"Aqui está o acordo de divórcio, Philip. Eu já assinei. Por favor, entregue ao Carlos."
Debbie tomou coragem e entregou o acordo assinado ao mordomo da família Huo, Philip.
Philip suspirou resignado, porém, ao ler o documento, notou algumas cláusulas que o fizeram franzir a testa. Ele olhou rispidamente para a garota e disse gritando: "Debbie!" Como se não pudesse acreditar no que tinha acabado de ler, perguntou: "Sabe que o que você está fazendo é estúpido? Eu posso entender que você queira se divorciar do senhor Carlos, afinal, você não o viu nos últimos três anos. Mas por que sair dessa relação sem pedir dinheiro nenhum?"
Debbie era uma estudante universitária de 20 anos. Seu pai já tinha falecido e ela não sabia quem era sua mãe. Na opinião de Philip, ela não deveria pedir o divórcio e nem sequer sair sem pedir nada.
Envergonhada, Debbie coçou a cabeça. Ela não tinha intenção de esconder nada de Philip, quem a tratava como se fosse sua própria filha. "Eu, eu quero sair da escola", ela gaguejou.
"O quê? Por que você quer sair da escola de repente? O que aconteceu? Alguém está te incomodando?" O mordomo tinha os olhos arregalados de espanto.
"Não, não, não! Você está exagerando, Philip. Você sabe que eu não gosto de estudar. Então, não quero perder meu tempo na universidade", explicou.
A desculpa para largar os estudos não era muito convincente, mas foi a única que lhe veio à cabeça naquele momento. Ela não estava falando o motivo verdadeiro do seu divórcio para ninguém.
Debbie ficou em silêncio por algum tempo, enquanto vários pensamentos passaram por sua mente. 'Amanhã estarei completando 21 anos e também será aniversário de 3 anos de casamento. Ainda sou jovem. Não quero que este casamento vazio atrapalhe a minha busca pelo amor verdadeiro. Nunca vi Carlos Huo pessoalmente. Meu pai foi quem arranjou esse casamento. Como eu poderia viver assim?' Ela pensou, sentindo-se amargurada.
Entendendo que Debbie não estava disposta a dizer mais nada, Philip não teve escolha e se deu por vencido, "Parece que você já se decidiu, então...", ele esperou que ela dissesse alguma coisa. "Amanhã entrego o acordo do divórcio ao senhor Carlos", concluiu Philip com um suspiro profundo sem nenhuma resposta de Debbie.
"Muito obrigada, Philip!" Ela deu um suspiro de alívio e depois mostrou a Philip um sorriso doce.
Mas Philip não conseguiu ficar calado enquanto olhava para ela. "Debbie, o senhor Carlos é um bom homem. Acho que vocês vão formar um casal perfeito, então espero que possa pensar sobre isso e reconsiderar. Caso mude de ideia, pode me ligar a qualquer momento", disse ele sinceramente.
De tudo o que ele disse, duas palavras fizeram Debbie tremer. 'Casal perfeito? Carlos não apareceu na cerimônia de casamento! Ele estava num jantar de recepção com um presidente estrangeiro naquele exato dia. A fotografia na certidão de casamento foi feita com o Photoshop.' Nos últimos três anos, ela não o viu nem uma única vez. 'Como Philip pode dizer que somos um casal perfeito?' Debbie não conseguiu controlar os pensamentos irônicos em sua cabeça.
Finalmente, voltando à realidade, ela respirou fundo antes de falar novamente. Ela pretendia dizer: "Eu já decidi", mas devido ao respeito que tinha por Philip, que estava realmente preocupado, ela disse: "Tudo bem!"
Pensando que ela poderia mudar de ideia, Philip esperou até a tarde do dia seguinte, porém, para sua decepção, ela não ligou. Então, lentamente, ele pegou o celular e discou um número. "Senhor Carlos, tenho um documento que precisa da sua assinatura", disse Philip respeitosamente.
