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Tarde Demais, Sr. Johnston: Ela Se Foi

Tarde Demais, Sr. Johnston: Ela Se Foi

Autor:: Yan Huo Si Yue Tian
Gênero: Moderno
Eu estava sangrando no chão de uma cafeteria enquanto meu marido, Zelo Raiz, recusava minha ligação. Ele achava que eu estava fingindo uma gravidez para extorquir dinheiro da família. Naquela tarde, perdi meu bebê em uma maca fria de hospital enquanto ouvia a voz dele pelo telefone me chamando de mentirosa. O médico gritava que eu precisava de uma cirurgia de emergência por complicações de uma leucemia agressiva, mas Zelo apenas desligou na minha cara, dizendo que não cairia em chantagens. A humilhação não parou ali. Enquanto eu lutava pela vida, a amante dele, Aura, armou um plano cruel. Ela pagou bandidos para destruírem meu estúdio secreto e plantou drogas no local para forjar uma overdose. Quando Zelo finalmente apareceu, ele não viu uma esposa doente, mas sim uma suposta viciada jogada no lixo. Ele ordenou que os médicos falsificassem meus laudos. O câncer que estava me matando foi apagado dos registros, substituído por um diagnóstico de automutilação e vício em heroína. Zelo me jogou em uma ala pública, cancelou meu seguro saúde e cortou os aparelhos que mantinham meu avô vivo, tudo para me ver rastejar. "Mova-a para a enfermaria geral. Ela não recebe nada. Absolutamente nada", foi a última ordem que ouvi dele antes de ser abandonada no escuro, sentindo o vazio no meu ventre e o peso da injustiça esmagando meus pulmões. Eu não entendia como o homem que jurei amar podia se tornar meu carrasco. Como ele pôde acreditar em laudos comprados e ignorar meu clamor enquanto eu perdia nosso filho? O ódio dele era mais letal que a própria doença. Mas eles cometeram um erro fatal: me deixaram viva. Arranquei o acesso do meu braço, ignorei a dor lancinante e deixei o hospital sob as sombras. Eles acham que sou uma viciada patética, mas em breve conhecerão o poder de Altivo, e eu farei cada um deles pagar o preço por terem nos matado.

Capítulo 1 1

Kairós encarava seu reflexo no espelho sujo do banheiro da cafeteria. Sua pele parecia translúcida, quase fantasmagórica.

Seus dedos tremiam incontrolavelmente enquanto ela pressionava o botão de enviar no celular descartável.

O pacote de dados criptografados desapareceu da tela, a caminho do cliente que a conhecia apenas como "O Fantasma".

Uma cãibra brutal retorceu seu abdômen inferior. Não era uma dor comum; parecia que suas entranhas estavam sendo esmagadas por uma prensa hidráulica invisível.

O telefone escorregou e caiu na pia.

Kairós engasgou, agarrando a borda da louça fria com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.

Então ela sentiu. Uma sensação morna e úmida deslizando pela parte interna da coxa.

Kairós olhou para baixo.

Nos azulejos bege rachados, uma gota de sangue vermelho vivo se espatifou. Depois outra. Então, um fluxo contínuo.

Ela tropeçou para trás, colidindo com uma mulher que acabara de entrar. A mulher gritou.

As bordas da visão de Kairós escureceram. Ela caiu.

A última coisa que viu foi sua própria mão, pálida e trêmula, estendendo-se pelo chão enquanto uma poça vermelha se expandia ao redor dela.

Os sons da sala de emergência eram uma sinfonia de caos.

Monitores apitando. O guincho de solas de borracha no linóleo. Vozes gritando jargões médicos que o cérebro de Kairós não conseguia processar.

Ela estava em uma maca, as luzes no teto eram cegantes.

O Dr. Eixo estava lá. Ela o reconheceu de suas visitas secretas anteriores. Ele parecia sombrio, gritando ordens para uma enfermeira que tentava encontrar uma veia no braço cheio de hematomas de Kairós.

Kairós agarrou a manga do médico.

- Meu bebê... - ela sussurrou, a voz falhando. - O bebê está bem?

O Dr. Eixo não olhou para ela. Ele olhava fixamente para o monitor, sua voz rápida e cortante.

- Complicações agudas da leucemia. Temos que interromper a gravidez imediatamente. Precisamos fazer uma curetagem agora ou você vai sangrar até a morte.

Kairós balançou a cabeça freneticamente, lágrimas se misturando ao suor frio em suas têmporas.

- Não. Por favor. Salve ele.

- Não temos escolha, Kairós. Você está morrendo.

O médico olhou para a enfermeira.

