Elisa Nowak
As coisas nunca mudam, apenas crescemos e amadurecemos. Ainda tenho muito o que aprender, eu gostaria de poder viver mais intensamente, de ter mais liberdade. Não ter pais, é muito difícil pra mim. Não ter uma pessoa que te ouça e te apoie independente de qualquer situação, realmente a vida foi muito cruel comigo. Mas ainda bem que tenho Kate, ela me me criou. Me ensina o que eu preciso e sempre me ensina em qual caminho devo seguir e isso me encoraja a ser alguém melhor a cada dia. Eu tenho uma vida confortável, graças a Deus. Mas eu trocaria qualquer conforto por ter uma mãe e um pai, comigo. A partir de hoje, quero ser responsável por todas as minhas escolhas, chega de me esconder atrás dos outros. Eu quero ser o orgulho de todas as pessoas que me cercam.
Elisa: Preciso trabalhar, preciso me manter.
Com esse pensamento, eu me levanto da cama. Tomo um banho demorado, sinto a água bater em minhas costas e escorrer pelas minhas pernas. Alguns longos minutos depois, saio para me trocar. Visto uma calça moletom e uma blusão bem despojado, preto é minha cor favorita. Amarro meu cabelo em um coque frouxo e olho bem para meu rosto, nada mal. Ainda é bem cedo, mais eu preciso conversar com Kate. Desço as escadas correndo, não consigo esconder a minha felicidade. Vejo Kate na mesa tomando café e me junto a ela.
Elisa: Bom dia, Kate!
Diz ela, dando um beijo em sua bochecha.
Kate: Bom dia, porquê está tão animada ?
Ela pergunta sorrindo.
Elisa: Porque eu tenho grandes expectativas que você cumpra, o que me prometeu.
Ela me encara séria, mas depois sorrir.
Kate: Se é isso que você quer, eu vou cumprir. Mas saiba que te acho ainda muito jovem. E você poderia ficar comigo até ficar velhinha.
Ela fala em um tom pacífico e isso me deixa ainda mais animada. Ainda bem que ela concordou, por um tempo pensei que ela nunca fosse me deixar sair daqui. Nunca iria me deixar viver.
Elisa: Que bom. Eu tenho grandes expectativas sobre mim, quero honrar meus pais onde quer que eles estejam. Eu vou arrumar um trabalho e vou fazer faculdade.
Kate: O que você quer cursar ?
Ela pergunta curiosa.
Elisa: Ainda não sei, estou tentando me redescobrir.
Observo Kate sorrir, ela está sendo tão compreensiva. O que está me dando ainda mais coragem.
Kate: Nós vamos te apoiar, não importa o que você escolha.
Elisa: Obrigada. Isso significa muito pra mim.
Falo sorrindo com gratidão.
Elisa: Eu vou com Khaled procurar um apartamento. Quero ir para Varsóvia, fica mais perto pra mim trabalhar e estudar.
Nós moramos atualmente em Chocholów na Polônia. Aqui é bem remoto e eu não tenho grandes oportunidades e por isso planejo me mudar para Varsóvia, lá eu terei mais chances. Khaled é um grande amigo, desde meus doze anos. Embora ele seja mais velho que eu, Kate não vê problema na nossa amizade e confia nele de olhos fechados. O que é bom pra mim, então sempre saímos juntos. Somos como irmãos. Terminei de dar a última mordida na minha torrada com geleia de morango, quando uma buzina alta, soou ao lado de fora.
Elisa: É Khaled, preciso ir. – Diz ela, levantando.
Kate: Muito cuidado, fique com Khaled o tempo todo. Qualquer coisa, me ligue. – Ela grita.
Elisa: Tudo bem!
Falo correndo. Fecho a porta atrás de mim, e lá está ele. Meu grande amigo. Faz uns três meses, desde que nos vimos. Ele trabalha muito, mas nunca perguntei especificamente sobre o que é. Mas isso não me interessa, o que interessa é que toda vez que preciso dele, ele está lá.
Khaled: Que saudades.
Ele fala soltando o cinto e me abraçando quando eu entro.
Elisa: Khaled, deixe de ser falso. Se estivesse com tanta saudade, já teria aparecido.
Digo fingindo estar chateada.
Khaled: Eu quero ver até quando vai pronunciar meu nome errado. Já te disse mil vezes, que é Karev. Mas você me chama assim a seis anos, que acabei me acostumando. ( Risos ).
Ele liga o carro e partimos.
Elisa: Eu prefiro Khaled, seu nome é muito feio. E aí ? Temos algum apartamento a vista ?
Pergunto mudando de assunto.
Khaled: Tenho sim! Bem no coração de Varsóvia, vi alguns apartamentos perfeitos. E claro que com dois quartos, porque você morando sozinha irei te visitar mais vezes.
Sorrio. É bom saber que ele não vai me abandonar e eu continuarei podendo contar com ele.
Elisa: Claro que sim, você tem um pedaço do meu coração. – Ele arqueia as sobrancelhas.
Khaled: E por acaso, você tem um ? Nunca te ouvi falar sobre sentimentos, estou te achando estranha. Você está doente ? – Ele fala e gargalha.
Elisa: Claro que tenho. Todos temos, caso contrário não estaríamos vivos. – Ele a encara sério, estranhando esse comportamento.
