pão doce. Agora ele ser quem é, não mata.
- Mata não, o que mata é negar de comer o pão doce da velha vó – minha vó diz me obrigando a sentar depois de sua chantagem emocional.
A minha família era bem unida, minha irmã e eu somos adotados, meu pai nos adotou antes de assumir o morro no lugar do meu avô, ele morreu a pouco mais de três anos e deixou um legado enorme aqui dentro. Ele sempre comandou o morro igual ao meu avô e eu seguia os seus passos, deixando o nosso morro longe de qualquer holofotes, a gente tinha negócios grandes mas que aos olhos dos outros era todos negócios pequenos, a gente evitava negociar com os morros do Rio de Janeiro, ainda mais os famosos, mas sempre tentava está por dentro de tudo que acontece para não ficar atrasado, existia uma guerra grande acontecendo entre os morros e a policia e a anos e muita gente morreu, mas nos seguia pleno sem entrar em guerra com ninguém, sem ninguém tocar em nossos nomes e assim eu queria continuar, a gente trabalhava com sigilo.
Eu entro na boca e Moret entra atrás de mim que nem um fanstasma.
- Ela está acumunada com Roberto – ele fala.
- Delegado? – eu pergunto
- O que está causando uma nova guerra com os morros da facção – ele fala .
- E o que ela faz aqui tanto? Está escondendo aqui tanto? – eu pergunto.
- Uma criança – ele fala – a tia dela disse que ela está escondendo uma criança.
- Uma criança? – eu pergunto
- Ela disse que o delegado se descobrir da existência dessa criança, pode matar ela – ele fala – a criança tá lá no orfanato e agora ela quer levar a criança embora junto dela e do delegado.
- Eles vão embora? – eui pergunto.
- Parece que a mulher dele foi sequestrada, não soube dizer direito – ele fala. – O que faço com a criança?
- Eu vou até lá , que idade tem a criança? – eu pergunto.
- Acho que nem dois anos tem o menino – ele fala – eu não sei direito.
- Eu vou lá – eu falo.
- Você vai fazer o que com a criança? – ele pergunta.
- Ir ver – eu falo – você vem comigo, cadê a velha?
- No juízo – ele fala.
- Continua lá – eu respondo.
Eu desço para o orfanato que tinha sido o orfanagto que meu pai tinha criado, vinha criança de tudo que é canto para cá, a gente tratava as crianças com muito amor, dando tudo que eles precisavam, porque eu sabia de onde eu tinha vindo e se tinha um lar era graças ao meu pai que adotou eu e minha irmã juntos. Eu entro dentro do orfanato e as pessoas que trabalham lá me cumprimentavam com um sorriso no rosto, a gente não tinha ódio do povo, a gente tinha o amor deles porque eu comandava esse morro muito bem.
- Aqui a criança, senhor – uma das mulheres fala.
Eu encaro um menino brincando com uma bola em um tapete, eu já tinha decidido o que faria com ele.
- O que você vai fazer? – Moret pergunta.
- Prepara as malas dele, ele vai sair do morro – eu falo para a mulher enquanto a criança continuava sentado de costa para mim brincando com a bola – e ninguém pode saber o paradeiro dele e quero que bloqueia a entrada de Laura.
Ele assente.
O menino se levanta com a bola na mão e se vira para mim de cabeça baixa, ele chuta a bola e vem correndo e a bola para no meu pé, ele levanta a sua cabeça e me encara.
- Oi – eu falo e eu encaro os seus olhos castanho, ele me olha sério.
- Gooooooooooool – ele grita abrindo um sorriso e erguendo os seus braços para cima – goooooooooool – ele diz pulando e puxando a minha cabeça para me dar os braços.
Na mesma hora vem a frase que meu pai sempre me disse a vida toda.
'' Não fui eu que escolhi vocês na aquele orfanato, foi vocês que me escolheram quando me viram a primeira vez, a gente foi feito um para o outro.''
