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Teus Pedaços

Teus Pedaços

Autor:: Annie Vee
Gênero: Romance
ELA: Natasha se importa com apenas três coisas: 1) Seu notebook; 2) Sua melhor amiga, Tiff; 3) Seu grupo de pesquisa. Ela aprendeu desde cedo que laços sanguíneos não são sinônimos de laços de amor. E agora, ela está perdendo duas das coisas que mais ama por caprichos de sua mãe e irmã. E tudo por sua culpa. Não diretamente, claro. Mas foi ela a responsável por inserir Santiago Mayfield, herdeiro bilionário, na sua família. O resultado disso é que Sebastian e sua irmã ficaram noivos e todos estão se mudando. Agora, ela terá que recomeçar em um lugar onde todos a odeiam pôr a considerar parte de um golpe do baú. Porém, a última coisa que ela esperava era encontrar alguém ainda mais quebrado que ela nesse percurso. ELE: Sua família é perfeita para quem vê de fora. E para manter essa imagem eles fazem questão de deixa-lo afastado. Ele pensou que não teria salvação. Até ela. Mas ela é incrível e tudo que ele tem para dar a ela é metade de um coração em pedaços.

Capítulo 1 O início

-Desmanche essa cara odiosa agora, Natasha. – minha mãe reclamou do seu lugar no taxi – Não ouse estragar isso para a gente. Apenas para variar.

Rolei os olhos e continuei olhando para fora e sem falar nada para ela.

-Quanto tempo mais você pretende continuar agindo como uma criança mimada e nos dando tratamento de silêncio?

E desde quando ela se importa?

Eu passei um dia inteiro presa no meu quarto, quando tinha nove anos, porque a fechadura quebrou por dentro e ela não percebeu. Se não fosse a minha melhor amiga, Tiff, ter sentido a minha falta na escola e ter ido me procurar eu poderia estar lá até hoje.

-Não podemos passar uma imagem de família desestruturada para os Mayfield, pelo amor de Deus.

E aí está o porquê de tudo.

Os malditos Mayfield.

Não me entenda mal, eles já foram os deuses da minha existência. Eu vivia e morria tentando dar meu melhor para ser notada por eles. Mas não pelos mesmos motivos da minha mãe.

Eles são donos da empresa mais poderosa do ramo da tecnologia do mundo inteiro, se você quer ser alguém dentro da área você precisa ter tido, pelo menos, um trabalho de verão em uma de suas empresas, e digamos que eu quero ser mais que alguém.

Eu sou boa.

Na verdade, eu sou muito boa e eu queria que eles vissem isso.

E eu consegui. Chamei a atenção deles.

Mas tudo deu errado porque, aparentemente, minha mãe, Angelina, e sua doce filhinha perfeita, Catalina, tinham seus próprios objetivos.

-Na verdade, eles foram muito generosos em estenderem o convite para nós duas, então seja uma boa garota uma vez na vida e mostre um pouco de gratidão.

-Porque você ainda perde seu tempo com essa aí, mamãe? – Catalina falou, abrindo os olhos. – Você sabe que ela é apenas um desperdício de espaço.

O motorista do taxi olhou para mim com pena.

Eu não preciso de pena, passei dezessete anos de minha vida com essas duas cobras que estão do meu lado e as pequenas doses de veneno que recebi diariamente me tornaram imune.

-Ainda não acredito que eles não mandaram ninguém nos buscar no aeroporto. Pelo amor de Deus, você é a futura senhora Santiago Mayfield.

E com essas palavras eu aumento meus fone até o último volume, notando pela primeira vez que toca I See Red de Everybody Loves An Outlaw e me permito abrir um sorriso com a ironia.

Santiago Mayfield, o meu ídolo de vida e agora noivo da minha irmã.

Santiago é um prodígio, ele entrou na universidade com 16 anos, mas seus primeiros dispositivos eletrônicos foram criados quando ele tinha apenas 13. Ele mostrou o projeto ao pai que não deu importância. Então ele levou ao seu principal concorrente e vendeu por milhares de dólares. Foi um sucesso e seu pai quase surtou. Desde então eles fecharam um acordo e trabalham juntos.

Eu descobri Santiago quando tinha oito anos e ele já dezessete. Pesquisei quem era o idealizador do meu novo celular para um trabalho na escola e o descobrir. Foi amor platônico à primeira vista. Então, eu decidi que queria ser como ele, eu já era boa com tecnologias mas decidi me empenhar ainda mais. Eu entrei pro grupo de estudo e desenvolvimento tecnológico da minha escola logo depois. Foi lá onde eu conheci e me aproximei de minha melhor amiga, Tiff. Assim, Santiago foi o responsável de colocar as três coisas que eu mais amo em minha vida: Tiff, meu grupo de estudos e meu notebook (foi ele quem desenvolveu e criou o aparelho). Eu precisava retribuí-lo. Depois de várias tentativas frustradas descobri que criar aparelhos não era a minha praia... mas aplicativos e programação? Eu sou a melhor.

Continuei ao longo dos anos a minha perseguição a Santiago, foi assim que minha mãe e Catalina descobriram sobre ele. Na maior parte do tempo elas caçoavam de minha paixão por ele, mas o que eu sinto vai muito além de uma paixão. É uma admiração extrema a inteligência que ele possui.

Descobri, no ano passado, que ele iria participar de um painel sobre tecnologia em Menfis, cidade que fica a apenas 100 km de Castel, onde eu morava na época. Estranhei quando minha mãe concordou rapidamente em nos levar, a Tiff e a mim, para o evento, já que ela odeia tudo que eu estou envolvida, mas ela foi e levou Catalina a reboque. Meu professor tinha conseguido um encontro com Santiago para mim, para apresentar um dos meus projetos.

A partir daí eu não sei direito o que aconteceu. Em um minuto eu estava nervosa demais por conhecer Santiago e apresentar o aplicativo que desenvolvemos e, agora, apenas cinco meses depois estamos nos mudando para Blue Parkins, para a casa da família Mayfield e ele e Catalina estão noivos.

Eu não sei como ela conseguiu esse feito, mas eu não deveria estar surpresa. Diferente de mim, Catalina é linda. Ela é como a junção das melhores características físicas da Angelina Jolie e da Megan Fox. Não é exagerado, eu não a suporto, não teria por que aumentar, ela realmente é um anjo perfeito e todos os homens estão aos seus pés. Eu só esperava que, dada a inteligência de Santiago, ele não se deixasse iludir pelo seu rosto de anjo e visse seus chifres de diaba.

Mas não, ele se deixou enganar e ainda me arrastou por toda essa lama. Minha mãe os convenceu a trazê-la junto, o fato é que ela sempre afirmou que não nasceu para a vida de classe média que tínhamos e não permitiria que Catalina usufruísse sozinha da riqueza dos Mayfield. Ela sempre nos preparou para laçarmos homens ricos e quando percebeu que não conseguiria isso comigo, seu interesse em mim se acabou.

Eu tentei ficar na minha cidade, com minha antiga escola e amigos, mas eu ainda sou menor de idade e ela não queria passar a imagem de mãe relapsa. Então, da mesma forma que Santiago me deu todas as coisas boas, ele as tirou. Bem, pelo menos duas delas, meu notebook continua fielmente comigo.