Seguimos nossa viagem, conversando sobre tudo. Escolhemos alguns apartamentos mobiliados, será bem mais fácil. Kate vai me ajudar nos primeiros meses, então preciso pegar um em conta, porque assim que eu arrumar um trabalho, preciso me manter sozinha. Algumas horas depois, enfim ... Chegamos a Varsóvia. Nós descemos e continuamos a andar pelos apartamentos que Khaled escolheu para olharmos. Andamos a manhã inteira e nada, resolvemos parar em um restaurante para almoçarmos. Sentamos, pedimos e ficamos encarando um ao outro, até que ele quebra o silêncio.
Khaled: Você é muito chata, sabia ? Você não se agradou de nada!
Elisa: Claro que eu gostei e muito. Mas os preços são absurdos! Eu não poderei pagar um aluguel e pagar minha faculdade. Eu não quero fazer dividas estudantil, preciso urgentemente de uma bolsa.
Diz ela tomando um pouco de água.
Khaled: Entendi. Falando nisso, em que você vai trabalhar ? Já falei que se quiser, posso te arrumar uma vaga na minha empresa. – Diz ele, enquanto saboreia seu vinho.
Elisa: Eu quero conseguir algo por mérito meu, por meu esforço. Não ser contratada por que sou amiga do dono. Não quero nada relacionado a pessoas que eu conheça. Quero tentar conhecer o mundo sozinha.
Khaled: Tudo bem, tudo bem! Mais iria ser ótimo olhar para esta beldade todos os dias. –Diz ele, sorrindo.
Elisa: Hahaha, um comediante mesmo. Mais já que tocamos no assunto, me diz com o que você trabalha ?
Ele me olha com um sorriso arteiro.
Khaled: Cosméticos! Perfumes, hidratantes, cabelos ... Tudo relacionado a beleza.
Elisa: Agora, tá explicado. Porque você é tão bonito e me parece tão jovem.
Digo, sorrindo.
Khaled é realmente um homem inteligente e atraente, mais também é muito despreocupado com a vida, não dura com nenhuma mulher. Qualquer uma que cruze seu caminho, ele a domina e dorme com ela. Mas com Elisa é diferente, ele sente um imenso carinho por ela, pela ingenuidade dela. Ele está na casa dos trinta, um metro e oitenta e cinco, cabelos negros, olhos em um tom esverdeado, moreno claro e musculoso. O almoço chega, eles comem sem preocupação e no fim, Khaled paga a conta e eles seguem para o carro.
Khaled: Liz, você sabe que dia é hoje ? – Ele pergunta curioso e ela o encara.
Elisa: Hoje é três, porquê ? – Ela se faz de sonsa.
Khaled: Por nada. – Ele responde de forma seca e ela prende um sorriso.
Eles seguem para avaliar um novo quarteirão.
Khaled: Acho que esse apartamento que vamos olhar, é perfeito! – Ele fala empolgado.
Elisa: Assim eu espero. Não aguento mais andar.
Falo em um tom brincalhão, mas ele continua sério. E estou com vontade de rir, só ele para acreditar que eu iria esquecer seu aniversário. Querendo ou não, Khaled não tem muitos amigos. Ele também nunca mencionou sua família, creio que seja órfão assim como eu, e talvez por isso nos damos tão bem! Chegamos ao apartamento e ele não parece luxuoso, o que eu acho que será perfeito para mim. Subimos para o décimo segundo andar e lá uma mulher nos aguarda. Ela é loira tingida, de olhos azuis, muito branca e alta. Mas alta do que eu. Ela me dá uma encarada e se dirigi a Khaled.
Corretora: Senhor Burk! Que prazer vê-lo novamente.
Ela diz, estendendo a mão para ele.
Khaled: Digo o mesmo, Munik. Como tem passado ?
Ele pergunta, enquanto a cumprimenta.
Corretora: Estou ótima! E essa é ?
Ela fala me olhando visivelmente desinteressada.
Khaled: Está é minha rainha.
Ele fala com um enorme sorriso e ela me olha com espanto.
Elisa: Prazer! Elisa Nowak.
Estendo minha mão amigavelmente.
Corretora: O prazer é meu, querida. Vamos entrar e olhar.
Ela fala abrindo a porta. Ao contrário da minha casa atual, essa ainda abre com chaves.
Ao entramos fico maravilhada, o apartamento é pequeno e aconchegante. A sala dá para cozinha americana. E o corredor, leva aos quartos. São dois, como eu esperava. Um maior, com seu próprio banheiro. E o outro é menor, com um pequeno closet e uma cama de casal. Mesa para computador e bem . Ao andarmos pelo pequeno apartamento, eu já estou decidida que é esse que eu quero. Agora falta discutir o preço! Embora tudo seja pequeno e aconchegante, pude observar que as coisas são bem caras. Eu encaro Khaled.
Khaled: E aí, minha rainha... Gostou ? –Ele pergunta com um sorriso arteiro.
Elisa: Eu amei, do jeitinho que eu queria.
Digo sorrindo.
Khaled: Munik, vamos discutir o valor ? – Ele fala dando um sorriso galante para ela.
Khaled: Minha rainha, você poderia nos esperar na varanda ? Você pode apreciar a vista.
Ela fala piscando o olho para mim e agora eu sei que ele vai usar seu chame.
Elisa: Tudo bem. Vou lá!