Eu pego ele no colo e quando eu pego ele no colo, ele bate palmas e abre um sorriso, ele passa a sua mão pela minha barba e começa a rir sem parar, eu abro um sorriso para ele sem mostrar os dentes.
- Oi – ele fala todo enrolado.
- Oi – eu respondo – como é seu nome? – ele começa apontar para cima e eu fico sem entender. – seu nome – e ele começa apontar para cima novamente que nem um desesperado e eu olhava para cima vendo apenas o teto – o que ele tem?
- senhor, desculpa – a moça fala se aproximando – Ensinanos a ele que o nome dele é o mesmo do nosso senhor lá em cima – eu olho para ele sem entender.
- Como é o nome dele? – eu pergunto.
- Jeuus – ele fala e eu encaro ele.
- O nome que recebemos em sua ficha, é Jesus – ele fala.
O menino me abraça e eu abraço ele de volta, eu encaro Moret que fica me encarando sem entender a cena.
- Diz a mulher que trouxe ele, que nos mandamos ele para fora do Brasil – eu falo – a partir de agora, ele é meu filho. – Moret apenas assente a cabeça e abre um sorriso de canto.
A moça não fala nada.
Lucas narrando
Assim que saímos do elevador e vamos em direção ao carro no estacionamento, Hugo começa a falar .
- Aquelas duas são as mulheres dos policiais - Ele diz sério - A que você ficou de olho é a mulher do nosso maior problema , o futuro delegado Miguel Almeida .
- Só achei ela bonita - Eu falo rindo - Não posso?
- Você adora me trazer problemas Lucas - Ele diz entrando no carro
- E soluções também tio - Eu falo para ele - a outra é mulher do Gustavo? - Ele assente - Você acha que eles vão pesar para o nosso lado quando descobrirem que estamos ali?
- Até eles descobrirem quem a gente é - Ele diz - A gente já pegou tudo que a gente precisava .
- Você acha que está com ele os papéis que comprometem a gente? - Eu pergunto para ele
- Tenho certeza que sim - Hugo fala - Até agora tudo andou no esquema, a gente enviava pedras para fora sem ninguém está no nosso pé e agora está todo mundo querendo tirar uma casquinha .
- E se ele ganhar ? - Eu falo - Não tem porque ele ficar dando trabalho.
- Aí que tá - Hugo diz - Miguel já está trabalhando com outras pessoas e com certeza vai querer nos prejudicar . E oque o Léo disse é que ela nem imagina quem ele realmente é .
- Ela é bonita - Eu falo e Hugo me encara e eu começo a rir .
Dandara narrando
- Miguel vai querer usar essas coisas? - Mari fala sobre as algemas e um monte de coisa que comprei.
- É surpresa - Eu falo - Vou surpreender ele no mato - Ela começa a rir - Fantasia, brinquedinhos, voce acha que ele não vai querer?
- Você é louca - Ela fala rindo - Você viu os vizinhos ? Parece que são uns seis ou sete .
- Miguel já me avisou para ficar longe deles - Eu falo - Disse que eles são metidos com algo de tráfico de pedras , Mafia ou algo assim.
- Gustavo não gosta deles tambem - Ela diz - Ele também me disse a mesma coisa.
- Mas se fosse bandidos iriam estar soltos ? - Eu pergunto para ela e pego um óleo na mão e começo a ler para oque é.- Esse vou querer também - Coloco na cestinha.
- Parece que eles são bandidos grandes sabe - Ela fala - Então não sei se eles conseguem prender, eu vi o Gustavo falando algo no telefone.
- Nossa, então eles devem ser grandes mesmo - Eu falo - Eu não sei muito da delegacia , Miguel não conversa muito comigo e eu não entendo o porquê.
- Você pergunta? - Ela pergunta para mim
- As vezes - Eu digo - Mas quase nem ficamos juntos que quando ficamos não fico perguntando para ele sobre a delegacia, eu quero aproveitar o tempo que a gente tem juntos.
- É o tempo que vocês tem juntos vai querer usar isso? - Ela diz Rindo
- Ele vai gostar - Eu falo rindo - Eu tenho certeza.
