Pietro Carter James:
Subo as escadas do prédio correndo.
Ela estava chorando.
Manu estava chorando.
Manu nunca chora.
Aperto meus passos e continuo a subir as escadas do pequeno prédio, mas parece que nunca saio do mesmo andar.
Só mais um pouco.
Chego ao quinto andar e abro a porta que dá para o corredor e vou diretamente até a sua porta batendo com força.
5 segundos e a porta se abre. Meu coração se aperta ao encontrar Manuela com os olhos vermelhos e desesperados.
- Oque aconteceu Manuela?- digo me aproximando e pegando em seus ombros.- Oque aconteceu?!- pergunto novamente só que agora mais alto.
- É o David.- ela diz mencionando o nome do namorado e me fazendo sentir uma palpitação de raiva.
- Oque ele fez? Te bateu?
- não Pietro.- ela diz e começa a chorar.
Tento entender oque está acontecendo, mas ela apenas chora e não me diz nada.
- Manuela...
- Eu estou grávida Pietro.- Manuela diz e eu simplesmente paro para olha-la.- Ele não vai assumir o bebê e eu não sei oque fazer, vou ter que largar a faculdade e arrumar um emprego para sustentar o bebê.
- manu...
- Eu tô com medo Pietro, não sei oque fazer.- ela diz e continua chorando.
- Manu.
- Foi um erro ter confiado nele, ter me aproximado dele, eu devia... Eu devia...
- Para Manuela!- grito para ela que fica quieta.- faz suas coisas.
- Oque?- ela me olha atordoada.
Não sei se por ter gritado ou por eu ter mandado ela arrumar as coisas dela.
- Faz as suas coisas e venha comigo.- digo mais calmo agora.
Eu sei oque fazer.
- Ir para onde?- ela me pergunta.
- para a minha casa, você vai casar comigo e eu vou assumir o bebê.
Pietro:
- Oque?- ela me pergunta chocada.
É isso, minha decisão está tomada.
- você ouviu.- digo.
- E-eu.... Você não pode...- ela tenta formular uma frase mas acho que está surpresa demais para isso.
- você está enrolando demais.- digo terminando de entrar no seu pequeno apartamento e não me incomando em ir direto para seu quarto.
Abro seu guarda roupa, pego sua mala e começo a guardar suas roupas.
- Pietro.- Manuela aparece no quarto e me olha guardando as coisas dela.
Ela se aproxima e segura em minha mão.
- Você está se precipitando.- ela diz.- Não faça algo que vai se arrepender, por favor.- ao dizer sua voz é chorosa.
- Me precipitando? Me arrepender? Manuela, nos dois sabemos que eu te amo.- digo para ela que desvia o olhar.- Eu quero você e tudo que vier junto, seja dívidas, encrencas e até mesmo um bebê.
- Por que? Só quero saber porque?!!- ela me pergunta exaltada e eu não a entendo.
- Por que oque Manuela?
- Por que eu? Eu não tenho nada, eu não sou ninguém. - ela diz enquanto suas lágrimas caem.- Tudo oque eu tenho eu tive que trabalhar muito para conseguir e ainda sim é difícil manter. EU MAL CONSIGO ME SUSTENTAR. Então por que você ama alguém como eu? Que não tem nada a te oferecer.
Por um momento eu não digo nada, apenas processo oque ela está dizendo e tento nao ficar com raiva.
- Manuela, se não fosse a minha mãe provavelmente eu estaria morando na rua agora ou na cadeia.- digo me aproximando dela.- Por que você? Por que independente de tudo que aconteceu com você e na sua vida, você sempre consegue seguir em frente com um sorriso. Eu te vi sofrer e ainda sim não perdeu seu sorriso brilhante e nem mudou o seu jeito de ser. Manuela de todas as pessoas que eu poderia amar, você é a única que não importa o dia, a fase ou os problemas que viriam, estava do meu lado. Me pergunta denovo por que eu te amo e cada vez que me perguntar vou contar uma história sobre a gente e como em cada uma você me fez eu te amar.