"Que documento?", uma voz respondeu friamente do outro lado da linha.
Philip notou um tom de impaciência na voz de Carlos. Depois de hesitar por um momento, Philip respondeu: "O acordo de divórcio."
Então, a caneta que Carlos tinha na mão parou um minuto. Ele fechou os olhos e esfregou as sobrancelhas pensativo.
Ele foi capaz de entender isso rapidamente e pensou: 'Oh, ainda tenho uma esposa.' Se Philip não tivesse ligado, ele nem se lembraria que estava casado.
"Deixe os papéis no meu escritório. Estarei voltando daqui a alguns dias", disse Carlos friamente.
"Sim, senhor Carlos", Philip assentiu e em seguida desligou.
Enquanto isso, no Blue Night Bar da Cidade Y
O local mal iluminado estava lotado de gente. O bar era um dos mais populares da cidade, atraía homens e mulheres.
Dentro da sala 501, havia uma mesa cheia de garrafas de cerveja, vinho, champanhe e uma variedade de lanches.
Naquela sala se comemorava uma festa de aniversário. A aniversariante era Debbie, que estava completando 21 anos naquele dia. Os seus amigos a chamavam de "Chefa". O apelido fazia referência à sua característica. Naquele dia, Debbie usava um vestido de renda rosa, uma das raras vezes que ela deixou seus jeans e camisa habituais. Muitos convidados pegaram seus telefones para tirar uma selfie com ela.
Depois das fotos, Debbie começou a se divertir bebendo com os seus amigos. Em um dos cantos daquela sala, estavam os presentes que Debbie ganhou.
Jeremías Han estava abraçando um dos convidados e cantando. "Eu sabia que você era um problema quando entrou...", desafinava.
Ele estava tão desafinado que as meninas reclamavam cobrindo os ouvidos com as mãos.
"Jeremías! Pare de cantar. Vamos apenas brincar com jogos, para evitar estourar os tímpanos de alguém." Karen Zheng, uma das colegas de Debbie, gritou e silenciou Jeremías.
Karen era uma garota feliz e cheia de confiança, que sempre chamava a atenção das pessoas.
Suas palavras fizeram com que todos naquela sala se calassem. Os convidados se viraram ao mesmo tempo para olhar Karen, esperando suas instruções.
Sua fama de festeira era muito conhecida e além disso, ela era popular entre os colegas.
Olhando para todos com malícia nos olhos, Karen disse: "Vamos brincar de 'Verdade ou Desafio'!" Um sorriso malicioso brotou nos seus lábios, quando os convidados se opuseram à sugestão.
Alguns deles lançaram-lhe um olhar de desprezo. "Karen, esse jogo é péssimo!" Dessa vez, Jeremías, filho de uma família muito rica, virou-se para Karen e revirou os olhos com desprezo, porque também achava que era um jogo chato.
Karen deu a Jeremías um olhar desafiador e continuou: "Hoje é o aniversário da Debbie, então vamos tornar o jogo mais emocionante!" Ela mostrou um sorriso maligno que deixou alguns convidados desconfortáveis.
Como todas as pessoas na festa eram estudantes, muitas ainda eram bastante inocentes. Eles conheciam o jogo. Porém, normalmente as consequências dos desafios eram cantar as notas altas como 'Loving You' de Mariah Carey, carregar o cara mais pesado na sala ou cantar um dueto com alguém do sexo oposto.
Mas Karen tinha outra ideia em mente para Debbie. As bochechas de Debbie já estavam vermelhas pelo excesso de champanhe e vinho que ela já tinha bebido. Quando a primeira rodada começou, Karen piscou para os outros, que rapidamente entenderam o que ela estava planejando.
"O perdedor desta rodada deve sair pela porta, virar à direita e beijar a primeira pessoa do sexo oposto que encontrar. Se ele ou ela optar por pular esse desafio, há uma alternativa que é beber dez copos de vinho", disse Karen.