- Dandara ele te conhece e sabe como você é- Ela diz rindo e fomos caminhando em direção ao prédio conversando e rindo sem dar atenção para ninguém que estava perto, a gente ria e falava bem alto, Miguel e Gustavo corriam de nós na rua diziam que passavam vergonha.
- Dan - Mari fala alto assim que esbarro em alguém, minha sacola voa da minha mão e o pênis de borracha voa e cai em cima do cara que eu não sabia quem era e nunca vi na vida.
- Merda Dan. - Mari fala rindo e eu encaro o cara sem nenhuma reação e ele encarva o pênis de borracha na sua mão vidrado e meio em pânico ou sem reação, estava difícil definir sua reação.
- Se você quiser pode ficar - Eu falo para ele que agora me encarava. - Pode ficar, presente meu para você. - Me levanto rápido do seu colo.
- Ele vai adorar - Sinto uma voz lá atrás de alguém mas não tenho cara para olhar para trás e ver quem era.
- Desculpa - Eu digo com uma voz mais baixa e morrendo de vergonha.
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Jesus narrando
17 anos depois....
Meu padrinho Moret me passou o morro a pouco tempo, ele era meu por direito e eu herdei ele do meu pai, que faleceu quando eu era muito pequeno ainda, acendo um baseado e encaro a foto dele na parede, eu cresci sem pai, eu me viro para outra parede onde tinha as fotos dos culpados por isso.
Eu me aproximo lentamente daquele quadro preto que eu tinha colocado a foto de cada um deles, e eu iria me vingar pela morte do meu pai.
Rd dono do morro da rocinha, Ph seu sub, Bn dono do morro do alemão, Perigo do morro da maré e por último e não menos importante, Jn o sub do morro da maré, eu iria me vingar pela morte do meu pai.
- Jesus – Minha tia Sabrina fala entrando – o que é isso na parede?
- Você reconhece? – eu pergunto
- Esquece isso – ela fala e olha paras minhas mãos, eu estou segurando a foto de Jn.
- Larga isso – ela fala tirando da minha mão e jogando a foto no lixo – esquece, essa vingança.
- Eu não vou esquecer.
- Moret, esqueceu.
- Ele não deveria ter esquecido, por causa deles meu pai foi morto.
- Faz anos isso, mais de 17 anos – ela fala suspirando.
- Pode passar o tempo que for, eu jamais vou desistir de vingar a morte dele.
- E o que você pretende fazer, agora que está no comando, ir até lá e começar uma guerra?
- Ainda não – eu falo e ela me encara.
- Você está ficando maluco, o que você quer é loucura de mais. Para com isso.
- Eu não vou desistir e agora que eu estou no comando, eu vou até o final.
- Maldita hora que Moret te passou esse comando de morro – ela fala – eu ordeno que você para.
- Eu não vou parar – eu respondo – porque eu sou dono daqui e ninguém manda em mim, eu vou até o final. Eles mataram o meu pai e Moret deixou escapar que eles também eram culpados pela morte da minha mãe biológica.
- Moret não sabe o que fala, você não pode confiar nele.
- Por que não? – eu pergunto – ele comandou o morro todos esses anos e você sempre confiou nele.
- Eu sou sua tia, eu te criei.
- E eu amo a senhora, tenho respeito e muito. Só que você não vai mandar e muito menos me dizer, o que tenho ou deixo de fazer, por favor vai embora.
Ela me encara e eu sei que ela estava louca para falar alguma coisa, mas ela não falada, ela apenas saiu de dentro da boca e eu me sento na cadeira, bolando outro baseado. Eu encaro a fotos deles todos novamente, quando eu vi o meu pai morto, eu poderia ser muito pequeno, mas eu lembro muito bem do que eu vivi, foi a pior cena da minha vida.
Tinha muito barulho de tiros e eu fiquei assustado e sai correndo para procurar por ele e eu encontrei o sub da maré, ele me pegou no colo, eu vi meu pai morrendo e todos ali sem ajudar ele, ele me entregou para minha tia que saiu correndo e depois disso eu não consigo lembrar de mais nada, eu só consigo lembrar do momento da morte do meu pai.
