Minha vida nunca foi fácil, não só porque não cresci com pais por perto e sim porque cresci na companhia de uma senhora na qual eu chamo de "tia"
Ela e sua filha Samantha nunca gostaram de mim. E até hoje não entendo porquê, já que sempre fui uma menina obediente, que nunca ousou entrar em briga.
Quando eu era mais nova, minha tia Gorete, nunca comprava roupas para mim. Maior parte das roupas que usava eram de doações das vizinhas que sentiam pena de mim e quando uma das roupas agradava minha prima, elas me recebiam do pouco que tinha.
Passamos por muitas dificuldades e já chegamos até ao ponto de viver na rua, quando não tínhamos comida suficiente para comer, minha tia comprava pra ela e sua filha e eu só comia os restos da comida que elas deixavam no prato.
Sempre que o dinheiro não era suficiente para manter nós duas na escola, ela me deixava em casa para cuidar da loja de roupas que tínhamos em casa, enquanto que sua filha estudava.
Os anos foram passando e cresci. Com o tempo, percebi que o dinheiro que minha tia ganhava com as roupas que vendia na loja, também era suficiente para me pagarem os estudos! E para não crescer analfabeta, sempre que minha tia não estava em casa, eu fugia e visitava Seu José!( O meu pai por afinidade). Naquela época, ele tinha uma espaço onde dava aulas a mim e muitos meninos que viviam e ainda vivem na Favela Tavares Bastos, mais conhecida como o morro da Paz, do Rio de Janeiro.
E minha infância foi resumida em: De Manhã estudar escondido e de noite aguentar os maus tratos da minha tia.
O dia que ela descobriu que eu fechava a loja de roupas para ir estudar, ela me bateu tanto que fiquei com o pé esquerdo torcido, roxo e inchado.
Os vizinhos ficaram horrorizados quando souberam. E como ficaram a saber?
Aconteceu quando Seu José, percebeu que eu não ia mais a explicação e os meninos não me viam mais na rua brincando e vendendo as roupas. Então ele veio em casa sem avisar e encontrou-me no quarto, deitada no chão- porque não tinha cama. Fiquei durante duas semanas sem comer e sem beber água porque estava de castigo. Meu corpo estava cheio de hematomas e estava roxo, e minha perna inflamada. Quando ele soube me levou para sua casa e cuidou de mim como sua filha. E foi assim que comecei a viver com Seu José.
Ele lutou no tribunal pela minha guarda e provou-se os maus tratos da minha tia. Primeiro quiseram me botar no orfanato, mas por um motivo que desconheço, o juiz acabou passando a guarda definitiva pro Seu José.
Ele sempre foi como um Pai que Deus deu para mim. Não tínhamos muito, mas o pouco que tínhamos partilhávamos com muito amor.
Um idoso de 60 anos, cuidando de uma menina de 10 anos, não foi fácil, Porque depois eu cuidei dele, e não que esteja reclamando, eu sempre cuidaria com muito amor. E não foi fácil, porque eu era uma menina e não sabia como cuidar de um adulto doente, Seu José tem problemas no pulmão e há anos que sofre com isso.
Hoje estou com 19 anos de idade e com o médio concluído. Infelizmente seu José está doente e não temos dinheiro para levá-lo a uma clínica para os doutores cuidarem de sua ferida no pulmão. Tudo que aprendi até hoje, foi graças a esse Senhor maravilhoso, graças a ele só depois de 9 anos da minha vida sofrendo humilhações e violência doméstica sou feliz.
Seu José é meu herói e por isso todos dias da minha vida acordo e Oro para que Deus nunca tire ele de mim, bom, pelo menos não agora. Não sei se aguentaria viver sem ele.
Sou uma mulher alegre, sorridente e cheia de energia. Não me importo em vender na rua bolo, salgadinho, bolachinha para conseguir trazer comida em casa. Sou negra achocolatada, de 1.70, de olhos castanhos e um cabelo crespo e volumoso. Meu corpo é do tipo que qualquer mulher procura em ginásios, pernas grossas( não muito exageradas), seios fartos. Uma bunda invejável, e possuo as chamadas "curvas de sereia".