Digo saindo. Eu confio no poder de Khaled, ele é um empresário. Então claro que fará um bom negócio, e também sabe da minha situação. Eu vou olhar a vista e realmente é de tirar o fôlego. Eu me pego pensando em como será os dias aqui, vivendo minha própria vida. Será que irei me acostumar ? Eu me pergunto, mas logo afasto esses pensamentos. Elisa, você tem 18 anos. Uma hora ou outra, teria que seguir sua vida. Digo para mim mesma. Não demora muito para Khaled sentar ao meu lado na varanda, com o mesmo sorriso presunçoso de sempre.
Elisa: E aí ? –Ela fala empolgada.
Khaled: Hummm... – Ele faz um suspense.
Elisa: Fala logo, estou ficando ansiosa. – Ela murmura.
Khaled: Agoniada. Não sabe nem brincar. –Ele resmunga. –150 euro. Tudo incluso. –Ele afirma.
Levo minhas mãos a boca, não acreditando. Um salário mínimo é 610 euro, ou seja... Ainda sobrará 460 euro. Dá para minha alimentação e guardar algo para meus estudos. Mais preciso arrumar no mínimo, três trabalhos de meio período. Para que eu possa realmente pagar minha faculdade. Porque eu pesquisei e por ano são onze mil e cem euros. Ou seja, novecentos e vinte e cinco por mês. Parece assustador, mas eu não vou desistir.
Elisa: Está ótimo. Perfeito! – Diz ela, pulando em seus braços. Khaled a abraça forte, feliz por ela.
Khaled: Vamos buscar suas coisas ? Assinei seu contrato e paguei a fiança. Pego o valor com Kate depois.
Elisa: Então vamos. – Eles saem e se despedem de Munik, que lhes entrega a chave. E ela sai mas animada do que nunca. No caminho de volta ela segue dormindo, a viagem é de quatro horas, então ela aproveita para descansar. Enquanto isso na antiga casa de Elisa, Kate e Brianna discutem sobre a mudança dela.
Brianna: Você acha uma boa idéia, permitir que ela se vá para tão longe ? –O tom de Brianna é de preocupação.
Kate: Sabíamos que esse dia chegaria. Não podemos a manter presa aqui! Anna estava equivocada quando pediu aquilo. O tempo mudou, já não é o mesmo. –Kate esconde, qualquer tipo de preocupação.
Brianna: Espero que nada aconteça com ela. –Ela exclama.
Kate: Eu também. Mas ela está protegida, o chip ainda está nela e nunca vimos qualquer sinal de falha. –Ela afirma.
Brianna: Tem razão, só precisamos mantê-la longe daquela família. E ela estará segura.
Kate: Não precisamos nos preocupar tanto, o sobrenome dela é diferente e isso não levantará suspeitas. Desde que ela se mantenha longe, tudo continuará como está. –Ela diz tomando um gole de chá.
Brianna: Quando precisaremos colocar outro chip ?
Kate: Anna não sabia a precisão dele. Ela nos deu vinte cinco anos, mais talvez demore mais. Ela tem apenas dezoito. –Ela fala tranquilamente.
Anna, era uma grande cientista. Ela criava qualquer coisa que quisesse, muito habilidosa e talentosa. Iria longe, se estivesse viva. Era a mãe biológica de Elisa, mas ela levou um grande segredo para seu túmulo. Segredo esse que só sabe Brianna, Kate e as demais que estavam com ela no dia do nascimento de Elisa.
Dezoito anos, atrás.
Anna Clarke
Eu não me arrependo de nenhuma escolha que fiz. Eu tenho absoluta certeza de que estou certa sobre minha escolha... "Eu preciso estar." Minha filha é minha prioridade, meu bem mais precioso, fruto de um grande amor.
Um amor que precisou ser testado a ferro, mais não conseguiu resistir. O destino brincou comigo e com meus sentimentos... Ou não ... Talvez tenha sido as minhas escolhas erradas. Eu não sei ao certo, tudo o que eu sei agora, é que estou morrendo. Morrendo de verdade e deixando meu grande fruto para trás.
Kate: Força, Anna! Você consegue.
Eu repito uma força brutal. Uma força da qual, eu nem tinha conhecimento que possuía. E faço isso repetidamente, uma atrás da outra. Mesmo sem contrações, eu continuo a empurrar com uma ferocidade animalesca.
Eu me sinto cada vez mais fraca. São 48 horas, em um trabalho de parto ativo, sinto meu coração doer a cada esforço físico. "Eu não vou aguentar."
Brianna: Anna, eu vejo a cabeça do bebê agora.
Kate: Por favor, aguente só mais um pouquinho. –Diz ela, implorando.
"Eu tenho tanta sorte em ter Kate ao meu lado."
Eu faço uma enorme força, a mais forte de todas uma força brutal e sinto uma enorme queimação em minha vagina, mais em seguida sinto um alívio profundo de imediato.
Um choro ecoa pelo meu quarto e enfim consigo respirar, uma respiração que estava presa. Kate caminha até mim, com ela em seus braços. E é impossível conter as lágrimas, minha filha tão amada que eu não poderei cuidar, amar e educar. Uma filha que eu não poderei ver crescer e nem ensina-la de como o mundo é cruel e devastador. Eu a seguro em meus braços e sinto o seu cheiro, ela é perfeita.
Sinto uma dor forte e aguda, no meu peito esquerdo irradiando pelo braço e costas, sinto uma dor insuportável na minha jugular.
Anna: Kate, eu preciso te instruir.