- Sua tia veio conversar comigo, ela está preocupada – Moret fala entrando.
- Deixa-a – eu respondo pensativo.
- Por mais que a gente tenha nossos homens fortalecidos, a gente precisa continuar com o mesmo comando do seu pai, um morro silencioso onde ninguém prever nossas atitudes.
- Eu vou preservar a forma que meu pai trabalha.
- Estou sem agir contra eles anos, o que faz com que eles não desconfiem de nós.
- Eles vão demorar desconfiar.
- O que você mandou fazer?
- Algo que vai dar um susto neles – eu falo
- Como assim?
- Eu descobri que eles mudaram a rota deles, logo depois que você anunciou que seria inimigo deles, eles começaram usar outra rota para cargas pesadas e valiosas, deixando apenas alguns refugos para nossa região.
- Eles tentaram nos enganar?
- Conseguiram enganar você durante anos, não é mesmo? – ele me encara – eu entrei no poder e descobri isso.
- E o que você mandou fazer? – ele pergunta e eu abro um sorriso para ele.
- Uma surpresa – eu falo dando um leve sorriso e ele me encara com um olhar estranho.
- Jesus - ele fala – eu não sei mais o que pensar, você mandou geral que achava que era x9, os corpos estão apodrecendo no meio da quadra, a população está meio assim com a sua chegada, você precisa dar um jeito.
- Por enquanto, vai continuar assim. Eles precisam entender que tem uma nova pessoa comandando.
- Você precisa entender que essas pessoas são moradores do morro e que elas devem confiar em você e não te temer.
- Se elas são pessoas inocentes, pessoas do bem, porque ter medo? Se não fazem nada de errado, não vão morrer
- Isso é loucura – eu bolo outro baseado.
- Você quer? – eu pergunto estendendo para ele.
- Você não está me levando a sério.
- Escutei isso hoje do IT.
- E o que era a surpresa que ele disse que você preparou para o morro do alemão? – ele pergunta
- Ué, surpresa – eu coloco o baseado na boca, pego um bolo de dinheiro e começo a colocar mais maconha nas cédulas para bolar novamente.
ALGUMAS HORAS ANTES....
IT e os outros vapores encaram as roupas que eu tinha entregado para eles usarem na missão que eu tinha dado, a gente iria roubar a carga que o morro alemão estava trazendo da Bolívia, levando a carga para um galpão que pertencia ao nosso morro, que ficava um pouco distante do morro, fazendo com que eles não desconfiasse que era a gente já no começo.
- Vamos ter que usar essas fantasias ridículas?
- Não podemos ser descobertos.
- Isso aqui é sacanagem de mais, você tá vendo isso?
- A carga vai para o morro do alemão, precisamos surpreender eles com uma tática.
- Essa é a tática? – ele pergunta
- Escutamos muitas histórias sobre o dono do alemão, como ele se chama mesmo?
- Bruno – IT que era um dos meus homens de confiança fala.
- Bruno, conhecido como Bn. Vamos ver como ele vai reagir. – eu falo
- Isso é loucura, é suicídio. Quem vai levar a gente a sério vestido com isso? – ele pergunta rindo
- Eles vão, vocês vão ver.
- Sério? – It pergunta ainda mais indignado para mim.
- Veste e vamos, vocês vão se atrasar para missão – eu falo para eles. – Bn vai gostar – IT me encara, se não fosse para desestabilizar alguém, eu não me chamava Jesus.
CAPITULO 2
JOANA NARRANDO
Eu saio de casa e vou descendo o morro da maré aos poucos, e todo mundo ia parando para conversar comigo, eu era mais famosa aqui que o meu próprio pai, eu já poderia fazer uma revolução aqui dentro e até mesmo tirar o poder dele que eu conseguia, quando ele morrer, eu seria a responsável por esse morro, mas eu não quero que o meu pai morra tão cedo, eu o quero vivo por muito tempo, então até lá... Eu iria me tornar o seu braço direito, ele querendo ou não!
