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TORCENDO POR NÓS

TORCENDO POR NÓS

Autor:: Josy Ribeiro
Gênero: Romance
O famoso jogador de futebol Antony Sillve, está de volta a sua cidade para ser padrinho de casamento do seu primo, tudo certo na vida do então promissor jogador em ascensão, mas ele não estava preparado para ser posto a prova ao reencontrar a incrível e bela Sarah Carter, a atração entre os dois foi mútua e fulminante, porém o incrível jogador terá que suar a camisa para conseguir conquistar a garota, já que só atração ferrenha para ela não é o suficiente. Além do mais, Sarah, não está em boa fase de sua vida, ela acaba trancar a sua tão sonhada faculdade de fisioterapia, e ainda voltou para casa dos seus pais, devido à problemas financeiros. Para ela, ver Antony Sillve, só piora a sua falta de sorte, já que carrega uma grande mágoa por seu tratamento lhe dado nos tempos da escola, ele porém não fazia ideia da sua antipatia, afinal não eram muitos próximos naqueles tempos, e como bom jogador, não irá medir esforços para vencer as barreiras imposta pela linda garota. Uma vez que entra a paixão em jogo, tudo pode acontecer, e assim será entre os dois. Sarah terá que enfrentar o assédio da mídia, que cerca o jogador em ascensão, além das dificuldades de viver um relacionamento a distância, e um terrível acidente que deixará marcas na vida de Antony, abalando assim o relacionamento do casal, porém o amor de Sarah tudo pode suportar, e não irá deixar o seu incrível jogador perder o maior jogo, o jogo da vida.

Capítulo 1 ENSAIO DE CASAMENTO

Sarah olhou em seu relógio de pulso e viu que passava das nove, estava aflita desejando que aquele ensaio infernal de casamento terminasse logo. Havia trabalhado a madrugada inteira no bufê da senhorita Rose Marrie em pé servindo mesas. Por isso estava tão exausta.

Aquele era o ensaio de casamento de sua melhor amiga, Maryene, e Sarah era uma das madrinhas. Havia aceitado apenas pelo fato de serem muito unidas, quase irmãs, mas sempre soube que sua amiga não pouparia requinte e luxo, e para isso ela havia contratado como cerimonialista, Eva Beneth, a mais requisitada pela alta sociedade.

Desde o início, Sarah não conseguia se sair nada bem com a senhora Beneth. Ela até se esforçava para fazer tudo certinho, mas tinha dificuldades, pois delicadeza, não era muito o seu forte, além de não estar acostumada com todas aquelas regras de etiqueta, o que despertava uma certa implicância da parte de Eva, que nunca estava satisfeita com o seu desempenho e não poupava esforços para demonstrar sua antipatia, como neste exato momento:

- Postura Sarah! Postura! - falou com seu tom de voz autoritário que sempre usava.

Sarah relatava sobre as provocações de Eva, entretanto, Mary acreditava que fosse coisa da imaginação de sua amiga.

Sarah respirou fundo a fim de aliviar a tensão que lhe consumia, abaixou a cabeça e bufou enquanto reclamava baixinho para que a senhora Eva não lhe ouvisse ou diria que reclamar também não é nada delicado. Então, ajeitou sua postura ao lado de Charles, o avô de Mary, apenar de ser um senhor idoso era bastante forte para sua idade e bastante simpático.

- Casamentos são bem cansativos - reclamou Charles soltando o ar.

- Eu só queria tomar um banho e deitar na minha cama.

- Falta pouco, espero, pois minha artrose não vai suportar mais ficar tanto tempo em pé.

Ela olhou para ele preocupada.

- O senhor está se sentindo bem?

Ele levou a mão na região da lombar.

- Estou. Só preciso que isso acabe logo.

Então Sarah bufou concordando. Ela Amava sua amiga, mas desejava mais do que tudo não ser madrinha neste casamento. Seu orçamento estava apertado, e encomendar um vestido importado como todas as outras madrinhas também não cabia em suas finanças.

A pior parte de tudo isso era ter que aceitar ficar no altar ao lado de Antony Sillve, o padrinho escolhido por Breno. Sarah o conhecia dos tempos do colégio, haviam cursado o ensino médio juntos. Foram tempos terríveis do qual Sarah não gostava de se recordar.

Flashback

Dez anos atrás...

Antony Sillve, o garoto mais popular da escola, sempre rodeado pelas garotas mais lindas e os rapazes do time de futebol, como agora, a jovem loira de olhos verdes e usando seu uniforme dobrado na altura do estômago mostrando seu piercing de brilhante no umbigo.

