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Tarde Demais, Sr. Albuquerque

Tarde Demais, Sr. Albuquerque

Autor:: Xiao Wang Qin Qin
Gênero: Moderno
Minha vida com Ricardo Albuquerque, herdeiro do agronegócio, parecia um conto de fadas, mesmo que eu, Isa Santos, uma arquiteta, tivesse posto meus sonhos de lado pelo nosso casamento. Mas então, a descoberta cruel: Vanessa Melo, a influenciadora fútil, era a amante. Minha tentativa de "resolver" tudo, comprando uma passagem só de ida para Milão para Vanessa, transformou a dor numa escalada de terror. O telefone tocou. Era ele, Ricardo. E o que vi na videochamada gelou meu sangue: meus pais, Afonso e Beatriz, amarrados em um cativeiro sujo, um cronômetro digital contando implacavelmente no canto da tela. Ameaças frias exigiam que eu revelasse o paradeiro dela, ou eles pagariam. A partir daí, minha vida virou um inferno público. Ele vazou minhas fotos íntimas na internet, me forçou a doar meu sangue raro para o pai da amante, humilhou-me em galas da alta sociedade. No meu próprio aniversário, Vanessa, a amante, me espancou na frente de todos, sob o olhar aprovador e cruel de Ricardo. Depois, fui arrastada para uma cela imunda. Como o homem que me prometeu devoção eterna pôde se transformar num monstro sádico? Cada tapa, cada humilhação, cada dia na prisão me ensinou uma verdade brutal: o amor dele era uma doença. Mas por que tanta crueldade? O que ele realmente esperava com tudo aquilo? Enquanto ele planejava meus dias de submissão, eu ativava, secretamente, cada cláusula do meu contrato pré-nupcial, aquele que ele nem lembrava. Eu enterrei meu passado em cinzas. Minha fuga para Lisboa com meus pais, sob uma nova identidade, não era mais uma opção, mas uma promessa. Ele podia ter meu passado, mas a liberdade seria minha. E a justiça, eu a alcançaria de outra forma.

Introdução

Minha vida com Ricardo Albuquerque, herdeiro do agronegócio, parecia um conto de fadas, mesmo que eu, Isa Santos, uma arquiteta, tivesse posto meus sonhos de lado pelo nosso casamento. Mas então, a descoberta cruel: Vanessa Melo, a influenciadora fútil, era a amante. Minha tentativa de "resolver" tudo, comprando uma passagem só de ida para Milão para Vanessa, transformou a dor numa escalada de terror.

O telefone tocou. Era ele, Ricardo. E o que vi na videochamada gelou meu sangue: meus pais, Afonso e Beatriz, amarrados em um cativeiro sujo, um cronômetro digital contando implacavelmente no canto da tela. Ameaças frias exigiam que eu revelasse o paradeiro dela, ou eles pagariam.

A partir daí, minha vida virou um inferno público. Ele vazou minhas fotos íntimas na internet, me forçou a doar meu sangue raro para o pai da amante, humilhou-me em galas da alta sociedade. No meu próprio aniversário, Vanessa, a amante, me espancou na frente de todos, sob o olhar aprovador e cruel de Ricardo. Depois, fui arrastada para uma cela imunda.

Como o homem que me prometeu devoção eterna pôde se transformar num monstro sádico? Cada tapa, cada humilhação, cada dia na prisão me ensinou uma verdade brutal: o amor dele era uma doença. Mas por que tanta crueldade? O que ele realmente esperava com tudo aquilo?

Enquanto ele planejava meus dias de submissão, eu ativava, secretamente, cada cláusula do meu contrato pré-nupcial, aquele que ele nem lembrava. Eu enterrei meu passado em cinzas. Minha fuga para Lisboa com meus pais, sob uma nova identidade, não era mais uma opção, mas uma promessa. Ele podia ter meu passado, mas a liberdade seria minha. E a justiça, eu a alcançaria de outra forma.

Capítulo 1

Isa Santos olhou para o e-mail de confirmação.

A passagem só de ida para Milão em nome de Vanessa Melo estava comprada.

Ela suspirou, um misto de alívio e apreensão.

Finalmente, um passo para longe do inferno que seu casamento com Ricardo Albuquerque se tornara.

