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Só Minha!

Só Minha!

Autor:: Yana Shadow
Gênero: Romance
Doutor Bittencourt é um neurocirurgião com uma postura intimidadora e dedicado aos negócios da família. O jovem médico retornou ao Brasil após cinco anos morando na França. Alexander ficou confuso quando encontrou sua ex com um filho que ele não conhecia. Nicole não estava preparada para um confronto com ex-marido. Por anos, ela cuidou do pequeno Alex e se ocupou com o trabalho na esperança de escapar do passado. Todavia, o destino trouxe de volta o que a jovem mãe ainda tentava esquecer. Depois de cinco anos sem ver o homem que a abandonou a própria sorte, ela não revelou os motivos que levaram-na a esconder a existência da criança. Em busca da verdade, doutor Bittencourt tenta se aproximar da ex para se redimir dos erros do passando. Entretanto, existia uma barreira construída pelo egoísmo e a possessividade. Poderia o tempo ou as omissões destruírem um amor verdadeiro? A vida prega peças e os imprevistos fazem questão de recalcular a rota. O livro Só Minha é o primeiro da Trilogia Doce Desejo e conta a história romântica e sensual de dois jovens apaixonados que foram magoados e separados pelos infortúnios da vida. Um drama cheio de desejo e paixão, mas com um abismo de mágoas e um passado misterioso para desvendar. ʕ•́ᴥ•̀ʔっ Boa leitura! ♡

Capítulo 1 Prólogo

Rio de Janeiro, Brasil.

Setembro de 2010.

No décimo primeiro andar da unidade de terapia intensiva do hospital São Miguel, uma jovem com aparência debilitada respirava com auxílio de aparelhos.

Entre quatro paredes em tons terrosos, a luz halógena pairava sobre o rosto com alguns hematomas e a cabeça enfaixada. Aquela seria mais uma noite como as outras se não fosse por uma inesperada visita.

O homem com a fisionomia sisuda, estava parado próximo à janela do quarto bem arejado. Marcello Bordeaux passou os dedos pelos fios dourados e ajeitou a gola da camisa preta. Olhou na direção dos tubos que auxiliavam na respiração da mulher adormecida e se aproximou da cama.

― Por que você é tão estúpida, Nicky?

Os olhos de água-marinha encaravam o corpo imóvel sobre o leito do hospital. A lembrança da mulher caída na beira da escada em volta de uma poça de sangue ainda o atormentava. Marcello deu as costas e pegou o celular que vibrava no bolso da calça jeans.

― Oi, Alexander! Como vai o passeio com a nova amiga?

Enfiou uma das mãos no bolso e fixou os olhos no respirador que mantinha Nicole viva.

― Entendi! Amigão, você sabe que te considero como um irmão. ― Os dedos finos e pontudos tocaram o nariz afilado. ― Acabei de ver a Nicky com outro homem. ― Marcello tencionou o canto dos lábios. ― Pode acreditar! Você precisa relaxar e esquecer a Nicole, ela não presta.

Esfregou a testa com os dedos e chegou mais perto dela ao notar uma lágrima que fluía pelo canto dos olhos fechados.

― Curta a vida, amigo! Aproveite a viagem com a Isabella. ― As sobrancelhas claras se juntaram. ― Certo! Até breve!

Ele guardou o celular e examinou o semblante com marcas roxas. Marcello não tinha ideia se, mesmo em coma, Nicole escutou a conversa.

O dedo indicador tocou o rosto imóvel e secou a lágrima que rolava na pele macia com traços delicados.

― Eu lamento pela morte de um de seus filhos. ― A voz pesarosa cochichou. ― Espero que o outro bebê sobreviva. Adeus, Nicky!

Uma das mãos de Nicole segurou o lençol branco.

Marcello se aproximou do display do ventilador pulmonar. Estava prestes a tocar no circuito dos controles, porém, ele se afastou logo que ouviu o ranger da porta.

― O que você faz aqui? ― Uma senhora de cabelos grisalhos, com um corte na altura do pescoço, ajeitou o blazer do terninho preto assim que atravessou a porta. ― Responda! ― Sophie Bittencourt se impôs com uma seriedade hostil.

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Revisão: Heloísa Braga, Mestra em Língua Portuguesa

Só Minha! Volume 1 da Trilogia Doce Desejo por Yana Shadow.

