- Vamos esperar um pouco mais... - Escutei meu tio dizer, estávamos ambos olhando a minha mãe na cama passando mal, até que ela começou a colocar espumas pela boca, sai do seu abraço, com ela olhando fixamente para nós dois, sai correndo desesperada em busca de ajuda aos gritos. - Socorro, Socorro minha mãe está passando mal! - Gritei para que todos os vizinhos escutassem, mas em vão batendo em todas as portas desesperada, alguns saíram, outros não, eram apenas um grupo de curiosos que se formara na porta de casa, no final ninguém realmente tinha interesse em ajudar.
- Diana! - Vi tio Tales parado na porta de casa com as mãos no bolso me chamando perto deles, com um semblante sério - Diana não tem mais jeito! - Paralisei naquele momento, o que ele queria dizer com não tem mais jeito? Olhei para meu tio que atravessou a rua vindo em minha direção, e mais uma vez pacientemente pegou em minha mão, olhou em meus olhos. - O que quer dizer com... - Me interrompeu naquele momento, assentindo. - Sua mãe acabou de falecer minha querida! - Olhei para ele, algo surgiu por dentro de mim, dor e arrependimento surgiram ao escutar a notícia, brotaram lágrimas dos meus olhos, caindo sem parar, neguei não poderia ser verdade, talvez fosse realmente por arrependimento ou somente pela perda, a verdade é que as últimas palavras que disse a minha mãe é que eu a odiava, a chamei de mentirosa, eu quero saber quem é meu pai, sobre ele e mais uma vez como sempre se negou a me dizer.
Eu já estava cansada de perguntar, de sempre questionar e ela nunca me dizer quem ele era, para onde foi, havia ficado apenas algumas memórias, que eu já estava esquecendo, e como sempre ela fugia, negava a me dá as respostas importantes para mim. Mas vê-la sem vida, era doloroso demais, era tudo que eu tinha na vida, a minha mãe, era sempre quem ia me buscar na delegacia, ou na escola após uma briga e/ou suspensão, estava sempre tentando me fazer ver a vida por outros ângulos, e eu me negava. Olhei para seu corpo sem vida, ela não estava mais ali comigo.
Naquele mesmo dia veio o pessoal do Instituto Médico Legal, embalaram e removeram seu corpo, eu assistir a tudo da porta do quarto, e mais uma vez como sempre gentil, vi meu tio os chamar num canto lhe dar algumas notas em dinheiro, tio Thalles sempre foi ótimo comigo, mas sempre o vi apenas como um tio, e para alguém que anseia pelo retorno do pai para lhe buscar, um padrasto não bastava, eu preciso saber do meu pai, quem é? Como se chama? O que gosta de fazer? Se sou como ele, porque sou muito diferente em tudo da minha mãe, desde a aparência física, a personalidade, sempre estávamos em conflito. Por que ele nunca veio atrás de mim? Mas o principal, por que ele se foi? Não demorou a organizarem o funeral, depois das despedidas, mais uma vez fui abraçada por alguns conhecidos, vizinhos, meus colegas mais próximos, a maioria do tempo me vi envolvida em abraços por meu tio.
- Sabe qual foi a última coisa que eu disse a sua mãe? - Neguei com a cabeça, era um dia cinzento chovia um pouco. - Que tudo vai continuar do mesmo jeito, só que agora eu vou cuidar de você e você de mim. - Sorri fraco, com o rosto pesado para aquele homem que sempre esteve ali, de pele amarelada, olhos verdes, cabelos claros, meio gorducho, eu amava a minha mãe, mas o segredo em torno do meu pai me tortura, a cada lembrança que eu me esforço para lembrar, elas fogem de mim, eu estava esquecendo tudo sobre ele, só me restava o anel de pedra preta no dedo na memória, pior que a única pessoa que me restou, eu perdi sem saber dar-lhe devido valor, ela levou o segredo mais importante da minha vida para o túmulo. Tudo sobre o meu pai!