- Oi Antony... parabéns pelo jogo...

O rapaz parou sorridente e deixou uma piscadela para a jovem que abriu um largo sorriso. Rapidamente outras duas moças tão antipáticas quanto a primeira se uniram a ele para enaltecê-lo, logo mais três rapazes tão populares quanto, aparecem deixando alguns comentários sobre o jogo.

Sarah estava no canto encostada na parede, naquele tempo ainda usava seus aparelhos e óculos, vaidade não era seu forte.

Ela observou a cena se sentindo irritada, odiava pessoas como eles, cheios de si, que se achavam os melhores em tudo e esfelregavam na cara dos outros o quanto zero esquerda eram.

Mary e Breno surgiram vindo do pátio principal da escola, eles que já se paqueravam, chegaram próximo do grupinho popular e Breno ainda cumprimentou o craque do time, seu primo, num toque de antebraços e cotovelos parabenizando Antony.

Sarah ainda revirou os olhos se virando de costas, logo ouviu Mary a chamar pelo nome."

Não podia negar que Antony sempre jogou muito bem, ele até foi descoberto por um "olheiro", desses que procuram prodígios para investir em suas carreiras. Por isso ele se mudou com a família para o sul, pois havia sido contratado para jogar em um time Júnior profissional.

Sarah nunca mais o viu. Mas seus amigos sempre traziam notícias, e toda a cidade enaltecida o jogador que estavas fazendo carreira pelo país a fora. Agora ele joga para um time profissional adulto, as vezes Sarah vê alguma notícia sobre ele nas redes sociais, a mais recente delas era de que ele e Lara Bitencourt eram affer, mas Breno negava. Aliás se Sarah fizesse algum comentário negativo, seus amigos saiam logo em defesa do jogador, até chegavam a dizer que Sarah tinha mesmo era ciúmes, e isso a deixava mais irritada.

Semanas atrás...

- O Jogador Antony Sillve foi visto em uma festa particular no iate de Daniel Martins. Convidados como a atriz Camila Ferreira e a modelo Lara Bitencourt também foram vistos...- Sarah leu a notícia postada por um perfil especializado em fofocas.

Ela estava em um almoço com Breno e Mary para decidirem o cardápio do casamento.

- E o que tem de mal nisso,ele só estava se divertindo - Breno se apressou em defender o primo.

Sarah revirou os olhos.

- Nada, eu não esperava menos do espetacular jogador, afinal caras como ele levam vidas promíscuas e devassa.

- Sarah, não seja injusta. O coitado leva a vida se dedicando ao trabalho, merece alguns minutos de diversão... e aí não diz nada sobre orgia se é isso que você está pensando.

- Coitadinho...- Sarah soltou irônica.

As outras madrinhas eram todas finas e elegantes. A família de Mary pertencia à elite social da cidade. Sarah era a mais simples de todas naquele momento. Ela não havia conseguido passar em casa para se trocar. Por isso se destacava com sua calça jeans, que lhe atrapalhava bastante nos movimentos, e seu AllStar predileto preto. As outras usavam roupas caras e provavelmente haviam passado horas no salão de beleza.

Após o ensaio de treino da entrada dos padrinhos, todos partiram para segunda etapa. A senhora Eva Beneth dava as instruções para que cada um se posicionasse em seu devido lugar no altar.

Mais uma vez ela destacou sobre as posições dos padrinho num tom resistente:

- O lado direito pertence ao padrinho do noivo, e o esquerdo reservado aos da noiva! Por favor não confundam isso! - disse, dando uma olhada nada discreta para Sarah, deixando claro que o recado era para ela.

Sara percebeu que estava do lado errado e foi inevitável não sentir vergonha, já que era o centro das atenções, pôde ouvir alguns cochichos sob os olhares esnobes das amigas de Mary. Então respirou fundo, não se sentia confortável com todas aquelas regras inúteis. Mas também que diferença faria estar à direita ou esquerda? Pensou baixinho, completamente enfadonha de tudo aquilo.

Mas o fato era que sempre se atrapalhava sendo alvo daqueles olhares. Sua maior vontade naquele momento era de sair correndo daquele lugar. Se afastar daquelas pessoas. Mas ficaria por sua amiga, que não merecia que ela fizesse o que desejava.

Enfim senhora Eva anunciou o término do ensaio. Ela dispensou a todos agradecendo pela dedicação, afinal este era o último encontro de preparação, pois o casamento seria no próximo sábado:

- Pessoal, sábado será o grande dia em que nossos queridos Breno e Maryene enfim subirão ao altar. Então não se esqueçam do que viram durante os ensaios.