ISBN: 978-65-00-21193-1 

Ficção Brasileira; 2. Romance.

Capítulo 2 Episódio 1

Centro de Lyon, França.

Janeiro de 2015.

As primeiras chuvas frias do inverno caíram sobre a cidade. Na janela do penúltimo andar do hospital Saint-Mary, Alexander fitou o céu encoberto por nuvens cinzas, ajeitou os óculos e desviou o olhar para a tela do celular, enquanto escutava as batidas suaves das gotas contra o vidro.

― O que você quer, Josephiné? ― O tom na voz rouca soou fria, assim que atendeu a ligação. ― Estou muito ocupado!

― É só isso que você tem a dizer, mon coeur? Tem cinco dias que você não aparece em casa.

― Ficarei por uns dias no hotel aqui perto.

― Você ainda está zangado por que eu sugeri um ménage?

Alexander suspirou pesado e sentou na cadeira da sala onde lia as informações do paciente antes da cirurgia. Os olhos pareciam fendas cortantes como facas, por mais que ele fugisse e desviasse do assunto, era impossível agir como se nada tivesse acontecido nos últimos dias.

― Chega, Josephiné! ― Levantou os óculos e coçou os olhos com os dedos longos. ― Essa conversa acabou!

Ele passou a mão na mandíbula quadrada e em seguida fechou os arquivos com as informações do paciente no computador.

― Quer saber a verdade, eu acreditava que você era gay. ― A voz de Josephiné se ergueu até ficar rouca. ― Depois que achei as fotos no seu livro, eu tive a certeza que era por causa daquela idiota.

― A Nicky ficou no passado. ― Alterou a voz.

― Não! Ela não ficou ― retrucou Josephiné, em voz alta. ― Você gosta de sofrer pela mulher que te abandonou.

― Au revoir, Josephiné!

Alexander verificou a hora no relógio e desistiu de discutir. Encerrou a ligação, passou os dedos longos na testa e respirou fundo.

Ele costumava deixar os problemas em casa e manter o foco no trabalho; contudo, os últimos dias se tornaram mais difíceis depois que Josephiné encontrou algumas fotos e uma passagem para o Rio de Janeiro.

O movimento no ambulatório e na emergência do hospital era constante. A maioria dos médicos residentes sofriam com o trabalho braçal e iam de um lado a outro sem descanso. Suturas, triagens, baterias de exames, diagnósticos precisos faziam parte dos exaustivos plantões.

Na sala de cirurgia, Dr. Bittencourt ressecou e removeu o cordoma, tumor que se espalhava no osso da base do crânio do paciente. Elevou a cabeça para uma das enfermeiras que lhe enxugou o suor na testa e prosseguiu com a sutura.

Logo depois de passar cinco horas na cirurgia, Alexander retirou as luvas, o avental e a touca azul, lavou as mãos e seguiu ao encontro da família do paciente que aguardava por notícias.

― Excusez-moi, madame Françoise!

― Como está meu esposo, Doutor Bittencourt?

― A cirurgia foi um sucesso!

Mesmo que estivesse acostumado com a rotina e as extensas horas extras, naquele dia, ele parecia mais cansado. Por cinco anos deu o melhor de si, obteve avaliações positivas e construiu uma carreira. Naquela quinta-feira fria e chuvosa, Alexander concluiu o seu último dia de residência no hospital.

No término do plantão, Alexander relaxou por alguns minutos no banho quente e, em seguida, envolveu a toalha nos músculos que se formavam abaixo da cintura estreita.

Parecia um soldado confiante, com seu 1,85 m de altura. O porte físico forte e destemido intimidava e chamava atenção de qualquer um que se aproximava. Colocou a calça preta de linho, ajeitou o cinto e fingiu não ver a sombra que o espiava. Sentou no banco, colocou as meias pretas e pegou os mocassins.

― O que você quer, Isabella? ― Levantou após calçar os sapatos.

― Calma, só estava apreciando a visão.

Isabella caminhou, com brio, sob o jaleco branco que sobrepunha a camisa de cetim lilás e a saia preta na altura dos joelhos. Os cabelos dela flamejavam como uma fogueira ardente quando jogou para trás dos ombros.

― Você não perde tempo, não é!