Todos estavam empolgados com o jogo. Eles estavam ansiosos para saber quem seria o primeiro perdedor. Dessa vez, Jeremías bufou com desprezo, mas não disse nada. Ele sabia que tinha algo planejado.
Depois de jogar pedra, papel e tesoura, todos se viraram para olhar para Debbie, que estava surpresa.
Debbie olhou para a sua mão, que foi a única mão que formou o gesto da tesoura, e depois olhou para as outras que escolheram a pedra. Seus olhos se arregalaram, ela ficou de queixo caído.
"Eu te odeio, Karen!", ela gritou. Se lembrando do desafio, Debbie sentiu vontade de chorar. Ela já estava bêbada e não tinha como beber mais dez copos de vinho.
Então, ela tomou coragem, respirou fundo várias vezes antes de abrir a porta.
Seguindo as instruções, ela virou à direita.
No corredor havia um homem vestido com uma camisa branca, calça preta e sapatos de couro preto.
Ele parecia ter mais de 20 anos e medir cerca de 1, 80m de altura. Seu rosto parecia ser desenhado em ângulos e planos, de sua testa, suas bochechas até a linha de sua mandíbula. Uma aparência do tipo que se destacaria na multidão.
No entanto, seus olhos eram tão frios, que Debbie não pôde deixar de se encolher quando ele olhou para ela.
"Uau, ele é um cara bonito! Chefa, apresse-se! Estamos esperando!", Karen disse sussurrando. Debbie congelou-se por um momento. Ela estava ocupada pensando: 'Ele me parece familiar. Onde eu tinha encontrado ele antes?'
Mas a voz de Karen interrompeu os seus pensamentos, então ela respirou profundamente e reuniu mais coragem.
Porém, o pensamento perturbador persistia. Ela achava que já tinha visto ele antes. 'Não importa! Era melhor fazer isso rápido.'
Corajosamente, ela se aproximou do homem, sorriu docemente para ele e ficou na ponta dos pés. O perfume dele viajou até o nariz de Debbie.
Carlos estava procurando um lugar tranquilo para fazer uma ligação quando aquela garota o parou no corredor. Ele franziu a testa, irritado, quando Debbie se aproximou dele.
Algo também veio à sua mente. 'Por que ela é tão familiar para mim? Seus olhos...' Carlos tentou se lembrar do seu rosto.
Enquanto refletia sobre quem era a garota, Debbie o pegou desprevenido e deu-lhe um beijo suave nos lábios.
Depois de beijar Carlos, Debbie retirou-se imediatamente fugindo diretamente à sala em que a festa estava sendo celebrada.
"Debbie!", Karen gritou quando fechou a porta. "Você foi incrível, garota!" Ela disse com orgulho, batendo nas costas de Debbie. Respirando profundamente depois de fugir, Debbie suspirou com alívio.
Enquanto isso, o rosto de Carlos escureceu após o beijo de surpresa, ele ficou congelado no lugar, enquanto olhava a garota desaparecendo na sala 501. Ele estava prestes a pedir aos guarda-costas para arrastar Debbie para fora daquele lugar e jogá-la no mar, quando o seu telefone tocou.
Mesmo irritado com a interrupção, ele atendeu o telefone. Depois de ouvir por alguns segundos, ele respondeu: "Tudo bem. Já vou para lá." Ele desligou o telefone e olhou para a sala 501. Respirou profundamente para controlar sua raiva. Havia uma emergência na sua empresa que ele precisava atender imediatamente.
"Hoje é o seu dia de sorte, mulher. É melhor rezar para nunca mais me encontrar. Você não vai conseguir fugir da próxima vez que me provocar", murmurou Carlos enquanto se virava para sair.
Dentro da sala 501, Debbie estava esfregando as bochechas vermelhas, as sentiu queimar de vergonha. Essa foi a coisa mais louca que ela tinha feito na vida. Com o coração batendo forte, ela tinha na cabeça um turbilhão de pensamentos.
