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Sua Obsessão Cruel, a Agonia Dela

Sua Obsessão Cruel, a Agonia Dela

Autor:: Loretta
Gênero: Horror
Meu irmão mais novo, Ernesto, estava amarrado a uma cadeira de metal, convulsionando, seu rosto um azul fantasmagórico. Eu estava de joelhos, implorando a Caio Alcântara, o homem que um dia amei, para parar. Ele olhou para mim de cima, seu rosto bonito uma máscara de fria indiferença, e me ofereceu uma escolha: cem chibatadas para mim, ou Ernesto tomaria o meu lugar. Ele disse que Isabela, a mulher que era a minha cópia e por quem ele agora estava obcecado, precisava ser acalmada. Ele a chamava de sua "terapia", alegando que minha desobediência a perturbava. Eu o lembrei que Ernesto tinha fibrose cística, seu corpo já tão fraco, mas Caio zombou, dizendo que a dor dele era muito maior. Ernesto, mal consciente, sussurrou: "Não... não faça isso por mim." Mas eu concordei com o chicote, apenas pela medicação dele. A expressão de Caio se suavizou, me puxando para uma cruel ilusão de segurança. Então, seu sorriso desapareceu. "Você entendeu errado", ele sussurrou, seus olhos brilhando. "Você não escolhe quem leva a punição. Você só concorda com ela." Ele apontou para Ernesto. "Ele vai levar as chibatadas por você." Eu gritei, lutando para proteger meu irmão, mas Caio me segurou com força, pressionando meu rosto contra seu peito. Eu não podia ver, mas ouvi tudo: o estalo agudo do chicote, o baque surdo e doentio, o gemido sufocado de Ernesto. De novo e de novo. O homem que eu amava era um monstro, encontrando prazer na minha dor.

Capítulo 1

Meu irmão mais novo, Ernesto, estava amarrado a uma cadeira de metal, convulsionando, seu rosto um azul fantasmagórico. Eu estava de joelhos, implorando a Caio Alcântara, o homem que um dia amei, para parar.

Ele olhou para mim de cima, seu rosto bonito uma máscara de fria indiferença, e me ofereceu uma escolha: cem chibatadas para mim, ou Ernesto tomaria o meu lugar.

Ele disse que Isabela, a mulher que era a minha cópia e por quem ele agora estava obcecado, precisava ser acalmada. Ele a chamava de sua "terapia", alegando que minha desobediência a perturbava. Eu o lembrei que Ernesto tinha fibrose cística, seu corpo já tão fraco, mas Caio zombou, dizendo que a dor dele era muito maior.

Ernesto, mal consciente, sussurrou: "Não... não faça isso por mim." Mas eu concordei com o chicote, apenas pela medicação dele. A expressão de Caio se suavizou, me puxando para uma cruel ilusão de segurança.

Então, seu sorriso desapareceu. "Você entendeu errado", ele sussurrou, seus olhos brilhando. "Você não escolhe quem leva a punição. Você só concorda com ela." Ele apontou para Ernesto. "Ele vai levar as chibatadas por você."

Eu gritei, lutando para proteger meu irmão, mas Caio me segurou com força, pressionando meu rosto contra seu peito. Eu não podia ver, mas ouvi tudo: o estalo agudo do chicote, o baque surdo e doentio, o gemido sufocado de Ernesto. De novo e de novo. O homem que eu amava era um monstro, encontrando prazer na minha dor.

Capítulo 1

O ar na sala branca e estéril era denso com o cheiro metálico de sangue e desinfetante. Ernesto, o irmão mais novo de Alina, estava amarrado a uma cadeira de metal, seu corpo convulsionando. Um tubo fino saía de uma máquina e entrava em seu braço, mas em vez de um remédio que salvaria sua vida, estava administrando uma dor excruciante. Seu rosto, já pálido por sua doença crônica, agora tinha um tom azulado fantasmagórico.

Alina se jogou aos pés de Caio Alcântara, suas mãos agarrando o tecido fino de suas calças.

"Por favor, Caio. Pare com isso. Ele não aguenta mais."

Sua voz estava rouca, destruída por horas de gritos e súplicas.

Caio olhou para ela de cima, seu rosto bonito uma máscara de fria indiferença. Ele ajeitou o paletó de seu terno perfeitamente cortado, sem um único fio de cabelo fora do lugar.

"Parar?", ele perguntou, com a voz calma. "Eu posso. Mas você tem que fazer uma escolha."