Dois meses passaram rápido após a sua morte, e realmente nada mudou, exceto pela falta dela, meu tio realmente cuidava de mim. - Diana acorde para o café da manhã! - Eu já estava acordada havia um tempo, só atualizava minha playlist para escutar na aula de biologia e inglês, já que pelo menos nesta fui aprovada, depois que minha mãe se foi, deixei as festas, a bagunça de lado, meus dezoito anos chegavam em uma semana, acrescentei tons escuros ao meu guarda-roupa, ultimamente me vem umas músicas lentas eu fico revirando tudo em minha mente para não esquecer meu pai, a agora ela, minha mãe.
- Preparada para hoje? - Perguntei animada, até que ela aponta com o queixo para o outro lado da rua, não olhei, eu sempre soube quem é, ele sempre estava lá nos olhando. - Vamos esquecer, eu não quero olhar para a cara desse idiota tão cedo. - Caminhei de braços dados com a minha amiga, indo em direção da sala, na verdade, esquecer Paulo, minha primeira paixão na vida não foi fácil, mas após espalhar para todos na escola que foi meu primeiro homem, perdeu meu coração, estava tão perto, tão fácil, ele jogou fora, com a perda da minha mãe, nos afastamos mais e mais, ele tentava uma reconciliação, mas para mim, só via um idiota a minha frente.
- Bom dia meninas! - O ignorei por completo quando ele passou por nós na sala. - Bom dia Paulo! - Olhei para a única que respondeu, era Cristina, suspirei em resignação. Mas antes que eu falasse algo sobre isso, o vi aparecer em minha frente. - Diana até quando você vai ficar com esses joguinhos idiota?
Olhei para seus olhos azuis, sua pele branca lisa, os cabelos castanhos escuros bem penteados para trás, o nariz fino, usando o uniforme masculino da escola, ele é bonito e sabe disso, mas não sou obrigada a perdoá-lo, tentou pegar em meu queixo, recuei. - Até quando você acha que eu devo levar esse joguinho? Me diz você, se só por colocar a boca nos meus seios você saiu pela escola inteira dizendo o que não aconteceu, o que vai dizer se realmente se acontecer?
Falei em voz alta, fazendo todos ficarem surpresos, eu já estava cansada dos burburinhos pelos cantos, me olhando de soslaio, vi o rapaz a minha frente ficar vermelho e sem graça. - Diana... - Sorri, a minha resposta já havia sido dada, todos sempre souberam que eu não sei controlar as palavras, o que ele queria? Logo senti o puxão na manga da minha blusa, olhei para Paola a meu lado, olhando disfarçadamente para frente ajeitando uma mecha loira de cabelo atrás da orelha. - Oh não! Não. - Retruquei, eu não havia feito isso? Eu fiz, o professor Mark nos olhava de pé ainda perto da mesa atento, com seus olhos fixos em nós, e isso definitivamente era certeiro, meu tio Thales saberia disso naquela mesma tarde.
Horas Depois
- Como você pôde Diana? Eu confiei em você, eu sempre te defendi para a sua mãe e olha para você, enquanto te defendia em casa o que você estava fazendo? - Balancei a cabeça sentada no sofá, era a primeira vez que eu via meu tio tão agitado andando de um lado para o outro, enquanto não parava de falar comigo. - Tio não foi bem assim, eu... eu... já namorava o Paulo há... - Fui perdendo a voz a medida que ele me encarava ao me escutar, seus olhos mostravam-se alterado, chateado.
- Então você já namorava o Paulo? - Assenti, recebi um tapa certeiro no lado da face que ardeu de surpresa, queimou como nunca em minha vida, não fora o meu primeiro tapa na cara, dele, sim, mas da minha mãe já houve alguns, estávamos sempre em conflito, mas esta era a primeira vez que ele me batia. Coloquei a mão do lado do rosto sentindo as lágrimas caírem. - O que você fez? - Confirmou me dando a máxima certeza que sim, ele havia me agredido. - O que você acha que eu sou? O papai Noel hã, te ajudo com os deveres de casa, te alimento, compro roupas para quê o que você acha que é a Cinderela Diana? - Neguei, enquanto meu rosto ainda doía pelo tapa.