Eva Beneth era aplaudida e ovacionada por todos, afinal diziam que fosse a melhor cerimonialista.

Quando os aplausos cessaram ela continuou:

- Muito obrigada a todos pela dedicação, alguns muito e outros pouco é claro! - ela dizia olhando Sarah por cima dos ombros.

Em resposta revirou os olhos mais uma vez, já estava cansada daquilo tudo.

- O que essa mulher tem contra mim? - Sarah perguntou baixinho para Mary.

Sua amiga esboçou um leve sorriso em resposta, era nítido que achava aquilo uma paranóia de Sarah.

Capítulo 2 LEMBRANÇAS

Sarah sempre ajudava Mary com os preparativos do casamento depois dos ensaios. Enquanto terminavam de escolher os arranjos de mesa, a amiga percebeu que Sarah não estava nada bem. Ela parecia triste e distante. Mary sabia que ela passava por uma crise financeira muito grande, possuía dívidas com a faculdade de fisioterapia a qual era sua paixão. Faltava muito pouco para se formar, mas nos últimos meses havia se descontrolado financeiramente.

Sarah sempre foi uma mulher independente, morava sozinha, pagava a própria faculdade, trabalhava em uma famosa clínica da cidade como estagiária. Mas todos sabiam que estavam demitindo vários funcionários por causa do momento econômico que o país está enfrentando. Havia rumores de que o nome de Sarah estava na lista dos próximos a serem dispensados.

- O que está acontecendo? Você parece muito preocupada - Mary perguntou enquanto organizavam algumas flores.

Sarah ainda demorou um instante para responder:

- Acho que vou precisar voltar a morar com meus pais - disse com voz de choro.

Estava angustiada.

- As coisas não vão nada bem não é, amiga ?

Mary deu um passo abraçando sua amiga.

Se tinha algo que Sarah se orgulhava, era de sua independência. Voltar para casa de sua família significava para ela, o fracasso total de sua vida.

- O senhor Claudio me avisou ontem que o meu aluguel vai aumentar.

- Ah, pense positivo: pelo menos você tem para onde ir. Sarah, seus pais sonham com isso, que você volte a morar com eles.

- Eu sei, mas eles também estão muito apertados, meu pai acabou de comprar um barco. Eles pretendem fazer uma viagem para comemorar as bodas de prata.

Como Mary se tratava de uma romântica incurável, ela suspirou admirada com os planos dos pais de Sarah.

- Que gracinha... Isso é tão, Romântico!

- Pois é. Não é justo que eu atrapalhe os planos deles com minhas despesas. Você sabe como eles estão preocupados comigo, já até pensaram em vender o barco pra me ajudar. Mary eu não quero isso! - A voz de Sarah saiu em um tom de desespero.

- Mas vai dar tudo certo amiga. Você irá se formar logo e vai ser contratada pela melhor clínica do país. Em um desses coquetéis chiques dos quais os médicos participam, você irá conhecer um médico lindo e Rico. Vai se casar com ele, nós vamos viajar pelo mundo inteiro. Eu você , seu marido rico, Breno e a Sofia é claro.

Sarah franziu a testa.

- Sofia? - Perguntou desconfiada.

Mary sorriu.

- Sim, minha filha - dava uma pausa de propósito, queria assustar sua amiga. - Quando tivermos uma, é claro.

Sarah cai na gargalhada, nitidamente aliviada.

Mary sempre sabia uma forma de faze-la se sentir melhor. Aquelas ideias eram engraçadas e ela fazia tudo parecer tão fácil.

- Ah é... E Se for um menino? - Sarah provocou.

Mary respondeu rapidamente como se já estivesse na ponta de sua língua.

- Breno Júnior!

As duas fazem careta e começam a rir juntas. Concordavam que Breno Junior não era uma boa escolha.

- Esta foi péssima : BRENO JÚNIOR -Sarah repetiu franzindo a testa novamente e fazendo careta.

- Verdade amiga, é horrível. Mas o que importa é que você será a madrinha de todos.

Sarah fica espantada.

- Todos, quantos filhos vocês pretendem ter?

- Breno quer pelo menos um time de futebol!

Mary era muito divertida, era nítido seu esforço para tentar fazer a amiga se sentir melhor.

A vida de Mary era estável. Seus pais eram empresários e donos da maior rede de enlatados do estado. Ela se formou em administração e estava atuando na empresa dos seus pais. As duas se conheciam desde a infância na escola, elas estudaram juntas até concluírem o ensino médio.

