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Toda sua

Toda sua

Autor:: Hugo Alefd
Gênero: Romance
Eu sabia que um dia te encontraria vadia..., vagabunda! - Ahhh!!! - gritei alto quando ele agarrou meus cabelos, meu único pensamento era proteger minha barriga. - Então era aqui que estava esse tempo todo, maldita? - Me... solte... - Você está grávida, sua puta? - Pelo amor de Deus, me solte... Naquele momento algo escorreu pelas minhas pernas, meu marido veio correndo ao ouvir meu grito, ele se assustou ao me olhar e ver a arma apontada para meu ventre. Meu algoz o observou de uma maneira tão fria e cruel que se seu olhar pudesse matar alguém, meu marido já teria caído duro no chão. Os dois homens começaram a discutir e o pavor de que algo ruim acontecesse ao meu bebê me deixou paralisada. Eu mal conseguia respirar com medo de que minha barriga encostasse mais no cano da arma. O velho que estava me segurando olhava para meu marido com ódio e aos berros o acusou de traição. Meu marido tentava, através do olhar, me dizer que tudo iria dar certo, mas eu duvidava que aquilo fosse acontecer. O velho gritava tanto que eu não conseguia entender quase nada. - Você estava com ela esse tempo todo, garoto? Você mentiu para mim, caralho?! Onde a encontrou? Quando? De quem é esse bastardo? Meu marido deu um passo para mais perto e aquilo foi suficiente para meu algoz passar seu braço pelo meu pescoço e me empurrar mais para trás. Por azar, agarrei seu braço para o impedir de me sufocar, mas o aperto ficou pior quando ele viu minha aliança de casamento. - Que porra é essa, vadia? Você se casou?! - Solte minha esposa! - meu marido exigiu numa vã tentativa de me salvar. As contrações estavam começando a aparecer e temi que meu filho nascesse ali, no meio daquela disputa. - Sua esposa? Então é isso que você fez, seu maldito? Se casou com ela para tirar minha cadeira? Que traição mais vil! - Solte-a e poderemos conversar. - Dê mais um passo e acabo com a raça desse bastardo que ela carrega. Ou farei melhor, vou levá-la embora e o arrancarei com minhas próprias mãos, o que acha? Vejo meu marido tentar dar mais um passo. Eu conseguia sentir seu desespero, porquê era o que eu sentia também. - Nem mais um passo ou eu atiro! Uma dor atravessou minha barriga me fazendo uivar e mais líquido desceu por minhas coxas fazendo-me perder o foco da discussão. Os fatos se desenrolaram à minha frente em câmera lenta. Eu iria morrer e levar meu filho comigo, deixando o único homem que amei na vida sozinho. A dor daquela revelação foi tão forte quanto as contrações. Mesmo com dores horríveis consegui perceber que a pistola antes apontada para mim, naquele instante estava sendo apontada para meu marido e num último ato de coragem, empurrei meu algoz, que se desequilibrou e apertou o gatilho.

Capítulo 1 Toda sua

ão me lembrava de muita coisa, em um minuto eu estava deitada na mesa de exame com Papito em cima de mim e no outro, estava sendo arrastada daquela sala por um dos homens de Otávio. Minha perna esquerda doía demais e mesmo com um pano amarrado, algo escorria. O resto do meu corpo estava amortecido por tudo que aconteceu nas últimas horas, eu não sabia se estava delirando ou se Papito realmente me bateu daquele jeito.