- Pegue os formulários de consentimento, precisamos de uma assinatura, ou chame o marido. O marido está aqui?

A mão de Kairós caiu da manga dele. Ela assentiu, fraca.

A enfermeira empurrou um telefone em sua mão. Era o aparelho pessoal dela.

Ela discou o número que estava fixado no topo de sua lista de contatos. O número que ela nunca deveria ligar durante o horário comercial.

Zelo.

A sala de conferências do Grupo Raiz estava silenciosa, exceto pelo zumbido do ar condicionado.

Zelo Raiz sentava-se à cabeceira da longa mesa de mogno, enquanto a equipe de aquisições falava monotonamente sobre projeções trimestrais.

Seu telefone pessoal vibrou contra a madeira polida.

Ele olhou para baixo. O nome na tela fez seu maxilar travar. Kairós.

Ele estendeu a mão para recusar a chamada.

Então, lembrou-se da voz de seu avô no dia anterior: "Seja gentil com ela, Zelo. Ela é família."

Zelo soltou uma respiração curta e irritada, e atendeu o telefone.

- O que foi, Kairós?

- Zelo... - A voz dela estava úmida, quebrada. - Estou no hospital. O bebê... por favor, preciso que você assine...

Zelo congelou.

Seus olhos se voltaram para a outra ponta da mesa. Aura estava sentada lá, supostamente tomando notas para a reunião, embora estivesse apenas girando uma caneta dourada.

Ela olhou para cima, capturando o olhar dele.

Aura articulou as palavras sem som: "Ela está pedindo dinheiro de novo?"

Zelo lembrou-se da conversa que teve com Aura na noite passada. Aura o havia avisado. Ela disse que Kairós estava desesperada, que inventaria um susto de gravidez para garantir sua parte no fundo fiduciário antes do fim do ano fiscal.

Um sorriso frio e cruel curvou o lábio de Zelo.

- Kairós - disse ele, a voz baixa e perigosa. - Você realmente não tem limites, tem? Mentindo sobre uma criança para arrancar dinheiro de mim?

- Zelo, por favor! - Kairós gritou do outro lado da linha.

- Se você quer se livrar disso, a escolha é sua - disse ele, a voz desprovida de qualquer emoção. - Não tente jogar isso em mim como chantagem. Estou em uma reunião.

Ele afastou o telefone da orelha e tocou no ícone vermelho. Jogou o aparelho sobre a mesa. Ele aterrissou com um barulho seco.

A sala estava em silêncio mortal. Todos os executivos o encaravam.

- Continuem - disse Zelo, recostando-se em sua cadeira de couro.

O sinal de linha caiu no ouvido de Kairós.

Ela deixou o telefone escorregar de seus dedos. Ele bateu no chão.

O monitor acima de sua cabeça soltou um zumbido longo e agudo.

- A pressão está despencando! - gritou o Dr. Eixo. - Esqueçam o marido! Estamos perdendo ela! Levem-na para o centro cirúrgico agora!

A maca começou a se mover. Os azulejos do teto passavam como um borrão.

Kairós sentiu o frio subindo por suas pernas, instalando-se em seu peito. Ela fechou os olhos.

Uma única lágrima escapou, quente contra sua pele congelante.

"Zelo", pensou ela, enquanto a escuridão a engolia por inteiro. "Você acabou de nos matar."

Capítulo 2 2

Kairós acordou com o cheiro de antisséptico e o zumbido rítmico de uma máquina.

Seu corpo parecia oco. Não era apenas o vazio físico em seu ventre; era um vácuo espiritual, como se alguém tivesse enfiado a mão dentro dela e arrancado sua alma.

Ela piscou, as pálpebras pesadas. O quarto estava na penumbra. Havia uma silhueta sentada na cadeira ao lado de sua cama.

Uma faísca de esperança patética acendeu em seu peito.

- Zelo? - ela sussurrou, a voz rouca.

A figura se moveu. Uma mão cobriu a dela. Era quente, calejada, gentil.

- Sou eu, Kairós. É o Júbilo.

A esperança morreu instantaneamente, substituída por uma onda esmagadora de decepção.

Sua visão clareou. Júbilo Vau, o enfermeiro de seu avô, olhava para ela com olhos cheios de preocupação.

- Ele não veio, não é? - perguntou Kairós.

Ela puxou a mão e virou a cabeça em direção à janela.

Júbilo suspirou. Ele serviu um copo de água de uma jarra de plástico.

- O hospital ligou para o seu avô como contato de emergência. Ele não podia se mover, obviamente. Então ele me enviou.