Breno surgiu interrompendo o momento, Sarah sentiu alívio, não queria mais falar sobre aquele assunto.

- Antony acabou de mandar um print da confirmação do voo dele - falou mostrando a tela de seu celular.

Sarah ficou nitidamente inquieta, no fundo tinha esperanças de que ele não aparecesse, afinal nos dois últimos ensaios ele teve imprevistos.

- Bem que ele podia trazer a tal Lara como acompanhante, facilitaria as coisas pra mim - resmungou de forma antipática se virando de costas.

Mary a olhou imediatamente.

- Ah Sarah, não vai começar com sua implicância, já falei mil vezes que Antony e Lara não tem nada juntos, ele mesmo desmentiu essa fofoca.

Breno também não se conteve:

- Eu tenho certeza de uma coisa, quando Antony estiver aqui, você vai ver quem é de verdade.

Sarah segurou um botão de rosa e levou até o nariz apenas para disfarçar sobre o quanto discordava de seu amigo.

- Eu já o conheço, Antony não passa de mais um desses jogadores em busca de fama, status e dinheiro. E a propósito seu ego continua tão grande quanto na época da escola.

Ao terminar ela jogou a rosa sobre a mesa se sentindo triunfante.

Mary esbravejou com sua amiga:

- Não seja injusta, Sarah.

- O Antony daquela época não tem nada a ver com o homem que meu primo se tornou...

- Não é o que eu vejo nas redes sociais. Mas enfim, logo a cerimônia do casamento de vocês terá um fim, e isso tudo irá passar. O Antony de vocês tão "Senhor perfeitinho"- ela fez um beiço enorme ao dizer isso - irá retornar de onde veio e sumir de vez tão rápido quanto veio.

- Eu não compreendo o porquê de tanto ressentimento com meu primo, Sarah.

Ela olhou para o lustre tentando desviar o olhar.

- Não há nenhum ressentimento, só não gosto de pessoa como ele.

E como se aquela frase tivesse sido ensaiada, Mary e Breno disseram ao mesmo tempo:

- E como ele é afinal?

Então o casal se entreolharam achando engraçado o fato de terem dito aquilo juntos.

E Sarah se sentiu pressionada, a ponto de não saber o que dizer. Apenas ficou mais uma vez irritada por seus amigos ficarem ao lado de Antony.

Então ela foi até a mesa onde estavam suas coisas e pegou sua mochila. Quando voltou ao seus amigos indagou:

- Querem saber se uma coisa? Preciso ir pra casa, tomar um bom banho e descansar... tchau...

Falou abrindo a porta e saindo.

Nem ela mesma entendia o motivo de qualquer assunto relacionado Antony a deixar assim. Sabia que não se tratava de ciúmes como Mary já havia dito. Mas não podia negar que talvez algumas questões pessoais do passado fossem os principais responsáveis por tanto ranço.

Após a saída de Sarah, Breno e Mary continuaram se entreolharando e após um tempo caíram na risada.

Mary foi a primeira a falar:

- Isso ainda não terá fim.

Breno completou convicto:

- Talvez seja uma mistura de amor e ódio.

*

Sarah voltou para seu apartamento ainda irritada. Maryene sabia muito bem que ela nutria profunda antipatia por Antony e ainda insistia naqueles comentários.

Ela jogou a mochila no sofá bufando e foi até a cozinha, colocou água para ferver, sabia que um bom chá cairia bem para relaxar. A fim de se esquecer do que seus amigos haviam feito, recolheu as correspondências de debaixo da porta. Seu semblante não foi um dos melhores quando abriu cada uma. O preço das contas de água, luz e gás, estavam muito altos.

Então se jogou no sofá completamente aflita e preocupada. Não sabia o que faria da sua vida. Sempre foi independente e dona de si mesma. Há exatamente quatro anos, havia saído da casa de seus pais em meio aos prantos de sua mãe. Eles nunca se conformaram com sua saída, na verdade Sarah não precisava mesmo ter ido embora, sempre se relacionou bem com eles. Seus pais tinham boas condições de ajudá-la, apenas não poderiam lhe dar muitos luxos, mas com certeza não lhe faltaria nada. Porém, Sarah queria mais. Sentia uma necessidade de criar asas, ser livre e dona de sua própria vida.