Ele acha que passaria o morro para Lucca, meu irmão tão desengonçado que nem parecia filho do meu pai e da Marcela, aquele menino só poderia ter sido trocado quando nasceu ou o médico o deixou bater a cabeça, cair no chão, resbalo da periquito e foi parar direto com a cara no chão e assim estragou os miolo dele, ele era muito lerdo.
- Joana – Uma senhora que tinha cheiro daqueles perfumes da avon de antingamente, que tinha uns vidros meio quadriculados e com o liquido amarelo me para na rua, eu sempre esquecia seu nome. – Os meninos estão subindo para soltar pipa na laje e estão passando por cima do meu telado.
- Quebrou algum?
- Sim, quebrou vários.
- Sabe quem foi?
- Ah – ela me encara – seu irmão estava junto.
- Aquele moleque – eu suspiro.
- Bom, eu não tenho dinheiro para arrumar.
- Deixa que eu resolvo, fica tranquila.
- Obrigada Joana, você é um amor – eu sorrio para ela e ela sai andando, ela estava cheia de sacolas.
- Ei dá uma moral ali cara – falo para um vapor que larga o celular e vai ajudar aquela senhora a subir o morro.
Eu vou até a boca e quando entro meu pai e Jn param de falar na mesma hora e meu pai guarda uns papel dentro da gaveta
- Oi – Eu falo olhando para os dois
- E ai Joana – JN fala
- O que você quer ? – meu pai pergunta
- Seu filho está arrumando confusão – eu falo para ele.
- Por acaso meu filho não é seu irmão – ele me encara
- É, mas vamos falar sério, aquele garoto não bate bem da cabeça – Jn começa a rir.
- Joana como sempre sua personalidade é muito forte – Jn fala – eu vou organizar essas coisas e depois vou encontrar Beatriz.
- Vai lá – meu pai fala e Jn esculhamba meu cabelo e eu resmungo. – Fala Joana, o que você quer.
- Quero fazer algo aqui – ele me encara – você não vai se livrar de mim.
- Você tem noção que se sua mãe descobrir que você quer me ajudar no morro, ela vem aqui e te busca pelos cabelos – ele fala.
- Minha mãe precisa entender que sou maior de idade e vacinada, eu faço o que eu quiser.
- Sua mãe sempre me disse que eu deixava você ser muito espontânea e que isso ia ser um problema quando você crescer.
- Ter as minhas próprias decisões , saber o que eu quero e ir atrás disso, é um problema? Você preferia que eu fosse uma mulher submissa que me relacionasse com o primeiro do morro e ficasse esperando por ele dentro de casa? Nem sua mulher faz isso pai, porque a sua filha iria fazer? – ele me encara.
- Você já faz muito aqui dentro, você ajuda as pessoas, pega os pedidos, os problemas.
- É sério? Eu passo o dia recebendo problemas que o seu filho causa.
- Eu vou falar com Lucca – ele fala.
- Você quer que ele te ajude e não eu – eu me levanto e cruzo os braços – não adianta você me dizer que ele é seu filho homem, porque isso é totalmente machista.
- Eu só não quero você correndo perigo.
- Eu já corro por ser sua filha, por ser enteada do Rd – eu olho para ele – não é verdade?
- É – ele responde se levantando e se aproximando – eu sei que você cresceu, que você já é adulta, que já toma as suas próprias decisões, mas é que para mim – ele encosta suas mãos em meu rosto – você sempre vai ser aquela menininha que a gente passava o dia brincando pelas redes grudadas no teto.
- Eu cresci pai.
- É difícil eu admitir isso – ele suspira – eu confesso que não queria você se preocupando com o morro, que que você tivesse a idéia de querer sair dele.
- Eu jamais vou abandonar nenhum dos dois morro, eu cresci neles e neles eu vou ficar, eu tenho por eles. – ele sorri.
- Você me deixa orgulhoso de você.