Kairós encarou as persianas fechadas.

- O bebê se foi, Júbilo.

- Eu sei.

Júbilo ajustou o cobertor em volta dos ombros dela. Seu olhar vagou para o suporte de metal ao pé da cama. A folha superior estava visível. Leucemia Linfocítica Aguda.

Ele ficou rígido. Kairós viu os olhos dele se arregalarem.

Ela estendeu a mão e agarrou o pulso dele.

- Não conte a ninguém - sibilou ela. - Especialmente ao meu avô. Se ele souber que estou doente, ele vai desistir. Ele vive por mim.

Júbilo parecia furioso. Seu maxilar trabalhou.

- Você precisa de tratamento, Kairós. Tratamento real. Não apenas esconder isso. O dinheiro... eu posso ajudar.

Ele se interrompeu. Ele deveria ser apenas um enfermeiro assalariado. Não podia explicar como tinha acesso a milhões.

- É inútil - disse Kairós, fechando os olhos. - Eu só quero garantir que o vovô esteja seguro antes de eu partir.

Zelo caminhava pelo corredor do hospital. Ele havia deixado o baile de gala mais cedo. Algo na maneira como Kairós gritou ao telefone havia ficado preso em sua garganta como uma espinha de peixe.

Ele disse a si mesmo que estava vindo apenas para verificar a mentira dela. Para provar que ela estava fingindo.

Ele chegou à porta do Quarto 304. Estava ligeiramente entreaberta.

Pela fresta, ele a viu. Ela parecia pequena na cama do hospital. E inclinado sobre ela, perigosamente perto, estava um homem.

Um homem em uniformes baratos de enfermeiro. O homem estava colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha de Kairós.

Zelo sentiu uma onda de calor subir pelo pescoço. Era um ciúme irracional e violento.

Ele escancarou a porta com um estrondo. O som foi como um tiro no quarto silencioso.

Kairós pulou. Júbilo girou, instintivamente se colocando entre a cama e a porta.

Zelo parou ao pé da cama.

- Então é isso? - Zelo zombou, o escárnio pingando de sua voz. - É por isso que você estava tão desesperada para se livrar do meu filho? Para abrir espaço para a criadagem?

Kairós sentou-se, estremecendo quando os pontos em seu abdômen repuxaram. Seu rosto corou de raiva.

- Você é um monstro, Zelo.

Júbilo deu um passo à frente, os punhos cerrados ao lado do corpo.

- Você não tem ideia do que ela passou hoje.

Zelo nem olhou para Júbilo. Manteve os olhos fixos em Kairós.

- Saia da minha frente, enfermeiro.

Ele enfiou a mão no bolso interno do smoking e puxou um talão de cheques. Riscou um número, arrancou o papel e o jogou sobre a cama. Ele flutuou e pousou no colo de Kairós.

- Aqui. Isso é para suas "despesas médicas" - disse Zelo. - Ou pague seu namorado. Eu não me importo. Apenas pare de me ligar.

Kairós olhou para o cheque. Cinquenta mil reais. O preço do seu trauma.

Ela o pegou. Seus dedos tremiam, não de medo, mas de fúria pura.

Ela rasgou o cheque ao meio. Depois ao meio novamente. Jogou os pedaços de papel nele como confete.

- Saia - disse ela. Sua voz era quieta, mortal.

Zelo sentiu uma pontada de inquietação. Nunca a tinha visto olhar para ele daquele jeito. Geralmente, os olhos dela eram suplicantes, suaves. Agora estavam mortos.

Ele mascarou seu desconforto com crueldade.

- Ótimo - disse ele, girando nos calcanhares. - Mas não espere que eu continue pagando pela suíte privada daquele velho se você vai agir assim.

Ele saiu.

Júbilo fez menção de persegui-lo, mas Kairós começou a tossir. Era um som úmido e cavernoso.

Ela cobriu a boca com um lenço de papel. Quando o afastou, estava manchado de vermelho.

Júbilo congelou. Ele envolveu os braços ao redor dela, segurando-a.

- Me leve para casa, Júbilo - sussurrou ela, encostando a cabeça no peito dele. - Eu não quero morrer neste quarto.

Capítulo 3 3

Na manhã seguinte, Kairós forçou-se a sentar. Seu corpo gritava em protesto, cada músculo doendo como se tivesse corrido uma maratona, mas sua mente estava clara.

Fria e brutalmente clara.

Júbilo a ajudou a sentar na cadeira de rodas. Ele queria que ela ficasse, mas ela recusou. Ficar significava esperar que Zelo desligasse os aparelhos que mantinham seu avô vivo.