- A partir de hoje, você não vai mais chegar perto desse rapaz, direto para casa após a escola, e se teimar, não, não queira ver a minha pior face Diana, eu juro que se arrependerá amargamente se me forçar revelar meu outro lado. - A medida que se aproximava notei seus olhos vermelhos, em treze anos que o conheci nunca o vi tão transtornado. - O que vai acontecer comigo tio? Eu vou ser reprovada eu preciso estudar? É assim que prometeu cuidar de mim? - Sorriu assentindo, isso me assustou, mas eu sou Diana Fontenelle não me deixaria atormentar por ele. - Não, você não pode fazer isso, eu já irei fazer dezoito anos e você não é meu pai.
Afirmou com as mãos nos quadris. - Não, não sou nunca quis ser seu pai, Diana atreva-se a passar por esta porta e veremos se alguém nesta rua conhecendo a sua fama de péssima filha, assistindo às dores de cabeça que deu em sua mãe, te ajudará a fugir de mim, o que você vai dizer? Que eu te bati? Que eu te proibir de sair? - Neguei, com as discussões recorrentes entre mim e a minha mãe antes da sua partida ninguém na rua acreditaria em mim.
Mas levantei diante dele que girou nos calcanhares em fúria, eu não conhecia aquele homem a minha frente, suas mãos vieram a meu tórax, me empurrando contra o sofá. - Sente-se aqui! - Na primeira oportunidade corri para o quarto. Fechei a porta do quarto rapidamente, antes de lhe ver subir as escadas, eu não sabia o que ele poderia fazer comigo naquele momento, semana que vem terei maioridade estarei longe dele, eu mesma posso controlar a minha vida.
Na boate de alto padrão da cidade, a noite me parecia longa, com homens de características distintas sentados à sala com a luz amena, bebiam do melhor whisky, cheiravam da melhor produto sobre a bandeja, ia de um lado para o outro, sentado no meio deles os acompanhando, as mulheres dando o seu melhor dançando sensualmente para atraí-los, as gorjetas dos ingleses são as melhores, elas amam quando eles vêm, mas no momento o interesse deles é a nossa droga, a nossa bebida, as mulheres vêm depois dos negócios.
Aspirei ao máximo que eu poderia da bandeja, Blanka me encheu os ouvidos no nosso último encontro com a sua família sobre o nosso casamento, dependesse de mim, já estaríamos casados há muito tempo. Eu a amo desde sempre, mas foi com várias mulheres que trabalhavam para o meu avô, que eu me transformei um homem experiente para distrai minha total atenção dela, até que ela aceitou ser a minha noiva.
Casamento deveria ser algo que o homem pede e ambos em seguida caminham até a igreja rapidamente, cumprem seus votos e adeus vida de solteiro, nenhuma mulher mais no mundo me basta a não ser tê-la em minha cama, em minha vida. Levantei do sofá deixando meus clientes, as mulheres que trabalham para mim vieram, desde o meu namoro e noivado eu permaneço fiel, intacto, não toco nelas, não tenho relações com elas, mas quando casar-me ficaremos por três dias no quarto, a terei diariamente, valerá o sacrifício.
Olhei para baixo na pista da boate, e como sempre as mulheres se mantêm atraentes, quem fizer o maior lucro da noite tem direito a duas horas de compras no shopping, pode comprar o que quiser, e quanto quiser. É uma forma que encontrei de movimentar o comércio das mulheres, apesar de que as mulheres fazem muito bem, o que gostam. Sou um cafetão de mulheres, drogas e armas, mas ultimamente mais de mulheres é o que mais tem me dado lucro por aqui, não há outros concorrentes, pelo menos os Donatellos não interviram nesse negócio.