'Oh, Meu Deus! Esse foi o meu primeiro beijo e nem sei quem beijei! Isso significa que traí o meu marido? Oh, não importa! Já tenho os papéis do divórcio assinados. Isso é o suficiente mesmo que Carlos não queira assinar. Segundo a lei, um casal separado por mais de dois anos está automaticamente considerado divorciado.
Não o vejo há três anos, desde que nós nos casamos. Então, creio que legalmente, eu não sou mais sua esposa. Isso significa que eu não o estava traindo. Afinal, foi apenas um beijo.' Debbie se esqueceu de todo mundo que estava ao seu redor.
De repente, Karen gritou: "Oh Meu Deus!" E todos os seus amigos ficaram surpresos com sua reação.
"O que está fazendo, Karen? Você quase me matou de susto!" Kristina Lin estava prestes a beber um gole de vinho, mas acabou derramando o líquido e bateu no peito para se acalmar.
Karen estendeu a mão para Debbie, que ainda estava perdida nos próprios pensamentos, e a sacudiu pelos ombros.
"Você sabe quem é aquele homem?", ela perguntou com determinação. O homem que Debbie beijou era o tipo de homem que as mulheres sempre sonhavam. Ele era jovem, bonito, rico e poderoso, era dono de um grande grupo multinacional. As pessoas o chamavam de senhor Carlos. Toda a cidade conhecia aquele homem.
"Não, quem é ele?" Debbie perguntou enquanto tomava um grande gole de uma taça de champanhe.
"Carlos! Carlos Huo!", Karen gritou o nome, enquanto olhava para o rosto da aniversariante. Aquele nome deveria ser o suficiente para saber tudo sobre aquele homem, por isso, ela queria ter certeza de que Debbie estivesse ouvindo bem.
O champanhe derramou da boca de Debbie no exato momento em que Karen disse o nome de Carlos. Debbie começou a tossir fortemente, sem se dar conta de que havia cuspido a bebida no rosto de Karen. Karen, ao invés de ficar irritada, ficou totalmente atordoada.
Até Jeremías ficou surpreso ao ouvir o nome. "Senhor Carlos? Chefa, acho que você está com problemas", disse Jeremías, filho do CEO de uma empresa financeira da Cidade Y, e o nome de Carlos atingiu seus ouvidos como um trovão vindo do céu.
O nome também fez Kristina gritar. "Debbie, você beijou o senhor Carlos! Ohhh. Deixe-me beijar você porque é como beijá-lo também", gritou Kristina.
Debbie pegou um punhado de guardanapos e começou a limpar o rosto da amiga, mas a sua surpresa era tanta que se esqueceu de pedir desculpas.
Quando Kristina se aproximou, Debbie jogou os guardanapos sobre a mesa e fugiu o mais rápido que pôde.
De repente, ela se lembrou de algo. "Karen, você disse meu nome quando eu estava no corredor?", ela perguntou, e estremeceu ao pensar nisso. 'Droga! E se ele se lembrar do meu nome?'
Karen pegou mais lenços para secar o rosto e com a voz irritada respondeu: "Sim, eu disse. É por isso que você está tão agitada? Sim, deve ter sido emocionante beijar o senhor Carlos, mas você está exagerando, não está?"
Enquanto isso, ela amaldiçoou Debbie em voz baixa: "Sua pirralha! Veja o que você fez! Minha cara! E meu cabelo! Tudo ensopado de champanhe!"
Debbie deu um tapinha no braço de Karen para confortá-la e se desculpar, e de repente disse: "Divirtam-se, pessoal! Tenho que ir embora agora."
Assim que ela disse essas palavras, a garota saiu apressada. Seus amigos, com expressão atordoada, acompanharam sua silhueta deixando a festa.
Todos os seus amigos estavam pensando a mesma coisa. O que ela ia fazer? Tentar alcançar o senhor Carlos? Ela estava doida? Todos sabiam que muitas mulheres estavam atrás de Carlos, porém, para se livrar delas, o homem simplesmente pedia aos seus guarda-costas que tirassem suas roupas e as jogassem na rua. Pensando no que poderia acontecer, todos pensaram que deveriam parar Debbie.