Não é fácil viver no Morro, porque todos dias sofro assédio desses carinhas daqui armados em donos da Favela, sabe aquela gente que não tem nada de útil para fazer na vida e por isso inferniza todo mundo?
Mas eu mando todo mundo Pastar! Eles sabem muito bem que não podem me incomodar, se não vou atingi-los com minha voadora - Um revolver sem bala que tirei de Seu José.
Meus melhores amigos são Ruben, e Louise. Eles é que me fazem companhia nos bailes funks e nas noites solitárias da minha vida.
Quando não se tem muito dinheiro, é necessário viver sempre sorrindo na companhia de quem amamos, eu evito pensar muito em coisas ruins, porque não me levarão a lado nenhum.
Pelo tamanho da boca que tenho -sou rabugenta demais - muita gente pensa que já dormi com metade de Rio de Janeiro, mas a verdade é que sou virgem e sonho tirar com um homem respeitoso que me ame. Estou pouco me importando com o que os arrombados pensam de mim! Os meus sabem quem sou de verdade!
"E aí gata!?" Ouço um Filho dos infernos dizendo enquanto ando com a sacola de pão e ovos na mão.
"Gatinha o carai! Abre mais a boca para ver se não enfio esse seu pão no seu..." não termino a frase e já ouço sua gargalhada "Eu em..." Como havia dito, minha boca é de sacola. Uma coisa que sempre tenho são "respostas na ponta da língua" dificilmente deixo me intimidarem.
Depois de responder esse homem parvo, ouço assobios e risos dos rapazes que estavam junto dele.
Era só que me faltava. - penso.
Hoje tem baile funk, então pego meu celular para confirmar com Louise, fui!
"Tá na linha louca!" Fala gritando porque o som da música abafava sua voz.
"Você só pode tá de brincadeira? Como começou a curtir sem mim? Eu não quero papo de falsa não!" Falo fingindo estar brava, na verdade não consigo ficar brava com Louise.
"Desculpe more, eu encontrei boleia para camarim VIP, vem aqui e liberam a entrada!"
"Não me diga que você deu pro cara!" exclamo rindo.
"Só fiz olhinhos bonitos e sussurrei pra ele que hoje a noite vai ser longa"
"UE, Mentira" solto uma gargalhada "eu só vou fazer a janta do Seu José e vou aí, OK?"
"Tá bom. Beijocas" fala e encerro a chamada
Conheci Louise quando tinha apenas 14 anos de idade. Ajudava Seu José a vender umas ferramentas e nunca foi por obrigação. Seu José estava ficando mais velho ainda e perdendo o jeitinho de atrair clientela. Então, Louise queria comprar uns parafusos para arranjarem a porta de sua casa. Ela não tinha dinheiro suficiente, e dei pra ela sem me importar com o que faltava. Claro que precisava que ela me pagasse tudo, mas não aguentei negar porque estavam precisando para fechadura de sua casa.
Desde então, ela sentiu que estava em dívida comigo e começou a me ajudar a vender as ferramentas e foi assim que surgiu nossa amizade.
Ando mais um pouco pela rua e em passos largos porque já é de noite.
Estava quase chegando, quando vejo Pedro, mais conhecido como Corvo. Ele tem um grupo de assaltantes ou sei lá o que são! Mas coisa boa eu garanto que não fazem.
Eu e Pedro não somos amigos, não temos nada de íntimo, mas ele sempre me quis, só que eu não tou pra ser mais uma de suas putinhas!
O desgraçado já me prometeu fundos e mundos, e mesmo assim neguei. Sinceramente, sou mais clichê e sonho com um homem de verdade e não esse Ogro! Desculpe, é uma ofensa para Fiona! Ele é bem pior que um Ogro!
Primeiro ele tentou me ameaçar, ser agressivo, usando força, mas viu que comigo isso não funciona, um dia até me humilhou na frente de todos porque neguei sair com ele.
"Quem você pensa que é!? Ah? Sua vagabunda!" Estávamos próximos da lanchonete mais famosa do morro e aos poucos as pessoas se aproximavam.
"Você tem razão! Não sou ninguém! Sou uma vagabunda! A vagubunda que você tá de quatro!" Falo gritando e as pessoas sussurravam enquanto observavam-nos.
"Você me paga!" Ele fala com ódio, pega sua arma e dispara no ar assustando a todo mundo.