Se lembrou que no último sábado seus pais a visitaram em seu apartamento. Depois de uma minuciosa inspeção de Meire sob o olhar de repreensão de Tonny, seu pai. Meire exigiu que Sarah voltasse para casa, pois segundo, ela aquele apartamento era pequeno demais e nada aconchegante. Também reclamou da localidade, somente porque havia passado na tv uma notícia sobre um arrombamento a um apartamento próximo dali. Essa preocupação toda, eram coisa de mãe. Então apenas ignorou.

Mas agora precisava decidir se continuaria com o aperto financeiro ou engolia seu orgulho e voltava pra casa de seus pais. Sabia que lá seria sempre bem recebida e seus eles ficariam muito contentes.

Após respirar fundo, decidiu deixar a nostalgia de lado. Precisava de um bom banho, descansaria um pouco e mais tarde daria continuidade a seu trabalho de pesquisa da faculdade, estava empenhada naquilo há meses, era o que amava fazer, se enfiar nos livros e estudar. Se dedicava ao máximo, desejava. Se formar e atuar neste campo de pesquisas. Sabia que era boa nisso, só precisava de uma oportunidade.

"

Faltavam poucas horas para o início da cerimônia. Sarah acabava de chegar do salão.

Estava furiosa, pois havia marcado horário, mas o responsável pelo estabelecimento havia passado outra cliente em sua frente, uma mais frequentadora do ambiente que ela.

Não pôde fazer nada, caso ela não esperasse estaria perdida, não conseguiria dar um jeito em seu cabelo tão rebelde sozinho.

Ficar esperando horas tinha valido a pena, afinal seu cabelo havia ficado maravilhoso. Fizeram um penteado moderno, jogando seus longos cabelos para o lado em uma cascata de cachos. Sua maquiagem era marcante, definindo bem seus grandes olhos verdes, não gostava muito de se maquiar, raramente passava um rímel ou um brilho labial, Mary sempre insistia para experimentar seus cosméticos e maquiagens, mas ela nunca se interessou. Porém havia decidido que no dia do casamento de sua amiga estaria impecável, por isso escolheu cada detalhe, Já que precisaria estar diante de Antony, estava decidida a não se sentir inferior, ele certamente seria o assunto da cidade e corria risco de sair em algum noticiário, então nada poderia dar errado,

O seu vestido estava em cima do sofá, havia colocado lá para facilitar.

Enfim ela respirou fundo. Seus nervos estavam a flor da pele. Antes de ir para o quarto ela se distraiu em frente a uma fotografia na estante.

Se tratava de uma uma imagem sua de quando ainda usava aqueles aparelhos horríveis. Sarah se aproximou, pegou o porta retrato e se recordou de uma cena da sua adolescência .

Sarah tinha 16 anos...

"Ela observava os rapazes na quadra da escola que estavam treinando para um campeonato importante. Entre eles estava Antony, com seus cabelos escuros encharcados de suor. Ele fazia altos dribles deixando todos vidrados com seu talento. Algumas garotas estavam na arquibancada, torcendo e se oferecendo com todo o seu libido adolescente.

Os garotos estavam tão empolgados com as belas moças que não notaram a presença de Sarah. Mas talvez assim fosse melhor. Muitas das vezes ela queria mesmo era ser invisível, preferia continuar no anonimato.

De repente uma pancada forte lhe atingiu. Antony havia chutado a bola lançando ela para fora lhe acertando em cheio.

Sarah se desequilibrou e caiu no chão, seus óculos voaram para longe e ainda teve seu cotovelo arranhado, mas o leve ferimento não era tão doloroso quanto ver todos ao redor a observando e rindo daquela cena, havia se tornando o centro das atenções.

Ainda no chão, suja e ferida, percebeu que era o próprio Antony quem corria em sua direção, a cena pareceu acontecer em câmera lenta. Seus cabelos balançavam na medida em que ele corria, enquanto seus olhos verdes brilhavam feito duas esmeraldas se destacando em contraste com o sol.

Quando se aproximou, Antony a ignorou por completo, parecia simplesmente não enxergá-la. Ele recolheu a bola e voltou ao campo rapidamente.

Um semblante de decepção se formou no rosto da jovem de cabelos cacheados e um par de olhos também verdes.

Sarah limpou sua roupa dando tapinhas a fim de expulsar a poeira enquanto procurava por seus óculos, então o colocou de volta no rosto sentindo um leve ardor no cotovelo direito.

- Babaca! Podia pelo menos ter pedido desculpa!- exclamou bufando."