Vários de seus amigos deixaram a sala onde comemoravam a festa, esperando conseguir impedir Debbie de fazer o que pensavam que ela estava planejando em fazer.
Mas a garota já tinha deixado o local e eles não conseguiram encontrá-la.
Assim que Debbie saiu do bar, ela chamou um táxi e pediu que a levasse para a casa onde estava hospedada.
'Espero que Carlos não tenha me reconhecido e que ele não vá para casa hoje à noite. Caso contrário, ele pode acabar pensando que me arrependi de ter pedido o divórcio e o beijei para chamar sua atenção.'
Ela encostou-se no banco traseiro do táxi e começou a pensar no que tinha acontecido.
Depois de obter a certidão de casamento, nos três anos de casamento, Carlos designou Philip para cuidar de sua comida, roupas e tudo que ela precisava.
Mas ela nunca tinha visto o homem com quem tinha se casado.
Por um lado, ele estava ocupado com o trabalho e passava a maior parte do tempo no exterior para cuidar de seus negócios.
Por outro lado, mesmo quando estava na cidade, Carlos ficava em outra casa. Eles tinham amigos diferentes e frequentavam diferente círculo social. Por isso, eles nunca tinham se conhecido, nem mesmo se encontrado uma única vez, durante esses três anos de casamento.
Quanto à certidão de casamento, o pai de Debbie a guardava com ele enquanto ainda estava vivo, mas, pouco antes de sua morte, ele a entregou a Carlos, por medo de que Debbie pedisse o divórcio.
Por esses motivos, Debbie não sabia como era o seu marido até aquele momento.
De repente ela se lembrou de algo, sentou-se arrumando a postura e deu um tapinha na testa. 'Ah, me lembro de tê-lo visto uma vez', pensou. Ela tinha visitado o escritório dele algumas vezes, porém em todas as vezes foi o assistente de Carlos que a recebeu, impedindo-a de qualquer chance de falar com o seu marido. Porém, na última vez que ela foi à empresa, Debbie não disse para ninguém quem era, sendo assim, os seguranças a impediram de entrar no prédio. Naquele momento, Carlos tinha acabado de voltar de uma viagem ao exterior. E enquanto ela estava do lado de fora, viu de longe o marido sair do carro.
Infelizmente, era muito longe para dar uma boa olhada nele, sem falar que o episódio tinha passado há muito tempo. Mesmo sabendo o nome dele, ela nunca conseguiu encontrar nenhuma foto de Carlos na internet. Ele era um homem discreto, nunca dava entrevistas para imprensa e não permitia que ninguém publicasse suas fotos.
Porém, uma vez alguém postou uma foto dele, onde se dizia que ele estava segurando a mão de uma atriz. Mas antes que Debbie pudesse vê-la, eles fizeram a foto desaparecer da internet.
Quem pensaria que hoje, finalmente, ela veria o rosto do marido.
E ela até o beijou! Se ele tivesse assinado os papéis do divórcio, tecnicamente, seria o ex-marido dela.
Todos sabiam que muitas mulheres gostavam de Carlos, e que ele odiava aquelas que tomavam a iniciativa de abordá-lo.
Por isso, esse era mais um motivo para deixar Debbie agitada. 'Oh Meu Deus! Estou com problemas. Eu realmente espero que ele não me reconheça', rezou ela silenciosamente.
Quando ela chegou em casa, soltou um profundo suspiro de alívio ao perceber que nenhuma luz estava acesa.
"Talvez ele não tenha ouvido Karen falando o meu nome, e também não me reconheceu. Agradeço a Deus por isso!", ela murmurou.
Tocando o rosto ainda vermelho, ela se jogou no sofá da sala e se lembrou de tudo o que tinha acontecido naquela noite. "Se ele tivesse me reconhecido, certamente não gostaria de mim, mas talvez seja melhor. Dessa forma, ele assinaria os papéis de divórcio sem hesitar", ela murmurou.