Nesse dia eu quase morri. E claro que sofri consequências! O covarde mandou seu grupinho lá em casa e desarrumaram tudo! Estragaram o pouco de móveis que temos. Seu José estava lá, ele tentou brigar e pedir que eles não destruíssem seu lar e levou um murro deles que deixou-o inconsciente. Muita covardia vindo dessa gente!
Me senti culpada por alguns dias porque quando cheguei em casa, encontrei tudo desarrumado e Seu José inconsciente no chão, com sangue escorrendo pela cabeça.
"Posso saber o que você está fazendo aqui!?" Pergunto séria olhando bem no fundo de seus olhos.
"Vim te ver gatinha... me dá uma chance" Ele fala com cara de cachorrinho molhado.
"Ah! Agora não!" falo sem paciência" Supera Cara!
"Como? Se todos dias sofro em vê-la se exibindo por todo morro?" ele dá um passo pra frente, ficando mais próximo de mim
"Coloque na cabeça que eu nunca vou ficar com você!" Digo passando por ele e ele me pega pelo braço e me puxa unindo nossos corpos.
"Porquê você não me aceita!? Eu sou lindo, sou gostoso, tenho dinheiro, o que mais você quer, ah vadia!?"
"Quero respeito!! Algo que você nunca vai conseguir me dar! " Puxo meu braço, piso duro e entro na minha casa furiosa" Nem com respeito eu ficaria com você!" Falo resmungando enquanto entro em casa.
SUZANA
"O que foi minha filha?" Seu José pergunta. Ele estava sentando na poltrona de casa.
Me agacho onde ele está e beijo sua testa "O Corvo esteve aqui..."
"O quê? Onde esse desgraçado está!?" Seu José pergunta furioso já querendo levantar.
"Pai... ele já foi... não estrague seu descanso" Respondo com a voz suave
"Ah, que bom! Não me vejo lutar com aquele homem gigante" Ele fala e caímos na gargalhada.
Corvo é um homem muito forte e atraente. Alto, musculoso, rosto fino e perfeito. Lindo de cabelos cacheados, pele negra e olhos castanhos claros. Ele é lindo, mas seu carácter fede! Suas tatuagens são chamativas e suas pernas grossas também. Pena que ele é um arrogante e criminoso!
Mas, mudando de assunto, eu adoro bailes funks. Gosto de ouvir o som da música tocando, enquanto balanço a bunda e o corpito. Meu pai sempre diz que aí é muito perigoso, mas já expliquei pra ele que Ruben protege a gente.~
Ruben, é meu amigo. Ele é um riquinho que abriu mão da sua fortuna para viver no morro. Incrível né? Ele disse que seus pais são muito tóxicos e queriam controlar sua vida para sempre! Ele sempre quis ser fotógrafo, mas seus pais queriam que ele fosse advogado para cuidar dos interesses da família, algo que nunca foi seu sonho. Hoje ele vive no morro da paz, numa casa de um quarto, sala, cozinha. Mas é tudo muito organizado, uma casa humilde mas perfeita. Com canalização em dia, paredes com pinturas lindas, cadeirão, sofás novinhos, quarto bem decorado com todas fotos de suas exposições. Por vezes, quando eu e Louise queremos nos divertir, vamos em sua casa porque lá tem sempre música no rádio e ele coloca alto pra causar inveja nos vizinhos! Engraçado né.
Nesse momento estou vestindo meu vestido vermelho floral e rodado , de tecido çetin. Não é algo muito caro e chique, mas o importante é não andar nua né? O vestido não é muito curto, ele tá no tamanho de um short. Coloco um short Elástico dentro do vestido para quando eu rebolar ninguém ver minha calcinha.
Calço meu tênis da Nike que consegui quando trabalhava na casa da Dona Olívia.
Trabalhei como faxineira quando tinha meus 16 anos na casa da Dona Olívia. A senhora é mesmo do morro, ela queria alguém para cuidar de sua casa porque trabalhava como enfermeira. Daí seu marido estava de gracinha comigo e um dia quando ele bateu na minha bunda, quase deixei o homem cego porque despejei água quente em seus olhos. Dona Olívia não acreditou em minhas palavras e eu me demiti. Fim. História bacana!