Anos de dedicação, sonhos de arquiteta postos de lado, tudo por um homem que agora a traía abertamente com uma influenciadora digital fútil.

Seus pais, Afonso, ex-diplomata, e Beatriz, advogada renomada, sempre desconfiaram.

O contrato pré-nupcial com a cláusula de traição era a prova disso.

Uma rede de contatos discreta, herança da carreira deles, era sua garantia de um recomeço.

Isa fechou o laptop.

A calmaria antes da tempestade.

Ela sabia que Ricardo não aceitaria isso facilmente.

O telefone tocou. Número desconhecido.

Ela atendeu, a voz hesitante.

"Isa?"

Era Ricardo. Sua voz, geralmente arrogante, estava estranhamente contida.

"Onde está Vanessa?"

Isa sentiu um arrepio.

"Não sei do que você está falando, Ricardo."

"Não minta para mim, Isabella. Eu sei que foi você."

Um silêncio pesado.

Então, o som de um vídeo começando.

Na tela do seu celular, uma imagem que a fez perder o ar.

Seus pais, Afonso e Beatriz, amarrados a cadeiras numa sala escura e suja.

Um galpão abandonado, parecia.

No canto da tela, um cronômetro digital vermelho marcava 59:58.

"Eles estão numa das nossas fazendas no Mato Grosso. Uma bem isolada," a voz de Ricardo soou fria, metálica.

"Você tem uma hora para me dizer onde Vanessa está. Se não, bem, você sabe que eu cumpro minhas promessas."

O terror paralisou Isa.

Seus pais. Por causa dela.

"Ricardo, por favor, não faça isso! Eles não têm nada a ver com isso!"

"Eles têm tudo a ver com você, não é? Assim como Vanessa tem tudo a ver comigo. Uma troca justa, eu diria."

A lógica distorcida dele era assustadora.

"Você... você realmente faria isso? Depois de tudo?"

A voz dela era um fio.

"Teste-me, Isa. Você sabe que eu não brinco."

A determinação fria dele era inabalável.

Isa fechou os olhos, as lágrimas escorrendo.

O Ricardo que ela amou, que a cortejou com gestos grandiosos, que superou a desconfiança inicial de seus pais com promessas de devoção eterna.

Aquele Ricardo parecia uma miragem distante.

Ele a cobriu de flores, jantares caros, viagens surpresa.

Afonso e Beatriz, sempre protetores, cederam lentamente, encantados pela persistência e aparente sinceridade do herdeiro do agronegócio.

A imagem dele, ajoelhado, pedindo sua mão no mirante do Rio, com um cadeado gravado com suas iniciais, ainda queimava em sua memória.

"Eu te amei, Ricardo. Eu te amei tanto."

Um soluço escapou.

"O amor não paga as contas, querida. E certamente não me traz Vanessa de volta."

Vanessa. A influenciadora.

A primeira vez que Isa descobriu a traição, Ricardo foi desdenhoso.

"É só diversão, Isa. Homens são assim. Você é minha esposa, ela é só... um passatempo."

O nome dela, sussurrado por ele durante o sono, foi a primeira facada.

Depois vieram outras.

A distância emocional dele crescendo a cada dia, a frieza substituindo o calor.

Isa tentou salvar o casamento, implorou, chorou. Em vão.

Ele se tornou um estranho.

A decisão de enviar Vanessa para Milão foi um ato de desespero.

Um último esforço para ter seu marido de volta, ou talvez, para se livrar da fonte de sua dor.

Agora, essa decisão tinha colocado seus pais em perigo mortal.

"Milão," ela sussurrou, derrotada. "Ela está a caminho de Milão. O voo saiu há duas horas."

Ricardo riu, um som seco, sem humor.

"Ótimo. Vou providenciar o retorno dela imediatamente."

Ele não mencionou os pais dela.

"E meus pais, Ricardo? Solte meus pais!"

"Ah, eles? Não se preocupe. Assim que Vanessa estiver segura, eu penso no caso deles."

O desdém na voz dele era palpável.

O cronômetro no vídeo continuava implacável: 45:17.

Isa desligou, as mãos tremendo.

Ela precisava agir. Rápido.

Mas como? Mato Grosso era longe.