Manuela tem os olhos cheios de lagrimas, mas não diz nada.
- já que não vai perguntar, então me deixe começar.
10 anos atrás:
- Oque minha mãe te disse?- pergunto no ouvido de Manuela enquanto somos levados para o show.
- Que hora? A gente conversou muito.- manu diz animada ao meu lado.
- Na escola, quando te buscamos.- falo.
Vejo manuela ficar vermelha e balançar a cabeça.
- Não lembro.- ela diz.
Sei que ela está mentindo mas antes que eu pergunte novamente, ella para o carro na porta do teatro.
- Vocês sabem oque fazer né?- nos pergunta.- Celular para emergencias e para a hora de eu buscar voces. Dinheiro para gastarem e...
Ella nos olha serrando os os olhos.
- Juízo.
- tá bom, brigadinha ella.- Manuela diz saindo do carro.
- se cuidem.- ella diz para nós e depois se vira para mim.- Toma conta dela, tá bom meu amor?- ela pergunta passando a mão pelo meu cabelo
- vou tomar.- digo.
- Eu te amo, agora vai lá.
Me despeço de ela e encontro Manuela pulando na porta do teatro.
Pego os convites e entregamos para o cara na portaria.
- Vem logo Pietro.- Manuela diz e antes que eu possa fazer algo ela pega em minha mão me guiando.- Aqui, vamos sentar bem no alto.
Ela nos leva a os assentos no andar de cima e se apóia na beirada para ver la embaixo.
- Ei, cuidado.- digo a puxando para trás.
- calma só fui ver se tinha bastante gente lá em baixo.- ela fala.
- É perigoso.- digo, mas como se oque eu disse não fosse importante, ela dá de ombros e se senta na cadeira.
- Será que vai demorar muito para começar?- ela me pergunta assim que me sento do seu lado.
- Não sei.- digo.
- Vai ser incrível.- ela diz passando seu braço pelo meu. O encosto de braço agora posto para trás.
Manuela e sua mania de ficar abraçando não pode ser impedida por um simples encosto.
Não demora muito para que a banda entre, e o chão e tudo comece a estremecer.
Manuela se levanta como todo mundo e começa a gritar.
Sorrio com a animação dela.
- Vem logo, levanta.- ela diz pegando em minha mão denovo e me puxando em sua direção.
Mas sem soltar ela levanta minha mão para cima.
- viu é assim.- ela diz começando a pular ao som da música me fazendo pular junto com ela.
No começo teimo um pouco por estar com vergonha, mas a empolgação de Manuela é tanta que acabo mr levando com ela.
Gritando, pulando e cantando junto às músicas, na hora do intervalo estamos vermelhos e morrendo de sede.
- Vamos comprar refrigerante e algo para comer.- digo no seu ouvido por causa do barulho.
Ela faz um sinal com a mão concordando e por estar muito cheio pego em sua mão e a puxo andando entre as pessoas.
Chegamos em um dos bares que está a aberto e esperamos nossa vez para pedir.
Comemos cachorro quente junto com refrigerante. Acabamos perto do fim do intervalo e voltamos para os nossos lugares, que estão frios por ninguém o estar usado.
E continuam assim, pois o show começa e Manuela e eu voltamos a mesma animação.
- Pietro!- Manuela me grita e me viro para ela.- Obrigada por me trazer!- ela diz me abraçando e deixando um beijo na minha bochecha.
Eu paro e a olho, seu sorriso brilha mesmo aqui onde o palco é o centro das atenções.
E então eu sorrio com ela.
- Por que está me contando isso?- Manuela me pergunta enquanto continuamos em pé no seu quarto.
Sua mala ainda continua aberta e ela ainda me encara com seus olhos vermelhos.
- Por que foi a primeira vez que percebi o quanto eu gosto do seu sorriso.