Ao olhar em volta, notei uma confusão no cassino, me chamou atenção, quatro clientes ameaçavam um cara nada aparentar, ele estava sozinho, na minha boate pode haver de tudo, menos bagunça, meus clientes não gostam, além de ser ruim para o comércio. Desconcentra tudo, além da maioria dos homens que vem aqui são empresários casados, que procuram diversão, uma foto na mídia, casamentos são desfeitos e empresas despenca as ações, eles perdem dinheiro, e eu também.
- Boa noite senhores! - Falei ao me aproximar, a maioria deles recuou ao me ver, sou alto, forte, não acredito que minha aparência ajudou a conquistar Blanka, minha amada, e sim seus bons olhos. Olhei em volta, o homem mediano, caucasiano, meio gordo de olhos verdes, seguro pela gola da camisa, estava com duas armas apontadas para sua cabeça. - Senhor desculpe-me por... - Dei com a mão evitando escutar, não há desculpa para fazer o meu estabelecimento entrar em descrédito.
- Qual o motivo da desordem? - Arqueei a sobrancelha à pergunta, vendo que na mesa todos ganhavam e apenas um perdera, tudo, na verdade, não havia nada, até que o dealer usando um terno clássico aproximou-se com receio, o encarei em busca de resposta. - O senhor aqui apostou alto, e agora diz não haver tanto a pagar. - Suspirei, lá em cima havia acabado de fechar um negócio, os ingleses são muito discretos, não é atoa que possuem a boa fama que tem, se soubesse que há um cliente desse tipo no estabelecimento, o negócio será desfeito.
- Leve-o para os fundos, arranque tudo dele! - Desta vez quem se ajoelhou em súplica foi o forasteiro, o olhei, sem compreender como ele conseguiu entrar em meu cassino. - Senhor tenha piedade, eu não tenho dinheiro para pagá-los. - O observei sério, pelo traje e aparência não havia mesmo. - Quem o trouxe aqui? - Questionei - Apolo Benavente. - Mordi o lábio inferior por hábito, meu meio-irmão sempre arrumando confusão.
- Mas senh... - Apenas dois olhares em sua direção o escutei tremer sua voz. - O leve para os fundos, arranque tudo dele, até não restar nenhum dano aos meus clientes. - Sai em seguida após receber olhares de admiração, caminhei em direção às escadas, e desta vez, sim, minhas garotas estavam trabalhando dando o seu melhor aos meus clientes, girei nos calcanhares ao ver um dos meus clientes no seu momento íntimo de prazer, sentindo o máximo de prazer com um oral de Lavinsky, seu olhar fazendo aquilo tão bem na minha direção me excitava, pedindo para ser sentida por seu dono engoli a saliva com dificuldade, quase um ano sem sentir uma mulher, se meu casamento não sair em menos de dois meses irei enlouquecer.
Enquanto Andreza saciava outro cliente, aquilo era mais que delicioso para Halfe que recebia aquele carinho maravilhoso, empurrando sua cabeça para penetrar em sua garganta, as outras também desempenham seu papel, devoradoras de homens e certamente no dia seguinte não haveria do que eles reclamarem, bebida, comidas, drogas e mulheres perfeitas em sigilo.
Suspirei encostado na porta por um longo tempo, até que cada um saiu acompanhado por uma mulher para as suítes. - Meninas tratem bem os meus amigos! - Disse vendo John subi as escadas com uma carranca. - Diga John qual o problema da vez? - Balançou a cabeça em negação. - O filho da mãe não tem nada, e um dos apostadores na mesa é um dos Maleastes - Suspirei vendo que mexeria no meu bolso, a família. Maleaste é de alto padrão, se um deles é ofendido, dúzias o segue. - Pague a eles, livre-se desse desgraçado, após tirar tudo que ele tiver.
Subiu até o último degrau, abaixou a cabeça negando. - O problema Max é que ele não possui nada em seu nome, tudo que há em sua responsabilidade não lhe pertence, é tudo da enteada que mora com ele. - Suspirei era apenas mais um noite com problemas. - Faça o que for preciso, para que eu tenha meu dinheiro de volta. - Olhei para a aliança que reluzia em meu dedo girei devagar, sentindo um enorme desejo.
