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Submeta-me

Submeta-me

Autor:: Park Jhessuk
Gênero: Romance
Movida pelo descontentamento em seu relacionamento frustrado, Amala se permite ser levada por uma paixão platônica que promete preenchimento o vazio em seu coração. No entanto, seus desejos mais profundos se chocam com a brutalidade da realidade quando o tudo acaba em uma tragédia terrível.

Capítulo 1 Chama apagada

De mulher exemplar a suspeita de um crime, nada seria como antes. Ela estava apavorada, mas não tinha para onde fugir, ninguém mais acreditava em sua inocência, nem mesmo aqueles que juraram estar sempre ao seu lado. O preço que estava pagando por uma simples aventura era muito alto, jamais poderia ter imaginado esse desfecho.

Suas mãos estavam manchadas de sangue, no corpo gelado havia suas impressões digitais, todas as evidências a apontavam como culpada, mas seus lábios se declaravam inocentes. E aquilo que começou como uma simples diversão, se tornou uma situação extremamente complicada, as luzes e o som da polícia tomaram o lugar quando todas as provas a indicavam como culpada.

Dois anos antes...

Amala Banks sorria educadamente para os convidados do evento de negócios, enquanto segurava a mão de seu marido, Abel. Ela era quase perfeita, boa esposa, boa mãe e bonita, seus cabelos negros ondulados em conjunto com seus olhos âmbar eram destaque em sua pele alva. Ela parecia ter tudo o que uma mulher poderia desejar, mas por dentro ela se sentia vazia e infeliz.

Abel era um renomado advogado. Seus olhos azuis cobalto em contraste com o cabelo dourado volumoso, nariz reto, mandíbula bem delineada e lábios rosados, lhe davam uma essência um tanto angelical. De frente para todos ele era um homem incrível, bom marido e bom pai, mas na realidade ele nem mesmo enxergava Amala. Eles tinham um casamento gelado, sem amor e sem paixão. Abel estava mais interessado em seu trabalho e em sua reputação do que em sua esposa e em sua filha, Lila.

Amala se sentia sozinha e carente, mas não tinha coragem de se separar de Abel. Ela temia perder a guarda de Lila, a única pessoa que lhe dava alegria e sentido à sua vida. Ela também temia o julgamento da sociedade, que esperava que ela fosse uma esposa submissa e fiel.

Ela tentava se convencer de que era feliz, de que tinha sorte de ter um marido rico e bem-sucedido, de que não precisava de mais nada. Mas no fundo, ela sabia que estava mentindo para si mesma. Ela queria mais, ela queria viver, ela queria sentir.

A noite estava fria e escura, mas o salão do hotel brilhava com as luzes e os sorrisos dos convidados do evento de negócios. Amala estava, vestindo um elegante vestido vermelho que realçava sua beleza. Ela sorria educadamente para as pessoas que se aproximavam, mas por dentro ela se sentia vazia e infeliz.

- Querida, você está linda hoje. Eu sou um homem de sorte por ter você ao meu lado - ele disse, abraçando-a de lado, com uma voz carinhosa e falsa.

- Obrigada, meu amor - sorrindo sem jeito. - Você também está muito elegante - ela respondeu, olhando para homem que lhe segurava.

- Como fazem para manter essa harmonia? - perguntou um senhor de terno e gravata, admirado com a aparência deles.

- Ah, nós nos amamos muito. Nós nos respeitamos, nos apoiamos, nos comunicamos. Nós somos parceiros em tudo. - ele mentiu, sem hesitar, olhando nos olhos do convidado.

"Mentira. Ele só diz isso para impressionar os outros. Ele não me ama, ele não me respeita, ele não me apoia, ele não me escuta. Ele só se importa com ele mesmo" ela pensou, com amargura, olhando para o chão.

- Vamos, querida. Precisamos ir embora. Tenho um compromisso importante amanhã cedo - arrastando-a para longe dos convidados, comunicou, com uma voz autoritária e impaciente.

- Mas já? Nós acabamos de chegar. Eu queria ficar mais um pouco, conversar com as pessoas, me divertir - protestou, com uma voz fraca e desanimada.

