Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Tarde demais para o perdão dele
Tarde demais para o perdão dele

Tarde demais para o perdão dele

Autor:: Jiu Ye Feng Lin
Gênero: Romance
O homem que eu amava, o homem com quem eu ia me casar, me pediu para salvar a vida da minha irmã gêmea. Ele não olhou para mim enquanto explicava que os rins de Anabela estavam parando de funcionar completamente. Então, ele empurrou os papéis de anulação do noivado pela mesa. Não era apenas o meu rim que eles queriam. Era o meu noivo também. Ele me disse que o último desejo de Anabela era se casar com ele, mesmo que por um único dia. A reação da minha família foi brutal. "Depois de tudo que fizemos por você?", minha mãe berrou. "Anabela salvou a vida do seu pai! Ela deu um pedaço de si mesma! E você não pode fazer o mesmo por ela?" Meu pai estava ao lado dela, com o rosto sombrio. Ele me disse que se eu não fizesse parte da família, eu não pertencia à casa dele. Eu estava sendo expulsa. De novo. Eles não sabiam da verdade. Não sabiam que, cinco anos atrás, Anabela drogou meu café, me fazendo perder a cirurgia de transplante do nosso pai. Ela tomou o meu lugar, surgindo como uma heroína com uma cicatriz falsa, enquanto eu acordava em um hotelzinho barato na beira da estrada, taxada de covarde. O rim que pulsava dentro do meu pai era meu. Eles não sabiam que eu só tinha mais um rim. E certamente não sabiam que uma doença rara já estava devastando meu corpo, me dando apenas alguns meses de vida. Arthur me encontrou mais tarde, com a voz rouca. "Escolha, Aurora. Ela, ou você." Uma calma estranha tomou conta de mim. O que mais importava? Olhei para o homem que um dia me prometeu a eternidade e concordei em assinar minha sentença de morte. "Tudo bem", eu disse. "Eu faço."

Capítulo 1

O homem que eu amava, o homem com quem eu ia me casar, me pediu para salvar a vida da minha irmã gêmea. Ele não olhou para mim enquanto explicava que os rins de Anabela estavam parando de funcionar completamente.

Então, ele empurrou os papéis de anulação do noivado pela mesa. Não era apenas o meu rim que eles queriam. Era o meu noivo também. Ele me disse que o último desejo de Anabela era se casar com ele, mesmo que por um único dia.

A reação da minha família foi brutal.

"Depois de tudo que fizemos por você?", minha mãe berrou. "Anabela salvou a vida do seu pai! Ela deu um pedaço de si mesma! E você não pode fazer o mesmo por ela?"

Meu pai estava ao lado dela, com o rosto sombrio. Ele me disse que se eu não fizesse parte da família, eu não pertencia à casa dele. Eu estava sendo expulsa. De novo.

Eles não sabiam da verdade. Não sabiam que, cinco anos atrás, Anabela drogou meu café, me fazendo perder a cirurgia de transplante do nosso pai. Ela tomou o meu lugar, surgindo como uma heroína com uma cicatriz falsa, enquanto eu acordava em um hotelzinho barato na beira da estrada, taxada de covarde. O rim que pulsava dentro do meu pai era meu.

Eles não sabiam que eu só tinha mais um rim. E certamente não sabiam que uma doença rara já estava devastando meu corpo, me dando apenas alguns meses de vida.

Arthur me encontrou mais tarde, com a voz rouca.

"Escolha, Aurora. Ela, ou você."

Uma calma estranha tomou conta de mim. O que mais importava? Olhei para o homem que um dia me prometeu a eternidade e concordei em assinar minha sentença de morte.

"Tudo bem", eu disse. "Eu faço."

Capítulo 1

Ponto de Vista: Aurora Martins

O homem que eu amava, o homem com quem eu ia me casar, me pediu para salvar a vida da minha irmã. E então me entregou os papéis para acabar com a nossa.

Arthur Bastos não olhou para mim enquanto deslizava o documento sobre a madeira polida da minha pequena mesa de jantar em Curitiba. Seu maxilar estava tenso, um músculo se contraindo logo abaixo da orelha. A exaustão em seus olhos não era apenas por falta de sono; era um cansaço profundo, um cansaço na alma que vinha se instalando há semanas.

"É a Anabela", ele disse, a voz baixa e áspera, como se tivesse engolido cascalho. "Os rins dela... estão parando, Aurora. Completamente."