Durante os anos que vivi na casa de campo, ele sempre foi bom, mesmo quando perdia a paciência o próprio parecia se controlar, mas ali naquele ambiente cheio de homens estranhos, ele parecia ser outra pessoa. Lá no fundo eu sabia que não estava bem, meu corpo parecia flutuar e não conseguia ficar com meus olhos abertos. Não sabia quanto tempo se passou, mas vejo Otávio parado ao meu lado dizendo algo que mais parecia ser uma pergunta, entretanto, minha mente estava lenta e o sono me venceu de novo. Acordei e daquela vez pude olhar ao meu redor com mais atenção. Vi Otávio mexendo na minha perna e aquilo doía. Ele balbuciou algo, me pegou no colo e eu apaguei de novo só por alguns minutos. Tentei brigar com aquela lentidão do meu corpo em obedecer, mas Otávio me prendeu em algo que não soube identificar: - Fique calma, Aurora, o efeito da droga está demorando a passar, mas vejo que já consegue me ouvir. Vou te tirar da cidade, não é seguro para você aqui. - Hummm... - tentei falar, mas as palavras não saíram, minha língua estava grudada no céu da boca. Pelo que consegui observar, estávamos em um carro. - Aurora, tente descansar, você está segura. Deixei o sono me levar mais uma vez. Sonhei com Papito, ele me dizia coisas que não entendia... "- O que está fazendo? - Calma princesa. É o exame. Lembra que eu falei que iria prepará-la? Então, estou apenas ajudando o médico, tenha calma. - Eu não quero isso, Frederico. - Mas é preciso, Aurora. Pense em seu pai." De repente escutei tiros e não sabia se ainda estava sonhando ou se era realidade. Uma mão forte agarrou meu ombro e me chacoalhou. - Aurora... AURORAAA..., acorde..., estamos sendo atacados! Abri os olhos e vi que Otávio dirigia e atirava ao mesmo tempo. Estava sentada no banco do passageiro e ele gritava que estávamos sendo perseguidos. Pensei em Papito e não sabia se ficava feliz ou com medo dele estar atrás de mim para me obrigar a fazer aquelas coisas. Não tive muito tempo para pensar, pois Otávio parou de atirar e segurou o volante. Com a outra mão, ele soltou meu cinto e forçou minha cabeça para baixo, como se quisesse tirar meu corpo da linha de tiro. Em poucos segundos, o pior aconteceu, Otávio gritou SEGURE-SE, ao mesmo tempo em que escutei vários tiros sendo disparados. Mesmo com a cabeça quase colada entre os joelhos, arrisquei olhar para o lado, Otávio tinha voltado a dirigir com uma mão e com a outra, a atirar. Estava assustada com a troca de tiros, mas algo nos atingiu, o barulho de vidro se quebrando foi muito alto e senti o veículo balançar de um lado para outro fazendo com que Otávio perdesse o controle e depois não consegui ver mais nada quando o carro começou a rodar. Sentia frio, muito frio. Minha cabeça latejava e meu corpo queimava. Abri os olhos gradualmente e me olhei, estava toda suja de lama. Com cuidado, consegui me sentar. Olhei para os lados e vi uma mata e um pouco mais à frente, luzes. A distância não parecia ser tão grande, mas fraca como estava não sabia se conseguiria andar até lá. Com dificuldade, me arrastei para longe da água e agarrando um pedaço de tronco de árvore que encontrei, me levantei. Com o corpo tremendo de frio, vou andando devagar até achar uma árvore grande. Me sentei entre duas raízes e me cobri com folhas secas na tentativa de me aquecer, em algum momento devo ter apagado mais uma vez. Quando acordei e tomei consciência das dores, percebi que tudo que aconteceu foi real e não um sonho ruim. Fiquei em silêncio, esperando que alguém aparecesse ou a morte me levasse. Não sabia por quanto tempo fiquei naquele lugar, tremendo e com dores horríveis, mas me assustei ao escutar barulhos. Olhei para a escuridão e vi luzes ao longe e tive esperança de encontrar ajuda. Com dificuldade, me apoiei no pedaço de madeira e me ergui, comecei a caminhar lentamente em direção às luzes. Fui parando para respirar às vezes e me obrigando a dar um passo atrás do outro. O dia amanheceu, mas as luzes continuam acesas. Ao chegar mais perto, vi várias mulheres agarrando-se com homens enquanto outras estavam com seringas nas mãos. Abaixei a cabeça e fui passando devagar no meio daquelas pessoas estranhas, uma delas tinha um cordão grosso e brilhante no pescoço e me olhou por vários minutos, era um homem. Ele pegou algo e colocou no ouvido, mas alguém gritou o que eu supunha ser o seu nome e então o sujeito colocou aquilo no bolso, me encarou uma última vez e foi embora. Fui andando por ruas e mais ruas, mesmo com o dia claro, elas eram escuras e cheiravam mal. Vi vários homens saindo de uma casa e mais outros entrando. Com medo, segui para uma rua mais afastada e ao virar, percebi que ela não tinha saída, mas estava cansada demais para voltar e procurar por outro lugar.