Ele gesticulou em direção a uma pequena mesa. Sobre ela, havia um chicote de couro longo e fino. Ao lado, uma fotografia de Isabela Bastos, a mulher que era a cara de Alina, a mulher por quem Caio agora estava obcecado.

"Isabela não ficou feliz hoje", disse Caio, simplesmente. "Ela sentiu que você não demonstrou remorso suficiente por sua desobediência. Ela precisa ser acalmada."

Ele fez uma pausa, deixando o peso de suas palavras assentar. "Então, você escolhe. Ou você leva cem chibatadas com esse chicote, agora mesmo. Ou Ernesto toma o seu lugar."

Uma onda gelada de pavor tomou conta de Alina. Ela o encarou, incapaz de processar a crueldade. Este não podia ser o mesmo homem que uma vez a abraçou, que prometeu protegê-la e a sua família para sempre.

"O que você está dizendo?", ela sussurrou, seu corpo tremendo.

Caio suspirou, um lampejo de impaciência em seus olhos escuros. Ele checou seu relógio caro. "Você sabe como isso funciona, Alina. Isabela é minha terapia. Mantê-la feliz me mantém estável. Você a perturba, você é punida. É simples."

"Punida?", a voz de Alina falhou. "Você me trancou no porão por dias. Você deixou ela me esbofetear até meu rosto ficar irreconhecível. Você já fez o suficiente! Ernesto... ele tem fibrose cística, Caio! O corpo dele já é tão fraco."

Caio zombou, um sorriso sem humor torcendo seus lábios. "Minha dor é muito maior que a dele, Alina. O tormento que eu sinto quando Isabela está descontente... você não pode imaginar. Este é apenas um pequeno preço a pagar pela minha paz de espírito."

Da cadeira, os olhos de Ernesto se abriram com dificuldade. Ele viu sua irmã no chão, quebrada e desesperada.

"Alina...", ele sussurrou, um som fraco e gorgolejante. "Não... não faça isso por mim."

Lágrimas escorriam pelo rosto de Alina. Ela olhou de seu irmão sofredor para o homem frio e insensível à sua frente. Ela se arrastou para mais perto de Caio, pressionando a testa em seus sapatos de couro caros.

"Por favor, Caio", ela implorou. "Direcione tudo para mim. O que quer que ela queira, eu farei. Apenas deixe-o ir. Por favor."

Caio se abaixou e agarrou um punhado de seu cabelo, puxando sua cabeça para trás. Seu couro cabeludo gritou em protesto, mas ela não emitiu um som. O aperto dele era como ferro.

"Você tem sessenta segundos para decidir", ele disse, sua voz baixa e ameaçadora. "Depois disso, a escolha será feita por você."

O relógio na parede тикава, cada segundo uma martelada contra a sanidade de Alina. Ela olhou para Ernesto, cuja respiração estava se tornando mais superficial, mais errática. Ela não podia deixá-lo morrer. Não podia.

"Eu... eu concordo", ela engasgou, as palavras com gosto de cinzas em sua boca.

O som era pouco mais que um sussurro, um fragmento quebrado de sua voz.

"Eu concordo com o chicote", ela repetiu, um pouco mais alto, forçando as palavras a passarem pelo nó de terror em sua garganta. "Só... só garanta que Ernesto receba sua medicação de verdade. Prometa-me."

A expressão de Caio se suavizou instantaneamente. O monstro desapareceu, substituído pelo homem amoroso que ela conhecera. Ele se ajoelhou, puxando-a para seus braços.

"Claro, meu amor", ele murmurou em seu cabelo. "Tudo vai ficar bem. Eu só precisava saber que você ainda me amava o suficiente para fazer a escolha certa."

Ele a segurou por um momento, seu abraço quente e familiar, uma cruel ilusão de segurança. Era uma mentira. Ela sabia que era uma mentira.

Ele se afastou, seu polegar limpando gentilmente uma lágrima de sua bochecha. Então seu sorriso desapareceu, substituído por um olhar assustadoramente plácido.

"Fico feliz que você concordou", ele disse, sua voz caindo para um sussurro. "Isso torna tudo muito mais fácil."

Ele se levantou, virando-se para os guardas que estavam perto da porta.

"Mas você entendeu errado", ele continuou, seus olhos brilhando com uma luz terrível e escura. "Você não escolhe quem leva a punição. Você só concorda com ela."