Os músculos do braço e do abdômen ondulavam na manga longa enquanto ele vestia o casaco acinturado cinza e ajeitava sobre os ombros largos. Colocou a jaqueta acolchoada e pegou a mochila.

― Podemos tomar um café?

― Hoje, eu não posso! Tenho muitas coisas para resolver e, além disso, eu preciso conversar com a Josephiné.

Alexander ajeitou os óculos sobre o nariz curvo para cima e a encarou com expressão ilegível, esperava que Isabella não insistisse no assunto.

― Você voltará para casa? ― Foi ao encontro dele até que seus corpos encostassem. ― Vamos sair! Só mais uma noite.

― Não! ― Negou com a cabeça. ― Isso não vai se repetir!

Isabella olhou à sua volta, tudo estava tranquilo e vazio. Os dedos finos abriram os primeiros botões e revelou o colo dos seios volumosos no sutiã vermelho com um decote meia taça.

― Se quiser, podemos ir para um lugar mais tranquilo ou podemos entrar ali. ― Isabella mordiscou o lábio inferior e levantou o queixo indicando a porta da cabine vazia. ― Adoro aventuras.

Com o corpo reteso, Alexander dominou o impulso, os lábios finos e macios de Isabella deslizavam do pescoço até a orelha. A ousadia dela mexia com a libido. A mochila caiu no chão, no momento em que ela tocou e apertou o desejo duro que medrava o tecido liso da calça.

― Vamos?

― Aqui é o nosso ambiente de trabalho.

― Então vamos para um lugar mais tranquilo ― sussurrou

Alexander removeu os óculos. Respirou fundo e olhou na direção da mochila como se tentasse encontrar um ponto de equilíbrio. Logo que colocou os óculos, num rápido movimento, pegou a mochila e colocou nas costas.

― Chega, Isabella! ― Se afastou. ― Isso não vai se repetir!

― Por quê?

― Naquele dia eu estava bêbado. Além disso, foi você quem me contou que eu só falava o nome da minha ex.

― Talvez eu ajude você a esquecê-la.

― Se em três anos, a Josephiné não conseguiu. Quem dirá você?

― Que merda, Alexander! Assim você me magoa.

― Então, desiste! Porra! Eu já tenho muitos problemas e não posso desperdiçar meu tempo. ― O olhar era frio e demorado. ― Preciso ir para casa. Josephiné está me esperando. Adeus Dra. Dufour!

Alexander desvencilhou-se, deu as costas para Isabella e a deixou murmurando sobre o quanto ele se arrependeria por desprezá-la daquela forma. Isabella era uma amiga brasileira que nunca escondeu as suas verdadeiras intenções. Ela sempre deixou claro os sentimentos que nutria por ele.

Em passos largos, ele foi direto para o elevador e, em poucos minutos, estava na entrada principal do hospital. Olhou para o prédio e sentiu o vento frio que batia em seu rosto enquanto ajeitava o capuz da jaqueta impermeável acolchoada.

Antes de sair de casa, ele corria todas as manhãs e, após o trabalho, ia para o seu treino habitual na academia. O corpo atlético era definido por um árduo treinamento físico e uma alimentação adequada.

Alexander arrumou as hastes prateadas dos óculos e, em seguida, removeu o capuz da jaqueta ao entrar no Hard Rock Café. Avistou uma mesa vazia no canto próximo a uma enorme janela de vidro e se acomodou.

― Bonsoir, monsieur! ― O garçom entregou-lhe o menu.

― Bonsoir! ― Limpou a garganta. ― Traga um cappuccino com bastante canela e um croissant, S'il te plait! ― Fechou o cardápio.

― Oui, monsieur! ― O garçom se retirou.

Eram quase cinco da tarde e o celular não parava de vibrar. Era a vigésima ligação de Josephiné. Os dedos esguios tamborilavam na mesa, rejeitou a chamada e tocou na agenda de contatos. Fixou os olhos no número de Sophie e decidiu ligar.

O telefone tocou uma, duas, três vezes...

― Alô! ― Do outro lado da linha, a voz suave atendeu.

Alexander permaneceu em silêncio, não teve coragem de desligar. A mente e o coração lutavam numa guerra intensa na qual não existiam vencedores. O subconsciente era traiçoeiro e fazia questão de trazer à memória o aroma delicioso da pele, o brilho nos olhos amendoados e a doce voz.