Por este motivo, ninguém lhe convenceria de que Antony Sillve não passava de um metido. Mas ela sabia muito bem que jamais a entenderiam, principalmente seus fãs como Mary, Breno e toda sua família. Até mesmo seus próprios pais o admiravam. No outro dia Tonny, seu pai, estava assistindo a um comentário esportivo na TV, quando o jornalista criticou Antony, seu pai logo reagiu e saiu em defesa do "Senhor perfeitinho". Sarah sabia que esta era uma batalha difícil de vencer. Por isso respirou fundo e foi para seu quarto, era melhor se aprontar para não se atrasar.

Capítulo 3 O GRANDE DIA

As ruas ao redor da igreja matriz estavam cobertas de carros. Afinal estava se casando a única filha de um dos maiores empresários da cidade.

Sarah havia pedido um carro pelo aplicativo de celular.

Quando o carro estacionou ela ainda estava se sentindo insegura, talvez tivessem exagerado em sua maquiagem ou seu vestido fosse extremamente sensual, havia escolhido um Fraga azul turquesa longo e possuía um generoso rachado até o joelho esquerdo que revelava suas sandálias de saltos exageradamente altos que haviam sido escolhas de Mary.

Antes de descer do veículo percebeu que o motorista lhe observava com um sorriso malicioso no rosto, e lá já havia notado que ao longo da viagem ele não parava de lhe olhar pelo retrovisor do meio do carro, e nem ao menos se esforçava para disfarçar. O que estava a deixando bastante desconfortável, pois não estava acostumada com tal admiração masculina. Quando desceu do carro não foi diferente, os olhos do motorista ainda estavam sobre ela, então respirou fundo criando coragem para dar mais um passo. Olhou as horas através do celular, se apavorou quando percebeu que estava muito atrasada. Ficou imaginando como conseguiria encarar a fúria da senhora Eva Beneth. Ela fez uma leve careta. Felizmente esta seria a última vez que se encontraria com Eva.

Caminhou na direção da entrada principal da igreja enquanto guardava o celular em sua elegante bolsa carteira de veludo prata. Quando estava quase chegando à escadaria, por um instante de distração, toda elegância foi se desfazendo na medida em que Sarah se atrapalhou e acabou se desequilibrando. Ela sabia que cair no chão se espatifando não seria nada agradável.

De repente sentiu uma mão forte e masculina lhe segurando pela cintura.

- Cuidado! - disse ele enquanto a amparava em seus braços.

Foi tudo muito rápido.

As mãos que lhe seguravam eram fortes e quentes. A nudez de suas costas revelada pelo vestido permitiu sentir o calor daquele toque inesperado. Ela temia encará-lo, aquele que havia lhe socorrido. Não conseguia reconhecer apenas pela voz.

Seria o motorista?

Esta ideia lhe deixou mais envergonhada ainda.

Após se erguer Sarah tentou se recompor temerosa em descobrir de quem eram aquelas mãos. Se não fossem por elas, aquela altura já estaria no chão. Ela retirou uma mecha de cabelo do rosto e se virou a fim de encarar ele, pois precisava agradecê-lo por seu ato heróico de lhe salvar. Ficou em choque quando descobriu de quem se tratava. Jamais imaginaria que pudesse ser ele.

Só poderia ser brincadeira do destino!

Definitivamente hoje ela não estava com sorte.

Ele parecia ser mais alto do que nas fotos, moreno de olhos esverdeados, e seus cabelos estavam bem penteados. Ficava elegante com aquele smoking preto bem diferente dos uniformes de jogadores que costumava usar. Sarah ficou rubra de vergonha, e pediu aos céus para que ele não percebesse. Aquela era uma situação um pouco estranha. E assim ela refletiu sobre todos os seus planos que pareciam terem sido frustrados. Seu encontro com ele, havia sido mais desastroso do que ela imaginava. Não conseguia definir apenas um sentimento naquele momento. Mas sabia que o mais sensato era enfrentar aquele turbilhão de emoções e encará-lo de frente.

A voz rouca e grave a tirou de seus pensamentos:

- Você deve ser a minha...

O restante da frase Sarah não conseguiu compreender. Era como se tudo parasse naquele instante. O seu coração batia tão depressa e forte em uma arritmia cardíaca. Se ele ao menos parasse de sorrir com aqueles dentes tão perfeitos, talvez facilitasse as coisas. Estava lhe deixando desconcertada. Ou talvez estivesse se divertindo com toda aquela situação, afinal não era todos os dias que ele via uma mulher desequilibrar e quase cair daquele jeito.

- S-i-m... Sou... sua!

Ela praguejou mil vezes em sua mente por não ter conseguido dizer a frase sem gaguejar.

- Minha? - Antony perguntou em um tom irônico.

Naquele instante ela soube que ele estava colocando um duplo sentido em sua fala.