Kate me olha fixamente, já imaginando o que vou pedir. Seus olhos estão arregalados, assim como de suas irmãs.
Kate: Diga, chefe. – Ela fala com a voz trêmula.
Anna: Hoje a minha filha morreu comigo. Se alguém revelar a verdade, quero que a cabeça seja cortada e pendurada na minha fortaleza.
Kate: Nós iremos fazer isso. –Ambas irmãs concordam sem exitar.
Kate: Eu mesma vou assumir essa responsabilidade, não se preocupe.
Olho para a minha mesa de cabeceira.
Anna: Tem uma caixa de veludo azul na primeira gaveta, pegue e abra. –Kate imediatamente vai pegar meu presente pra ela.
Anna: Na mesma gaveta, tem um papel com o procedimento escrito detalhadamente. Quero que vocês façam isso logo.
Brianna me olha curiosa e pergunta:
Brianna: O que é isso ?
Eu sabia que elas iriam querer saber o que é.
Anna: Isto foi no que eu trabalhei nesses últimos 7 meses. É um chip bloqueador de emoções, isso vai impedir que ela se apaixone, sinta medo extremo ou odeie profundamente alguém. – Elas me encaram seria.
Eu sei. É egoísta da minha parte, mas queria dar essa benção a ela, uma pessoa sem amor e ódio, terá uma vida feliz. Ela não terá preocupações ou medo e eu já me sinto aliviada com isso.
Alexia: Anna!
– Não faça isso.
Kate e Brianna, falam ao mesmo tempo.
Anna: Uma pessoa insensível, se torna forte. Se uma pessoa não pode amar ou odiar, ela sempre será despreocupada. Essa é a única benção, que eu posso dar para ela.
Sinto um gosto de metal na minha boca. "É sangue", eu engulo imediatamente. Eu preciso que elas me entendam e não permitam que a minha filha sofra do mesmo mal, que eu.
Anna: Se ela for intensa como eu, trará a desgraça para si mesma.
Meus olhos se enchem de lágrimas e eu as permito descer, sem precisar mais silenciar o meu choro desesperado.
Anna: Quero que ela se chame Elisa. "Elisa significa alegria", e ela será muito feliz.
Brianna: A nossa pequena herdeira será Elisa. Um nome cheio de graça. – Ela fala, alegre.
Kate: Anna, ela será sua herdeira ?
– Kate pergunta preocupada.
Anna: Eu não quero que ela seja uma herdeira, eu não quero que ela tenha que obedecer a nada e nem ninguém. –Kate a lança um olhar preocupado.
Anna: Quero que ela seja uma pessoa normal, eu não quero que ela tenha obrigações familiar ou siga regras impostas pela família mais poderosa.
Kate: Anna, por favor reconsidere isso. Ela precisa cuidar de tudo isso um dia, seu legado tem que ser continuado.
Anna: Eu já tomei minha decisão, uma vez que eu não estiver mais aqui. Vocês três serão responsáveis por nossa família e darão continuidade ao legado dos meus tataravós.
Elas se entreolham, é uma responsabilidade grande, mas nenhuma pode hesitar.
Anna: Eu não sei ao certo quanto tempo esse chip terá efeito, mas eu espero que uns vinte e cinco anos. A fórmula dele também está no criado mudo, a cada vinte e cinco anos, você refará outro.
Kate, Brianna e Alexia me olham com ternura, eu sei que posso confiar nelas, afinal sempre foram fiéis a mim.
Anna: Este é meu último decreto, começando hoje. Tranquem Elisa na minha fortaleza, eu não quero que ela ultrapasse meus muros. Eu quero que ela permaneça segura aqui.
Eu olho para minha filha em meus braços, eu cheiro o seus cabelos negros, ela é perfeita. Pego na sua minúscula mão, e olho para toda seu rosto querendo memorizar cada traço, seus olhos são pequenos e sua boca e nariz também. Branca como a neve e cabelos escuros como a escuridão, seus traços são tão delicados. Eu fecho os olhos e a seguro forte, "Eu te amo tanto, minha filha." Obrigada por existir, por ser a minha melhor lembrança, por ser um pedaço de mim.
"Mikhail Smirnov"
Eu estou me casando hoje com um grande pesar em meu coração, porque a pessoa que eu amo, está em qualquer lugar menos ao meu lado. Era com ela que eu queria estar aqui hoje, celebrando o nosso amor. Às vezes me pergunto se fui amaldiçoado no meu nascimento, porque tive que nascer em uma família que impus regras absurdas e grotesca. Se eu tivesse o poder eu mudaria tudo isso, "tudo isso, pelo meu grande amor." Mais as coisas não são tão simples e agora estou próximo de cair em um abismo de tristeza e solidão pelo resto de minha vida.
Uma bela noiva caminha em minha direção, mas não era o que eu queria. Uma angústia crescente em meu peito só aumenta, não consegui dormir direito, sentindo uma dor imensurável e foi uma longa noite agitada. Mais não adianta mais querer voltar no tempo, agora tudo se desmanchou como partículas de poeira no vento.
O casamento corre bem, mas na festa após a cerimônia não me sinto bem e ainda tenho que me sentar na mesma mesa que Ruslan. Pra mim é um dos piores momentos até a hora que pisei na igreja.
Ruslan: Mikhail, somos amigos de longas datas.
Ele sorrir para mim amigavelmente.