Blanka é uma mulher linda, extremamente loira os cabelos compridos, as sobrancelhas grossas de pelos claros, seus olhos azuis me dão a sensação de estar diante do oceano inteiro sem fim, sua pele branca, alva, me dá a sensação de paz me afastando de tudo isso que herdei, da minha família, sou um mafioso italiano. Por isso todo sacrifício, para ser o dono da sua doçura e ingenuidade será pouca, não foi fácil conquistá-la, poderá ser anos de espera, já que a minha adorada noiva quer tudo perfeito, um jardim aberto apenas para os mais importantes da família, e alguns homens como eu, ainda não acredito que os Donatello vá a este cerimonial, mas seu pai os convidou.
- Olhe esta foto... - Mal olhei a fotografia nas luzes da noite que cintilava em meus olhos, a foto, não me interessava a beleza se quer de outra mulher que não fosse da minha noiva, nada e nem ninguém seria tão bela, tão graciosa e doce como ela, mas era uma bela garota. - O que sugere com esta fotografia? - Questionei visando as luzes na pista de dança, as pessoas consumiam dos melhores produtos, bebem do melhor whisky, e outros produtos na minha boate sem nem mesmo preocupar-se com o valor, como um sem teto e sem posses veio parar aqui? Ninguém poderia saber disso. - É uma bela ragazza senhor, nova, olhe estes olhos, a quantia que levaram foi alta.
Assenti, não tenho ideia de quanto, mas pela preocupação do meu capô deveria ser muito dinheiro. - O que me sugere? - Questionei calmamente. - Essa garota com esses olhos e tanta beleza lhe renderá uma fortuna a cada noite, terá homens a seus pés. - Olhei para ele, tirando um charuto do bolso, o mesmo retirou seu isqueiro acendeu para mim, traguei. - Está me sugerindo que o perdedor tem uma enteada bonita, que pode me garantir o dano que ele me causou em uma noite? - O encarei ele apenas assentiu. - Sim senhor, eles são pobres a garota é bonita, ninguém vai se importar!
Continuei tragado com ele de pé ao meu lado. - O que fizeram com ele? - Questiono entrando na sala que não fedia a outra coisa a não ser sexo, sentei-me ele também a meu lado. - Uma surra como de costume, mas podemos melhorar. - Concordei, era devido dar-lhe outra. - Melhor soltá-lo, o siga e traga a sua sobrinha para nós, quanto anos possui?
- Vai fazer dezoito anos- Franzi o rosto, deveria ser uma adolescente cheia de espinhas, com herpes e cheia de frescuras. - O que você acha que eu vou fazer com uma garota de dezoito anos, John? - Sorriu de cabeça baixa. - Muitos clientes pedem garotas mais novas, e ninguém precisa saber a idade dela. - Assenti, nada que uma maquiagem, e um vestido, salto não ajudasse, importante era recuperar meu dinheiro. - Solte-o e siga em todos os passos, traga ela para mim, quero ela aqui, quanto a ele veremos o que faremos depois.
Ao entrar em meu quarto, fiquei horas, aquela situação não poderia se estender mais, ele insistiu até se acalmar.
- Muito bem Diana! Começamos bem, amanhã pela manhã acorde e prepare o café da manhã comece os deveres que uma mulher deve fazer numa casa! - Disse após dá dois toques na porta, o que eu poderia fazer? Para onde fugir? Fiquei em meu quarto revirando as minhas coisas, coloquei todas em sacolas de viagens, não me importava o que minha mãe deixou para mim, eu vou assumir minha herança essa semana.
A minha vida é mais importante! Quando escutei o bater da porta da sala avisava que ele saiu, fui ao banheiro tomei um banho, recolhi o que havia pelo quarto somente o mais importante, ao passar pela sala peguei a foto da minha mãe, fugi não era o meu caso, aos dezoito anos estava apenas indo embora, pensei em ir para casa da minha melhor que sempre foi minha amiga mais fiel.