- Não seja egoísta, Amala. Você sabe que eu trabalho duro para sustentar essa família. Você deveria ser grata por tudo o que eu faço por você. Você não tem do que reclamar. Você tem uma vida de luxo, uma casa confortável, uma filha saudável. O que mais você quer? - repreendeu, com uma voz dura e arrogante.

- Desculpe, Abel. Você tem razão. Eu não quero te atrapalhar. Vamos embora - cedeu, com uma voz triste e resignada.

- Isso mesmo, querida. Seja uma boa esposa e me obedeça - beijou-a na testa. - Você sabe que eu só quero o seu bem.

Eles saíram do salão, deixando para trás as luzes e os sorrisos. Entraram no carro, em silêncio. Seguiram para casa, sem se olhar. Chegaram ao quarto, sem se tocar. Amala tirou suas roupas e Abel a abraçou por trás, ela se deixou tocar com a mirada vazia.

O homem esfregava as mãos pelos seios e abdômen da mulher sussurrando sacanagens em seu ouvido, com a destra desce até sua vagina onde acaricia com movimentos circulares. Amala boceja, completamente entediada.

Enquanto beijava os ombros e a curvatura do pescoço de sua esposa, ela não se sentia muito animado, pois sabia que seria mais do mesmo. Com delicadeza, Abel virou-a para encará-lo e juntou seus lábios, enquanto Amala mantinha as mãos longe dele.

Abel estava excitado, então a empurra suavemente para a cama e ela se senta lá. Então começou a desabotoar a calça enquanto ela observava a decoração do quarto. O vaso de flores não parecia estar onde o deixara, e o relógio de parede parecia ter acabado a bateria.

Enquanto o ar condicionado ecoa mais alto do que o habitual, o marido afasta as pernas dela e começa a penetrá-la sem esperar que esteja pronta. De longe, o cachorro da vizinha latia sem parar. Ela estava cansada e com dores nas pernas por causa da posição desconfortável em que estava.

Estava pensativa porque se esqueceu de cancelar a manicure, e havia uma reunião na escola de Lila. Talvez fosse melhor mandar uma mensagem ou já era tarde demais?

- Você aprecia quando te fodo assim, não é, safada?

Com a voz arrastada e ofegante, Abel invade seus pensamentos e ela o encara por um momento, murmurando apenas: "uhum". Enquanto seu corpo continuava sendo invadido, ela não conseguia parar de desejar poder dormir logo, quase sentindo alívio quando ele finalmente atingiu o orgasmo.

O sol começava a iluminar o céu, anunciando um novo dia. Amala abriu os olhos, sentindo-se cansada e desanimada. Ela olhou para o lado, vendo seu marido, dormindo profundamente. Ela suspirou, sabendo que ele não iria lhe dar um bom dia, nem um beijo, nem um abraço. Ele nem mesmo iria notar que ela estava ali.

Preguiçosamente se levantou, pegando seu roupão e saindo do quarto. Então passou pelo quarto de sua filha, que ainda dormia. A mulher sorriu, sentindo um amor imenso pela menina de seis anos, que era sua razão de viver. Por último, entrou na cozinha, colocando a cafeteira para funcionar.

Ela pegou o celular de Abel, que estava em cima da mesa, sem intenção de bisbilhotar, apenas para ver as horas. E viu que havia uma notificação na tela e não reconhecia o nome, nem o número. A morena sentiu uma pontada de curiosidade, e resolveu abrir a mensagem: "Oi, Abel. Estou com saudades de você. Quando vamos nos ver de novo? Estou sem clientes hoje. Não aguento mais esperar. Preciso de você. Me liga. Beijos. Dani."

Amala sentiu seu coração parar por um instante. Mal podia acreditar no que estava vendo. Seu marido estava tendo um caso? Estava sentindo um misto de choque, raiva, tristeza e medo. Seus olhos se encherem de lágrimas, que escorreram pelo seu rosto. Não sabia o que fazer, o que pensar, o que sentir.

Foi quando ouviu passos se aproximando da cozinha e acabou se assustando, tentou limpar as lágrimas. Era Abel, que acabara de acordar. Ele entrou na cozinha, e viu Amala segurando seu celular. Franziu a testa, e perguntou, com uma voz irritada:

- O que você está fazendo com o meu celular, Amala?