- Me deixa eu te ajudar pai, por favor. – ele me encara.
- Eu vou arrumar uma função para você – eu sorrio – mas, que não te faça correr perigo e muito menos ser presa
- Então, vai fazer o que? Me fazer controlar a entrada do morro? – ele começa a rir.
- Você mal sabe atirar.
- Eu sei sim e você sabe disso – eu falo – você me ensinou ou então você quer dizer que você é ruim de mira, por isso acha que eu não sei atirar?
- Ta bom – ele ergue a mão
- Perigo – Jn fala entrando porta adentro – Bn ligou, precisamos ir para o alemão.
- O que aconteceu? – ele pergunta
- Pegaram a carga – ele fala
- Qual carga? – meu pai pergunta
- A carga que veio da Bolívia – ele fala – Bn está louco, está atordoado, mandou a gente ir para lá.
- Eu vou junto – eu falo e os dois me encara,
- Não inventa moda – meu pai fala.
- Eu vou e ponto final – eu falo e Jn me encara.
- Perigo a deixa ir, a gente precisa ir o mais rápido possível.
- Ok – ele fala me olhando – mas não causa problemas Joana.
Eu abro um sorriso e comemoro em silêncio, eu entro no banco de trás do carro e eles vão conversando sobre essa carga, eu ia observando toda a conversa deles e ia pegando todo os detalhes que eles vão deixando no ar e vou organizando tudo na minha cabeça.
- O que ela está fazendo aqui? – Bn pergunta.
- Deixa-a – Meu pai fala – senta ali joana – eu assinto e me sento no sofá.
Estava Bn, meu pai e Jn discutindo e conversando e eu começo a observar eles.
Dandara narrando
No mesmo condomínio que a gente, morava Gustavo e Mariana, Gustavo também trabalhava na polícia com o Miguel e com o tempo eu e Milena viramos amigas. Ela estudava na mesma faculdade, mas cursava direito e eu medicina. Eu nunca pensei que um dia iria cursar medicina mas depois de tanta insistência do Miguel para fazer a prova , eu passei mas meu sonho sempre foi a culinária , sempre sonhei com um restaurante ou uma cafeteria e eu sempre disse a todos que eu iria montar uma, iríamos morar na casa que a gente sempre sonhou e seria tudo lindo, mas nada aconteceu como eu sonhava.
- Dandara? - Mari me chama e eu levo um susto - A porta estava aberta e eu vi quando Miguel saiu.
- Oi - Eu falo sorrindo para ela - Entra , estou organizando algumas coisas ainda que não consegui.
- Nossa ainda tem coisa Dan - Ela fala sentando no chão ao meu lado.
- Olha são fotos antigas - Eu falo mostrando para ela - Cartas que eu e Miguel trocamos ainda quando crianças . - Ela pega uma foto na mão.
- Quem são esses ? - Ela pergunta sorrindo
- Léo e Alice , nossos vizinhos de Itaipava - Eu falo - A gente era bem unidos , os quatros sabe - Suspiro - Mas do nada tudo mudou, Léo e Miguel que sempre foram bem amigos começaram a se odiar e nunca mais se falaram direito.
- Mas porque? - Milena pergunta
- Eu não sei - Eu falo para ela - Eles nunca me falaram nada , nem tocam no assunto e como sempre fui apaixonada pelo Miguel por consequência acabei me afastando deles também, mas Léo sempre foi como um irmão para mim.
- Que desagradável toda essa situação - Ela diz colocando a foto de volta na caixa .
- Nem me fala - Eu falo me levantando e guardando as caixas - Imagina para mim? Nossos pais são mais unidos do que nunca, todos os feriados e comemorações eles fazem juntos , não existe nem muro ou grade para separar as casas que são uma do lado da outra, vai fazer uns três natal que Léo e Alice não passam mais em Itaipava , eu agradeço porque o clima era horrível .
- Mas se eles eram tão amigos porque do nada eles deixaram de se falar ? - Ela pergunta me ajudando a guardar as caixas .