-Estou falando com você, Natasha. – Catalina falou, puxando meu fone na melhor parte da música.

Apenas a olhei em resposta.

-Não nos envergonhe.

Continuei em silêncio.

-Não acredito que nós vamos morar aqui. – minha mãe exclama, olhando para a casa, ou melhor, palácio onde o táxi está parando.

-Inacreditável, não é? É ainda melhor do que nas fotos. Mas assim que casarmos, vou convencer Santiago a comprar uma casa ainda maior. Que seja só nossa.

-E minha. – minha mãe fala com um sorriso.

Tem como essas duas serem mais ridículas?

Abro a porta do carro e desço, enquanto as outras duas permanecem sentadas esperando pelo motorista para abrir a porta.

Às vezes me questiono se realmente tenho o mesmo gene que elas.

-Será que uma casa desse tamanho não tem um mordomo?

-Sinceramente, se não tiver eu vou fazer Santiago...

Antes que Catalina termine de falar a porta se abre e uma senhora séria nos encara.

-Vocês devem ser as Madison. Estávamos esperando por vocês.

-Eu sabia que teria um mordomo. – Catalina mumurrou.

-Somos nós sim. – minha mãe falou, entrelaçando seu braço em Catalina e a puxando para dentro.

Notei a careta enojada que a mulher me lançou e confirmei as minhas suspeitas: aqui, assim como na nossa antiga cidade, todos acham que armamos um golpe perfeito para laçar o herdeiro milionário. Com certeza isso vai melhorar e muito a minha estadia aqui.

Suspirando fundo mais uma vez sigo minha mãe e Catalina para dentro, tentando lançar um sorriso em cumprimento a senhora, que é devidamente ignorado, apenas para confirmar as minhas suspeitas.

-Nossa, a casa é ainda mais bonita por dentro. – Mamãe sussurra alto.

-Achei a decoração um pouco de mal gosto, mas nada que eu não possa arrumar. – Catalina responde e eu só quero que a terra abra e me engula. – Onde está meu noivo?

-O senhor Santiago...

-Estou aqui, querida. – Santiago fala, descendo as escadas e indo cumprimentar minha irmã com um beijo.

Eu quero vomitar.

-Desculpe não ter ido recebe-las no aeroporto, mas eu quis me certificar que tudo estava perfeito para quando vocês chegassem.

-Está tudo bem, querido. – Catalina fala com voz melosa – Estou tão feliz que estaremos juntos agora.

-Eu também. Lilian, você pode ir e preparar um pequeno lanche para as Madison, creio que vocês irão querer comer algo antes de descansar, não é mesmo?

-Sim, estou faminta. – Mamãe fala.

-Eu mesmo vou leva-las ao quarto. – ele finaliza.

Lilian, a governanta, sai sem uma palavra mas eu posso sentir em toda a sua postura o quanto ela odeia nossa presença aqui.

-As coisas de vocês chegaram ontem, pedi para que fosse arrumado nos respectivos quartos. A noite jantaremos as duas famílias juntas e eu as apresentarei a meu pai.

Ao ouvir a menção a Enrico, minha mãe alisou suas roupas.

Se minha mãe seria baixa o suficiente para dar mole ao sogro de sua filha?

Com certeza.

-E você princesa? Como foi de viagem? – Santiago se dirige a mim.

Ai está um coisa boa dessa situação toda. Santiago e eu nos aproximamos durante essa loucura de noivado com minha irmã.

Estamos mais próximos de nos tornamos amigos. Se ele apenas não tivesse quebrado meu coração de criança e virado minha vida de cabeça para baixo teria sido perfeito.

-Péssima. – falo, pela primeira vez desde que minha mãe me obrigou a enfiar minhas coisas dentro de malas e me mudar para o outro lado do estado.

-Não ligue para ela, Santi. – minha irmã fala – Ela está agindo como uma pirralha sobre a mudança.

Santiago me olhou preocupado.

-Você vai gostar daqui, Nat. A escola é ótima e nosso grupo de pesquisa e tecnologia é quase tão bom quanto o seu anterior. – ele fala, ignorando minha irmã.

-Claro, por que eu tenho certeza que eles estarão no estágio final de projetos idênticos aos quais me dediquei nos últimos dois anos e ainda tem uma Tiff clone para me ajudar a sobreviver. – reclamei como a pirralha que minha irmã afirmou que eu estava sendo.

-Eles estão ansiosos para te ter, eles podem ter projetos diferentes mas a Royal Elite estão exultantes pelo seu acréscimo a equipe. E quanto a Tiff, eu te disse que podemos trazê-la sempre que quiser.

Sim, ele já me disse isso antes, porque já tivemos essa conversa antes, quando ele me contou que iria se casar com minha irmã e partiu meu coração.

-E de bônus terei que lidar com os babacas pomposos dessa escola de nome ridículo. – continuei reclamando.

-Natasha! – Minha mãe e Catalina gritam ao mesmo tempo, mas Santiago apenas sorri.

-Até um dia desses eu era um desses babacas e até que eu me saí bem.

-Claro, deve ser por isso que você finalizou a escola com quinze anos.

-Touché!

É sempre tão fácil conversar com Santiago. Por que Catalina tinha que estragar tudo?

-Ela irá se acostumar, Santiago. Você sabe como são os adolescentes. – Minha mãe fala. – Ela, no fundo, está agradecida pela oportunidade que vocês estão oferecendo.

-Chega de falar dos dramas de Natasha agora. Eu preciso urgentemente de um banho.

-Claro, deixe-me acompanha-las até o quarto.

Catalina se levantou e entrelaçou seus braços ao de Santi, enquanto sussurrava em seu ouvido.

Pelo que parecia a milésima vez no dia, respirei fundo e me preparei para seguir o casal apaixonado, mas fui impedida por minha mãe, que puxou meu braço e sussurrou no meu ouvido.

-Se for pra falar coisas como essas e reclamar como uma ingrata será preferível que você continue no seu voto de silencio ridículo.

Tentei puxar meu braço do seu aperto.

-Eu juro por Deus, Natasha, se você ousar atrapalhar os nossos planos aqui, eu vou tirar você de uma vez por todas do meu caminho.

-Ouvidos menos atentos poderiam pensar que você está ameaçando me matar, mãe.

Ela continuou em silêncio, enquanto me puxava pelas escadas para seguirmos Santi e Lina, mas ao terminar as escadas ela abriu seu sorriso ensaiado.

-Transmitirei a Santiago seu pedido de desculpas por não se juntar a nós para a refeição, já que você está tão cansada e indisposta. Mas se você me permite um segundo de sinceridade, Natasha, pular algumas refeições faria bem a você. – ela falou essa última parte me olhando de cima a baixo, deixando clara a sua desaprovação com o meu físico.