Debbie estava no terceiro ano do Departamento de Finanças da Faculdade de Economia e Administração da Universidade da Cidade Y.
Havia mais de 50 estudantes na sua turma. Quarenta deles passaram no vestibular, enquanto os outros conseguiram entrar com dinheiro.
A Universidade da Cidade Y estava entre as 3 melhores universidades do país. Até Carlos tinha se formado naquela instituição. Não era à toa que havia uma longa lista de pessoas que queriam se inscrever. No entanto, Debbie foi uma daquelas pessoas que pagou para entrar.
Marc Dou, um velho professor, estava em pé em frente à classe. Ele colocou os óculos sobre o nariz e respirou profundamente, enquanto olhava para os alunos, a maioria tinha cara de sono.
De repente, surgiu um barulho alto! O professor tinha jogado um livro na mesa com força. O som fez com que muitos estudantes despertassem e eles rapidamente se ajeitaram nas suas cadeiras.
Porém, uma aluna vestindo um casaco branco, que estava sentada na fila de trás, permanecia dormindo apoiada na mesa.
Irritado, Marc gritou: "Debbie!" Apesar de ser um homem velho de cabelos grisalhos, sua voz ainda era estridente. O silêncio que se seguiu foi tal que seria possível ouvir um alfinete caindo.
Mas nem o barulho nem o silêncio fizeram diferença para Debbie, que continuou dormindo. Todos olhavam para ela, enquanto ela vagava pela terra dos sonhos.
"Debbie! Debbie!", uma voz suave continuou chamando Debbie, enquanto ela pegava no sono. Recusando-se a acordar, ela sentiu alguém puxar insistentemente a manga da sua roupa, e quanto mais ela ignorava, o som da voz era mais alto e o puxão era mais forte. Isso a fez desistir e finalmente acordou.
Embora era claro que ela ainda estava meio adormecida, ela virou a cabeça em direção a Kristina. "Kristina, é melhor que você tenha um bom motivo para me acordar."
O que ela viu como resposta de Kristina foi o dedo da amiga apontando para algum lugar. Os olhos de Debbie seguiram para onde o dedo de Kristina apontava e se depararam com Marc, visivelmente irritado.
Na opinião dela, dar cara com o rosto comprido de Marc foi o mesmo que receber na cara água gelada borrifada. 'Oh merda!' Lutando para se recuperar, Debbie sacudiu a cabeça violentamente e se sentou.
Marc, o professor que estava diante dela, era considerado um dos professores mais teimosos da universidade. Debbie tirou o livro da bolsa, o abriu na página indicada e lançou um olhar intimidador para quem ousasse rir.
Quase que imediatamente, os seus colegas voltaram a atenção ao quadro negro, fingindo que não tinham visto o que tinha acabado de acontecer. Uma vez resolvida a situação, o professor Marc, retomou a aula.
'Oh Deus, ele parece tão bravo...' Debbie enfiou as mãos pelos cabelos com pesar. 'Definitivamente não vou me dar bem nos seus exames...'
Ninguém tentou fazer piada com o que tinha passado com Debbie. Todos na sala, assim como em toda a universidade, sabiam que Debbie tinha um passado misterioso.
Além disso, ela era uma estudante problemática, estava constantemente criando conflitos com os outros alunos, ficava bêbada e matava as aulas. Em resumo, ela já tinha feito coisas que a universidade considerava inaceitáveis.
Entre as regras da Universidade, os alunos não tinham permissão para pintar os cabelos, seja qual fosse a cor, pintar as unhas ou usar joias extravagantes dentro do campus.
No entanto, Debbie não se importou, ela tinha cabelos longos tingidos de lilás e pintava as unhas com um vermelho brilhante. Os professores da universidade estavam aterrorizados demais para repreendê-la por isso.
Era surpreendente que ela ainda não tivesse sido expulsa da universidade. A razão para isso era que ela pertencia a uma família poderosa.
