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Sua Mentira Estéril, Seu Útero Despedaçado

Sua Mentira Estéril, Seu Útero Despedaçado

Autor:: Xiang Si
Gênero: Moderno
Durante seis anos, suportei a família do meu marido, Davi, me humilhando por meu útero infértil. Passei por inúmeros e dolorosos tratamentos de fertilidade, me apegando às suas promessas de que um dia teríamos um filho. Então, vi a foto em sua rede social secreta: Davi, com o braço ao redor da minha "coach de bem-estar", Bruna, com a barriga redonda da gravidez do "pequeno milagre" deles. A confrontação foi um pesadelo. Bruna me empurrou, e fui deixada sangrando no chão enquanto Davi a levava às pressas para o hospital. Mais tarde, minha própria família me disse para aceitar o caso por causa das despesas médicas do meu irmão, que a família de Davi pagava. Davi chegou a me dar um tapa por ousar chamar Bruna de mentirosa. Mas o verdadeiro horror veio em uma mensagem de Bruna. Ela se gabou de que Davi vinha sabotando meus tratamentos o tempo todo. Ele me fez acreditar que eu era o problema, apenas para poder me substituir. Minha esperança se transformou em gelo. Eu os encontrei comemorando em uma suíte de hotel. Quando Davi estendeu a mão para mim, encarei seu olhar aterrorizado e me joguei da imponente escadaria. Minha vida havia acabado, e eu os estava levando comigo para o inferno.

Capítulo 1

Durante seis anos, suportei a família do meu marido, Davi, me humilhando por meu útero infértil. Passei por inúmeros e dolorosos tratamentos de fertilidade, me apegando às suas promessas de que um dia teríamos um filho.

Então, vi a foto em sua rede social secreta: Davi, com o braço ao redor da minha "coach de bem-estar", Bruna, com a barriga redonda da gravidez do "pequeno milagre" deles.

A confrontação foi um pesadelo. Bruna me empurrou, e fui deixada sangrando no chão enquanto Davi a levava às pressas para o hospital. Mais tarde, minha própria família me disse para aceitar o caso por causa das despesas médicas do meu irmão, que a família de Davi pagava. Davi chegou a me dar um tapa por ousar chamar Bruna de mentirosa.

Mas o verdadeiro horror veio em uma mensagem de Bruna. Ela se gabou de que Davi vinha sabotando meus tratamentos o tempo todo. Ele me fez acreditar que eu era o problema, apenas para poder me substituir.

Minha esperança se transformou em gelo. Eu os encontrei comemorando em uma suíte de hotel. Quando Davi estendeu a mão para mim, encarei seu olhar aterrorizado e me joguei da imponente escadaria. Minha vida havia acabado, e eu os estava levando comigo para o inferno.

Capítulo 1

Alice Barros POV:

Eu vi a foto, um ultrassom borrado emoldurado pelo sorriso orgulhoso de Davi e o rosto radiante de outra mulher, e meu mundo inteiro implodiu ali mesmo, na tela do meu celular.

Por seis anos, a fortuna da família Medeiros pareceu um cobertor sufocante, especialmente quando se tratava do herdeiro deles. Cada jantar, cada pergunta educada sobre meu "progresso", cada sorriso forçado de Gisele, a mãe de Davi, era um lembrete do meu útero infértil. Eu havia suportado inúmeros tratamentos de fertilidade, cada um uma nova agressão ao meu corpo e à minha esperança. Davi segurava minha mão durante os procedimentos dolorosos, sussurrando promessas de um futuro com filhos, um futuro que agora me encarava zombeteiramente de uma postagem em uma rede social.

Foi ele quem iniciou, a ideia de uma "coach de bem-estar". Ele disse que queria que eu me sentisse melhor, que o estresse dos tratamentos estava cobrando seu preço. "A Bruna Rocha é incrível, Alice", ele disse, sua voz suave como veludo. "Ela me ajudou a controlar meu estresse na faculdade. Ela vai te fazer bem." Lembro-me de sentir uma onda de gratidão na época, um desejo desesperado por seu afeto. Bruna, sua antiga paixão da faculdade, tornou-se minha sombra, guiando minha dieta, meus exercícios, minha meditação. Ela era tão gentil, tão compreensiva. Sempre tinha uma mão reconfortante em meu braço, um olhar de cumplicidade.