Eu sou baixa, tenho bunda e nada de seios, que segundo minha mãe é o que os homens gostam. Tenho curvas, estrias, celulite e definitivamente isso aqui na minha barriga não é um tanquinho, resultado das longas horas de fast food. Eu não sou nada como minha mãe, que mesmo com quase 50 atrai os olhos de qualquer um quando entra em algum lugar, nem sou a beleza angelical e perfeita de Catalina, que sempre teve qualquer homem que quis. Tenho quase certeza que sangue latino corre em minhas veias como herança de um pai que nunca conheci. Essa bunda tem que ter vindo de algum lugar. Já fiz as pazes com o espelho a muito tempo atrás, sejamos sinceros, não há nada de errado em ser normal. Então minha mãe não tem mais o poder de me machucar.

Ou pelo menos é isso que eu tento repetir para mim mesma.

-Este será o seu quarto, Angelina. – Santiago fala a minha mãe, abrindo a primeira porta após as escadas.

Minha mãe rapidamente solta meu braço e corre para porta.

-Oh, Santiago, isso é perfeito. Esse quarto é simplesmente... estou sem palavras para definir.

Deus, leve-me.

-Fico feliz que tenha gostado.

-Esse quarto é incrível, mamãe. – Catalina fala, como criança em uma loja de doces.

-Nosso quarto é lá em cima querida. Dividimos o segundo andar com meu pai.

-Todo o segundo andar são apenas dois quartos? – Catalina fala com os olhos brilhando.

-Sim, você vai adorar. Na verdade, você e sua mãe podem ir indo na frente, enquanto mostro o quarto de Natasha. Nosso quarto é aquele que está com a porta aberta. De qualquer forma, não há como errar, meu pai sempre tranca suas portas.

Homem inteligente. – eu penso.

Minha mãe e Catalina não pensam duas vezes antes de sair correndo em direção ao lugar onde Santiago mostrou que ficava a escada, doidas para ver o quarto que eu tenho certeza que seria digno de um hotel cinco estrelas.

-Tenho um surpresa para você. – ele falou enquanto observamos elas se afastarem.

-Por favor, chega de surpresas. Da última vez que você disse que tinha uma surpresa para mim eu acabei aqui, longe de tudo que eu conheço.

-Dessa vez você vai gostar da surpresa. Ou pelo menos eu espero.

Ele sinaliza para mim e seguimos lado a lado pelo corredor.

-Espero que você compreenda que tudo que eu fiz é porque é a coisa certa a se fazer, Nat. Eu nunca quis te deixar triste.

Respirei fundo.

-Nós somos amigos, Santi?

-Claro que sim.

-Então como sua amiga eu preciso dizer que casar com minha irmã será a coisa mais estupida que você fará em toda a sua vida.

-Eu tenho isso sobre controle, princesa.

Eu já disse o quanto eu amor quando ele me chama de princesa?!

-Eu duvido. Mas você que é o adulto aqui.

-Sim, eu sou o adulto. – foi a vez dele respirar fundo. – Este é o seu quarto. – ele falou quando chegamos ao final do corredor. – eu peguei o mais afastado do resto da casa e da sua mãe porque eu sei que você gosta e precisa estar sozinha e em paz para fazer o seu trabalho.

Abri um sorriso pela primeira vez em muito tempo.

-Essa é a melhor coisa que você poderia ter me dito. Todos esses outros quartos estão vazios?

-Sim, você terá toda a paz que procura. Só você e sua mãe estão nesse andar e ela tá no seu extremo oposto.

-Deus, eu amo isso.

E ele me deu aquele sorriso lindo.

-Isso porque você não viu o que eu fiz por dentro. – ele disse abrindo a porta – Tive que correr contra o tempo mas consegui que escurecessem todas as janelas, para criar o ambiente de caverna que você tanto ama. Peguei monitores e todos os equipamentos lá da Mayfield para organizar uma área de trabalho perfeita para você. Tentei transformar esse quarto o mais próximo possível do que você tinha antes, para tentar fazer com que você se sentisse mais em casa.

E realmente, deu para ver que ele se esforçou. O quarto era a versão rica e luxuosa do meu quarto antigo, até os posts na parede eram os mesmos. A única diferença era que meu equipamentos eram de ultima geração, minha cama de casal e eu tenho certeza que além do closet, meu banheiro tem hidromassagem.

-Santi, isso é perfeito. Serio.

-Você gostou?

-Eu amei. – falei, pulando nele para um abraço.

Ele retribuiu meu abraço forte.

-Fico feliz que você gostou, princesa. Eu sei que você não está feliz em se mudar, então eu quis dar pelo menos um lugar onde você sentisse que estava em casa. Eu não quero fazer você infeliz, Nat.

-Então não se case com minha irmã. – falei sem pensar, me arrependendo na mesma hora.

Ele me olhou em silêncio e perdeu seu sorriso radiante, me dando um triste.

-Eu gosto da sua irmã, Nat. De verdade. E as coisas estão indo como elas tem que ser.

Um fato sobre mim: eu quase nunca choro. Se você me ver chorando, pode saber que meu mundo está completamente em ruinas.

Mas nesse momento, parada nesse quarto maravilhoso que o homem mais perfeito do mundo teve o cuidado de montar apenas para me deixar feliz, eu sinto vontade de me despedaçar em lagrimas.

Mas eu não choro.

Sou mais forte que isso.

-Que seja. A vida, afinal, é sua. – falo, como se não importasse.

-Eu tenho que ir ver sua irmã. – ele fala, parecendo chateado.

-Por favor, você conhece o caminho. – falo, fazendo um gesto em direção a porta.

Ele sorri para mim mais um vez e sai, fechando a porta atrás de si.

Eu pego meu celular e meu fone na bolsa e coloco Stone Cold da Demi Lovato para tocar, sentindo cada pedaço da letra da música.

E quanto alguém bate no meu quarto para me chamar para comer, respeito o ultimato de minha mãe e permaneço no quarto.

Capítulo 2 Amigos !

Depois de passar mais de uma hora me afogando em um poço de lamentações, pego meu celular e ligo para Tiff, minha melhor amiga do mundo inteiro.

-Eu estava preocupada com você! – ela grita quando atende o telefone depois do segundo toque. – Quando você chegou?

-Já tem um tempo.

-E por que você só tá me avisando isso agora?

Eu sorri.

Tiff é incrível, mas ela é um pouco controladora. Ela sempre estudou no mesmo colégio que eu, porém, éramos de turmas separadas. Quando eu entrei no grupo de estudo e pesquisa em tecnologias ela já fazia parte do mesmo, o ponto principal da questão é que ela não sabe nada sobre programação e aplicativo, ela tem um total de zero talento nisso. Você deve estar se perguntando qual a função dela nisso tudo, não é mesmo?

Isso depende a quem você perguntar. Ela provavelmente vai responder que é nossa secretária e cuida da papelada, mas todos os outros integrantes do grupo, o professor incluso, vai afirmar que ela é nossa chefe. Juro, ela grita com a gente, nos mantém em rédeas curtas e inventa prazos impossíveis para realizarmos nosso trabalho. E quando não conseguimos cumprir o prazo, ela grita um pouco mais. Ela ocupa essa função desde que tem sete anos, então dá pra ter uma noção de como ela é.

Eu gostei dela desde o primeiro dia, ela me deu um discurso sobre compromisso e o que esperava de mim como parte da equipe e tudo que eu pensava era que eu precisava ser amiga dessa garota, ela tinha a segurança e a força que eu sempre quis ter, e ela viu em mim a carente que precisava de um apoio. E ela foi meu apoio desde então e eu sou tão grata a ela.