Capítulo 2 Monotonia

- Abel, quem é Dani? - perguntou, mostrando a mensagem para ele. - Você está me traindo com ela?

- O quê? Não, claro que não - respondeu, pegando o celular da mão dela. - Você está louca, Amala?

- Não estou louca, não. Estou vendo aqui, com os meus próprios olhos. Ela diz que está com saudades de você, que precisa de você. O que é isso, se não uma traição? - esbravejou com uma voz alterada e magoada.

- Isso é um mal-entendido, Amala. Você não sabe de nada - disse, tentando se explicar. - Dani ou Daniel, é um advogado recém-formado, que eu estou ajudando a conseguir clientes. Ele é um amigo, nada mais.

- Um amigo que te manda beijos? Um amigo que diz que precisa de você? Que tipo de amigo é esse, Abel? - perguntou, com uma voz incrédula e indignada.

- Um amigo que é grato pelo meu apoio, que tem problemas financeiros, que está passando por uma fase difícil. Ele só estava desabafando comigo. Você está interpretando tudo errado, Amala. Você está sendo paranoica e ciumenta.

- Eu não estou sendo paranoica, nem ciumenta. Eu estou sendo traída, e humilhada. Como você pode fazer isso comigo, Abel? Como você pode mentir para mim, e me enganar? - continuou com uma voz chorosa e desesperada.

- Eu não estou fazendo nada disso, Amala. Eu não estou mentindo, nem te enganando. Eu te amo, Amala. Eu nunca te trairia. Você é a minha esposa, a mãe da minha filha. Você é tudo para mim. Por favor, me perdoa, Amala. Me perdoa por ter te magoado, por ter te feito duvidar de mim. Me perdoa por ter sido descuidado com o meu celular, e ter deixado essa mensagem chegar até você. Me perdoa, Amala. Eu te imploro.

Abel se aproximou dela, e a abraçou, tentando consolá-la. Mas Amala se afastou dele, e o empurrou, tentando se livrar dele. Não queria acreditar nele, mas também não queria perdê-lo . Estava confusa, e assustada. Já não sabia o que fazer, o que pensar, o que sentir.

Ela só sabia que estava cansada da monotonia, queria que algo fosse diferente, não queria discutir mais com Abel. Temia buscar mais a fundo e descobrir algo que não queria saber. Temia perder o seu marido, mesmo que ele não a amasse mais. Não queria ficar sozinha, e destruir a sua família. Por isso, preferiu deixar a discussão de lado, e terminar de preparar o café.

Abel percebeu que Amala estava abalada, mas não se importou. Não tinha tempo para lidar com os dramas dela, tinha coisas mais importantes para fazer. Precisava ir trabalhar, e encontrar o seu amigo. Então o loiro apenas disse que ia tomar um banho rápido, e saiu apressado.

Amala colocou o café na mesa, e foi acordar a sua filha, Lila. Ela entrou no quarto da menina, e viu que a pequena ainda dormia. Se aproximou da cama lentamente, e a chamou com carinho:

- Bom dia, meu amor. Hora de acordar - chamou, beijando a testa dela.

- Bom dia, mamãe - responde abrindo os olhos. - Que cheirinho bom de café.

- É para você, meu bem. Vamos, levanta. Temos que nos arrumar para ir à escola - avisou, ajudando a menina a se levantar.

- Hoje tem reunião, né, mamãe? - perguntou, animada.

- Tem sim, meu amor. Eu vou estar lá com você, para ver como você está se saindo na escola.

- Eu estou me saindo bem, mamãe. Eu gosto muito da escola, e dos meus amigos, e da minha professora - contou, feliz.

- Eu sei, meu amor. Eu fico muito feliz por você. Você é uma menina muito inteligente, e muito especial - abraçando a filha.