Caminhei por um quilômetro no meio da noite, os ventos frios ruidavam a meus ouvidos, mas entre tentar viver com uma pessoa que eu desconheço, seria melhor mil vezes caminhar pelo frio. - Oi tudo bem? - Sorri ao ver a porta do quarto em Paola e a senhora Amanda mora, após o divórcio não sobrou muito para elas, a porta foi fechada após o oi tudo bem, mas depois foi aberta novamente. - O que você quer com a minha filha? - Olhei para a senhora no vestido azul de linho, óculos de aro grossos marrons, em que ano ela vive? Apenas avós usa um óculos desses.
- Preciso de uma ajuda de Paola, senhora Amanda me ajude! - Supliquei sendo mais educada que poderia, na verdade, eu poderia bajular se ela quisesse. - Ela não estar, saiu com um amigo de escola, me disse que vão fazer um trabalho e não tem horas para voltar. - Recuei que trabalho seria este? Não estou sabendo de trabalho algum, e também sobre nenhum boy que ela esteja pegando agora. Não é possível que Paola perca a virgindade primeiro que eu.
- Posso esperar por ela? - pedi segurando a porta para que não fosse fechada novamente, e sem muita gentileza, lhe vir assentir. - ok, tudo bem! - Sorri sendo ao máximo angelical. Passaram horas, fiquei de pé na janela do seu pequeno quarto, não importaria de dormir no chão até arrumar um emprego, até que vi Paola chegar sorrindo ao dele, que não era outra pessoa, era ele, Paulo, meu ex-namorado, ajeitei-me na janela, será que ele estava pedindo conselhos para me reconquistar? Mas andando de mãos dadas ninguém pediria conselhos sobre outra pessoa.
Até pararem, e como foram algumas vezes comigo, ele tomou a iniciativa beijando sua boca, mas desta faltava apenas lhe engolir, meu sangue resfriou nas veias, gelava por todo o meu corpo, seria possível que Paola não estava vendo que ele lhe usava? Me perguntei, vendo a minha melhor amiga beijando meu ex-namorado, as lágrimas vieram, a minha vontade era descer por aquela janela até os dois, arranhar a cara dele e a dela, mas engoli todo o meu desejo, desta vez eu precisava de mais, não iria continuar debaixo do teto com meu tio, por isso era melhor ignorar tudo aquilo.
Esperei Paola subir, e ao abrir a porta dei meu melhor sorriso, ela sorriu arqueando as sobrancelhas ao me ver. - Oi! - levantei da sua cama fingindo não ter visto nada, exceto pelos cabelos ruivos bagunçados, os lábios inchados e uma lacuna de chupões em desordem em seu pescoço debaixo do cachecol, a roupa amassada, ela estava normal. - Di o que faz aqui? Minha mãe me disse que esta me esperando a horas cheia de malas. - Sorri fraco assentindo, vendo o quanto minha mãe faz falta. - Amiga eu preciso da sua ajuda, aconteceu umas paradas lá em casa e... - Sentou-se a meu lado, pegando as minhas mãos. - O que houve?
Suspirei e as lagrimas veio. - Não dá mais para conviver com o tio Thales... - Será que eu poderia lhe contar? Ela estava com o menino que gostei durante a minha adolescência inteira aos beijos a pouco lá fora. - Como assim o Thales, seu tio? - Perguntou deduzindo coisas, suspirei. - Você sabe meu tio é viciado em jogos, bebe muito e... hoje ele ficou agressivo depois que... - Concordou, as lágrimas já denunciavam que iriam descer, gaguejei no final, ela estava com meu ex a pouco lá embaixo.
- E do que você precisa de mim? - Questionou, levantei andando por seu quarto, era minúsculo, quase do tamanho do banheiro da minha suíte. - Uma semana, até que eu resolva a minha vida, vou arrumar um emprego, vou procurar um lugar para mim só preciso terminar os simulados na escola e quando for aprovada, eu juro que...