Não preciso nem dizer que depois disso ela infernizou todos na escola até que fossemos da mesma turma. A mãe dela ser a diretora ajudou, mas ela conseguiria isso de qualquer jeito. Ela sempre consegue tudo que quer.

Assim como eu, Tiff não estava feliz com minha mudança, não existe muitas pessoas na escola que sabem amar o jeito mandão dela, mas ela se manteve firme por mim. Mas aposto que está a enlouquecendo ter que me controlar a distância.

-Desculpa, as coisas tem sido meio caóticas aqui.

-Desculpa, Nat. Essa deveria ter sido a primeira coisa que eu deveria te perguntar. Como você está?

-Cansada. Minha mãe tá sendo tão horrível quanto sempre, mas tá tentando manter a imagem de boa mãe na frente das pessoas. Conheci apenas uma das funcionárias daqui e ela já parece nos odiar, o que eu não a culpo porque, francamente, estamos dando um golpe do baú. – falei, jogada na cama.

-Aceite a chamada de vídeo.

Antes que eu pudesse dizer que eu não queria ela já estava me ligando por vídeo.

Ela nunca pede permissão. Ela apenas informava as pessoas que faria algo e fim. Elas que lidassem com isso.

-Você não está dando um golpe do baú. Elas podem tá fazendo isso mas você é inocente. – ela falou assim que atendi, e meu coração se apertou de saudade do meu furacão loiro.

-Eu e elas não somos diferentes para as outras pessoas, temos o mesmo sangue afinal de contas.

-Não seja ridícula, Natasha. Quinze minutos com você já são suficiente para provar que você é diferente daquelas duas cobras.

Respirei fundo.

-Não quero estar aqui. Até agora não entendo porque Angelina não permitiu que eu ficasse com você ou me tornasse independente.

-Você sabe sim, não cairia bem para o papel de boa mãe que ela quer passar. Mas, sério Natasha, você precisa parar de ser tão passiva. Se rebele contra ela, não permita que ela continue te distratando e te maltratando.

-Assim que eu fizer dezoito anos...

-Não, não quando você fizer dezoito. Agora.

-Tiff...

-Até hoje eu não supero o caso do Bob.

Suspirei.

Bob foi um aplicativo que criamos no grupo para concorrer ao prêmio internacional de inovação. O aplicativo, basicamente, imitia sinais sonoros para cachorros e servia como auto adestrador. Ganhamos o prêmio, cada integrante do grupo recebeu uma quantia de 150 mil, como somos menores o dinheiro foi depositada na conta de nossos pais. Eu queria usar o dinheiro para viajar para um curso de verão no Vale do Silício com Tiff, porém, assim que minha mãe recebeu o dinheiro ela o gastou em casacos de pele para Catalina e ela, sendo que nossa antiga cidade tinha como estações do ano verão, quentura, quente e inferno. Depois de alguns meses, quando Catalina viajou com Santiago para um lugar frio, elas compraram outro casaco, porque aqueles comprado com meu dinheiro estavam fora da estação.

Resumindo, fiquei sem o curso para casacos que nunca foram utilizados.

-Deixa isso para lá, Tiff. Aguas passadas...

-Não movem montanhas. A menos, claro, que eu deseje isso.

Abri um sorriso.

-Ai, Tiffany, como vou sobreviver longe de você? – perguntei.

Mesmo tendo a visto hoje mais cedo, quando ela me deixou no aeroporto, já estou morrendo de saudades dela.

-Eu também não sei, Nanat. – ela usou meu apelido de infância.

-Santiago falou que você pode vim quando quiser, que ele mesmo vai te mandar a passagem.

-Sério? Ótimo, vou montar um cronograma com todas as datas disponíveis e recolocar todos os meus compromissos para que eu possa viajar pelo menos a cada três meses para te ver. – ela fala, fazendo uma anotação em sua agenda.

Eu disse, maníaca por controle.

-E por falar em Santiago, como estão as coisas?

-Ele montou o quarto perfeito para mim. – falei, fazendo um tour para ela – As cortinas são blackout, as paredes estão pintadas de cores escuras, eu tenho três monitores, um closet que faz com que minhas roupas pareçam estoque no final de uma liquidação compre uma leve dez e ainda uma hidromassagem. E o melhor, bem longe da minha mãe.

-Eu quero morar nesse quarto. – ela fala, quando eu termino de mostrar tudo.

-Eu sei, essa é a única coisa boa dessa situação toda.

-Eu acho que ele tá caidinho por você. – ela fala, erguendo as sobrancelhas.

-Claro, e ele deixou isso bem claro para mim quando ficou noivo da minha irmã. – ironizei.

-Ninguém tem um trabalha de montar um quarto desses para a cunhada.

-Tiff...

-Eu tô apenas falando. Você deveria falar a ele o que sente.

-O que sinto?

-Sim, que você é apaixonada por ele desde que tinha oito anos.

-Eu não sou apaixonada por ele. – me defendo, ofendida.

-Claro que não, você apenas se tornou uma stalker louca por que sonhava em ter ele como cunhado.

-Eu não era stalker.

-Nat, você mantinha um cronograma com a agenda do homem. Até hoje não sei como você conseguia isso.

-Tudo bem, talvez eu exagerasse um pouquinho.

-Um pouquinho?

-Mas eu não sou apaixonada por ele. No máximo eu sinto uma paixão pela mente dele.

-Uhum...

-Eu estou falando sério.

-Claro que sim.

-É verdade. Eu só estou chateada com o noivado por que não aceito meu exemplo de QI cair no rostinho bonito de Catalina.

-Crie uns peitos e para de mentir para si mesma.

-Golpe baixo, Tiff. Você sabe que essa é a única coisa que me falta.

-Isso e altura.

-Maldosa. Só por isso não vou mais doar um pouco da minha bunda pra você.

Tiff é alta e magra, como uma espécie de Kendall Jenner loira. Só que com mais seios.

-Eu não preciso disso, querida. Tudo que eu preciso estar aqui. – ela fala, dando dois toquinhos na cabeça.

-Como vão as coisas aí? – mudo de assunto.

-Estamos procurando alguém para te substituir. Tem sido um trabalho exaustivo.

Meu coração volta a se apertar.

-Sério?

-Sim, porque ninguém é tão bom como minha melhor amiga.

Sorri para ela.

-Você sabe que eu sempre poderei ajuda-los em qualquer que seja o projeto.

-Eu sei, mas agora você tem que focar na sua nova equipe. Tem sido difícil encontrar alguém, mas eu irei conseguir. Você acredita que um dos candidatos que eu entrevistei hoje prefere a Marvel a DC? Tudo bem que os filmes atuais da Marvel tem sido melhores, mas os heróis da DC são anos luz a frente. E eles tem melhorado nos filme, o Coringa foi épico.

Gargalhei, coisa que só acontece com Tiff.

-Tiff, você não pode excluir alguém com base nos heróis que ela prefere.

Ela me encarou ofendida através da tela.

-Em benefício da nossa amizade, vou fingir que o último segundo nunca existiu.