Coloco meu perfume doce de cheiro floral que até hoje ainda não terminei de pagar as prestações na senhora Rosária. Ela vende perfumes e eu peço para pagar aos poucos.
Separo a mecha da frente do meu cabelo crespo e comprido e prendo num coque e a parte de trás deixo solto. Vi esse penteado num tutorial e aprendi. Não tinha muito creme para por no cabelo, então passo só um pouco para ficar leve e cheiroso.
Saio do quarto cheirosa com minha bolsa pendurada no ombro. Quando vou até nossa sala humilde encontro meu pai a dormir. Coloco uma almofada atrás de sua cabeça que repousava na poltrona velha. Nossa casa não é chique e muito menos aquela com as melhores condições de vida. Nossa sala é pintada de branco, a cozinha ainda não tá com reboque terminado. O chão tem pisos que aos poucos estão partindo. O teto está ficando gasto por causa da água que cai quando chove. Temos coisas básicas. Geleira na cozinha uma mesa com duas cadeiras, fogão e uma estante velha. Os sofás já estão gastos, mas ainda dá pro uso. No quarto tem cama e closet de madeira. Meu pai dorme noutro quarto numa cama ortopédica por causa da sua coluna. O quarto de banho tem o chuveiro, espelho, sanita e a pia.
Ouço meu pai a tossir novamente e fico preocupada, não temos dinheiro para fazer uma consulta na clínica e nos hospitais público dizem que Seu José precisa do atendimento de mais acompanhamento. Só que é muito caro e não temos dinheiro para operar. Seu José apenas se contenta com os diagnósticos de centros médicos que só sabem passar medicações que não resolvem quase nada. Ele precisa fazer uma operação nos pulmões. Seu José fumava muito enquanto jovem e agora está com graves problemas... por vezes me dá um aperto no coração sair sabendo que ele está doente...
"Filha... Já não vai à festa!?" Seu José pergunta se mexendo na poltrona, a procura de mais conforto.
"Melhor eu ficar papai..." Respondo com um sorriso fraco.
"Não! Pode ir! Vou ficar bem e se algo de errado acontecer ligo pra si..." Ele fala gesticulando o braço para que eu saia.
Sei que ele só está dizendo isso para não me incomodar, mas Seu José esquece que ele nunca será um incómodo para mim.
Sabendo que ele é um teimoso e não vai mudar de ideia, falo "Ligue mesmo pai! Que eu venho correndo junto com a ambulância! Junto com um Helicóptero! Aqueles iguais das novelas! Sabe?" Falo e ele solta uma gargalhada.
Me inclino e dou um beijo demorado em sua testa "Virei com sei lá, CIA e muito mais!" Falo abraçando-o.
"Está bem minha filha" ele fala e tosse novamente e me afasto lentamente "Vá a festa..."
"Fico duas horas e volto!" Falo sambando animada, fazendo Seu José sorrir.
(...)
Quando chego na rua 5, ouço o som de Funk tocando e já fico com vontade de mexer a bunda.
Entro no baile Funk, começa a tocar o som da Ludmila - Cheguei.
Isso é Sério? Estou ouvindo direito!? Esse DJ quer acabar com minha sanidade!
Pego meu celular e envio uma mensagem para a Safada(Louise).
"Pode subir, tô te esperando" ela responde
Só quero ver o cara que ela conquistou! Louise é assim, cheia de esquemas. Ela sempre se dá bem com os homens, não só porque é uma morena baixinha com curvas, bunda grande, seios fartos que toda mulher que usa silicone deseja, mas também porque ela simplesmente tem sorte de encontrar Homens! Pena que ela tá naquele negócio de curtir só uma noite mesmo!
Subo os degraus da escada onde os VIP se encontram e encontro ela me esperando. O guarda se afasta me deixando passar e abraço a Safada na hora!
"Como tu tá gostosa!" Ela exclama
"Agora melhorei Safada!" Falo animada e rimos em uníssono. "Me fala, quem é o gostoso?" Pergunto sussurrando em seu ouvido.
"O moreno gostoso com tatuagens" fico olhando para todos lados do espaço e quando vejo o moreno faço um "O" com a boca. Ele é um homem corpulento, com rosto de cinema, sua camiseta alinhava perfeitamente em seu corpo exibindo seu corpo esculpido e suas tatuagens.