- eu gostaria de saber também - Eu falo para ela
- Estou indo para o shopping - Ela diz sorrindo - Se arruma e vamos comigo.
- Não sei se estou afim de ir não - Eu falo para ela
- Você reclama que o Miguel não tem tempo para você e aí fica o dia inteiro dentro desse apartamento - Ela diz mexendo no meu closet e pegando um vestido lindo que eu tinha comprado - Veste e vamos - suspiro e pego o vestido da sua mão.
Começo a me arrumar , faço uma maquiagem leve e me olho no espelho, pego a escova e prendo apenas metade do meu cabelo deixando ele solto atrás , pego a minha bolsa verde que combinaria com o vestido e passo um perfume .
- Estou pronta - Eu falo sorrindo e ela me encara .
- Então vamos - Ela diz
Saímos do apartamento conversando , eu morava na cobertura e tinha dois apartamentos apenas nela , um que até hoje estava desocupado, assim que chegamos no elevador a porta do outro apartamento se abre saindo dois caras de dentro.
- Boa tarde - Um deles fala me encarando
- Boa tarde - Eu falo dando um leve sorriso para ser educada .
O outro não diz nada, apenas fica em silêncio e observa nós duas . Em quanto esperava o elevador eu pego o celular e mando uma mensagem para Miguel mas a mensagem nem entrava para ele , guardo o celular na bolsa .
Respiro fundo e penso que ele deveria está na delegacia. Ele era um homem super ocupado por lá e as vezes mal tinha tempo para nós dois, mas eu entendia que isso seria apenas no começo.
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JOANA NARRANDO
- Você está me dizendo que um bando de homens vestidos de vacas pegou a nossa carga? - meu pai pergunta e eu seguro a risada, porque nem meu pai e nem ninguém conseguia acreditar.
- Tá duvidando de mim? – Bn pergunta – está duvidando do que estou te falando? Está aqui a porcaria da fantasia – ele fala tirando uma de dentro de um saco preto e jogando em cima da mesa e eu observo os dois.
- Bandidos vestido de madona – Jn fala – parece até piada.
- É alguém caçoando com a nossa cara – meu pai fala nervoso – alguém que está querendo fazer a gente de palhaço.
- Quem? – Bn pergunta – quem seria o filho da puta que roubaria a nossa carga vestido de uma vaca?
- Alguém que queira atingir seu ponto fraco – eu falo – a vaca mandona, seu patrimônio, o patrimônio histórico do morro. - Eles me encaram.
- Ela tem razão – Jn fala – o tempo que perdemos discutindo quem é a pessoa, a pessoa já está fazendo outra coisa.
- Isso mesmo – eu respondo – isso é só uma distração. A pessoa que fez isso é alguém que vocês nem imagina quem seja, mas usou um assunto que é bem comum nas nossas vidas, que liga os morros para agir, que é o fato de o Bn ter a vaca, que todo mundo sabe,
- Né que você é esperta, puxou isso da sua mãe, porque do seu pai – Bn fala
- Tô aqui – Perigo fala e eu sorrio de canto.
- Tá dizendo que é alguém dos morros? – Bn fala
- Ou não, pode ser alguém que vocês não imaginam e seja alguém de fora, porém esse assunto é tão comentado – Eu falo.
Os três começam uma nova discussão e eu me aproximo da fantasia vendo o nome da confecção onde ela foi feita, eu tiro uma foto e saio da boca, eu começo a descer o morro do alemão e encontro Alicia.
- Joana – ela fala – por que não me disse que estava aqui?
- Eu vim acompanhar meu pai, mas já estou indo embora. Estou com um pouco de pressa.
- O que aconteceu?
- Nada de mais, manda um beijo para tia Maiara – ela sorri,
- Espera, eu posso ir com você.
- Não dá, não quero te colocar em problemas.
- O que você vai fazer? – ela pergunta
- Eu vou atrás de pistas sobre quem roubou a carga que vinha para cá – ela me encara.
- Seu pai sabe?