-Pare de ser tão exigente ou você não vai conseguir ninguém e a equipe vai ficar sobrecarregada.

-Vou tentar.

-Não, você vai conseguir, porque Tiffany Sinclair não é mulher de apenas tentar. – provoco.

-Como vou sobreviver sem você? – é a vez dela falar.

-Você não vai.

-Cadela má.

-Será esquisito não ter você ao meu lado na segunda.

Tiff tentou se mudar comigo, depois que ofereceu sua casa para mim e minha mãe negou, mas sua mãe não permitiu isso. Digamos que morar aqui seria muito acima de seu orçamento.

-Eu sei, ainda não creio que você vai se misturar com a elite.

Gemo.

-Sério, você acha que eles vão ser difíceis?

-Com certeza, eles são uns merdinhas nojentos. Mas você é graduada na escola vadia má de Tiff Sinclair, você consegue lidar com eles. Na verdade, eles nem saberão o que os atingiu.

-Obrigada a Deus por você existir.

Ouço a sua mãe a chamando em segundo plano.

-Tenho que ir agora, Nat. Mas prometo que nos falamos mais tarde.

-Te amo, raio de sol. – a chamo de seu apelido irônico, já que ela nunca tem bom humor pela manhã.

-Te amo, bunny. – ela responde.

Ela começou a me chamar de coelhinha porque disse que eu tenho um rabo (bunda) enorme.

-Prometa que nunca vai mudar, Nanat. Que você não vai deixar seu status de nova rica subir à cabeça.

-Jamais Tiff. Até mesmo porque, continuo tão classe média quanto antes.

-Desculpe, só estou com medo de te perder.

-Não vai acontecer. E desde quando você tem momentos de insegurança?

-Tem razão, foi um momento de fraqueza mas já passou. Tenho que ir antes que minha mãe me arraste. Falamos depois. – ela fala, já desligando sem nem mesmo me dar tempo de me despedir.

Muitas pessoas tem Tiff como grossa, mas ela é a pessoa mais importante da minha vida e só por falar com ela eu sinto o meu dia terrível, melhor.

Depois de conversar com Tiff e estrear minha banheira nova (sim, eu posso odiar tá morando aqui, mas isso não significa que eu não possa usufruir das mordomias que eu encontrar), acabei apagando na minha nova cama confortável (esse quarto realmente vai ser minha caverna), resultado do cansaço dos últimos dias.

-Para quem se incomodava em estar aqui você até que parece bastante confortável. – minha mãe falou, enquanto jogava um travesseiro em mim para me acordar.

-O que você quer?

-Desça para o jantar.

Já é noite? Eu dormir tanto assim?

-Não estou com fome.

-Não perguntei se você está com fome? Estou anunciando que você está descendo para jantar. E se eu fosse você eu me comportava perfeitamente bem, ouviu?

-Ou o que?

Ela sorri para mim.

-Você não vai querer pagar para ver, filhinha. Toda a família estará jantando, será a oficialização do noivado da sua irmã, bom, ainda teremos uma festa de noivado, mas o que conta agora é sermos aceitas na família. Então, se arrume, tire esses trapos que você chama de roupa, desça e pela próxima hora finja que você é um ser humano normal e está feliz por sua irmã.

Vejam, como o amor materno é lindo.

-Você tem quinze minutos. – ela diz virando as costas e saindo.

Rápido histórico da minha relação com Angelina Madison: ela sempre me odiou.

Angelina se casou com Anthony Madison, um rico fazendeiro da região onde morávamos. Ela diz que o amava mais que tudo, mas eu tenho minhas dúvidas. Eu acho que ela amava o dinheiro dele mais que tudo. Quando eles casaram, ela tinha 25 e ele 59, mas ela deu logo um jeito de engravidar de Catalina e prender Anthony. Cinco anos depois, surpresa surpresa, ela estava gravida novamente, um bebê indesejado e dispensável, já que ela não precisava de outro filho uma vez que já estava casada. Surpresa novamente, quando, ao fazer o exame de DNA, Anthony descobriu que pais do tipo sanguíneo O e A (tipo sanguíneo deles) não podem gerar filhos do tipo sanguíneo B (meu tipo sanguíneo). Então, tecnicamente, eu sou uma falsa Madison. Recebi esse sobrenome porque é o único sobrenome que minha mãe manteve depois do casamento.

Você deve se perguntar o que aconteceu com Anthony, bom, ele não esperou nem Angelina sair do hospital para pedir o divórcio, se detendo a pagar o mínimo possível de pensão para Catalina, casou com uma mulher ainda mais jovem e da última vez que eu soube, tinha feito inseminação artificial e sua esposa bebê estava gravida de gêmeos.

E quanto a meu pai, eu nunca soube com certeza quem ele era. Uma vez, quando eu tinha seis anos e perguntei a Angelina o porquê dela não gostar de mim, ela disse que era porque quando ela olhava para mim via tudo que tinha perdido por causa de uma rapidinha com um vaqueiro. Então, acredito que ele tenha sido um dos trabalhadores da fazenda de Anthony, mas tratando-se de Angelina acredito que nunca teremos certeza.

O fato é que eu não sei se quero saber quem é o meu pai, a cidade toda soube da traição da minha mãe e do fruto que isto gerou, logo isso deve ter chegado aos ouvidos dele, e se ele nunca teve o interesse de me conhecer, acho que também não desejo fazer isso. Tenho que me valorizar, não é mesmo?

Mas voltando para essas noite, resolvi permanecer rebelde e descer de jeans e camiseta. Por favor, quem se arruma para um jantar em casa? Eu até tenho vestidos, mas só uso em raras ocasionais que considero que seja imprescindível, o que não é o caso aqui. Tirando isso, você sempre poderá me encontrar de Jeans, moletom e camiseta.

Só para irritar minha mãe novamente (eu sei, eu tenho um desejo de morte) eu só desço depois de meia hora. Foi difícil não me perder na casa, mas tudo que eu tive que fazer para achar a sala de jantar foi seguir as risadinhas irritantes de minha mãe.

-Natasha, querida, estava preocupada que tivesse se perdido. – minha mãe fala com voz doce, mas seus olhos entregam o quão irritada ela está comigo. O que só aumenta quando ela vê minhas roupas.

Engula essa, fofura.

-Está tudo bem, Natasha. Ainda estamos esperando Sebastian. – Santiago fala.

Ergui uma sobrancelha em confusão.

O nome do pai dele não é Enrico?

-Mas antes, eu gostaria de te apresentar o meu pai, Enrico. Pai, essa é Natasha, a garota que eu te falei, um gênio da tecnologia. – ele fala para o homem, com cara de poucos amigos que não tinha notado na cabeceira da mesa.

Senti que estava ficando vermelha, mas me virei para olhar para uma cópia fiel e um pouco mais velha de Santiago. Sério, são os mesmos olhos azuis, os mesmos cabelos mel, com a diferença que os dele estava ficando brancos, a mesma pele bronzeada, só que a dele tem mais músculos...

Era como se eu estivesse vendo Santiago daqui a trinta anos e a imagem não é ruim.

-Bom conhece-la. – ele fala, sem da muita importância.

Ao que parece ele também não é do time das Madison, não que eu possa culpa-lo.