Ali cheirava muito mal, havia ratos e baratas andando pelas paredes. Meu corpo já não aguentava mais, minhas pernas estavam fracas e só não caí porquê ainda estava me apoiando no pedaço de madeira. No canto mais afastado daquele beco, vi umas caixas e andei naquela direção. Quando cheguei, peguei algumas e as rasguei, usando minhas últimas forças para fazer uma cama de papel e me deitar. Minha roupa estava colada ao corpo e os tremores estavam mais fortes. Exausta, fechei meus olhos e rezei para que meu pai, lá do céu, mandasse alguém para me ajudar. Não sabia dizer a que horas voltei a sonhar com Papito e daquela vez eu estava no meu quarto na casa de campo. "- Princesa, agora vamos conversar um pouco sobre o que vamos fazer na noite de núpcias. - Núpcias? - Sim. Quando um homem se casa com uma mulher a primeira noite do casal é chamada de noite de núpcias onde a esposa entrega o corpo para o marido para selar a união deles. - É aí que faremos como nos filmes? - Sim, mas antes tem toda uma preparação, princesa. Você terá que tirar toda minha roupa e eu vou tirar a sua..." - Aurora, eu não mandei que você mudasse de posição. - Estou cansada, Papito, minhas pernas estão doendo. - Então pegue o divã e o coloque no lugar da poltrona..." Acordei assustada e vi um cachorro perto de mim. Ele me olhou e saiu como se não tivesse visto nada. Olhei para baixo e vi ratos andando por cima das caixas, mas estava tão cansada que não consegui espantá-los. Minhas pálpebras pesaram, e eu sabia que se os fechasse, veria Papito de novo e eu não queria, mas foi impossível ficar com os olhos abertos, meu corpo desligou sem minha permissão.

Capítulo 2 Toda sua

"- Vou colocar um filme para você e quero que imagine nós

(...) - Agora, está vendo que a mulher está quase na mesma

posição que você, com as pernas abertas? Isso se chama sexo oral e é o que vou fazer com você, chupar sua intimidade...

- Não vou fazer isso, Papito.

- Claro que vai... Precisa me obedecer para agradar seu pai também...

- Papito, por quê temos que fazer isso?

- Para termos filhos puros... vou enfiar meu pau na sua buceta..."

Acordei assustada. Não sabia como, mas me lembrava de cada palavra dita por Papito.

Suor escorria pelo meu rosto. Escutei gritos e fiquei com medo, será que ele havia me encontrado? Após alguns minutos apavorada, os ruídos ficaram mais distantes e só aí consegui soltar o ar que nem percebi que estava segurando.

Havia escurecido novamente e eu não sabia há quanto tempo estava naquele lugar horrível. Tentei me levantar, mas não tinha

forças, minha visão escureceu e meu corpo caiu. Me encolhi numa tentativa de espantar o frio, mas não adiantou, meu corpo não parava de tremer. Tateei o chão e achei um pouco de papel. Peguei as folhas e joguei por cima para ver se o frio melhorava. Fechei os olhos e mais cenas explodiram na minha mente.

"- Onde você vai enfiar isso em mim?

- Na sua buceta..., vou fuder você..., mexo no meu pau...

- Sim. Por quê faz isso?

- Estou com tesão... Me olhe com atenção, vou chamar uma pessoa...

- Quem é ela, Papito?

- É uma modelo que irá demonstrar comigo o que irei fazer com você, princesa...

- Papito, não quero ver isso..."

Senti meu corpo ser levantado e a dor daquele movimento me fez gemer.

- Hummm...