A cada minuto ela ficava mais nervosa com toda aquela situação. Não conseguia controlar seu corpo e muito menos sua fala. E para piorar o sorriso de Antony revelava duas covinhas nas bochechas. Aquelas que ela conhecia bem. Havia sonhado com elas desde que soube que seria a madrinha no casamento com ele. Mas nunca conseguiu entender o motivo daqueles sonhos.

- Minha acompanhante, a madrinha! - Ele finalmente lhe ajudou.

Ela sabia que precisava colocar a cabeça no lugar urgentemente e parar de agir feito uma desorientada. Não poderia continuar assim tão vulnerável.

Rápidos flashes vinham em sua mente, as de uma adolescente, aquela menina com seus horríveis aparelhos sendo desprezada como se não existisse, aquela que se sentia inferior a todos, e que havia sido ignorada principalmente por este à sua frente.

Então ela soube que ainda estava em tempo e poderia dar a volta por cima.

- Sou a madrinha de Mary. Muito obrigada pela... Ajuda... - ela disse conseguindo se recompor e se afastando dele.

Ajeitou os cabelos novamente, a fim de distrair um pouco e assim poderia evitar de olhá-lo nós olhos

- Percebi por causa do vestido. Parece que todas as madrinhas deverão usar essa cor.

- Sim, foi Mary quem escolheu esse tom!

Agora sim ela se sentia orgulhosa. Havia conseguido ter um diálogo comum com aquele homem. Apesar de que em sua barriga parecia ter vários dançarinos ao mesmo tempo em algum passo sincronizado.

- Bela escolha. Inclusive você está muito linda. Prazer sou Antony Sillve.

Então o viu lhe estender a mão gentilmente.

Aquele momento durou menos que um segundo, mas que pareceu uma eternidade. Talvez por que seu corpo não queria obedece-la. Mas finalmente conseguiu dar uma ordem ao cérebro que devolveu o cumprimento estendendo-lhe a mão de volta.

Olhou rapidamente para não parecer mal educada.

- Sarah Carter.

Ele a olhou de volta desconfiado.

Aquilo fez suas pernas estremecerem. Franzindo a sobrancelha ele ficava mais charmoso ainda.

- Tenho a impressão de que eu já te conheço? - Ele fez uma pausa como se tentasse se lembrar de algo. - Mas acho que uma beleza como essa eu jamais esqueceria.

Naquele instante ela percebeu que estava prendendo o fôlego.

- NÃO... Nós não nos conhecemos!- disse rapidamente.

Era melhor assim. Ele não se lembraria daquela moça tão insignificante que estudou com ele no passado. Mas o importante era o presente. Agora, Sarah tinha se tornado uma bela mulher, confiante, bem diferente daquela adolescente insegura.

Antony não conseguia tirar os olhos dela, mas se ele esperava que ela caísse aos seus pés, estava completamente enganado. Ela não iria se convencer com seus elogios baratos. Certamente agia sempre assim diante de uma mulher.

A voz de Camila uma da madrinhas, soou vindo da entrada da igreja:

- Sarah você está atrasa...- ela tentou terminar sua frase no mesmo tom de arrogância que havia começado, mas ao notar a presença de Antony, a patricinha respirou fundo e tentou ser o mais delicada possível.- Olá, Antony.

Sarah revirou os olhos irritada, seria essa a reação das mulheres diante dele?

- Acho melhor entrarmos, pois já estamos atrasados... Não é mesmo Camila! - Sarah sugeriu um tanto irônica.

- Você tem razão, vamos! - concordou ele.

Sarah não se agradou muito do tom autoritário que ele usou, quando disse Vamos! Mas vê-lo oferecendo os braços em ato gentil e cavalheiro, lhe surpreendeu. A convidou a entrelaçar os braços nos seus para que entrassem juntos, afinal eram o par um do outro.

Quando finalmente chegaram ao salão principal da igreja. Todos os olhares estavam voltados para eles. Na verdade o foco principal era ele, o jogador de futebol Antony Sillve.

Como já previsto, Eva Beneth fuzilava Sarah com um olhar pelo atraso. Mas foi salva pela celebridade ao seu lado. Eva se aproximou deslumbrada com o acompanhante de Sarah. Seu sorriso estava de orelha a orelha. Ela nem ao menos se deu ao trabalho de disfarçar.

Então, era realmente este o efeito que Antony causava nas mulheres.

- Antony, é um prazer ter você aqui! - a senhora Eva disse quase se jogando para cima dele com um tom exageradamente gentil.