Sob a tutela de Bruna, eu realmente me senti melhor. Meus ciclos se regularam, minha energia voltou, uma calma estranha se instalou em mim. Houve um breve e inebriante período de esperança. Meu médico até comentou sobre as mudanças positivas, sugerindo que estávamos à beira de um avanço. Lembro-me de ligar para Davi, com lágrimas de alegria nos olhos, dizendo que me sentia mais forte, mais pronta do que nunca. Ele pareceu genuinamente feliz, sua voz carregada de uma emoção que agora eu sabia ser uma mentira. "Isso é maravilhoso, meu amor", ele disse. "Eu sabia que a Bruna era a escolha certa."

Então, três meses depois, a postagem apareceu. Não no meu feed, não na página oficial de Davi, mas em uma conta secundária que eu raramente verificava, uma que ele usava para "atualizações pessoais" com amigos. Era uma foto dele, com o braço em volta de Bruna, a mão dela embalando suavemente sua barriga visivelmente arredondada. A legenda dizia: "Nosso pequeno milagre está a caminho. Tão abençoado." Minha respiração falhou, uma dor fria e aguda rasgando meu peito. Meu milagre? Ou o milagre deles?

Meus dedos, trêmulos, navegaram até a página de Bruna. Era pública, uma linha do tempo cuidadosamente curada de sua "jornada de bem-estar". Mas então eu vi: uma série de transferências de dinheiro da conta de Davi, meticulosamente datadas, coincidindo com suas sessões de "coaching de bem-estar". E sob uma foto de um elaborado chá de bebê, um comentário de Davi: "Mal posso esperar para conhecer nosso filho, B. Você vai ser uma mãe incrível. Te amo." As palavras foram como um golpe físico, cada uma ecoando a traição.

Meu mundo se estilhaçou. A esperança, os tratamentos, a dor, a pressão – tudo se fundiu em uma única e insuportável agonia. Minhas mãos voaram para o meu estômago, uma dor oca que espelhava o vazio dentro de mim. Eu queria gritar, explodir, mas uma calma arrepiante desceu em vez disso. Eu sabia o que tinha que fazer. A decisão foi agonizante, nascida de um lugar de devastação absoluta.

Ouvi a porta da frente se abrir, os passos familiares de Davi ecoando pelo grande salão. Ele chamou meu nome, sua voz alegre, alheia. Endireitei a coluna, forçando uma compostura que não sentia. Ele entrou na sala de estar, um breve sorriso no rosto, mas morreu ao me ver, de pé, rígida, com o celular na mão.

"Alice? O que há de errado?", ele perguntou, a testa franzida, uma preocupação ensaiada em seus olhos.

Minha voz era plana, desprovida de emoção. "Eu quero o divórcio, Davi."

Seu sorriso desapareceu completamente, substituído por pânico total. "Divórcio? Do que você está falando? Você está se sentindo bem?" Ele deu um passo em minha direção, a mão estendida.

Recuei como se estivesse queimada. "Não me toque." Minha voz era um sussurro, mas carregava o peso de mil lágrimas não derramadas.

Ele parou, a mão caindo ao lado do corpo. "Alice, por favor, vamos conversar sobre isso. Você está chateada. É... é sobre os tratamentos de fertilidade de novo? Eu sei que é difícil, mas vamos superar isso." Ele tentou soar reconfortante, mas seus olhos corriam pela sala, traindo seu desconforto.

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. "Ah, nós vamos 'superar isso', Davi? É assim que você chama? Enquanto você está ocupado fazendo 'milagres' com sua 'coach de bem-estar'?"

Seu rosto empalideceu. "Do que você está falando? A Bruna é só... ela está te ajudando." Sua voz vacilou, um sinal revelador.

"Só me ajudando?", ecoei, minha voz subindo. "É assim que você chama engravidá-la enquanto supostamente me ajudava a engravidar? É assim que você chama trocar mensagens íntimas e transferir vastas somas de dinheiro para a conta dela?"

Seus olhos se arregalaram, um lampejo de medo substituindo a confusão fingida. "Alice, você está enganada. Não há nada... quer dizer, Bruna e eu, somos apenas amigos. E o dinheiro, foi para terapias avançadas, suplementos especiais para você."

"Suplementos especiais?" Minha voz estava carregada de puro veneno. "Como aquele que resultou na gravidez dela? Aquele que você anunciou nas redes sociais, embalando a barriga dela como um pai orgulhoso?" Eu empurrei o telefone para frente, a tela brilhante exibindo a prova condenatória.