Ruslan: Se o seu primogênito for um filho, ele será um irmão para o meu filho. Mas se for uma filha, ela então poderá se tornar esposa do meu filho.
Eu quero vomitar neste momento. Mas são as tradições de nossas famílias, eu não posso recuar agora. Ainda mais que estamos todos submisso a esta "família".
Ruslan: Se a nossa amizade puder ser passada de geração em geração, como foi com nossos pais e avós, isso será uma coisa maravilhosa. O que acha ?
Eu paro por um momento querendo fugir de toda essa palhaçada, mas eu não posso. "Estou preso a isso," fugir não iria adiantar. Mas eu me calo, eu não consigo falar. Isso não é uma coisa que eu sozinho possa decidir, é algo que somente eu poderei obedecer.
Elena: Nós obedeceremos a sua decisão.
Assim como eu, Elena sabe que não pode desobedecer as ordens da família Turgueniev. Ele sai e nós nos encaramos, recém casados. Eu sinto uma forte dor no meu peito e minha garganta queima, é outra angústia só que dez mil vezes mais forte. Eu me retiro do lugar, o mais rápido que posso.
Eu me tranco na primeira porta que encontro, e me debruço sobre meus joelhos, liberando toda a minha dor em lágrimas. Eu sempre fui emotivo demais e já não aguento mais suportar tanta dor. Mas eu não paro de pensar na mulher que eu amo.
Mikhail: Anna, o decreto desta família miserável não pode ser desobedecido, você sabe. Mas como poderemos suportar isso ? Você é a única mulher que eu amo, Deus conhece meu coração e sabe da minha vontade. Eu nunca te trai, mas hoje te desejo que você seja feliz. Espero que conheça alguém que te ame, mas do que eu fui capaz.
"Após a divulgação da morte de Anna Clark, As famílias entraram em luto por 30 dias.
Os Smirnov, Romanov e os Turgueniev. Todos ficaram muito abalados, com a partida repentina dela. Sua morte foi divulgada em 27/09/2002.
A família Clark, continuou na Polônia e fechou seu negócio na Rússia. Mantendo apenas o contrato de fornecer medicações para a família Turgueniev. Eles se isolaram de tudo e todos para que ninguém descobrisse sobre o nascimento de Elisa, que ocorreu no dia 27/09/2001.
Apenas um ano após a morte de Anna, que falaram que ela tinha falecido, para que não houvesse suspeita."
Elisa e Khaled entram em casa, e Brianna e Alexia cortam o assunto.
Elisa: Encontrei o apartamento perfeito, bem no centro de Varsóvia. –Ela diz empolgada. – Conta a elas Khaled! – Ela fala olhando para ele.
Khaled: Isso mesmo! Aconchegante, seguro e no precinho. – Ele diz animado também.
Elisa: Vou pegar minhas coisas. – Ela fala indo para o quarto.
Khaled explica para Kate, onde fica e repassa tudo para ela. Enquanto Elisa junta tudo que ela tem, algum tempo depois Khaled começa a carregar para o carro. Não é muita coisa afinal, ela não é muito consumista. E na hora da partida dela, Kate sente seu coração apertado.
Kate: Elisa, se mantenha segura. Não faça nada precipitadamente, me avise qualquer coisa.
Elisa: Kate, não se preocupe. Eu não vou fazer nada demais, estarei pertinho e nas minhas folgas venho visitar vocês! – Diz ela a abraçando.
Kate: Tudo bem. Eu confio em você! Seja feliz e nunca me esqueça. – Ela a aperta. – "Vou ficar sempre de olho em você." – Ela pensa.
Elisa: Obrigada por me educar. – Kate enxuga algumas lágrimas, mas ela permanece alegre, o que a tranquiliza. – "Posso ficar mais tranquila. O bloqueador de emoções, ainda está funcionando." – Ela pensa.
Kate: Eu te amo tanto. – Ela faz um último teste.
Elisa: Eu também gosto muito de você. Você é a melhor do mundo. – Diz ela, entrando no carro.
Khaled dá partida e eles seguem juntos. Kate tenta controlar suas emoções e diz para si mesma que tudo vai ficar bem. Que nada vai acontecer. E assim ela volta para dentro. Elisa e Khaled seguem ouvindo música e se divertindo no carro, se é uma coisa que ele adora nela é o seu senso de humor, ela nunca fica triste ou chateada. Ele a viu assim apenas uma única vez.
Khaled: Chegamos! – Ele murmura, tirando o cabelo do rosto dela e ela lentamente abre os olhos.
Elisa: Já ? – Diz ela, ainda muito sonolenta.
Khaled: Você dorme mais que um urso. – Ele diz sorrindo baixinho.
Elisa: Idiota! – Ela dá um tapinha em seu ombro e tira o cinto, saindo do carro.
Khaled: Entra, que eu carrego as coisas!
Ela segue para dentro, deixando o portão do condomínio aberto. Ela entra e desaba no sofá.
"Nikolay Turgueniev"
Estamos aguardando a nossa carga com duzentos e cinquenta kg de cocaína. Isso mesmo! Duzentos e cinquenta. É muito não é ? Mas não chega nem aos pés do que somos. Eu e meu irmão, somos imbatíveis juntos. Ele é meu melhor amigo e tudo para mim. Tudo está indo perfeito, era para estarmos indo agora para os containers receber a mercadoria. Mas estou ligando para esse filho da puta que não atende. Estamos indo para a casa da tal arquiteta com quem ele se encontra aqui. Com toda certeza, esse puxou ao nosso pai, não sossega com uma mulher. Meu celular começa a tocar e vejo que é o filho da mãe.