Seus contatos. Os contatos de seus pais.

Ela ligou para o número de emergência que seu pai lhe dera anos atrás, "só para o caso de".

Uma voz calma atendeu. Isa explicou a situação, a voz embargada pelo pânico.

Detalhes foram trocados. Localização da fazenda, se possível.

Isa lembrou-se de uma vez que Ricardo mencionou uma "propriedade esquecida" no Mato Grosso. Ela buscou em seus arquivos mentais, em e-mails antigos.

Encontrou uma referência. Enviou.

O tempo passava. Cada segundo uma tortura.

O celular de Ricardo não atendia.

Ela imaginava seus pais, sozinhos, assustados.

A culpa a consumia.

O cronômetro no vídeo chegou a 00:05.

Isa prendeu a respiração.

00:04.

00:03.

Ela fechou os olhos, rezando.

00:02.

00:01.

00:00.

A tela ficou preta.

Um grito ficou preso em sua garganta.

Então, seu celular tocou. Era o número de emergência.

"Senhorita Santos, seus pais estão seguros. Estão a caminho de um local seguro. Houve... um incidente na fazenda. Uma pequena explosão no gerador, parece. Ninguém se feriu gravemente, mas seus pais precisam de cuidados médicos."

Isa caiu de joelhos, o alívio tão avassalador quanto o terror anterior.

Horas depois, ela estava num hospital discreto.

Seus pais estavam sedados, mas vivos. Beatriz tinha um braço quebrado, Afonso alguns cortes e hematomas.

"Foi ele, não foi?" Beatriz sussurrou, a voz fraca, antes de ser sedada novamente.

Isa apenas assentiu, as lágrimas voltando.

"Eu sinto muito, mãe, pai. Eu sinto tanto."

A culpa era um peso esmagador.

Afonso, mesmo grogue, apertou a mão dela.

"Não é sua culpa, querida." Sua voz era rouca. "Nós sabíamos que ele era perigoso."

Beatriz abriu os olhos por um instante. "O contrato, Isa. Lembre-se do contrato."

O contrato pré-nupcial.

A cláusula de dissolução automática em caso de traição. E crueldade. Sequestro certamente se qualificava.

Divisão de bens específica.

Uma luz no fim do túnel.

Isa beijou a testa de cada um.

"Descansem. Eu vou resolver isso."

Ela ligou para seu advogado, o Dr. Almeida, um velho amigo da família.

Explicou tudo. O sequestro, a ameaça, o resgate.

"Ative a cláusula, Dr. Almeida. Quero o divórcio. E quero tudo o que tenho direito."

Havia uma nova determinação em sua voz.

"Considere feito, Isabella. E sobre sua segurança e a de seus pais... Afonso e Beatriz já tinham um plano de contingência. Novos passaportes, documentos. Um recomeço."

Lisboa. O destino que eles sempre sonharam para a aposentadoria.

Agora, seria o destino da fuga deles.

Isa sentiu uma onda de gratidão por seus pais previdentes.

A decisão estava tomada. Não havia mais volta.

Capítulo 2

Enquanto os papéis do divórcio corriam e os preparativos para a partida eram finalizados em segredo, Isa precisava manter as aparências.

Voltar para a mansão que dividia com Ricardo era um tormento, mas necessário para não levantar suspeitas.

Ricardo estava furioso com o "incidente" na fazenda e o sumiço de seus capangas, mas ainda não sabia do resgate dos pais de Isa.

Ele a culpava pelo transtorno, pela viagem perdida de Vanessa.

A primeira coisa que Isa fez, numa tarde em que Ricardo estava ausente, foi ir ao jardim dos fundos.

Ali, na antiga casa de campo da família em Petrópolis, um lugar de memórias felizes antes de Ricardo, ela acendeu uma grande fogueira.

Cartas de amor, presentes caros, fotografias de tempos mais felizes.

Tudo virou cinzas.

Cada objeto queimado era uma ponte rompida, uma dor catártica.

O cheiro de papel queimado e plástico derretido era o perfume de sua libertação.

Ela observou as chamas consumirem seu passado, sentindo um vazio gelado onde antes havia amor.

No dia seguinte, ela dirigiu até o mirante no Rio de Janeiro.