Capítulo 3 Episódio 2

Rio de Janeiro, Brasil.

Sete de janeiro de 2015.

O imponente prédio do Hospital São Miguel, por longos anos, era administrado pela Diretora-executiva Sophie Bittencourt. Embora ela comandasse os negócios com mão de ferro, a renomada neurocirurgiã avaliava mentalmente sobre cada minuto que dedicou à empresa nos últimos 40 anos, enquanto captava a imagem cansada no espelho do banheiro.

Anos de trabalho e dedicação para preservar os negócios e o bom nome da família Bittencourt não evitaram que Sophie recebesse o temido diagnóstico que a obrigou a se afastar do cargo. A tomografia contrastada do abdômen e a cintilografia óssea detectaram uma metástase.

O rosto pálido demonstrava que aqueles dias, entre a internação e a radioterapia, foram os momentos mais dolorosos de sua vida. Uma das enfermeiras a auxiliava no banho. Sophie olhou para o reflexo da mulher pálida e franzina. A enfermeira colocou a roupa na paciente, segurou-a pelo braço e levou-a até a cama. Enquanto Sophie se ajeitava na cama, o celular tocou em cima da cômoda.

― Nicky, atenda o meu celular, por gentileza!

Uma mulher com rosto fresco se remexeu na poltrona. Os cabelos castanhos e ondulados tinham um leve corte que emoldurava o rosto com maçãs salientes. Nicole pegou o aparelho e hesitou, pensou se deveria atender, já que a ligação era de um número desconhecido.

― Nicky, quem está me ligando? ― indagou Sophie

― Não sei! É um número desconhecido. ― Tocou na tela. ― Alô!

Por alguns segundos, Nicole ouviu o barulho da respiração do outro lado da linha, e então encerrou a chamada.

Da janela do prédio, uma suave brisa acariciava o rosto de Nicole. Com os olhos cerrados, as mechas onduladas que voavam a favor do vento.

― Quem foi que ligou? ― Sophie mirou a tela do celular.

― Não faço ideia!

Nicole virou-se na direção da cama e olhou para o outro oposto, parecia que Sophie lia seus pensamentos.

― A pessoa não disse uma palavra.

― Se for algo importante, vão ligar de novo.

Ela se afastou da janela e se sentou na poltrona de couro marrom. Resistiu ao impulso de perguntar sobre Alexander. Nos últimos anos, Nicole se esforçou para esquecer a ideia de que ele voltaria em seu cavalo branco e que ambos viveriam o famoso "felizes para sempre", como nos contos de fadas. Não que, às vezes, esse final não passasse pela sua cabeça, mas depois de cinco anos esperando, ela não sabia no que deveria acreditar.

Era quase meio-dia quando uma criança entrou correndo no quarto, acompanhada por um senhor elegante de porte físico esbelto e cabelos pretos. Ricardo pedia em vão para que a criança não corresse.

― Mamãe, mamãe! Olha o que meu avô comprou.

Uma euforia tomou conta do pequeno Alex, que usava uma blusa com o símbolo do Homem-Morcego, uma bermuda comprida e tênis pretos. A criança que tinha pouco mais de cinco anos, media 1,17 m. Alex ajeitou os óculos com o dedo indicador sobre o nariz e prestou atenção na mãe que se abaixou e ficou na altura dele.

― Meu anjo, Sophie está cansada, agora se acalme um pouco e leia uma história para ela.

Nicole deixou o filho aos cuidados da enfermeira e acompanhou o doutor Ricardo. Ambos saíram ao encontro do oncologista de Sophie para obter informações sobre os últimos exames e o estado de saúde do paciente.

O menino se sentou sobre a cama com a ajuda da enfermeira. Abriu a revista com algumas ilustrações e leu os trechos da primeira página. Os olhos cansados reluziam com a boa leitura e a forma como Alex interpretava cada personagem. Sophie pegou o aparelho de telefone e pediu que a criança aguardasse por alguns minutos.

― Oi! Aqui é a doutora Bittencourt!

― Oi! Dra. Bittencourt, como vai?

Alexander brincou ao ouvir a voz da Avó

― Ah, então era você!

― Quem atendeu seu telefone? A voz era idêntica a...

― Nicky! ― Sophie completou. ― Foi por isso que você ficou em silêncio?