Apertou as minhas mãos, eu não sabia se olhava para os chupões em seu pescoço ou nos seus olhos, seria eu que ficaria assim se me entregasse a Paulo? Como foi? Sempre fui boa aluna em biologia e admito que tenho noção do que é e como ocorre, teoricamente, mas a professora não falou em chupões, em cabelos amassados e nem mesmo nesse sorriso na boca de Paola. - Amiga claro que eu posso te ajudar, olha onde eu moro, olhe para você é uma Fontenelle. - Engolir em seco, além de ser trairá pelo séria uma verdadeira amiga.
Ficamos no seu quarto, e de lá imaginei como foi, e como seria. Na minha situação atual eu prefiro perder uma paixão a amizades, Paola é tudo que me restou. Arrumei minha bagagem no canto, imaginei todo o cenário dela com Paulo será que foi carinhoso com ela? Doeu um pouco por dentro, mais ele deveria ter sido tão gentil, sempre foi comigo e apesar de tudo, eu nunca consegui me entregar a ele.
Suspirei engolindo a vontade de chorar, apesar das lágrimas descerem ainda no travesseiro. Enxuguei minhas lágrimas, agora tenho problemas maiores, um padrasto louco, viciado em jogos e nenhum centavo no bolso, com boa reputação na vizinhança, foi um marido excelente que cuidou bem da minha mãe, e um maravilhoso padrasto.
Paola ficou intrigada me olhando. Sorri fraco, eu só quero mesmo é esquecer essa noite e seguir em frente. Chorei até adormecer, Paola adormeceu rápido eu não quis imaginar o motivo, pelo menos ao dormir me senti segura, mesmo estando com medo do que poderia acontecer em breve, no dia seguinte quando ele chegasse e não me encontrasse.
Pela manhã acordei fiquei deitada pensando em tudo que poderia fazer na minha vida, depois de uma noite e uma madrugada turbulenta. Paola não estava mais no quarto me ajeitei até que ela entrou com uma cara nada amigável, fechando a porta. - Amiga o que houve entre você e seu tio? - Sentei-me na cama, precisava dizer para alguém, suspirei. - Ele estava super agressivo, ele me bateu no rosto, ele... - A porta foi aberta com um chute, vi aquele homem que chamei de tio a vida toda em minha frente, sempre carinhoso, amigável. - Fugindo Diana? - Engoli em seco querendo correr, apenas para ser pega pelo braço, Paola reagiu em minha defesa ele a empurrou contra a parede, caiu desmaiada não sei, até que ele me pegou pelo braço, fui arrastada aos gritos para dentro do carro, ela e sua mãe não interviram.
Para uma jovem até fazer os dezoito anos, meu tio Thales era um homem maravilhoso, sempre atencioso, brigava com a minha mãe quando me castigava, eu o amava sempre lhe dava um beijo na bochecha quando o pegava desprevenido fazendo algo, ele me criou no lugar do meu pai, para mim era amor de tio e sobrinha, já que nunca houve um homem para ocupar o lugar de meu pai. Não que eu não quisesse, mais o lugar do meu pai sempre esteve vazio, por isso para ele sempre fora Tio Thales, meu tio, que saiu me arrastando para fora enquanto eu queria entrar para ver a minha amiga. Eu não conhecia aquele homem que me segurava, seu rosto estava todo machucado, pelas marcas não fora agressão que sofreu.
- No que você se meteu agora Tio Thales? - Questionei ao vê-lo naquele estado. - Saiu me arrastando até em casa, eu estava com medo, mas, ao mesmo tempo, preocupada. - Eu preciso de dinheiro, Diana, temos que vender a casa, o carro, estou devendo muito alto a pessoas perigosas, temos que vender tudo ou não sei o que eles vão fazer comigo, e com você! - O olhei levando a mão a boca, o problema agora era muito maior.
Ele estava aflito, todo machucado o bateram para valer. - Quanto mais ou menos tio? - Suspirou agoniado. - Muito, muito dinheiro, talvez possamos tentar um empréstimo, mas eu não tenho recursos para isso, você tem que tentar.