Konstantin: Kolya, estou cercado.
Nikolai: Porra, Kon. Onde você está agora ?
Eu grito.
Konstantin: Aquela vadia me vendeu, me entregou para os Riveros. Estou na casa dela, vou te mandar a localização.
Nikolai: Estou indo para aí. –Eu desligo. –Acelera, Yakov. –E ele o faz.
Yakov é meu segundo melhor amigo, meu funcionário leal. Confio de olhos fechados. Está sempre ao meu lado, seguimos preparados com nossas metralhadoras posicionadas. Konstantin também não deve está a deriva, ele não é bobo. Somos três irmãos, Konstantin é o do meio, o galinha sem noção. Máximus é o mais velho, só entra nos negócios se for o último recurso, mais não gosta muito e é um bom promotor e ao contrário do meu irmão, não dá a mínima para as mulheres. E eu sou o mais novo, mas não quero ficar nisso. Quero mesmo é apenas está sempre presente, e ajudar meu irmão a crescer. Queria muito que nosso pai escolhesse um dos dois, gosto da adrenalina mais não quero ser o chefe. Quero que seja uma irmandade, até onde o meu pai aguentar viver.
Chegamos de frente ao condomínio luxuoso da tal vadia, que vendeu meu irmão. Eu e Yakov, paramos na frente e já posicionamos nossas armas atirando. O sons de tiros ecoam, meu irmão também metralha o que vê pela frente. Eu o dou cobertura, enquanto ele abre a porta do carro e entra. Saímos em seguida, pelos menos uns seis ficaram no chão. Um ousado ainda tenta atirar no vidro, mas é em vão. Nosso carro é blindado.
Nikolai: Eu te avisei, né ? – Me viro no banco para encarar o cara lisa no banco de trás. – Os Riveros, estão atrás de você, eles te querem morto.
Konstantin: A vida é assim, né Kolya. Quando chega a hora, ninguém sai de cena. Mas quando não é, ninguém pode fazer nada. – Ele diz olhando de um lado para outro.
Não acredito que esse filho da puta, tá fazendo piada uma hora dessas. Ele poderia estar morto. Bem morto!
Nikolai: Chega de fazer piadinha, já chega! – Digo, irritado.
Conseguimos despista-los, eles só queriam matar o Kon. E ainda bem que não conseguiram. Eu teria ficado enfurecido e não respeitaria quem entrasse no meu caminho.
Nikolai: O que fez com a vagabunda ? – Pergunto curioso.
Konstantin: Há matei, claro. – Responde ele, na maior naturalidade.
Nikolai: Já conversamos sobre isso. Em uma próxima, não faça mais isso. Apenas controle esse pau dentro de suas calças. – Digo me virando para a estrada.
Seguimos em silêncio, passamos nos containers e seguimos para a cidade. Os kg irão de avião e não podemos estar relacionados. Até então, a federal apenas conhece nossos nomes falsos, nada relacionado a nossa família. Chegamos a uma das propriedades do meu irmão, uma pequena boate.
Nikolay: Vai entrar ? – Pergunto já sabendo a resposta.
Konstantin: Claro, preciso ver como anda as coisas e também preciso de uma dose de tequila para aliviar o estresse. Você vem ? –Ele fala sorrindo.
Nikolay: Claro! Uma dose de tequila é sempre bem vinda.
Entramos e sentamos na sessão vip, hoje não vamos trabalhar e sim nos divertir. Mas é impossível não encontrar alguém que queira ficar do nosso lado, para lucrar. Após algumas doses e meu irmão já tá zoado, eu não consigo mais aguentar e pergunto:
Nikolay: Kon, porque você trai a sua esposa ? Sendo que você a trata tão bem e tem seus filhos cara. Dois filhos lindos e uma família perfeita!
Ele me olha de lado, acho que surpreso. Eu sempre fui imparcial diante desses assuntos.
Konstantin: Eu amo ela, Kolya. Mas ... Eu sou homem, tenho minhas necessidades.
Ele fala frio e distante.
Nikolay: Se ama tanto, não deveria fazer isso.
Konstantin: Você não sabe de nada, já que é solteiro. –Ele rebate.
Nikolay: Por isso mesmo. Pretendo viver sem amarras e aí não magoarei ninguém.
Konstantin: Vou me lembrar disso, Kolya. Vou me lembrar disso!
Nikolay: Eu não quero ser escravo de mulher, não quero nenhuma mulher que me tire os meus sentidos. Eu me recuso a isso.
Konstantin: Eu daria a minha vida por minha família, por isso te escolhi como padrinho da Kalynne. Quero que você proteja minha família, caso algo aconteça comigo.
Nikolay: Não precisa pedir, eu amo seus filhos como se fosse meu. E vou te dizer mais, um dia ... –Tomo mais uma dose de tequila. –Quando eu pensar em casamento, quero escolher bem minha esposa. Quero escolher a mulher que eu ache que se encaixe no meu mundo, porque eu não quero qualquer uma para ser a mãe dos meus filhos. – Digo olhando nos olhos dele.
Konstantin: Você está certo. Você sempre está! –Ele sorrir. –Eu sou um tremendo de um filha da puta. Que minha mãe me perdoe.