― Não, eu só fiquei surpreso por ela me atender.

― Sempre que Nicky tem uma folga no trabalho, vem me visitar. Diferente de você que só promete voltar para o Brasil e nunca vem.

― Daqui a alguns dias vou te visitar.

― Alexander, não demore tanto ― suspirou e olhou para o menino sentado ao lado. ― Talvez eu não consiga te esperar por muitos dias. Preciso conversar sobre um assunto sério com você, quero descansar em paz. ― Sophie acariciou o rosto do menino com ternura.

― Não diga isso! Logo estarei de volta.

A enfermeira entrou no quarto com uma bandeja prata nas mãos. Pegou o menino no colo e o acomodou no sofá.

― Alexander, preciso desligar, é hora da minha refeição.

― Até breve! Daqui a alguns dias chegarei ao Rio de Janeiro.

― Eu te espero! Deus o abençoe!

― Que assim seja!

Apesar do ceticismo, ele respeitava a fé da avó que foi criada com uma família católica e acreditava em Deus. Sempre que ele tinha algum paciente em estado terminal, aconselhava-os a se apegar à fé.

...

Centro de Lyon, França.

Faltavam pouco mais dez minutos para as sete da noite quando o garçom limpou a garganta e colocou a comanda na mesa. Alexander olhou em volta da cafeteria, estava vazia. Apenas o caixa e o garçom aguardavam o único cliente que "esqueceu da vida". Pagou a conta com cartão de débito e deixou uma boa gorjeta.

A noite de janeiro era congelante, ele fechou o zíper do casaco na altura do pescoço, ao sair da cafeteria. Fez sinal para um táxi que, por sorte, passava próximo ao estabelecimento.

O trânsito parecia mais calmo enquanto o automóvel seguia pela via A7. Durante todo o trajeto até Sainte-Foy-lès-Lyon, ele pensava em alguma forma de manter uma conversa pacífica com Josephiné. O carro se aproximou da cidade agradável e rica em vegetação. Em poucos minutos, o motorista estacionou em frente à calçada, próximo a uma casa luxuosa de dois andares, com uma fachada elegante.

A magnífica propriedade tinha uma construção tradicional e impecável. Alexander fechou a porta do automóvel e caminhou pelo estreito piso de ardósia cinza. Subiu às pressas os degraus da escada que dava para a varanda em frente à entrada principal. Abriu a porta e olhou para a sala de estar.

― Josephiné! ― Foi até os outros cômodos do primeiro andar. ― Marcelly! Tem alguém em casa?

Voltou para a sala de estar, com uma decoração que mesclava força e delicadeza nos detalhes em gesso e nas curvas das mobílias. Pousou a mão comprida na cintura e coçou o rosto com barba por fazer.

Cansado, ele foi até o quarto, jogou a mochila em cima da cama e pegou alguns dos livros espalhados pelo chão.

Organizou o amplo cômodo bagunçado pela fúria de Josephiné e recolheu os pedaços da foto. Os olhos claros reluziam quando notou parte do rosto de Nicole no pedaço da fotografia.

Juntou os restos das fotos nas mãos e jogou na lixeira do banheiro, assim que ouviu o barulho do carro estacionar na garagem.

Josephiné afastou o cabelo platinado do rosto oblongo, depois que saiu do automóvel e encaminhou-se até a entrada da casa com a filha. Marcelly acabara de completar três anos naquele ano e sua maior paixão era o pai.

― O papa chegou! ― Ela acenou para Alexander, ao vê-lo através da janela de vidro no segundo andar. ― Papa, papa!

Os passos ligeiros de Marcelly ecoavam pela casa. A menina de cachos dourados subiu as escadas e atravessou o corredor até o quarto com a porta aberta.

― Papa! ― Marcelly correu na direção de Alexander. ― Estava com saudades.

― Eu também, princesa. ― Ele a abraçou.

O apego que a pequena Marcelly tinha com Alexander incomodava Josephiné. Em silêncio, ela entrou no quarto. Abriu a porta do closet, retirou algumas peças de roupas e sapatos. Jogou a mala sobre a cama e colocou os pertences.

― Marcelly, vai para o quarto e separa algumas roupas e sapatos. ― A voz irascível de Josephiné mandou. ― Passaremos alguns dias na casa da vovó.