"Debbie Nian", disse Marc friamente, "Por favor, explique o que são finanças." O professor conhecia bem o passado de Debbie. Emmett Zhong, assistente de Carlos, fez vários contatos com Marc na universidade. Além disso, o próprio Carlos foi um ex-aluno de Marc. Como um professor responsável, Marc sabia que precisava intervir, pois não permitiria que os seus alunos, especialmente Debbie, caíssem em vícios.
Fingindo olhar para o livro, Debbie chutou a cadeira da frente. Sentado à sua frente estava ninguém menos que o monitor da turma, um aluno que conseguia as notas mais altas, Dixon Shu.
Com esse "sinal", Dixon entendeu o que Debbie queria dizer e rapidamente passou as páginas do livro até chegar onde estava a resposta, deslizando o livro para o lado esquerdo para que ela pudesse ver.
Um sorriso de satisfação se abriu no rosto de Debbie, quando os seus olhos foram capazes de visualizar a resposta correta. Muitos a olhavam e concordavam que ela era deslumbrante.
Ela possuía os traços que toda garota desejava, pele perfeita e clara, um par de olhos grandes e inocentes, um nariz com um perfil bonito e uns lábios vermelhos e macios.
Embora o rosto de Debbie estivesse limpo e sem maquiagem, seu perfil ainda era perfeito. Sem mencionar o par de pernas longas e bem delineadas, era uma imagem que todos os meninos gostavam de admirar.
Se o seu desempenho acadêmico fosse melhor, ela se encaixaria perfeitamente para o título de "Miss University".
"Ok, vamos ver..." Debbie levantou-se e piscou para Dixon, quando começou a ler o livro. "'Finanças' é um termo amplo que descreve duas atividades relacionadas: o estudo de como o dinheiro é distribuído de forma eficiente e..."
Marc, como um professor experiente, percebeu o truque de Debbie, e gritou. "Chega!" A voz de Marc ecoou por toda a sala, assustando toda a classe.
Os alunos podiam ver como o professor tentava desesperadamente controlar a própria raiva.
Todos ficaram assustados e não se moviam nas suas cadeiras, todos, exceto Debbie, que sorriu para Marc e perguntou: "Professor, minha resposta está errada?"
Essa atitude fez com que Marc ficasse vermelho de raiva e Debbie não pôde deixar de se arrepender do que tinha feito e começou a pedir perdão. "Professor, por favor, não fique irritado comigo. Eu vou decorar a resposta antes que a aula termine!" Debbie prometeu. Até ela tinha medo daquele professor, porque sabia que Carlos era um dos seus alunos.
Então, Marc se acalmou e a cor vermelha foi desaparecendo do seu rosto ao ouvir as palavras de Debbie. Na sua opinião, ela era uma garota inteligente. Dependia somente que ela focasse a mente nos estudos, assim, poderia ser uma excelente aluna, conseguindo as melhores notas. Porém, como professor, ele não podia mais tolerar suas ações insolentes. 'Você não gosta de estudar? Bom! Não se importa com os resultados dos exames? Bom!' Então Marc lançou um olhar para Debbie. 'Mas não vou deixar você se safar da minha aula!', ele jurou para si mesmo.
"Se você ousar novamente adormecer na minha classe, Jeremías, Kristina e Karen, os três serão punidos!", Marc anunciou. "Entendeu?" Os três que ele tinha enumerado reclamaram incrédulos com a ameaça do professor.
'Por que somos os que sofrem quando a Debbie é quem cometeu erros?', todos eles pensaram da mesma forma.
Marc tomou essa decisão porque sabia que Debbie era leal aos seus amigos. Ferir os outros para o seu próprio benefício, ia além do que Debbie podia suportar. Essa era uma das vantagens que Marc viu em sua atitude.
Fulminando o seu professor Marc com o olhar, Debbie o amaldiçoou profundamente: 'Mas por quê? Você é um pedaço de...'