O rosto de Davi perdeu toda a cor, sua mandíbula frouxa. Ele olhou para a foto, depois para mim, seus olhos arregalados com uma mistura de choque e culpa.

"Você me dá nojo, Davi", sussurrei, as palavras rasgando minha garganta. "Cada toque, cada beijo, cada momento que compartilhamos foi uma mentira. Você não é apenas um traidor; você é um monstro."

Capítulo 2

Alice Barros POV:

"É seu?" Minha voz era quase um sussurro, mas cortou o silêncio da sala. "Essa criança, dentro dela, é sua?"

Davi se encolheu, um tremor visível percorrendo seu corpo. Ele deu outro passo hesitante, buscando minha mão. "Alice, por favor, não vamos tomar decisões precipitadas. Podemos conversar sobre isso. Podemos consertar isso."

Puxei minha mão, uma onda visceral de repulsa me invadindo. "Consertar isso?" Minha voz falhou, as lágrimas finalmente brotando em meus olhos. "Não há nada para consertar, Davi. Está quebrado. Irreparavelmente. Eu quero o divórcio."

Meu corpo inteiro tremia, um calafrio violento que não tinha nada a ver com o frio. Era o choque, a traição, a magnitude pura de seu engano. Seis anos. Seis anos da minha vida, minhas esperanças, minha dignidade, tudo transformado em uma piada cruel. Bruna. Claro. Não foi um caso qualquer. Davi e Bruna tiveram algo na faculdade, um romance apaixonado e volátil que todos pensavam ter acabado em chamas. Mas incêndios, eu percebi agora, podiam reacender.

"Você voltou para ela", engasguei, as palavras presas na garganta. "Você voltou para sua namoradinha da faculdade e fez um bebê com ela enquanto eu estava derramando meu coração e alma tentando conceber nosso filho. Enquanto eu estava tomando aquelas pílulas, suportando aquelas injeções, deixando os médicos me cutucarem e me examinarem, acreditando em nós."

"Não, Alice, não foi assim!" A voz de Davi estava rouca. Ele caiu de joelhos, um baque nauseante contra o chão de mármore polido. Sua mão voou para cima, atingindo sua própria bochecha, um som agudo e seco. "Por favor, Alice, me perdoe! Foi um erro! Um erro terrível e imperdoável, eu sei, mas eu juro... eu te amo! Você é minha esposa! Aquele bebê... não significa nada! Eu posso fazer ela se livrar dele, Alice, eu juro! Apenas, por favor, não me deixe!" Ele se bateu de novo, mais forte desta vez, seus olhos suplicantes.

Meu estômago se revirou. A visão dele, se humilhando, se autoflagelando, era grotesca. "Se livrar dele?", zombei, um som amargo e oco. "Então, você sacrificaria seu próprio filho apenas para manter essa farsa? Apenas para evitar enfrentar as consequências de suas ações?" A ironia era profunda. Ele podia descartar uma vida tão facilmente, uma vida que ele criou, quando se tornou inconveniente. No entanto, por seis anos, ele me viu sofrer, ansiando por um filho que ele secretamente sabia que já estava criando com outra pessoa.

Ele olhou para mim, seus olhos avermelhados e injetados. "Foi... foi porque você não podia me dar um filho, Alice. Minha mãe, a família... a pressão era imensa. Eu precisava de um herdeiro. E a Bruna... ela estava lá. Foi um momento de fraqueza, eu juro."

A amargura se transformou em um ácido escaldante na minha garganta. Ele me culpou? Minha infertilidade, minha luta, era a justificativa para sua traição? A ideia de que ele poderia usar minha dor mais profunda como desculpa para suas ações abomináveis era uma ferida nova e mais profunda. Minha mente correu, juntando momentos, percebendo a linha do tempo. Bruna começou como minha coach há pouco mais de três meses. Quando o "momento de fraqueza" aconteceu? Enquanto ela me treinava? Enquanto eu estava vulnerável, esperançosa, confiante?

"Eu não posso acreditar nisso", sussurrei, as palavras quase inaudíveis. "Você quer um herdeiro, Davi? Então você tem um. Com a Bruna. Considere seu desejo realizado. Estou indo embora. Você pode ter seu herdeiro e sua 'coach de bem-estar'. Estou fora." Minha voz era plana, oca, desprovida de qualquer sentimento além de um profundo cansaço.