Ele apontou um dedo para Ernesto. "Ele vai levar as chibatadas por você. É mais apropriado, não acha? Você desobedeceu, e sua maior fraqueza paga o preço. Essa é a lição."

Um guarda caminhou até a mesa e pegou o chicote. O couro sibilou ao ser desenrolado.

O sangue de Alina gelou. "Não!"

Ela se levantou de um salto, tentando correr para seu irmão, para protegê-lo com seu próprio corpo.

Mas Caio foi mais rápido. Ele a pegou, seus braços envolvendo sua cintura como faixas de aço, prendendo-a no lugar.

"Não", ele sussurrou em seu ouvido, seu hálito quente contra sua pele. "Eu não quero que você veja isso. Seria muito perturbador."

Ele a virou, forçando seu rosto contra o peito dele, abafando seus gritos contra sua camisa cara. Ele a segurou com força, uma espectadora forçada a ouvir o show que ele havia orquestrado.

Ela não podia ver, mas podia ouvir tudo.

O estalo agudo do chicote cortando o ar.

O baque surdo e doentio dele pousando no corpo frágil de seu irmão.

Um gemido sufocado de dor de Ernesto.

Estalo. Baque. Gemido.

De novo e de novo.

Os sons perfuravam seu cérebro, cada um uma nova onda de agonia. Ela lutou contra o aperto de Caio, suas unhas cravando em suas costas, mas ele era imovível.

Seu corpo amoleceu, sua força se esvaindo até que ela não passava de um destroço trêmulo e soluçante em seus braços. O homem que a segurava, o homem que ela um dia amou mais que a própria vida, era um estranho. Um monstro que encontrava prazer em sua dor.

Capítulo 2

Alina Garcia era uma musicista de um bairro operário na Zona Leste de São Paulo. Caio Alcântara era um bilionário do Vale do Silício que apareceu em sua vida como um príncipe de conto de fadas.

Ele não apenas a amava; ele havia salvado sua família. Quando a fibrose cística de seu irmão Ernesto piorou, Caio pagou pelos melhores médicos, pelos tratamentos experimentais mais caros, uma fortuna gasta sem pensar duas vezes. Ele alugou uma casa grande e ensolarada para seus pais e irmão, um mundo de distância de seu apartamento apertado.

Para Alina, ele construiu um estúdio de gravação de última geração em sua luxuosa mansão no Morumbi, um palácio de vidro e aço com vista para a cidade. Ele acreditava ferozmente em seu talento, dizendo a quem quisesse ouvir que sua música mudaria o mundo.

Ela se preocupava com o vasto abismo entre suas vidas. "Eu sou apenas uma garota do bairro, Caio", ela lhe disse uma vez. "Você é... você."

Ele a silenciou com um beijo. "Você é tudo", ele disse. "E eu não sou nada sem você."

Ele havia provado isso, ou assim ela pensava. Quando o conselho de administração de sua família tentou forçá-lo a um casamento arranjado com outra herdeira da tecnologia, ameaçando expulsá-lo de sua própria empresa, Caio lutou contra eles. Ele arriscou todo o seu império, a empresa que construiu do zero, apenas para ficar com ela.

"Eu escolho você, Alina", ele declarou, parado no meio de seu pequeno estúdio, seus olhos ardendo com uma intensidade que lhe tirou o fôlego. "Eu sempre vou escolher você."

E por dois anos, ele o fez. A vida deles era um turbilhão de paixão e música. Então veio o acidente de carro. Um motorista bêbado bateu em seu carro, deixando-a com uma perna quebrada e uma recuperação longa e dolorosa. Caio insistiu que ela fosse para uma clínica especializada na Suíça, a melhor do mundo.

Enquanto ela estava fora, algo nele quebrou. Ou talvez, as partes quebradas que ele mantinha escondidas finalmente vieram à tona. Ele ficou obcecado por Isabela Bastos, uma musicista com uma fração do talento de Alina, mas uma semelhança impressionante com ela.

Quando Alina finalmente retornou, meses depois, planejando surpreendê-lo, ela entrou em seu próprio estúdio para encontrá-lo com Isabela. Caio segurava o rosto da outra mulher em suas mãos, sua expressão de adoração desesperada.

A visão estilhaçou o mundo de Alina. Ela se virou e fugiu, um grito silencioso preso na garganta.

Caio correu atrás dela, seu rosto pálido, suas mãos tremendo. Ele a alcançou no portão, puxando-a para um abraço frenético.