Juntas foram para a cozinha, e tomaram café juntas. Amala serviu Lila com pão, queijo, frutas e suco. Enquanto ela mesma comeu pouco, sem apetite. Tentava esquecer o que tinha acontecido com Abel, e se concentrar na sua filha. Por isso conversou com Lila sobre a escola, os amigos, os planos. E sorriu com as histórias e as gracinhas da menina. Sentia um amor imenso pela filha, que era sua razão de viver.

Quando terminaram o café, foram se arrumar para sair. Amala vestiu Lila com um uniforme azul e branco, e penteou seus cabelos loiros. Depois se vestiu com uma calça jeans e uma blusa branca, e prendeu seus cabelos negros em um rabo de cavalo. Elas pegaram suas bolsas e saíram de casa.

Elas entraram no carro, e seguiram para a escola. No caminho, ouviram música, e cantaram juntas. Se divertiram, e se sentiram felizes. Quando chegaram na escola, e foram recebidas pela professora de Lila, que as cumprimentou com um sorriso.

- Bom dia, Amala. Bom dia, Lila - disse a professora simpática.

- Bom dia, professora - disseram, em coro.

- Estou muito feliz que você veio, Amala. Hoje temos a reunião de pais e mestres, e eu tenho muitas coisas boas para falar sobre a Lila - explicou, elogiando a menina.

- Que bom, professora. Eu estou ansiosa para saber.

- Venha comigo, então. Vamos para a sala de reuniões.

- Tá bom, professora. Tchau, mamãe. Te amo - Lila disse, abraçando Amala.

- Tchau, meu amor. Te amo!

Depois que se despediram, e seguiram seus caminhos. Amala foi com a professora para a sala de reuniões, onde encontrou outros pais e mestres. Ela se sentou em uma cadeira, e esperou a reunião começar. Estava orgulhosa da sua filha, e queria saber tudo sobre o seu desempenho na escola.

A reunião durou cerca de uma hora, e foi muito produtiva. A professora falou sobre os conteúdos, as atividades, os projetos, e os resultados dos alunos. E claro, elogiou muito a Lila, dizendo que ela era uma aluna exemplar, que se destacava em todas as matérias, que era participativa, criativa, e cooperativa. A professora mostrou alguns trabalhos da menina, que eram muito bonitos e caprichados. Lila era uma das melhores alunas da turma, e tinha um futuro brilhante pela frente.

Amala ficou muito feliz e emocionada com as palavras da professora. Ela agradeceu pelos elogios, e disse que se sentia muito orgulhosa da sua filha. E que sempre faria de tudo para apoiá-la e incentivá-la, pois sabia que sua filha era uma menina muito inteligente, e muito especial.

A reunião terminou, e Amala se despediu da professora, e dos outros pais e mestres. Quando saiu da sala de reuniões, foi direto buscar a sua filha. Ela encontrou a Lila na sala de aula, brincando com os seus amigos. Chamou a menina, e a abraçou. Dizendo que estava muito orgulhosa dela, e que a professora tinha falado muito bem dela.

Lila ficou muito feliz e emocionada com as palavras da mãe. Agradecendo pelos elogios, e que se sentia muito orgulhosa da sua mãe. Elas se abraçaram, e se beijaram. Elas se sentiram amadas, e seguras.

Só então finalmente saíram da sala de aula, e foram para o carro. Então Amalá decidiu ir visitar sua grande amiga, Jane. Queria desabafar, se divertir, e esquecer os problemas. Elas seguiram para a casa de Jane, conversando e rindo. Lila adorava visitar a tia e brincar com o filho dela.

Quando chegaram na casa da Jane, foram recebidas com um sorriso caloroso e abraços apertados. O filho de Jane, de mesma idade que Lila, agarrou a mão dela e a puxou para fora, convidando-a para brincar no quintal. Enquanto isso, Amala e Jane se acomodaram na cozinha e começaram a conversar animadamente enquanto preparavam o almoço.

Enquanto cortavam vegetais e mexiam panelas, Amala desabafou sobre as frustrações de seu relacionamento com Abel. Ela revelou a Jane sobre a mensagem comprometedora que encontrou no celular dele, de uma pessoa chamada Dani, e as explicações evasivas que Abel deu, alegando ser apenas um amigo chamado Daniel. Amala estava confusa e magoada com essa situação, e desabafar com Jane trouxe um alívio momentâneo, tornando o fardo um pouco mais leve.