Ela abriu seu laptop antigo na mesa de apoio. Seus dedos voaram pelas teclas, contornando o firewall do hospital para acessar um servidor seguro na Suíça. Ela precisava de liquidez.

Uma caixa vermelha apareceu na tela: CONTA CONGELADA. AUTORIZAÇÃO REVOGADA.

Kairós fechou o laptop com força. Zelo. Ele era meticuloso. Havia bloqueado todos os bens conjuntos, todas as contas de mesada.

Ela tinha que cortar o vínculo. Pegou o telefone e discou um número que memorizara anos atrás. Usou um aplicativo modulador de voz.

- Preciso de uma minuta imediatamente - disse ela ao receptor. - Pedido de divórcio padrão. Diferenças irreconciliáveis.

Duas horas depois, Kairós entrou no escritório da Mansão Raiz.

Ela usava um suéter grosso para esconder o quanto havia emagrecido, mas ainda parecia um espectro assombrando sua própria casa.

Zelo estava atrás de sua enorme mesa de carvalho, assinando documentos. Ele não olhou para cima quando ela entrou.

- De volta tão cedo? - perguntou ele. - Acabou o dinheiro para o motel barato?

Kairós caminhou até a mesa e jogou uma pasta parda sobre a madeira.

- Assine.

Zelo parou. Ele largou a caneta e olhou para a pasta. Abriu-a. "Petição para Dissolução de Casamento".

Ele riu. Foi um som seco, sem humor.

- Você quer o divórcio? - perguntou ele, levantando-se.

Ele contornou a mesa, fechando a distância entre eles. Ele pairava sobre ela, irradiando poder e colônia cara.

- Quero o dote da minha mãe de volta - disse Kairós, encarando o nó da gravata dele porque não suportava olhar em seus olhos. - As ações da família Amparo. É tudo o que eu quero.

Zelo agarrou o queixo dela, forçando-a a olhar para cima. Seus dedos cravaram na mandíbula dela.

- Você acha que pode simplesmente ir embora? Você implorou para se casar comigo, lembra? Você e seu pai criminoso.

- Estou implorando para que me deixe ir - disse Kairós.

Os olhos de Zelo escureceram. Ele soltou o queixo dela com um empurrão.

Ele caminhou até um arquivo e puxou um documento grosso. Jogou-o na mesa ao lado dos papéis do divórcio.

- Leia o acordo pré-nupcial, Kairós. Especificamente, as cláusulas de fidelidade e herdeiros.

Ele se encostou na mesa, cruzando os braços.

- Quer sair? Ótimo. Pague a multa de rescisão de contrato de cinquenta milhões. Ou...

Ele a olhou de cima a baixo, o olhar demorando-se em seu estômago.

- Me dê um herdeiro. Você me deve um filho para substituir a reputação que sua mãe destruiu.

Kairós sentiu a bile subir na garganta. A crueldade era de tirar o fôlego.

- Você é louco - sussurrou ela. - Eu acabei de perder um bebê ontem.

Zelo acenou com a mão, desdenhoso.

- Você se livrou de um problema. Não finja que foi outra coisa.

Kairós recuou. Percebeu então que não havia negociação com ele. Ele não a via como humana. Ele a via como um ativo com baixo desempenho.

Ela abriu a boca para ameaçá-lo. Para dizer que sabia sobre o esquema de evasão fiscal em suas subsidiárias nas Ilhas Cayman. Ela poderia queimar a empresa dele até o chão com três toques no teclado.

Mas ela parou. Qualquer movimento que fizesse como "O Fantasma" seria rastreado até a rede da mansão. A equipe de TI de Zelo era de nível militar; eles a pegariam em segundos. Isso exporia tudo e colocaria seu avô em ainda mais perigo.

Uma batida na porta a interrompeu.

Vento, o assistente de Zelo, colocou a cabeça para dentro. Ele parecia desconfortável.

- Senhor, a clínica de repouso está na linha um. Estão perguntando sobre o pagamento de Aço Amparo.

Zelo não quebrou o contato visual com Kairós.

- Diga a eles para pararem todos os serviços - disse ele calmamente. - Até que minha esposa aprenda a assinar os papéis corretos.

Kairós sentiu o sangue drenar de seu rosto. Sua alavanca se fora. Se ela lutasse contra ele, Aço morreria.

Ela olhou para os papéis do divórcio, depois para Zelo. Seus ombros caíram.

- Você venceu - sussurrou ela.

Zelo sorriu. O sorriso não chegou aos seus olhos.

- Eu sempre venço. Agora saia da minha frente.

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