- Não e você não vai contar.
- Me deixa ir com você – ela fala.
- Fica me dando cobertura aqui – eu sorrio
- Se cuida – ela fala
- Fica tranquila – eu falo sorrindo para ela.
Eu tinha passado a mão na chave do carro do meu pai, eu entro dentro procurando o porta luvas e encontro a arma, eu ligo o carro e saio do morro do alemão, coloco meu celular no silencioso e logo depois coloco o nome da confecção e logo vem o endereço, coloco no gps e começo a seguir aquele endereço, eu estaciono o carro próximo e vejo que eu estava um pouco afastada do alemão, da maré e da rocinha, aqui ficava um pouco na saída do Rio de Janeiro, onde tinha alguns morros pequenos. Eu desço na frente da confecção que tinha apenas uma placa pequena na frente, tinha umas senhoras na frente conversando e quando eu me aproximo, elas me encaram.
- Confecção Sarini? – eu pergunto
- Sim – uma delas se levanta.
- Eu peguei o endereço na internet, eu preciso fazer uns uniformes para os meus pequenos onde eu trabalho, usar na apresentação do final do ano.
- Você é professora? – ela pergunta
- Sou sim – eu respondo
- Entra – ela fala
- Não é perigoso deixar o carro aqui? Eu vi que tem uns morros aqui perto – eu pergunto.
- Não – ela fala – aqui tem só o morro da fé.
- Morro da fé? – eu pergunto arqueando a sobrancelha – bom, eu nunca ouvi falar.
- Entra – ela fala
- Que tipo de uniformes você precisa? – ela pergunta
- Eu precisaria de uns uniformes para crianças de 3 a 4 anos, eu posso tirar as medidas e enviar para senhora, vamos apresentar o teatro da '' fazenda feliz'', então eu pensei em algo com animais.
- Ah, tipo macaco, girafa, vaca, galinha, porco?
- Mais ou menos isso, cada criança terá uma fantasia de animal diferente – eu olho vendo uma fantasia de vaca jogada – estilo aquela – eu aponto.
- Ah, essa é de adulta – ela fala escondendo.
- Entendi, pelo jeito tem mais gente que teve a idéia dessa fantasia – eu falo sorrindo.
- É para um grupo de teatro do morro – ela pergunta – pode me passar os nomes dos bichos? – ela fala me encarando.
Eu encaro as outras senhoras que estão na porta me encarando, eu começo a agir naturalmente e começo a passar para ela tudo que eu precisava, meu número e meu nome, ela me olhava sempre muito desconfiada e eu tentava sorrir e passar que eu era uma pessoa completamente desinteressada de qualquer assunto.
- Boa tarde – uma mulher entra – eu vim pagar a encomenda que Jesus fez.
- Olivia, cobra ela – a senhora que me atende fala e eu encaro aquela mulher.
- Boa tarde – eu respondo sorrindo, ela me encara de cima a baixo e não me responde, ela vai lá fora e vejo que entrega um monte de dinheiro.
- Era isso?
- Isso, posso buscar quando?
- Em 7 dias – ela fala – você pode vir buscar para fazer os primeiros testes se fica pronto.
- Aqui o adiantamento – eu falo tirando uma quantia do bolso que eu tinha pegado no carro do meu pai.
- Obrigada – ela responde
- Como a senhora se chama?
- Otaviana – ela responde
- Otaviana, você sabe me dizer se por aqui tem algum grupo de teatro ou dança?
- Não – ela responde
- Só no morro?
- Nem no morro – Olivia fala.
- Sim, no morro tem – Otaviana fala – por isso a fantasia que você viu.
- Vou deixar meu cartão – eu falo tirando do bolso – eu tenho um trabalho incrível com crianças e gostaria muito de expandir ele.
- Para o morro? – Olivia pergunta
- Porque não? Lá existe crianças que tem o dever de serem felizes também.
Eu me despeço delas e entro dentro do carro, durante o caminho eu ligo para Pedrinho e falo que preciso encontrar ele o mais rápido possível.