A conversa então tomou um rumo mais íntimo, e Amala compartilhou sua frustração sexual. Ela se abriu com Jane sobre como se sentia desconectada do seu próprio corpo e como a falta de satisfação na intimidade estava afetando sua felicidade no relacionamento. Jane ofereceu palavras de compreensão e encorajamento, afirmando que a sexualidade é uma parte importante da vida de qualquer pessoa, e que Amala merecia se sentir plenamente realizada.

- Amiga, eu sou solteira e tenho mais vida sexual que você, você é tão bonita, está perdendo tempo com esse cara.

- Preciso encontrar um jeito de salvar meu casamento.

- Você está precisando gozar, isso sim!

Enquanto as duas riam e compartilhavam suas histórias e experiências pessoais, Jane entusiasmada fez um convite inesperado a Amala. Ela explicou que havia planejado uma noite especial com mais duas amigas do tempo de escola, uma noite das garotas, para que pudessem se divertir, beber e flertar livremente. A princípio, Amala recusou, preocupada com o impacto que isso poderia ter em seu relacionamento, mas Jane a convenceu de que era importante cuidar de si mesma e explorar novas experiências.

- Quer saber, eu topo!

E assim, com um misto de hesitação e excitação, Amala aceitou o convite de Jane. Questionando a si mesma sobre o que aconteceria nesta noite das garotas cheia de promessas e possibilidades? Seria uma noite de risos, confissões e novas paixões? Ou talvez encontraria uma clareza interior que a ajudaria a tomar decisões sobre seu relacionamento? A única certeza que ela tinha era que estava aberta para o que o futuro lhe reservava.

Capítulo 3 Vermelho canela

Abel finalmente chegou em casa quando o relógio marcava horas avançadas da noite, Lila já estava dormindo. O cansaço era visível em sua expressão enquanto ele adentrava a sala de estar. Amala, sentada à mesa, vestindo um roupão de dormir, encarava entediada a comida já fria diante dela. A espera parecia uma eternidade, seu estômago roncava.

- Me desculpe pelo horário, fiquei atolado de trabalho.

Em sobressalto, Amala leva seus olhos âmbar até ele e sorri. Abel caminha até ela e deixa um beijo em sua testa, indo em direção ao quarto logo em seguida, já retirando o paletó.

- Venha comer primeiro, querido, a comida já está fria.

- Não vou comer querida, comi no escritório.

Amala, sem paciência para iniciar mais uma discussão, apenas balançou a cabeça em silêncio, tentando controlar seu desapontamento. Conforme começou a se servir do jantar, sua mente estava repleta de pensamentos sobre a difícil conversa que precisaria ter com Abel.

Ela sabia que era hora de contar a ele sobre seus planos de passar uma noite fora, com suas amigas do tempo de escola. Era um momento tão aguardado de descontração e liberdade que ela não poderia deixar passar.

Enquanto mastigava cada bocado de comida fria, pensou em abordar o assunto com delicadeza, tentando evitar mais conflitos. Ela termina de comer, lava os pratos e se prepara para ir para o quarto, onde Abel já estava pronto para dormir.

- Abel, preciso conversar com você sobre algo importante. Passei a tarde na casa da Jane hoje, ela me fez um convite, então estou planejando um encontro com as minhas amigas do tempo de escola no sábado a noite. Quero um tempo para mim, para me divertir e relaxar um pouco.

Abel, surpreso com a notícia, franziu a testa e perguntou: - Mas por que você precisa de um encontro de amigas? Não podemos passar esse tempo juntos como sempre fizemos? Ultimamente, mal estamos conseguindo ficar juntos com todas as minhas responsabilidades.

- Eu entendo, Abel, que estamos passando por uma fase corrida, mas também preciso cuidar de mim e me reconectar comigo mesma - Amala olhou nos olhos dele, buscando compreensão. - É minha oportunidade para isso. Sinto que estou precisando de um momento de pausa, de diversão e de respirar fora da nossa rotina. Poxa, você está sempre no trabalho, mal tem tempo para mim e para Lila e depois de um final de semana juntos, eu me deparo com uma mensagem duvidosa no seu celular.