Os olhos de Davi se arregalaram novamente, cheios de uma nova onda de terror. "Não! Alice, não, você não pode!" Ele se levantou de um salto, correndo em direção a um abridor de cartas decorativo em sua mesa. Antes que eu pudesse reagir, ele cravou a lâmina afiada e ornamentada em seu antebraço, arrancando um suspiro de mim enquanto o sangue imediatamente florescia em sua camisa branca impecável. "Olha! Olha o que você está me fazendo fazer, Alice! Eu não posso viver sem você! Eu vou morrer se você me deixar!"

Um grito estridente cortou o ar. "Davi! O que você está fazendo?!"

Bruna.

Ela invadiu a sala, o rosto pálido, a mão voando para a boca. Seus olhos, arregalados de horror, saltaram do braço sangrando de Davi para o meu rosto atordoado. "Sua monstra! O que você fez com ele?!", ela gritou, sua voz inesperadamente forte apesar de sua aparente angústia.

Antes que eu pudesse processar suas palavras, ela estava em cima de mim. Suas mãos, surpreendentemente poderosas, me empurraram com força no peito. Cambaleei para trás, minha cabeça batendo na quina afiada de um pesado aparador antigo. Uma dor lancinante explodiu atrás dos meus olhos, e senti um líquido quente e pegajoso escorrendo pelo meu pescoço. Minhas pernas cederam, e eu desabei no chão, vagamente ciente do barulho do abridor de cartas caindo da mão de Davi.

Minha visão embaçou, a sala girando. Eu podia ouvir a voz frenética de Davi, mas não era dirigida a mim. "Bruna! Você está bem? Você se machucou?" O chão parecia frio sob mim, e o mundo começou a desaparecer.

Capítulo 3

Alice Barros POV:

Minha cabeça latejava, uma dor surda e insistente que rapidamente se transformou em uma dor ofuscante. Enquanto minha visão tremeluzia, vi Bruna agarrando o estômago, um suspiro teatral escapando de seus lábios. Estava claro que ela estava se fazendo de vítima, exagerando qualquer desconforto menor que sentiu com o impacto da minha queda, se é que sentiu algum. Davi, alheio ao sangue que escorria da minha própria cabeça, correu para o lado dela, seu rosto uma máscara de preocupação frenética.

"Bruna, querida, você está bem? O bebê? Meu filho?", ele gaguejou, suas mãos pairando ao redor dela, sem ousar tocar. O medo em sua voz era palpável, um contraste gritante com o olhar distante, quase indiferente, que ele me dera momentos antes.

Ele a pegou no colo, seus movimentos surpreendentemente rápidos, e foi em direção à porta. Ao passar por mim, deitada no chão de mármore frio, ele parou por uma fração de segundo. "Alice, eu... eu vou mandar alguém voltar para te buscar. Precisamos levar a Bruna para o hospital." Ele não olhou para mim, seu olhar fixo no rosto pálido e triunfante de Bruna. Suas palavras eram ocas, a preocupação um verniz fino sobre sua necessidade desesperada de proteger sua nova família. Então ele se foi, seus passos ecoando pelo corredor e para fora de casa.

Deixada sozinha, o silêncio na sala era ensurdecedor, pontuado apenas pela pulsação rítmica na minha cabeça e pelo som da minha própria respiração irregular. Minha mão, quando a levantei cautelosamente, voltou coberta de sangue. Um corte grande, percebi, provavelmente estava aberto na parte de trás do meu crânio. A dor irradiava por todo o meu corpo, fazendo cada músculo gritar em protesto enquanto eu tentava me levantar. Era inútil. Minha visão turvou, e uma onda de náusea me invadiu.

Um pensamento desesperado e irracional arranhou minha mente. E se eu não a tivesse empurrado? E se ele realmente tivesse me escolhido? E se ele tivesse sacrificado o bebê por mim? Era uma esperança tola e fugaz, nascida de anos de amá-lo. Mas então eu vi seu rosto, o medo cru por ela e pelo bebê deles, a maneira como ele a embalou, como ele rapidamente se esqueceu de mim. Ele nem sequer olhou para mim de verdade. Minha esperança, frágil como era, murchou e morreu.

Uma única lágrima, fria e cortante, traçou um caminho através do sangue e da sujeira em minha bochecha. Tinha acabado. Realmente acabado.

Alguns minutos depois, que pareceram uma eternidade, os sons abafados da equipe da casa ficaram mais altos. A Sra. Joana, nossa governanta de longa data, entrou, seu rosto empalidecendo para um branco fantasmagórico quando me viu. "Sra. Barros! Meu Deus! O que aconteceu?" Sua voz estava carregada de alarme genuíno, um contraste gritante com a dispensa apressada de Davi.