"Não é o que você pensa", ele implorou, sua voz rouca. "Ela é... ela é uma substituta terapêutica. Meus médicos recomendaram. Para o meu transtorno de personalidade. Eu preciso dela para funcionar, Alina. Mas é você que eu amo. Apenas você."

Era uma mentira, uma racionalização distorcida para sua infidelidade, mas ele a proferiu com tanta convicção, tanta dor em seus olhos, que ela quase acreditou. Quando ela tentou se afastar, ele esmurrou o pilar de pedra do portão, de novo e de novo, até que seus nós dos dedos eram uma polpa sangrenta.

"Não me deixe", ele chorou. "Se você me deixar, eu me mato."

Ela não suportava vê-lo daquele jeito. Ela era uma musicista, uma curadora de almas, não uma destruidora. Então ela ficou. Ela escolheu acreditar nele, confiar que isso era uma doença que ele poderia superar.

Mas só piorou. Ele continuou a ver Isabela, cobrindo-a de presentes, levando-a aos mesmos restaurantes que havia levado Alina. Ele até a trouxe para a casa deles, a mansão que deveria ser seu santuário. Ele mudou Isabela para uma suíte de hóspedes, no mesmo corredor do quarto deles.

"Me desculpe, meu amor", ele sussurrava à noite, segurando Alina com força. "Apenas seja paciente. Estou melhorando. Vou mandá-la embora em breve."

Alina suportou, agarrando-se à esperança de que o homem que ela amava voltaria para ela.

Então, em uma tarde chuvosa, ela recebeu uma ligação de sua mãe. Seu irmão, Ernesto, estava morto. Ele havia sido encontrado em seu quarto, o frasco de remédios vazio ao seu lado. Um aparente suicídio.

O mundo de Alina desabou. Ela esperava que Caio fosse sua rocha, que a segurasse enquanto ela sofria. Em vez disso, ele estava distante, sua mente claramente em outro lugar.

Uma semente de suspeita criou raízes em seu coração. Ela dirigiu até a casa de seu irmão, sua mente girando. E então ela viu. Um detalhe no relatório da polícia, um recibo de uma farmácia perto do antigo apartamento de Isabela, com data e hora do dia anterior à morte de Ernesto. Para um medicamento que, quando misturado com sua medicação regular, era fatal.

Foi então que Alina entendeu. Isso não foi uma tragédia aleatória. Foi assassinato.

Ela correu para dentro da casa, para o quarto de seu irmão, seu coração batendo com uma certeza terrível e final.

Mas o corpo na cama não era de seu irmão. Era um manequim em tamanho real, vestido com as roupas de Ernesto.

Ela encarou, sua mente lutando para compreender a cena. Uma pegadinha cruel e elaborada.

O alívio foi tão imenso, tão avassalador, que suas pernas cederam. Ela caiu no chão, soluçando, rindo, uma bagunça histérica de emoções.

Caio apareceu na porta. Ele caminhou até ela, puxando-a para seus pés.

"Eu te amo, Alina", ele disse, sua voz suave. "Eu tinha que ter certeza de que você me amava também. Que você não me deixaria, não importa o que acontecesse."

Ele a segurou perto, acariciando seu cabelo. "Mas Isabela é frágil. Ela fica com medo quando você está chateada. Você precisa ser forte por ela."

Alina o encarou, seu rosto em branco. O amor que ela sentia por ele se foi, substituído por um vazio frio e oco.

Ela se afastou e caminhou até a janela, observando-o sair. Ela não sentiu nada.

Mais tarde naquela noite, Ernesto a encontrou em seu quarto. Ele a abraçou com força, uma presença pequena e quente na casa fria e vazia.

"Ele é um homem mau, Alina", Ernesto sussurrou, sua voz tremendo. "Eu tenho medo dele."

Alina o segurou, acariciando seu cabelo. Ela não disse uma palavra.

"Eu vou te proteger", disse Ernesto, sua pequena voz cheia de uma determinação feroz que partiu seu coração. "Eu prometo."

No dia seguinte, ela o levou ao hospital para um check-up completo, apenas para ter certeza. Enquanto o médico analisava os resultados, uma decisão se formou em sua mente, dura e clara como um diamante.

Ela se lembrou das velhas promessas de Caio, seus votos de amor eterno. Eram apenas mentiras agora. Este relacionamento, esta vida, acabou. Ela iria acabar com isso. Ela iria apagar Alina Garcia da face da terra.