Escutei uma voz linda, suave e aflita. Dedos firmes, mas leves, passaram pela minha testa. Não tive forças nem para ter medo.

- Aurora, pode me ouvir?

Eu queria dizer que sim, mas não consegui, meus lábios estavam rachados e minha boca seca. Meu corpo tremia e queimava, eu só queria que aquilo acabasse. Ouvi a mesma voz me chamando de novo.

- Aurora?

Daquela vez consegui abrir os olhos e não tinha certeza se o que vi era real, porém havia um homem lindo em cima de mim. Tentei erguer meu braço e não consegui sustentar seu peso. Minha voz saiu baixa, a dor na minha garganta quase me impediu de falar:

- Não me machuque...

- Não tenha medo, confie em mim.

A última coisa da qual eu me lembrava era de escutá-lo dizer algo sobre confiança e então apenas senti meu corpo sendo erguido, acreditava que a morte finalmente havia me encontrado.

Capítulo 2

aralho de homens incompetentes, como foram deixar alguém entrar ali e levar minha princesa, minha obsessão? Fiquei anos esperando por aquele momento, o instante em que ela completaria

18 anos e seu corpo, enfim, seria meu.

Peguei minha arma e apontei para todos que estavam ali naquele momento. Otávio, mesmo ferido, tentou me impedir, mas eu o ameacei. Peguei um dos conselheiros que estava escondido atrás de uma cadeira e explodi seus miolos sem dó. Os outros tentaram se esconder, mas eu só enxergava vermelho.

O ódio de perder meu bem mais precioso estava me cegando. Anos de espera, eu estava com meu pau bem na entrada da sua boceta lisa e intocada, mais 10 segundos e eu teria sentido seu calor. Eu a criei para ser minha, eu a moldei de um jeito que ela me agradaria 24h sem contestar.

Peguei outro conselheiro e mandei que o amarrassem na mesa de exames. Ninguém se mexeu quando eu dei a ordem, então, apontando a pistola para todos, atirei em mais dois soldados. Quando apontei a 9mm para o resto, três deles pegaram o homem e

o colocaram na mesa de exames, mas antes ordenei que o deixassem sem as calças.

- Don Gambino, você é louco, o que pretende fazer?

- Cale a boca, covarde, vou mostrar a todos aqui quem manda nessa merda e vou punir cada um que não fez nada para evitar que minha protegida fosse pega. Vocês deveriam ter ajudado a protegê-la seus merdas, bando de cagões. Vocês não honram as bolas que possuem entre as pernas... Mas eu vou mostrar porquê eu sou o Don dessa porra toda e cada um de vocês me deve obediência.

Pensando em Aurora, meu pau ficou duro. O tirei da calça, cuspi na mão, molhei meu pau e me enterrei no cu do conselheiro que estava amarrado. Martino gritou por socorro e quando vi senhor Ricci se aproximar, eu apontei a 9mm para ele e disse:

- Não dê mais nenhum passo se não quiser morrer ou ter o cu fodido igual a Martino - olhei para todos meus homens e conselheiros que estavam na sala e continuei:

- Que isso sirva de lição para todos, quando algo der errado e não sair do jeito que eu quero, um de vocês terá o cu fodido e se lembrará que falhar com a Black Mind não tem perdão.

Enfiei meu pau e deixei a raiva fluir, tomar conta dos meus atos e comandar o show. No cômodo havia apenas um único barulho: O do meu corpo batendo contra o corpo de Martino que já nem gritava mais, ele preferiu ter o cu fodido do que a vida ceifada. Cheguei ao êxtase com um grito. Quando me recuperei, ajeitei meu pau nas calças, olhei cada um novamente e deixei o local.

Fui para meu quarto e a cada passo, me lembrei de cada detalhe que tinha vivido com Aurora até aquele instante.

eu nome era Frederico Gambino e eu pertencia à Black Mind, uma máfia pouco conhecida e muito sonsa para meu gosto.

Meu cargo naquela bosta que eles chamam de máfia era o de Consigliere de Don Morello, mas por pouco tempo, meus dias nesse cargo estão contados.