As horas seguintes foram um borrão de luzes piscando, vozes urgentes e mais dor lancinante. Lembro-me de ser cuidadosamente levantada em uma maca, os solavancos enviando novas ondas de agonia pela minha cabeça. A viagem de ambulância foi uma cacofonia de sirenes e a conversa silenciosa e eficiente dos paramédicos.

"Davi Medeiros, certo?", ouvi um deles dizer, um murmúrio baixo perto da minha cabeça. "O bilionário. Ouvi dizer que a ex-namorada dele, Bruna Rocha, está grávida do filho dele. Grande escândalo."

"É, o boato é que a esposa, Alice, era infértil. Deve ser por isso que ele voltou para a antiga paixão."

Suas palavras, casuais e insensíveis, martelaram em minha mente já fraturada. Então, a história já havia se espalhado. A narrativa já estava formada. Eu era a esposa estéril, facilmente substituível. A dor na minha cabeça não era nada comparada à agonia fresca que essas palavras infligiram ao meu coração.

Na sala de cirurgia, as luzes brilhantes acima pareciam queimar minhas retinas, mesmo através das minhas pálpebras fechadas. Cada ponto, cada limpeza antisséptica, parecia uma nova traição. Meu corpo estava dormente, mas minha mente era um campo de batalha de sonhos desfeitos e raiva ardente.

Justo quando a anestesia começou a me puxar para um esquecimento nebuloso, ouvi vozes familiares do lado de fora da sala de recuperação. Uma cacofonia de sussurros abafados e tons agudos. Quando finalmente recuperei totalmente a consciência, grogue e desorientada, o primeiro rosto que vi foi o de Gisele Medeiros, seus lábios finos em uma linha severa.

"Alice, sério", ela começou, sua voz fria como gelo, desprovida de qualquer preocupação genuína com meu bem-estar. "Você precisa mesmo ser tão dramática? Causando uma cena dessas, se machucando no processo. E a Bruna, coitada, está em estado de choque. Carregando o filho de Davi, nosso herdeiro, e você a faz passar por isso." Ela nem sequer reconheceu as bandagens em volta da minha cabeça. Seus olhos, em vez disso, estavam fixos em algum ponto além de mim, como se eu fosse apenas um obstáculo incômodo. "Você sabia o que se esperava de você quando se casou com esta família. Uma linhagem forte, um legado. Você falhou em fornecer isso. Você realmente achou que Davi não procuraria em outro lugar?"

Minha própria mãe, de pé ao lado de Gisele, torcia as mãos. "Alice, querida", disse ela, sua voz pingando falsa simpatia. "Seu pai e eu entendemos que isso é difícil, mas a Sra. Medeiros está certa. Você precisa pensar na família, no pobre Davi. Ele está tão angustiado. E o seu irmão, Marcos? As despesas médicas dele... os Medeiros têm sido tão generosos." Seus olhos suplicavam, um olhar desesperado que gritava sobre a alavancagem financeira que os Medeiros tinham sobre minha família. Eles precisavam do dinheiro para o tratamento especializado de Marcos, e eu era o peão deles.

Meu padrasto interveio: "Sim, Alice. Não seja egoísta. Você se casou com uma família poderosa. Essas coisas acontecem. Davi é um bom homem. Você precisa fazer as pazes com isso."

Meu pai, geralmente quieto, acrescentou seu próprio suspiro de decepção. "Nós sempre te ensinamos a ser sensata, Alice. Não jogue tudo fora por... por uma explosão emocional."

Um após o outro, eles se amontoaram, suas palavras como pedras atiradas em meu espírito já quebrado. Nenhum deles perguntou sobre meu ferimento. Nenhum deles mostrou um pingo de preocupação genuína por mim. Era tudo sobre Davi, Bruna, o bebê, o legado da família, o dinheiro, o inconveniente que eu havia causado. Eu não era nada além de um recipiente, um quebrado, e agora eu era um problema.

Lágrimas quentes escorreram por minhas têmporas, ardendo na ferida da minha cabeça. Eu estava completamente sozinha.

Então, uma voz, crua e embargada de emoção, cortou o barulho. "Parem! Todos vocês, apenas parem!" Era Davi. Ele estava na porta, o rosto pálido, os olhos injetados, o braço ainda enfaixado. "A culpa é minha. De tudo. Deixem a Alice em paz."

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