Manuela:
Olho para pietro enquanto ele se senta em minha cama e passa as mãos pelos cabelos parecendo frustrado.
- Eu nao quero depender de voce pietro.- digo- Nao quero basear meu futuro e o do meu filho em um casamento onde muitos problemas podem acontecer.
- Problemas? Que problemas? Nos damos tao bem manuela.
- Pietro, nao quero me apoiar em voce por causa do meu filho ou por seu dinheiro, se eu quero algo de voce é a sua presença, o seu apoio...- falo olhando em seus olhos.- voce pietro.
- Isso é um não.- ele diz me olhando.
- Não quero te magoar, mas me pedir em casamento e querer assumir meu bebê, apesar dos seus sentimentos, esta fazendo pelos motivos errados.
Me sento ao seu lado na cama e pego em sua mao. Pietro desvia seu olhar do meu, mas em momento algum ele solta minha mão.
- Eu esperei Manuela, mas cada vez que eu pensava que poderia começar a ter algo entre a gente, aparecia alguém novo ao seu lado.- ele diz respirando fundo.- Mas agora chega manuela, não vou sair do seu lado por nenhum momento...
Ele nunca saiu, esse é exatamente o problema.
- ... Eu vou estar aqui para te apoiar e te amar, bou fazer voce me aceitar e quando fizer isso, so vai perceber que aconteceu quando estiver caminhando ate mim no altar.- ele diz soltando minha mão e se levantando.
- pietro...
- Nos vemos amanha meu amor.- ele diz passando a maos pelos meu cabelos e simplesmente saindo pela porta.
Não saio da minha cama, apenas espero e ouço a porta da frente batendo e entao eu jogo a mala para o chão e me deito na cama. Deixo que minhas lágrimas escorram e me pego pensando em oque fiz de errado, em que momento eu errei ou fiquei com medo.
Entao por um momento eu me lembro onde pode ter começado.
Tinhamos 17 anos e o nome dela era Valentina.
Aperto meus passos ate pietro que anda bem mais a frente. Ele tem os olhos no celular e não me ve se aproximando por trás, mas antes que eu chegue ate ele, ele vira um corredor e para, me aproximo mais um pouco e vejo Valentina conversando com ele no corredor, não da para ouvir oque eles dizem, mas antes que eu possa me incluir na conversa deles Valentina se aproxima dele e o beija.
Então meu mundo paralisa.
Sempre que eu o via, meu coração disparava e como sempre so me restava pular nele e o abracar. Mas o vendo agora com valentina, uma garota rica e bonita, sendo tudo oque eu nao sou, linda e perfeita e beijando pietro algo se parte dentro de mim. Nao espero que eles terminem, apenas me viro e saio dali mais rapidamente.
Acho que foi ai que comecei a errar, que comecei a ter medo.
Deixo minhas lagrimas molhar o travesseiro e pego no sono depois de repassar toda a nossa conversa na minha cabeça.
Acordo com o barulho da campainha e em seguida batidas na porta do meu apartamento. Me levanto e sinto uma dor de cabeça, talvez por ter chorado. Vou ate a porta lentamente e a abro. Mas nao estou preparada mentalmente para me deparar com um grande buque de rosas vermelhas na minha frente.
Então as flores se abaixam e pietro mostra seu rosto, ele sorri, mas esta diferente de todas as vezes que ja o vi.
Tem algo inexplicável em seu olhar.
- oque esta fazendo aqui?- pergunto baixo não querendo ser mal educada.
- Voce precisa comer bem agora, nao essas bobagens que voce come.- ele diz entrando no apartamento e indo para a cozinha.
Nao o sigo por um momento, mas assim que vou atras dele eu o vejo abastecendo minha geladeira com varias coisas dentro de umas sacolas que ele trouxe.
Eu o olho por alguns segundos me perguntando qual os seus planos e oque ele planeja, mas nao faco ideia.