Debbie levantou a cabeça e respondeu confiante: "Entendi, professor. Você não vai mais me ver dormir na sua aula." Debbie voltou para o seu lugar, sentou-se, pegou sua caneta e começou a escrever em seu caderno. Um olhar de satisfação se via no rosto de Marc, porque ele estava pensando que ela estava tomando notas, porém, na realidade, ela estava apenas rabiscando.
Quando o sinal tocou, Marc falou suas últimas palavras, antes de recolher suas coisas e deixar a sala.
A aula tinha terminado oficialmente.
Quando Marc saiu, vários alunos se reuniram em volta de Debbie e começaram a queixar-se do professor.
"Ei, Chefa. O que o professor estava pensando?", Jeremías perguntou. Ele tinha a expressão frustrada escrita no rosto. 'Por que diabos nos escolheu para punir, ao invés de punir a Debbie? Ele é um homem estranho', pensou ele.
Com altura de 2, 10m, Jeremías era um dos estudantes mais altos de toda a universidade. Além disso, ele era um dos amigos mais próximos de Debbie e um homem generoso.
"Debbie, por favor, não volte a dormir na aula do professor Marc", Kristina reclamou, enquanto segurava o braço de Debbie com força e agia de maneira doce. "Estou te implorando..." Kristina, a outra amiga de Debbie, tinha longos cabelos encaracolados, de estatura pequena, mesmo assim, esbanjava charme.
"Debbie, sendo a garota mais bonita do dormitório 3301, não posso me dar ao luxo de aparecer mal em público, ok?", disse Karen, que se autoproclamando a garota mais bonita do quarto.
Nos últimos dias, o ânimo de Debbie estava em baixa, devido ao processo de divórcio e o beijo entre ela e Carlos. Aquele barulho ao seu redor começou a irritá-la, então ela pegou o livro e bateu com força contra a mesa, o som da batida ressoou por toda a sala, deixando todos em choque.
Todos naquela sala sabiam que, se olhassem para trás, seriam congelados pelo olhar frio de Debbie, então todos se calassem.
Sentindo a tensão que pairava no ar, Karen falou na esperança de aliviar o ambiente. "Ei, eu acabei de lembrar que hoje tem uma grande promoção no Shining International Plaza! Vocês querem vir?"
Levantando-se, enquanto se dirigia em direção a Karen, Debbie deu um sorriso deslumbrante e disse: "Eu quero!" 'Provavelmente só vai por causa do batom que ela sempre quis ter...' Karen revirou os olhos pela brincadeira.
Como eram amigas íntimas, Karen e Debbie se conheciam como suas palmas da mão.
Debbie costumava ficar bêbada e se envolver em brigas, era muito surpreendente que ela estava tão interessada em batons. Ela nunca se preocupava com as roupas que vestia, costumava vestir-se com roupas casuais. No entanto, seu interesse em colecionar batons era incontrolável.
No Shining International Plaza
O grupo se reuniu e finalmente chegou ao shopping. A decoração interior transbordava beleza. Era um dos lugares mais bonitos para se visitar.
O Shining International Plaza era formado por um grupo de 7 edifícios, com nomes para homenagear as estrelas que formaram a constelação Ursa Maior.
Os nomes dos edifícios eram Dubhe, Merak, Phecda, Megrez, Alioth, Mizar e Akaid.
No topo de cada edifício, haviam várias luzes e, quando a noite caía, essas luzes se acendiam de tal maneira que, se você tivesse uma vista aérea, poderia ver como elas formavam a constelação Ursa Maior. Certamente era uma visão impressionante.
O design da iluminação interna foi criado para parecer um céu coberto de diamantes, dando a sensação de caminhar sobre um mar de estrelas. Não era de admirar que as pessoas se apaixonassem por um local assim, se tratava de um conceito único, a Ursa Maior. Por isso, era um famoso local de encontros para pessoas de todas as idades que se reunirem com seus parceiros para observar as estrelas de perto.