Abel parecia desconcertado. Ele abaixou o olhar por um momento, pensativo, antes de responder.

- Bom, querida, eu não queria te privar desse momento mas é difícil lidar com a ideia de ficar separado no fim de semana. Mas acho que podemos encontrar um equilíbrio, será nesse fim de semana, certo?

- Sim amor, eu adoraria encontrar esse equilíbrio - Amala sorriu com sutileza. - Acredito que ambos precisamos de momentos individuais para nos cuidarmos e, ao mesmo tempo, sabermos valorizar o tempo que compartilhamos juntos. Podemos conversar mais sobre isso, ouvir o que cada um precisa e tentar encontrar uma solução que funcione para nós dois.

- Fazemos assim, eu cuido da Lila para você ir se divertir. E você para de me acusar injustamente.

Amala, animada pela proposta do marido, decidiu surpreendê-lo. Ela caminhou até a cama onde Abel estava deitado e o cobriu de beijos, algo que não fazia há muito tempo. Estava surpresa, Abel correspondeu a essas demonstrações de afeto, envolvendo-a em seus braços com um carinho renovado. A paixão entre eles reacendeu e, após uma noite intensa de amor, adormeceram abraçados.

A felicidade invadiu o coração de Amala. A discussão que haviam tido mais cedo parecia ter se dissipado graças à dedicação e atenção que Abel estava lhe oferecendo. A conexão entre eles se fortaleceu, e as preocupações do cotidiano foram deixadas de lado, completamente esquecidas naquele momento íntimo.

Tudo parecia perfeito e após um dia tranquilo, Abel decidiu almoçar em casa com sua esposa, Amala, e sua adorável filha. Parecia um momento simples, porém, significativo, já que não acontecia com tanta frequência ultimamente. Amala se sentia radiante diante da presença de sua família, e a sensação de conexão e harmonia preenchia o ambiente.

O dia seguinte também havia sido pacífico e naquela noite, depois que Lila adormeceu, Amala encontrou um momento para refletir sobre sua aparência. Diante do espelho, ela se questionou se não estava exagerando ao se ver tão sexy, sendo mãe e esposa.

Seus belos cabelos pretos estavam perfeitamente arrumados, realçando ainda mais sua beleza. Ela vestia um elegante vestido colado, com uma fenda discreta na mesma cor, que realçava suas curvas com sofisticação. Sua maquiagem destacava seus olhos âmbar, dando-lhes um brilho especial e o batom vermelho canela dão o efeito de iluminação perfeito, que valoriza seus lábios.

Amala chegou à conclusão de que, mesmo sendo uma esposa e mãe dedicada, também precisa cuidar de si mesma e valorizar sua feminilidade. Ela decidiu que era hora de sair da sua zona de conforto e aproveitar a noite com suas amigas, sem culpa. Com isso em mente, decidiu que não iria trocar de roupa, destinada a reforçar sua autoconfiança e lembrar-se do poder e da beleza que possui, revelando um brilho interior que há muito tempo estava adormecido.

Quando terminou de se arrumar e se perfumar, calçou um par de salto alto e desceu pelas escadas. Ela encontrou Abel encarando a televisão antes de sair, ele ficou instantaneamente cativado por sua aparência deslumbrante, desviando os olhos por um momento para absorver toda a sua beleza.

- Você está linda querida, mas não acha que seria mais elegante, uma roupa apropriada para a sua idade? - comentou, ao encarar sua esposa da cabeça aos pés.

O comentário atravessa o ambiente como uma lâmina afiada, cortando a alegria e confiança de Amala. Por um momento seu sorriso se desfez e ela quis chorar engolindo o nó em sua garganta. Mas, ao invés de se deixar abater, ela respira fundo e mantém a cabeça erguida.

Amala, demonstrando uma força interior incomparável, decide não deixar que as palavras de Abel a afetem negativamente. Com um sorriso sereno, ela o deixa sozinho e parte para aproveitar a noite com suas amigas. Ela sabe que merece ser valorizada e respeitada, especialmente por seu parceiro.

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