Eu não me movi. Eu já sabia. Os sussurros na casa da minha família haviam se tornado um rugido que eu não podia mais ignorar. Minha irmã gêmea, Anabela, a frágil boneca de porcelana que minha família passou a vida inteira protegendo, estava finalmente se quebrando.

"Os médicos disseram que ela precisa de um transplante. Imediatamente."

Eu tracei a borda da mesa com o dedo, meu olhar fixo nos papéis. As palavras no topo eram duras e pretas: ANULAÇÃO DE NOIVADO.

Ele finalmente levantou o olhar, seu rosto lindo marcado por uma dor tão profunda que quase parecia minha. "Precisamos do seu rim, Aurora."

Aí estava. O pedido que não era um pedido. Era uma exigência, disfarçada de desespero. Ele hesitou, a mão pairando no ar entre nós antes de cair ao seu lado. Foi um pequeno gesto de derrota.

"É a única maneira de ela aceitar", ele continuou, a voz ainda mais baixa. "Ela se sente... culpada. Por nós. Ela acha que está nos separando."

Eu quase ri. O som que escapou da minha garganta foi seco e oco. Anabela, sentindo-se culpada. Essa era nova.

"Seus pais concordam. Todos nós. É o melhor a se fazer." Ele tentava soar resoluto, como um homem tomando uma decisão difícil, mas necessária. Mas eu podia ver as rachaduras em sua armadura. Eu podia ver o homem que eu amava se afogando sob o peso das expectativas da minha família.

"Eu ainda te amo, Aurora. Você precisa saber disso", ele sussurrou, e essa foi a parte que realmente me quebrou. Não a exigência do meu órgão, nem mesmo os papéis de anulação. Foi a mentira. A mentira suave e gentil que ele contou a si mesmo, e a mim, para fazer a lâmina de sua traição deslizar mais facilmente.

"Depois que ela se recuperar", ele prometeu, seus olhos me implorando. "Depois que tudo isso acabar, podemos consertar as coisas. Eu prometo."

Meu olhar voltou para o documento legal. Uma promessa de um homem que estava me pedindo para assinar o fim do nosso futuro. Não valia nada.

Anabela foi cronicamente doente a vida inteira, ou assim nos disseram. Um coração fraco, pulmões frágeis, uma constituição que não aguentava estresse. Ela era uma flor delicada que precisava de cuidados constantes, enquanto eu era a erva daninha resistente que podia ser negligenciada, pisoteada, e da qual se esperava que crescesse de novo com a mesma força.

Agora, seus rins haviam falhado. Doença renal em estágio terminal. As palavras soavam clínicas, distantes, mas seu significado era uma sentença de morte sem um doador.

E, segundo Arthur, ela tinha um último desejo antes de sucumbir à escuridão.

"Ela quer se casar comigo, Aurora", ele confessou, as palavras saindo em uma torrente de vergonha. "É... o último desejo dela. Ser minha esposa, mesmo que por um dia."

Ser a esposa do meu marido.

Ele tentava suavizar, enquadrar como um sacrifício nobre, um ato final de misericórdia por uma garota moribunda. "É só uma cerimônia, Rory. Não significa nada. Meu coração está com você."

Sua luta era palpável. Ele passou a mão pelos cabelos escuros, o gesto frenético. Ele estava sendo despedaçado e, em seu desespero, escolheu me sacrificar para se salvar do tormento.

Olhei para os papéis novamente. Meu nome, Aurora Martins, digitado ao lado de uma linha em branco. O nome dele, Arthur Bastos, já assinado com uma caligrafia confiante e familiar.

Ele estava me pedindo para dar à minha irmã meu rim, meu noivo e meu futuro. Tudo em uma única e limpa transação. E ele estava fazendo isso com uma declaração de amor nos lábios.

A ironia era tão espessa que eu podia senti-la, amarga como veneno na minha língua.

Capítulo 2

Ponto de Vista: Aurora Martins

"Não."

A palavra foi baixa, mas pairou no ar entre nós, pesada e final. Todos na família Martins esperavam que eu doasse meu rim. Eles viam isso como meu dever, minha penitência.

Eles não sabiam que eu só tinha mais um.

O segredo era uma pedra fria e dura no meu estômago. Uma verdade que eu carregava sozinha há cinco anos, desde que salvei secretamente a vida do nosso pai, apenas para Anabela roubar o crédito, a glória e todo o amor que veio com isso.

O rosto de Arthur se desfez. Não era raiva, ainda não. Era uma decepção profunda, o olhar de um homem cuja última esperança acabara de ser extinta.