-Santiago, podemos acabar logo com isso? Temos algo importante amanhã, e conhecendo Sebastian...

-Conhecendo Sebastian, o que, Enrico? – uma voz fala da porta.

-Você veio. – Enrico fala.

-Pensei que não era opcional, mas se for, estou de saída.

Olhei para a pessoa na porta e, Deus, todos os homens nessa casa são tão lindos?

Mas diferente dos outros dois, o tal Sebastian tem olhos verdes, cabelos escuros e parece que não sai ao sol tem muitos anos. Talvez ele seja um vampiro, vai saber.

-Quer parar de agir como uma idiota e sentar no seu lugar? – Catalina sussurra no meu ouvido, depois de ter levantado para cumprimentar o recém chegado. – E que porra você está usando? Mamãe não falou com você sobre suas roupas?

Ignorando Lina, sentei ao lado de minha mãe na mesa. Não que eu quisesse ficar próxima a ela, mas um monstro conhecido é sempre melhor a um desconhecido.

-Podemos adiar o drama para amanhã e acabar logo com isso? – Enrico fala.

-É um prazer conhece-lo, Sebastian, Santi fala muito sobre você. – Lina fala com sua voz doce, estendendo a mão para o desconhecido.

Todos o conhece menos eu?

Sebastian olha para Lina de cima a baixo, depois olha para sua mão estendida, dá a volta e senta à mesa, de frente para mim, ignorando totalmente minha irmã.

Ok, talvez eu tenha gostado desse cara.

Santi respira fundo e traz uma Catalina envergonhada pelo braço, sentando ao lado do outro garoto.

-Natasha, Angelina e Catalina, esse aqui é Sebastian, meu irmão caçula.

-Você tem um irmão? – pergunto chocada.

O fato é que eu sei tudo sobre a vida de Santiago. Talvez eu tenha sido a stalker que Tiff me acusou de ser, eu até mesmo sei o número do seu seguro social. Mas eu nunca li em lugar nenhum sobre ele ter um irmão.

-O que? Vai dizer que agora que soube percebeu que poderiam ter melhorado seu golpe, fazendo um 'dois pelo preço de um'? Sinto muito, boneca, eu sou mais inteligente que meu irmão e você totalmente não faz o meu tipo.

Retiro o que eu disse, eu odiei esse cara.

-Sebastian... – Santiago reclama.

-O que? Todos aqui nessa casa, ou melhor, todos aqui nessa cidade pensam a mesma coisa. A única diferença é que eu tive a coragem de falar em voz alta. Vocês aplicaram o golpe perfeito ao encontrarem o pateta perfeito.

Minha mãe fez uma careta chocada e Lina fez cara de choro, enquanto Enrico desistiu de nos esperar e começou a comer.

-Bash, o suficiente. Não estamos interessados em ouvir o que você acha ou deixa de achar, afinal a vida é minha e eu vou me casar com Lina. Agora o que eu peço, ou melhor, exijo, é que você a respeite e respeite a família dela, pois a partir de hoje seremos uma única família. – ele olha para Catalina e pega sua mão – Pai, Angelina, Lina e eu temos algo para contar a vocês. Vamos ter um bebe, a Catalina está gravida.

-O que? – eu grito chocada.

Então, ouço uma gargalhada vinda de Sebastian.

-Nossa, vocês são mesmo profissionais, não é?

Capítulo 3 Seja boazinha

Não preciso nem dizer que depois disso a noite foi um completo fracasso. Eu estava chocada demais para sequer me mexer. Minha mãe começou a chorar falsamente, porque eu tenho certeza que ela já sabia de tudo isso, ela que deve ter ensinado todos os truques para Lina.

Deus, a história se repete.

-Desde quando você é irresponsável, Santiago? – Enrico grita. –Eu te ensinei tudo sobre educação sexual desde que você completou dez anos? Como você pode ter caído numa dessas?

-Deus, o filhinho de ouro cometeu um pecado. Como eu queria um pouco de pipoca agora. – Ouço Sebastian falando.

-Pai...

-Não. Eu não quero ouvir. Se fosse Sebastian cometendo um erro tão estupido como esse, eu até entenderia, mas você?

-Por que sempre sobra pra mim? Ei, eu sou o responsável aqui. Meu instrumento nunca sai para um passeio sem proteção.

-Sebastian, sem tempos para suas gracinhas agora. Suma daqui. – Enrico fala.

-Agora que estava ficando divertido?

-SAIA.

Mesmo atônita percebo que Sebastian fecha suas mãos em punhos antes de sair, parecendo irritado.

-É pra já, Enrico. – ele dá as costas e sai, tão rápido quanto entrou.

-Enrico – minha mãe fala – eles se amam. Temos que entender a escolha dos nossos filhos.

-Conheço o seu tipo de longe, Angelina. Você e suas filhas estupidas não me enganam.

Ai, essa doeu.

-Pai, você está passando dos limites.

-Não, quem passou dos limites foi você. Você nunca me decepcionou tanto quanto hoje. Quer saber? Pra mim já chega, vou terminar essa refeição no meu quarto.

-Pai... – mas Enrico nem mesmo olha para trás.

Santiago volta a sentar e cobre o rosto com as duas mãos.

-A noite toda foi um desastre. – Catalina fala em lagrimas – Eles me odeiam.

-Claro que não, Lina...

-Odeiam sim. – ela diz e sai correndo.

-Catalina, volte aqui. Qual o problema de todo mundo hoje? – minha mãe fala – Santi, querido, tenho certeza que seu pai só foi pego de surpresa com a notícia, logo ele estará tão exultante quanto eu. Vou acalmar Lina, tá bem? Esse estresse pode prejudicar o bebê. – e então, ela também sai, tentando manter a elegância depois do fiasco de hoje.

-Você não vai falar nada? – Santiago me pergunta depois de alguns segundos de silêncio.

-Como você pode ser tão estúpido?

-Até você, Nat?

-Eu estou sentada aqui esse tempo todo e tudo o que eu posso pensar é como você pode ser estúpido o suficiente para engravidar minha irmã.

-Eu não vou discutir minha vida sexual com você.

-E eu não quero saber da sua vida sexual.

-Aconteceu.

-É por isso que você vai casar com ela?

-Não, eu gosto da sua irmã.

-Mas se não fosse o bebê você esperaria um pouco antes de se casar. – constato.

Ele fica em silencio.

-Pelo amor de Deus, Santi. Estamos no século XXI, não é preciso um casal para criar uma criança.

-Mas eu quero isso para meu bebê.

-Nenhum bebê quer crescer em um lar infeliz. – eu sou exemplo disso.

-Eu gosto da sua irmã, Natasha. Não vai ser nenhum sacrifício estar casado com ela.

-Peça um DNA e adie o casamento. – eu falo me levantando da mesa.

-O bebê é meu.

-Peça o DNA.

-É O MEU FILHO, NATASHA. QUE DROGA. – ele grita comigo pela primeira vez na vida. – Você é ainda é uma criança, não entende nada da vida.

Olhei seria para ele.

-Eu posso ser mais jovem que você Santi, mas o único ingênuo aqui é você. Eu me considerava sua amiga e me importo com você. E como amiga te dei um conselho, mas como você bem disse eu sou só um criança, né? E a vida é sua.