Capítulo 3

O cirurgião plástico, um homem com olhos gentis e mãos delicadas, traçou as linhas do rosto de Alina com uma caneta. "Uma reconstrução completa é um procedimento importante, Sra. Garcia. Traz riscos. A recuperação será longa."

Ele agendou a cirurgia para um mês depois, dando-lhe tempo para reconsiderar.

Alina não hesitou. Ela assinou os formulários de consentimento, sua mão firme. O nome 'Alina Garcia' no papel já parecia pertencer a outra pessoa.

Ela pensou no homem que uma vez arriscou seu império por ela, que jurou que preferia morrer a perdê-la. Aquele homem se foi, substituído por um monstro. Toda essa sórdida história tinha que acabar.

Ela mandou Ernesto de volta para seu internato especializado, um lugar seguro longe do alcance de Caio. Então ela voltou para a mansão sozinha.

Ela entrou e os encontrou na sala de estar. Caio estava no sofá, Isabela montada em seu colo, suas bocas travadas. Roupas estavam espalhadas pelo chão.

Isabela a viu primeiro, afastando-se com um suspiro. "Alina!"

Caio nem se virou. Ele puxou Isabela de volta para ele, sua mão deslizando sob a camisa dela. Ele estava marcando seu território, humilhando deliberadamente Alina.

Isabela riu, depois olhou para Alina com um sorriso triunfante. "Ah, a propósito", ela disse, sua voz pingando falsa doçura. "Estou grávida."

As palavras deveriam ser um golpe mortal. Mas Alina não sentiu nada. Uma calma serena e arrepiante se instalou sobre ela. Ela já era um fantasma nesta casa.

Ela se virou sem uma palavra e foi para seu estúdio, seu santuário. Este era o único lugar que Isabela estava proibida de entrar. Caio o construiu para ela, um testamento de seu amor. Agora, era apenas uma jaula.

Ela começou a destruir metodicamente tudo. Ela arrancou suas fotos das paredes, rasgando-as em pedacinhos. Ela quebrou o violão personalizado que Caio lhe dera em seu primeiro aniversário. Ela juntou cada presente, cada carta, cada lembrança de sua vida juntos.

Ela levou tudo para a lareira e acendeu um fósforo. As chamas saltaram, consumindo o passado, transformando dois anos de amor em fumaça e cinzas.

Quando tudo se foi, ela voltou para a sala de estar.

Isabela estava esperando por ela. No momento em que Alina entrou, Isabela soltou um grito agudo e se lançou sobre ela.

"Sua monstra!", Isabela gritou, suas unhas arranhando o rosto de Alina. "Você tentou matar meu bebê!"

Alina ficou paralisada, atordoada demais para reagir.

"Do que você está falando?", ela perguntou, empurrando Isabela para longe.

Caio entrou correndo, seu rosto uma máscara trovejante de fúria. Ele imediatamente foi até Isabela, embalando-a em seus braços.

"Ela colocou algo no meu chá!", Isabela soluçou, apontando um dedo trêmulo para Alina. "Ela tentou me fazer abortar!"

"Eu vou cuidar disso", Caio rosnou, seus olhos fixos em Alina. "Vou fazê-la pagar."

Ele gesticulou para uma mesa próxima. Uma xícara de chá estava de lado, um líquido escuro manchando o mármore branco. Um pequeno pacote vazio estava ao lado. Era um poderoso abortivo, Alina o reconheceu de um jornal médico que lera.

Uma estranha sensação de pena a invadiu. Pena pela criança não nascida e pela mulher tão desesperada por uma vida que não era sua.

"Eu não fiz isso, Caio", ela disse, sua voz plana. "Eu estava no estúdio o tempo todo. Você pode checar as câmeras de segurança."

Isabela soltou outro soluço de cortar o coração. "Ela está mentindo! Ela sempre teve ciúmes de mim, do bebê!"

Caio segurou Isabela com mais força, sussurrando palavras calmantes em seu ouvido. Ele olhou para Alina com ódio puro e não adulterado.

Dois de seus guardas apareceram, agarrando Alina pelos braços. Eles a arrastaram para fora da sala, para o porão frio e escuro que se tornara sua prisão.

Eles a acorrentaram à parede, o metal frio mordendo seus pulsos.

Ela fechou os olhos, a escuridão um alívio bem-vindo. Ela estava cansada de lutar, cansada da dor. O amor que sentira por Caio era uma memória distante, um eco fraco em um coração oco. Tudo o que restava era a certeza fria e dura de sua fuga.

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