"Ué, babei!" Falo para ela e caímos na gargalhada.
"Minha menininha está toda empolgada, bem ansiosa para sentir o pau enorme daquele homem!" Ela fala normalmente com um sorriso safado enquanto não desviava seu olhar do moreno.
"Tu é louca! Eu em!" Falo rindo "Vou remexer um pouco a bunda e depois subo!"
Desço as escadas apressada e me dirijo a pista de dança. Quando começa a tocar um Remix da música da Annita - envolver.
Começo a dançar em movimentos lentos e sexy. Lentamente, rebolo meu quadril e minha bunda sensualmente, enquanto meus olhos estão fechado. Eu curto o som dançando, até sentir mãos rodeando minha cintura, eu podia até me virar e acabar com a raça desse homem, mas seu toque, só seu toque, causou uma corrente eléctrica sobre todo meu corpo, algo que jamais sentira, ele apertava suas mãos na minha cintura, mas sem machucar e acompanhava minhas reboladas. Ele puxa meu corpo junto ao seu, me fazendo sentir seu membro grosso em minha bunda. Arqueio meu corpo provocando e rebolo em seu membro, enquanto passo minhas mãos por sua nuca, roçando meus dedos em sua pele. Ele passa suas mãos pelo meu ombro, descendo até minhas mãos e sussurra no meu ouvido com sua voz rouca, fazendo todo meu corpo arrepiar "Hoje você vai ser minha"
PATRICK LIMA - 30 anos
"Senhor Patrick, aqui tem os documentos com as estatística do ano passado" Minha secretária entra na sala e pousa os papéis na mesa.
"Obrigada..." Respondo enquanto revisava um e-mail no computador e continuo minha atenção no trabalho, estamos com um novo projeto. O projeto consiste em encontrar a "Cara" da nossa marca.
Sou dono de uma das maiores empresas de Cosméticos do Brasil. Terminei minha licenciatura de engenharia química com 22 anos de idade. Comecei a trabalhar em uma fábrica de produção de cremes na área de laboratório. Sempre quis ter meu próprio empreendimento e com um ano de experiência trabalhando, consegui obter muito conhecimento, suficiente para conseguir construir uma linha de cosméticos.
Primeiro, eu era apenas um curioso, que fazia experiências de cremes em casa. Depois comecei a vender cremes de pele 100% naturais para eliminação de manchas e rugas. As vizinhas donde vivia gostavam e começaram a usar. O produto começou a ficar muito famoso e o dinheiro que ganhava consegui juntar suficiente para alugar uma loja para vender meus produtos naturais com ajuda de meu amigo Frederico, que também estudou engenharia Química comigo.
Depois consegui um patrocinador que garantiu publicidade e o espaço, e assim não gastava mais dinheiro com o aluguer.
Bom, num piscar de olhos, metade de Rio de Janeiro usava meus produtos obrigando-me a juntar todos documentos para dar a conhecer no estado a minha empresa, tornando-a legalizada.
Depois, aos poucos fui contratando outros engenheiros químicos. No início não lucrava tanto e o dinheiro que ganhava só era suficiente para comprar os ingredientes, e materiais para fazer os cremes. Sem esquecer que também precisava pagar os três funcionários e um deles era meu amigo Frederico.
Um dia recebi a ligação de um homem rico, senhor Fernando Teixeira. Ele queria ser sócio da minha pequena empresa e ajudou muito no crescimento investindo. Depois com o passar do tempo, já estávamos trabalhando num estabelecimento maior de dois andares com mais de 20 funcionários trabalhando junto com as máquinas. E tudo isso aconteceu em 5 anos.
Com o passar do tempo, eu já tinha meus 27 anos, decidi fazer outros produtos, que não fossem só cremes. Então, investi em produtos de maquiagem e perfumes de todo género. Esse investimento custou muito caro, mas o lucro foi milionário. Depois de passarem 4 anos -já com meus 30 anos de idade - a nossa empresa foi considerada uma das mais lucrativas do Brasil e em tão pouco tempo alcançou o Ranking do 3 lugar.