Don Morello era muito brando em suas leis. Por exemplo, na Black Mind era proibida infidelidade após o casamento e maltratar ou estuprar qualquer mulher de dentro ou de fora, era algo inaceitável. Se alguém desobedecesse, o próprio Don se encarregava da punição.

Ali as mulheres eram tratadas com todo respeito e eram muito protegidas. A virgindade era exigida para o casamento e alianças vantajosas eram feitas, mas apenas depois de uma investigação minuciosa feita por Don Morello. Ele fazia questão de escolher homens em outras máfias que pensavam como ele, ou seja: que mulher foi feita para ser respeitada e não tratada como objeto.

Morello amava e respeitava tanto sua esposa, que ela tinha uma influência enorme sobre ele e era por isso que o próprio tratava as mulheres como os bens mais preciosos daquela organização, pois acreditava que com casamentos felizes, as coisas fluíam melhor.

Quando eu assumisse o poder, tudo aquilo iria mudar. Mulheres foram feitas apenas para gerar herdeiros e esquentar nossa cama. Pelas minhas investigações, a maior parte do Conselho discordava das ações do Don, então seria fácil tê-los ao meu lado.

Quando Morello se tornou Don e casou-se com Felipa em agosto de 1996, eu ainda não tinha pretensão de ser Don. Meu cargo como Consigliere estava ótimo, eu tinha poder e belas mulheres ao meu lado, mas tudo mudou quando sua filha nasceu cinco anos depois.

A vi como uma ameaça ao meu cargo, afinal, Morello iria fazer aliança com alguma outra máfia através de um acordo de casamento e eu, provavelmente, seria destituído do posto, já que o marido dela comandaria as duas organizações e com certeza colocaria alguém de sua confiança como seu Consigliere. A partir dali comecei a pensar em como me livrar de Don Morello e assumir a cadeira dele.

Na Black Mind, a sucessão era de pai para filho, mas se o Don tivesse apenas uma herdeira, como era o caso de Morello, a sucessão seria através do casamento. Se o casamento fosse demorar a acontecer, o Conselho poderia indicar um sucessor até que a herdeira se casasse e seu marido pudesse assumir a cadeira caso o Don atual morresse. Então, com o nascimento de Aurora, uma ideia foi se formando.

Anos se passaram e eu continuei fazendo meu trabalho de forma impecável e aproveitei aquele tempo para estudar cada membro do Conselho e procurar por uma oportunidade para acabar com Morello de maneira que não deixasse pistas.

Tudo ia bem, até que meses atrás, escutei Don Morello conversando com o Don da Máfia Foggiana, Giancarlo Foggia. Me lembrava bem daquela conversa:

aqui?

"- Giancarlo Foggia, quanto tempo, meu amigo!

- Digo o mesmo, Morello. Mas me diga, por quê me chamou

- Giancarlo, seu menino completou 15 anos, estou certo?

- Sim, Morello e ele será iniciado em breve.

- Está na hora de fazermos uma aliança através do

casamento de nossos filhos, o que me diz?

Capítulo 3 Toda sua

- Aurora ainda não foi prometida a ninguém?

- Não, Giancarlo. Desde que ela nasceu, eu penso nessa aliança, pois sei que como eu, você criou seu filho com nossos princípios. Eu não poderia entregar minha menina para qualquer um. Sei que seu filho será um excelente marido para ela e um dia o filho deles comandará e unirá nossas máfias.

- Morello, eu aceito essa aliança. Quando quer fazer o acordo oficial?

- Por enquanto vamos manter essa conversa entre nós, mas eu te dou minha palavra, Aurora se casará com seu filho quando ela completar 18 anos. Eles serão apresentados formalmente em sua festa de 15 anos e cumprirão todas as formalidades a partir daí.

- Faremos como sugeriu, meu amigo, em breve nossas máfias serão fortes o bastante para expandirmos os negócios."

Giancarlo tinha ideias parecidas com as de Morello e comandava sua organização com mãos de ferro, mas quando o

assunto era mulheres, ele também era mole.