― Oba! Vamos para Paris! Você também vai, papa?

― Não, princesinha! Tenho muito trabalho, preciso resolver alguns problemas.

― Sei bem o problema que você quer resolver.

O clima entre o casal não era amigável. Algumas vezes, os berros de Josephiné durante a discussão assustavam a filha. A última coisa que Alexander queria era que a menina presenciasse mais uma longa e tediosa discussão.

― Princesa, faz o que sua mãe mandou! Daqui a pouco vou até o seu quarto para brincar com você. ― Alexander deu um beijo na testa da filha e fechou a porta.

― Se vai falar alguma coisa, é melhor dizer logo! Vou embora. ― Josephiné fechou a mala.

― Você só quer brigar! Eu aturo as suas mudanças de humor desde que Marcelly nasceu. Não consigo conviver com você.

― Alexander, você só tem tempo para o trabalho.

Parou em frente a ele e colocou a mão na cintura delineada por um trench coat vermelho com cinto regulável.

― Sempre que você tem folga, você sai com seus amigos e com a Isabella. ― Cuspiu a verdade. ― Minha amiga do escritório viu vocês no Castle Pub. Pensei que o problema era a tal da Nicky, mas estou vendo que você já arrumou mais uma distração por aqui.

― Não suporto mais as suas insinuações ― vociferou a voz rude. ― Se você quer saber a verdade, ― ele apontou o queixo para frente desafiadoramente ― fui ao Pub, bebi além da conta e a Isabella me acompanhou até o hotel Campanile. ― O tom gelado confessou.

― Você saiu com aquela chienne? ― Juntou as sobrancelhas.

― Eu trepei com ela, se é isso que você quer saber. ― Alexander confessou.

Os punhos cerrados de Josephiné avançaram contra o rosto dele, todavia, ele desviou. Em poucos segundos, Alexander prendeu-a pelos braços em cima da cama.

― Nunca mais faça isso! ― Tinha uma expressão sombria no olhar, enquanto encarava Josephiné.

Soltou os braços dela e caminhou até a janela.

― Minha residência no Saint-Mary terminou. Vou para o Brasil.

― Dê um abraço e um beijo na sua avó antes dela partir.

― Chega de deboches, Josephiné!

― Procure a sua ex, brasileira. A tal da Nicky! ― Deu de ombros e colocou uma das malas no chão. ― Ah! Aproveita e leva a Isabella. Vocês formam um belo triângulo amoroso.

― Pare de falar coisas estúpidas. Eu já disse milhares de vezes que a Nicole está casada. Namoramos um bom tempo e foi apenas isso.

― Alexander, você casou com ela!

― E daí? Não te devo mais satisfações. ― Ele aproximou-se da poltrona estofada por um tecido bege. ― Acabou, Josephiné!

― Au revoir!

Josephiné saiu apressada e chamou pela filha. Pegou uma das malas, enquanto Alexander levava as outras bagagens para o carro.

― Papa, você vai voltar? ― Marcelly abraçou-o.

― Claro! ― Beijou a testa da menina. ― Em breve, eu te levarei para conhecer os seus avós no Brasil.

― Je t'aime, papa!

― Eu também te amo, meu anjo!

Ele colocou-a no chão, ajeitou-lhe a touca, o cachecol rosa e ficou observando até que a menina entrasse no carro. O ar frio do rigoroso inverno batia contra o rosto.

Alexander entrou na casa silenciosa e trancou a porta. Pegou a garrafa na adega climatizada e encheu a taça.

Perdido nos pensamentos, jogou-se no sofá. Era quase meia-noite quando terminou a quarta taça de conhaque. Vencido pelo cansaço e o álcool que ingeriu, adormeceu no sofá da sala de estar.

━━━━━━ • ✿ • ━━━━━━

Hello, amores!

Nicole continua firme e forte. E ainda está esperando ele voltar no cavalo branco.

Vê se pode um negócio desse! Que conselho você daria para Nicky?

E a Josephiné que chegou quebrando tudo.

Eta, francesa arretada!

O que vocês acharam da atitude dela?

Alexander também gosta de provocar, né gente!

Me dá aquele voto de confiança e me diz aí o que achou ;)

Ah, não esquece de espiar a cena do próximo capítulo.

Com amor, Yana Shadow

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