-Desculpa, Nat. Eu não quis gritar com você. – ele diz, parecendo arrependido.

Olhei para ele séria.

-Boa noite, Santiago. – e saí, sem olhar para trás, em direção ao meu quarto.

Novamente pulei a refeição, sendo o café da manhã a única refeição que fiz no dia. Mas no momento estava com tanta emoção dentro do meu corpo que não tinha espaço para fome.

Como o Santi tinha se deixado enganar dessa forma? Como minha irmã foi capaz?

Mandei uma mensagem para Tiff, mas a mesma não respondeu, certeza que ainda estava ocupada com as tarefas que sua mãe a deu. Eu queria alguém para conversar, mas minha única opção além de Tiff era Santi, e ele me chateou demais para servir de meu consolo.

Era golpe baixo usar minha idade contra mim. Eu podia ser mais nova do que ele, mas já vivi muito mais coisa que ele. Vivi o suficiente para não me deixar enganar por um rosto e palavras bonitas. Vivi o suficiente para saber me defender sozinha, coisas que ele claramente ainda não aprendeu em seus vinte e cinco anos de vida.

Para evitar a entrada em uma espiral de lamentações, resolvi ocupar minha mente com a coisa que eu mais amo fazer na vida: programação e desenvolvimento de jogos.

Eu sou boa em fazer aplicativos, acredito que essa será minha porta de entrada nas empresas Mayfield, mas criar game é meu hobby e minha paixão.

Pego a única coisa que me traz conforto que me restou e desligo o resto do mundo.

E pelas próximas horas Santigo e a recém descoberta da gravidez de minha irmã deixam de ser um problema.

Massageio meus ombros e corro a mão pela mesa de trabalho em busca do meu celular. 06:47 da manhã. Minha barriga ronca de fome, me lembrando que tem quase 24 horas que eu comi. Na verdade, eu mal bebi agua (eu sei, meus rins estão muito chateados comigo), mas eu não me senti confortável para sair do quarto e, sendo bem sincera, eu nem me lembrei dessas coisas. Estava tão absorta desenvolvendo um novo nível do meu jogo que mal lembrei que, diferente dos meus personagens, eu sou um ser humano com necessidades básicas de sobrevivência.

Coloquei toda frustração e raiva que estava sentido no desenvolvimento do nível, se algum dia esse jogo for comercializado, garanto que os jogadores terão uma grande dificuldade em superar o nível dezessete.

Quando meu estomago roncou de novo, resolvi me aventurar pela casa em busca de comida, mas não antes de jogar uma agua na cara e escovar os dentes. Nem mesmo me preocupei em trocar as roupas de ontem. Eu sei que é uma questão de higiene, mas comer agora é questão de vida ou morte.

Voltei para a sala onde ocorreu o fiasco de ontem e a partir daí usei meu super. Olfato para encontrar cheiros comestíveis, o que, graças a Deus não foi difícil, por que posso senti o aroma do café a quilômetros de distância.

-O senhor Enrico ficou uma fera. – ouvi uma voz dizer, quando me aproximei do que aparecia ser a cozinha.

-Também pudera, o homem construiu seu império do nada, para surgir umas caçadoras de ouro de sabe-se lá de onde para usurpar tudo.

-Conheci as mais velhas de perto. Parecem ser duas nojentas. – outra voz falou.

-A mais nova não parece ser muito diferente também. Sabe o que costumam dizer: uma fruta nunca cai muito longe do cesto. – Reconheci a voz da governanta.

Resolvi que essa seria a hora perfeita de interromper, antes que eu fosse ainda mais atacada e decidisse adiar novamente minha refeição.

-Com licença. – falei, assustando as três mulheres – Desculpe incomodar, eu apenas segui o cheiro do café. – falei, tentando ser simpática.

-O café é servido as oito. – a governanta falou, não se deixando abalar com as perspectiva de eu ter ouvido a conversa.

-Eu sei, apenas aconteceu que eu pulei as refeições e estou realmente faminta...

-Não tem nada pronto esse horário, é muito cedo. – ela continuou.

As outras duas pareciam concentradas demais em suas próprias funções. Ou fingiam estar concentradas demais.

-Eu posso esperar, só uma xicara de café já me deixaria feliz.

-Vai demorar.

-Eu tenho tempo. – falei com um sorriso, sentando na mesinha que há na cozinha e pegando o meu celular.

A mulher deu um suspiro irritado mas desistiu de tentar me expulsar. Eu não podia culpa-las pelo tratamento que eu estava recebendo. A forma como tudo estava acontecendo realmente nos colocava como caça ouro. E se nem os donos da casa nos considera visita bem vinda, quem dirá os empregados.

Chequei minhas mensagens e não me surpreendi ao ver mensagens apenas de Tiff.

Tiff: O que aconteceu?

Tiff: Mamãe me prendeu o dia inteiro com compras para o ano letivo.

Tiff: Volte aqui e me conte o que aconteceu?

Ligação perdida.

Ligação perdida.

Tiff: Sério que você vai me deixar dormir na curiosidade?

Tiff: Nanat!

Tiff: Af, desisto, você deve estar recolhida em seu mundo encantado. Insônias por sua causa, bunny.

Sorrio com as mensagens.

Eu realmente amo essa garota.

Nat: Precisei de um escape.

Nat: Você não vai acreditar na maior bomba: Catalina está grávida.

Tiff: O que?

Nat: Essa também foi a minha reação. Mas você precisava ver a reação de Enrico. Ele praticamente nos acusou de aplicar o golpe do baú.

Nat: Por que está acordada tão cedo, raio de sol? Em um sábado.

Tiff: Ainda não consegui dirigir essa notícia. É cedo demais para isso.

Tiff: Tenho reuniões o dia inteiro hoje. Tenho que escolher alguém para sua vaga até o final do dia ou minha mãe vai escolher. E você sabe que eu não vou gostar da escolha dela.

Nat: Você sabia que Santiago tem um irmão mais novo?

Tiff: Tipo, uma criança?

Nat: Não, tipo nossa idade.

Tiff: NÃO!

Tiff: Gato como o irmão?

Nat: Totalmente diferente e totalmente idiota.

Tiff: Sabia que dois Santiagos no mundo seria impossível.

Tiff: Tenho que ir Bunny. Conversamos sobre as recentes notícias em breve.

Nat: Amo você, raio de sol.

E por falar no diabo, Sebastian aparece fazendo algo bem próximo do que eu considero uma caminhada da vergonha, ainda vestido com as roupas de ontem e entrando pela porta dos fundo.

-Chegando só agora? – Lilian pergunta.

-Rome me arrastou de um lado para o outro, estou acabado. Tudo o que eu preciso agora é apagar em minha cama.

-Mas não sem antes comer alguma coisa, querido. Deseja um café? Um suco?

Ah, essa mulher. Quer dizer que pro pequeno príncipe a comida apareceu?

-Não, apenas dormir.

-Mas eu pedi para Celene fazer torta de pêssego, querido. A sua favorita.

-Você sabe que eu não resisto a isso. Faça uma bandeja e deixe no meu quarto, quando eu saí do banho eu como.