A reação da minha família foi muito menos gentil.

"Depois de tudo que fizemos por você?", minha mãe berrou quando Arthur deu a notícia. Seu rosto, geralmente composto, estava contorcido de fúria. "Anabela salvou a vida do seu pai! Ela deu um pedaço de si mesma! E você não pode fazer o mesmo por ela? Sua egoísta, sua filha ingrata!"

Tentei falar, contar a verdade, mas eles não quiseram ouvir. Meu pai estava ao lado dela, com uma expressão sombria. O rim que pulsava dentro dele, aquele que eu lhe dei, era um testemunho silencioso de um sacrifício que eles se recusavam a ver.

"Suma daqui", disse meu pai, sua voz fria e desprovida de qualquer calor. "Se você não vai fazer parte desta família, então não pertence a esta casa."

Eu fui expulsa. De novo.

Mais tarde naquela noite, Arthur me encontrou nos degraus do meu prédio vazio. O frio da noite havia se infiltrado em meus ossos, mas eu mal o sentia. Eu já estava entorpecida.

"Escolha, Aurora", ele disse, a voz rouca de exaustão. Não havia mais promessas, nem mais declarações de amor. Apenas o ultimato cru e feio. "Ela, ou você."

Uma estranha sensação de calma tomou conta de mim. Eu estava morrendo. A rara doença degenerativa que vinha devastando silenciosamente meu corpo estava se acelerando. Os médicos me deram meses, talvez um ano. O que mais importava?

"Tudo bem", eu disse, minha voz tão vazia quanto meu futuro. "Eu faço."

A cabeça de Arthur se ergueu. Choque, e então uma onda de alívio avassalador tomou conta de suas feições. "Você vai? Rory, é sério?"

Ele rasgou os papéis de anulação em pedaços, deixando o confete de nossas promessas quebradas flutuar até o chão. "Vamos", ele disse, me puxando para ficar de pé, seu aperto urgente. "Vamos para o hospital. Agora."

Meus pais já estavam lá, pairando ao redor da cama de Anabela como sentinelas. Quando me viram, seus rostos eram uma mistura de suspeita e esperança desesperada.

"Assine os formulários de consentimento", meu pai exigiu, enfiando uma prancheta em minhas mãos. Seus dedos tremiam. Ele não confiava em mim. Ele achava que eu ia desistir.

Assinei meu nome sem ler uma palavra. Só então a tensão em seus ombros começou a diminuir.

"Você finalmente amadureceu, Aurora", disse meu pai, dando um tapinha no meu ombro com um afeto estranho e desconhecido. "Fazendo a coisa certa. Não se preocupe, sua mãe e eu já falamos com os advogados. Anabela receberá a maior parte da herança, claro, pelo sacrifício dela. Mas vamos garantir que você seja cuidada."

"Eu não preciso", eu disse baixinho. "Deem tudo para ela."

Minha mãe zombou. "Não seja ridícula. Que bobagem é essa que você está falando?"

Eu não respondi. Uma onda de tontura me atingiu, e as bordas do corredor do hospital, intensamente iluminado, ficaram turvas. Minha mente voltou cinco anos, para outro hospital, outra cirurgia. O dia em que Anabela drogou meu café da manhã, me fazendo dormir demais e perder o transplante agendado para nosso pai. Ela foi em meu lugar, disseram. Ela emergiu como uma heroína, exibindo uma cicatriz superficial e cirurgicamente feita em seu abdômen como prova de seu sacrifício.

Quando acordei horas depois, grogue e confusa em um quarto de motel barato que ela havia reservado para mim, a narrativa já estava escrita em pedra. Eu era a filha egoísta que havia abandonado seu pai moribundo na hora da necessidade.

Ela os envenenou contra mim, gota a gota insidiosa, por anos. Cada pequeno ato de bondade que eu oferecia era distorcido como uma manobra para chamar a atenção. Cada conquista era minimizada. Tornei-me um fantasma em minha própria família, uma lembrança constante e decepcionante de uma traição que nunca aconteceu.

E agora, eles estavam todos reunidos ao redor dela. Minha mãe, acariciando seus cabelos. Meu pai, segurando sua mão. Arthur, meu Arthur, olhando para ela com uma ternura que antes era reservada para mim.

Eu fiquei sozinha no canto do quarto, uma estranha, um meio para um fim. Eles não me viam. Eles só viam o órgão que eu carregava, a chave para salvar a filha que eles realmente amavam.