Em 9 anos construímos um "império" - de cosméticos. Há quem diz que é sorte, mas eu digo que tudo foi graças a dedicação e esforço. Nunca tive o apoio de familiares e já passei fome e até já fui morador de rua. Mas a vida tirou de mim uma família e ofereceu-me sucesso.
Consegui passar no ENEM, ganhei uma oportunidade de trabalho irrecusável.
Sou órfã de pai e mãe. Meus pais foram mortos a bala...
Aconteceu numa noite que nunca hei de esquecer-me, jamais esqueço-me do dia que o sangue dos meus pais estava espalhado por todo meu- corpo. Por vezes quando fecho meus olhos, ainda ouço os gritos de meus pais e minha pequena irmã. E tudo isso foi culpa minha...
"Menino, onde vivem seus pais?" o homem me perguntou
"Aí!" aponto inocente.
"Então! como está o homem mais charmoso e rico do U.ni.ver.so!" Frederico entra na minha sala animado me tirando de meus pensamentos.
"Olá..." Respondo solene e passo minhas mãos pelo rosto. Eu tento esquecer, mas não consigo!
"Você anda muito pensativo Cara!" solto uma lufada, e prossegue "Que tal a gente sair? Ir para balada, comer uma gostosas, ah?" Ele fala sorrindo de canto e senta-se na cadeira a minha frente.
"Não estou afim..." Repondo seco e volto minha atenção para a tela do computador.
"Ah é? Então, me diz a quanto tempo você não fode uma morena gostosa?" Ele inquiri e franzo o cenho.
"Não estou disposto a discutir com você, sobre minha vida sexual" Falo e ele solta uma gargalhada.
"Cara , nós nem vamos demorar, só vamos ficar 2h e mais nada!"
Olho para ele frio, e digo "30 min"
"Quê? 40 min" Nesse momento estamos negociando e claro que vou ganhar.
"25 min" Profiro e dramaticamente ele põe sua mão no coração simulando ter sido apunhalado
"OK, 30!" Fala com as mãos no ar.
Frederico é o oposto de mim, enquanto ele é falador, e divertido, eu sou um homem de poucas palavras, frio e que não demonstra emoções. Talvez ele seja única pessoa no mundo na qual me importo, é como um irmão que nunca tive.
SUZANA
A voz desse homem foi capaz de causar uma corrente de arrepios por todo meu corpo. Pelo barulho da música, era difícil reconhecer a voz, mas depois de racionar e meu cérebro fazer uma visita no meu consciente - lembrei que a voz é do estúpido do Pedro! - mais conhecido como Corvo- O idiota que só sabe infernizar a minha vida!
Juro que se soubesse que ele viria, eu ficaria em casa!
Eu tinha duas opções naquele momento, ou matar ele, ou matar ele. Mas já que as duas envolviam sangue e era coisa fora da lei, então decidi respirar fundo e me recompor.
Afasto lentamente suas mãos de minha cintura, viro-me, e vejo-o esbanjando um sorriso zombateiro.
Eu sou louca, nunca fui uma pessoa boa de me controlar - resumindo, nunca tive capacidade de controlar minha raiva.
Então aproximo-me lentamente dele, com um olhar sexy e sudutor - fingindo estar embriagada de prazer - Mordo meu lábio inferior e pouso minhas mãos em seu ombro. Depois faço o que Seu José me ensinou a fazer com tarados! Ergo a minha perna e chuto suas bolas com meu joelho o fazendo arquear de dor. Ele inclina seu corpo para baixo choramingando.
Ele soltava vários palavrões e ameaças enquanto eu ria de sua cara.
"Seu idiota! Amanhã vai pensar duas vezes antes de tentar tocar em mim!" Piso duro no chão e afasto-me da pista de dança em passos lentos e me dirijo até a calçada.
Estando fora, vejo um homem alto, corpulento, cabelos castanhos num corte curto, barba por fazer.
Ele saia do carro acompanhado de outro homem, mas esse era de cabelos pretos, de altura média e olhos pretos.
Ambos estavam muito charmosos, mas o que me atraiu foi o alto corpulento. Ele estava vestido de uma calça jeans e uma camiseta preta. Simples, mas elegante. No seu pulso tinha um relógio dourado que brilhava e parecia ser muito caro. Eles não devem ser daqui.