-Claro, querido.

Sebastian passou por mim como se eu fosse invisível e seguiu para onde quer que seja o seu quarto.

-Bom dia para você, também, mal educado. – sussurrei.

Notei enquanto as três mulheres pegavam vários tipos de comida para encher a bandeja do maldito Mayfield, enquanto eu e meu pequeno estomago sofríamos em silêncio.

-Será que eu posso ter uma dessas tortas também? – imploro, esquecendo do meu orgulho em troca de um prato de comida.

-Não, as tortas são do jovem Mayfield.

Jovem Mayfield, que coisa mais patética.

-Eu tô aceitando qualquer coisa.

-Como eu falei antes, senhorita. O café da manhã é servido as oito.

Respirei fundo três vezes para evitar discutir e provar a elas que eu sou como minha mãe e irmã.

-Por que você já está acordada? – ouço a voz de Santiago atrás de mim.

-Fome. – respondo simplesmente.

-Nossa, esqueci que com toda aquela confusão de ontem você acabou sem comer nada. Por que você não pediu para subirem com seu jantar?

-Eu não quero incomodar. Apenas uma xicara de café me deixaria feliz.

-Você não deveria tomar tanto café, é muito nova para isso.

Ergui uma sobrancelha para ele.

-Desculpem incomodar, novamente, senhoras. – direcionei para as duas mulheres que estavam na cozinha, já que um delas saiu com a bandeja de Sebastian durante minha troca com Santiago – Será que alguma de vocês teria papel e caneta para me emprestar? É para que o Santiago possa fazer uma lista de todas as coisas que são permitidas ou não fazer na minha idade. – falei irritada.

Ele respirou fundo.

-Celene, por favor, você poderia nos servir algo para comermos?

-Claro, senhor Mayfield.

Lancei um olhar para elas.

Quer dizer que agora apareceu comida.

Chocante.

-Eu sinto muito que eu tenha te magoada ontem, Nat. Eu me importo com você, nunca quis te magoar.

Batidas do coração.

-Eu sei que as coisas entre sua irmã e eu estão meio rápidas, mas eu preciso que vocês confiem em mim e nas minhas escolhas.

-Se você tem tanta certeza, um DNA não faria diferença. – eu falo e Celene, que estava fingindo não prestar atenção enquanto servia a comida para nós dois na mesa, derruba um prato com bolos. A sorte que não é de vidro e não quebra.

-Não vamos ter essa conversa de novo, Nat. Eu tomei a minha decisão e quero que você respeite minha escolha. Você é importante para mim e eu não quero te perder no processo de construir minha família. Até porque você faz parte da minha família.

Enchi minha xicara de café muito acima do que é considerado educado e peguei uma das estupidas tortas de Sebastian.

Não é que elas são realmente boas?

-Você não vai falar nada?

-Santiago, tudo que eu quero agora é tomar o meu café em paz, ok?

-Nat...

-O que você quer que eu diga? Que eu estou feliz? Eu não estou, eu acho que você está cometendo um erro e essa é minha opinião final. Você quer que eu respeite suas escolhas, então eu estou acatando sua opinião me privando de opinar.

-Desculpe ter gritado com você ontem e ter dito coisas que te magoaram.

-Eu passei dos limites também.

-Mas isso não justifica o meu comportamento, Natasha.

-Não, não justifica. Apenas mostra que eu também te devo um pedido de desculpas

-Você nunca precisa se desculpar comigo, princesa. Por nada.

-Eu só não entendo porque você sempre joga minha idade na minha cara. Eu sou quase uma adulta e você me faz sentir como uma criança.

-Eu falo isso porque você é mais jovem que eu, Nat. Oito anos mais jovem. Oito anos é muita coisa.

-Você fala como se uma vida nos separasse.

-Na verdade, uma geração nos separa. Você é da idade de Sebastian, então eu acho que sempre os verei como bebês.

-Ridículo. – falo, revirando os olhos e Santi me responde com um de seus sorrisos lindos.

-Na verdade, Sebastian também estuda na Royal Elite.

-Péssima notícia.

-Por que?

-Se todos forem como ele eu terei um ano infernal.

-Ele não é tão ruim.

-Eu sei que ele é seu irmão e tals, mas ele não é tão bom.

-Espertinha. Vou pedir para ele servir de seu guia e te ajudar a se sentir em casa.

Gargalhei.

-Aí está uma coisa que eu duvido.

-O que?

-Ele me odeia.

-Ele não te odeia. Ele nem te conhece.

-Ele me acusou te planejar um golpe do baú nele.

-Bash tem um... certo humor diferenciado. Ele estava apenas brincando mas eu vou conversar com ele sobre isso. E outra, tenho certeza que depois que vocês se conhecerem ele vai te amar, todo mundo que te conhece te ama.

-Claro, isso pode ser visto pela quantidade de amigos que eu tenho.

-Digamos que Tiff valha por uma multidão.

-Sim. – falei rindo.

-Ela com certeza não aceitaria muito bem te dividir.

Ri alto.

Incrível como em poucos meses ele já se inseriu de forma tão grande em minha vida a ponto de ser íntimo de minha melhor amiga.

-Vou falar com Bash. Tiff é ótima, mas está longe. Você precisa de amigos aqui e ele conhece várias pessoas para te apresentar.

Fiz uma careta para ele, duvidando da influência que ele possui com o irmão.

-Falando nisso, por que nunca vi nada sobre você ter um irmão? Já várias reportagens sua e de seu pai, mas nunca vi uma menção a ele.

-Bash não se interessa pelos assuntos da família.

Mesmo assim, isso é tudo muito estranho.

Santi olha pelo relógio e pula para fora da mesa.

-Tenho que correr, literalmente, ou não vou conseguir fazer todos os meus exercícios antes do horário da saída. Fique bem, princesa, e se precisar de algo peça a Lilian.

Só então notei que Santi não comeu nada e eu, sozinha, devorei praticamente tudo que tinha sido colocado na mesa.

-Bom dia pra você, Santi. – falei, enquanto ele saia correndo. – Obrigada, meninas pela refeição. Estava deliciosa. Que bom que o jovem senhor dividiu uma de suas tortas comigo, está divina. – falo com as mulheres na cozinha. – De qualquer forma, quando saí o almoço? Para evitar que eu me atrase?

-Às 12 horas. – Lilian responde.

-Obrigada. Estarei em meu quarto caso precisem de mim. E, senhoras, as vezes um fruto nem mesmo chega a fazer parte do cesto. É muito feio julgar uma pessoa sem conhecer. Veja, se eu fosse adepta a julgamento iria achar que vocês não iriam me alimentar e só fizeram isso por causa de Santiago. Mas, como eu não faço essas coisas, sei que vocês adiantaram todo o serviço para que eu pudesse comer algo. – falei, com um sorriso – Então, por esse motivo sempre serei grata vocês. Tenham um bom dia.

Então saí em busca do meu quarto, deixando as três mulheres sem graça.

Veja, eu sou boazinha mas sei a hora de usar minhas armas e marchar em batalha e eu não sou conhecida por perder minhas guerras.

A menos que o inimigo do outro lado seja minha mãe ou Catalina.

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