Capítulo 3

Ponto de Vista: Aurora Martins

Meus olhos ardiam, uma queimação familiar que aprendi a suprimir. Virei-me para sair, precisando escapar do calor sufocante de seu pequeno círculo familiar antes que ele me asfixiasse.

"Aurora, espere."

Era Arthur. Ele me parou na porta, sua expressão indecifrável.

"Anabela precisa do seu trabalho de pesquisa", ele disse, sem me encarar. "Aquele sobre regeneração celular degenerativa. A tese final dela está vencendo, e com a saúde dela... ela não consegue terminar."

Um gosto amargo e ácido encheu minha boca. Não era apenas meu rim. Não era apenas meu noivo. Eles queriam minha mente também.

Desde que me lembro, eu era a acadêmica fantasma de Anabela. Eu escrevia suas redações, completava seus projetos, até fazia suas provas online. Ela colhia as recompensas - as bolsas de estudo, os prêmios, os elogios de nossos pais orgulhosos - enquanto eu permanecia invisível. O plágio era a base de toda a sua carreira acadêmica, uma carreira construída sobre o meu trabalho.

"Por favor, Rory", minha mãe interveio, correndo até mim. Ela colocou a mão no meu braço, seu toque uma estranha mistura de súplica e comando. "É só um trabalho. Sua irmã passou por tanta coisa. Ela merece se formar com honras. É o mínimo que você pode fazer."

O mínimo que eu podia fazer. Depois de dar a ela a minha vida.

Forcei um sorriso, uma coisa frágil e rachada. "Claro. Qualquer coisa por Anabela."

O que era mais um sacrifício? Eu estaria morta em breve. O que aconteceria com ela então, quando sua muleta fosse arrancada de debaixo dela? O pensamento me trouxe uma lasca de satisfação sombria e sinistra.

"Obrigado", Arthur suspirou, o alívio fazendo seus ombros caírem. Ele tirou um pen drive do bolso. Meu pen drive. Aquele onde eu guardava o trabalho de toda a minha vida. Ele deve ter pego do meu apartamento.

Eles haviam planejado tudo isso desde o início.

Anabela, de seu trono de travesseiros, me deu um pequeno sorriso triunfante. Era um olhar que eu conhecia bem. O olhar de uma vencedora.

Arthur voltou para o lado dela, inclinando-se para beijar sua testa. O gesto foi tão íntimo, tão terno, que pareceu um golpe físico. Uma raiva quente e furiosa se enrolou em meu estômago, tão potente que me deu vontade de gritar, de rasgar todo aquele quarto estéril.

Mas eu engoli, assim como engoli todas as outras injustiças, todas as outras ofensas, todos os outros pedaços da minha vida roubada.

Ninguém notou quando saí do quarto. Eu já era um fantasma para eles.

De volta ao meu apartamento, comecei a limpar. Empacotei meus livros em caixas, joguei fora fotos antigas e tirei a roupa de cama. Eu queria apagar qualquer vestígio de mim mesma, não deixar nada para trás para que eles lamentassem, ou mais provavelmente, para que esquecessem convenientemente.

Uma dor aguda e lancinante atravessou a parte inferior das minhas costas, me fazendo ofegar e me agarrar à parede para me apoiar. Meu corpo estava falhando mais rápido agora. A exaustão era um manto pesado que eu não conseguia tirar.

Eu estava realmente morrendo. O pensamento não era mais assustador. Era apenas um fato.

Uma batida forte e repentina na minha porta me fez pular. Abri e encontrei Arthur, seu rosto uma máscara de fúria fria. Atrás dele estavam meus pais, e entre eles, Anabela, soluçando histericamente no ombro da minha mãe.

"Como você pôde?", Arthur rosnou, passando por mim e entrando no apartamento. Ele balançou o celular na minha cara. Na tela, havia um fórum acadêmico, meu artigo postado com o nome de Anabela e uma seção de comentários cheia de ódio.

"Você contou ao seu professor", ele acusou, a voz tremendo de raiva. "Você disse a todos que ela plagiou. Você está tentando destruí-la!"

Os gritos de Anabela ficaram mais altos. "Ela postou online que sou uma fraude", ela lamentou. "Ela disse que sou uma mentirosa! Todo mundo me odeia agora!"

"Não se preocupe, minha querida", minha mãe arrulhou, me fuzilando com o olhar por cima da cabeça de Anabela. "Vamos fazê-la pedir desculpas. Vamos fazê-la consertar isso."

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022