Nós rimos juntos. Apesar de não termos a mesma a mãe, jamais julgarei meu pai e ele deveria ser como Kon. Um verdadeiro mulherengo, mas minha mãe me educou diferente e a mãe de Kon, também é maravilhosa. Queria que a mãe de Máximus, também estivesse viva, talvez ele não fosse tão solitário. Nossa família é obrigada a ficar espalhada, o negócio fica na Rússia. Mas a família de Kon é Polonesa, a mãe dele e consequentemente, a família que formou também reside na Polônia. Mas eles precisam se mudar urgentemente, a mansão dele está ficando visada pelo governo e por nossos inimigos. Saio dos meus devaneios com Yakov, me ligando.
Yakov: Patrão, é melhor vocês virem para cá. –Ele fala um tanto nervoso. – Patrícia se recusa a ir com os outros.
Nikolay: – Droga!
Yakov: O avião está pronto para a Romênia, mas ela é a única que disse irá ficar.
Nikolay: Esteja com tudo preparado. Estamos indo aí! – Desligo.
Olho para meu irmão, já se engraçando com uma mulher. Eu me aproximo e o puxo, ele me olha furioso, mas não ligo.
Nikolay: Precisamos voltar para mansão, agora! –Grito, pelo barulho estrondoso.
Konstantin: O que houve ?
Nikolay: Sua mãe não quer ir para Romênia. Se ela insistir em ficar lá, ela vai morrer.
Ele me olha indignado. Sua mãe sempre teve uma personalidade forte e é difícil tirar algo de sua cabeça, quando ela já está decidida.
Konstantin: Merda! Camile já tinha se encarregado de convencê-la.
Camile é a esposa de Konstantin. Ela mora com sua sogra e seus dois filhos, embora Konstantin só tenha vinte e oito anos, sua vida sexual sempre foi bem ativa. Meu sobrinho mais velho tem onze anos e minha afilhada tem cinco. Nós demoramos a nos conhecer, ele não foi como Máximus que cresci com ele. Entramos dentro dos carros e seguimos para a Chocholów, onde está a atual mansão de Konstantin.
Máximus deve está lá, ele ficou de levá-las em segurança, de acordo com as tramatas legais para a Romênia. Já preparamos documentos falsos para todos, na expectativa que meus sobrinhos possam levar uma vida normal, com outro sobrenome. Porque na hora que a bomba explodir, que são os Turgueniev que é a poderosa família por trás do narcotráfico a nova geração sofrerá até o fim de suas vidas.
Não demorou cerca de uma hora para chegarmos, entramos e Konstantin vai verificar sua esposa e vê se tudo já está pronto. Eu vou conversar com Patrícia, preciso convencê-la de vir conosco. Entro na cozinha onde ela prepara um sopa de carne, o cheiro está ótimo.
Nikolay: Tia, como a senhora está ? –– Me aproximo dando um beijo em sua testa.
Patrícia, já é uma senhora. Tem quarenta e nove anos, cabelos começando a ficar grisalhos. Rosto afilado e olhos pequenos, magra e alta, assim como Kon.
Patrícia: Eu estou bem meu filho! E você ? – Ela fala com sua voz doce.
Nikolay: Eu poderia estar melhor, se a senhora não tivesse se recusando a ir com os outros. A senhora sabe que aqui, corre grande perigo.
Patrícia: Não vou falar sobre isso! Eu não vou e ponto final... Eu nasci e me criei aqui, Kolya. Como eu poderia abandonar minha cidade ? –Ela fala, visivelmente triste.
Nikolay: Não será para sempre, é só por um tempo. Só até às coisas se acalmarem.
Patrícia: Eu não pedi para meu filho, ser assim. Certo, eu apoiei no início ... Mas não queria que as coisas chegassem a esse ponto. Eu não queria que ele tivesse conhecido seu pai.
Ela fala com grande pesar e ela tem razão. Nascer nessa família é a pior desgraça, mas também é uma benção. Somos unidos, sem traições... Somos todos por um, mas ela nunca entenderia. Já que meu pai a fez sofrer tanto, a abandonado grávida.
Nikolay: Tia, por favor! Poderemos te colocar em uma outra casa se preferir Na antiga casa de vocês. Mas por favor, venha. –Ele súplica.
Patrícia: Se você tocar nesse assunto outra vez, te jogo para fora daqui agora.
Ela diz em um tom bem humorado, mas as lágrimas inundam seus olhos.
Patrícia: Vem aqui, menino bonzinho. Me dê um abraço!
Nikolay: Não me chame assim, por favor. – Falo sorrindo.
Patrícia: Eu sempre soube, que dos três irmãos você é o mais puro.
Nikolay: Obrigado, tia.
Nos soltamos do seu abraço de leoa e Kon entra já debatendo com ela.
Konstantin: Mãe, sinto muito mas você vai com as crianças ... – Mas ela o corta.
Patrícia: Se não quiser sair daqui debaixo de porrada, é melhor calar essa boca. Eu já disse que não vou.
Eu saio para a sala. Isso não é um assunto que me interesse! Eu sei como a mãe de Kon é cabeça dura. Convencer ela, vai ser a mesma coisa que dar murro em ponta de faca. Eu sigo de volta para a sala, onde a minha princesa dorme no sofá. Tudo já está pronto e o jatinho também, agora é só partir. Me aproximo da coisa mais linda que a vida me deu, minha sobrinha e afilhada. Eu sorrio ao vê-la parecendo um anjinho, tão linda. Cabelos loiros como de um anjo querubim, pele pálida como uma russa pura.