- O prazer é todo meu. Desculpe pelo atraso, tive problemas com meu voo.

Acreditem, a senhora Eva continuou a sorrir, e sua resposta a seguir foi ainda mais surpreendente:

- Tudo bem. Imprevistos acontecem - disse enquanto piscava para ele.

Sarah bufou incrédula com o que estava vendo. Melhor assim. Pelo menos Eva estava tão ocupada se jogando para cima de Antony que lhe deixou em paz. Decidiu ignorá-la também, e felizmente ela precisou sair do salão para atender um chamado em seu ponto eletrônico.

Lógico que antes de sair abriu um largo sorriso para Antony.

Não podia negar que ficava incomodada. Porque todos tinham que se desmanchar diante do "Senhor perfeitinho"?

Naquele momento todos queriam ver Antony. Afinal ele era uma celebridade. Era visível a admiração que tinham por ele. As mulheres não paravam de cochichar umas com as outras se derretendo enquanto ele era abraçado por alguns amigos e parentes.

Finalmente Eva deu ordem para que todos se colocassem aos postos e entrassem, pois a cerimônia iria começar.

Tudo estava incrível. Mary havia escolhido cada detalhe com muito carinho. Além do mais ela tinha bom gosto e requinte. A igreja estava toda decorada com lírios. Um tapete de veludo vermelho dava um charme a decoração. Estava tudo como ela havia planejado, seus convidados a aguardavam ansiosos. Mas os centro das atenções realmente eram Sarah e Antony, o orgulho da família Sillve e daquela cidade inteira.

Sarah sentiu seus maiores temores virem à tona quando percebeu toda atenção voltada para si. Não era nada fácil para ela e os minutos não passavam, temia se desequilibrar e cai ou cometer alguma garfe, além do mais eram muitos flash de celulares e câmeras sobre eles, o que não facilitava as coisas.

As lembranças de todas as repreensões de Eva, vinha em sua mente todo:

"Sarah Carter postura! Assim você parece estar com vinte toneladas nas costas Sarah!

"Essa menina nunca teve aulas de etiqueta, não é possível!"

Rapidamente afastou os pensamentos negativos e abriu seu melhor sorriso na tentativa de ser mais confiante. Logo percebeu que já estavam no altar, em suas devidas posições.

Mary entrou ao som da marcha nupcial tocada por um violinista. Estava linda. Os seus cabelos dourados estavam presos em um coque baixo e sua cabeça estava envolta por uma coroa de princesa bastante delicada de ouro branco cravada em brilhantes. O seu vestido era maravilhoso como somente um Vera Wang consegue. Breno estava radiante de felicidade e no meio da cerimônia ele se emocionou ao fazer os seus votos de casamento se desmanchando em lágrimas, uma cena muito fofa. A felicidade estava estampada no rosto dos noivos.

Durante o beijo do casal, Antony foi o primeiro a aplaudir e tornar o momento mais caloroso em meio aos assobios delirantes dos outros padrinhos e dos convidados.

Em meio a euforia, Sarah sentiu um leve arrepio quando Antony se aproximou de seu ouvido. Foi muito rápido, entretanto aquele contato era íntimo demais e o suficiente para que o calor de seus lábios se espalhassem por toda extensão do seu ouvido de uma forma inquietante causando um turbilhão de sensações.

- Eles formam um casal perfeito!

Ainda desconcertada por todas as reações de seu corpo com aquela aproximação, ela tentou disfarçar, mas ele notou, e gostou de deixá-la naquele tom quase vermelho.

- Sim... afinal eles se amam - Foram as únicas palavras que ela conseguiu dizer.

Ele sorriu de canto.

Sarah praguejou mentalmente mil vezes, percebia que precisava manter distância dele, Antony sempre foi bom naquele jogo de sedução, ela não estava disposta a jogar qualquer jogo que fosse com ele.

Ao terminar a cerimônia, Sarah se sentiu mais aliviada. Enfim tudo havia ocorrido muito bem e agora ela poderia se afastar daquele homem que tanto a incomodava. Sua presença a desconcertava. E a forma que todos o admiravam lhe causava incômodo, parecia algo extremamente exagerado.

Ela tentou se afastar dele, mas de repente sentiu uma mão tocar a cintura dela com excesso de intimidade. Sarah olhou para a mão dele e por um instante não conseguiu reagir como desejava, planejou abrir a boca para reclamar, mas dois pares de olhos esverdeados se encontraram com os seus, antes que ela argumentasse qualquer coisa um jornalista se aproximou.

- Posso fotografar vocês?

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