O mesmo mirante onde ele a pediu em casamento.

Onde prenderam um cadeado com suas iniciais numa grade, símbolo de um amor que deveria ser eterno.

Ela encontrou o cadeado, enferrujado pelo tempo e pela maresia.

Tirou um alicate pesado da bolsa.

Com um rangido metálico, o cadeado se partiu.

Isa jogou as duas metades no lixo próximo, sem olhar para trás.

Não havia mais amor, nem promessas. Apenas a fria realidade da traição.

Os ipês que Ricardo plantara para ela no jardim da mansão, um para cada ano de casamento, foram os próximos.

Ela não os cortou, mas ligou para um jardineiro e mandou arrancar cada um deles pela raiz.

Quando Ricardo chegou em casa naquela noite, encontrou os buracos na terra.

"O que significa isso, Isabella?" ele rosnou.

"Estavam doentes," ela respondeu com frieza, sem encará-lo. "Precisavam ser removidos."

Ele a fuzilou com os olhos, mas não disse mais nada.

A tensão na casa era palpável.

Dias depois, Isa voltou para a mansão e encontrou Vanessa instalada na sala de estar.

A influenciadora, trazida de volta por Ricardo sabe-se lá como, parecia frágil, os olhos vermelhos de choro.

"Isa, querida," Ricardo começou, a voz falsamente suave. "Vanessa passou por um trauma. Aquele voo, o retorno apressado... Ela precisa de cuidados."

Isa olhou para Vanessa, depois para Ricardo, com total indiferença.

"Que pena."

A expressão de Ricardo endureceu.

"Peça desculpas a ela, Isabella. Você causou tudo isso."

Vanessa fungou, agarrando o braço de Ricardo. "Não precisa, Rick. Eu só... só queria entender por que ela me odeia tanto."

Ricardo afagou os cabelos de Vanessa.

"Ela está com ciúmes, meu bem. Mas vai superar."

Ele se virou para Isa. "Vamos, peça desculpas."

Isa deu de ombros. "Não tenho nada pelo que me desculpar."

Ricardo a puxou pelo braço, levando-a para o escritório.

"Qual é o seu problema? Não vê que ela está sofrendo?"

"O único problema aqui é você, Ricardo."

Ele riu, incrédulo. "Eu? Eu que estou tentando consertar a bagunça que você fez!"

Isa notou uma bandeja com chá e biscoitos na mesa dele. Ricardo odiava chá. Vanessa adorava.

Uma pequena mudança, mas que gritava a profundidade da influência dela.

Quando Ricardo saiu para atender uma ligação, Vanessa se aproximou de Isa, o ar frágil desaparecendo.

"Ele me ama, sabe? Você perdeu." Sua voz era arrogante.

Isa sorriu levemente. "Fique com ele. Ele é todo seu."

A indiferença de Isa pareceu irritar Vanessa.

"Você não se importa?"

"Nem um pouco."

No momento em que Ricardo voltou, Vanessa pegou uma xícara de chá quente da bandeja e "tropeçou", derramando o líquido fervente em seu próprio braço, soltando um grito agudo.

"Isa! Por quê?!" Vanessa choramingou, olhando para Ricardo com os olhos cheios de lágrimas.

Ricardo correu para o lado de Vanessa, fuzilando Isa com o olhar.

"Você a queimou? Sua louca!"

"Eu não toquei nela!" Isa protestou, incrédula com a audácia da outra.

Vanessa soluçava. "Ela disse que eu não merecia você, Rick... e me empurrou."

"Isso é mentira!"

Ricardo não quis ouvir. Ele pegou o braço de Isa com força.

"Você vai aprender a não machucar as pessoas que eu amo."

Ele a arrastou pela casa, até a cozinha industrial.

Abriu a porta do frigorífico.

"Passe a noite aí. Talvez o frio acalme seus nervos."

Ele a empurrou para dentro e trancou a porta.

O frio era intenso. A escuridão, total.

Isa se encolheu, tremendo.

Ele prometera nunca deixá-la sentir frio. Prometera um sistema de aquecimento especial para a casa deles, lembrando como ela era friorenta.

Outra promessa quebrada.

As lágrimas congelavam em seu rosto.

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