Como Aurora completou 5 anos, fazia sentido o Don ter aquele tipo de conversa, já que as meninas na Black Mind eram prometidas naquela idade para firmar compromisso entre as máfias.

A diferença de idade entre o filho de Giancarlo e Aurora seria grande, 10 anos, mas aquilo não importava em nosso mundo, o que ditava era se o acordo seria vantajoso ou não, todavia, para Morello e Giancarlo algo assim não era o bastante, o pretendente teria que ser honrado.

No fim, eles firmaram o compromisso entre si, porém, tendo apenas os dois na sala. Não havia testemunha do acordo feito e aquela foi a deixa para que eu colocasse meu plano em ação.

Logo depois daquela conversa fiquei de olho para ver se eles iriam firmar o compromisso de casamento entre as Máfias e fazer o elo de sangue, no qual eles selariam o acordo num documento assinado com o sangue dos dois Dons, mas aquilo não aconteceu. Acreditava que como eles eram amigos, apenas a palavra empenhada era o que bastava, mas ambos estavam muito enganados e o golpe viria de onde menos esperavam.

Anos de espera por uma oportunidade perfeita estavam me deixando cansado. Naquele ano, Aurora completaria 8 anos e com certeza o acordo firmado entre Don Morello e Don Foggia seria oficializado entre eles, já que o menino completou 18 anos.

Don Morello raramente exibia Aurora, mesmo eu sendo seu Consigliere tinha visto a menina apenas três vezes quando menor.

Meu pensamento foi confirmado quando meu fiel soldado, Otávio, chegou me entregando um convite:

- Senhor, acabou de chegar, um soldado de Don Morello veio pessoalmente.

- Obrigado Otávio, pode sair.

Abri o convite e como eu suspeitava, era para o aniversário de Aurora. Havia um bilhete anexo ao envelope dizendo que eu deveria ir 10 dias antes para ajudar nos preparativos e fazer a guarda de uma festinha que aconteceria antes, onde Aurora receberia os filhos dos soldados.

Eu imaginava que eles assinariam o compromisso naquela data e quando o dia chegou, dei ordens aos meus soldados para que fizessem a segurança ao redor da mansão e que Otávio entrasse comigo, com o auxílio dos meus homens seria mais fácil ficar de olho nas coisas.

Já dentro da mansão paralisei ao ver como Aurora estava ainda mais linda. Cercada de crianças, ela se destacava com sua pele alva, cabelos pretos como carvão e olhos verdes quase transparentes. Tudo em mim mudou, a cadeira de Don deixou de ser o alvo. Olhando para ela que brincava com outras crianças, tomei uma decisão: ela seria minha e eu faria de tudo para que aquilo acontecesse, nem que eu tivesse que esperar mais alguns anos.

Ali olhando para ela comecei a imaginar como poderia colocar meu plano em prática, pensei em Otávio e logo uma ideia surgiu. Eu o enviaria para trabalhar na casa de Don Morello com a desculpa de ter recebido uma ameaça à pequena Aurora e assim ela precisaria de proteção.

Com Otávio dentro da mansão, seria muito mais fácil seguir os passos do Don e poder executar meu plano: matá-lo, me tornar

Don, casar-me com Felipa e ser padrasto de Aurora e quando ela completasse 18 anos, daria um jeito de me casar com ela para ter filhos de linhagem pura.

Eu tinha pouco tempo para colocar Otávio lá, menos de 10 dias e se eu não conseguisse, Aurora seria dada em casamento para a Máfia Foggiana em sua festa de aniversário principal.

E assim eu fiz, chamei Don Morello e falei sobre a ameaça. Como ele era apegado demais à Aurora, sua única herdeira, concordou no mesmo minuto e a partir dali, Otávio passou a ser a sombra de Aurora.

Com muito custo, consegui convencer Felipa de que seria perigoso realizar a festa de aniversário principal, já que várias pessoas de máfias diferentes foram convidadas. Argumentei que como Aurora já tinha festejado com as crianças, não seria necessário mais um evento só para os adultos e por pouco consegui evitar que eles firmassem oficialmente o acordo de casamento. Respirei mais aliviado quando o documento não foi selado com sangue.