Por breves segundos, ele olha para mim e nossos olhares se cruzam. Eu olho para ele e em nenhum momento desvio seu olhar vistoso do meu.
Mas sem aguentar mais manter aquele contacto visual, eu desvio o olhar e começo a andar em passos largos até casa.
Só quero chegar em casa, deitar na cama e descansar. Por hoje já deu no que tinha que dar!
(...)
Acordei de manhã bem cedinho para fritar os salgadinhos que vou vender hoje, encontro meu pai acordado na cozinha colocando óleo na frigideira
Ah! Seu José não tem remédio! -penso.
"Ué, mas o que você está fazendo!? Quê isso Seu José!? Você precisa descansar!" Falo preocupada tirando a frigideira de suas mãos e o frasco com óleo.
"Eu não aguento ficar mais tanto tempo na cama sem fazer nada! Entende?" Ele brava comigo.
"Já vi que hoje o Senhor acordou com um humor cão!" Digo colocando a frigideira no fogo.
Mas entendo, não é fácil ficar noites e noites sentindo dor nos pulmões por causa das tosses. Há dias que ele fica a noite toda tossindo e não consegue dormir e nesses dias eu fico sempre ao seu lado fazê-lo companhia, só para que sua noite não se tornar um inferno.
"Eu só queria ajudar... achei que você ficaria cansada por causa da festa..." Ele fala triste. E me aproximo dele para abraçá-lo bem forte.
"Ah papai! Você não precisava!" Me afasto lentamente dele e digo com a voz suave "Sente na cadeira que vou preparar bem rapidinho uma sopa de legumes pro senhor, tá bom?" Ele senta-se na cadeira devagarinho.
"Sabe quem tentou me assediar ontem na festa" falo enquanto cortava os legumes.
"Ave Maria!" Seu José exclama
"Corvo! Aquele sem juízo"
Faço a sopa e sirvo para meu pai. Falta pouco para terminar de fritar os salgadinhos pra vender. Ontem sobraram fatias de bolos de laranja e acredito que ainda está bem gostoso para vender.
"Cheguei! E vim com novidades!" Louise entra em casa toda animada segurando uma revista nas mãos.
"O que é!? " Pergunto colocando os bolos e os salgadinhos na tigela.
"Concurso de modelo com prémio de 100 mil reais e patrocínio durante um ano para ser modelo!" Ela fala animada dando pulinhos.
"E daí!? - Pergunto fechando as tigelas com suas respectivas tampas.
"E daí você vai participar!" Ela fala empolgada "Você vai ganhar os 500 mil reais!"
Olhos pra ela com os olhos semicerrados "E por quê não participa tu?"
"Altura meu amor!" exclama desiludida
- Mas é muito dinheiro, você não acha que estão mentido?" Pergunto colocando tudo no meu carrinho que uso para carregar os salgadinhos e doces que vendo na rua.
"São vários patrocinadores e para essa gente 500mil reais não é nada!" Ela fala convicta e ergo uma sobrancelha "Mas o problema é que será uma espécie de concurso daqueles que vai aparecer na televisão... tipo de Victoria Secret, lembra daquela série que as modelos lutavam para se tornarem oficiais da VictorySecret!?
"Tipo um Realty Show?" Pergunto confusa. Meu pai ignorava a gente enquanto conversamos. Ele apenas tomava sua sopa em silêncio.
"Sim!" Ela responde empolgada.
Era só que me faltava! Eu não vou fazer isso! É como estar no Big Brother Brasil. Tudo que faço eles verão. Se eu dizer algo que não devo serei vítima de críticas e com certeza eu não vou aguentar ficar um só dia porque meu temperamento não é dos melhores, não consigo ser civilizada mesmo com câmeras me filmando.
"E como você quer que eu participe em algo assim!? Você enlouqueceu? Quem vai ficar com Seu José?!" Pergunto nervosa.
"O concurso só vai durar duas semanas!" Ela fala tranquila "E eu posso ficar com Seu José!" Olho para meu pai e ele assente enquanto toma sua sopa.
"Fora de questão! Não aceito!" Digo séria
É que nem pensar vou abandonar meu pai doente para me divertir num concurso! E também nunca pensei em ser modelo, não gosto da forma que elas exibem o corpo, não que esteja criticando o trabalho delas, só não me imagino como uma!