Ela não se parece com a mãe e sim com o Kon, toda beleza dela é do meu irmão. Apesar de eu ser um russo também, tenho os cabelos bem pretos, minha mãe é mexicana. Então eu lembro muito ela, do meu pai eu puxei apenas a cor pálida. Quando me abaixo perto dela, um tiro rompe a porta de vidro. E ela levanta assustada, até eu me assusto. Camile corre para a sala e eu coloco Kalynne no chão.
Nikolay: Apaga a luz, Camile. Apaga! –Grito para ela que faz o mesmo e corre para perto da filha.
Eu corro para a enorme janela e revido. Não sei qual é a situação, mas não estamos em grande número e isso pode ser um enorme problema. Os tiros se intensificam e é cada vez mas perto.
Nikolay: Corre cunhada, eu te dou cobertura. –Me coloco a colete das duas, mas logo lembro. Onde está o maldito do meu irmão ?
Saímos dali e entramos no enorme corredor, Kalynne reclama do barulho enquanto corro com ela nos meus braços. Camile nos segue e Yakov faz a nossa proteção por trás. Conseguimos chegar a área de trás, mas os tiros continuam. Ainda bem que ainda temos uns homens de pé, para ganhar tempo enquanto fugimos para o heliponto adentro a propriedade.
Olho desesperadamente, a procura de Konstantin. Quando o vejo de longe, dando tudo de si para nos proteger
Mais ainda prefiro que ele leve sua família e eu assuma as rédeas. Quando saímos a céu aberto, próximo ao ponto do helicóptero somos surpreendido por mais três filhos da puta e a bizarra Eleonor Riveros, um caso do meu irmão que nunca superou o término.
Konstantin: Vamos dar cobertura para Camile e as crianças correrem, com Marcos e Vinícius. Enquanto eu, você e Yakov cobrimos.
Nikolay: Tudo bem! –Ele faz sinal e assumimos nossas posições, como um colete a prova de balas para a família dele.
Gael, segurança pessoal de Kalynne corre com ela nos braços. Os outros eu não vejo. Eles conseguem passar e continuamos a atirar, ainda temos dois deles vivos. Mais um grito estridente, ecoa nos meus ouvidos.
Kalynne: Papaiii!!! –– De alguma forma, Kalynne vem correndo no meio do tiroteio.
Eu não tenho de pensar, apenas matar o filho da mãe que está mirando nela, enquanto ela corre em nossa direção. Konstantin corre até ela, a segurando quando um tiro mais veloz é disparado em direção a eles e eu o vejo cair os dois abraçados no chão diante dos meus olhos. Yakov reage acertando um tiro em cheio bem no meio da cara do desgraçado e o outro foge, enquanto eu corro para verificar a situação dos dois.
Olho para aquele pequeno anjo, com sua barriga coberta de sangue. E eu viro meu irmão vendo que a dele também. Verifico e ela está bem, mas o tiro pegou em Konstantin. Menos mal, somos acostumados e ele se trata depois, está ótimo. Quando a adrenalina fala mais alto, ele levanta correndo com ela e nós fazemos o mesmo. Chegamos ao helicóptero quando Thiago vem correndo. Thiago é responsável por uma equipe que verifica as câmeras de segurança.
Thiago: Patrão. –Ele grita, enquanto corre se aproximando. – A sua mãe não quis vim.
Congelamos e falamos em uníssono.
Konstantin: O que ?
Nikolay: O que ?
Konstantin: Como você deixou minha mãe lá, seu maluco ? – Ele grita.
Nikolay: Vamos buscá-la. –Falo sem pensar duas vezes.
E ele assenti, autorizando a partida do helicóptero. Voltamos por trás para encontrar Patrícia. Corremos como loucos, o ruim de propriedade muito grande é isso, tudo demora a chegar. Mas também há mais lugar para se esconder.
Eles descem correndo a escadaria que leva para a cozinha, ela é na parte mais baixa da casa e fica em frente ao porão. Patrícia escuta os passos correndo em sua direção e logo se prepara para o ataque, pegando seu rifle e o alimentando. Ela aponta em direção para a escada.
Patrícia: Parece que eles vem aí, pois eles vão me encontrar. –Diz ela, com ódio.
Quando eles passam pela entrada da cozinha, ela atira. Kolya e Kon se abaixam gritando.
Nikolay: Somos nós, ô mulher. –Ele cai assustado na escada.
Konstantin: Mãe, somos nós. –Ele grita também abaixado.
Patrícia: Mas o que diabos vocês estão fazendo aqui ?
Eles se aproximam.
Konstantin: Ou a senhora vem com a gente, ou vamos morrer todos aqui.
Patrícia: Eu já disse que não vou! – Diz ela, em um tom exagerado. Mas muda ao ver a camisa de Konstantin, com sangue.
Patrícia: O que aconteceu ? –Ela fala preocupada.
Konstantin: Não foi nada.
Nikolay: Vamos, vamos... –Ele sai a puxando e Konstantin atrás.
Patrícia: O que aconteceu ?
Konstantin: No caminho a gente explica.
E eles saem correndo, fazendo o mesmo trajeto de onde vieram.