Naquele dia, 6 meses após ter enviado meu soldado para lá, meu plano continuava dando certo. Otávio me enviava relatórios diários com tudo que acontecia na mansão e fotos da menina. Perdi as contas de quantas vezes me masturbei vendo aquelas fotografias, Aurora se tornou meu vício, minha obsessão.

Depois de anos pensando, eu finalmente tinha bolado um jeito de matar Morello e ainda colocar a culpa em outra máfia. Montei todo um esquema para uma emboscada e a oportunidade ideal surgiu quando Otávio me relatou que Don Morello iria se encontrar com o Subchefe de Palermo para tratarem de um

carregamento de heroína. A reunião de negócios seria num restaurante neutro que não tinha relação com nenhuma máfia e por isso ele dispensou os soldados.

Sabendo daquele encontro, marquei uma reunião de última hora com Morello com o pretexto de falar sobre uma possível aliança com a Máfia Calabresa, para deter o tráfico de mulheres praticado pela Máfia Nigeriana.

Consegui conversar com Don Morello e argumentei que ele não poderia ir sozinho já que tinha dispensado os soldados. Depois de muita insistência, o próprio aceitou que eu fosse junto e me convidou para passar a noite em sua residência, assim poderíamos seguir viagem para Palermo bem cedo no dia seguinte.

Tarde da noite, saí pelos corredores da mansão e se alguém me questionasse poderia dizer que estava procurando pela cozinha, quando meu real objetivo era o quarto de Aurora. Não foi preciso andar demais, pois seu aposento era ao lado dos pais. Entrei devagar e fiquei por alguns minutos apenas contemplando aquela beldade em forma de criança.

Eu estava arriscando meu pescoço, mas valia a pena o risco. Permaneci ali por alguns minutos, fiz carinho em seus cabelos, levei-os até o nariz, inalei seu perfume único e infantil, tirei uma foto com meu celular e voltei para meu quarto. Ahhh Aurora, mais alguns anos e você será minha, seu corpo e sua virgindade serão meus prêmios por trabalhar tanto. Fiquei duro apenas por olhá-la e não tive opção senão me aliviar durante o banho gelado.

Capítulo 3

o dia seguinte, pegamos um dos carros blindados e Don Morello dispensou o motorista. Seguimos em direção à

Palermo pela estrada A19. Otávio estava nos esperando na saída E90, pois era um lugar deserto.

Seguimos o caminho conversando sobre a Máfia Nigeriana e quando percebi que estávamos nos aproximando da saída E90, me preparei para o que estava por vir. Logo na saída da pista, nosso carro teve os pneus perfurados por balas fazendo com que Don Morello perdesse a direção e capotasse.

Quando o carro parou, demorei algum tempo para entender o que tinha acontecido. Olhei para o lado e Don Morello estava desacordado e com sangue escorrendo pela testa. Saí do veículo com muita dificuldade e caí no chão gritando de dor. Aparentemente eu não tinha nada quebrado, mas havia cortes pelo corpo e minha cabeça doía muito devido ao impacto no vidro e só não foi pior, porquê o airbag abriu. Me arrastei um pouco para o lado do motorista e precisei parar algumas vezes para respirar. Tirei Morello do carro e bati algumas vezes em seu rosto. Ele despertou e notei a confusão em seu olhar e para interpretar bem meu papel, fingi um desespero que não tinha.

- Don, o senhor está bem? Fomos emboscados, temos que sair daqui e procurar abrigo, o senhor consegue se mexer?

Ele gemeu ao se levantar, mas ignorando seus ferimentos, ficou em pé com muito esforço. Quase sem fôlego ele se apoiou em mim:

- Estou bem, Frederico. Como sabiam que nós iríamos fazer essa rota? Agora não importa, vamos acabar com quem quer que seja. Você está armado?

- Sim, senhor.

- Você está bem?

- Nada quebrado e os cortes não são tão sérios.

- Então vamos.

Ele me soltou e foi andando na frente, deixando meu plano ainda mais fácil.

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